sexta-feira, 21 de outubro de 2011

FILHA DA PUTAGEM

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É só uma adição de sentimentos recíprocos sobre o desdém que mantenho sobre eu mesmo.

Rebeldia é outra coisa.

A constituição da fraternidade de falar palavras difíceis sobre algo que eu poderia resumir numa só palavra. Não! É  muito pouco. Numa só frase. Que vocês devem conhecer muito bem e devem repetir no seu inconsciente em segredo.

Filha da putagem.

É isso!

Toda vez que ponho minha cara no espelho de manhã, no chuveiro, antes de me arrepiar de frio.
Antes de lamentar o dia de trabalho que tenho pela frente.
Antes de medir se há a necessidade de fazer a barba eu penso:

FILHA DA PUTAGEM.

Como uma reza.
Um agradecimento por ter ainda assim, acordado, num PUTA frio de merda, às seis da manhã, com a barba por fazer e a única perspectiva do dia é a consulta com o Dr. Dreher no fim de noite.

Coisas sórdidas que mantemos em segredo no subconsciente para que as pessoas não pensem que você é mais louco do que realmente você é.

E você é um tanto quanto...

Ainda que maquiado.

No dicionário de mil páginas setenta por cento te leva aos pensamentos oportunos de sempre.

Você mantém a pose para não sair como o “reclamão” da história, mas tudo te leva a crer que o destino te persegue e que há uma teoria da conspiração contra tua alma e seu corpo castigado pela gripe que por hora te faz lembrar que toda essa merda de vida pode te levar a morte.

Descontar as tragédias da alma no corpo nem sempre é uma boa ideia, mas o que importa é o destilado e seu cheiro forte fazendo suas narinas arderem.

Partidas de futebol, sinuca e pôquer são assuntos que podem te trazer um grande sorriso ou não. Depende muito de quem serão os jogadores.

Alucinações de peculiaridades te trazem a ausência do capricho na hora de voltar para casa, o que te faz descer escadas correndo ao máximo ouvindo Nirvana cantando Rape Me ou ir ao banheiro público ao som de Roberto Carlos com Amada Amante. Você percebe que perdeu todo desequilíbrio aí.

O aleatório do Média Player também parece conspirar contra você e faz você ouvir Kiss Me que é quase que a morte para a ocasião.

Você entra na internet pelo celular e percebe que não consegue enxergar um palmo diante do nariz.

Enfim você está bêbado e entre um cochilo e outro percebe que todos estão dormindo, logo hoje que poderia desabafar durante horas tomando cervejas e ouvindo Raúl Seixas no vinil ou no violão.

De qualquer forma.

O maldito Destino continua cantando você e somos todos amigos. Todos portadores de salvar almas perdidas e animais indefesos.

Salve as galinhas.
Salve os elefantes
Salve os salmões.
Salve o Corinthians e as baleias.

No fim quem vai te salvar?

Por isso digo que tanto faz se me chamam pelo meu nome ou sobrenome.

O nome que ainda me causa arrepios de frio é aquele gritado no diminutivo meio ao portão e a caixa de correio.

Rooooooooooooooo...


Bento.

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