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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

UM VICIADO EM SEXO COM ASCO DE CALCINHAS É COMO UMA VACA COM ALERGIA A LACTOSE

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Eu estou no segundo copo de whisky e tenho escrito algumas coisas um tanto fortes para o perfil das pessoas que leem o que escrevo. Eu não me importo, pois mais prazer que ter pessoas lendo o que eu escrevo eu tenho quando escrevo o que eu quero então foda-se. Esse whisky que eu tomo hoje eu ganhei de uma garota, e uma vez ou outra eu ganho esses tipos de agrados. Além, claro, dos agrados sexuais. E tenho de dizer que uma garrafa de Jack é sempre um bom presente a se receber.
Digo isso pois tenho alguns vícios que vocês já devem conhecer todos muito bem. Logo, dentre tantas discussões medíocres por aí sobre política e a porra toda, ao invés de ir ao bar eu prefiro ficar em casa tomando grandes goles de Jack e mantê-lo na boca por alguns segundos até sentir todo seu sabor.

Houve um tempo que passei a odiar calcinhas. Não sei dizer ao certo de onde veio isso, mas era só ver uma garota no meu quarto, começarmos a nos beijar, o sexo pedindo passagem e eu imediatamente arrumava um jeito de tirar a calça da garota com calcinha e tudo para que não tivesse que olhá-las. Calcinhas feias, bonitas, grandes ou pequenas, renda ou algodão. Eu só odiava calcinhas. Perdia um terço do meu tesão caso me deparasse com elas. Eu nunca gostei de lingerie vermelha - isso também não é segredo - mas nesta época eu não gostava de calcinha nenhuma. De nenhuma cor. Só de ouvir uma música do Wando eu já ficava enjoado imaginando um mundaréu de calcinhas em cima de mim. Era complicado e nada saudável. As calcinhas penduradas nos varais dos vizinhos faziam meu corpo se contrair. Bem, dito isso, deixo claro aqui que um dos meus vícios, dentre tantos, é o sexo com garotas e de preferência magrelas e tatuadas, e não é nada - nada mesmo - saudável ter asco de calcinhas quando se está todo fim de semana bebendo, fumando e baixando calças junto com calcinhas para que não às veja. Uma hora ou outra o truque falha. Um viciado em sexo com asco de calcinhas é como uma vaca com alergia a lactose. Não faz muito sentido. De qualquer forma, assim como veio passou esse negócio das calcinhas.

Não muito depois disso eu comecei a trocar as garotas magrelas e peitos grandes por garotas de peitos pequenos e bundas enormes. O que vai contra tudo o que eu prezo numa garota. Mesmo assim troquei todas. Até aquelas que iam até minha casa regularmente eu deixei de lado, pedi espaço, aquela coisa de homem de precisar respirar ares novos, precisar de um tempo só. Como eu escrevo, para algumas garotas eu dizia que precisava focar mais na escrita, pois estava relaxado, perdendo a mão. Curioso é que esta desculpa foi a que teve mais aceitação. As garotas diziam: Ok, amor. Me manda um texto para eu ler.
- Certeza que mando. Eu respondia.

Então comecei a procurar as bundas enormes por bares e conhecidas que eu não reparava por não se tratarem do estereotipo que até então admitia. Tudo transcorreu perfeitamente bem. Conheci belas bundas. Brancas, negras, bundas grandes, muito grandes e as gigantes e desproporcionais. Bundas que batiam nas minhas coxas de tão grande quando colocadas por cima para trabalharem. Nesta época eu percebi que eu não ligava tanto para a beleza dos rostos - vejam que heresia - afinal, eram as bundas que eu olhava. Ter uma grande bunda nas mãos e não aproveitá-las da melhor maneira possível é estupidez. Para quem gosta de tamanho as brancas são as melhores, pois aparentam ser bem maiores, só que tudo é uma questão de ótica.

Então essa fase das bundas também passou e eu voltei às magrelas. Nunca me decepcionei com garotas ossudas. A flexibilidade, a agilidade, a safadeza...

