sábado, 10 de março de 2012

ANALFABETISMO FUNCIONAL

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Eu já fui cafajeste. Sei a cartilha toda de cor e salteado, posso me dar ao luxo de dizer até que contribuí como autor de alguns métodos do passo a passo. Mas como toda criança que brinca de ciranda abandona a brincadeira depois que cresce, eu cresci.

Eu também já fui o namorado fiel, daqueles que se entrega ao amor e ao tentar acertar acaba errando, ao tentar mostrar todo seu sentimento acaba enciumado além da conta e ao tentar planejar seu futuro ao lado de quem ama acaba esquecendo de regar o presente.

Aposto que todos acreditaram na primeira parte da confissão, na segunda a grande maioria torceu os lábios, viraram os olhos e duvidaram da veracidade do autor. Evidente que, como digo em O Pessimismo é Uma Arte a tragédia shakespeariana é tão mais fácil de empregar o credo.

Eu nunca escrevo por escrever, acredito na minha arte e acredito que nas entrelinhas alguém, mesmo que poucos, se farão de entendido. No entanto em alguns casos sou tão claro que nem é preciso interpretação, está tudo lá. Assim sendo, me pego por vezes desacreditando da boa intenção dessa falta de compreensão.

Como prometi em “Isso Não é Um Pedido de Desculpas” defender-me de qualquer acusação não faria mais parte de minhas ações, mesmo assim decidi quebrar tal juramento uma só vez porque acredito que como o rádio, a audiência de meus textos podem ser rotativas e alguém pode ter ficado pelo caminho.
Tem uma coisa que é mais forte que eu, quase um vício, ou uma maldição. Não gosto de mentiras e por mais que eu quisesse em alguns casos, não consigo mentir. Pensei ter deixado isso muito claro em “A Verdade Virou Pecado” e Péssimo Mentiroso” mesmo assim teimam em sugerir que eu posso não estar sendo de todo sincero quando demonstro algumas preferências e desejos, como o fato de querer unir-me a alguém.

Está certo que meu passado me condena, que talvez me fora dado o rosto do pecador ao invés da face do justo, mas isso é entre eu e O Criador das mazelas do mundo. Também não vou aqui armar-me do egocentrismo acusando o universo de me julgar, sempre haverá alguém para sentar no rabo e apontar o dedo para os outros e é assim desde que o mundo é
mundo. Todos sofrem com isso. Eu mesmo, por mais que tente, também o faço. E erro no julgamento como podem ver em "Com Quantos Erros Se Faz Um Tonto?"

Mesmo deixando claro em “Simplificando o Possível” entre tantos outros textos que não sou fã de carnaval fora de época, as pessoas continuam desconfiando do longo período que me mantenho no convívio singular. Adianto que isso provavelmente incomoda-me bem menos agora, pois degusto das conquistas pessoais que me são palpáveis, deixei a receita desse bolo no Eu Sou Egoísta. Porém vou ter de concordar com algumas pessoas, por mais que Meu Amor Tira Férias”, podemos afirmar que depois de tanto tempo é fato que ele está desempregado.

Pois é isso, o problema é justamente este, na onipresença de minha sinceridade e senso de justiça, eu não poderei de maneira nenhuma iludir qualquer pobre alma e prometer-lhe uma relação se a semente do sentimento não brota no meu jardim.

Nesta situação me tornei mais Domenico do que Dom “Aqui jazDom, o Canário” e que na falta deste jardim a morbidez tem sido a essência da obra, mas sem jardim, sem borboletas e aí o que poderei prometer?

Enquanto isso, cabe-me somente levar em conta que Se Nada é TãoRuim Que Não Possa Piorar, Lute Para Manter Ruim Como Está”, entreter-me entre “Toca Discos” e evitando as armadilhas dos “Eu Gosto de Você”.

Ficou claro?


Bento.

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6 comentários:

Priscila Santos disse...

Cada vez mais impressionada com o seu talento na escrita. Texto muito bom mesmo.

Blake disse...

Primeira vez por aqui...
Adorei o texto! Muito bem escrito.
Acho que com a primeira parte do texto, o fato cafajeste (rs) provavelmente ninguém deve descordar mesmo. Afinal encontrar caras com a face do justo e as ações também justas é quase impossível. Porém dou um voto de confiança em acreditar no namorado fiel.
Sou a favor do "tudo é possível" e, por experiência própria já me envolvi com um cafajeste que me tratou muito bem, e se posso lhe confidenciar, me tratou melhor do que muitos caras tidos como "bons partidos" me trataram.
Bom, voltando ao seu texto, antes que eu entregue os meus "podres" por aqui (rs) achei muito bem elaborado o fato de abordar seus próprios post no decorrer do texto.

BjO
http://www.the-sook.blogspot.com/

Marly Bastos disse...

Se entendi bem, vc colocou os seus textos preferidos nesse texto bem integrado.
Entendi e nao duvido que os homens querem um bom relacionamento tal qual as mulheres e que eles podem ser até mais fiéis. O homem quando ama, ele é 10.
Beijokas doces e vim aqui através do Blogosfera.
www.palavrasaobelprazer.blogspot.com

Bento Qasual disse...

Olá Blake, espero que seja a 1° de muitas.
Eu sinceramente acho que o cafajeste seja o homem mais próximo da perfeição e acredito quando diz que foi melhor tratada por um deles.
Sobre "entregar seus podres" é exatamente o que eu faço quando escrevo. rs

Obrigado pela visita.
bjobjo

Bento.

Bento Qasual disse...

Olá Marly Bastos. Antes quero agradecer a visita e o comentário no blog. Seja muito bem vinda.

Na verdade, não são meus textos preferidos, mas sim aqueles que expressam exatamente a mensagem que eu quis passar neste. Afinal, basta ler os textos para compreender exatamente como penso e como eu vivo.
É um trabalho mínimo para conhecer alguém, num mundo onde a maioria não consegue mostrar-se verdadeiramente.

Claro que existem homens que desejam relacionamentos sérios, pois o amor é para todos.

Obrigado de novo.
bjobjo

Bento.

Luciana Santa Rita disse...

Oi Bentinho,

Como conheço a provocação dos seus textos, entendi que você é o que a vida te leva. Um dia Caim e outro Abel. Belíssimo texto!

Beijos.

Lu