domingo, 8 de julho de 2012

CARDÁPIO DE VAGABUNDAS

-


Meu amigo Otávio queria me apresentar uma garota. Não que eu precisasse, eu tinha dinheiro e poderia pagar quantas putas eu quisesse. Preferia as asiáticas, porém, gostava também das ladys, àquelas loiras magrelas de seios pequenos e nariz empinados.

Minha ex-mulher havia me traído com o técnico da TV a cabo e eu sai do divórcio sem perder um centavo sequer. Havia putas e drogas e putas até não querer mais. E eu queria sempre mais.

Então esse meu amigo queria me apresentar uma garota que ele conhecia, com o único interesse de me ver feliz. E eu dizia: - Otávio, eu estou feliz como nunca. Olhe para mim. Sou o homem mais feliz do mundo.

Falei isso enquanto estava na hidromassagem com duas asiáticas siliconadas e uma delas mergulhava para me chupar e voltava sem ar. Depois era a vez da outra.

Enfim, Otávio insistira tanto que aceitei.

- Marque um jantar e vemos no que vai dar...

Cheguei à casa de Otávio e ele me recepcionou como uma grande estrela de novela que ele não via há muito tempo.

- Patrício, seu canalha esperto. Como tem passado?

Entrei na sala de estar da casa de Otávio e percebi a decoração de antepassados. Eu era um rico novo, rico recente. Otávio tinha nome tradicional na cidade de São Paulo e colunas de fofocas. Por isso a casa tinha cara de velha, como sua família.
Decoração antiga, cheiro de naftalina.

Otávio era o que se pode chamar de "bosta". Era um grande bosta de marca maior, egocêntrico e demasiadamente inseguro. Achava que todas as pessoas estavam em sua volta por causa do seu dinheiro e fama. Bem, a grande maioria era verdade, por causa do dinheiro, pois fama... Ele era só um mauricinho filhinho de papai que nunca pegara um ônibus na vida dele. Nunca tinha contado moedas.  Ou seja, literalmente um bosta que nunca andou descalço no asfalto. Porém, eu gostava de Otávio, não muito. Mas gostava.

Desejei boa noite aos que estavam presentes. Otávio, Daniela - que era o par do anfitrião - e a tal que me seria apresentada. Otávio continuava a me elogiar.

- Esse cara é o maior amigo que eu tenho, sem falar que me ensinou tudo que eu sei. As mulheres imploram para respirar, apenas, o mesmo ar que ele respira.

Pensei que ele estivesse falando da cocaína. Mas não. De qualquer forma eu não entendi. Não éramos tão amigos assim e, a única coisa que eu ensinei a ele foi que não é aconselhável beijar putas na boca, principalmente quando ela acabou de fazer um boquete para metade da festa.

Ele continuou a puxar meu saco mais algumas vezes enquanto aguardávamos o jantar, mas eu nem sequer dei atenção. Por isso não lembro.
Eu não tirava os olhos da garota que Otávio queria me apresentar, olhava de cima abaixo. Das roupas até o jeito de mexer no cabelo, da forma como cruzava as pernas até como descansava as mãos no colo.

A governanta, uma garota de 20 anos que transava com Otávio, chamou a todos para que fossemos nos sentar à mesa para o jantar e eu reparei na bunda de minha companhia. Eu já estava embriagado e mesmo assim, aquela bunda não era grande coisa. Poderia ser a saia que estava me enganando, mas era uma bunda comum.
Seus cabelos castanhos estavam alisados e chegava um pouco abaixo dos ombros, e deixava a mostra três estrelas tatuadas atrás da orelha esquerda. Richely usava uma blusa que cobria todo o colo, de modo que ficava difícil analisar seus seios.

Tomei minha taça de vinho no caminho para a sala de jantar e pensei que a garota parecia mais uma secretaria, era rica, mas parecia secretaria.
Quem vinha a um encontro vestida daquele jeito? Era linda sim, isso é inegável. Pele branca, boca grande e lábios grossos, rosados. Mas quem viria a um encontro escondendo tudo que tem vestida daquele jeito?

Sentamos à mesa, servi-me de mais uma taça de vinho e fiquei ali ouvindo as histórias de Otávio e das garotas. Daniela, a acompanhante de Otávio, aparentava 35, mas o pescoço enrugado dizia que ela tinha mais anos escondidos pelas plásticas. Ela era divorciada de um industrial matusalém. Ficara com metade de tudo que ele tinha no divórcio.
Eu disse que se ele era tão velho, poderia ter esperado mais um pouco e ficado com toda sua fortuna e todos gargalhavam. Menos eu, àquilo tudo era encenado para me agradar e já estava me deixando irritado. Mais uma taça de vinho caro. Pelo menos o vinho era bom.

