sábado, 26 de fevereiro de 2011

O FAZEDOR DE GOLS DO AMOR

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Washington Clemente vestia a camisa dez do futuro campeão da série A3 do campeonato paulista, em sua camisa havia o nome Clézinho no meio de infinitos patrocinadores como a Padaria do João Aveia, o açougue Do Boi Ao Céu, até o mini mercado Horizonte.

O Estádio Manoel de Eutanásio estava cheio com seus três mil e novecentos torcedores do time da casa, mais algumas centenas dos visitantes.
O relógio marcava quarenta e dois minutos do segundo tempo da final do campeonato, Clézinho acabara de sofrer um pênalti, a bola estava na marca de cal, boa parte da torcida já comemorava, uma minoria roía as unhas de apreensão, alguns jogadores do time de Clézinho se abraçavam, Clodoaldo Ernesto técnico do time da casa gritava com Clemente da beira do campo para acalmá-lo.
O goleiro do time adversário quase borrava as calças, ou melhor, o calção. Marcelo Paraíba era reserva e estava estreando justamente no jogo final. Paraíba sabia que poderia se consagrar pegando o pênalti, ou nunca mais sair do banco de reservas.

Clézinho com as mãos na cintura parecia não estar ali de tanta calma que aparentava, esperava só o árbitro apitar. Via que Paraíba estava nervoso pulando para lá e para cá tentando tirar sua atenção.
O árbitro apitou, era agora, o sinal avisando que Clézinho poderia sair do estádio como herói ou vilão. O primeiro passo.
Agora todos os torcedores levavam as mãos à boca tentando achar uma pontinha de unha.

Segundo passo. Vários outros torcedores apertavam o radinho de pilha na orelha como se aquilo fosse ajudar a bola entrar.

Terceiro passo. Professor Clodoaldo estava de costas para o campo, não queria ver, iria saber sobre o gol ou não pela reação da torcida.

Quarto passo. Até os policias olhavam para o campo, afinal nenhum torcedor iria invadir o gramado nessa hora.

Quinto e último passo. Clezinho agora estava a trinta centímetros da bola ele já sabia onde iria coloca-la, Paraíba já tinha decidido que iria pular para o lado esquerdo do batedor.

Clezinho chutou, Paraíba pulou. Não se sabe quanto tempo a bola levou para chegar ao seu destino, mas todos já sabiam onde ela iria parar... Gooooollllll!

Agora todos estavam no vestiário. Clézinho era disputado a tapas pela imprensa local, o grande herói do jogo, campeão estadual, o cara que levou seu time para a série A2 do campeonato. Incontáveis Marias Chuteiras eram introduzidas no vestiário para apimentar ainda mais a comemoração, o preferido delas seguindo a lógica era o astro fazedor de gols em final de campeonato. Bebidas, charutos e mulheres.

Os cinco empresários que dividiam o passe do jogador vinham trazer notícias sobre novas propostas de times da primeira divisão e até alguns times da Ásia e Oriente Médio com nomes impronunciáveis.
Clezinho mantinha a mesma paz de espírito que tinha quando bateu o pênalti, ele só pensava em seu amigo de infância Renato, ou como ele costumava chamar - traduzindo todo o afeto entre os dois: Amor.
Clézinho não via a hora de aquilo tudo terminar para encontrar seu amor e aí sim comemorar com quem realmente lhe entendia e amava.



Bento.

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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

TUDO ISSO É SÓ VOCÊ

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Sabe aquela alegria ao acordar uma hora mais cedo do necessário de manhã? É você.
Sabe aquela dançinha improvisada depois que você desliga o telefone? É você.
Sabe aquele sorriso bobo depois de fazer uma arte? É você.
E aquele caroço de feijão que o gato levou brincando até o canteiro de terra e a natureza se encarregou de dar vida a ele? Esse também é você.

