quarta-feira, 27 de junho de 2012

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO MORRER?

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Sempre que me perguntavam o que eu gostaria de ser quando crescesse eu sempre tive um milhão de respostas diferentes para responder a isso. Já pensei em tanta coisa.

Hoje se me fizessem a mesma pergunta eu diria que não gostaria de crescer, mas agora é tarde. De qualquer forma, continuo não simpatizando com a tal pergunta.

O correto seria; O que você quer ser quando MORRER?

Para essa pergunta eu respondo sem pestanejar. Quero ser eterno.

Independente de como vou viver, foi sempre a eternidade que fez meus olhos de criança brilharem como ao ver um brinquedo novo.

“Minha” eternidade não tem nada a ver com religião, paraíso, ou viver em graça ao lado de Deus e toda essa ladainha dos desesperados que buscam um objetivo para a vida e também para a morte. Apesar do nosso egocentrismo de querer ser a menina dos olhos do universo, somos como tudo que habita nele. Nascemos, vivemos (ou sobrevivemos - que é bem diferente de viver) e morremos. E é só isso.

Eu, definitivamente, não quero viver uma vida de privações esperando ser feliz nos jardins do Éden, quero aproveitar tudo o que há de bom aqui, em vida. Sentir na pele todos os prazeres da carne.

 Aliás, meu relacionamento com Deus é um tanto quanto peculiar, com tantas reclamações que tenho para lhe fazer é bem provável que se morresse hoje seria enviado diretamente ao inferno. Estaria sentado numa mesa de bar junto com alguns políticos do PT, pastores evangélicos, tomando algo gelado e alcoólico para resistir ao calor e uniríamos forças para falar mal Dele. Mas isso é outra história para um outro texto, voltando a falar da eternidade...

Também não estou falando daquela famosa eternidade idealizada por vilões dos filmes. Longe de mim querer perambular pela terra por centenas de anos como um vampiro ou coisa do gênero. Ficaria extremamente insatisfeito se passasse mais tempo neste mundo do que me foi destinado. Nem um segundo a mais, nem menos.

Estou falando de ser lembrado, de deixar uma herança ao mundo. Algo que poderá ser usado depois que eu me for, algo além de meus órgãos.

Talvez por isso me identifique com a escrita, nada resiste mais ao tempo que a comunicação por extenso.

Não precisa ser nada tão grandioso quanto Shakespeare, mas também não alcançaria meu objetivo com a inutilidade de um ex-big brother. Deve ser algo que esteja inevitavelmente ligado ao meu nome, que fosse repassado as outras gerações através dos livros de histórias ou jornais.

Já deixo bem claro que não tenho nenhuma vocação para virar santo, nem herói. Também não tenho vocação para terrorista ou criminoso como Bin Laden. Muito menos recebo mensagens do além como Chico Xavier. Portanto quero ser lembrado por palavras minhas, uma frase, uma crônica, uma música. Assim, nos dias dos finados, as velas acesas em minha homenagem não serão somente de meus parentes próximos.



Bento.

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5 comentários:

J. BRUNO disse...

Eu penso diferente, não sei se quero deixar marcas por aqui, não almejo tal tipo de imortalidade... penso que o problema é que nossa passagem por aqui é tão efêmera quanto os prazeres nos quais tentamos em vão buscar realização...

http://sublimeirrealidade.blogspot.com.br/2012/06/atracao-perigosa.html

Centelha Luminosa disse...

OLá Bento, vi a sua divulgação lá na blogosfera e não resisti vir aqui conferir de perto que estória é essa de "O que você quer ser quando morrer".
Gostei do teu texto, honesto, sincero contigo mesmo, um tanto irreverente, mas de uma irreverência positiva de todo aquele que expressa através das letras, o seu modo de ver o mundo e dar-lhe as respostas que julga coerentes.

Da minha parte, eu respondo a pergunta título do teu texto, como espírita que sou, convicta na imortalidade da alma, e que tem a vida presente como a grande oportunidade de me melhorar, aprender, evoluir, etc...etc...Então, nesse sentido, eu quero quando morrer, chegar lá no outro plano de vida, melhor do que quando na Terra aportei há 58 anos!! hehehhe....Talvez seja lembrada aqui pelos meus amados mais íntimos, como aquela teimosa, que insistia em em ser justa e verdadeira em todos os momentos, mesmo quebrando a cara muitas vezes...rsss

Gostei de vir aqui. Seus posts são muito bons, meu jovem... Legal, viu?

Beijinhos da Lu...

Mateus disse...

Deixar uma lembrança de nós, um poema, um verso, um conto. Algo que passe de geração a geração, que fique na história. Esse é o sentido da eternidade. Às vezes penso nisso também...
Grande abraço

Angelus disse...

Antes de chegar ao final do texto já tinha tirado a mesma conclusão que você. Porque nós blogueiros temos isso em comum. Esse espaço aqui é a nossa marca no mundo, que pode ser extenso ou bem pequeno. Mas de uma forma ou de outra, conseguimos tocar em alguém com nossas palavras e isso já vale como algo duradouro.

Tenha um bom fim de semana. Abraço.

Vanessa Santos disse...

Quando morrer? Quero ser salva!
Me faz uma visita? http://mardeletras2010.blogspot.com.br/2012/06/desperta-tu-que-dormes.html