Tem uma coisa também e isso parte mais de uma particularidade que qualquer outra coisa. As melhores transas da minha vida foram com magrelas. E muita gente acha que eu critico as gordas pelo simples fato de nunca ter tido uma boa transa com uma gorda e eu respondo: É verdade. Mas não é isso. Entendo eu que gordas são gordas e que essas mesmas gordas têm um desejo imenso de serem magras e não conseguem. Eu entendo isso. O que eu não entendo é essa mania das gordas de tentarem nos convencer de que estão bem sendo gordas e que nós homens é que somos uns fúteis por preferirmos beleza e magreza e não nos importarmos com - muita atenção para o termo que eu usarei agora - "beleza interior". Como se as gordas fossem melhores que as magras só pelo fato de serem gordas. Como se nossos neurônios estivessem ligados à quantidade de banha que temos em nossos corpos. É só pra mim que soa arrogante uma pessoa achar que é mais inteligente que todas as outras que são mais atraentes sexualmente que ela? É visível só pra mim que o mesmo preconceito que as gordas dizem sofrer elas têm com as garotas magras?
Bem, sinto em dizer - mentira, não sinto - mas eu prefiro as magras, pois é bem mais fácil ensinar uma equação matemática à um macaco que convencer um elefante a parar de comer.

Então eu tenho essa insistência com gordas e muita gente diz que vou acabar terminando meus dias ao lado de uma obesa. Pode até acontecer, contudo isso é tão possível quanto eu acabar casando com um saco de berinjela, pois eu não gosto tanto quanto.

Eu também falo uma porção de coisas sobre os religiosos e por incrível que pareça esses enchem menos o meu saco com essas crises de hipocrisia. Esses são hipócritas só com a vida e o mundo, comigo nem tanto. Mas é bem capaz - segundo diz a lenda - que eu casarei com um saco de berinjelas, morrerei esmagado por uma gorda e partirei sem escalas para o inferno, deixando órfãos duas ou três crianças berinjelas, afinal também não suporto criança. Isso, claro, se nenhuma gorda aparecer para comer meus filhos.



Bento.

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sábado, 27 de setembro de 2014

O PECADO DE DEUS FOI CRIAR O FEIO. ERROU E TIROU CÓPIAS

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Eu estava parado na frente de casa. Tinha ido buscar as correspondências e recolher a merda dos cachorros e fiquei ali, parado. Era sábado e o carro que vende ovos estava passando por ali. Talvez eu precisasse de ovos, mas me contive. Estava de bermuda e camiseta e apenas os cigarros nos bolsos. 5 Reais a dúzia ele alarmava em seu alto falante e dizia que seus ovos eram os melhores. Como se as cloacas de suas galinhas fossem melhores que as dos outros. O carro dos ovos se foi debaixo de um sol tímido, porém o bastante para criar ânimo suficiente para abrir uma cerveja, eu estava na segunda e não tinha passado das onze horas.

Normalmente eu só bebo cerveja de manhã quando estou de ressaca. Esse negócio de que cerveja é um bom remédio para ressaca não é história, eu aprovo. Confesso que o primeiro gole é difícil, mas depois fica tudo nos conformes. Não estava de ressaca porque cheguei do trabalho no dia anterior e dormi. Estou numa fase de deitar e dormir com uma facilidade incrível. Bebia um gole da cerveja, tragava mais uma vez o cigarro e pensava que caso eu tivesse meus vinte anos novamente estaria me odiando uma hora destas. Vinte anos ou menos. Diria o eu mais jovem que tinha me vendido. Não passava de um coxinha vendido, traidor do sistema. Horas atrás eu estava de sapatos e camisa, como aqueles caras de escritório. Vendido. Por um salário bem maior eu me prestava àquele papel, vestir-me como um idiota. Pensei que já não tinha mais vinte anos e que meus vícios só aumentavam e com isso um salário maior era mais que necessário. E daí que meus sapatos me faziam sentir-me como um palhaço num picadeiro? Eu nunca fui um comunista idiota e nem tinha pais ricos, ou ao menos de classe média, então sempre precisei trabalhar e se este trabalho tinha por fim um salário mais gordo, bem, que sorte.
Passei a pensar que precisava de uma cama nova e maior. Eu estou ficando velho e dormir numa cama de solteiro, velha e acompanhado já não era tão fácil como quando eu tinha vinte anos. Minhas costas, o pescoço, braços, eles reclamavam. Na caixa de correio tinha um jornal das Casas Bahia e talvez por isso passei a pensar em trocar de cama.