Sabe aquela fotografia que toma minutos incontáveis da nossa atenção? É você garota.
E aquele beijo de despedida que era para durar dois segundos e acaba se transformando em vários beijos e puxões? É você, fato!
Aquele cheiro de chuva que dá vontade de cama e chocolate quente? É você também.
E quando acorda atrasado para ir trabalhar e descobre que é domingo? Evidente que é você.

Sabe quando achamos uma nota perdida no bolso da calça? É você.
Aquele gol de desempate aos quarenta e oito minutos do segundo tempo a favor do seu time do coração que faz gritar até engasgar? Esse é você.
Quando a joaninha pousa em seu ombro e você deseja que ela não saia de lá por um bom tempo? É você.
Sabe quando você descobre um chocolate no fundo da bolsa? Claro que é você.
E quando a rádio toca aquela música que você adora? É você.

Quando descobrimos uma latinha de cerveja escondida no fundo da prateleira da geladeira, atrás da margarina? É você.
Aquele casal de velhinhos ainda apaixonados no banco da praça e você se pergunta se será assim com conosco? É você com certeza.
Sabe aquele cheiro de café fresco que vem da casa do vizinho? É você sim.

Quando você entra na sala do cinema e descobre que a poltrona do meio, na última fila, está vaga? É você.
E quando chega a hora de voltar para casa depois de um dia inteiro de trabalho e sabe que a pessoa dos seus sonhos esta te esperando para perguntar como foi seu dia? Esse sou eu.


Bento.

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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Modéstia à Parte...

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O beijo é o sexo com penetração só de língua, é o sexo na sua forma mais primitiva.
As mulheres dizem que homem não consegue fazer duas coisas ao mesmo tempo, concordo até... Porém quando beijando, o homem consegue pensar em sexo, virar a cabeça, mexer a língua, colocar uma mão na bunda e com a outra fazer qualquer outra coisa. Isso serve para mostrar o quanto o beijo consegue fazer transparecer o melhor de cada ser.
Não há beijo sem motivo, não há beijo sem sentimento. Até Judas ao trair Jesus transpirava sentimento.
Mas existem beijos e beijos. Digo que independe da quantidade de amor aplicado num deles, desde que haja uma variação de velocidade, sem exageros na saliva, democracia entre as línguas, seus dedos entre os cabelos massageando lentamente a nuca enquanto a outra mão atrai levemente a cintura alheia à sua e mordidas leves nos lábios...
Esteja certo que será lembrado por muito tempo.

Bento.

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Pestana (Cantiga de Ninar)

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Venha se juntar ao lado meu.
Quero conhecer o seu melhor.
Faça de conta que sou eu.
Aquele pedacinho de cipó.

Que te levará pra passear.
Na nossa floresta de algodão.
Perto do riacho de morango.
Com cobertura de limão.

Chame o passarinho lá do céu.
Convide o macaco pra dançar.
Vamos dividir os pirulitos.
Com nosso amigo tamanduá.

Só deixe as formigas pra depois.
Por que elas são muito gulosas.
Vão comer todo o chocolate.
Não sobrará nada pra minhoca.

Pegue o pedaçinho de cipó.
Está na hora de voltar pra casa.
O João Pestana já chegou.
Amanha é dia de escola.

Bento.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Fotografias, Nada Mais...

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Todos os dias tenho feito minhas refeições na varanda.
Não que as estrelas falem comigo, é que me sinto mais próximo de você.
Todos os dias olho suas fotografias, como um mantra.
É como acordar, almoçar, trabalhar, jantar e dormir. E olhar suas fotografias...
Para isso não existem feriados.

Bento.

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Prozac é Outra Coisa...

