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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O POETA E O FILHO DA PUTA

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Não existe no mundo nada mais clichê que uma manhã chuvosa em São Paulo. Claro, digo isso para quem acorda cedo e sai de casa antes mesmo do Sol tomar sua segunda caneca de café.
Eu sou um paulista que odeia garoa e frio, exceto claro, quando estou em casa dormindo. Todas as coisas me convêm quando são ao meu favor.

O problema é que eu não estava dormindo, não estava sequer em casa e acabei descobrindo que fui excluído do Facebook. Digo, não da rede toda, mas uma pessoa específica me excluiu. Tudo bem, não foi a primeira vez, nem foi a primeira vez que esta pessoa me excluiu de alguma coisa. Primeiro fui extirpado da vida dela, depois do Facebook. Eu disse tudo bem? Porra! Quem eu estou tentando enganar? Tudo bem é o caralho. Fiquei puto. Com sangue nos olhos. Boca seca e morrendo de vontade de beber e descontar a raiva nas garrafas. Ou talvez sair e comer a garota mais bonita que eu encontrar. O problema é que eu estava num ônibus lotado, careta e atrasado para o trabalho.

Então venho ruminando o fato de ter sido excluído até agora. Eu parei de tentar buscar explicação para o fato de ainda me importar com qualquer decisão tomada por uma garota da qual eu não toco há cinco anos e aconselho vocês a nem começarem. Nem tudo tem explicação. Pelo menos não uma explicação razoável.
Alguns autores bostas de autoajuda dizem que as coisas são exatamente como devem ser e eu acho isso uma forma de tirarmos a responsabilidade das nossas costas pelas merdas que saem das nossas bundas. Então eu venho com outro clichê dizendo que a vida é um ciclo e de tempos em tempos eu tenho algo parecido com uma TPM. Tenho meu período de me maltratar. Meu período de maltratar o próximo. O período de assassino em série e o de querer foder todo mundo. Também tenho o período de beber muito e aquele de beber um pouco mais. A fase de mais destilados que fermentados e vice-versa. A fase de ser atacante e a de ficar na defensiva. O casulo e a lagarta. O poeta e o filho da puta. Tudo muda o tempo todo menos isso. Cem por cento menos um, menos dez, menos mil.

Bom, nesta minha fase o sol é insuportável, o frio é insuperável, o mormaço me sufoca e só o que liberta-me é amaciar a mente com tragos firmes e intensos. Algumas pessoas diriam que isto não passa de uma desculpa para beber. Mas quem de nós não passa a vida inteira procurando desculpas para qualquer coisa? Se o Diabo é o pai da mentira também é padrasto da desculpa e eu pedi tantas, incansavelmente, nem todas merecidas, porém às pedi mesmo assim no intuito de provar arrependimento. Claro que eu não consegui e estar na pele de um perdedor é ruim para um vaidoso como eu.

Mas por que a exclusão? Por que agora? Psicólogos diriam que este sentimento é só curiosidade de saber o motivo. Eu diria que psicólogos ganham dinheiro fácil. Há curiosidade. Mas nesta minha Sina eu me pego pensando o que não há?
Tudo no mundo é alimentado por alguma coisa. Desde os átomos aos micróbios. É a energia que move o mundo e meu alimento era saber que ela poderia estar olhando como ela me revelou uma vez. Não sempre, em algum momento, um mínimo instante, qualquer fração de segundo e lá estaria ela vendo-me, lendo-me, agora, nada. Nada!

