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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O POETA E O FILHO DA PUTA

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Não existe no mundo nada mais clichê que uma manhã chuvosa em São Paulo. Claro, digo isso para quem acorda cedo e sai de casa antes mesmo do Sol tomar sua segunda caneca de café.
Eu sou um paulista que odeia garoa e frio, exceto claro, quando estou em casa dormindo. Todas as coisas me convêm quando são ao meu favor.

O problema é que eu não estava dormindo, não estava sequer em casa e acabei descobrindo que fui excluído do Facebook. Digo, não da rede toda, mas uma pessoa específica me excluiu. Tudo bem, não foi a primeira vez, nem foi a primeira vez que esta pessoa me excluiu de alguma coisa. Primeiro fui extirpado da vida dela, depois do Facebook. Eu disse tudo bem? Porra! Quem eu estou tentando enganar? Tudo bem é o caralho. Fiquei puto. Com sangue nos olhos. Boca seca e morrendo de vontade de beber e descontar a raiva nas garrafas. Ou talvez sair e comer a garota mais bonita que eu encontrar. O problema é que eu estava num ônibus lotado, careta e atrasado para o trabalho.

Então venho ruminando o fato de ter sido excluído até agora. Eu parei de tentar buscar explicação para o fato de ainda me importar com qualquer decisão tomada por uma garota da qual eu não toco há cinco anos e aconselho vocês a nem começarem. Nem tudo tem explicação. Pelo menos não uma explicação razoável.
Alguns autores bostas de autoajuda dizem que as coisas são exatamente como devem ser e eu acho isso uma forma de tirarmos a responsabilidade das nossas costas pelas merdas que saem das nossas bundas. Então eu venho com outro clichê dizendo que a vida é um ciclo e de tempos em tempos eu tenho algo parecido com uma TPM. Tenho meu período de me maltratar. Meu período de maltratar o próximo. O período de assassino em série e o de querer foder todo mundo. Também tenho o período de beber muito e aquele de beber um pouco mais. A fase de mais destilados que fermentados e vice-versa. A fase de ser atacante e a de ficar na defensiva. O casulo e a lagarta. O poeta e o filho da puta. Tudo muda o tempo todo menos isso. Cem por cento menos um, menos dez, menos mil.

Bom, nesta minha fase o sol é insuportável, o frio é insuperável, o mormaço me sufoca e só o que liberta-me é amaciar a mente com tragos firmes e intensos. Algumas pessoas diriam que isto não passa de uma desculpa para beber. Mas quem de nós não passa a vida inteira procurando desculpas para qualquer coisa? Se o Diabo é o pai da mentira também é padrasto da desculpa e eu pedi tantas, incansavelmente, nem todas merecidas, porém às pedi mesmo assim no intuito de provar arrependimento. Claro que eu não consegui e estar na pele de um perdedor é ruim para um vaidoso como eu.

Mas por que a exclusão? Por que agora? Psicólogos diriam que este sentimento é só curiosidade de saber o motivo. Eu diria que psicólogos ganham dinheiro fácil. Há curiosidade. Mas nesta minha Sina eu me pego pensando o que não há?
Tudo no mundo é alimentado por alguma coisa. Desde os átomos aos micróbios. É a energia que move o mundo e meu alimento era saber que ela poderia estar olhando como ela me revelou uma vez. Não sempre, em algum momento, um mínimo instante, qualquer fração de segundo e lá estaria ela vendo-me, lendo-me, agora, nada. Nada!

Nem um sopro de ar, nenhuma fagulha de chama, nenhuma ficha para apostas. Sem portas nem janelas. Sem vista, nem olfato. E é quando eu quero culpar e culpar. Culpar Deus e o Inferno. Rasgar a carne, extirpar órgãos. Usurpar sonhos. Estuprar as virgens dos paraísos, destruir religiões, estraçalhar sorrisos e matar tudo que é belo. Quero incendiar igrejas e demolir santuários. Quero esquartejar anjos, decapitar santos e pendurar suas cabeças como exemplo, quero destronar o Diabo, aleijar demônios, vingar-me do destino e banhar-me em todo o sangue. Maldito, sorrir e me banhar. A morte como estandarte. Gargalhar com a desgraça toda e brindar em cima dos cadáveres. Pois é tudo o que tenho. E só o que tenho e duvido muito que mereço mais que isso. Sequer isso.


Bento.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

QUEM NÃO RECONHECE UMA JANELA NÃO PODE RECLAMAR DO CHEIRO DE MOFO POR FALTA DE SOL

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Ainda bem que passamos anos em aulas de escrita, pois se tivéssemos que falar sobre o engenho de janelas estaríamos fadados ao ostracismo. Eu pouco sei, você se mostra saber menos ainda.