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Pare tudo isso.
Ou então acelere de uma vez para chegar logo ao destino, ou quem sabe encontrar um muro pela frente que não dê tempo de frear, o que dá no mesmo.
Eu sei que sempre soube tudo sobre começo, meio e fim, mas só o que sei agora é que nada disso existe mais.
Talvez meus sonhos sejam tão malucos que será preciso dividi-los com outros, ou viver os dos outros. Talvez nem sonhe mais... Eu não sei nada sobre a paz, só conheço coisas que eu já pude experimentar.
Nunca entendi o sentido da frase: Menina dos olhos. Agora eu sei, mas isso não muda o fato de não saber nada sobre isso e ainda precisar parar, ou acelerar.
Eu desço neste ponto.
 Adeus.

Bento.

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Tão Bela Até Corada.

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Não é que eu seja rápido demais, não é que eu seja ansioso demais, não é que eu seja impaciente, não é que eu não saiba esperar, nem pense que é fácil desistir, não é que eu tenha pressa.
É que é tão fácil gostar de você...

Bento.

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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Exausto.

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Eu não sei mais o que escrever, não tenho mais o que dizer.
Eu sou um monte de coisas sem sentido que insiste em se sobre sair por motivos que não sei bem.
Não sei. Eu não sei de um monte de coisa, eu não sei de nada como uma criança pega na arte, eu sei lá.
Acaba-se de naufragar a ultima balsa para sair dessa ilha que é minha mente, a ilha do Bento. Eu afundei também, fui junto com ela igual a capitão que não abandona seu barco. Eu não queria ficar na ilha sozinho, então grudei nela e disse: Está tudo bem, vamos afundar juntos já que é inevitável.
Tudo que queria ouvir de alguém, mas não consegui. Eu sou assim, dou para os outros tudo o que quero que me dêem, não quer dizer que só faço isso para ter de volta, mas se tiver é melhor.
Só que tudo isso acabou, acabou o gosto, não reconheço meu paladar.
Meu rosto no espelho me encara com desdém, me acusa, acabei conosco.
O cheiro e os amigos invisíveis me fazem lembrar os erros, e num dia desses ao telefone um desses amigos disse: Lembra daquela vez? Foi a maior burrada da sua vida. Mal sabe ele que desde aquela vez eu já cometi tantos outros erros.
Não me sinta, não me olhe, jamais espere algo de mim, vai decepcionar-se de fato.
Quando criança sempre me espelhei nos piores exemplos, talvez porque sempre me identifiquei com a tragédia, com o drama, talvez fosse uma premonição.
Construí uma bolha, onde as pessoas do lado de fora poderão me ver, eu não poderei ver ninguém, na bolha levarei alguns pacotes de cigarros, alguma bebida alcoólica amarga como a vida, e um álbum de fotografias sobre aqueles lugares que eu nunca irei conhecer.

Mas uma dessas fotos é a sua que tirou em meu nome.

Bento.

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Fim Parte III

Este blog estará desativado em breve.

Mais dois ou três textos somente concluirá o que foi iniciado, sem nenhum êxito...

Bento.

Fim Parte II

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"A solidariedade do povo brasileiro". Fico indignado como qualquer outra pessoa com a situação dos moradores do RJ, mas não notei todo esse alarde da MÍDIA sobre Franco da Rocha que passaram pela mesma situação, numa proporção bem menor é verdade, mas será que porque houve menos mortos devem receber menos atenção? O Estado do Rio de Janeiro está entre os três Estados do país que mais arrecadam receitas com impostos, turismo e etc. E onde está todo esse dinheiro?
Ultimamente o Governo Federal tem adotado uma política de AMA DE LEITE do RJ, aplicando dinheiro público de todos os Estados através da UNIÃO para a segurança (Caso do Morro do Alemão), para o Pan-Americano, e agora para as Olimpíadas e a Copa do Mundo, desculpe-me se aparento uma demasiada frieza com os fluminenses, mas será que dariam tanta atenção a outros estados “menos famosos” ou “menos MARAVILHOSOS”? Não sou bairrista, mas o MEU DINHEIRO já está ajudando o RJ há muito tempo e não serei hipócrita de me sentir obrigado a ajudá-los ainda mais por causa de apelos dos “artistas”.
Ao invés de me pedirem mais e mais dinheiro eles deveriam perder todo esse tempo dedicado a apelos para nós “Os brasileiros solidários” para cobrar os safados dos políticos que enfiam nosso dinheiro no próprio bolso. A minha obrigação é pagar impostos, a obrigação dos políticos é aplicar esses impostos a favor da população. Eu estou fazendo a minha parte...

