quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O AFOGAMENTO DE BÁRBARA

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Episódio anterior: O ASSASSINATO DE BÁRBARA

Já era horário de almoço e Benedito Quaresma acabara de pegar o elevador a caminho de seu escritório. A noite anterior ainda não tinha acabado. Ele passara em casa apenas para trocar de roupa, nem para o desjejum teve tempo.
O que se lembrava era apenas o fato de que ao acordar, perdeu as contas dos pares de pernas que havia na cama da suíte do motel Libelillun. Agradeceu por todas as pernas serem femininas, ou pelo menos aparentarem serem. Alguns flashes de memória e Quaresma se lembrava das garrafas de whisky e muita quantidade de cocaína. Os poucos rostos das garotas que não foram apagados pela amnésia alcoólica, eram de admirável bom gosto e todas elas cheiravam sem parar, invariavelmente.

***

Cassandra não tinha mais desculpas para justificar o atraso do patrão aos pacientes e a recepção estava lotada. Ficou aliviada ao ver Quaresma sair do elevador com sua cara de ressaca.

 - Bom dia.

Doutor Quaresma cumprimentou a todos, entregou sua maleta para a recepcionista e seguiu direto para seu escritório com Cassandra atrás dele.

 - Bom dia Doutor, eu já estava preocupada...

Quaresma tirara o paletó e agora servia uma dose de whisky para si.

 - Como estamos com os pacientes?

 - Jordão ligou antes de vir, então eu adiantei que você chegaria atrasado, assim ele remarcou a consulta para amanhã.

 - Ótimo.

 - Já o Carlos está esperando desde as dez horas e diz que não sai daqui até você atendê-lo.

 - Ok.

 - E aquela moça que veio por indicação de outro psicólogo, a Gisleine, Gislene...

 - Gisleide.

 - Isso. Ela foi presa, parece que por homicídio.

 - Bom, se está presa ela pode esperar.

Enquanto Cassandra atualizava Quaresma sobre os pacientes o psicólogo procurava algo nas gavetas de seu escritório até que achou. Um saquinho com um pó branco dentro que ele ergueu na altura do rosto e comemorou feliz.

 - Ufa, sabia que eu tinha guardado em algum lugar.

Cassandra fingiu que não viu a cara de ressaca, a dose de whisky e a cocaína na mão de Benedito.

 - Posso mandar o primeiro paciente?

 - Não. Você sabe que eu fico com um puta tesão quando estou de ressaca. Dá uma chupadinha antes?

 - Doutor! Tem gente aí esperando há mais de três horas?

 - Entendi...

Cassandra virou-se em direção à recepção e ao tocar a maçaneta da porta ouviu Quaresma chamá-la.

 - Espera. Você disse Carlos?

A recepcionista revisou as fichas que estavam em sua mão para conferir.

 - Carlos Rodrigues. Você o viu a semana passada, é o primeiro retorno.

 - Peça para ele entrar.

Quaresma limpou a escrivaninha onde ainda havia vestígios da droga e acendeu um cigarro ainda limpando o nariz quando viu Carlos passar pela porta do escritório.

 - Com licença Doutor.

 - Tranquilo. Vou tomar uma dose, você quer?

 - Sem gelo.

 - Sem gelo sempre. Sente-se Carlos.

O paciente não pode deixar de notar a cara de ressaca de seu psicólogo.

 - Noite difícil? Perguntou o paciente.

 - Você nem imagina.

Benedito entregou um copo para Carlos e foi sentar em sua poltrona de frente para o paciente.

 - Eu descobri do jeito mais difícil que meia dúzia de garotas bêbadas e com tesão exigem maior preparo físico do que eu disponho na minha idade.

 - Acontece com todo mundo. Disse Carlos.

 - Mesmo?

 - Não sei. Talvez...

 - Enfim. Me fala de você, como está?

 - Então...

Quaresma interrompeu - Sente falta da Bárbara?

 - Não.

 - Que ótimo. Então deu certo.

 - Na verdade não.

O doutor se remexeu na poltrona, cruzou as pernas com o bico de seu sapato italiano apontando para Carlos.

 - O que quer dizer?

 - A Bárbara não morreu.

Benedito virou a dose toda que restava em seu copo.

 - Mas você disse que matou a vadia.

 - Ela não é vadia! E sim, eu matei. Carlos respondeu com toda a convicção que pôde buscar dentro de si - Mas ela está tão viva quanto nós.

 - Que neste caso não é grande coisa. Respondeu o doutor e caiu em uma gargalhada sincera, mas visivelmente sobre efeito de drogas.
Carlos achava aquele psicólogo um idiota, mas ele estava tendo visões de uma garota que não existia, logo, precisava de ajuda.

 - Não sei o que fazer.

 - Tentou matá-la de novo?

 - Não. Claro que não.

 - Como tentou matá-la?

 - Estávamos em casa, bebendo e eu usei uma almofada para sufocá-la.

 - Hum. Entediante. E o que fez com o corpo?

 - Deixei-o no apartamento e fui pro bar. Carlos agora olhava para o teto como se estivesse revivendo o momento que narrava - No bar eu fiquei com peso de consciência e liguei para a polícia e quando eles chegaram ao meu apartamento não havia ninguém lá.

 - E por isso acha que ela sobreviveu?

 - Não acho, tenho certeza.

 - Imagina, provável que algum vizinho seu levou o corpo da garota. Eu li sobre tarados que gostam de transar com defuntos. Deve ter sido isso.

 - Dois dias depois ela apareceu em casa.

 - Merda! E o que ela disse sobre o fato de você ter tentado matá-la?

 - Pois é. Isso foi bem estranho. Ela não disse nada.

 - Ela pode estar esperando uma oportunidade de se vingar.

 - Pode ser, mas parece que ela não se lembra de nada.

Quaresma levantou-se para servir mais uma rodada de whisky.

- Então você vai tentar matá-la de novo.

- Mas como? Por quê?

- Ué, achei que a quisesse morta.

- Bem...

Carlos estava confuso com a situação. Sabia que gostava da companhia de Bárbara, mas não suportava a ideia de poder estar ficando louco vendo uma garota que só ele enxergava.

- Vamos achar uma forma diferente e que funcione desta vez. Continuou Quaresma.

- E o que tem em mente?

- Eu li no jornal outro dia sobre uma garota que cortou a garganta do namorado num motel na rua Augusta.

- Você quer que eu corte a garganta dela? Mas tem todo aquele sangue...

- Pare de ser cuzão, porra. Não, cortar-lhe a garganta seria plágio. Estou falando sobre o sexo. Se vai cometer um assassinato pelo menos que seja após uma boa trepada. Certo?

Carlos limitou-se a concordar com a cabeça.

- E vocês transam certo?

- É claro. Respondeu Carlos cheio de si.

- Pronto! Tive uma excelente ideia. Você a chama para seu apartamento, transam loucamente e depois você afoga ela na banheira.

- Mas como?

- Simples. Quaresma foi até sua escrivaninha e de uma das gavetas retirou um pequeno estojo de metal - Assim que ela adormecer você vai aplicar isso nela.

De dentro do estojo Benedito tirou uma seringa e uma ampola com um líquido dentro.

- Antes que você faça cara de idiota e me pergunte o que é isso vou te dizer que é um pequeno coquetel de alguns alucinógenos que eu mesmo inventei. Cara, é a brisa mais louca que você pode imaginar. Ela não vai nem se dar conta do acontecido.

Carlos pegou o estojo da mão de Quaresma - Na verdade eu iria perguntar o que você quis dizer com "transar loucamente"?

- Você só pode estar de brincadeira comigo. Quaresma acendeu outro cigarro e apertou as glândulas lacrimais com os dedos indicador e polegar - Você é uma ofensa para os escritores. Você tem uma imaginação suficientemente capaz de criar uma garota que não existe e não consegue imaginar uma transa decente? Você se masturba como, pensando em tornozelos de donzelas?

Carlos não estava gostando do tom daquela conversa. Ele não estava ali para ser insultado.

- Você não pode falar assim comigo.

- Eu posso falar como eu quiser, seu animal. Sabe quantos homens gostariam de estar em seu lugar? Ter uma garota só para você e que atenda todos os seus caprichos? Só um idiota não consegue ver isso.

- Ver garotas que não existem é coisa de louco e EU NÃO SOU LOUCO! Carlos agora estava exaltado.

- Por isso seus romances são medíocres. Você precisa entender que essa coisa de loucura não existe garoto. As coisas são como elas são e pronto.

Carlos levantou-se e foi em direção à porta - Se você não vai me ajudar então...

- Sente-se, garoto. Você não vê, mas eu estou te ajudando, por incrível que pareça. O plano então é este; sexo, droga e afogamento.

Carlos voltou até a mesa de centro, pegou a caixa com a seringa e a droga e saiu da sala. Quaresma virou todo o whisky que restava no copo em sua boca e gritou: próximo maluco! Depressa que eu tenho garotas para alimentar.

***

Carlos estava nu na banheira de seu apartamento, bebendo rum com limão, esperando a visita de sua garota imaginária. Preferiu colocar em prática o plano de seu psicólogo já na banheira, para que não precisasse carregar a garota até o banheiro. Estava prestes a terminar a garrafa e sabia que Bárbara só apareceria caso ele ficasse bem bêbado, definitivamente estava se esforçando para isso. A certa altura deixou os limões e o copo de lado e passou a beber o rum puro direto da garrafa. Por incrível que pareça, sempre que ele queria a presença de Bárbara ela nunca aparecia, só quando ele estava prestes a desistir é que ela dava o ar da graça. Ao refletir sobre isso Carlos pensou que sua garota imaginária não era tão diferente de todas as outras mulheres, era preciso tratá-las com certo desdém para que quisessem ficar ao seu lado. E foi justamente quando ele matou todo o líquido de sua garrafa e puxou o ralo da banheira para escoar a água que Bárbara chegou.

- Hey Baby. Estava indo para a cama sem mim?