Nem um sopro de ar, nenhuma fagulha de chama, nenhuma ficha para apostas. Sem portas nem janelas. Sem vista, nem olfato. E é quando eu quero culpar e culpar. Culpar Deus e o Inferno. Rasgar a carne, extirpar órgãos. Usurpar sonhos. Estuprar as virgens dos paraísos, destruir religiões, estraçalhar sorrisos e matar tudo que é belo. Quero incendiar igrejas e demolir santuários. Quero esquartejar anjos, decapitar santos e pendurar suas cabeças como exemplo, quero destronar o Diabo, aleijar demônios, vingar-me do destino e banhar-me em todo o sangue. Maldito, sorrir e me banhar. A morte como estandarte. Gargalhar com a desgraça toda e brindar em cima dos cadáveres. Pois é tudo o que tenho. E só o que tenho e duvido muito que mereço mais que isso. Sequer isso.


Bento.

sábado, 31 de maio de 2014

ENQUANTO EU NÃO ESTAVA NO BANHEIRO MIJANDO A CERVEJA QUE EU BEBIA

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Eu arrumei um bom trabalho, na Saúde. Parece um comentário qualquer, mas na Saúde? Sim, na Saúde. Um comentário qualquer para qualquer pessoa que não perde muito tempo se apegando a detalhes. Eu já sou um detalhista de merda que não vai com a cara do Destino e já desconfio de tudo que ele faz. NA SAÚDE?! Pois é. Um bom trabalho. Eu já sabia quem morava na Saúde antes de aceitar o trabalho. Tem uma garota que mora na Saúde e não nos falávamos mais. Não falava simplesmente porque não falava. Nem"oi" nem "bom dia", nem "vá pro inferno". Nada. Eu não queria e parece que essa falta de querer era recíproca. De qualquer forma, tem mais uma coisa sobre mim que talvez eu não tenha falado. Como sou um detalhista e às vezes avoado, ando como um idiota olhando para todos os lados e procurando sabe-se lá o quê. Portanto desde o primeiro dia que arrumei esse bom trabalho ando torcendo. Procurando e torcendo. "Besteira" vão dizer e eu vou concordar. Porém procuro. É bem isso. O fato é que eu não deixo de falar com ninguém que eu não quero deixar de falar, então tinha meus motivos. Eu não queria sequer pensar e a única forma que eu conheço de não pensar é não falar, não ver, não estar disponível. Tudo isso seria lindo e belo e simples se eu não tivesse arranjado um bom trabalho na Saúde. Talvez agora vocês já devem ter começado a entender. Mas ainda fica pior. PIOR? Pior. Comigo, neste bom emprego também trabalham conhecidos em comum. Digo isso para comunicá-los, caso já não saibam, que o Destino é um sacana de merda que morde e assopra. Vão dizer que estou sendo injusto com ele e garanto que não. Tenho mesmo um pé, não, tenho dois pés atrás com o Destino. Todos já encontraram a tal garota, assim, de vista, na Saúde e o único que procura, que sou eu, não. Viram que calhorda?! Mas procuro por quê? Sabe-se lá por qual motivo. Mesmo assim, quis o Destino - ou transmissão de pensamento - ou a puta que pariu que voltássemos a nos falar. Entramos num acordo que era um pouco de besteira minha, besteira dela, enfim. Passou, já que eu não ia conseguir esquecer de sua existência no mesmo mundo que eu, ainda mais trabalhando na Saúde. Logo na Saúde.

Eu não sei também do motivo que comecei a falar sobre isso. Eu pensei em falar sobre outra coisa, mas os dedos mandam e eu faço. Gostaria de falar na verdade sobre a repercussão do texto anterior, que eu falei sobre brincos e outros itens esquecidos em casa por garotas que dormem aqui esporadicamente e algumas me perguntavam se era delas que eu falava. Eu mesmo não me lembro de textos anteriores, pois tenho uma memória péssima e foi por isso que comecei a escrever, para lembrar das coisas que acontecia no dia anterior. Então para ser justo , antes de responder eu perguntava se tinham esquecidos brincos em casa e eliminei metade das candidatas. Depois perguntava se tinham gostado do texto e foram dois terços desta vez. As que sobraram e que tinham gostado eu me aproveitei porque não sou de ferro. O único problema é que a faxineira deve pensar que eu sou um travesti nas horas vagas.