Bento.

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Estou Falando de Ódio. (Final parte I)

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Eu odeio pessoas chatas, mas o que é ser chato?
Pessoas inteligentes demais podem ser chatas, pessoas ignorantes demais podem ser chatas, a inconveniência é chata.
Eu odeio quando a cerveja acaba, odeio saber que o final do refrigerante é sempre mais gostoso.
Eu odeio Israel, nada contra israelitas ou judeus, mas o nome do país me irrita.
Passei a odiar dreads, pode ser que alguém venha me convencer do contrario, porém neste instante eu odeio.
Odeio não ter controle das coisas, porém quando tenho se torna um tédio e eu definitivamente odeio tédio.
Odeio políticos, odeio barata, odeio quando o gás do isqueiro acaba, odeio quando não encontro a minha marca de cigarros favorita na padaria aqui perto de casa porque eu odeio andar sem motivo.
Odeio filas, odeio que cortem a fila na minha frente.
Odeio ter que ter paciência, aparentar paciente, pois não sou.
Odeio pessoas que se acham melhores do que eu porque ouvem reggae, comem salada, e ama os animais.
Odeio que critiquem meus vícios e eles são tantos como sexo, fumar, beber, xingar, falar alto, assistir futebol, ouvir musica alta...
Odeio que me critiquem pelo meu ecletismo.
Odeio o fato de não conseguir me contentar com nada, odeio bebidas doces.
Odeio cartas baixas no pôquer, odeio pessoas baixas na vida.
Odeio injustiça, Odeio ter que fazer a barba.
Odeio ter que usar roupa no verão, primavera, no inverno.
Odeio passar por idiota principalmente quando mereço.
Eu definitivamente odeio muito mais do que amo, talvez por que meu amor seja tão grande, tão intenso, tão fiel que só é possível doar a pouquíssimas pessoas.

Bento.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

A PRINCESINHA DE ISRAEL

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Era uma vez no longínquo ano de dois mil e sete, no décimo nono dia do mês de outubro tomou posse do trono a Princesa Nélia.
Nélia, a Princesa de Israel, como era chamada, governava com mãos de ferro onde nunca, jamais poderia ser contrariada. Suas ordens, seus horários e seus caprichos deveriam ser realizados a todo custo. O não cumprimento de suas ordens levaria à pena de morte, exclusão e expulsão de seu reino e de sua vida.
Em seu castelo, Nélia sozinha, sofria com o tédio e contava com seu fiel Bobo da Corte para animá-la e trazer presentes.

O Bobo da Corte com seus talentos artísticos animava a princesinha com suas canções, suas histórias e poesia, todos seus talentos dedicados à princesa evidentemente.
Neste reinado o Bobo jamais poderia animar, fazer rir, ou cantar para qualquer outra pessoa de dentro, ou fora do reinado, podendo assim, desagradar Nélia e sofrer com sua ira.
Alguns anos depois, o Bobo cansado de tanto trabalho, responsabilidades para com a sua majestade, tantas canções e poesias dedicadas a ela, definhava-se em sua solidão, afinal, causava tanta alegria a princesa e jamais era reconhecido, nunca recebia um elogio por sua criatividade ou atenção, ao invés disso, era criticado e tratado como qualquer outro súdito ou escravo do reino.