Carlos já não se assustava mais com as aparições repentinas de Bárbara, mas sempre ficava nervoso em sua presença, como um garoto do ginásio. Gaguejava, ficava trêmulo e pisando em ovos. Talvez só por isso a garota de pernas finas não percebia o nervosismo de Carlos ao bolar sua morte. Ele estava sempre tão tenso em sua presença que tornou-se comum.

- Claro que não. Só vou buscar outra garrafa para nós? Disfarçou.

- Que ótimo. Me sirva querido.

- Volte a encher a banheira que eu já volto. Carlos respondeu.

Espiou para ver se a garota estava entrando na banheira para que não o pegasse batizando seu drink. Ele sabia que Quaresma havia dito para apagá-la só após uma transa louca, mas não queria arriscar.
Meia hora depois, os dois estavam na banheira, Bárbara entre as pernas de Carlos e dividiam o mesmo cigarro. Bárbara bebia seu segundo copo de rum com limão e parecia que a droga a estava deixando ainda mais elétrica, pois foi ela quem começou com a sacanagem. Carlos desejava que ela apagasse logo, pois não queria fazer amor e depois matá-la, era um romântico o Carlos. Mas Bárbara continuava indo para cima de seu futuro assassino. Lambia seu peito, seu pescoço e se voltou para os braços. Primeiro um, depois o outro e demorou tanto tempo lambendo-os que Carlos entranhou. Nunca tinha visto alguém com tanto desejo por seus braços. Ela só parou de chupá-los para ligar o pequeno rádio ao lado da pia do banheiro, mudou de estação até que achou uma música do seu agrado e começou a dançar para Carlos. Aquela droga estava mesmo fazendo efeito.

Carlos acendeu outro cigarro, sem jeito, pois o que estava vendo era absurdamente excitante. O corpo magro e nu de Bárbara à sua frente, mexendo o quadril de forma sensual. Ela levava as mãos aos pequenos seios e descia em direção a sua vulva e depois levava a mesma mão aos lábios, depois aos lábios dele. Carlos sabia que Bárbara tinha acabado de eternizar Gimme Shelter dos Rolling Stones em sua mente. Nunca mais seria capaz de ouvir a música sem se lembrar da garota dançando em sua frente. Ele precisava matá-la, mas estava excitado demais para isso naquele momento. Pensou que Quaresma estava certo. Se era para assassiná-la, então que fosse depois de uma bela transa. Carlos então puxou a garota pelo braço e começou a beijá-la. O último sexo da vida de Bárbara, a última vez que beijaria a garota que esteve com ele nas noites solitárias. Os beijos eram ardentes e intensos, mesmo da parte de Bárbara. Carlos achou por um momento que ela sabia que seria sua última vez, mas logo depois pôs a culpa de tamanha libido na droga que estava no drink dela. Só podia ser. Logo, antes mesmo de começarem a transar o corpo da garota foi ficando mole, os beijos menos intensos e sua respiração mais fraca. Era a droga fazendo efeito. Carlos ainda tentou despertar a garota com leves tapas no rosto, porém sem sucesso. Frustrado por não transar manteve Bárbara mole e desacordada em seus braços. Deu-lhe um último beijo e escorregou o corpo da moça devagar até que estivesse totalmente submerso pela água da banheira. Como da primeira vez, não conseguiu ficar no apartamento. Vestiu-se e foi para o bar beber até ficar desacordado e esquecer que acabara de matar a garota imaginária da qual ele tanto gostava.



Bento.

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

ÀS GORDAS: ASSUMAM-SE

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Noite passada tive sonhos com assombrações de outras vidas. A primeira vida. Digo isso, pois é preciso morrer de amor pelo menos uma vez na vida para poder dizer que aproveitou seus anos quando morrer de morte morrida, ou matada. Este sonho trouxe das mais mutantes sensações, da alegria ao caos. Caos de outrora. Sonhei com a musa das musas. Com o start de todas minhas loucuras e literalidade, castigos e opressões impostas por este que escreve, claro.Como Punição por perder algo de tanto valor quanto as coisas que se têm Invariavelmente mais valor: ar, órgãos, demências e coisas que te Cobram o exílio da realidade, nem que por pouco tempo. Coisas das quais, se sem, viver fica tão mais sem graça e sem sentido. Sonhei com o quanto fui feliz e o quanto perdi. Há tempos não sonhava com isso, calhou de noite passada, justo esta noite, que de especial, buscando pela memória, não existe nada. Bem como seria só mais uma noite senão fosse tal sonho. Tão real. Eu pouco sonho, tenho uma coisa com sonhos, sempre fora uma fuga recíproca. Eu fugia deles e eles de mim. E não é que ontem, justo ontem, sonhei.

“Coisa de doido” vão dizer.

Quem sabe?

Sei só que me empobreceu, este sonho, deixou-me pobre durante o dia todo. Pobre de alma, de confiança, pobre de todo o resto que sobrou. Tudo o que reconstruí, se foi, por hoje, pois sonhei, com a musa das musas...Virei o mendigo das lamentações. Talvez isso explique os rancores Hard Cores dos últimos tempos. Ou talvez não. Análises nunca são fáceis, principalmente tratando-se das artimanhas do Destino. Nos dias de hoje ninguém é grato a nada, tudo vira obrigação. Simpatia vira falsidade, educação é fraqueza. Esperto é quem abusa do próximo. Frango, foi educado perdeu o lugar. Ceder o lugar para uma garota assusta, ou pode ser confundido com desculpa para olhar-lhe a bunda.
Fazer novas amizades cansa, é um querendo ser mais interessante que o outro e no meu caso ninguém é, exceto aqueles que não se esforçam para ser. Na verdade, tudo o que você acha que pode me interessar está errado. O que me interessa é justamente o que você pretende esconder por sentir vergonha. Conheci uma garota e em duas semanas de conversa ela me chamou de ogro. Fiquei impressionado pela sua rapidez e precisão de caráter. Mas a pergunta é: o que será que ela faz com esse talento? A mesma me chamou de sincero, uma obviedade, mas guardou o que eu lhe disse, outro talento; saber ouvir. E o que fará com a informação dada?

Bem, conheci outra garota, talvez sem o mesmo dom de julgamento de caráter, que quis prestar um favor a uma amiga feia apresentando-me. Conheceu minha negativa e quis saber os motivos, mas sem que eu fosse estúpido. Disse exatamente assim: me diz porque não, mas sem ser estúpido. Eu respondi que não se pode ter tudo nesta vida, ou quer explicações ou não.
Desviei o olhar até aqui para dizer que isso é herança também do motivo do sonho. Antes eu era só um rebelde sem causa, hoje leciono e sigo regras e cartilhas de como sê-lo e só com quem merece. Tornei-me um língua frouxa com autocontrole. Aprendi, com custos, que não preciso ser legal com todos, só com quem merece. Exatamente o contrário que fazia antes.
Fiz de minha impaciência dos velhos tempos a transparência dos dias de hoje. Sendo assim, escrevi logo na entrada de meu quarto: não sou de ereções gratuitas. Para um bom entendedor meia palavra basta. Não gosto de repetir as coisas que deixo claro.
Outro dia me pediram um autógrafo. Vejam só, um autógrafo? Quem sou eu para tal? Neguei, claro. Para um beberrão como eu, escrever dedicatórias seria uma das últimas coisas que desejaria desta vida infame. Ofereci uma cerveja e a garota levou à mal. Negou e ficou brava, partiu falando mal de mim. Vê como educação é confundida hoje em dia? Sequer eu reconheço-me como artista, quem é ela para tomar-me como tal? E a proposta da cerveja foi sincera, poxa. Eu, se pudesse optar, preferiria mil vezes uma cerveja com Bukowski que um autógrafo. Mas gosto é gosto.
Ainda falando sobre gosto: falei sobre bundas e peitos outro dia. Prefiro belos peitos, sempre, mas as bundas. O problema da bunda é que quem dá as ordens é a cintura. Qualquer bunda, por maior que seja, se for acompanhada de uma cintura que siga seu tamanho perde seu valor. Já os peitos, bem, belos peitos serão sempre belos peitos independente de qualquer coisa. No entanto eu estou sempre dispensando uma cintura tamanho G. Fodam-se vocês pró-gordas. Não faço diferença de ninguém, mas só fodo com quem desperta minha libido. Isso é um direito adquirido. Veja, eu perdi metade das minhas transas rotineiras pelo simples motivo de manter a barba em constante crescimento. Existem garotas que não se sentem atraídas por longas barbas e eu não fiquei me fazendo de tadinho por aí. Assumi a responsabilidade. Que é basicamente o que todas as gordas deveriam fazer. Assumir-se. Está cheio de idiotas por aí que preferem as gordas, alguém tem de dar atenção às magrelas e é aí que eu entro. Ossos sempre chamaram minha atenção desde as aulas de biologia no colégio. Isso e as garrafas de vinho atrás da escola. Hoje não sou mais tão fã de vinho, mas de ossos...


Bento.

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domingo, 1 de dezembro de 2013

NINGUÉM ESTRIPA POR ESTRIPAR, EXISTE SENTIMENTO NO ATO

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Alguns são tão idiotas, mas tão idiotas que eu desconfio de tanto talento. Não acredito e pronto. É tanta falta de credo que acho que é fingimento, porém penso; só um idiota para fingir tamanha idiotice. Também é possível que essa certa intolerância com idiotas parta de um estado de espírito um tanto quanto irremediável, de estar de saco cheio de qualquer coisa e sobre tudo. Irremediável, mas não voluntário nem eterno.
Então esse "saco cheio" foge um pouco da literalidade, na verdade isto se aplica à realidade infame, tediosa, ensebada e irritante. Um rotina transparente e demente de; puta que pariu os dias passam e as horas continuam sempre no mesmo lugar. Assuntos desfalecidos, conversas previsíveis, falências das palavras. Como se eu estivesse "emburrecendo", se é que isso existe.
Evidente que um emprego de merda ajuda a seguir com a desgraça. Mas o que eu quero deixar claro é que tanta inutilidade está até conseguindo tirar o charme do bar e olha que cervejas e mesas rústicas com garçons me chamando de Bêêênto sempre fora um lugar sagrado. Sinto-me o último dos pecadores num mundo de santos infames.

