quinta-feira, 27 de outubro de 2011

SE TUDO PASSA...

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Num dia desses de pernas para o ar, dia de folga, mantinha tudo que era necessário ao meu lado para não precisar levantar dali. Cigarros, cervejas, Doritos e celular. Levantei só uma vez para buscar o isqueiro, sempre ele, dá de se esconder nos momentos que mais precisamos. Amigo infiel.

E de repente desabei a chorar, copiosamente.

Como criança com machucado no joelho.
Como quem perde um ente querido.
Como cachorro no cio preso na corrente.

Chorava de me lambuzar nas lágrimas que, cansadas de não encontrar espaço mais nos olhos saíam pelos poros do meu rosto.

Chorava e lamentava-me com a cabeça entre os joelhos e tremia ao levar o cigarro aos lábios molhados.

Soluços e escravidão da dor que nem sabia onde era.

Tentava pensar nas coisas mais felizes de toda a vida para dar fim àquilo e isso só fazia piorar.

Choro de desespero.
Choro de ingratidão.
Choro lamentável e incurável.
Choro de desistência de momento. 5 minutos.
Choro de achismo daquilo que ainda não encontrei.

Chorava e os cachorros e gatos parecendo perceber a dor, rodeavam-me com misericórdia nos olhos. E tentando minimizar a situação, lambiam-me.

Chorava e o tempo parecia compreender o sofrimento, pois tratou de esconder o Sol e chorar também lágrimas de chuva, calmas, porém contínua. Só Deus não participava.

Mas não era sofrimento.
Não era emoção.
Sei lá o que era. Só sei que era.

E por fim, assim como veio, se foi. Eu fiquei sem entender.
Levantei e fui jogar vídeo game.
E foi assim.


Bento.

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