Dedicando o pouco tempo que lhe restava, o Bobo refletia sobre o que deveria fazer. Ele também necessitava de um pouco de atenção e afeto, qualquer coisa que lhe fosse dedicada em seu nome para poder dizer que também era amado, mas o Bobo cometeu um grande erro, o Bobo apaixonou-se por sua princesa, não era amor de súdito, era amor de carne, amor de pele.
Tantos anos ouvindo-a, aconselhando-a, vendo-a chorar por solidão em seu trono, fez com que o Bobo tivesse vontade de pegá-la no colo, afagar seus cabelos e fugir dali com ela em seu cavalo para algum lugar que pudessem ser felizes para sempre, mas ele sabia que era impossível.

O Bobo então, com sua desilusão perdeu o seu melhor, perdeu aquilo que o tornava útil, sua alegria e sua capacidade de alegrar sua amada.
Sendo assim, a Princesa Nélia ao perceber que o Bobo já não lhe serviria para qualquer outra coisa decidiu expulsar de seu reino aquele que há tanto tempo lhe tratou como a única coisa importante. O Bobo depois da exclusão continuou a criar canções e poesias para sua amada, porém já não eram mais sobre alegria. Suas criações traduziam sua dor, solidão e falta do sorriso de sua amada.


Bento.

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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Abre-te Sésamo



Portas e janelas fechadas não adiantam nada...
Abra-te para que eu possa entrar e me trancar do lado de dentro!

Bento.

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O Grande Chico

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Era uma vez o Chico.
Chico é grandioso em todos os sentidos.
Toda casa é mais cheia com Chico, mas isso não tem nada a ver com seu tamanho avolumado. Chico é incontestável, até quem não gosta de Chico o prefere do seu lado, abraços que nunca se completam, mas não é preciso. A cada abraço é como agarrar a vida inteira, ali protegida em outros braços e por isso não preciso dizer muito, um abraço e estou salvo por momentos.
Chico é absoluto em qualquer estado de espírito, Chico te acompanhará em enterros, batizados, fossas amorosas, acampamentos e etc.
Penso que Chico mora longe só por capricho, para deixar claro que sempre que precisar ele virá mesmo que tão distante.
Uma vez me peguei pensando em qual animal seria Chico, e pelo amigo que é imaginei logo um cachorro, mas logo mudei de idéia. Chico é um beija-flor que vem até sua casa para beber um pouco de água doce e quando se despede deixa a primavera de presente.

 Obrigado Chico.

Bento.

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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ter cerveja saindo pelo nariz é sempre tão incompreendido! É só alegria, nada mais...

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

CONTE-ME MAIS SOBRE SEUS SONHOS

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Ok! Você acordou e abriu os olhos.
Você acordou, abriu os olhos e mirou o teto, lembrou como ele rodava na noite passada.
Acordou finalmente, curioso é que mesmo com o despertador tocando na sua orelha há três horas seguidas você continua dormindo como uma criança, mas basta um pequeno indicio da chegada de um sonho bom para despertar.
Você acordou, ainda nem abriu os olhos, tateou o criado mudo com as mãos para achar os cigarros, acendeu. Agora abriu os olhos e mirou o teto, acompanhando o balé da fumaça ficando mais evidente ao passar pelo feixe de luz da janela.
Como era mesmo o sonho?

Você acordou, olhou o relógio e pensou ser tão tarde já, mas tarde para quê? Ao dormir você prometera tentar acordar cedo para aproveitar mais o dia de sol, porém foi traído pelo despertador e pelo sonho bom que demorou a chegar. Mas como era aquele sonho mesmo?
Você acordou e hoje decidiu colocar primeiro o pé esquerdo no chão, afinal, todo santo dia ao acordar pisa primeiro com o direito e não vê resultados.
Você deveria ter acordado mais cedo?
Apaga o cigarro e seu corpo pede por uma caneca de café, sua cabeça pesa, gira e dói. Ressaca.
Você poderia fazer uma lista com todos os sonhos ruins durante esses anos e não se lembra da merda do sonho bom que acabara de ter.

Seu corpo pede por café, mas ainda quer ficar um pouco mais deitado.
Ouve os cachorros latirem para o carteiro, o caminhão vendendo gás te leva por alguns segundos há dez ou quinze anos. Agora silêncio.