É bem verdade que eu já tive diálogos mais interessantes e abandonei-os sistemática e conscientemente, no entanto quem diria que eu mergulharia num infindável calabouço de mediocridades.
Acordo com o desespero de outrora e se não me engano, por motivos não tão diferentes. Não pensem que é exagero não, é desespero de faltar ar no peito e a barriga colar às costas. Das sobrancelhas quererem tomar os olhos tamanha a rigidez da feição. Também não pensem que pode ser só mais um dia que o humor partiu sem hora para voltar, é mais que isso. Mas então penso; por quê? Ontem não foi melhor que hoje e hoje não será pior que amanhã, ou talvez eu dê esse azar, porém não sou homem de acreditar em azares. Acredito que só tem azar quem tem sorte e eu estou bem longe de ser sortudo desses que ganham na loteria, no bingo, sorteios de rádios e etc. Está certo que vez ou outra achei uma ou duas notas de reais perdidas por aí, mas sei que perdi mais que achei, então não vale.
Fico sem saber então? Claro, não posso deixar de dizer que existe um dia ou dois que torno-me ranzinza mais que o normal só que neste caso foi pior que isso. Sei só que foi uma confusão que há muito não presenciava. De uma singularidade de insultar o chefe e matar os vizinhos. Resisti em comprar uma arma por achar assassinatos com armas muito clichê. Os Serial Killers que usam as mãos são bem mais sentimentais, existe um mantra, uma poesia em cada corte, cada tripa retirada. Ninguém estripa por estripar, há sentimento no ato, então resisti.

Sei que o dia foi passando com a lentidão dos dias ruins e acontecendo fatos para piorar tudo, porém, como já disse, era difícil piorar, mas a simples tentativa de fazê-lo já me irritava ainda mais.
Logo, o dia estava chegando ao seu fim, sem chefes agredidos e sem vizinhos chacinados. O dia estava tão merda que só chovia por onde eu passava e foi aí que aconteceu. Muitos dirão que foi um fim de dia clichê, tratando-se de quem é. Eu discordo. Foi lindo e mágico ao mesmo tempo.
Eu e o whisky tínhamos tido uma briga feia. Dessas de ficar sem se falar por dias.  Fui eu quem resolveu tomar a iniciativa e parei no caminho para uma garrafa nova. Sequer cheguei a abrir a garrafa, não precisou. Era como rever um amigo de longa data. Tocamos-nos, sem nos falar, bastou um trocar de olhares, um sorriso de canto de boca, o primeiro sorriso do dia. Onde diabos estávamos com a cabeça quando brigamos? Acabou o dia ali, era outro agora, melhor, mais tragável. Não precisávamos dizer nada, como velhos amigos bastou um olhar. Tudo poderia ser nosso novamente, o mundo e todo o resto. Éramos dois, a sós, poderíamos conquistar a tão sonhada eternidade, mesmo que malditos, eternos.



Bento.

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terça-feira, 19 de novembro de 2013

O QUE TE DEIXA MAIS PRÓXIMO DE DEUS É O SEU ANUS


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Diz a lenda que o Diabo vem à Terra castigar os impuros antes mesmo deles chegarem ao inferno, porém, eu acho que seria muito trabalho para um Diabo só.

Pensando nisso, tive a ideia de listar idiotices sobre religiões, pecados e os 10 mandamentos. Gosto de pensar que cada um vive a vida que quer do jeito que bem entender. A vida é uma só e você pode acabar com ela dando ouvidos a idiotas que pregam que tudo o que te dá prazer é errado. Mas quem foi o filho da puta que inventou isso? Tudo bem se quiserem acreditar naquele livro cretino que a maioria leva debaixo do braço ou guarda em cima de uma escrivaninha para mostrar às visitas, mas sequer sabem do que se trata. Vamos todos então viver a vida de acordo com páginas de papel que ninguém sabe por quem foi escrito? Se você achar que deve, bom, tudo bem, eu prefiro uma literatura mais atual, e um autor para responsabilizar.

Já soube de alguém que falou com Deus e soube em primeira mão as regras de como se deve viver? Tem provas disso? Então somos todos suspeitos.
Eu não sou nenhum expert em livros antigos, porém, um romance é só um romance. Como uma piada é só uma piada, ninguém leva a sério. Mas se tratando de Brasil, os imbecis que acreditam em promessas políticas são os mesmos que acham que piada é opinião.
Existe uma necessidade do indivíduo de se destacar na multidão, para isso ele entra em tribos, que basicamente são feitas de pessoas que também querem ser diferentes. Só que ninguém entra numa tribo por ser diferente. As tribos são necessariamente feitas por pessoas que se vestem igual, tem gostos parecidos e etc. Tem uma certa ironia nisso, porém as pessoas não são muito ligadas à ironias.

Vejam os religiosos, eles precisam se vestir de forma que os diferencie de nós; malditos pecadores infiéis. Não se importam se estão fora de moda ou se suas vestes são de gosto discutíveis, desde que seja diferente está bom. Eu por exemplo sou da tribo da calça jeans e camiseta. Eu era desta tribo aos dez anos e serei da mesma tribo aos sessenta, caso eu alcance esta idade. Ao enterrar-me, deixarão de lado o terno e serão apenas algodão nos orifícios, calça jeans e camiseta.

Religiosamente falando, eu posso afirmar que sou um anarquista. Não quero que pensem que sou ateu, não chego a tanto, eu só não me dou com religião. Sempre tive problemas com pessoas que me dizem o que fazer da minha vida ou sobre o que é certo ou errado. Prefiro descobrir por mim mesmo e caso haja alguém que com seu dedo em riste me acuse de alguma coisa após a morte, vou dizer que fiz tudo de caso pensado e faria de novo. No entanto eu duvido que álcool, sexo e mau humor possa levar alguém para o inferno. Caso eu esteja errado, vou para qualquer lugar que contenha cerveja, basta me servir.

A religião é a pior inimiga da psicanálise, porém a segunda opção consegue comprovar a sua existência, além de ser mais honesta. Mas todas as duas só existem para que você possa se apoiar em alguma coisa e não meter os pés pelas mãos. É preciso autocontrole e nem todos temos isso todo o tempo. Sendo assim, alguns se rendem às religiões, ou aos psicólogos. Eu sou adepto do bar. Não há melhor lugar para acalmar os ânimos e por os pensamentos em ordem quanto um bom boteco com uma bela vista de nádegas passantes, belas nádegas para lá e para cá enquanto o garçom retira os cascos vazios e volta com uma refrescante mistura de cereais e etanol.

Vê como é um tanto quanto irônico chamarem nós - não religiosos - de infiéis? Todos acreditamos em alguma coisa. A fé está presente desde os mais insanos e malditos, até os que se acham a reencarnação do messias. E aposto que tem alguém lendo isto que deve achar esse meu credo alcoólico e libidinoso sem fundamento, justo. Assim como eu reservo-me o direito de tratá-lo como um grandessíssimo idiota por achar que o simples fato de não cortar o cabelo, vestir-se com roupas horríveis e repetir aos quatro cantos trechos sem sentido de um livro seboso irá te fazer melhor que o resto do mundo. Filhos de Deus mesmo são as plantas, tanto que nos fizeram fábricas ambulantes de merda para adubar as árvores, bem como os pássaros. E logo virá a morte para servirmos de alimento para os vermes e será quando seremos promovidos de fábricas para a própria merda. Então para você que se comporta com tanta imponência, saiba que o que te deixa mais próximo do Criador é o seu anus, como todo ser humano, independentemente do que você acredita.



Bento.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

UM IDIOTA SEMPRE SERÁ UM IDIOTA, INVARIAVELMENTE

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Eu costumo falar muito de bom senso, bom gosto e etc. Falo isso, pois é o que rege a vida. Se você não tiver bom senso você não passa de um idiota e ninguém gosta de idiotas. É possível que parte das pessoas ature os idiotas por motivo de força maior, alguma coisa que os obrigam, mas em geral um idiota é sempre renegado. Não por menos, poucas coisas causam mais constrangimento que um idiota.

Já ouviu falar em vergonha alheia? Bem, isso só acontece quando está diante de um idiota sem remédio. Um idiota sem limites, e quando o idiota não tem limites ele deveria ser excluído da sociedade, pois um idiota chama outros idiotas. É como jogar milhos para os pombos, quando vê já tem uma dúzia de aves aos seus pés. Deixe um idiota à vista e não tarda para aparecer mais e mais idiotas. O Facebook, por exemplo, é um antro de idiotas.

Isso, como tudo na vida, tem um motivo, é que todo idiota gosta de plateia. Não estou dizendo que eles precisam de aprovação, claro que não, caso contrário eles estariam praticamente extintos, mesmo submersos às críticas, eles precisam de plateia, afinal, fazer idiotices sem que ninguém veja não tem nenhuma graça. O idiota não tem vez por que eles querem todas as vezes para eles e quem muito quer nada tem, diz o ditado popular, eu acho um ditado idiota, mas eu sou daqueles que acha todos os ditados populares idiotas, então sou suspeito para falar.

Mas mesmo os idiota podem te ensinar alguma coisa, nem que seja como NÃO SER um idiota. Porém, não fique você todo melindrado ao ler isso achando-se um idiota, pois todos nós somos idiotas para alguém e em algum momento. Não tem problema praticar as idiotices algumas vezes e se arrepender depois, isso é o que te diferencia das baratas e dos psicopatas e todos nós aprendemos com isso, já o idiota nunca aprende.

Não pense que todo idiota é egocêntrico e que todo egocêntrico é idiota, existem também os idiotas autopiedosos, aqueles que existem para servir. São verdadeiros capachos.

Também existem várias formas de se identificar um idiota. Os próprios idiotas têm um manual para identificar o que eles interpretam como idiotice, que é toda reação contrária às deles. Existem pessoas que dizem que odiar é idiotice, que ser sincero também, afinal, quem quer ouvir a verdade? Eu já acho que os hipócritas são idiotas. Vê? Tudo é uma questão de ótica.

