Sempre que me
perguntavam o que eu gostaria de ser quando crescesse eu sempre tive um milhão
de respostas diferentes para responder a isso. Já pensei em tanta coisa.
Hoje se me fizessem a
mesma pergunta eu diria que não gostaria de crescer, mas agora é tarde. De
qualquer forma, continuo não simpatizando com a tal pergunta.
O correto seria; O que
você quer ser quando MORRER?
Para essa pergunta eu
respondo sem pestanejar. Quero ser eterno.
Independente de como
vou viver, foi sempre a eternidade que fez meus olhos de criança brilharem como
ao ver um brinquedo novo.
“Minha” eternidade não
tem nada a ver com religião, paraíso, ou viver em graça ao lado de Deus e toda
essa ladainha dos desesperados que buscam um objetivo para a vida e também para
a morte. Apesar do nosso egocentrismo de querer ser a menina dos olhos do
universo, somos como tudo que habita nele. Nascemos, vivemos (ou sobrevivemos -
que é bem diferente de viver) e morremos. E é só isso.
Eu, definitivamente,
não quero viver uma vida de privações esperando ser feliz nos jardins do Éden,
quero aproveitar tudo o que há de bom aqui, em vida. Sentir na pele todos os
prazeres da carne.
Aliás, meu relacionamento com Deus é um tanto
quanto peculiar, com tantas reclamações que tenho para lhe fazer é bem provável
que se morresse hoje seria enviado diretamente ao inferno. Estaria sentado numa
mesa de bar junto com alguns políticos do PT, pastores evangélicos, tomando
algo gelado e alcoólico para resistir ao calor e uniríamos forças para falar
mal Dele. Mas isso é outra história para um outro texto, voltando a falar da
eternidade...
Também não estou
falando daquela famosa eternidade idealizada por vilões dos filmes. Longe de
mim querer perambular pela terra por centenas de anos como um vampiro ou coisa
do gênero. Ficaria extremamente insatisfeito se passasse mais tempo neste mundo
do que me foi destinado. Nem um segundo a mais, nem menos.
Estou falando de ser
lembrado, de deixar uma herança ao mundo. Algo que poderá ser usado depois que
eu me for, algo além de meus órgãos.
Talvez por isso me identifique
com a escrita, nada resiste mais ao tempo que a comunicação por extenso.
Não precisa ser nada
tão grandioso quanto Shakespeare, mas também não alcançaria meu objetivo com a
inutilidade de um ex-big brother. Deve ser algo que esteja inevitavelmente
ligado ao meu nome, que fosse repassado as outras gerações através dos livros
de histórias ou jornais.
Já deixo bem claro que
não tenho nenhuma vocação para virar santo, nem herói. Também não tenho vocação
para terrorista ou criminoso como Bin Laden. Muito menos recebo mensagens do
além como Chico Xavier. Portanto quero ser lembrado por palavras minhas, uma
frase, uma crônica, uma música. Assim, nos dias dos finados, as velas acesas em
minha homenagem não serão somente de meus parentes próximos.
Bento.
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