O telefone toca, mas sabe que o telefonema não é para você e nem se mexe exceto para pegar mais um cigarro, observa ele queimar-se e reflete sobre a curta vida dos cigarrets assim como as borboletas. Pensa em quantos cigarros já não perderam a vida por seu isqueiro assassino e chega a um número absurdo e percebe que ainda há muito álcool em seu sangue para ter um pensamento tão idiota.

Talvez devesse levantar-se e trocar a caneca de café por uma lata de cerveja, quem sabe assim acabe com a dor de cabeça e então continuar o que começou no dia anterior.

Você acordou e faz uma promessa rápida de que vai beber menos daqui para frente, retira a promessa no momento seguinte porque não vê motivos para isso. O que tem a perder? Se não beber fará o quê da sua vida? Imagina-se doando sangue, indo à igreja, pedindo benção aos mais velhos, dizendo frases como; por gentileza, por favor, entre outras coisas e sente enjôo. Imagina-se guardando os palavrões para si, usando roupas formais e lendo livros de auto-ajuda. Agora tem certeza que a promessa não tem pé nem cabeça assim como a sua vida.

Você acorda e começa sentir o cheiro do almoço do vizinho, o que faz acordar seu estômago também, mas se não levantou nem pelo café, nem pela cerveja e muito menos para atender ao pedido de sua bexiga explodindo, com certeza não é o estômago que irá te convencer.
Você acordou e passa a vista pelo quarto e não se lembra da última vez que parou para arrumá-lo, tem medo de achar coisas que não deveria no meio da bagunça.

Você acordou e lembrou-se da visita de uma mariposa ao seu quarto na noite anterior, lembra de pegar no sono observando-a e não consegue lembrar do maldito sonho bom. Você acordou e começa puxar pela memória em uma tentativa desesperada de lembrar do sonho bom e vai longe demais, começa lembrar de todos os seus planos que não saíram do papel e se vê obrigado a acender outro cigarro.

Lembra até do que não deve lembrar, mas não lembra do sonho bom.

Você acordou, esfrega os olhos, sente o gosto da saliva velha e seca pela noite dormida e tudo lhe parece familiar, até mesmo o hábito de virar para o lado com a esperança de haver alguém dormindo ali.
Você acordou e acende um cigarro de despedida, pois vai voltar a dormir até reencontrar seu sonho bom.
Você está quase adormecendo novamente, já pode sentir os sonhos se aproximando e tomando conta dos seus pensamentos, já não consegue distinguir o que é sonho, o que é lembrança ou pensamentos.
Você acordou e lembrou-se que tem alguém com quem você deseja muito falar para terminar o assunto da noite passada, enfim se levanta. Esse era o sonho bom.

Bento.

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domingo, 13 de fevereiro de 2011

Feliz Carpinejar.

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Feliz aniversário!
Dia dezessete de julho, minha vontade de comemorar era exatamente nula, zero e nada mais.
A negativa de comemorar o que não era para ser comemorado, afinal um ano a menos para se fazer tantas coisas, já era uma coisa comum dentro de minha mente, o difícil era só explicar aos parentes e amigos, pois minha vida parece sempre tão mais atraente aos olhos alheios.

O “Feliz Aniversário” já não é mais um desejo, é mais um cumprimento, uma força de expressão. Aniversários não são felizes, é o aviso de chegada dos cabelos brancos, das rugas, das responsabilidades e cobranças por empregos, compromissos, família e etc. Etc. Etc.