Alguns amargurados vão dizer que se apaixonar é idiotice, outros, que amar é que é. Eu diria que estão todos errados e que quem ama não é idiota, isso também nos diferencia dos ratos e micróbios. Poderia então dizer que amar duas vezes é idiotice, no entanto seria eu contraditório, pois sou totalmente a favor das segundas chances e não poderia ser diferente, errante como sou estaria dando um tiro em meu próprio pé se dissesse o contrário. A questão é que na primeira vez que ama você comete todos os erros de amante de primeira viagem, logo, é preciso amar de novo para que faça certo desta vez, corrija toda a merda que fez e afaste toda a culpa por ter acabado com seu primeiro amor. Então eu digo que quem ama três vezes é um idiota. Se você não acertou nas duas primeiras, aceite, você é uma tragédia no amor. Tudo bem, nem todos nasceram para o ser amado, você pode sobreviver sem isso.

Outro tipo que existe é aquele que só se torna idiota quando em grupo, que é um pouco diferente do idiota que gosta de plateia. Este só se torna idiota quando tem amigos por perto, pois quando sozinho nem para idiota serve.

Mais um exemplo é o idiota inocente, que é aquele que não faz mal a ninguém. De tão idiota se torna engraçado e todo mundo quer tê-lo por perto com o intuito de sempre parecer superior.

Todos estamos rodeados de idiotas, não tem salvação. Só o que muda é como lidar com eles. Alguns surtam, outros ignoram, outros criam teorias sobre. De qualquer maneira, um idiota sempre será um idiota, invariavelmente.



Bento.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

NÃO É SÓ POR EU SER UM RANZINZA COM ASCO DE IDIOTAS

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Eu odeio desperdiçar a escrita com coisas idiotas. Isso tem um motivo maior e não é só porque eu sou um ranzinza com asco de idiotas, é mais que isso. O tempo das pessoas é cada vez mais escasso e se você perderá tempo lendo isso então que pelo menos eu tenha algo interessante, ou ao menos original para dizer. Então eu poderia começar dizendo: a vida é difícil e o mundo dá voltas. Mas isso é tão idiota quanto você perder tempo lendo o óbvio ou autoajuda, pois quem acha que é tão esperto a ponto de dar conselhos com certeza é um idiota e precisa urgentemente de conselhos, não meus, é claro.

Ou: a vida é linda e Deus e blablabla. Outro desperdício de tempo, meu e seu. Prefiro contar uma piada, afinal, pelo menos no fim você vai rir e rir nunca é um desperdício de tempo.

Só que eu estava falando de um motivo maior para tudo isso e este se deve ao fato da minha vida ser mais breve que as de vocês. Não por eu ser mais velho, claro que não. É só porque minha rotina tende a ser um pouco mais tóxica que o normal. Sem alimentação saudável, sem exercícios e a única parte do meu corpo que vê filtro solar são as áreas tatuadas. Adicione o fato de trocar o leite por cervejas no café da manhã e por vezes trocar o almoço por cigarros e o jantar por porres, então temos uma vida abreviada e a não ser que você seja atropelado por um caminhão, dê um tiro na própria têmpora ou adquira um câncer o meu tempo é um pouco mais escasso e por este motivo eu odeio perder tempo com idiotas. Vê como existe um motivo maior para tudo?

Além de não gostar de perder tempo eu enjoo fácil das coisas e em certas situações eu não dou mais que uma ou duas oportunidades de acontecer. É por essa impaciência que eu tenho a maioria dos meus arrependimentos. Porém, poderia ser pior, eu poderia ter o dobro da minha idade e não ter provado metade das coisas ou garotas das quais posso escrever hoje e seria um escritor pior do que já sou.

No entanto eu tenho falado tanto sobre as coisas que me enjoam que deixei de lado as que eu nunca me canso. Eu tenho a mania da observação e da análise. E sobre isso eu nunca me canso, apesar que isso nem sempre me traz coisas boas. Reparar em tudo nem sempre é bom, você pode ver coisas das quais vai se arrepender. Um dedo mindinho do pé torto, por exemplo, é uma das coisas que eu poderia deixar passar despercebido e ao invés disso eu sou capaz de fazer uma tragédia grega sobre.

Mas eu logo adianto que sou um fútil. Daqueles de dispensar uma transa se a lingerie não estiver ao meu gosto. Se eu entender que a vaidade de qualquer garota é menor que a minha eu vou pra casa me virar sozinho. O mínimo que uma mulher tem que ser é vaidosa. Uma mulher pode ser um poço de imbecilidade, ela pode ser uma idiota egoísta, ignorante até a raiz do cabelo, porém, se não for vaidosa, se mate. O mundo não aceita uma mulher sem vaidade. No entanto quero que entendam que não estou falando de casamento, o assunto aqui é atração no sentido mais simplório da palavra. É tesão e pronto.

Então eu reafirmo; sou um fútil de mão cheia e assumido. Caso não chamasse Bento, "Fútil" seria uma das opções. O que eu posso fazer? Meus olhos são muito mal acostumados. Gosto de dizer que me agrada beber com paisagem e como estou sempre bebendo o ideal é que quem esteja ao meu lado possa me oferecer o que eu almejo. Pode ser um vício, ou não, mas belos rostos podem salvar o dia. Agora sabe o que pode acabar com o dia? Uma garota linda com um cara asqueroso e sem bom senso. Ninguém merece ver uma coisa dessas.



Bento.

domingo, 27 de outubro de 2013

OS IDIOTAS DE HOJE SÃO HERANÇA DOS IDIOTAS QUE JÁ MORRERAM

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Eu me atualizo com poetas do século passado, pois as notícias de hoje são as mesmas de ontem. Os idiotas de hoje são herança dos idiotas que já morreram.

Eu tenho um guarda-roupa enorme e cheio de gavetas onde a maioria delas eu não uso mais para nada. Algumas delas eu retirei e joguei-as fora por falta de uso. O meu isolamento temporário do mundo me fez perceber que apesar de ser um acomodado eu sou viciado em mudanças. Com tanto tempo em recesso em meu quarto, pelo menos uma vez por semana tenho de fazer uma mudança na decoração para que meus olhos tenham sempre algo novo para ver. Então é claro que esse vício se aplica em minha vida pessoal. Mesmo que eu veja a mesma pessoa todos os dias eu preciso que esta me apresente algo de diferente para que meus olhos não coagulem numa mesma imagem.

O que acontece é que eu não sou o mesmo de ontem e serei diferente amanhã. O meu humor é instável, minhas ereções também. Hoje quero ouvir Blues, amanhã vou querer ouvir clássicos do brega e ontem estava ouvindo os sons mais pesados que você pode imaginar. Ontem eu estava apaixonado por uma morena, hoje vi uma ruiva que me tirou de rota e torço para que amanhã eu encontre uma japa que me interesse, só pra variar. O principal continua sempre na mesma, porém, alguns derivados mudam constantemente. Não espere uma explicação razoável para isso, pois eu não tenho. Simplesmente acontece.

Só que eu não mudo conforme o mundo, pelo contrário, o mundo que eu vejo é que muda conforme minhas mudanças de humor. Um dia de sol pode ser um tédio caso eu não esteja afim de qualquer coisa. No entanto, um dia nublado, bem acompanhado, pode se tornar um dia inesquecível. Mais um exemplo? Ontem tomei duas cervejas e parei. Não era dia, não estava afim. Hoje estou na décima e torço para que o mercado fique aberto até mais tarde, pois ainda cabe mais uma caixa. Pode ser que meu fígado esteja criando vida própria e me dando ordens, pode ser, mas acho difícil.

A vida não é mais do que o que você faz para sobreviver. Tudo está ligado às suas ações. Onde você está, com quem você anda, como você se diverte? Ouvi uma história de um cara que não tinha pernas nem braços e era feliz. Ok! Foda-se. Não desejo isso para o meu maior inimigo. Minto! Talvez deseje, mas quem pode ser feliz assim?

Bem, tem outro cara que eu conheço que não faz sexo há anos, os motivos eu não sei, talvez psicológico, talvez ele não passe de um inútil, nos dias de hoje? Ou você é um religioso estúpido ou um doente. De qualquer forma, quem pode sobreviver assim, sem sexo? Mesmo assim ele ainda está respirando e pelo que eu saiba ele nunca tentou tirar a própria vida e nem têm corpos apodrecendo em sua garagem - até onde eu sei pelo menos.
Eu já adianto que eu não suportaria. Podem me chamar de fraco se quiserem, então eu sou, mas digo; não suportaria! Nem as pernas, nem os braços, principalmente sem sexo. Suicídio, eutanásia, tudo isso passaria pela minha cabeça antes mesmo de você poder dizer "puta que pariu". Quem pode me julgar? Mas esse sou eu.

O que eu quero dizer com isso? Não sei, cada um que dê a importância devida ao sexo. Eu dou muita.

Se reparou nas últimas crônicas deu para entender que eu ando falando de sensações. Mais sensações do que situações. Isso se deve às minhas longa férias que durou meses. E muitos desejariam estar em meu lugar, porém, tudo que é demais enche o saco e eu me enchi. Precisava sair disso e sai. Então, logo no primeiro dia que precisei acordar cedo me arrependi, queria voltar a dormir, só que a vida é feita também de arrependimentos, sem isso você é um bosta sem crédito nenhum. Apresente-me alguém que não tenha se arrependido uma vez sequer e eu te mostrarei a semente da mediocridade.

Não quero com isso dizer que sou grande coisa, todavia tenho uma lista de arrependimentos enorme, do tamanho do mundo e posso apontar um monte de garotas das quais podem testemunhar sobre meus erros. Você mesma que está lendo isso, pode ser uma delas, aproveite e conte também seu causo.



Bento.

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domingo, 20 de outubro de 2013

O QUE FAZEM COM SEUS PINTOS?


