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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A MERDA DE UMA PORRA DE UM SÓSIA? CONVENHAMOS...

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Não me fode, pois meu pau é maior e na minha vez você estará fodido. Não! Não quero com isso dizer que sou melhor ou pior, quero apenas dizer que dentro de uma média nacional, sim! Eu sou fodão. Mas quem liga para isso?

Bem, voltemos a falar sobre toda a merda que presenciamos; a internet por exemplo, é um antro de mediocridade. Vejo isso pela minha cachorra que é um exemplo de personalidade; fiel, carinhosa, esperta. E eu nunca a vi acessando o Facebook. Deve haver uma lição nisso tudo.

Existe uma característica que eu admiro muito nas pessoas; a singularidade. Quanto mais original melhor. Independe de talento ou etc. Desde que conquiste-me o interesse. Eu sou um desinteressado por natureza. Um broxa de carteirinha. Nasci com a ânsia de explodir e queimar coisas e eu mesmo fazer melhor e neste caso, quando me sinto capado no intuito da superação eu muito que me admiro.

Bom, espero não me tornar clichê com isso, mas volto a falar de garotas. Afinal, se você que está lendo isso agora e é homem nada mais justo que leia sobre algo interessante e o que é mais interessante para você do que garotas? Com certeza interessa homens dos 11 anos até os 95.

Se você que está lendo é uma garota nada mais justo que esse tipo de assunto também te faça virar os olhos de desejo, pois ninguém é mais egocêntrica que as mulheres. Só por isso existem centenas de revistas, sites e programas de televisão dedicados a tal assunto. É um grupo fechado.

Então eu tenho de dizer; tem uma garota...

Na verdade, é complicado ser tão subjetivo em relação a isso. Recebo tantas mensagens de garotas que se elegem à musa que fico refletindo sobre a minha objetividade falha ou a interpretação de texto péssima dessas candidatas.
Bom, eu assumo meus erros. Porém, no mínimo as pessoas deveriam conhecer-se a si mesmas. Se você que lê isso agora e já teve alguma relação comigo, ou sente que eu perderia o meu tempo escrevendo sobre você, primeiro, leia de novo. Ainda acha que é sobre você? Leia de novo. Ainda suspeita de minha vocação de literalizar nossa relação? Então só o que me resta é dizer; parabéns, você está certa! Ou; Ahhh por favor, limite-se a sua insignificância e se põe no seu lugar.

O que eu posso dizer? São muitos nomes para pouco sentimento, pouca intensidade. Eu não posso escrever para todas porque nem todas me interessam. Ok! Pode me julgar e me chamar de sacana, mas o que eu posso fazer? Sou homem, e por sê-lo tenho o péssimo hábito de me transformar em exatamente aquilo que você deseja, nem que seja por algumas horas. O homem nasceu mais próximo do camaleão do que o macaco. O que não quer dizer que mentimos sempre. Só quando nos é conveniente. Assim você finge que me deseja e eu finjo que estou apaixonado. Você finge que me admira por eu ser um lixo e eu finjo ciúme pelas suas companhias. No fim somos fingidores sacanas que só precisam de atenção e afeto - mesmo que falso - para nos sentirmos vivos.

Mas eu enrolei e enrolei para falar da tal garota. Bem, eu não me importo. Falando ainda de beleza e corpo desejável, tenho de dizer que Deus, o Diabo ou o Destino foi muito bom comigo em relação a isso. Afinal, vamos combinar; isso não me apetece por ser natural. Todo mundo sabe, digo que é um plus. Claro! Olhe para mim. Não me permito beleza menor do que aquela que me deixa constrangido. Se não for uma beleza cruel eu sequer perco o meu tempo. Tenho um histórico a zelar. Faz parte do personagem. O que me interessa é o tal conjunto que impregna, só que no desejo de conjunto desta garota me falta coisas que eu não desejo. Pois eu só preciso daquilo que me é indispensável. E se esse é o preço para possuir tamanho prêmio, eu passo. Já passei, faz tempo. As promessas atuais não me farão mais feliz do que as anteriores de beijos em segredo. Quero beijos e pronto. Simplesmente beijos e afeto. Beijos e libido. Se quisesse promessas jogaria na loteria. O que eu quero é mais intenso, sempre foi. Mas minha intensidade é difícil de acompanhar. Falei da garota que foi atrás de um sósia? Pois bem, jamais será mais do que um sósia. Será sempre uma porcentagem inferior partindo do princípio de ser a merda de uma porra de um sósia. Pelo bem ou pelo mal, é difícil superar-me.



Bento.

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terça-feira, 10 de setembro de 2013

QUAIS SUAS INTENÇÕES COMIGO?

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Sei que pode ser um pouco tarde para lhe perguntar isso: mas quais as suas intenções comigo? Pareço agora um pai inquisitor do século passado, mas qual a sua intenção comigo, ou melhor, quais eram suas intenções comigo? Afinal, acredito que isso já virou passado. Para mim virou passado recente, para você nunca foi presente, sequer futuro.

Bem, adianto-lhe: minhas intenções com você sempre foram as piores possíveis. Desejei lamber-te dos dedões dos pés até as orelhas. Passando por suas costelas à mostra devido a magreza e chupar-te até desatar a esfera do piercing que tenho na língua com a ajuda de sua pélvis. Incessantemente, incansavelmente, prazerosamente. Abriria mão de minha ereção, apesar de ser inevitável, afinal, trazendo-lhe tanto prazer eu chegaria ao ápice da libido tão logo. Claro que como um gentleman que sou, só após você, primeiro as damas. No entanto, quais suas intenções comigo?