Em um desses dias dezessete de julho recebo de presente um livro desconhecido, atraente. Pelo tamanho já pensei que poderia lê-lo em poucos dias. Porém quando vi o titulo me senti ofendido.
Como pode essa insinuação tão mesquinha, deprimente, tão comum talvez. Uma rebeldia disfarçada com um toque de originalidade admito, afinal era a primeira vez que era ofendido através de um livro, mas mesmo assim só gosto de joguinho no flerte, fora isso insinuações são desnecessárias. Ou diga logo o que pretende ou cale-se, insinuar é covarde.
O livro que eu recebi de presente foi o “Canalha!” de Fabrício Carpinejar.
Se fora a dona do presente, ficou o presente. Amei o livro, já li três vezes. Não me arrependi pelo prejulgamento porque acredito que nem a dona do presente conhecia seu conteúdo.
Pensei em devolver o presente com “Mulher Perdigueira”, do mesmo autor, mas ela não merece tanto.

Bento.

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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

BEM VINDA ESTRELA

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...E então o homem se levanta do banco de madeira abaixo da árvore e mirando o céu pergunta: - Ó estrela, então se és tu que irás tirar a cruz de meu peito, se és tu que irás ressuscitar meu coração e doar a ele uma vida nova.

Se fores tu a essência de minha alma e se és tu a imagem que vejo no espelho.
Se fores tu, que mesmo ainda sem voz repeti minhas palavras antes mesmo que elas saem de minha boca e se és tu que fazes nascer o sorriso em minha face?

Se tu és quem me guiará aos céus onde eu desejaria nunca ter caído e se fores tu quem irá iluminar meu caminho até a salvação de minha carne tão judiada.
Se fores tu minha heroína que montada em seu cometa cavalgarás do céu até aqui para salvar-me de mim mesmo.

Se fores tu quem denunciará meus defeitos fazendo deles comuns e insignificantes traduzidos por seus “tambéns”.
Se fores tu que devolveres-me o prazer de olhar para o céu e se és tu quem vai me aproximar do sol e da lua.

Ó estrela se fores tu quem acariciará meus cabelos devolvendo-me o prazer do aconchego e se és tu que fingirás surpresa quando minhas palavras não forem suficientes para revelar um possível amor.
És tu estrela quem me igualará ao dom da Fenix e então renascer das cinzas para poder destilar outros dons adormecidos?
Se és tu estrela...

Pergunto-lhe por quê?
Ora estrela, por que então, Deus lhe deu vida tão longe de mim, sendo que ele já me tirou as asas há tanto tempo?


Bento.



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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

MÓVEIS USADOS

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Outro dia me perguntaram se eu era feliz.
A minha resposta, por motivos que não sei ou talvez não almeje explicar eu não direi aqui.
Nós nascemos, vivemos e morremos e, nascer e morrer é a parte mais fácil.
O que eu não entendo é, porque somos obrigados a sermos felizes?
Onde é que está escrito que seremos felizes?

Alguém em algum lugar garantiu isso como é prometido um bom desempenho do seu computador novo, ou a economia de energia da sua geladeira nova?
A vida não tem manual de instruções assim como também não tem garantia.
Você não poderá reclamar com o fornecedor ou fabricante por que nada lhe é prometido. Então porquê essa obrigação? Porque temos que ser felizes? Os aparelhos de TV deixam de existir quando o controle remoto quebra? Um armário deixa de ser armário quando aparenta defeito em uma gaveta? 

Quando nascemos temos cinquenta por cento de chances de sermos felizes ou não, os cinquenta por cento que não são param de funcionar ou são colocados à venda e substituídos por outros mais novos e de tecnologia superior?

Tudo bem, eu posso concordar que surge um pingo de inveja quando os móveis usados passam em frente às vitrines e veem as últimas novidades em felicidade dos outros cinquenta por cento de móveis sendo disputados por uma odisseia de compradores e seus carnês de doze ou vinte e quatro vezes sem entrada, sendo anunciados por vendedores vestidos de Silvio Santos com microfones em mãos a contar as vantagens dos móveis felizes que acabaram de sair do forno.
Porém, ainda acredito que há espaço para aquela poltrona velha, com um calço em um dos pés e forro rasgado em algum canto de qualquer casa.


Bento.

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domingo, 6 de fevereiro de 2011

S de Só.