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Não é segredo para ninguém que eu estou num processo de reabilitação de diálogos inúteis. Um afastamento temporário de pessoas, nem bem nem mal, só de pessoas, todas elas. Eu preciso disso às vezes. Nos relacionamentos, com sexo ou sem, até aqueles que se resumem a amizades, é preciso muita paciência, de ambas as partes. No meu caso, muita paciência do lado de lá e muita paciente de minha parte também. Só que eu não sou nada paciente. Eu disse uma vez que estou num enclausuramento, porém esta palavra já me deu nos nervos. Enjoei dela como enjoo de tudo, por isso prometo não usá-la novamente durante anos. Mas outra coisa que eu disse e já faz muito tempo, foi que estou num retiro espiritual trancafiado entre pôsteres de bandas clássicas, pinups maravilhosas e garrafas de destilados sortidos. Desde os caribenhos até os europeus, não faço diferença de bebidas alcoólicas desde que tenham conteúdo e me ajudem a chegar onde preciso. É quase a mesma coisa que penso sobre mulheres.

Não são bem as pessoas que me deixaram enjoado a ponto de fechar-me em meu cotidiano de filmes, livros e escrita. Bem, um pouco é por querer aproveitar mais o fim de minhas férias. Também tem o fato de estar me sentindo um pouco monótono em meus parágrafos. Monótono sim, claro, só escrevo sobre o que vivo, a realidade é minha sina e minha realidade está mais monótona que os documentários do canal à cabo sobre insetos. Por fim, são os diálogos que me causam mais ânsia que qualquer outra coisa. Assuntos rotineiros de problemas pessoais dos quais não me interessam nem um pouco e que eu insisto em fingir que estou ouvindo. Crises de existência de idiotas que sequer sabem o que é crise ou existência.

E são exatamente esses diálogos cretinos, esse discurso decoreba e ultrapassado dos que não sabem o que dizer, mas que precisam alastrar aos outros alguma dignidade. Pra mim não passam de idiotas.
Só abrir a boca para repetir clichês é idiotice. Logo, num reino de idiotas vista-se com a coroa. Eu que me acho um idiota às vezes te saúdo.

Confesso aqui um equívoco que cometi numa outra crônica. Disse que de todas as minhas ex-ultrapassadas-santas-qualquer-coisa não cometiam o erro de cometer-me novamente, assim, procurando algo parecido comigo. Errei, assumo. Uma delas juntou-se com um sósia. Claro, claro. Um sósia apenas em relação a minha face. Em personalidade, mesmo sem saber posso garantir sem medo de errar. Não deve chegar nem perto e volto com o bordão; isso não quer dizer que seja bom ou ruim.

Mas este não é um texto de revolta. Não revolta, um texto de desabafo? Não creio nisso também. Sobra o quê? Uma crônica amaldiçoada pelo ímpeto de agredir com palavras e eu sou tão bom nisso. O melhor de todos os tempos, provavelmente. Sou tão bom nisso que faço sucesso com minhas crônicas até hoje, mesmo depois de tanto tempo, pois estou sempre agredindo alguém, mesmo que este seja eu. Porém, basta um idiota para rever os meus conceitos de idiotice. Que incrível.

Uma outra coisa que tem me deixado inconvenientemente entranho psicologicamente é o fato de lembrar mais que o necessário do passado. Tão chato, tão estranho. Peguei-me outro dia, ao caminho do mercado atrás de cervejas para aproveitar a sexta-feira de sol e começar o porre desde cedo procurando Wally. Veja você quanto passado eu fui atrás. Andava e procurava. Dobrada a esquina eu esperava encontrá-la. Penso que algumas coisas me trazem a inspiração, porém, talvez achasse errado. Talvez a inspiração seja quem traga certas pessoas indesejadas à lembrança. Tão difícil dizer ao certo, tão fácil lembrar.

O fato é que nas pausas das lembranças de pernas finas eu tinha todas as lembranças do mundo. Lembrava-me de ir ao mercado buscar cervejas, lembrava que meu estoque de cigarros estava acabando entre outras coisas. Agora, nos últimos dias, quando não me lembro das pernas finas penso no bambolê e suas marcas. Lembro-me do sósia e tudo o mais.

Algumas vezes eu falei aqui da minha idade mental avançada. Sabe aquele tipo de coisa de gostar de músicas antigas, charutos e whisky envelhecido? Do tipo que ainda utiliza-se do cavalheirismo e etc. Então eu, em algumas noites esporádicas arrisco-me a sair de casa e num ônibus ou num bar e passo a explorar o ambiente, a reparar em minha volta e chego à conclusão de que os garotos de hoje são extremamente sem noção de nada. Com cabelos iguais e horríveis, roupas iguais e péssimas, com atitudes idênticas e de um mau gosto incrível. Tudo é baseado em músculos e gel de cabelo e quanto maiores os músculos e quanto mais alto o penteado mais eles se sentem satisfeitos e eu penso: o que fazem com seus pintos? Pensam em seu sexo? Importam-se com isso?

Na minha época só nos preocupávamos com nossa desenvoltura durante o sexo e se as garotas com quem transávamos voltariam. E olha, eu só tenho 26 anos, não tem muita diferença. Teremos daqui a alguns anos jovens garotas mal comidas e com namorados que brigam pelo horário no cabeleireiro? As discussões de relacionamento se basearão nos esmaltes que utilizarão na manicure ou no tipo de depilação? Bom, eu sou um chato com meu cabelo, assumo, mas não me incluo nesses penteados ridículos, meu bom senso sempre fala mais alto.


Bento.


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terça-feira, 15 de outubro de 2013

DOUTOR BENTONSTEIN

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Poucas coisas me fazem mais infeliz que ter de atender um telefone. Principalmente quando o idiota que me liga quer saber quem fala antes de se identificar. Bom, mas isso é o de menos. Só o fato de ter de atender ao telefone já me deprime.

O que eu quero dizer é que quando estou em casa, guardado e fazendo o que quer que seja que me agrade, qualquer coisa que me atrapalha neste processo me irrita e ainda ter de dialogar com alguém do qual não estou nem um pouco afim me dá vontade de matar alguém, mesmo que seja eu.

Sabe? Eu não me importo de ter de assassinar alguém, mas ter de atender ao telefone...
O problema é que por vezes, o toque do telefone torna-se mais irritante do que ter de atendê-lo, logo, minha irritação é inevitável.

Sim, claro. Eu sou um chato. Um pé no saco do tamanho do mundo. Um insuportável de carteirinha. Eu poderia dar aulas de como ser um filho da puta. Mas tem um porém. Como eu já disse; eu me agrado com pequenas coisas.

Hoje por exemplo fiquei feliz de comprar um whisky e ganhar um copo de brinde. Como sou totalmente contra tomar whisky num copo que não seja apropriado para tal destilado, fiquei grato.

Outro dia achei um engradado de garrafas de cerveja e reutilizei-o para uma estante de livros e fiquei orgulhoso com a ideia, portanto, feliz também com isso. Veja; sou um chato, no entanto me torno um tonto por qualquer coisa. Claro que esses são quaisquer exemplos que achei assim, do nada. Mas eu poderia citar qualquer outra coisa, bem como uma vitória do Corinthians, um beijo escondido na escada ou qualquer coisa do tipo.

Todavia, por ser um chato, é claro que isso não pode vir de qualquer pessoa. Por exemplo, os beijos escondidos na escada têm de ser de alguém no mínimo importante, caso contrário seria só um beijo. Uma vitória do meu time sobre outro qualquer me traz alegria, mas não mais que uma vitória num clássico. Tudo gira sobre o grau de importância. Uma dose de um whisky qualquer não me faz tão feliz quanto uma de Jack Daniel's. Tudo, tudo mesmo está relacionado ao que é importante para cada um e isso é tão subjetivo quanto sentir prazer em partes incomuns do corpo. Ok. Isso foi uma tentativa de piada que só uma pessoa irá entender, mas enfim. Basicamente é isso.

Outro dia recebi mensagens no celular e me enganei sobre a remetente. Foi um pouco estranho, pois, não sabia que minha demanda estava obtendo tanto resultado assim. De qualquer forma fora uma confusão que eu precisei de um pouco mais de minha massa cefálica para garantir um bom prazer. Só que existe um talento natural para esse tipo de ocasião, então não posso reclamar.

Já repararam que eu escrevo em forma de tópicos? Bem, se não repararam, aconselho prestar mais atenção. Afinal, que caralho que vocês estão fazendo que não conseguem reparar nisso?

Outra coisa que eu gosto de assuntar é sobre minhas ex. Bem, tem uma coisa de passado que me aprisiona, porém me agrada. Mesmo que seja só para lembrar ou escrever. Uma coisa que eu gosto sempre de deixar claro é que são todas santas e o único errado fui eu. Claro que não é uma regra, no entanto, por que ficar desenterrando sentimentos passados se não for para tirarmos algum humor disso?

Então eu sempre friso que elas são perfeitas e santas e eu sou a escória de toda a situação. Porém, numa brisa que tive outro dia comecei a juntar os pontos e tentar formar uma garota perfeita. Logo, uma missão impossível, mas se for para teorizar sobre qualquer coisa é melhor que seja sobre impossibilidades, caso contrário qual é a graça?

Portanto, juntei os pontos e como um Doutor Frankenstein formei meu monstro particular; a beleza, as tatuagens, os cabelos e os seios da A; mais as pernas finas, barriga, e personalidade da B; claro que um relacionamento não pode ser feito apenas de verdades, então desejaria a falta de talento de mentir da C, pois assim eu estaria sempre à frente e por fim adicionei a boa vontade, sexualmente falando, da T.  Depois disso, perdi um pouco mais de tempo imaginando como seria este monstro criado por mim e cheguei à conclusão que seria um Bento sem pênis, com seios e mentiras, é claro. Portanto, um ser perfeito para que eu pudesse me relacionar, porém, como toda perfeição, seria um tédio do tamanho do mundo. Então eu seria um péssimo médico louco. Melhor continuar escrevendo.



Bento.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

EU INVENTO COISAS E POSSO CRIAR O QUE EU QUISER

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A coisa que eu mais odeio em shows e baladas é que os diálogos transformam-se em gritos, não se ouve metade do que foi dito e você ganha inúmeros cuspes no rosto nessas tentativas de dialogar. Mas claro que para os imbecis que não têm o que dizer, isso não faz diferença.
Isso e a minha velhice de preferir sentar-me na calçada em frente algum bar e beber por longas horas olhando o movimento.