Desculpe-me o linguajar. Talvez não esteja acostumada com tanta sinceridade, pelo menos com uma verdade tão invasiva. Só que sou um homem que já não tenho nada mais a perder. Quais as suas intenções comigo?

Ora, ora. Não quero que pense que minhas intenções com você tratam-se somente de libido, todavia eu já expliquei-me tanto sobre todas as outras coisas que me tornei clichê e eu odeio clichês. Para não cometer tamanho pecado com minha literatura deixo de lado e falo somente sobre o que ainda não disse. Menos açúcar, mais limão e neste caso, me dou razão quando digo: o limão é sempre mais azedo quando está só.

Abro um parêntese agora para dizer que nossa atual relação de ação e reação através da escrita é o mais próximo da realidade do que qualquer diálogo que tivemos durante meses Só que sinto em dizer: Foi fraco, bem fraco. Fico imaginando sua vontade de dar uma resposta aos meus textos e penso que ainda falta muito. Precisa praticar mais. Eu já achava que você era melhor que isso, hoje não tenho tanta certeza. Na intenção de usar palavras fortes para despejar toda sua melindragem em forma de insultos no máximo faz lamentar-me, não pela tentativa de agressividade, mas pela mediocridade do insulto. Eu creio que merecia, pelo menos, um texto melhor. Não é opinião, é a verdade. Gosto assim.

Deixando todo o clichê de lado e destilando toda a minha amargura de solitário por todo o processo de enclausuramento que eu já citei antes assumo que de todas as suas opções eu sou talvez a pior. Talvez? Não, não. Sou a pior opção de todas as opções em toda a história. Enquanto você, que diz utilizar-se da razão está mais que certa. Mas qual a sua intenção comigo? Pois se for como amigo, esquece! Sou o pior amigo de todos os tempos. Um amigo horrível, tanto que eu mesmo desdenho de minha amizade.
Tenho amigos com filhos que sequer conheci. Tamanho meu insucesso em amizades que estes filhos atingirão a maioridade, entrarão na faculdade e sequer terão um rosto ou um timbre de voz para ligar a minha imagem. Logo, não cometerei a heresia de ser seu amigo. Jamais!

Pode me chamar de cuzão, covarde, caipira, bundão, calhorda. Crie insultos se quiser, tão criativa que tu és, estará sempre certa. Só não me peça o que eu não posso te dar. Como amante sou melhor, sempre fui.
Melhor que ser filho, irmão, amigo, empregado, fui amante. Não sempre, mas aprendi com os erros. Talvez devido aos traumas, me tornei um amante incrível e um ser humano péssimo. Sou desatento e escroto até comigo mesmo, mas me cobro para ser um amante venerável. Os fins justificam os meios.

Quais são suas intenções comigo?

Insulte-me, me bata, me maltrate, porém me ame. Eu até gosto de uns tapinhas de vez em quando. Uma vez ganhei um tapa no rosto em público tamanho a canalhice que fiz e me senti orgulhoso. Não por ter sido canalha, claro que não, mas por tamanho sentimento que aquele tapa significou. Ninguém estapeia outra pessoa por nada, sem motivo. Expurgue-me, porém me deseje.

Ou você pode continuar com sua autoflagelação e vitimismo fazendo de si o veneno do mundo. Entretanto confesso-lhe que este não é seu melhor personagem. Eu sei, porque já atuei na mesma peça, com o mesmo personagem e ele cai melhor em mim, mesmo assim abandonei-o, mesmo traindo minha vaidade. Fez um sucesso danado, só que neste caso, o fim não justifica os meios. Por muito tempo ele impregna na pele e é quase impossível largá-lo. Saia dessa antes que seja tarde. Caso contrário tornar-se-á uma poetisa ranzinza igual a mim e já temos tanto em comum não precisamos de mais. Prefiro perder-te para outro alguém do que para você mesma.



Bento.

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

CLÍNICA DE REABILITAÇÃO ZACARIAS BARBACENO

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Sabe quando baixa uma coisa na carne e você não sabe de onde vem? Simplesmente vem e pronto. Foi assim. Desisti. Não sei porque veio, nem como veio, só veio.
Bem, por vezes é melhor descomplicar as coisas. Não existe meio termo. Odeio meio termo. Sou de extremos e pronto! Ou é meu ou não é.

Estou num processo de enclausuramento. Muito tempo sem fazer nada e isso pode estar me deixando mais desequilibrado do que eu normalmente sou. Esse afastamento, esse casulo antissocial faz parte de um processo literário, um fim de ciclo purificador de mente, ou melhor dizendo, destilador de ideias.

Não. Se perguntar se estava totalmente são quando tomei tal atitude derradeira responderei na lata: claro que não. Caso contrário não teria coragem de abrir mão, de dilacerar a libido, tornar mais distante o que eu sequer tinha. Mas foi para o bem, não vou negar. Fará o bem, ou não. Porém, devo arriscar. Como eu disse, sou de extremos. Me dou melhor com o drama da realidade de não ter do que com a esperança de que um dia terei. Não sou de futuro, doo-me ao presente, o resto é resto.

Sou de presente, do que posso tocar, beijar, desejar o minuto seguinte, nunca a semana seguinte. O mês então...
Prefiro a morte a aguardar a vontade alheia. O que não quer dizer que darei uma de macaco e pularei em outro galho. Simplesmente tornar-me-ei só, como de costume. Serei eu e a companhia de mim mesmo. Muito mal comportado como sempre.

