quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A INFERNAL TRINDADE DO ANTRO SANTÍFICO DO ESTUDO À ESCRITA

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La Trinidad N°1

La Revolta

É claro e evidente a confiabilidade no Destino, tão claro. Tão evidente que se maltrata por merecimento.
Eterniza em palavras as batalhas que trava com seu próprio peito, batalha esta que não há vencedor, só feridos. Com ou sem peito morrerás em nome do Amor. E morrerás de novo e de novo e de novo, pois o Destino lhe escolheu e feriu sua carne com a marca do romantismo. A marca que pulsa inflamada nas noites de lua cheia que é quando veste suas vestes em homenagem a seita e cultua a carência.
Indigna não é, claro que não. Mas esta é a deusa da razão da trindade, nem monges, nem poetas, talvez nem o próprio Amor seriam capaz de convencê-la de qualquer coisa, não há argumentos que a derrote. Exceto se ela queira.

Somente a beleza da revolta consegue nos fazer apaixonar-se pelo maltrato.
Ao olhar em seus olhos vemos nossos próprios defeitos e qualidades aumentados milhares de vezes, fato que nos faz sentir dores nas juntas dos braços por não conseguir parecer tão forte diante do desejo da morte.
Fato que faz nossos corações febris de ódio, tanto ódio que alugaríamos nossas almas ao diabo para temporadas só para termos todo Amor que transborda em seu peito derramado sobre nós, simples mortais.

Mas a Revolta não deseja, pelo menos por hora, a reciprocidade, afinal, como toda guerreira ela deseja morrer com honra no campo de batalha e entregar suas moedas ao barqueiro.

La Trinidad N°2

La Liberta.



A Liberta só não tem asas para não ser confundida com os anjos, mas és livre, tão livre como os pássaros.
Esta não faz guerra, no entanto suas vestes são feita da mais forte e impenetrável armadura, que diz a lenda, é um engenho dos deuses.
Nesta guerra a Liberta foi incumbida pelo Destino para ser a remediadora, a ausência de sentimentos faz com que não tome partido, é o equilíbrio e a calmaria. Nas tempestades se faz de brisa que acaricia nossos rostos, mas não nos salva da peste.
És o vinho que nos salva momentaneamente do Destino, contudo não evita a ressaca.
Esta é a liberdade, que por mais que lutemos e guerreamos nunca a conquistaremos.
Não importa quantos motins, o império de liberta sempre vencerá.
E nós não passaremos de proletários diante de sua beleza e desdém.

La Trinidad N°3

La Ingênua.

És doce como o mel, tão doce que as abelhas a tratariam como rainha.
Trocariam todas as flores do mundo para beijá-la. E quem não trocaria?
A Ingênua fala tão baixo, mas tão baixo, que até os surdos a ouvem, pois quando diz algo é como se os anjos sussurrassem em nossos ouvidos.
Esta não precisa chamar atenção de nenhuma forma, nós é que imploremos para que nos contemple com sua sabedoria subestimada pelos mais impuros.
Toma para si a cor da neve, a luz do sol e a pureza das manhãs.
Todos os que a olham se sentem presos ao seu feitiço do Amor, perdem o pulso do coração até o roxear dos lábios para logo após ter o mesmo derretido no magma mais intenso do centro da Terra.
Esta, diz a lenda, és tão passível do engano, que depois de séculos procurando o Amor, resolveu enganar-se dizendo estar apaixonada.



Bento.


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