Comecei reparar nas pessoas que passavam pela rua a pé ou de carro e lamentei por uma sequencia de dez ou mais pessoas feias. Onze, doze. Comecei a desconfiar daquele dia. Tenho tudo contra pessoas feias. Treze eu contei, incluindo minha vizinha crente e gorda e o cara do carro do ovo. É incrível como existem pessoas feias no mundo, se duvida vá para qualquer lugar público e bem movimentado e comece a reparar. Eu já aprendi a filtrar, a só reparar nas pessoas bonitas. Os belos são inspiradores. Estações de metrô, pontos de ônibus, shoppings, hospitais, só gente feia. Um ou outro que se salva e você aprende com o tempo a filtrar. No entanto, em alguns lugares não existe nada para filtrar. É como derramar água numa peneira. E convenhamos que os feios sejam tão deprimentes. Esse tipo de lugar onde só se vê feiura me causa tédio e depressão. Outro dia estava parado na porta do shopping esperando uma garota e era um dia como hoje. Uma sequência incrível de pessoas feias. Trinta, quarenta... E um e dois e três. Fumava um cigarro e esperava a garota.
Ao meu lado havia três mulheres campeãs em feiura. Uma pior que a outra. Cabelos feios, roupas feias, risadas feias. Uma delas estava grávida e eu pensei: mais uma pessoa feia no mundo.
Entendam, pessoas feias nos trazem pensamentos horríveis. Ao sentir um fedor, por exemplo, você logo procura alguém feio para culpar. Num elevador cheio de pessoas, você sente um cheiro de peido e seu inconsciente já acusa o mais feio porque internamente achamos que pessoas bonitas não fedem e nem peidam, e caso peidem, trata-se de um peido mais ameno. Claro que isso é um absurdo, mas inconscientemente ligamos feiura a fedor. Ser feio realmente é uma tristeza. Feiura lembra pobreza, lembra merda. O pecado de Deus foi criar o feio. Errou e tirou cópias.

Ainda sobre beleza, tenho reparado que as melhores garotas já foram domadas. As belas e estilosas, as belas e inteligentes, as belas e burras, as belas e ricas e também as pobres. Até as belas e lésbicas já foram domadas.
Eu sempre tive como conceito não pegar o que é dos outros. Um pacto que eu fiz com as forças maiores. Realmente um conceito, meu. E como toda regra, minha, eu posso quebrá-la a hora que eu bem entender e por isso, por vezes as quebro.
Então outro dia sai com uma garota, linda, uma delícia, de uma safadeza impar, a ponto de me deixar constrangido, coisa difícil de acontecer, mas constrangido eu fiquei tamanha safadeza, da garota, que era casada. Acontece. E acabou acontecendo e garanto que não me arrependo. Fugir de regras, mesmo que as minhas, ainda me traz certo prazer de jovem. Já que as mais belas já estão com baitas alianças nos dedos alguém tem que sair feliz nesta história toda e eu sempre tendo pro meu lado.

Mas voltando a falar das feias. Outro dia comecei a receber fotos de uma garota, feia, tadinha. Todo dia olhava o celular e tinha uma foto nova desta garota. Começou com fotos normais, depois passou a fotos com caras e bocas até que recebi a primeira foto dela nua. Uma após a outra. Às vezes de manhã, semiacordado, com meu mau humor nas alturas, ainda no primeiro cigarro e aquela visão do inferno no meu celular. Outras vezes de noite, cansado do trabalho, já no último cigarro amaciado pela dose de whisky antes de dormir e me deparo com aquele espanto. Uma mistura de seios asquerosos, rosto perturbador, barriga temerosa, pélvis peluda. Alguém precisa dizer a essas pessoas que ser solteiro não é sinônimo de desespero, nos dias de hoje? E que a intensidade do tesão não vai de acordo com o tamanho de bundas e peitos. Só gosto de abundância de carne nos meus churrascos. Convenhamos, eu tenho uma reputação a zelar.

Bento.