Abro mão de roubar-lhe os sonhos, os devaneios e etc. Prometo-lhe, farei isso em silêncio, só pra mim. Não mais usufruirei de suas frases, exceto nos diálogos comigo mesmo. Não mencionarei mais seu nome, com exceção quando para chamar a gata. Não passarei mais que meia hora olhando suas fotos. Não desejarei mais seus lábios, sequer suas mãos em meus ombros.

Ainda creio que te inventei. Criei defeitos e qualidades, parentes e inimigos. Como toda personagem, criei enredo e cenário.
Por isso também acredito que assim como te criei, terei o poder de descriar. Como você mesma quis e pediu. Passarei a borracha, ou apertarei o botão Delete para afastar-te de minha mente. Sem final feliz, então sem final. Haverá de alguém interpretar um fim que me favoreça. Caso contrário, será só mais um fim.

Então descobri uma coisa sobre mim com a sua ajuda. Descobri que me exponho vorazmente aos olhos alheio porque preciso. Descobri que de tanto afastar os outros por vezes preciso deles por perto. Que deixo meus defeitos na vitrine para não cometerem o erro de se aproximarem sem aviso prévio, como as placas de "Cuidado com o Cão". Que escrevo não para mudar sua opinião, mas para sentir-te por perto, fazendo-me companhia. Descobri que tenho carência de você, abstinência de você e por isso, só por isso, me internarei nos Carentes Anônimos para curar-me de meu vício.



Bento.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A DIFERENÇA ENTRE EU E VOCÊ É QUE EU PREFIRO JACK DANIEL'S

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Aqui estamos nós. Mais uma madrugada gelada de São Paulo, de um inverno tenebroso onde é claro, só o álcool para ajudar a diminuir os arrepios. Parei de escrever por sempre citar a mesma coisa. Estou com um "vício", um cacoete. Quando começo a teclar meus pensamentos sempre sai a mesma coisa sobre a mesma coisa e isso está me deixando com uma sensação de incapaz. Odeio isso. A incapacidade sempre bate um pouco mais forte em meu peito por parecer que eu tenha que provar muita coisa para um monte de gente. Não que eu tenha, mas seria uma questão de honra, por todos os bêbados do mundo. Quando você quer levar uma vida exatamente da forma que você quer você precisa mostrar para algumas pessoas que não é preciso ser um filho da puta ou um bunda mole cuzão que tem que seguir todas as regras medíocres que lhe pregam. Convenhamos, só os idiotas seguem esse tipo de alienação pregadas por nossos avós e eu digo isso por vocês, pois eu nunca tive avô nenhum.

Tenho assistido algumas coisas muito trash. Nas horas vagas, que têm sido muitas. Coisas ofensivas. Coisas desregradas, com libido à flor da pele. Violência, terror, sangue "esporrando" por todos os lados. Agressivas como assassinatos, pornografias extremas e mutilações, coisas do tipo. É mais ou menos como uma droga, uma coisa mais forte para desviar esse tipo de emoção que faz com que eu sempre escreva sobre a mesma coisa. Em busca de algo que me faça voltar ao “normal.” Minto! Estou só tentando me enganar. Estou buscando um motivo para enraivecer e tornar-me oco como sempre fui para parar de passar vontades que jamais matarei. Ficou claro isso?

Sequer lembro como era e isso me preocupa. Então tenho buscado coisas mais agressivas para chegar em algum lugar, só que não está funcionando. Quando você passa a vida se machucando você torna-se um Casca Grossa. Não é qualquer coisa que consegue te ferir. Você passa a ficar imune a algumas coisas. É estranho, pois se parece com alguém que perdeu o medo, mas ninguém perde aquilo que nunca teve e isso está fadado ao nada, ao sem sentido, ao limbo da merda do cavalo do bandido. Gelado como o gelo adicionado no whisky e eu odeio que adicionem gelo no meu whisky ou em qualquer destilado. Eu gosto do original, da receita original e nada que você tenha de adicionar alguma coisa permanece da forma como o criador gostaria que fosse apresentada. Sirva-se de uma boa dose de whisky, num copo propício, por favor, não cometa o pecado de beber um scotch ou um bordon em qualquer copo. Agora olhe bem para ele. Cheire, enfie a merda do seu nariz no copo e respire profundamente. Você consegue sentir? Isso é o cheiro da criação, cheiro de libido, de vida. Seu sangue está começando a correr mais rápido pelas suas veias agora, e você nem bebeu ainda.

Agora olhe para o líquido que está em seu copo. Encare-o com verdade e mente aberta. Não importa o preço da bebida, mas quanto maior melhor. Está olhando? Você se vê nele? Forte, firme e com personalidade. Vai dizer que você não está querendo estar no lugar dele? Independente de qualquer coisa, ele sai da garrafa e está pronto para enfrentar seus problemas, mesmo que seja momentâneo ninguém está nem aí. Pense no agora, esqueça o futuro. O futuro é um cara que levamos nos ombros sem ter certeza nenhuma dele ou de sua fidelidade para com os nossos desejos e só o que temos é o presente. E agora que você encarou e cheirou e está decidido, a primeira dose você tem de tomar como homem. De uma vez só. Vamos lá, você consegue.

Ufa! A primeira dose já foi. É como o medo de altura, depois que você olhou para baixo uma vez o resto é resto. Vamos para a segunda. Encare-o de novo. Bem mais fácil desta vez não? Você já está quase pedindo para o garçom deixar a garrafa. Vê como você já não pensa mais no futuro. Foda-se o futuro, vamos viver o hoje, o agora. Desce a garrafa e vamos ficar bêbados e mandar o mundo e os problemas se foderem, pois é isso que eles merecem. Um belo dedo do meio bem enfiado no cú. E vamos torcer para que esse cú não seja o nosso.