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Mais um dia no sentido contrario
Sentindo-se mais um nicho de bajulação
Ombro a ombro sem sentir seu manifesto
Sinto meu capricho cheio de contradição
Beijo meu desejo todo dia quando acordo
Quando eu olho no relógio já é tarde pra acordar
Sinto o ar me sufocar só mais um gole faz sentido
Há mais amor na solidão do que se possa imaginar

Basta um pingo de amarelo pra tornar o branco bege
Basta um espelho para termos companhia o dia inteiro
Minha auto-suficiência já é tão natural
Quanto sua incapacidade de me tornar plural.

Bento.

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A MOÇA E O QUARTO

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Sugerido por @xMyrrha


A moça saberia a história de todos os livros na estante de cor de tantas as vezes que leu.
Saberia a grade da programação da TV e também a do cinema.
Vinte quatro horas para ela pareciam trezentos e sessenta e cinco dias em um só. Sozinha inventava histórias narrando aos seus próprios ouvidos para distrair.
Só olhava para fora da janela quando ouvia a chuva, nesta hora lembrava-se de Rapunzel com suas tranças e sentia o estômago arder de tristeza, seu cabelo era curto demais pensava.

O final de semana parecia segundas-feiras e as segundas-feiras eram sempre piores, só não piores que os domingos.
Viajava pelo mundo pela tela do computador e adora visitar aquele café em Londres, na Rua Westminster sem sair do quarto, podia até sentir o cheiro de café fresco.

E assim passavam os dias sem passar, um dia após o outro sem mesmo saber em qual deles estaria.
Farta de tudo isso a moça resolve fazer algo de diferente, apimentar um pouco seus dias, mudar a rota do relógio que só girava, girava e não levava a lugar algum.
Escreveu uma carta, praticou uma caligrafia diferente para que não soubessem que somente ela estivera ali, na carta havia ameaças e um pedido de resgate, era um autossequestro. Colocou algumas roupas na mochila apressada e forçou o batente da porta para que parecesse uma invasão, deixou a carta na mesa da cozinha e se foi em sentido ao centro da cidade. Lá procurou um hotel barato para ficar e instalou-se.

Alguns dias se passaram e a moça não recebeu sequer um telefonema no número de telefone que havia deixado na carta, nenhuma noticia na TV, nem nas rádios e nem na internet. Passaram-se mais alguns dias e já faziam quase um mês do seu desaparecimento e nada, apenas uma mensagem da operadora do celular novo dando as boas vindas.

Muito mais triste do que antes a moça resolveu ligar para a polícia e denunciar seu autossequestro se passando por outra pessoa, uma que estivesse preocupada com sua situação, discou os números e no primeiro toque desligou o telefone.
De que iria adiantar? Mesmo que a achassem não teria ninguém esperando do lado de fora do hotel barato, nem ao menos um colo para chorar e contar sua história.

Voltou para sua casa.


Bento.

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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Musica: O Pecador.

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Eu sempre procurei um bom lugar pra me esconder
De todo mal, que fiz.
Todas essas desculpas que eu uso pra me perdoar não faz sentido.
Nunca me dou razão quando eu discuto sobre o mal você que fez, pra mim.
Eu sinto-me culpado por deixar o meu destino em suas mãos, repetindo.
O mal que você fez, diariamente.
É como renascer pra morrer novamente.
Sei que não existo, não sou real
Sou como história sem um herói no final

Jamais irei me convencer de que o mundo não servirá mais, pra mim.
É tão comum faltar o ar pra respirar, lutar pra continuar não faz sentido
De que vale o ouro se teus olhos agora olham para outro. Em vez de mim.
Andar sobre as águas já não me impressiona eu quero transformar a água em vinho
Pra me embriagar, sei sou tão mortal
Sou como todo homem que causa o próprio mal
Eu bem que te avisei, sem você não há sorriso
Sou como a morte sem haver um paraíso.

Bento.