Isso foi um devaneio qualquer que teimava em latejar em minha cabeça enquanto esvaziava algumas latas de cervejas que sobrara na geladeira da festa privada que houve em meu quarto na noite anterior.

Por falar nisso, lembrei que uma vez fiquei trancado para fora, tinha perdido as chaves em algum lugar que sentei-me para beber. Nos raros momentos que não trago o bar para meu lar eu vou até Maomé como a montanha fez. Só para variar. Foi neste caso que percebi um grande problema em meu quarto. Não tem janelas. Tenho três vitrôs e nenhuma janela. Ninguém pula um vitrô. Essa é a diferença entre janelas e vitrôs. Vitrôs são como ilusões de liberdade, por eles você vê o mundo do lado de fora, mas jamais poderá desfrutá-lo através deles.

Uma janela sim. Você abre, pula, como criança fazendo arte e toma o mundo para si. Já um vitrô é como ir à praia de sapatos. Você vê a areia e o mar, mas não pode tocá-los. Entende a diferença?


E tudo bem também se está satisfeita com os diálogos quinzenais, bom, eu não. Mas se tem medo de perder o cargo de musa, fique tranquila, isso é vitalício.


Bento. 

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segunda-feira, 1 de julho de 2013

GIULIARD BORSANDI VIII

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Indica-se ler os episódios anteriores: GIULIARD BORSANDI VII

Já passava das duas da manhã e eu agora estava parado em frente uma loja de roupas, do outro lado da rua ficava o motel Libelillun. Janaina deveria estar com muita pressa, afinal, o Libelillun era o motel mais próximo ao bar que estávamos e um pulgueiro frequentado por prostitutas e drogados que perambulavam pelo centro de São Paulo. Totalmente diferente dos cinco estrelas que ela estava acostumada a ir. Eu esperava pegá-la desta vez, levar provas para o pastor e acabar logo com aquele caso.

Lá estava eu, bêbado, com dor no saco, com uma câmera vagabunda na mão e vendo a noite paulistana escorrer entre meus dedos enquanto eu trabalhava. Casais andando de mãos dadas. Casais nos carros se beijando e ouvindo música. Casais por todos os lados. Numa floricultura perto dali havia uma faixa "Comece o dia dos namorados com flores". Então olhei no celular para saber que dia era, não me lembrava. Na tela luminosa de meu telefone marcava dia 11/06. Por motivos óbvios passei a odiar o dia dos namorados.

Estava frio, mas eu transpirava. Podia ver a janela da suíte de Janaina de onde estava, as luzes acesas dava a entender que eles ainda não haviam começado com a transa. Provável que ainda estavam fazendo um brinde. Um brinde a mais um par de chifres na cabeça daquele velho enganador de velhinhas. Comecei a pensar se aquele maldito não merecia tudo aquilo que Janaina fazia com ele. Se não era uma justiça dos infernos com aquele que ganhava a vida traindo a confiança de seus fiéis. Sentei-me na porta da loja de roupas e minha mente invariavelmente passava a dar razão para safada que estava sendo fodida pelo grandalhão fétido no motel à minha frente. Com isso também passei a me arrepender de não ter aceitado o convite da gostosa e que agora, no lugar do sósia do George Michael poderia ser eu.

Sou despertado de meu devaneio por uma viatura da polícia que passa na rua com uma lanterna tamanho família apontada bem para minha cara. - Está tudo bem aí amigo? Perguntou o policial que segurava a lanterna.

Estaria melhor se não houvesse um filho da puta com uma porra de uma lanterna na minha cara, pensei em responder. Ao invés disso: - Tudo ótimo seu guarda, só descansando as pernas. Limitei-me a dizer. Eles provavelmente estavam com tanta vontade de trabalhar quanto eu, logo, partiram.

Porém, pensando aqui comigo, foi até bom eles aparecerem, me fez voltar ao foco. Não estava na posição de julgar o pastor ou mesmo a mulher dele. Estava à trabalho, iria ganhar por aquilo e isso já bastava. Finalmente apagaram as luzes.

Mais vinte ou trinta minutos de espera e caso encerrado. Chega de subir em janelas e telhados, não hoje. Umas fotos bem batidas da delícia que era sua mulher saindo do motel com um brutamontes iria ter de servir para o pastor se convencer que sua mulher era uma vagabunda e finalmente me dar meu dinheiro.