Por falar nisso, outro dia, que eu não estava bêbado, ainda, meu sobrinho estava lá em casa fazendo coisas de garotos de sete anos, que basicamente se resume em fazer coisas que caras de 26 como eu acham cansativas só de olhar. Para você que ainda não esqueceu nenhum brinco em casa, quero explicar que na parede, que dá para a porta de entrada para meu quarto, tem a frase "Não Sou de Ereções Gratuitas" escrita em letras garrafais. E no auge de sua sabedoria de sete anos, de quem lê tudo que vê, meu sobrinho leu a frase em voz alta e me perguntou: tio, tem que pagar para entrar aqui? A espontaneidade da pergunta me fez rir como há muito eu não ria e respondi de forma que sua idade não permitiria entender tamanha malícia: com certeza que tem, filho. Mas você é VIP, só prometa não quebrar nada. Depois ele ainda perguntou o que era VIP mas isso não vem ao caso.

Minha paciência com crianças se esgota exatamente em cinco minutos e muita gente acha que por este motivo eu não gosto de crianças. Essas pessoas estão cobertas de razão. Mesmo assim, são os mesmos cinco minutos que reservo também para os adultos, se é que você me entende.
Não que eu odeie todos, não, só os idiotas. Mesmo assim, talvez ainda não fosse sobre isso que eu queria falar. Tenho um amigo, o Roque, este cara adora crianças. Crianças de 14, 15 anos. Na verdade ele não faz diferença de ninguém, desde as garotas de 14 até as de 55. Uma vez ele me disse "Cara, as de 55...". Eu fingi que nem ouvi, pois minhas experiências com velhas não foram nem de longe agradáveis. Terei sérios problemas ao chegar, se chegar, aos 55.

Tem uma garota e ela já passou dos trinta. Não me é costumeiro e pode perguntar para qualquer homem e ele vai dizer que mulher acima dos trinta normalmente não faz parte do prato principal. De qualquer forma tem essa garota, que tem trinta e poucos anos e que vive me chamando para fazer uma visita. Geralmente eu não sou de visitas desde que valha a pena. Porém sou gato escaldado e garotas acima de trinta costumam querer voltar a sua infância e demonstrar um pouco de pudor acima do que se encontra nas prateleiras. Essa garota insiste na minha visita e eu tento manter-me longe. Conforme o tempo passa as desculpas meio que acabam e logo eu terei que me decidir entre falar sobre minhas péssimas experiências com velhas ou mentir, e eu ainda não sei o que é mais fácil.
Então, resumindo, as mulheres acima dos trinta e poucos me enjoam e isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre o assunto. Mesmo sabendo que terão mulheres se defendendo de tal infâmia, acho que por hora basta.

Eu também não gosto das crianças que Roque gosta, pois ele tem a paciência de um monge tibetano, eu não. Roque me disse uma vez que de todos os amigos dele, eu era o cara que tinha transado com o maior número de mulheres. E nos conhecemos há poucos anos apenas. Eu respondi dizendo que ele precisava fazer mais amizades. Para transar com o número de mulheres que ele acha que eu transei eu teria que ter pelo menos metade da paciência que Roque tem.
Ainda tem o fato de que numa relação é preciso deixar algumas mentiras no ar para que tudo siga seu curso natural e dentro dos conformes. Já enganar uma criança é como enganar um animal, não há mérito nisso.

Voltando a falar sobre a garota da Saúde, ela me disse outro dia - enquanto bebíamos algumas cervejas e quando eu não estava no banheiro mijando a cerveja que eu bebia - que ela nunca mente. Ainda disse que nunca mentiu para mim e eu confirmei com um adendo. Ou ela não tinha mentido ou mentiu tão bem a ponto de não ser descoberta. Acredite você, no que quiser. Existem pessoas que subestimam a mentira. Uma boa mentira, ao nosso favor, funciona que é uma beleza.




Bento.