Tem uma coisa entre mulheres e homens que nunca muda. Num show as mulheres desejam o artista e os homens desejam estar no lugar do artista para que as mulheres os desejem. Tudo que se passa na cabeça de um homem hetero está voltado para a conquista do maior número de mulheres possíveis.

Eu mesmo sou um Narciso irremediável. Nunca sou o mesmo quando há mulheres no recinto. Só que isso é inevitável. Existe uma coisa, um sentido a mais em meu corpo talvez, que sempre me faz agir de forma diferente quando há uma mulher bonita no mesmo ambiente que eu. Os movimentos são calculados, as palavras são medidas e tudo isso é automático. Eu tenho duas pessoas dentro do mesmo corpo. Uma quando está numa roda de homens e outra quando existe uma mulher em potencial e de beleza palpável numa distância considerável. Talvez seja instinto, ou não.

Na verdade, é o meu pior lado que se impõe dentre todos e toma conta de minha personalidade. Não tenho controle e pronto. Foco-me numa coisa e muita pouca coisa me impede de atingir o objetivo. Porém, dentre todas as conquistas existem os fracassos e eu há tempos não perco meu tempo com batalhas perdidas. Se não posso vencer seria irracional de minha parte persistir, pois, persistência cega é para idiotas.

Não me entenderam quando eu disse que invento coisas. Eu crio situações, arquiteto sensações e tudo mais na busca de inspiração. Como um ator que precisa entrar no personagem para atuar eu preciso fazer o mesmo para escrever. O que não quer dizer que eu seria um bom ator, assim como nem todo ator escreve bem. Mas é um exercício que tem dado certo até então.

Isso começou há muito tempo. Mesmo as lembranças tem data de validade e minhas lembranças das calamidades pessoais estavam se esvaindo.
Eu tinha uma fonte de inspiração que partira há vários anos e quando a lembrança te abandona você tem que criar algo para substituí-la. Não é fácil, no entanto é possível. Logo, tudo o que lembro do passado foi criando por mim. Lágrimas eventuais, flashes esporádicos, tudo isso, fruto do cérebro, não mais do peito.

Mas sabe? Mesmo o maior criador de casos do mundo não é capaz de manter essa criação eternamente, então é necessário achar outra fonte para beber dela ou fazer o que os criadores fazem de melhor. Criar outra. Logo, se você for bom, se for bom mesmo, poderá criar quantas fontes de inspiração quiser. Para a mente sequer o céu é o limite. Crie mundos, histórias, personagens, situações, sentimentos. Tudo é possível no mundo que você criar para si mesmo, nele você pode ser qualquer coisa, inclusive você mesmo, porque se for muito ruim é possível dar a desculpa da ficção. E o melhor de tudo é que só residem neste mundo quem você decidir que merece.



Bento.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

QUERO VER O CIRCO PEGAR FOGO, CABEÇAS ROLANDO E CORPOS BOIANDO‏

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Eu tento sempre manter o equilíbrio, afinal, que mundo é esse que todos se esforçam para serem normais?

Penso que você faz tudo por capricho. Sim, numa maldita ânsia de entreter-se com minhas maledicências psíquicas, tediosas e medíocres, mas não para você. Você se diverte, além de sempre esfregar em minha cara a célula tronco da incompetência. Pitadas de um imediatismo crônico e uma visão de futuro débil. Mais do que isso até.

Me dá competência de sobra só para que eu saiba que de nada adianta, quem manda é você e só os seus caprichos são válidos. Egocêntrico como sempre, quer estar sempre no controle, só que sabe menos que eu. Um estúpido que acha que criou o mundo e pode controlá-lo.

Que tal eu, a partir de hoje voltar a usar o dom que você me deu e com o poder que eu já tenho, recomeçar a causar a discórdia? Sou ótimo nisso. Tenho uma fome maldita que tenho de controlar. Não, não, não. Não me faço de rogado. Não espero nada de você há tempos. Não agradeço e nem peço por nada. Porém, sei que está aí. Sei que olha com desdém tentando adivinhar quais serão meus passos.

Que tal eu voltar a destruir alguns lares felizes que você com toda sua hipocrisia se esforça para criar?

Quem és merecedor?

Nem você sabe. Sorteios de almas perdidas no chapéu não são dignos de crédito. Não tem ideia do que está fazendo assim como eu. Então não somos tão diferentes, só que diferente de você eu não subo em um pedestal e me nomeio salvador dos fracos e oprimidos. Eu sei me colocar no lugar de escória e você deveria fazer o mesmo.

***

Esse foi um pequeno desabafo que fazia eu para com Deus. Aos meus pés existiam latas de cerveja, garrafas de destilados e eu já não usava mais cinzeiros, então eram bitucas por todos os lados. Era minha forma de puni-lo por todas as bostas que ele me fez. Eu não me dou bem em relacionamentos com seres perfeitos, portanto não me convenço com essa ideia de que Ele não erra.  Era minha forma de puni-lo por todas as bostas que ele me fez.  Ao me enfiarem goela abaixo essas bostas de frases feitas de "imagem e semelhança" tenho de argumentar que; ou esses imbecis estão redondamente errados ou alguém está mentindo sobre Sua perfeição. Tudo bem, todo mundo mente para parecer melhor do que realmente é. Eu já fiz isso, hoje não mais. Só minto dizendo que sou pior do que realmente sou. Sem expectativas não há decepção.

Sobre a babaquice daquele livro famoso que todos leem e acham que com isso ficam mais próximo do paraíso eu sequer vou comentar, pois eu prefiro uma leitura mais realista. Não! Não estou falando de 50 tons de cinza, estou falando da Bíblia.

E assim como eu não tenho nenhum talento para Jó, cortei relações, como faria com qualquer imbecil que quisesse me fazer de idiota. Sem testes.

Então passei a acreditar na lei do merecimento; cada um tem o que merece. Esse negócio de injustiça não existe. Ainda dentro de leis criveis, acredito na bondade e na maldade por igual e elas estão vivas dentro de todos nós, por debaixo da pele, pulsante. Tudo depende do crédito que você dá para cada uma delas e neste caso eu estou tentado a dar uma maior chance à segunda opção. Quero ver o circo pegar fogo. Assistir cabeças rolarem e corpos boiando. Traduzindo; soltemos todos os demônios e deixem-nos brincarem na caixa de areia. Assim, num possível apocalipse de egos eu sopraria todas as sete cornetas sempre visando o meu lado. Nunca escondi que sou um egoísta maldito que quero tudo pra mim, mas o meu "tudo" provavelmente não é nem uma fração do "tudo" que é pra você, por isso digo que brigo por pouco, poucas coisas me agradam e o que me agrada são pequenas coisas. Só que faço uma guerra enorme por esse pouco destinado ao meu prazer.


Bento.

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A MERDA DE UMA PORRA DE UM SÓSIA? CONVENHAMOS...

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Não me fode, pois meu pau é maior e na minha vez você estará fodido. Não! Não quero com isso dizer que sou melhor ou pior, quero apenas dizer que dentro de uma média nacional, sim! Eu sou fodão. Mas quem liga para isso?

Bem, voltemos a falar sobre toda a merda que presenciamos; a internet por exemplo, é um antro de mediocridade. Vejo isso pela minha cachorra que é um exemplo de personalidade; fiel, carinhosa, esperta. E eu nunca a vi acessando o Facebook. Deve haver uma lição nisso tudo.

Existe uma característica que eu admiro muito nas pessoas; a singularidade. Quanto mais original melhor. Independe de talento ou etc. Desde que conquiste-me o interesse. Eu sou um desinteressado por natureza. Um broxa de carteirinha. Nasci com a ânsia de explodir e queimar coisas e eu mesmo fazer melhor e neste caso, quando me sinto capado no intuito da superação eu muito que me admiro.

Bom, espero não me tornar clichê com isso, mas volto a falar de garotas. Afinal, se você que está lendo isso agora e é homem nada mais justo que leia sobre algo interessante e o que é mais interessante para você do que garotas? Com certeza interessa homens dos 11 anos até os 95.

Se você que está lendo é uma garota nada mais justo que esse tipo de assunto também te faça virar os olhos de desejo, pois ninguém é mais egocêntrica que as mulheres. Só por isso existem centenas de revistas, sites e programas de televisão dedicados a tal assunto. É um grupo fechado.

Então eu tenho de dizer; tem uma garota...

Na verdade, é complicado ser tão subjetivo em relação a isso. Recebo tantas mensagens de garotas que se elegem à musa que fico refletindo sobre a minha objetividade falha ou a interpretação de texto péssima dessas candidatas.
Bom, eu assumo meus erros. Porém, no mínimo as pessoas deveriam conhecer-se a si mesmas. Se você que lê isso agora e já teve alguma relação comigo, ou sente que eu perderia o meu tempo escrevendo sobre você, primeiro, leia de novo. Ainda acha que é sobre você? Leia de novo. Ainda suspeita de minha vocação de literalizar nossa relação? Então só o que me resta é dizer; parabéns, você está certa! Ou; Ahhh por favor, limite-se a sua insignificância e se põe no seu lugar.

O que eu posso dizer? São muitos nomes para pouco sentimento, pouca intensidade. Eu não posso escrever para todas porque nem todas me interessam. Ok! Pode me julgar e me chamar de sacana, mas o que eu posso fazer? Sou homem, e por sê-lo tenho o péssimo hábito de me transformar em exatamente aquilo que você deseja, nem que seja por algumas horas. O homem nasceu mais próximo do camaleão do que o macaco. O que não quer dizer que mentimos sempre. Só quando nos é conveniente. Assim você finge que me deseja e eu finjo que estou apaixonado. Você finge que me admira por eu ser um lixo e eu finjo ciúme pelas suas companhias. No fim somos fingidores sacanas que só precisam de atenção e afeto - mesmo que falso - para nos sentirmos vivos.