A cada dose de whisky vai ficando mais fácil. Depois da terceira ou quarta você nem sente mais o amargo. É só a loucura descendo pela sua garganta. Prazerosamente descendo pela sua garganta até o seu fígado e ele também agradece, pois é outro viciado igual a você. O whisky não é muito diferente da vida. Quanto mais merda você põe para fora mais fácil é para cagar depois.
Quanto mais você sofre mais fácil fica depois.
Quanto mais murros em ponta de faca você dá mais murros você dará. Com o sofrimento não é diferente, e eu volto a dizer, você só pode perder aquilo que já teve um dia. E se você quer falar de sofrimento comigo, eu já pensei em pelo menos cinquenta formas diferentes de me suicidar. Mas isso foi em outros tempos, numa época distante. Sempre fui um covarde nestes termos, ainda bem. Pois sequer eu mereço tanto de mim mesmo.
Cheers.



Bento.

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sexta-feira, 28 de junho de 2013

MENÇÃO HONROSA PARA UM ATO FALHO DO SENHOR SANDICE

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Por vezes eu me sinto como um elefante numa loja de cristais. Tão desastrado que deveria ter um título honorário, uma menção honrosa. Eu fico vagando, tentando descobrir como consigo fazer essas coisas. Eu me saboto como quem o faz para um inimigo. Então fico tentando achar subterfúgios e explicações, mas o fato é que você tem toda razão. No seu lugar eu faria a mesma coisa e este é o melhor argumento que eu posso te dar. Explico: eu não sou parâmetro para decisões corretas e se eu faria a mesma coisa em seu lugar, pode apostar. Não é uma boa decisão.

Por falar em apostas, eu apostei errado. Logo eu que me considero um bom jogador de pôquer, apostei minhas fichas na mão errada.
Você blefou que não dava a mínima para mim, que eu era só mais um e eu acreditei. Só que eu tenho mais fichas e só o que eu te peço e para que não saia da mesa. Vamos jogar mais uma mão e nesta eu me sairei muito bem.

***

Eu dizia isso e ela não me dava ouvidos. Também pudera, orgulhosa como era, jamais admitiria um erro grotesco deste. Ela me disse que eu tinha medo. Não é de todo verdade. Porém, ela tinha muita insegurança. Que coisa torta que tínhamos ali. Mas era diferente, pois era como um roteiro de filme ou um conto criado por mim. Cheio de acidentes, desencontros, coisas ditas sem querer. Troca de olhares por vezes odiosos e por outras vezes nem tanto. Até que finalmente tudo aquilo se transformou em desejo e beijos e carinho e quando achávamos que poderia ser o fim da história com final feliz eu tratei de escrever um fim trágico. Idiota metido a Nelson Rodrigues que eu fui. Esqueci que depois de escrever na vida real fica mais difícil de formatar. Agora tenho que partir de onde parei, com personagens na história que por mim arrumaria um acidente ou uma viagem para retirá-los do caminho. No entanto, esta história eu não escrevo sozinho. Então parto de uma visão futura que eu desejo tirá-la do papel o quanto antes.

E então me chamaram de dramático e digo que sou um dramático Enlouquecido.
E você que diz que tenho uma ideia louca. Louca é você de deixar passar uma visão tão delícia. Que eu tomo a liberdade de querer reescrevê-la.

Você diz que eu não sei nada de você e isso pode até ser verdade, porém eu quero saber de tudo. Desde seus medos de infância até os planos de aposentadoria. Das manias inocentes até demônios que te assolam. Quero saber o motivo de todas as cicatrizes de seu corpo e compará-las com as minhas. Quero saber de seus paladares e suas alergias. Descobrir onde sente mais cócegas e vê-la tendo crise de risos. Saber os pequeninos defeitos que te incomoda em seu corpo e o que te estressa no mundo. E se eu falhar em te ajudar a superar qualquer coisa dessas, que pelo menos possamos rir juntos, ou chorar juntos.



Bento.

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quinta-feira, 12 de abril de 2012

UVAS VERDES II

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É certo que eu costumo dominar as situações, relações entre outras coisas, poucas.
Nem sempre é de caso pensado, as situações levam até este fim. Pode ser que isto derive da imagem que eu passo de que não me importo. Digo isto, pois existe uma necessidade incrível de conquista dentro de cada mulher. Alguns vão dizer que é orgulho, eu não, é mais que isso, é talvez a necessidade de se sentir querida, amada. Ora, todos sabem, que por mais que uma mulher se demonstre independente, madura, auto-suficiente, ela ainda será aquela que precisa de um peito (masculino ou feminino) para encostar a cabeça e relaxar.

Então eu passo a impressão de que não me importo, o que sempre é verdade, não, nem sempre. Quase sempre.

Mas existe sempre um momento na vida, aparentemente corriqueiro, quase que um acidente de percurso. Uma lei de Murphy, ou um acaso. O fato é que acontece de repente e você nem percebeu onde se perdeu ou se achou. E eu me pergunto, o que é isso?

Isso é o Destino, afinal, em algum momento ele vai te sacanear. No meu caso, em minha relação com o Destino, eu sou sempre vitimado, ele é sempre o Sátiro. Resta-me falar mal dele e ele me dar motivo para tanto.