Eu continuava suando e a neblina da madrugada aumentando. Já estava em meu quinto cigarro enquanto aguardava os pombinhos treparem e agora só restavam uns três. Teriam que dar até eles saírem, já não bastava ficar ali sem tomar um trago qualquer de alguma coisa forte?

Meus olhos começaram a ficar pesados e com a sensação de areia dentro. Era o sono me lembrando que já estava muito tempo acordado e que a brisa do álcool estava passando. Eu sabia que bastava uma cochilada e todo meu trabalho poderia ir por água abaixo e seria mais uma semana, no mínimo, para ter outra oportunidade de pegar Janaina no pulo.

Não, era hoje. Bastara a sorte que tive de encontrá-la no mesmo bar que eu costumo ir para ter a certeza que seria hoje. Eu ficaria lá, sentado, no frio, sem cigarros e sem um trago durante a noite toda se fosse necessário. Mas aquilo iria acabar ali. Nunca mais eu iria olhar na cara do pastor ou de Janaina. Levantei-me e comecei dar pulinhos como um pugilista para aquecer e espantar o sono. Mais um cigarro. A luz do quarto se acendera finalmente. Era agora.



Bento.

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segunda-feira, 22 de abril de 2013

O SUICÍDIO PALMEIRENSE

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Homero era só desespero. Num quarto de hotel barato ele bebia no gargalo de uma garrafa de vodca barata. Na escrivaninha havia uma pistola carregada que serviria para tirar sua vida após terminar seu drink e o cigarro que fumava. Entre um trago e outro ele teve uma visão que o deixou confuso. Não se sabia se aquilo que via era real ou seria a vodca fazendo efeito em seu cérebro. Porém ele viu um anjo, um ser luminoso e cheio de graça entrar pela janela do hotel e aproximar-se. Após estar bem próximo ele reconheceu a face de Deus o olhando com carinho e afeto.

 - Você é Deus? Ele perguntou.

 - Não homem. Sou Miguel, o arcanjo. Nosso Pai me enviou e sei que existe outro caminho para seu sofrimento. Não tire a vida que o Senhor te deu. O anjo falava e Homero arrepiava-se não se sabe se por medo ou emoção.

 - Mas Miguel, eu perdi tudo. Família, amigos, dinheiro. Não tenho nada, nem ninguém. Ainda mais desesperado Homero agora chorava copiosamente.

 - Você acredita em Deus homem? O Arcanjo perguntou.

 - Sim Miguel. Acredito. Acredito.

 - Então tudo na sua vida rumará para o caminho da felicidade. Tenha fé. Jogue fora essas drogas do Demônio.

Meio descrente Homero perguntou se teria sua família de volta e o anjo respondeu que sim.

 - E meus amigos? O anjo respondeu que sim. Perguntou se teria seu dinheiro de volta e o anjo também respondeu que sim.

Então uma esperança divina tomou conta do quarto de hotel e Homero buscou o lixo e começou jogar as drogas fora. Primeiro os cigarros. Depois o isqueiro. Jogou também a garrafa de vodca. Por fim, tomou o revólver. Pegou na mão, olhou para o anjo e perguntou:

 - Vamos filho, jogue a arma fora.

 - Vou jogar Miguel, vou jogar... Mas antes me diga uma coisa. E o Palmeiras?

 - O que tem o Palmeiras homem de Deus?

 - Ele será grande de novo?

 - O Palmeiras?

 - Isso Miguel. Uma das coisas que me fizeram ter vontade de me matar é a situação do meu time. Homero tinha fé que teria uma resposta positiva do anjo também sobre seu time do coração.

 - O Palmeiras? O anjo perguntou tentando achar uma resposta viável.

 - Isso Miguel. Isso. O Palmeiras! E então?
Homero já demonstrava impaciência. Até que o anjo finalmente respondeu gesticulando a ação para que o homem soubesse como fazer.

 - Ora homem. É melhor mirar na boca, pois na têmpora corre o risco da bala alojar-se no cérebro e não funcionar. Assim partiu o anjo.



Bento.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

TCHAU PARA QUEM FICA. ESCREVER, ESCREVER, ESCREVER

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Está todo mundo indo para casa, parece. Tudo é cheio. Hora do rush tudo é cheio.
Quando você está prestes a deixar um lugar durante muito tempo parece que todos te reparam. E você repara em todo mundo.

Cheguei na sala de aula e não havia ninguém. Peguei um café e comecei a ler meu livro. Estava quase no fim, era um livro fino. Pena. O livro era bom.
No meio da leitura começou me dar um desassossego. Não! Não era essa a palavra. Era desespero mesmo. Tanto que me perguntei: "O que exatamente eu to fazendo aqui?”.

