sexta-feira, 15 de abril de 2011

Mini Série: O Bilhete( Capítulo I). Abaixe a Música Pedro

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Esse é o primeiro capítulo de uma serie de textos que eu ainda não sei onde vai dar, mas para saber o final vocês vão ter que acompanhar para matar a curiosidade. Veremos...

Pedro debatia-se em forma de dança em seu quarto com o rádio ligado no ultimo volume.
Todas as reclamações dos vizinhos e os pedidos de sua mãe para evitar confusão não impediam o garoto de pular e dançar ao som de Camisa de Vênus, Raul Seixas, Titãs e etc. Pedro dizia que fora do horário da lei do silêncio ele poderia fazer o que bem entendesse.
Dentro então de direito que dizia ter ele continuava a pular, a dançar e tocar sua guitarra imaginaria com uma platéia de pôsteres em preto e branco que ocupavam todas as paredes de seu quarto e até as portas e janelas. Pedro havia escrito no teto os trechos das musicas que mais gostava, logo na entrada lia-se “Eu não cometo pequenos erros enquanto eu posso causar terremotos”. Na parte do teto logo acima da cama havia “Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade”. As paredes do banheiro eram cobertas por jornais velhos e anúncios de shows antigos.
O menino com apenas 16 anos gostava apenas dos artistas que não pôde conhecer no ápice da fama, artistas da época de seus pais, mas amava imaginar-se num dos shows cantando e tocando com seus ídolos.
O curioso é que Pedro não teve seu gosto musical influenciado pelos pais, Dona Clô como era conhecida a mãe de Pedro gostava de Roberto Carlos. Desejava mais do que uma máquina de lavar nova, mais do que uma geladeira moderna, Dona Clô queria mesmo era um dia poder ir ver um show do Rei no navio e passar a noite ouvindo as músicas românticas que romperam as barreiras do tempo e fazem sucesso até hoje. Já Teotônio, seu marido, ou como os companheiros do dominó no boteco o chamavam, Seu Téo preferia ouvir os clássicos da moda de viola como Milionário e José Rico, Tião Carreiro e Pardinho e Tonico e Tinoco. Seu Téo ouvia as modas de viola no seu imortal toca fita que mantinha em seu caminhão enquanto cortava as estradas do país a trabalho.
Não se sabe explicar então do por que Pedro seguiu o caminho do Rock, mas qualquer um que passasse por perto de sua casa concordaria que o menino tinha muito  bom gosto apesar das caixas de som penduradas na janela para só de pirraça provocar sua vizinha Erundina, uma senhora evangélica que gritava aos quatro cantos do mundo que Rock é coisa do diabo e que o menino Pedro deveria ser levado a igreja com o intuito de ser salvo por Deus.
No intervalo de uma musica e outra, Pedro ouviu a campainha tocar.
Desceu as escadas do sobrado pulando de dois em dois degraus até chegar à porta, ao abri-la olhou para os lados e não avistou ninguém, apenas Caju o cachorro do Zé Henrique seu amigo de classe latindo e tentando alcançar seu rabo. Depois de dizer pelo menos três palavrões e quase fechando a porta novamente Pedro viu em cima do tapete com a descrição “Bem Vindo” um pedaço de folha de caderno rasgado sem capricho na tentativa de formar um pequeno quadrado, como um bilhete, de um lado estava em branco, mas ao virar Pedro leu a escrita em letras de forma com caneta esferográfica azul e sorriu.
Subiu as escadas para seu quarto até a gaveta do criado mudo em busca de cola para que pudesse colar seu pequeno pedaço de papel no teto junto com os trechos de musicas.

Bento.

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