Foi então que no meio dessas travessuras eu me vi numa contradição novelesca, entre um odiar incontínuo e um adorar repentino. Entre ódio e desejo, mordidas e beijos, eu fiquei tentando não me importar. Mas sem me enganar e enganar quem me lê agora. Há carinho, muito. Carinho na sua forma peculiar de querer por querer e pronto, é desejo sim, como não? Desejável como o fim de semana, como a lua durante a noite. Tão desejável que até a pele deseja o roçar, a boca a saliva e o cheiro as narinas. Evidente que é também desejo, como não? Afinal despisto a hipocrisia e digo sem desviar o olhar: - Não é só beleza. Apesar de ser bela de arder os olhos. Bela de judiar, como em "Tem Beleza Que é Cruel", mas se fosse só isso garanto que não resistiria ao hábito de não me importar.
Eis que os dedos encontram os cabelos da nuca, os dentes a pele e no ato, ali, bem no ato, naquele momento, eu não sei se odeio ou adoro.



Bento.



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quinta-feira, 15 de março de 2012

LOIRICE IMPLICANTE, MAS ABSURDAMENTE DELICIOSA

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Eu descobri que existem bocas e palavras tão doces que mesmo um nome que eu não gosto, nome esse que me causaria revertério, esse nome em tal boca, com tal doçura, até mesmo esse nome, pode me trazer alegria.

Eu descobri em algumas oportunidades que a tentação é tão forte que ficamos reféns da doçura e que talvez saibamos que estão disfarçadas de carinho amigo, mas é a mais pura tentação de posse.

O fato é que desejamos ter para nós aquilo que já tem nome e sobrenome de um outro alguém, mas na verdade, quem somos para poder dizer que existe um dono de nossos desejos e atitudes?

Na verdade seríamos eu e alguém que talvez pudéssemos dar muito certo num outro momento, numa outra situação ou outra vida, a verdade é tão mais que isso... Mas o que é a verdade senão aquilo que sentimos verdadeiramente de momento? Um momento que pode durar instantes, dias ou meses. Convenhamos, o tempo que dura é o de menos importante, pois o que vai nos levar aos sorrisos largos de orelha é tão só a intensidade do carinho, do afeto e da união de discordar mesmo que seja de brincadeira.

Não, nós não precisamos partilhar da mesma opinião, afinal o que temos de mais importante não existe desacordo: aconteceu porque era assim que tinha de ser. Sem pressão, sem clichê.
Seduzíamos um ao outro sem mesmo nos dar conta e eram os olhos que falavam por nós.

Curioso é saber que estamos dispostos a passar por cima de regras que juramos mantê-las por toda uma vida pensando assim, agir certo, mas certo ou errado quando presente a vontade é só um detalhe. E se regras foram feitas para serem quebradas então que as quebremos por um motivo tão belo quanto a boca e a meiguice que nos fazem gostar até do nome que um dia abominamos.

Claro que tem também aquela doçura provocativa, de uma loirice implicante e uma solidão disfarçada de relacionamento que não nos deixa escolha senão pegar no colo e tomar para si.

E não se deixe enganar por minha cara amarrada de cicatrizes de outrora, isso é mais personagem de ficção numa tentativa infundada e inconsciente de parecer que o tempo me deixou mais forte para futuras surpresas, que só enganam os leigos. Há mais inconsciência que verdade nisso tudo, não me sobram dúvidas.

Falando ainda em tempo, ele que tornara-se meu inimigo mortal em outras vidas, pode e deve, servir-te de amigo, se souber aproveitá-lo e também de sua companhia.
Enquanto eu, sou um impaciente desvairado que deixo o desejo, por vezes, soprar por cima de meus ombros: deixo claro que quero tudo para mim e pronto. Da barriga aos arrepios...


Bento.

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sábado, 23 de julho de 2011

QUEM PARTIU FUI EU.

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Se eu lembro mudo de caminho para tentar esquecer e me pego fazendo o caminho antigo em minha mente só para poder ter uma desculpa para lembrar.

Penso como seria se conhecesse minhas novas amizades e o que acharia delas, se dariam bem ou não.

Penso no que diria sobre minhas roupas novas, emprego novo, sorriso novo, e se permaneceria com sua mania de me criticar através de seu vocabulário diferente do meu.

Passo os olhos na lua e penso que ela é tão mais sortuda que eu, pois pode saudá-la mesmo de longe.

Penso em quais soluções daria aos problemas novos.

Penso em suas tentativas de realizar meus desejos mais impossíveis e que às vezes não dava atenção aos mais simples.

Penso se aprovaria as mudanças, novas características e personalidade.

Pensando e refletindo percebo que me pareço mais com você do que comigo mesmo.

Quem partiu fui eu, você está aqui ó...


Bento.

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sexta-feira, 6 de maio de 2011

SÓ O QUE RETORNA AOS TEUS BRAÇOS SÃO AS LEMBRANÇAS

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Lembrei-me das juntas dos ossos tremendo como a bandeira que se levanta a se render, pois era isso que o corpo fazia a cada gesto seu.
Cada brisa de ar leve que faziam teus fios negros dos cabelos salpicarem em meu rosto levando o perfume até minhas narinas que até hoje levo comigo nos momentos mais impróprios.

A cada nome igual ao seu gritado ao acaso por alguém que nada conheces de nossa história.
A cada xícara de café vazia acomodada com cuidado na mesa para logo depois servir de cinzeiro que me lembrava o fim e a mudança de Destino e endereço.

A cada música que um dia foi compartilhada pelos nossos ouvidos, abraços e afetos.
A cada gesto ou palavra inconsequente que me leva a momentos que outrora faziam de ti vítima e o frio que era comemorado e recepcionado por teus sorrisos pelo simples fato de clarear ainda mais sua pele semelhante o efeito de água e gelo.

Não era dor, nem frio e nem dó.
Não era medo ou amor.
Não era saudade, nem aborrecimento.
Não era desejo e nem tédio.

Era sim a falta de qualquer sentimento pelo vazio de um pedaço importante do peito que agora jaz abaixo do símbolo da morte impregnado na pele sem qualquer suspeita aos olhos alheios de misericórdia.

E por fim, logo depois presenciar a própria sombra convidando a me deitar ao seu lado no chão frio e tornar-me apenas sombra do homem que fui um dia em outros carnavais e réveillons. Uma sombra em alto relevo assim mesmo sem rosto, sem riso.

Busque o ar.
Busque, busque o ar.

Bata os braços e as pernas e tente subir para a superfície.
Olhe para a praia, mas a praia não está mais lá, porém a água estará mais salgada do que nunca. Assim como a vida.

Busque encher os pulmões com qualquer coisa que seja se não de ar...
E foi assim meu sonho.
Sonho?
Tremia ao lembrar-me de ti.
Hoje me lembro de ti sempre que tremo.


Bento.

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sábado, 19 de março de 2011

EX RICO

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Quando mais jovem eu podia ter tudo.
Bastava pensar, pedir com gana e vontade e eu sabia...
Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu alcançaria esse sonho.
É bem verdade que consegui uma parte desses desejos, os tive consumados e em alguns casos os desperdicei. Joguei-os fora como quem coloca o lixo para fora.

Tão mesquinho tão confiante de que poderia fazer e ter tudo.
O castigo enfim chegou e faz questão de mostrar que tudo que joguei fora foi melhor aproveitado por outras pessoas, assim como o lixo que é reciclado e se torna algo mais belo.

O valor que não dei, foi dado por outros.
Eu era rico e não sabia.
Agora vivo mendigando a vida.


Bento.

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quinta-feira, 10 de março de 2011

ESPELHO ESPELHO MEU...

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Ela tinha tudo.
Eu era mais duro que pau de tarado.
Ela era mimada e exigia atenção.
Eu sempre fui tão só que desisti de pedir qualquer coisa.
Ela passava horas em frente a TV.
Eu folheava livros como alguém que precisava conhecer todas as histórias existentes antes de morrer.
Ela usava roupas descartáveis.
Eu procurava pedaços de roupas que foram descartadas por aí.
Ela era insegura.
Eu era cheio de si.
Ela trocava o dia pela noite.
Eu preferia o edredom.
Ela não tinha responsabilidades.
Eu sentia o peso do mundo e mais alguns planetas inabitáveis em minhas costas.
Ela desejava conhecer o mundo.
Eu desejava conseguir manter um teto sobre minha cabeça.
Ela adorava chuva.
Eu não podia molhar meu único par de tênis .
Ela fazia planos sobre casamento, filhos, profissão.
Eu tinha que arcar com tantos planos alheios que mal dava para planejar algo.
Ela tinha que arcar com tantos planos alheios que mal dava para planejar algo.
Eu fazia planos sobre casamento, filhos, profissão.
Ela não podia molhar seu único par de tênis.
Eu adorava chuva.
Ela desejava conseguir manter um teto sobre sua cabeça.
Eu desejava conhecer o mundo.
Ela sentia o peso do mundo e mais alguns planetas inabitáveis em suas costas.
Eu não tinha responsabilidades.
Ela preferia o edredom.
Eu trocava o dia pela noite.
Ela era cheia de si.
Eu era inseguro.
Ela procurava pedaços de roupas que foram descartadas por aí.
Eu usava roupas descartáveis.
Ela folheava livros como alguém que precisava conhecer todas as histórias existentes antes de morrer.
Eu passava horas em frente a TV.
Ela sempre foi tão só que desistiu de pedir qualquer coisa.
Eu era mimado e exigia atenção.
Ela era mais dura que pau de tarado.
Eu não tenho nada.


Bento.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

BOA VIAGEM, BOA VIAGEM

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Sou o peão na rua de terra a ser lançado e as crianças a julgar se não giro o necessário, mas alguém já parou para pensar que esse peão não quer sequer sair do bolso de seu dono? Ele quer continuar abraçado no aconchego da matriz.

Tudo bem, pense o que quiser, diga que o mundo é muito mais do que eu planejo, mas a ferida está aberta, sem remédio, sem meio seio.
Há mais inconsciência que verdade nisso tudo que eu faço e tem gente que me segue como se eu soubesse as respostas. Sou mais incompetente que a droga que me droga, pois não me leva onde eu quero, me leva onde eu tenho que estar.

Ouve, esta ouvindo essa voz? Ela diz para eu seguir o que diz meu coração, eu juro que quando achá-lo perguntarei para onde vou.
Enquanto isso eu sigo no mar sem o barco, sem o vento, se a vela, sem vontade.
Na parede esta toda minha voz que eu considero minha verdade, quem lê saberá, mas isso não publico é só meu, era de um outro alguém, mas esse alguém está muito ocupado conhecendo o que o mundo tem para oferecer.
Cantar? Está ouvindo essa voz? Essa era minha que dizia o que fazer, hoje só me traz tristeza não sei como obedecer, não sei como me achar, nem sei como a luz ainda insiste em iluminar se é na escuridão que eu lamento o meu pensar, e como eu penso.
Veja, está vendo esse mar? Não são as ondas nem a areia que me faz alegrar, mas sim as lembranças de quem um dia eu dividi toda essa solidão, que quase não existia, pois ela cumpriu sua missão.

Não elevou até o céu, ela era o próprio a me chamar eu contava os segundos para poder embarcar.
Veja, esta ouvindo o telefone? Eu sei, está tocando, porém para que vou me atrever se a voz que quero ouvir não virá para eu escutar?
Sim, eu sou a roda que um dia Deus inventou, para mostrar com quantos erros pode se perder um amor, mas não se iluda, não sei mais do que você, eu também preciso de um tempo para poder perder, o meu tempo.
Aí de tanto perceber que eu não sou fácil de domar, nem sou fácil de seguir, o meu Destino Deus deixou a cargo de algum ser clandestino, o Destino tomou conta e fez o que bem quis, fez de mim o paradeiro da busca sem fim.
De um alguém que me conhece, sem ter medo de viver, mas com um inconsciente que deseja o meu corpo para alguém sem cicatriz que me deixa sem um nome, sem sorriso, sem poder, mas é mais do que isso, sem um peito para sentir.

Viu como um beijo é tão mais que um simples sim? É mais do que desejo, é um texto sem saber o seu fim.
Como um livro sem a capa perde todo o seu poder, faz de conta que é livro, mas não passa de um papel que junto com os outros se mistura em um sebo. E se vende por qualquer trocado. Ou se troca por um artigo na importância de um trabalho.
Viu como pessoas se parecem com os livros? Só mais um na estante, que se faz de importante dependendo da ocasião, mas não se preocupe eu sou mais que solidão. Um tanto de desejo, suicida, escravidão.
Está sentindo esse meu cheiro de quem deseja o perdão? Faz de conta que é só um mau cheiro a te incomodar e se afaste antes que o mesmo domine o ar a respirar.
Aquele beijo insiste em me possuir sem saber se me faz bem ou me faz mal, por mais que eu suplico para não lembrar, eu fico por aqui então. Sou eu e a esquiva de enganar, eu e a multidão.
O resto que outro dia era quem eu pensava me da valor, mas esses não sabiam da minha dependência do amor. Nem eu.

Boa viagem, boa viagem.

Bento.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

VOCÊ PODE ME DOAR UM POUCO DO MEU TEMPO?

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Eu sou meu pior inimigo, eu minto para mim mesmo.
Eu mesmo me passo rasteiras, faço questão de me desmoralizar publicamente.
Eu mesmo me enveneno, acabo com minha saúde.
Me torturo com palavras sinceras e espalho aos quatro ventos meus piores segredos.
Retiro de mim as coisas mais prazerosas, como castigo de mãe quando somos pegos fazendo algo errado. Eu sou meu próprio filho mal educado.
Eu me renego, me isolo e me trato com indiferença na frente dos amigos.

Me amo, mas faço questão de esconder e finjo me odiar.
Finjo que nem me conheço para não passar vergonha, e me trato com desdém.
Tenho preconceito comigo mesmo, finjo que não estou prestando atenção no que estou dizendo.
Me desprezo ao me olhar no espelho e nunca estou ao meu lado quando preciso.
Sou interesseiro comigo mesmo, ao me magoar nem peço desculpas.

Me maltrato só para exercer a minha autoridade.
Faço promessas para mim e nunca às cumpro.
Arrumo amantes e sou infiel comigo só para mostrar que não sou dependente de mim.
Finjo esquecer as datas comemorativas e nunca me dou parabéns, não quero comemorar.
Muitas vezes me deixo em casa e saio na noite sozinho como castigo, vivo dando um tempo de mim mesmo.
Eu não me noto, não reparo nas mudanças singelas como corte de cabelo ou roupas novas.

Não me apoio nas crises existenciais, nem nos problemas afetivos ou profissionais.
Não me olho com desejo.
Não me faço serenata, não me dou presentes sem datas.
Não me mando flores.
Não faço nada por mim, porque todo o meu tempo é dedicado a você.


Bento.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ME ESPERE UM SEGUNDO MAIS

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Cansada de telefonar ela decide ir até lá.
Toca a campainha a primeira vez e repassa rapidamente em sua mente o que vai dizer.
Ele imagina que pode ser ela a tocar a campainha e hesita em atender.
Ela percebe que se perdeu no tempo ao repassar as desculpas: Mas que demora! Toca outra vez.

Ele agora tem quase certeza que é ela, mas como saber? Se tentar olhar pela janela ela notará que ele está em casa e ele não quer brigar mais, está cansado.
Ela percebe que talvez ele não atenda e o desespero vem junto com o medo, ela não quer brigar mais, está cansada só queria pedir desculpas e quem sabe um pedido de desculpas dele, seria bom.

Tenta a terceira vez. Din-don. Dessa vez ele vai atender...
Ele duvida que seja ela, pois é orgulhosa demais para ir até lá, mas no fundo ele adoraria que fosse ela para poder abraçá-la e pedir desculpas.
Ela senta na calçada, não pode sair dali sem dizer o que é preciso. Precisa derramar as palavras na concha de suas orelhas, parindo as frases do ventre de seu peito, quer desabafar. Tem a ideia de escrever uma carta e deixar na caixa de correio.

Ele já está na porta. A fome de seus beijos é maior, chega a roncar o estômago de seu coração na ânsia de alimentar aquele desejo. Abre a porta e vê a cena que jamais sairá de sua mente nem em quinhentos anos. Ela ali, sentada com os olhos mergulhados em lágrimas como uma criança perdida.
Ela guardará essa desfeita por toda a eternidade, percebe que ele está às suas costas, se levanta e todas as palavras fogem como um bandido.

Ele que sempre tem algo a dizer prefere se calar.
Eles se abraçam e naquele momento são felizes como nunca, pois só isso basta. Só o amor basta.
O resto se resolve, é negociável. Isso é o que eles pensavam...
Ensine-me a me calar. Um gesto é tão mais prazeroso que qualquer coisa que eu possa dizer.


Bento.

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

MENTINDO...

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Eu não quero te ver, apesar de meus olhos vivem te procurando por onde quer que eu vá.
Eu não quero falar com você, mas sempre arrumo uma desculpa para puxar assunto.
Eu não quero ficar perto de você, porém faço o mesmo caminho só para te seguir.
Eu não quero pensar em você, no entanto me pego planejando os meus dias com sua presença.
Eu não quero sentir o cheiro dos seus cabelos, mas insisto em penteá-los com meus dedos.
Eu não quero desejar você, só que minhas mãos sempre procuram a sua quando caminhamos lado a lado.
Eu não quero você em meus sonhos, porém percebo que ao fechar os olhos sonho com você até acordado.
Definitivamente não quero te amar, mas vivo me enganando.


Bento.
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

BLÁ BLÁ BLÁ DO SEXO.

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Eu vejo algumas pessoas tratando o sexo como uma coisa sagrada, divina como um milagre e acho tudo isso muito estranho. Deus não fez o sexo, Deus fez o Amor, quem fez o sexo foi o Diabo.


Entenda; imagine uma coisa molhada, viciante, onde não conseguimos ter controle do nosso próprio corpo como se estivéssemos possuídos. O coração acelera, o sangue corre mais rápido, é tão intenso que mesmo sem fazer muito esforço transpiramos em bicas e terminamos exaustos. Isso só pode ter sido criado pelo Diabo, Deus é adepto do livre arbítrio, quando estamos fazendo sexo não há livre arbítrio, é o tesão que nos comanda, é o desejo do desejo, é querer sentir mais e mais prazer, como um viciado à querer mais e mais. Temos pudor para comer e para conversar. Para pensar no sexo não há pudor, só vontade.

E depois de conhecer algumas mulheres que ainda não provaram dessa droga tão necessária para saúde e bem estar percebi que o sexo é tratado por elas como uma dádiva, um presente que elas devem dar apenas para alguém especial. Aquele papo de mãe e filha, o que acho deplorável. Não estou dizendo para as virgens saírem por aí se desvirginando como cadelas no cio, porém, é preciso que tenham a consciência de que sexo é para dois, é gostoso para os dois (ou três, ou quatro, ou cinco). Todos irão gozar, todos terão as pernas tremendo no final de tudo.

É uma ideia descabida, totalmente feminista e preconceituosa que a mulher tem que ser a Guardiã do Sexo, como se só os homens se divertissem nessa historia toda, a mulher que se prende a tais modelos de conduta alimentados por anos e anos de repressão e permanecem repreendendo sua libido à espera do príncipe encantado vão chegar à conclusão de que perderam um tempo precioso de suas vidas onde poderiam estar fazendo mais e mais sexo. Vão perder a chance de conhecer o seu próprio corpo e a certa altura da vida vão enxergar que nem mesmo a proprietária do corpo conhece seus pontos fracos.

Ouço algumas mulheres dizendo que estão se guardando para o dia do casamento - que tolice - vejo como o maior cúmulo da ignorância e uma das maiores besteiras já inventada pelo ser humano. É como casar já pensando em separar, se for casar virgem é melhor chamar um juiz para ficar na recepção do hotel já com a papelada do divórcio pronta, pois, imagine depois que casou perceber que o seu marido é péssimo na cama. Maridos podem ser péssimos em muitas coisas, podem ser péssimos cozinheiros, péssimos no futebol, desastrados com as palavras, podem nem saber trocar uma lâmpada, sequer saberem instalar a antena da TV a cabo, mas se não souberem levar você ao prazer tão prometido pelo sexo minha filha, você será infeliz, muito infeliz.

E se depois que casar perceber que o pau do seu marido é pequeno ou grande demais, perceber que seu gemido parece mais um jumento acasalando, perceber que ele jamais fará uma preliminar decente, perceber que ele é egoísta à ponto de só se preocupar com o próprio prazer? Perceber que ele é tão atrasado sexualmente falando que só irá te comer num papai-e-mamãe básico tão monótono que você dormirá no meio do sexo, e que quando você tentar colocar em prática aquelas posições que aprendeu no baralho do Kama Sutra ou nas revistas femininas ele logo te acusará de traição achando que você aprendeu tudo isso com outro homem, e se ele achar que você está louca apenas porque você disse que puxão de cabelo e tapa na bunda te dá prazer?

Se for isso que você deseja para sua vida tudo bem, eu não vou te julgar, mas que você vai se arrepender, disso eu tenho certeza. Já ouvi relatos das próprias mulheres que encontraram homens que não gostam de fazer sexo oral e homens que não gostam de receber sexo oral, apesar de elas adorarem tanto dar quanto receber. Já ouvi tantas reclamações de homens feitas por mulheres que me fez rir, mas também chorar de vergonha, sorte dessas mulheres que experimentaram antes de levarem para casa e adotarem seus nomes. Mulheres pesquisam preços no hipermercado, mulheres experimentam milhares de peças de roupas nas lojas antes de comprarem, mulheres experimentam milhares de modelos antes de saírem de casa produzidas para o trabalho ou para a balada, por que não experimentar o sexo? Sem treino não há sucesso, não há vitória.
Tentar trocar depois que tirou a etiqueta dá um trabalho danado.
  

Bento. 

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