Já tinha sentido isso antes e fui ver a mostra do Raul numa estação de metrô.
Voltei no dia seguinte. Só que desta vez era diferente, não sei bem. Queria sair dali, era só isso que eu queria.
Eu comecei a pensar no quanto de dinheiro estava gastando com aquilo e percebi que não tinha a quantia. Um dinheiro que eu não tinha. Era isso! A conta não fechava.

Olhei em volta e os outros alunos começaram a chegar e me cumprimentar. "boa noite, boa noite", é segunda-feira, o que tem de bom? Quero meu quarto, meus textos e um trago.
Escrever é o que eu queria, porra!
Mas escrever não me dava dinheiro e aquela sala roubava meu dinheiro. Ou tomava seja a palavra certa, tanto faz.

Escrever não paga nem o cigarro, por isso tenho de trabalhar. Estudar não estava melhorando minha escrita, pelo contrário.
Estudar consumia meu dinheiro e atrapalhava a escrita. Aí pensei: "vou sair daqui" e parece que as pessoas reparam mais em você quando se está partindo.

Isso é uma merda. Dei uma última olhada nos outros alunos e parti. Ao descer as escadas encontrei todo o resto dos alunos perguntando onde eu ia. "Aonde vai? Aonde vai?" Foda-se onde vou. Não disse, mas poderia.

Mas eu sou dramático. Foi uma saída à francesa, como se fosse um adeus final. Não era nada disso, volto, ainda volto. Quando não sei, nem sei se volto, posso morrer amanhã. Pretendo voltar. Preciso me despedir do bar também, mas não hoje, um dia venho só para isso. Enquanto isso, vou. Preciso desafogar.

As contas precisam fechar, caso contrário, não estudo, não escrevo, só penso em contas. Simples assim.
Mas escrever é o que me dá mais prazer. Não preciso de mais nada, escrevo e pronto. Uns tragos, cigarros e algo para matar a fome e é só. Estudo só para poder viver da escrita, quem vai querer ler um cara que só escreve? Só um cara? Quem é esse cara? Não, tem que ter mais alguma coisa.

Sempre vi nesse tempo todo no bar uns mauricinhos que têm seus estudos pagos pelos pais passando o ano todo sentado na mesa do boteco reclamando da vida e do atraso nas matérias. Claro, ficam sempre no bar. Veja, não sou santo, também matei meia dúzia de aulas pelo bar. E daí? Não vou reclamar. Se não posso, não faço. Desistir de lutar é uma coisa. Insistir em tomar soco de um valentão com o triplo de seu tamanho e peso é burrice. A vida ensina, não tem atalho. Não para um tipo como eu.

Curioso é que escrever tem sido melhor até que transar. Prefiro.
Se dissesse isso há dez anos daria risada na minha própria cara e diria: "tá louco!" Sim! Quem não está louco está morto, acha que está vivo, mas está morto. Mortinho da Silva.

Reflito para ver se é isso mesmo e não tenho dúvidas, prefiro mesmo.
Escrever me faz bem, toma tempo, só que bem pouco. Não me custa nada e não tenho de ouvir reclamações do teclado me perguntando se vou ligar no dia seguinte. Ligo, eu sempre ligo, nem que seja para dizer: "vamos ser amigos, ok?"

Prefiro transar com as palavras porque tem sido mais prazeroso. Sou meio de fase, minha fase hoje é aquela de exclusão, não sei o que é. Com raríssimas exceções eu preferia me excluir.

Quando se passa muito tempo sozinho como eu você aprende a dar valor a quem te faz companhia e não cede seu tempo para qualquer pessoa. Você se acostuma e fica exigente ao mesmo tempo. Traduzindo: UM CHATO! Mas é isso que eu sou, um velho chato. Mas é isso que eu sou. Paciência.

Então repenso e não tenho dúvidas, escrever tem sido melhor que transar.
Faço isso só, a hora que eu quiser e quando não quero ligo a TV para matar o tempo. Tomo uns tragos, fumo, mato o tempo. É isso que eu faço e não ganho um puto para isso. Fazer o quê? Vivo disso, salvo a alma pelo menos. Salvo a alma enquanto ainda vivo, depois de morto que se foda.


Bento.