Mas eu enrolei e enrolei para falar da tal garota. Bem, eu não me importo. Falando ainda de beleza e corpo desejável, tenho de dizer que Deus, o Diabo ou o Destino foi muito bom comigo em relação a isso. Afinal, vamos combinar; isso não me apetece por ser natural. Todo mundo sabe, digo que é um plus. Claro! Olhe para mim. Não me permito beleza menor do que aquela que me deixa constrangido. Se não for uma beleza cruel eu sequer perco o meu tempo. Tenho um histórico a zelar. Faz parte do personagem. O que me interessa é o tal conjunto que impregna, só que no desejo de conjunto desta garota me falta coisas que eu não desejo. Pois eu só preciso daquilo que me é indispensável. E se esse é o preço para possuir tamanho prêmio, eu passo. Já passei, faz tempo. As promessas atuais não me farão mais feliz do que as anteriores de beijos em segredo. Quero beijos e pronto. Simplesmente beijos e afeto. Beijos e libido. Se quisesse promessas jogaria na loteria. O que eu quero é mais intenso, sempre foi. Mas minha intensidade é difícil de acompanhar. Falei da garota que foi atrás de um sósia? Pois bem, jamais será mais do que um sósia. Será sempre uma porcentagem inferior partindo do princípio de ser a merda de uma porra de um sósia. Pelo bem ou pelo mal, é difícil superar-me.



Bento.

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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

JESUS! ACABOU O PAPEL HIGIÊNICO

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Curioso como o meu dia começou hoje. Eu acordei e descobri que estava trancado no meu quarto. Há tempo que a fechadura da porta está com problemas e por vezes ela trava e só é possível abrir pela parte de fora. O problema é que eu durmo na parte de dentro do quarto, bem, normalmente durmo na parte de dentro.

Outra coisa curiosa é que eu não via muito problema quanto a ficar o dia todo trancado. Eu tenho tudo aqui dentro; bebidas, banheiro, TV, internet, porém, lembrei-me que não tinha cigarros. Na verdade eu tinha uns oito ou dez cigarros, mas do jeito que eu fumo isso não duraria por muito tempo. Foi quando começou a bater um certo desespero.

Antes que me pergunte sobre o motivo pelo qual eu não tentei pular uma janela ou arrombar a porta eu já respondo. Já disse uma vez aqui que meu quarto não tem janelas, somente vitrôs. E eu não poderia arrombar a porta, pois teria de arrumá-la depois e eu odeio arrumar as coisas. Posso afirmar que sou um preguiçoso, mas um preguiçoso só para arrumar coisas. Vou dar um exemplo; em meu banheiro, há uma alça de ferro, daquelas que servem de suporte para prender o rolo de papel higiênico. Então todas as vezes que estou na privada e preciso usar o papel a alça cai. Por vezes, já de madrugada, quando não existe barulho algum em nenhum outro lugar, lá estou eu no banheiro precisando de papel e a alça cai no chão do banheiro fazendo um estardalhaço rompendo o silêncio da madrugada escura.

No entanto, por que eu estou falando de privadas e papel higiênico neste texto? Simples, eu passo horas lendo livros no banheiro. Curioso. Sempre que preciso usar o banheiro eu levo um livro e passo horas por lá, isso é, quando o livro é muito bom e me prende a atenção eu esqueço o que tenho que fazer e fico lá. Só depois vou usar o papel. Escrevo também no banheiro. Bem, a gente nunca sabe quando vem a inspiração e sim, às vezes ela vem quando eu estou no banheiro. Então levo cigarros, café, livros e algumas vezes começo a escrever por lá mesmo.
O que eu quero dizer com isso é que eu deveria arrumar a alça de ferro que segura o papel higiênico, faz tempo que deveria, mas eu odeio arrumar as coisas.

Voltando a falar da porta que estava trancada eu lembrei que meus livros novos que comprei pela internet poderiam chegar hoje. Então, além dos cigarros eu tinha mais um motivo para arrombar a porta. Também lembrei que tenho um canivete e um peso para fazer exercícios. Logo, consegui abri a maldita porta sem fazer muito estrago para ter que arrumar depois. Não muito tempo depois os livros chegaram. Então aqui estou eu no banheiro, finalmente tomando café, fumando um cigarro e decidindo quais dos livros de Stephen King eu vou ler primeiro.

Só que existe mais uma coisa que vocês deveriam saber; eu tenho uma porção de livros bons que comecei ler e não terminei. Não por falta de tempo, claro que não. É por dó. São bons livros, a maioria do Bukowski e eu não quero terminar de lê-los por dó. E também porque talvez eu não goste de terminar as coisas. Ou talvez eu tenha algum problema em terminar as coisas que eu começo. Eu demorei anos para terminar meu livro de contos, até que terminei. Só que demorei anos. Não, eu não demorei para escrever os contos, isso foi fácil, difícil foi juntar todos num mesmo arquivo e formar um livro. Consegui namorar algumas vezes durante esses anos, tive três ou quatro empregos, centenas de casos amorosos e não conseguia terminar o livro. Durante esse tempo eu estudei jornalismo por dois anos, comecei escrever dois romances - sem terminá-los, claro - e não terminei o livro de contos. Agora consegui terminá-lo. Falta apenas revisá-lo mais uma vez e pronto. Quer apostar que isso ainda vai demorar mais uma eternidade? Enfim, espero que não.

Então eu comecei a ler um livro de contos do Stephen, mais um livro que não sei quando vou terminar, talvez eu comece ler outro livro e deixe esse para depois, vai depender do quanto vou gostar.

Uma parte deste livro me chamou a atenção. Quando o autor fala sobre a dificuldade de escrever contos, pois ele sempre se vê tentado a continuá-los. Mas contos não são romances. Contos são curtos e rápidos. Como casos amorosos, namoros são diferentes. Contos são transas descompromissadas. Agora já não sei se essas são palavras minhas ou do autor do livro de contos que estou lendo.

Outra curiosidade é que tenho evitado dar cabo de meus contos, explico; alguns de meus contos novos têm como trama principal personagens que eu já criei no passado, assim dando continuidade às suas histórias. Isso me fez pensar que não é um fato isolado. Eu já fiz isso com alguns relacionamentos também, sabe quando se volta ao passado atrás de garotas das quais as histórias já tiveram fim? Pois é. Algumas vezes dá certo, mas por pouco tempo, o fato é que tenho tido mais sucesso com os contos neste quesito. Uma garota em especial me fez chegar a essa conclusão. É mais ou menos como se eu quisesse escrever um romance, porém ela só esteja disposta a ler contos. Então ela escreve vários destes contos e seria de minha responsabilidade juntá-los para formar um livro, só que eu tenho um péssimo hábito de demorar anos para juntar contos no intuito de formar um livro, como já deixei isso claro.

No entanto eu tenho um problema mais imediato neste momento, é que acabou o papel.


Bento.

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sábado, 21 de setembro de 2013

O ASSASSINATO DE BÁRBARA

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Doutor Quaresma chegara ao seu escritório como fazia todos os dias. Deixou sua maleta 007 com Cassandra e deu bom dia aos pacientes na recepção.

 - Cassandra. Na minha sala, por favor.

Cassandra, a recepcionista seguiu o psicólogo até sua sala.

 - A recepção está cheia hoje Doutor.

 - Pois é. Como tem gente retardada nesse mundo. Todos eles esperando que eu posso ajudá-los com uma palavra de conforto ou que mostre o caminho certo para eles. Uns imbecis...

 - Não fala assim doutor, esqueceu que estou quase me formando?

 - Mas eu dou o maior apoio. Não tem jeito melhor de tirar dinheiro de idiotas do que a psicologia. Claro, exceto se você for algum pastor ou político.

 - Ou os dois. Disse Cassandra.

Hahaha

 - Anda. Temos que ser rápidos.

Os dois riram e Cassandra começou a tirar a roupa.
Quaresma abriu a braguilha e Cassandra sentou em seu colo.

Dez minutos depois Cassandra estava na recepção.

 - Senhor Carlos?

 - Sim.

 - Me acompanhe por gentileza, o Doutor Quaresma vai atendê-lo.

 - Ah sim. Pois não.

Carlos então acompanhou a recepcionista até a sala do psicólogo. A garota fechou a porta e deixou os dois homens sozinhos.

 - Olá, bom dia. Como vai? O psicólogo estendeu a mão para o paciente para cumprimenta-lo.

 - Bem, eu acho. Carlos respondeu.

 - Benedito Quaresma, muito prazer.

 - Muito prazer, Carlos Rodrigues.

 - Sente-se Carlos. Fique o mais à vontade que conseguir.

Carlos sentou-se numa poltrona à frente do psicólogo. De veludo, macia e com suporte para os pés. Muito confortável. Passou os olhos pela sala e pôde ver diplomas emoldurados numa das paredes à sua frente e abaixo deles havia uma escrivaninha de madeira maciça de cor escura. A sala não era muito bem iluminada. Quaresma estava de pé à sua esquerda mexendo num gravador e ajeitando um bloco de anotações. Carlos também pôde ver um pequeno bar do outro lado da sala, com garrafas de whisky e outros destilados. Carlos conhecia todas aquelas marcas de bebidas, pois ultimamente vinha abusando do álcool.

 - Senhor Carlos, o senhor fuma?

Quaresma estava agora com uma cigarreira prateada com suas iniciais "BQ" impressas e apontava para Carlos oferecendo-o cigarros.

 - Posso? Perguntou o paciente estendendo a mão para se servir de um cigarro.

 - Fique a vontade. Gosto de pacientes que fumam, pois assim posso fumar também.

 - Um vício maldito esse, não?

 - Nenhum vício é maldito, maldito é não tê-los.

Doutor Quaresma finalmente sentou-se à frente de Carlos, repousou o gravador na mesinha de centro e começou a fazer anotações em seu bloco de papel.

 - Agora senhor Carlos, quero que relaxe e saiba que tudo que me disser ficará restrito a nós dois devido a confidencialidade entre psicólogo e paciente. Portanto, fique tranquilo para me dizer o que quiser para que eu possa ajuda-lo da melhor maneira possível. Você me entende?