sábado, 31 de maio de 2014

ENQUANTO EU NÃO ESTAVA NO BANHEIRO MIJANDO A CERVEJA QUE EU BEBIA

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Eu arrumei um bom trabalho, na Saúde. Parece um comentário qualquer, mas na Saúde? Sim, na Saúde. Um comentário qualquer para qualquer pessoa que não perde muito tempo se apegando a detalhes. Eu já sou um detalhista de merda que não vai com a cara do Destino e já desconfio de tudo que ele faz. NA SAÚDE?! Pois é. Um bom trabalho. Eu já sabia quem morava na Saúde antes de aceitar o trabalho. Tem uma garota que mora na Saúde e não nos falávamos mais. Não falava simplesmente porque não falava. Nem"oi" nem "bom dia", nem "vá pro inferno". Nada. Eu não queria e parece que essa falta de querer era recíproca. De qualquer forma, tem mais uma coisa sobre mim que talvez eu não tenha falado. Como sou um detalhista e às vezes avoado, ando como um idiota olhando para todos os lados e procurando sabe-se lá o quê. Portanto desde o primeiro dia que arrumei esse bom trabalho ando torcendo. Procurando e torcendo. "Besteira" vão dizer e eu vou concordar. Porém procuro. É bem isso. O fato é que eu não deixo de falar com ninguém que eu não quero deixar de falar, então tinha meus motivos. Eu não queria sequer pensar e a única forma que eu conheço de não pensar é não falar, não ver, não estar disponível. Tudo isso seria lindo e belo e simples se eu não tivesse arranjado um bom trabalho na Saúde. Talvez agora vocês já devem ter começado a entender. Mas ainda fica pior. PIOR? Pior. Comigo, neste bom emprego também trabalham conhecidos em comum. Digo isso para comunicá-los, caso já não saibam, que o Destino é um sacana de merda que morde e assopra. Vão dizer que estou sendo injusto com ele e garanto que não. Tenho mesmo um pé, não, tenho dois pés atrás com o Destino. Todos já encontraram a tal garota, assim, de vista, na Saúde e o único que procura, que sou eu, não. Viram que calhorda?! Mas procuro por quê? Sabe-se lá por qual motivo. Mesmo assim, quis o Destino - ou transmissão de pensamento - ou a puta que pariu que voltássemos a nos falar. Entramos num acordo que era um pouco de besteira minha, besteira dela, enfim. Passou, já que eu não ia conseguir esquecer de sua existência no mesmo mundo que eu, ainda mais trabalhando na Saúde. Logo na Saúde.

Eu não sei também do motivo que comecei a falar sobre isso. Eu pensei em falar sobre outra coisa, mas os dedos mandam e eu faço. Gostaria de falar na verdade sobre a repercussão do texto anterior, que eu falei sobre brincos e outros itens esquecidos em casa por garotas que dormem aqui esporadicamente e algumas me perguntavam se era delas que eu falava. Eu mesmo não me lembro de textos anteriores, pois tenho uma memória péssima e foi por isso que comecei a escrever, para lembrar das coisas que acontecia no dia anterior. Então para ser justo , antes de responder eu perguntava se tinham esquecidos brincos em casa e eliminei metade das candidatas. Depois perguntava se tinham gostado do texto e foram dois terços desta vez. As que sobraram e que tinham gostado eu me aproveitei porque não sou de ferro. O único problema é que a faxineira deve pensar que eu sou um travesti nas horas vagas.

Por falar nisso, outro dia, que eu não estava bêbado, ainda, meu sobrinho estava lá em casa fazendo coisas de garotos de sete anos, que basicamente se resume em fazer coisas que caras de 26 como eu acham cansativas só de olhar. Para você que ainda não esqueceu nenhum brinco em casa, quero explicar que na parede, que dá para a porta de entrada para meu quarto, tem a frase "Não Sou de Ereções Gratuitas" escrita em letras garrafais. E no auge de sua sabedoria de sete anos, de quem lê tudo que vê, meu sobrinho leu a frase em voz alta e me perguntou: tio, tem que pagar para entrar aqui? A espontaneidade da pergunta me fez rir como há muito eu não ria e respondi de forma que sua idade não permitiria entender tamanha malícia: com certeza que tem, filho. Mas você é VIP, só prometa não quebrar nada. Depois ele ainda perguntou o que era VIP mas isso não vem ao caso.

Minha paciência com crianças se esgota exatamente em cinco minutos e muita gente acha que por este motivo eu não gosto de crianças. Essas pessoas estão cobertas de razão. Mesmo assim, são os mesmos cinco minutos que reservo também para os adultos, se é que você me entende.
Não que eu odeie todos, não, só os idiotas. Mesmo assim, talvez ainda não fosse sobre isso que eu queria falar. Tenho um amigo, o Roque, este cara adora crianças. Crianças de 14, 15 anos. Na verdade ele não faz diferença de ninguém, desde as garotas de 14 até as de 55. Uma vez ele me disse "Cara, as de 55...". Eu fingi que nem ouvi, pois minhas experiências com velhas não foram nem de longe agradáveis. Terei sérios problemas ao chegar, se chegar, aos 55.

