quinta-feira, 17 de maio de 2012

NÃO SEI DIRIGIR

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E então eu estava ao volante e encosta um policial. - O senhor está alcoolizado! Ele disse.
Foi impossível conter o riso, fez lembrar-me de minha infância, lá pelos 12 ou 13 anos, quando ouvia isso da minha mãe e professores.
- O senhor está alcoolizado? Ele agora perguntava.

Voltei de meu devaneio infantil para olhá-lo nos olhos e responder com segurança.

- Evidente que estou meu caro. Porém, como não estar nesta sociedade onde o micróbio é tratado como gente e gente é tratada como micróbio? Nesta sociedade careta que se reprimi em sua hipocrisia de parecer bons samaritanos para eles mesmos?
Onde a verdade é tratada como utopia e a mentira como subterfúgio de uma socialização medíocre e podre.
Sociedade essa que trata a literalidade como démodé e a anticultura como cordão umbilical para ignorância.
Nesta podridão de dedos apontadores de amores financeiros.
Sociedade de sorrisos melancólicos veneradores de um futuro engenhoso só para os bárbaros de caráter.
Como manter-se sóbrio derivando de uma classe que não financia e não tem demérito bastante para ser financiada?
Numa sociedade decadente terceiro-mundista que se equivalem aos gersons, valérios e dirceus.
Numa filantropia carniceira de tostões sonegados.
De uma autenticidade reprimida para a exaltação da cópia e a versão cretina.
Há de embriagar-me, e digo mais, embriague-se o senhor também, para que não compartilhe dessa visão infernal que presencio - E ofereci a garrafa de cachaça que naquele automóvel era a única coisa nacional que resistia à globalização.

O guarda é claro, negou afastando a garrafa: - O senhor não pensa em sair com o carro neste estado, pensa?

Mais uma vez o sorriso foi inevitável e respondi ainda sorrindo: - Pode ficar despreocupado seu guarda, só estou fugindo de uma reunião de família que acontece lá em casa onde discutem sonhos e planos para o futuro. Tão leigos, pois não sabem que o Destino é quem conduz essa merda toda de vida. Este carro sequer é meu e muito menos sei dirigir sóbrio, quanto mais bêbado. Fique tranquilo.

E assim o guarda entrou na viatura e partiu.


Bento.

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Um comentário:

Pablo Silva disse...

Ual!
Gostei! :D
Mas afinal o que a sociedade sabe alem de julgar?
Tão complexa e tão hedionda és que anseia por miséria, fome e guerra
Crendo que o futuro se dessa maneira.
Sinto pena.
Quanto ao seu texto...
Já disse que está perfeito né :D
Depois se puder da uma olhada no meu blog: http://www.libertandoogenio.com.br/
Grato Desde Já.