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

CARTA DE DESPEDIDA DE UM LOUCO APAIXONADO PARA UMA DOIDA QUE NÃO SABE DO QUE SE TRATA

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Para você que não acredita, se meu fígado fosse um cara, ele tentaria me assassinar diariamente. Tamanho o trabalho que eu dou para ele.
Cheguei a ponto de dormir bebendo e acordar no meio da madrugada para fumar um cigarro e tomar uma dose. Só que isso foi antes, agora espero até de manhã, para tomar umas. Cheguei a ponto de dormir ao lado de garotas e acordar ao lado de outras que eu nem sabia de onde vieram, mas isso foi antes, antes de entender, ou me dar conta, que um apartamentozinho com uma vista para a avenida, uma xícara de algo quente e uma bela garota de camiseta e calcinha me é suficiente.

E eu era um cara cheio de asas para o seu lado. Fiz promessas, dediquei-lhe músicas e textos. Escrevi sobre você nas paredes do quarto. Vestia-me para sair como quem fosse para um encontro com você mesmo sabendo que não estaria lá. Adotei uma gata e coloquei seu nome. Adoro gatos, tão rebeldes e ela é marrenta e arisca como a dona do nome. Falei de você para os meus amigos e amigas e elas ficaram todas derretidas quando souberam que te mandei flores, menos você. Já os amigos todos já evitam me encontrarem no bar, pois o assunto tem sido sempre o mesmo. Até eu estou de saco cheio de mim. Até você.

Assisto novela só pelo motivo de ter uma garota que me lembra você e eu odeio novelas. Que situação a minha.
Já você me lembra aquele personagem de filme com tesouras na mão que vive me podando, vive cortando as minhas asas. Você insiste que não. Porém não me resta nenhuma pena.

Chegamos a um ponto de dizer que minhas palavras eram só palavras e não significavam nada, veja só. Logo eu, que sou um escrevinhador impulsivo e modéstia à parte, dos bons. Daqueles que não escreve clichês e coisas água com açúcar. Sou desses autores que conquistam pela realidade impiedosa, calamitosa e imperecível. Mesmo assim, para você, por você, preferiria que fosse qualquer idiota modista e medíocre que seguisse a linha do romantismo precário e de final feliz, se fosse para ter sua atenção.

E mesmo não dando a mínima atenção às minhas palavras eu saí dos palcos e do conforto de meu sucesso e fui além, no entanto, mesmo assim, não foi o suficiente. Mais que isso eu dependeria de seu aval, vamos lá, não que eu seja um bunda mole, só odeio a inconveniência de forçar algo que depende da vontade de um par e nesta, me parece um tesão individual. Uma masturbação de "Querer Muito".

Agora, não me force a uma sabedoria que eu não posso ter, sendo que me parece que até mesmo você tem dúvidas. Porém também não vou me enganar. Seus dias nublados só parecem ser tão ruins quando é para dividi-los comigo. De resto eles são límpidos e esbeltos. Talvez eu que traga sua má sorte. E é por isso, não só por isso, mas também por isso, que lhe escrevo esta última carta.

Garanto-lhe que não será por mim que acordará com mensagens inquisitoras. Prometo-lhe que não terá que me chamar pelo meu primeiro nome com uma falta de libido extrema. Garanto-lhe que não terá mais perguntas que te deixarão impaciente como as enxaquecas e problemas pessoais. Prometo-lhe que não precisará mais se fazer de desentendida por indiretas e insoluções pregadas por mim. Se usasse um chapéu estaria eu, neste exato momento, pegando-o, colocando abaixo do braço e partindo. Sem mais. Sem subterfúgios, sem cartões, sem desculpas. Desta vez eu parto, mas não por medo e sim por falta de zelo e cumplicidade. Por falta de carinho recíproco e por uma impaciência destinada a ambos. E eu fui paciente. Minha língua já tem seu gosto de tanto que te lambi. Parto por falta, falta de ti. E por excesso de confiança, quando o meu melhor que eu tenho para te oferecer tornou-se pouco. Baixam-se as cortinas e eu me despeço. Na verdade, acho que fui despejado de você. Logo, meus móveis estão pendurados numa Kombi caindo aos pedaços e o que me resta é o novo aluguel ou condomínio que possa vir por aí. Só não tente desmoralizar o que faço de melhor, pois você tem grande parcela de culpa por eu ser tão bom no que faço.