Tem uma garota e ela já passou dos trinta. Não me é costumeiro e pode perguntar para qualquer homem e ele vai dizer que mulher acima dos trinta normalmente não faz parte do prato principal. De qualquer forma tem essa garota, que tem trinta e poucos anos e que vive me chamando para fazer uma visita. Geralmente eu não sou de visitas desde que valha a pena. Porém sou gato escaldado e garotas acima de trinta costumam querer voltar a sua infância e demonstrar um pouco de pudor acima do que se encontra nas prateleiras. Essa garota insiste na minha visita e eu tento manter-me longe. Conforme o tempo passa as desculpas meio que acabam e logo eu terei que me decidir entre falar sobre minhas péssimas experiências com velhas ou mentir, e eu ainda não sei o que é mais fácil.
Então, resumindo, as mulheres acima dos trinta e poucos me enjoam e isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre o assunto. Mesmo sabendo que terão mulheres se defendendo de tal infâmia, acho que por hora basta.

Eu também não gosto das crianças que Roque gosta, pois ele tem a paciência de um monge tibetano, eu não. Roque me disse uma vez que de todos os amigos dele, eu era o cara que tinha transado com o maior número de mulheres. E nos conhecemos há poucos anos apenas. Eu respondi dizendo que ele precisava fazer mais amizades. Para transar com o número de mulheres que ele acha que eu transei eu teria que ter pelo menos metade da paciência que Roque tem.
Ainda tem o fato de que numa relação é preciso deixar algumas mentiras no ar para que tudo siga seu curso natural e dentro dos conformes. Já enganar uma criança é como enganar um animal, não há mérito nisso.

Voltando a falar sobre a garota da Saúde, ela me disse outro dia - enquanto bebíamos algumas cervejas e quando eu não estava no banheiro mijando a cerveja que eu bebia - que ela nunca mente. Ainda disse que nunca mentiu para mim e eu confirmei com um adendo. Ou ela não tinha mentido ou mentiu tão bem a ponto de não ser descoberta. Acredite você, no que quiser. Existem pessoas que subestimam a mentira. Uma boa mentira, ao nosso favor, funciona que é uma beleza.




Bento.

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

AHHH O SUICÍDIO COLETIVO

Outro dia eu disse que sou a favor do suicídio coletivo como cura para a mediocridade do mundo. Principalmente para os feios. Mas claro que não generalizo. Existem feios com grande valor para o mundo. Falo dos feios e medíocres, dos feios ignorantes. Quem sentirá falta deles? Outros feios talvez, por isso o suicídio coletivo. É, modéstia à parte, uma ideia genial.

Digo isso porque sou um fútil e beleza conta sim. Vinicius de Moraes concordaria comigo. O mundo concordaria comigo, caso não fossem hipócritas e falsos moralistas enganadores sabe Deus de quem, por quem e com qual intuito.

Os falsos moralistas; são deles que sinto mais pena. São religiosos, pais de família, políticos, chefes, cretinos mesmo. Está cheio de pedófilos por aí criticando a juventude minissaia e a juventude "Funk quadradinho de 8". Isso para não falar dos "pastores" estelionatários homofóbicos. Vai entender. Sou sempre o primeiro a dizer que não gosto de Funk, só que meus motivos são musicais e ponto.

Eu sequer perco o meu tempo me fazendo de rogado e não me esforço para agradar imprestáveis. Não somos iguais, nunca fomos e jamais seremos. Existem os de bom senso e os categoricamente medíocres e é a mediocridade que faz do mundo esse esgoto cheio de merda. Então, tratemos de diferenciá-los.

Tudo bem se você quer ser igual a todo mundo, eu no mínimo vou te achar chato, porém, mais chato ainda são aqueles que se esforçam para parecerem diferentes. Nunca funciona, ou você nasce um impiedoso praticante do: FODA-SE a opinião dos outros eu quero é gozar. Ou você será sempre o merda que se finge de underground.