 - Claro.

 - Vou começar confirmando os dados da ficha que preencheu na recepção. Ok?

Carlos balançou a cabeça confirmando.

Carlos Rodrigues, 29 anos, brasileiro, nasceu em São Paulo, solteiro e sem filhos. Profissão: assistente de produção e escritor nas horas vagas. Fuma e bebe socialmente. Enquanto Quaresma lia a ficha de Carlos ele passava mais uma vez os olhos pela sala sem janelas e carpete cor de vinho. Quadros e algumas estatuetas faziam do ambiente um lugar confortável, mas com ar arcaico. Perto do bar um objeto destoava de todas as coisas velhas que tinha ali. Uma guitarra Les Paul vermelho sangue.

 - Está correto?

 - Esse sou eu.

 - Ótimo. Bem, vamos lá. O que te trouxe até meu humilde consultório, Carlos? Posso te chamar só de Carlos?

 - Sim. Bom... É... Estou um pouco nervoso, me desculpe. Nunca fiz isso.

 - Todos ficam. Se quiser posso te servir uma bebida.

 - Não está muito cedo para beber?

 - Melhor cedo do que tarde não é?

Carlos sentia muita confiança na forma de falar do psicólogo. Além da chupada na parte lateral de seu pescoço e a braguilha aberta de sua calça social mais justa que o normal, fazia Carlos ter quase certeza que ele dera uma rapidinha com a recepcionista gostosa antes de atendê-lo. E pelo preço da consulta, as roupas caras, o relógio europeu e a cara de ressaca que Quaresma apresentava, Carlos podia jurar que a recepcionista não era a única vagina que o doutor tinha desfrutado recentemente.

Quaresma apertou o botão REC do gravador e foi até o bar. - Whisky?

 - Sem gelo, por favor.

Benedito serviu duas doses. Entregou o copo para Carlos e voltou a sentar-se.

 - Então, comece me dizendo o que você gosta de escrever.

 - Em geral eu escrevo romances policiais, mas meu primeiro trabalho não conquistou muito a atenção das editoras.

 - Por qual motivo?

 - Porque disseram eles que havia muitos tiros e nenhum mistério.

 - Mistério é importante para um romance policial. Mas mortes me agradam muito se quer saber Carlos. E como se sentiu com a rejeição?

 - Nada demais. Comecei a escrever outro agora com mais mistério.

 - Ótimo ótimo. Confiança é muito bom.

 - É...

 - E o trabalho?

 - Vai bem, serei promovido em breve.

 - Bom, bom.

Quaresma continuava fazendo anotações.

 - Tem namorada?

 - Não.

 - Alguém?

 - Bem, tinha...

 - E?

 - Pois é. É por isso que estou aqui.

 - Então me diz.

 - Tem uma garota...

 - Qual o nome dela?

 - Bárbara.

 - Faz jus ao nome?

 - Sim. Faz sim com certeza.

 - E onde ela está agora?

 - Para falar a verdade, não tenho a mínima ideia.

 - Vocês se veem com frequência?

 - Mais do que eu gostaria.

 - Como assim?

 - Eu a vejo em alguns lugares estranhos.

 - Desculpe, ainda não entendo. Quaresma deixou finalmente o bloco de anotações de lado e bebeu um gole de seu whisky.

 - É... É estranho.

Carlos mostrou-se desconfortável em sua poltrona. Também deu um gole em seu whisky e continuou.

 - Eu não sei quem é essa garota entende?

 - Explique melhor.

 - Não me lembro de onde a conheci. Não sei onde mora, não sei seu sobrenome. Eu simplesmente a vejo em lugares estranhos e ela está sempre linda. Mas não tenho certeza se as outras pessoas conseguem vê-la.

 - Então você acha que essa garota não existe?

 - Não! Sei que ela existe. Só não sei se ela existe para as outras pessoas.

 - Hum, interessante. Benedito voltou a anotar. - Quando foi a primeira vez que a viu?

 - No bar.

 - E ela estava sozinha?

 - Sim.

 - E falou com ela?

 - Na verdade ela quem falou comigo.

 - E como foi?

 - Foi ótimo. Ela é engraçada, boca suja e bebe bastante. Sexy, linda...

 - E você se apaixonou?

 - Sim. Mas não sei... Talvez ela esteja na minha cabeça.

 - Qual foi a última vez que a viu?

 - Ontem de noite?

 - E onde estava ontem?

 - Em casa, bebendo sozinho até ela aparecer.

 - E alguma vez você a viu quando não estava bebendo?

 - No começo não.

 - E agora?

 - Bem, eu estou sempre bebendo.

 - E você não quer mais vê-la?

 - Não.

 - E se parar de beber?

 - Cara. Eu sou escritor. Que espécie de escritor eu seria se parasse de beber?

 - Você está certo. E mesmo assim quer parar de vê-la?

 - Sim. Está me atrapalhando. Quero dizer, eu saio com outras garotas e tal. Mas sempre que acontece ela aparece e fica me olhando e eu me sinto como se estivesse a traindo.

 - Você diz quando está sozinho com uma garota no quarto e ela aparece assim, do nada?

 - Isso.

 - Bom, eu acho que você é muito louco.

 - Como? Carlos assustou-se com a afirmação do psicólogo.

 - Sim, acho que você tá chapado. Um Zé Pinga que tá vendo uma mulher que não existe. Doidão. Mas eu não te julgo. Eu gosto de tomar umas coisas pra ficar louco às vezes.

Carlos não sabia o que dizer. Já vira alguns filmes sobre psicólogos e nunca tinha visto nenhum falar daquele jeito. Quaresma continuou.

 - Eu no seu lugar, se ela é gostosa como você diz, eu faria de tudo para continuar vendo-a. Pense pelo lado bom. Uma garota que transa com você e some sem que você precise ligar no dia seguinte? É quase a mulher perfeita. Mas se você quer deixar de vê-la eu vou tentar te ajudar.

 - É... Nunca pensei desta forma. Mas não acho que seja saudável.

 - Não. Não é mesmo, mas eu não ligo muito pra isso. De qualquer forma... Eu poderia te receitar algumas pílulas, porém, você não vai parar de beber e a mistura de antidepressivos com álcool só vai piorar as coisas. Vamos tentar fazer isso de uma forma não convencional.

 - Como?

 - Mate-a!

 - Matá-la? Carlos agora quase tinha certeza que aquele doutor só podia estar louco. - Está louco?

 - Hahaha não sou eu quem está vendo mulheres que não existem, Carlos.

Carlos calou-se.

 - Preste atenção. A Bárbara não existe, certo?

 - Não tenho certeza.

 - Ora homem. Se ela aparece no quarto enquanto você tá enrabando uma garota qualquer, ou ela é uma ladra que te segue por aí - o que seria melhor ainda - ou um fantasma - e eu não acredito em fantasmas - ou ela está dentro da sua cabeça. Portanto, se matá-la, você estará matando uma coisa que não existe.

 - É. Pensando desta forma...

Quaresma então tomou seu último gole de whisky, olhou o relógio e com um sorriso satisfeito no rosto disse para Carlos voltar na próxima semana para dizer como foi.

 - Acabou o tempo Carlos. Faça isso e volte semana que vem para me dizer como foi. Cassandra marcará um horário pra você.

 - Ok. Obrigado pelo whisky.

 - Não agradeça. Até logo.

***

No mesmo dia, Carlos marcou um encontro com Bárbara, em seu apartamento. Na verdade não tinha como contatá-la, sem celular, sem endereço, no entanto sabia que toda vez que estava sozinho e começava beber conhaque, sozinho e ouvindo música, ela aparecia. Colocou todos os seus vinis antigos e nada da Bárbara aparecer. Estava quase no fim da garrafa e caso ela chegasse ao seu fim ele teria de sair e ir até o posto de gasolina mais próximo para buscar algo mais forte para ficar bêbado e finalmente ver Bárbara. A garrafa acabou e lembrou-se que tinha um pouco de erva numa das gavetas do armário da cozinha. Assim enrolou um cigarro de maconha e decidiu fumar para ver se obtinha sucesso e nada da Bárbara aparecer.

 - Parece que ela está prevendo, porra!

Parecia que ela estava prevendo. Carlos fumou o cigarro, ficou sonolento, mole, quase dormindo. Porém sabia que não podia dormir. Aquilo teria de acabar naquele dia. Resolveu levantar-se do sofá e ir até o posto buscar uma garrafa de vodca. Sabia que com vodca era quase certeza que Bárbara apareceria. Voltou ao apartamento, abriu a garrafa e serviu-se de um copo longo de chope cheio de vodca. Virou o primeiro com dificuldade. Quase gorfou, mas conseguiu se segurar. Serviu outro e esse bebeu devagar.

Depois de algum tempo bebendo e ouvindo música finalmente Bárbara apareceu.

 - Você sequer me citou em seu último texto...

 - Desculpe. Mas foi um texto encomendado. Por mim eu só escreveria sobre você.

 - Hahaha mentiroso. Estava me esperando?

 - Desde cedo. Você demorou!

 - Desculpe. Estava bebendo com uns amigos.

 - Venha aqui. Sente-se. Quer vodca?

 - Não sei. Estou meio bêbada.

 - Ah venha. Só um pouco...

 - Ok.

Os dois beberam durante mais algum tempo e conversaram sobre futilidades.
Carlos confessou-lhe que fora ao psicólogo para entender a relação dos dois.

 - E o que ele disse?

 - Me deu força. Disse que se eu gosto de você então que leve isso pra frente. Inventou Carlos.

Os dois já estavam um pouco sonolento quando Carlos decidiu usar a almofada do sofá da sala para agredir Bárbara. Com a almofada pressionada com muita força no rosto de Bárbara tentava fazê-la perder o ar. A garota debatia-se e tentava gritar, porém o som era abafado pela almofada. Carlos manteve a almofada pressionada com força depois mesmo da garota parar de se debater e tentar gritar. Para ter certeza de que tinha obtido sucesso.