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domingo, 20 de maio de 2012

GIULIARD BORSANDI IV

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Indica-se ler os episódios anteriores: "GIULIARD BORSANDI III"



Em alguns capítulos anteriores eu falei sobre um amigo de redação que cuidava dos classificados do jornal. Só que na verdade não era bem um amigo, um colega, no máximo. Quando eu caí não tinha ombro amigo para me escorar, a única que poderia ter feito isso era Nelia, que como vocês já sabem se bandeou para o outro lado, o lado mais forte. Eu não estou reclamando, tudo que tive foi por méritos próprios, sem a ajuda de ninguém. O mundo é assim, todos querem ficar por perto quando você tem dinheiro, fama e mulheres, quando não se tem nada disso ficam só os covardes, os falidos, que acham que um grupo de coitados se torna mais forte. A vida não é uma cooperativa, porra! Você está sozinho, num mundo de bilhões de pessoas, você está sozinho!

Mas aí, depois do sonho que tive com Nelia, onde acordei babado, finalmente abri a porta e quem eu vejo ao lado do Cabelo foi justamente esse colega, o Tadeu.

 - Essa campainha está dando choque sabia?

Ele nem me dera bom dia e já estava reclamando da merda da minha cabra, digo, campainha. É por isso que não gosto de dar moral para as pessoas, ela acham que podem fazer o que bem entendem só por achar que tem intimidade com você. Está dando choque nesse filho da puta e mesmo assim ele continuou enchendo meu saco até me acordar e me tirar do sonho com Nelia. Eu deveria usar o 38. e meter uma bala no meio dos olhos deste marqueteiro metido a jornalista.
Eu acordo mal humorado, na verdade, estou todo tempo de mau humor, só quem está na minha pele pode entender, ou seja, só eu.

 - É um teste! Para saber se realmente estão precisando de um investigador ou só estão querendo encher o meu saco.

Virei às costas e fui até a gaveta do scotch tomar o primeiro trago do dia, acordei cedo. Geralmente só acordo depois das 13 horas, ninguém acorda cedo disposto a contar para um desconhecido que está sendo passado para trás. E geralmente eu durmo muito tarde.

 - Então eu passei no teste.

Tadeu entrou atrás de mim e sentou na cadeira que tinha do lado oposto ao meu da escrivaninha. Cabelo parado na porta olhava para o sujeito que havia entrado no meu escritório com ar de desconfiado, mas Cabelo era igual a mim, não tinha muita paciência e nem confiava em muita gente.

 - Tá de boa aí Giu?

 - Suave Cabelo. E obrigado.

 - Precisando, eu to lá embaixo.

Então Cabelo nos deixou a sós para falarmos, eram dois lances de escadas de madeira oca comida pelos cupins que habitavam aquele prédio desde o tempo do Brasil colônia.

 - Bom, Tadeu. O segundo teste é: Você me acordou cedo e eu não gosto disso. Então vou te dar cinco minutos do meu tempo para você me convencer que merece minha atenção.

Ele parecia feliz em me ver, mas tinha bebido recentemente, bebido muito. Seu rosto magro como eu lembrava depois de tantos anos era agora bem mais magro, barba por fazer. Os lábios brancos denunciavam a ressaca e os olhos, denunciavam a tristeza.
Percebi na hora que o problema era mulher.
Um homem só se acaba desse jeito quando tem mulher na história. Por isso tem gente que diz que a pior droga do mundo são as mulheres e nada pior na vida de um homem que uma vadia.
Um homem aguenta tudo; levar porrada, trabalho pesado, eliminação do time do coração, morte da mãe... Homem só não aguenta uma vadia em sua vida. É assim desde que o mundo é mundo.


 - Primeiro eu quero dizer que lamento muito o quê aconteceu lá no jornal.

 - Poupe o meu tempo e o seu. Passado é passado. E sei que você não veio aqui depois de tanto tempo só para dizer que lamenta.

Esse animal não entendeu nada. Quero me livrar dele o mais rápido possível e ele aí dando voltas. Eu não gosto de ver ninguém do meu tempo de jornalista. Todos eles me fazem lembrar do fato ocorrido e de Nelia. E eu não preciso de ajuda para lamentar o meu amor perdido. Vadia!
Meu dia vai ser ótimo, já estou até vendo.
Uma vadia no sonho e um corno na minha frente. O que virá depois? Minha mãe?

 - Vá direto ao assunto Tadeu. O que é? Casamento?

 - Não, não me casei.

 - E o que você quer de mim?

 Tadeu me contou sua história, ele não casara, mas tinha uma namoradinha. Disse que desconfiava dela, o que é normal, todo mundo desconfiava de todo mundo, alguns só não assumem. Por isso é que eu prefiro ficar sozinho, na verdade não prefiro, porém não vou me entregar a qualquer vagabunda só pela solidão, para isso inventaram o sexo casual. Mas isso é outra história, voltando ao Tadeu...

