quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ESTAMOS EM REFORMA PARA MELHOR ATENDÊ-LOS

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Texto exibido na Coluna Fala Bento! na worknet.
Andando por aí me deparei com uma placa com o seguinte dizer: “Estamos em reforma para melhor atendê-los”. Achei genial.

Já parou para pensar que nós aplicamos isso nas nossas vidas também?
Eu estou falando de recomeços, olha em volta e veja como nos reinventamos diariamente, quando somos largados, deixados de lado, abandonados por quem amamos, quando tomamos aquele famoso “Pé na Bunda”, a primeira coisa que pensamos é em nos demolir, e realmente nos demolimos. Depois pensamos num projeto de reconstrução, colocamos esse projeto num papel como uma planta e começamos a reconstrução.

Mudamos de amizades, resgatamos algumas amizades deixadas de lado, mudamos de corte de cabelo, renovamos o guarda roupa, baladas novas ou diferentes, fazemos algum curso de seis meses só para nos ocupar, viajamos para lugares que ainda não conhecemos, nos reinventamos totalmente. Acontece com todo mundo.
Fazemos de tudo para afastar as lembranças, provar que somos melhores do que isso, e que estamos muito bem sozinhos, obrigado.
Porém, com toda reforma vem estresse, bagunça, sujeira, incomodo. Toda reforma gera perdas e ganhos, nos modificamos como a um mutante, é impossível permanecermos os mesmos depois de sofrermos por algo ou alguém.

Mudamos até o caminho de casa para não lembrar da antiga companhia.
Aquela rádio que você ouvia todo dia incomoda pelo fato de tocar aquelas mesmas musicas que ouviam juntos, logo você muda de rádio, você muda até de gênero musical.
Aquela roupa que ela ou ele adorava te ver com ela, você doa, rasga, poe fogo, e nunca mais compra se quer algo parecido com aquilo, você muda até de estilo, melhor andar fora de moda do que lembrar.
Aquele livro que você ganhou de presente dele ou dela e que você estava prestes a terminá-lo você jamais saberá o final, afinal, para que terminar de ler se você não tem mais ninguém para comentar sobre ele.
E aquele passeio que planejam fazer juntos, naquele parque, deseja que nunca mais passe nem perto e se passar fechará os olhos até que o destino fique para trás. Se não for com a companhia que você queria para quê ir? Você muda de endereços.

Até o jeito que você falava, as gírias e vícios você se esforça para perder, pois, qualquer palavra dita com certa ênfase te faz lembrar, então você muda mais uma coisa em você.
Os dias passam e você vive encontrando aquelas pessoas desavisadas que insistem em perguntar daquela pessoa, e você com um sorriso amarelo tenta disfarçar e ser o mais educado possível, fingindo não sentir mais nada, mas você lembra e vai lembrar o dia todo, a semana toda, logo agora que faziam alguns dias que você não lembrava. Então você muda de amigos, só para não ouvir mais os comentários.
O pior é mudar de personalidade, você que vivia sorrindo fazendo piadas parece seu bisavô ex combatente de guerra que vive de mal humor e acha que tudo que as pessoas dizem e fazem é para te enganar e te estressar, ou você era um sujeito tímido e agora vive falando com todos querendo ser o mais popular possível, é a vontade de aparecer.

Mas as pessoas não mudam nunca. Logo essa reforma acaba, e vemos no momento da inauguração que tudo estará como sempre, apenas alguns azulejos novos.

Bento.
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3 comentários:

Loirinha ;* disse...

Você deve sabeer que eu estou nessa fase ^^
Novas amizades,novas baladas.
Aquela amizade antiga qe aparece \o
mas voce esta certo, as pessoas não muudam..
e nem adianta parar de sair pro lugar que você saia para não ver aquela pessoa, eu acredito que o mlhr é enfrentar..

Fabricante de sonhos disse...

concordo, as pessoas não mudam nunca. As coisas do passado vão sempre assombrar.

Bento Qasual disse...

Assombrar é uma coisa, deixar de viver é outra...