Bento.


sábado, 10 de março de 2012

ANALFABETISMO FUNCIONAL

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Eu já fui cafajeste. Sei a cartilha toda de cor e salteado, posso me dar ao luxo de dizer até que contribuí como autor de alguns métodos do passo a passo. Mas como toda criança que brinca de ciranda abandona a brincadeira depois que cresce, eu cresci.

Eu também já fui o namorado fiel, daqueles que se entrega ao amor e ao tentar acertar acaba errando, ao tentar mostrar todo seu sentimento acaba enciumado além da conta e ao tentar planejar seu futuro ao lado de quem ama acaba esquecendo de regar o presente.

Aposto que todos acreditaram na primeira parte da confissão, na segunda a grande maioria torceu os lábios, viraram os olhos e duvidaram da veracidade do autor. Evidente que, como digo em O Pessimismo é Uma Arte a tragédia shakespeariana é tão mais fácil de empregar o credo.

Eu nunca escrevo por escrever, acredito na minha arte e acredito que nas entrelinhas alguém, mesmo que poucos, se farão de entendido. No entanto em alguns casos sou tão claro que nem é preciso interpretação, está tudo lá. Assim sendo, me pego por vezes desacreditando da boa intenção dessa falta de compreensão.

Como prometi em “Isso Não é Um Pedido de Desculpas” defender-me de qualquer acusação não faria mais parte de minhas ações, mesmo assim decidi quebrar tal juramento uma só vez porque acredito que como o rádio, a audiência de meus textos podem ser rotativas e alguém pode ter ficado pelo caminho.
Tem uma coisa que é mais forte que eu, quase um vício, ou uma maldição. Não gosto de mentiras e por mais que eu quisesse em alguns casos, não consigo mentir. Pensei ter deixado isso muito claro em “A Verdade Virou Pecado” e Péssimo Mentiroso” mesmo assim teimam em sugerir que eu posso não estar sendo de todo sincero quando demonstro algumas preferências e desejos, como o fato de querer unir-me a alguém.

Está certo que meu passado me condena, que talvez me fora dado o rosto do pecador ao invés da face do justo, mas isso é entre eu e O Criador das mazelas do mundo. Também não vou aqui armar-me do egocentrismo acusando o universo de me julgar, sempre haverá alguém para sentar no rabo e apontar o dedo para os outros e é assim desde que o mundo é
mundo. Todos sofrem com isso. Eu mesmo, por mais que tente, também o faço. E erro no julgamento como podem ver em "Com Quantos Erros Se Faz Um Tonto?"

Mesmo deixando claro em “Simplificando o Possível” entre tantos outros textos que não sou fã de carnaval fora de época, as pessoas continuam desconfiando do longo período que me mantenho no convívio singular. Adianto que isso provavelmente incomoda-me bem menos agora, pois degusto das conquistas pessoais que me são palpáveis, deixei a receita desse bolo no Eu Sou Egoísta. Porém vou ter de concordar com algumas pessoas, por mais que Meu Amor Tira Férias”, podemos afirmar que depois de tanto tempo é fato que ele está desempregado.

Pois é isso, o problema é justamente este, na onipresença de minha sinceridade e senso de justiça, eu não poderei de maneira nenhuma iludir qualquer pobre alma e prometer-lhe uma relação se a semente do sentimento não brota no meu jardim.

Nesta situação me tornei mais Domenico do que Dom “Aqui jazDom, o Canário” e que na falta deste jardim a morbidez tem sido a essência da obra, mas sem jardim, sem borboletas e aí o que poderei prometer?

Enquanto isso, cabe-me somente levar em conta que Se Nada é TãoRuim Que Não Possa Piorar, Lute Para Manter Ruim Como Está”, entreter-me entre “Toca Discos” e evitando as armadilhas dos “Eu Gosto de Você”.

Ficou claro?


Bento.

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sábado, 23 de julho de 2011

QUEM PARTIU FUI EU.

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Se eu lembro mudo de caminho para tentar esquecer e me pego fazendo o caminho antigo em minha mente só para poder ter uma desculpa para lembrar.

Penso como seria se conhecesse minhas novas amizades e o que acharia delas, se dariam bem ou não.

Penso no que diria sobre minhas roupas novas, emprego novo, sorriso novo, e se permaneceria com sua mania de me criticar através de seu vocabulário diferente do meu.

Passo os olhos na lua e penso que ela é tão mais sortuda que eu, pois pode saudá-la mesmo de longe.

Penso em quais soluções daria aos problemas novos.

Penso em suas tentativas de realizar meus desejos mais impossíveis e que às vezes não dava atenção aos mais simples.

Penso se aprovaria as mudanças, novas características e personalidade.

Pensando e refletindo percebo que me pareço mais com você do que comigo mesmo.

Quem partiu fui eu, você está aqui ó...


Bento.

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terça-feira, 5 de abril de 2011

ISSO NÃO É UM PEDIDO DE DESCULPAS

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Isso não é um pedido de desculpas.
Não posso me desculpar por uma coisa que não tenho controle, não seja egocêntrica achando que o problema está em você, pois eu mesmo sou o primeiro a apontar meu dedo podre para o meu próprio peito a me acusar de imperfeito, de que não me alegro com nada mais. Jogo meus defeitos pelos ares para quem quiser pegar.
Não me faça sentir-me mais culpando vendo você procurando onde foi que errou.

O erro... Sou eu.
A culpa... É toda minha.
A culpa esta impregnada em minha carne como pulga em vira-lata, um não vive sem o outro. Como o cachorro eu tento me livrar dela, me mordendo, me coçando, me sacudindo, em vão...
Se quer saber, é melhor por a culpa toda em mim, me julgue, me maltrate, me ofenda, me agrida com seu desprezo, me ODEIE.
Eu não vou dizer que não mereço.

Se precisar de ajuda para isso estarei pronto a ajudar, e farei com prazer, pois eu domino a arte de me machucar. Posso contar coisas horríveis ao meu respeito para dar vazão aos seus sentimentos e agressões, assim assinarei embaixo tudo que disser.
Serei meu próprio carrasco bastará você me trazer a guilhotina e o resto é comigo.
E digo mais, no fim de tudo isso, quem saíra desapontado é o próprio autor, desapontando-se consigo mesmo, e eu aceito me enganar, mas nunca enganarei os outros, por isso junto minhas coisas, baixarei as cortinas e sairei do palco. Partindo sabe Deus para onde...

Bento.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

VOCÊ PODE ME DOAR UM POUCO DO MEU TEMPO?

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Eu sou meu pior inimigo, eu minto para mim mesmo.
Eu mesmo me passo rasteiras, faço questão de me desmoralizar publicamente.
Eu mesmo me enveneno, acabo com minha saúde.
Me torturo com palavras sinceras e espalho aos quatro ventos meus piores segredos.
Retiro de mim as coisas mais prazerosas, como castigo de mãe quando somos pegos fazendo algo errado. Eu sou meu próprio filho mal educado.
Eu me renego, me isolo e me trato com indiferença na frente dos amigos.

Me amo, mas faço questão de esconder e finjo me odiar.
Finjo que nem me conheço para não passar vergonha, e me trato com desdém.
Tenho preconceito comigo mesmo, finjo que não estou prestando atenção no que estou dizendo.
Me desprezo ao me olhar no espelho e nunca estou ao meu lado quando preciso.
Sou interesseiro comigo mesmo, ao me magoar nem peço desculpas.

Me maltrato só para exercer a minha autoridade.
Faço promessas para mim e nunca às cumpro.
Arrumo amantes e sou infiel comigo só para mostrar que não sou dependente de mim.
Finjo esquecer as datas comemorativas e nunca me dou parabéns, não quero comemorar.
Muitas vezes me deixo em casa e saio na noite sozinho como castigo, vivo dando um tempo de mim mesmo.
Eu não me noto, não reparo nas mudanças singelas como corte de cabelo ou roupas novas.

Não me apoio nas crises existenciais, nem nos problemas afetivos ou profissionais.
Não me olho com desejo.
Não me faço serenata, não me dou presentes sem datas.
Não me mando flores.
Não faço nada por mim, porque todo o meu tempo é dedicado a você.


Bento.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ME ESPERE UM SEGUNDO MAIS

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Cansada de telefonar ela decide ir até lá.
Toca a campainha a primeira vez e repassa rapidamente em sua mente o que vai dizer.
Ele imagina que pode ser ela a tocar a campainha e hesita em atender.
Ela percebe que se perdeu no tempo ao repassar as desculpas: Mas que demora! Toca outra vez.

Ele agora tem quase certeza que é ela, mas como saber? Se tentar olhar pela janela ela notará que ele está em casa e ele não quer brigar mais, está cansado.
Ela percebe que talvez ele não atenda e o desespero vem junto com o medo, ela não quer brigar mais, está cansada só queria pedir desculpas e quem sabe um pedido de desculpas dele, seria bom.

Tenta a terceira vez. Din-don. Dessa vez ele vai atender...
Ele duvida que seja ela, pois é orgulhosa demais para ir até lá, mas no fundo ele adoraria que fosse ela para poder abraçá-la e pedir desculpas.
Ela senta na calçada, não pode sair dali sem dizer o que é preciso. Precisa derramar as palavras na concha de suas orelhas, parindo as frases do ventre de seu peito, quer desabafar. Tem a ideia de escrever uma carta e deixar na caixa de correio.

Ele já está na porta. A fome de seus beijos é maior, chega a roncar o estômago de seu coração na ânsia de alimentar aquele desejo. Abre a porta e vê a cena que jamais sairá de sua mente nem em quinhentos anos. Ela ali, sentada com os olhos mergulhados em lágrimas como uma criança perdida.
Ela guardará essa desfeita por toda a eternidade, percebe que ele está às suas costas, se levanta e todas as palavras fogem como um bandido.

Ele que sempre tem algo a dizer prefere se calar.
Eles se abraçam e naquele momento são felizes como nunca, pois só isso basta. Só o amor basta.
O resto se resolve, é negociável. Isso é o que eles pensavam...
Ensine-me a me calar. Um gesto é tão mais prazeroso que qualquer coisa que eu possa dizer.


Bento.

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

MENTINDO...

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Eu não quero te ver, apesar de meus olhos vivem te procurando por onde quer que eu vá.
Eu não quero falar com você, mas sempre arrumo uma desculpa para puxar assunto.
Eu não quero ficar perto de você, porém faço o mesmo caminho só para te seguir.
Eu não quero pensar em você, no entanto me pego planejando os meus dias com sua presença.
Eu não quero sentir o cheiro dos seus cabelos, mas insisto em penteá-los com meus dedos.
Eu não quero desejar você, só que minhas mãos sempre procuram a sua quando caminhamos lado a lado.
Eu não quero você em meus sonhos, porém percebo que ao fechar os olhos sonho com você até acordado.
Definitivamente não quero te amar, mas vivo me enganando.


Bento.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

CONFUSÃO

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Depois de toda convivência e muitas discussões acaloradas de mesa de bar dividindo a opinião da maioria dos homens e mulheres, chegamos a conclusão: Sim a mulher é infinitamente mais confusa que o homem.