Ele estava disposto a casar com essa tal namoradinha, já tinha pagado as alianças, faltava só o convite. Então me procurou para ter certeza se ela era a mulher certa. Como se eu fosse Deus, porra! Mesmo se eu for atrás dela e achar alguma coisa, não quer dizer que ela não seja a pessoa certa. Existem milhares de casamentos que só sobrevivem por causa das traições, eles saem da rotina e voltam para casa renovados, sem falar nos voyeurs, nos que transam a três. Cada um sabe onde o calo aperta. Não vou julgar.

Resumindo era isso; eu iria investigar a garota para saber o que ela andava fazendo quando não estava sentando no pau do Tadeu. Passei meus honorários e disse que não iria dar desconto pela nossa "amizade" e tal e tal. Sabe como é, amigos, amigos... Mas dei um toque:

 - Eu vou investiga-la, mas uma vez ouvi um ditado que quem procura acha. Você está pronto para o que eu posso encontrar?

 - Sim...

Não botei muita fé, é por conta e risco dele.

 - Então, negócio fechado. Eu mantenho contato, agora saia.

Nos despedimos e eu pedi para que fechasse a porta quando saísse.

Ao invés de procurar informações da namoradinha de Tadeu eu me servi de mais uma dose de scotch e acendi um cigarro, era meu café da manhã. Eu tinha tempo, afinal a mulher do pastor só sairia para dar o rabo na sexta-feira, que era quando ele iria viajar e hoje ainda era segunda.

 E logo o sonho com Nelia invadiu minha mente. Maldito sonho...



Bento.

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segunda-feira, 2 de abril de 2012

UVAS VERDES (Arriba, abajo, al centro)

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Eis que me disseram: mas você não tem sobrenome? Evidente que sim, eu respondi. Para quem não sabe, Bento é meu sobrenome, o meu nome é outro.

Mas aí a pergunta já tinha se espalhado e todos afirmavam: você não tem sobrenome. Isso foi de uma calúnia desmedida. Afinal não é porque meu sobrenome pode ser adotado também como nome que ele não pode ser outra coisa.

Ao insistirem que eu não teria um sobrenome pensei logo na tentativa de me tirar a identidade, dramático que sou imaginei como seria sem sobrenome e sem identidade.

Bento era meu avô por parte de mãe, logo ela é a Sra. Bento, e dos meus dois irmãos eu sou o único Bento representante.

Eu pensei em tentar uma crônica mais romântica, pensava numa outra pessoa antes de começar a falar sobre meu nome, mas a verdade é que é praticamente impossível falar de qualquer pessoa, qualquer outra coisa, sem adaptar ao meu egoísmo. Como costumo dizer, cada um tem uma verdade e é preciso que eu identifique a minha para que possa me encontrar na reflexão sobre meu cotidiano.

De qualquer maneira deixei a intenção de parecer romântico a quinze parágrafos atrás, não que seja uma segunda-feira insensível, de maneira nenhuma, só acredito que seja uma segunda para ser lúcido. Eu disse lúcido, não lúdico. Lúdico é outra coisa.

Eis então que eu penso na minha identidade e a molecagem vivida todas as tardes e sinto uma duplicidade de informações. Vejo minha rebeldia em minha frente, olhando em meus olhos e os seus são verdes. Eu gosto muito de verde, principalmente uvas verdes, porém, não cairei na tentação de fazer alusão dos olhos com uvas. Sei que me vejo naquele par de olhos e não é só reflexo, sou eu.

Me vejo em cada gesto obsceno pois eles são meus, seriam meus caso não fossem dirigidos para mim.

Vou aqui abrir um parênteses para dizer que alguns textos meus demoram mais que um dia para irem do início ao fim. Acontece isso pela falta de tempo e correria do dia-a-dia e como algumas coisas que digo são tão atuais que é inevitável acontecer reviravoltas após o início que modifica totalmente o final do texto. Não se preocupem, a obra não perde sua sinceridade por causa disso, só mudará o fato de haver algumas pessoas lamentando o desenrolar da história.

Pronto! Após este parêntese enorme, adianto "o homem mais infeliz do mundo é aquele que descobre que nem sempre vale tanto sacrifício por três segundos de prazer", aos que se fizerem de desentendidos recomendo uma maior compreensão do meu outro texto "Prazer, Meu Nome é Bunda" que deixa claro que numa relação que se prioriza a bunda e a carne eu darei sempre preferência aos osso e tetas.