Conversamos sobre mais algumas futilidades, coisas de rico, gargalhadas falsas e elogios inúteis. A garota ainda me deixava pensativo sobre sua forma de se vestir e de sorrir e de falar. Parecia-me esconder alguma coisa e tal. Acabei com uma garrafa de vinho e já estava tão entediado com aquilo que comecei planejar o assassinato dos três, mais a governanta. Poderia levar Otávio até a varanda e matá-lo com a faca da carne. Com a mesma eu daria fim a governanta e, depois me divertiria com as duas garotas. Estupraria e depois esquartejaria, coisa simples. A casa de repente pegaria fogo e ninguém desconfiaria de nada. Comecei a achar que ser um assassino não era tão difícil assim.

 Meus pensamentos sobre o homicídio fora interrompidos por Daniela chamando minha atenção.

- Quer mais vinho, Patrício?

- Ah, sim. Aceito, obrigado.

- Vamos Richely, me ajude com as garrafas?

- Ok! Respondeu Richely e as duas saíram da sala. Otávio então sussurrou para que as garotas não o ouvissem:

- E então? O que achou?

Eu estava bêbado.

- Bom, eu quero fazer sexo com ela - e eu queria mesmo - mas quem é essa garota, de verdade?

- Ela é sobrinha de Daniela, 25 aninhos, sua idade.

- Isso vocês já me contaram Otávio. O que eu quero dizer é que ela parece ser outra coisa.

- O quê, por exemplo? Nós dois ainda sussurrávamos.

- Acho que ela é puta. Eu disse.

- PUTA? Otávio então, exaltou-se indignado.

- Sim, puta. Garota de programa, mulher da vida, prima. Chame do que quiser.

- Ora seu imbecil. Você está tão viciado em putas que já acha que toda mulher tem que sentar num pinto para sobreviver. A garota é rica, ela não precisa disso.

Relevei o "imbecil" porque não tinha desistido da ideia de matá-lo. - Otávio, meu amigo. De puta eu entendo. E você se surpreenderia se eu contasse quantas garotas ricas já me chuparam em troca de uns trocados, pó, álcool e uma boa aventura.

Ele ainda disse algumas coisas com "inadmissível" e "absurdo" no meio, suas bochechas rosadas de menino rico ficaram ainda mais rubras, ele estava prestes a explodir de raiva, mas conseguiu manter a pose. Eu não estava dando ouvidos e fomos interrompidos pela chegada das garotas. Abrimos as garrafas de vinhos, tomei mais algumas taças e comemos falando sobre política e economia. Ou seja, chato pra cacete.

Voltamos para a sala de estar e agora eu não era o único bêbado.

Então Richely não parava de cruzar as pernas. Otávio tinha nos servido alguns charutos, coisa fina, Richely fumava-o como se chupasse um pinto. Fumava e cruzava a perna. Porra, ela estava de frente para mim, de saia e, cada vez que cruzava a perna eu podia ver tudo. Agora ela estava sem calcinha.
PUTA! Puta, puta e puta.

Não tenho problemas com putas. Pelo contrário, adoro putas. O problema é que elas sempre cobram. De um jeito ou de outro, sempre cobram. O que estava me irritando é que se a tal fosse mesmo uma puta, eu poderia pagar por uma bem melhor, com bundas e seios bem melhores e sem precisar passar por aquela social toda, que era um martírio.
Todo aquele blablabla de riquinhos fazia com que eu tivesse enjoos constantes, era um favor para um amigo que nem era tão amigo assim, para conhecer uma garota que nem era muito gostosa e uma velha que provavelmente nunca foi fodida como gostaria. Mas, já que estava ali, não iria desperdiçar uma transa.

Sentei-me ao lado de Richely e começamos a rir como uns idiotas, estávamos todos bêbados e riamos de inutilidades e futilidades cotidianas. Esta foi a parte mais engraçada de toda noite. Minha mão já estava na coxa de Richely e Otávio já percebendo minha intenção nos deixou sozinhos levando Danielle para o quarto que ficava no andar de cima.
Eu e Richely nos despimos ali mesmo, na sala de estar.

- A empregada pode nos ver. Ela disse.

Fingia que não ouvi e continuei a masturbá-la.
Foram trinta minutos até que interessante. Eu estava satisfeito, ela parecia satisfeita. Acendi um cigarro, Richely pegou no sono e fui até a cozinha buscar mais vinho. Estava só de cueca e passei pela empregada que assistia a novela na pequena TV que repousava num armário ao lado da geladeira. Entrei na adega, peguei a primeira garrafa de tinto que encontrei e voltei pela cozinha. A empregada nem viu que eu passei, se viu, fingiu que não. No balcão, próximo a pia e a porta da adega tinha um faqueiro, de prata, coisa cara mesmo. Parei, olhei a faca. Olhei a empregada e como a saia de seu uniforme subia por suas coxas morenas e grossas. Comecei a ficar com tesão de novo e não resisti.

Tudo durou mais ou menos uma hora. Eu já estava vestido e do lado de fora da mansão de Otávio há uns dez minutos vendo-a queimar com as chamas e fumando meu cigarro quando o primeiro vizinho chegou histérico gritando: - FOGO! FOGO! Mas já era tarde demais. Os bombeiros chegaram com suas sirenes ensurdecedoras e eu resolvi ir para casa e ver o que tinha no cardápio de vagabundas.


Bento.

Nenhum comentário: