Mostrando postagens com marcador Papai-Noel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Papai-Noel. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de março de 2012

ALGUMAS COISAS EU PREFERIA NÃO TER APRENDIDO

-


Eu fui envelhecendo e ganhando algumas coisas e perdendo outras.
Ganhei cabelos brancos e defeitos novos, pois variar nos erros é até indicado, manter-se errando na mesmice é onde está o problema.

Ganhei experiência na sofreguidão e aprendi a reconhecer becos sem saída, pessoas confiáveis e amores eternos de uma só noite. Porém hoje, a possibilidade de surpreender-me é mais desejada que aquele embrulho abaixo da árvore de natal que eu passava horas bolando um plano para espiá-lo antes de ser entregue por meus primos vestidos de papai-noel.
Ser surpreendido mostra que até a mentira tem seu lado bom. E se até a mentira tem, o que você está fazendo privando o mundo de vislumbrar suas qualidades?

Aprendi que por mais eternos que pareçam nossos problemas sempre haverá alguém que tire proveito disso, até nós mesmos. Os problemas vem e vão, alguns vão outros não. E quem não tem problema nunca saberá como é bom desequilibrar-se em copos e mais copos de solidão e ainda assim acordar no dia seguinte sorrindo, pois a dor de cabeça chega, mas manda embora quilos de sentimentos que estava entalado em nossa garganta.

Aprendi que ser rico quando criança era a quantidade de brinquedos que havia para brincar.
Depois dos cabelos brancos aprendi que dinheiro é a quantidade de pessoas que você consegue enganar, contudo, as aparências enganam, mas nunca terão tanto sucesso quanto sua vontade de ser enganado.

Depois de tanto tempo perdi a inocência e imagino coisas horríveis de todas as pessoas, mesmo àquelas que nunca me deram motivos. Não que eu seja desconfiado, é que o absurdo da calamidade mental sufoca até mesmo os mais confiantes na humanidade. Pois somos o espelho da sociedade em que vivemos e vice versa.

Perdi também o hábito de olhar para o céu, afinal já conheço cada estrela, já dei nomes e apelidos. E isso nunca trouxera nada de bom.
Juntei os pontos e a única imagem que se formou foram meus erros que já estou cansado de conhecer. Pois é sempre mais difícil de encontrar pessoas que desvendem suas qualidades, mas sempre haverá quem te faça lembrar de seus defeitos. Voluntários nunca faltarão.

Com o tempo ganhei alguns talentos e em alguns casos fiz questão de esfregá-los na cara de quem me desafiasse. O que me fez conhecer a arrogância e a síndrome de inferioridade que possui meu corpo.

Perdi a essência de acreditar no inacreditável, de ter certeza que dias melhores viriam e que meus brinquedos seriam meus amigos para todo sempre.
Deixei também de acreditar no para todo sempre e ganhei uma expectativa de vida curtíssima.

Perdi a vivacidade e a ansiedade característica da juventude e agora tenho a pressa dos adultos. Corro, corro e não saio do lugar e o tempo é meu inimigo mais calunioso e invencível.
“Quando criança sonhava com o que seria quando crescesse, agora que cresci sonho em poder voltar a ser criança” e fazer tudo de novo. Com paladares novos.

Perdi o credo na cegonha e hoje sei que a TV não é uma caixa mágica. Ganhei a literalidade da dor e aprendi que justificar todo o meu (mau) humor nestas dores do mundo é mais que natural.

E aprendi depois de anos que afago de amante é como remédio de disfunção erétil, o prazer será sempre por empréstimo.

E se Sócrates disse que não sabia nada, eu digo que algumas coisas eu preferia não ter aprendido.


Bento.

-

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A VERDADE VIROU PECADO (O Pecador).

-

Nós somos enganados desde cedo.
Primeiro somos enganados sobre o papai-noel e o coelho da páscoa.
Depois vem a mentira que nossos pais viverão para sempre, nos enganam quando dizem que todos os nossos sonhos serão possíveis como ser médico, advogado ou astronauta.
E por fim a pior e maior mentira de todas é que sempre devemos dizer a verdade, a todo custo. Vamos pensar nessa como a mentira original, enquanto estamos sendo enganados a vida segue seu ciclo sem problemas, mas quando finalmente a verdade nos é revelada as coisas mudam de figura.

A verdade perde todo o seu valor quando dela vem à tona os defeitos da vítima da verdade, a verdade faz mais vítimas que a mentira. Dizem que ninguém gosta de ser enganado, isso é outra mentira, nós amamos ser enganados, somos dependentes da mentira e a abstinência dela traz sérios riscos a nossa saúde mental, são incontáveis traumas psicológicos quando a mentira é revelada, por isso imploramos todos os dias por uma boa dose diária de mentiras e quando não as temos mentimos para nós mesmos. Isso é a mentira canibal. Isso acontece quando nos é injetado doses de verdade em nossa corrente sanguínea.

Ora, o objetivo da verdade é nos desintoxicar da mentira como uma droga, como o efeito do álcool é curado pela glicose, e todos sabemos que quando isso acontece vem a ressaca. A ressaca da mentira causa mais dor de cabeça que a vodca, além dos distúrbios que já citei anteriormente.

A verdade traz nossos defeitos à tona e para quem ainda não sabe grande parte dos meus textos tem o intuito de trazer exatamente os defeitos, inseguranças entre outras coisas do autor, todo aquele blá, blá, blá citado nas mesas de bares quando estamos alcoolizados por escrito e dividido apenas com aqueles que desejam ouvir (ler), logo meus textos são feitos de verdades, minha verdade. Sendo assim não exija que eu minta, perderia todo o sentido da escrita, afinal qualquer um pode mentir, falar a verdade é mais complicado.

Eu me considero um amaldiçoado pela verdade, aquele que não tem opção a não ser falar a verdade, não sei mentir, um mentiroso tem que ter boa memória e a minha é péssima.
A verdade é ereta, sublime e linear. A mentira é cheia de curvas, atalhos, placas de sinalizações. É preciso um mapa para se achar na mentira por isso não conseguimos mentir quando bêbados, nem dirigir.
Mas se querem minha opinião continuem mentindo, é melhor ser um puxa-saco e enganar seus amigos do que ser um sincero convicto e ter que se desculpar com eles por falar a verdade.
A verdade virou pecado.


Bento.

-