Eu permito-me por vezes adestrar minha sinceridade na tentativa de evitar que confundam-na com rispidez, fato que acontece sempre, mas existem certas pessoas que tendem a confundir isso com ingenuidade. Olhe só, ingenuidade, logo de minha parte. Eu tenho muitos defeitos que não faço questão nenhuma de esconder, eu tenho qualidade que deixo escapar entre os dedos numa linha ou outra, mas é raro, para que não pareça egocêntrico. No entanto, ingenuidade não está, nem de longe, no meio de uma dessas coisas.

Se me perguntarem, é claro que vou dizer que não vale a pena deixar de externar qualquer coisa em si para agradar um outro alguém, porém não nego que sempre vai existir a tentação de fazê-lo, para que não assuste Fulanos ou Beltranos, chamo isso de "preparar o terreno", uma introdução para preparar os ouvidos para o que está por vir.

O fato é que confundiram este, que é o indiferente, com o ingênuo. Vale também lembrar, que qualquer impressão errada que eu possa, mesmo que inconscientemente ter transmitido pessoalmente, seria desmentida imediatamente por este meio de escrita, pois as linhas não mentem, as letras não omitem e os parágrafos são transparentes como água de bica.

E foi que ficamos assim, nessa relação de bunda, carne e sinceridade de uma via só (a minha) e eu preferindo ossos, tetas e a reciprocidade da intenção. Eu só reivindico o que posso lidar, da outra havia reclamações que eu pude suprir -- sem me gabar -- de olhos fechados, porém ter do que reclamar faz tanta parte de nosso cotidiano -- assim como o sol, a chuva, a enxaqueca -- que nunca nos acostumamos com a falta. Reclamar é mais fácil que se adaptar com algo novo, como o mendigo que ganha na loteria e não se acostuma com a água quente do banho.

Ainda sobre isso, eu já disse aqui que jamais me defenderia de qualquer acusação, o bom neste caso é que nem há motivos para isso, o que geralmente é incomum. Ah, mas nada é em vão, existiu uma certa visita que um dia eu esperei, quem acompanha o lamentar do autor deve também reconhecer como o apelido de uma certa princesa, que reclamava e reivindicava algumas coisas que eu pude colocar o antídoto em prática e acho que me saí bem, remediando o que eu achava irremediável.

Mas é bom deixar claro que não há motivos para maiores preocupações, pois assim como eu bebo indiferença com duas pedras de álcool, ela com certeza, chupa do desprendimento com um trago de tequila. Arriba, abajo, al centro…



Bento.

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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

UM BABÃO APAIXONADO

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Eu estou extremamente apaixonado.
Estou como aqueles apaixonados bobos que pensa na amada todas as horas, minutos e segundos. Daqueles que fala do grande amor em qualquer lugar e para qualquer um.
Tão apaixonado que gosto de acordar de madrugada, desprezo o sono só para acender um cigarro para pensar nela e volto a dormir para permitir que ela habite meus sonhos.

Fico eu aqui, me perguntando como pude viver tanto tempo sem ela? E me vejo na mesa do bar com os amigos, me tornando O Chato falando e falando de nosso relacionamento.

Posso dizer com toda certeza que ela é o amor da minha vida. Meu amor de almas.
Sei que vai parecer discurso melodramático de apaixonado, mas tudo bem, deixe que pensem assim, porém grito ao mundo que ela é perfeita. Sem tirar nem por. “Rodrigueando”: da cabeça aos sapatos.

É ela que me acalenta em meus dias mais nebulosos e é somente ela que me abraça nas noites de inverno sem me pedir nada em troca.
Ouve meu desabafo sem qualquer julgamento e não se importa se é começo ou fim de mês, pois ela se interessa por minha essência e não pelo que eu posso pagar.

Minha amada conhece todos os meus defeitos e segredos mais malditos e não hesita sequer um momento em permanecer ao meu lado.

Meus olhos deslizam por seu corpo e o êxtase é tão intenso quanto o inverno europeu. Ela decifra meus sentimentos mesmo quando tento disfarçá-los com subterfúgios, adjetivos incompreensíveis e objetividade oportunista.

Pense em alguém que para tudo o que estiver fazendo só para atender seus caprichos. Sou eu.
Pense em alguém que guarda todos os sorrisos no bolso para entregar-me de presente depois. É ela.

Somos uma dupla perfeita.

Alguns indivíduos nos invejam pela nossa afinidade de 10 mil anos e isso, por vezes alimentou ainda mais nossa complacência.

Ela é a amante perfeita, pois é fiel aos meus sentimentos, no entanto nunca me deixa esquecer o quanto me é importante mantê-la por perto. E ela também precisa de afagos para se satisfazer por completo.

Os meus erros ela já enumerou e só me lembra deles quando eu realmente preciso.
É somente em suas entrelinhas que eu me reconheço e é olhando para ela que as pessoas me reconhecerão.

Após tantos anos de convívio entre nós posso dizer que ela nunca me abandonou, mas é bem verdade que em algumas situações tive que apagá-la por breves momentos para começarmos tudo de novo depois de um trago.

Ela compartilha de minhas bebedeiras e rebeldias mesmo quando não tenho motivos.

Logo, por todos estes motivos e outros que só divido com meu amor entre quatro paredes, afirmou sem medo de parecer um babão apaixonado que a escrita é e será por toda a eternidade o grande amor da minha vida.


Bento.

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

BOLA DE SABÃO

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Quem é você? Onde está que não atende minhas chamadas? Chamadas maquiadas de intransigência.

Quem sou eu que estou aqui a imaginar donde estas e me pego pensando quanto tempo é necessário para compor-me refrão para alguém? Ó vida real...

Quem é você que supunha que o amor nunca fora o bastante e suportou a distância como quem nascera para isso? E é possível que nascera.

Quem sou eu para criticá-la se ao menor sinal de fumaça eu mesmo ateava fogo no meu próprio corpo na intenção de chamar sua atenção. Como os índios. Olha eu aqui ó!

Quem é você que passou pela minha vida e como um arrastão levara tudo o que havia de mais valor? Amor, alegria, sonhos e até o coração. Ficaram os anéis, o cofre, os carros, a prataria, ou seja, nada que eu pudesse penhorar em troca de barganhar qualquer sentimento.

Quem sou eu que ainda assim mantinha a oração agradecendo por ter você em minha vida, mesmo não tendo mais?

Eu descobri quem é você, pena que fora tarde demais.

Descobri quem sou eu, um trago num dia frio e cinza que pode ser bom ou ruim, porém sempre levará alguém a ilusão da capacidade de ser aquilo de que não pode.

Você é o amor que estava no ar, se foi com o sopro, que deu vida a bola de sabão, que subiu ao céu e explodiu.
Deixando pedacinhos de solidão.


Bento.

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

BOM DIA

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Eu amo a noite.


Mas as manhãs são ótimas. Minhas maiores inspirações acontecem nas manhãs.
O melhor cigarro é o primeiro, assim logo depois que acorda.
O melhor trago de qualquer bebida alcoólica é o matinal, quando sua boca está virgem pela noite dormida, você sente o verdadeiro gosto do líquido, sem nenhuma outra coisa para confundir o paladar. O gosto que o criador quis passar adiante para os degustadores. O verdadeiro sabor.

E o sexo, o melhor é o matinal. Depois de uma boa noite de sono acordar ao lado de alguém que realmente vale à pena e dar bom dia com carícias e preliminares é o ápice diurno.
É impossível acordar com o pé esquerdo. Se todos fizessem sexo pela manhã não haveriam tantas brigas no trânsito, ninguém se incomodaria de pegar metrô lotado, de se amassar por um lugar que se possa segurar. Ninguém teria sono, o sexo tira o sono. É você acordar e saber que há um dia inteiro pela frente e que você pulou etapas.

Geralmente as pessoas acordam, trabalham, estudam, saem pra jantar e beber e depois fazem sexo. Você já acordou fazendo sexo, ou seja, o melhor do dia você já fez... O que vir depois é luxo, bônus, um plus.

O sexo de manhã é o mais perfeito porque é feito de improviso. É o mais realista, ali não tem produção, o cheiro é o verdadeiro, é primitivo, é amor e nada mais. Ninguém faz sexo de manhã com quem não ama. Pode até não saber que ama, mas se acordar ao lado de alguém e tiver libido para o sexo não é nada mais do que amor, o mais puro amor, o amor sem interesse, o amor carnal, sentimental, amor recíproco.


Não pensamos direito quando acordamos, não temos pudor, por isso é quando tomamos atitudes somente pelo instinto, atitudes tomadas pela alma, pelo tesão mesmo, sem vergonha, sem postura, sem faz-de-conta e isso é amor.

Por isso acho que as manhãs são especiais, não há nada melhor que se sentir tomado por tanto desejo que esquecemos do horário, esquecemos que vamos chegar atrasados no trabalho. Esquecemos que dia é hoje, nos prendemos apenas no cheiro da manhã, do fio de sol furando a cortina da janela ou o barulho da chuva no telhado. Nas manhãs é só isso que importa. É saber o que exatamente o dia nos reserva.


Bom dia.



Bento. 

 
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