Digo isso, pois, a única coisa que causa confusão no homem é a própria mulher.
Vou explicar: numa reunião de homens improvisada, mais uma desculpa para beber, a pauta era, como agir quando a mulher sabe mais sobre sexo do que nós mesmos?

Alguns homens se assustam quando as mulheres demonstram tanta afinidade com o ato, se sentem ameaçados ao perceber que são masturbados com tanto exito que ficam imaginando se sua parceira não tem um pênis em casa para praticar. É aí que está a confusão, ao invés de aproveitar da experiência são tomados por pensamentos machistas tentando desvendar onde é que ela aprendeu tudo aquilo?
 

Bento.
 
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

EU GOSTO DE VOCÊ

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Um dia desses ouvi o que pensava que talvez nunca mais ouviria, ou que pelo menos iria demorar um pouco mais para que se dirigissem à minha pessoa com essas palavras: “eu gosto de você!” Assim, sem mais nem menos. Assustou, fato.
Eu tive uma pequena pane de um ou dois segundos e pronto! Recuperei a sanidade.
Foi como um motor saindo de giro, um peixe de aquário quando tirado de seu habitat natural para fazer a limpeza diária, sendo transportado para outro recipiente.

Passaram-se dois segundos, mas eu consegui pensar em várias coisas nesse curto período de tempo, não fiquei feliz, nem triste, a única coisa que me veio em mente foi, por quê?

Espera! Pensei em tudo que foi dito e vivido pelos dois e cheguei à conclusão de que não haveria tempo para isso. O “eu gosto de você” foi como um puxão de orelha, uma bronca, do tipo “Ei, acorda!”, mas pode ter sido um pedido de desculpas também, “eu gosto de você então me perdoa”?
Porém não era isso que eu esperava, aliás, não teve tempo para isso.

O “eu gosto de você” pode ser algo como, eu gosto, mas não abusa. Ou eu gosto, mas não me enche o saco! Os “eu gosto de você” acompanhado de “poréns” não me enganam.

No entanto esse “eu gosto de você” foi infantil, foi desnecessário, foi na verdade irresponsável, o “eu gosto de você” não existia, a própria enganadora estava tentando se enganar, e talvez ela se enganou mesmo, nos enganamos às vezes. Só que eu não caí no conto. Não que não fosse tentador cair na mentira, mas com o tempo você vai cansando de levar porrada e aprende a se esquivar para que não saiamos nocauteado no fim da história. Aprendemos a não dar ouvidos a Carochinha.
Esse “eu gosto de você” pode ter sido uma forma de conseguir o objetivo não alcançado, sabe aquela sensação de “eu quero só porque eu não posso ter”?
Um “eu gosto de você” desesperado, transpirando ganância, remediando o irremediável, algo do tipo.

Foram dois segundo suficiente para que surgisse um sorriso de canto de boca, acompanhado de um “rá” e depois um “fala sério!”. O contador de histórias aqui sou eu, pensei. Mas não falei, não quis ser indelicado.
Fiz o que tinha de fazer, me despedi e tomei meu rumo, desesperado é ela e não eu, fico aguardando um “eu gosto de você” sem interesse, aquele que vem de repente, fugindo da boca. Aquele que você diz e se arrepende no primeiro instante se perguntando se deveria ter dito mesmo. Aquele que vem do peito, sobe pela garganta, você tenta mantê-lo dentro da boca sem sucesso, ele usa a língua como trampolim e foge. Como um ladrão. O “eu gosto de você” vomitado, fujão, esse é o mais sincero.

Depois que disse não tem mais volta, e você nem queria dizer, mas disse. Só lhe resta esperar a reação do outro, no caso a minha. Nesse “eu gosto de você” eu acredito. Acredito, acredito, acredito... O resto é história... Continuemos esperando.


Bento.

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