segunda-feira, 8 de julho de 2013

ALGEMAS, VIBRADORES, BEIJO GREGO E ROTINA

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Toc toc toc.

Alguém batia na porta do apartamento e Rodolfo levantou-se da cama só de samba-canção para ver quem era.

 - Pois não.

Era um homem baixinho e careca vestindo um terno com ombreiras. Na verdade não era de todo careca. Ele tinha uma vasta cabeleira ao lado da cabeça, porém se via que era devidamente aparada. E no topo da cabeça havia meia dúzia de fios de cabelo penteados cuidadosamente para o lado.

 - É... Senhor Baunilha?

 - É Bonilha!

 - Oh, queira me desculpar. É italiano?

 - Não, sou cearense. O que quer?

O baixinho era síndico do prédio. Morava dois andares abaixo.

 - Bom, desculpe incomodá-lo, sou Juraci o síndico.

 - Tudo bem Juraci?

Os dois homens apertaram as mãos.

 - Estaria perfeitamente bem senhor Bonilha...

 - Me chame de Rodolfo.

 - Claro Rodolfo. Como eu ia dizendo, está tudo otimamente bem se tirarmos o fato de alguns vizinhos nossos estarem reclamando insistentemente do barulho que vem do seu apartamento durante o dia e principalmente durante a noite.

Juraci falava com a intenção de insinuar alguma coisa que não tinha coragem.
Essa coisa que Juraci quis insinuar era o fato de que Rodolfo e sua esposa faziam sexo o dia e a noite inteira. Todo o tempo os dois estavam se agarrando e gritando e arrastando os móveis e gemendo e aquilo só tinha fim quando os dois pegavam no sono. Só que quando acordavam começava tudo de novo. Logo, Rodolfo ficou orgulhoso pela insinuação que testemunhava sua virilidade.

 - Eu entendo, mas peço que o senhor também me entenda. Somos recém-casados e estamos comemorando nosso matrimônio.

 - Entendo perfeitamente o senhor. No entanto peço que considere o fato de que lamentavelmente temos alguns vizinhos idosos já, que não veem desta forma. Então para que não haja mais incômodo de ambas as partes...

 - Eu entendi perfeitaMENTE Juraci. Prometo que vamos tentar não incomodar mais, ok?! Obrigado.

Sem esperar resposta Rodolfo bateu a porta.

 - Quem era amor?

 - O síndico reclamando do nosso barulho.

 - Ora, mas como? Que barulho?

 - Barulho nenhum. Vem cá, faz aquela dança que você me prometeu.

E o casal passou mais alguns dias sem sair do apartamento transando e dormindo. Dormindo e transando e a cama já tinha seus parafusos todos soltos devido aos movimentos repetitivos. Preservativos usados transbordavam pelo lixo do banheiro. Caixas de pizzas, vasilhames de lubrificantes e garrafas de vinho estavam espalhados por todo o apartamento. O telefone estava fora do gancho para que não fossem incomodados. O domicílio cheirava a sexo e suor.

Rodolfo estava nu deitado no sofá da sala, com a cabeça pendurada para fora do móvel e seu membro flácido repousado e ainda sujo em sua coxa. Patrícia sua esposa estava no banho.

Não podia-se julgar um casal jovem como eram, recém-casados, por terem tanto desejo um pelo outro. Além de jovens eram bonitos, atléticos. Rodolfo era um moreno forte, viril e queixo largo. Patrícia era garota de academia, nádegas redondas e duras. Seios fartos e barriga sarada. Eram jovens, belos e de mente aberta. O sexo era uma maravilha. Os dois se completavam. Patrícia não dizia NÃO para nada e Rodolfo só se sentia satisfeito quando sua esposa ninfeta chegava ao ápice do prazer. Algemas, vibradores, beijo grego e fantasias sexuais estavam entre as coisas que faziam para agradarem-se.

Patrícia ao terminar seu banho dirige-se a Rodolfo.

 - Rodolfo, não quero mais.

Seu sonolento esposo se ajeita no sofá e diz: - O que foi, quer ir comer fora?

 - Não. Quero divórcio.

 - Como é que é?

 - Quero me separar de você.

 - Por quê?

 - Estamos transando há dias e eu não tenho assunto nenhum com você. Pensei em várias coisas para comentar, puxar conversa, mas somos muito diferentes.

 - Mas meu amor, estamos nos dando tão bem. Você está nervosa. É isso.

 - Estou muito calma. Andei pensando agora no banho. Você não gosta de novela, eu odeio seus autores preferidos. Você odeia futebol e eu sou corintiana fanática. Não combinamos em nada.

 - Bom, tudo bem. Quer ir embora vá.

Patrícia então fez as malas e partiu para a casa de sua mãe.
Rodolfo se viu ali sozinho no apartamento e aquele lugar estava uma zona. Recolheu as caixas de pizza e as garrafas de vinho. Recolocou o telefone no gancho, tornou a retirá-lo e discou alguns números.

 - Alô, Veridiana? É o Rodolfo. Tá fazendo o quê?



Bento.

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Um comentário:

Anônimo disse...

Criativo demais rs