Mas vamos falar do que importa, que é a beleza. Antes que me indaguem sobre eu ser portador ou não de beleza suficiente para manter-me caminhando pela terra já respondo sem rodeios: Sou sim, obrigado. E não, não sou convencido, mas também não sou hipócrita. Logo, vamos todos nos colocarmos no lugar do qual merecemos. Porém, sempre haverá o indignado. Ah, o indignado. Eu já tive dó do indignado, mas passou depressa, depois tive desprezo, pois o indignado é chato, é triste. Um indignado com argumentos já é um pé no saco por si só, imaginem o indignado sem argumentos. Hoje, por eles eu sinto tédio e é só o que eles merecem de mim. Então estes vão fazer longos discursos repletos de indignação, porém a beleza atrai até o mais insignificante dos seres.

Ninguém paga a mais por um apartamento com vista se não for por sua beleza. Ninguém fica rico fazendo carreira no mundo todo como modelo se não for de uma beleza extrema. Vamos parar de nos enganar e assumir que o mundo já faz essa divisão. Se você é belo, ótimo, caso contrário, bem, estude meu caro. Vai dizer que não é verdade? Eu só estou esclarecendo o que você já sabe.

Agora, se você ainda é contra meu argumento quero que reflita um pouco. Imagine-se num metrô lotado, com os trinta e poucos graus que andam fazendo aqui por São Paulo. Eu disse lotado? Coloca mais uns cinquenta indivíduos dentro do vagão que sempre cabe mais. E ainda é de manhã, você sequer chegou ao trabalho e se pudesse venderia um órgão para poder voltar para trás e ir ao parque com seus filhos ou parar no bar da esquina e pedir uma cerveja gelada, mas você não pode. Suas opções são metrô lotado ou ônibus entupido de gente e é só o que você tem. Responda-me com sinceridade: não seria bem melhor ficar apertado entre um monte de pessoas bonitas e bem arrumadas?

Alguém aí pode dizer que beleza nem é tão importante desde que sejam educados. Eu vou argumentar que mesmo a educação tem limites quando se está atrasado para o trabalho e você precisa entrar numa caixa metálica que não cabe nem mais um suspiro. Posso ainda dizer que todos nós somos mais tolerantes quando se trata da falta de educação de alguém bonito. Até nisso o feio sai perdendo.

O feio, por exemplo, tem de ter um bom senso afiadíssimo para se vestir, pois qualquer escorregão e ele fica marcado. Já o bonito quando erra dizem que ele é fashion. O fato de você não aceitar uma coisa não vai fazer com que ela pare de existir, então desista. A única coisa que pode passar à frente da beleza é o dinheiro, mas isso é assunto para outro dia e posso garantir que dinheiro traz muitas coisas belas para quem o tem. Agora vamos combinar que num mar de gente feia como o que vemos por aí, será preciso muitos suicídios coletivos para dar jeito em tudo. Comecemos pelo primeiro.


Bento.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A MERDA DE UMA PORRA DE UM SÓSIA? CONVENHAMOS...

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Não me fode, pois meu pau é maior e na minha vez você estará fodido. Não! Não quero com isso dizer que sou melhor ou pior, quero apenas dizer que dentro de uma média nacional, sim! Eu sou fodão. Mas quem liga para isso?

Bem, voltemos a falar sobre toda a merda que presenciamos; a internet por exemplo, é um antro de mediocridade. Vejo isso pela minha cachorra que é um exemplo de personalidade; fiel, carinhosa, esperta. E eu nunca a vi acessando o Facebook. Deve haver uma lição nisso tudo.

Existe uma característica que eu admiro muito nas pessoas; a singularidade. Quanto mais original melhor. Independe de talento ou etc. Desde que conquiste-me o interesse. Eu sou um desinteressado por natureza. Um broxa de carteirinha. Nasci com a ânsia de explodir e queimar coisas e eu mesmo fazer melhor e neste caso, quando me sinto capado no intuito da superação eu muito que me admiro.

Bom, espero não me tornar clichê com isso, mas volto a falar de garotas. Afinal, se você que está lendo isso agora e é homem nada mais justo que leia sobre algo interessante e o que é mais interessante para você do que garotas? Com certeza interessa homens dos 11 anos até os 95.

Se você que está lendo é uma garota nada mais justo que esse tipo de assunto também te faça virar os olhos de desejo, pois ninguém é mais egocêntrica que as mulheres. Só por isso existem centenas de revistas, sites e programas de televisão dedicados a tal assunto. É um grupo fechado.

Então eu tenho de dizer; tem uma garota...

Na verdade, é complicado ser tão subjetivo em relação a isso. Recebo tantas mensagens de garotas que se elegem à musa que fico refletindo sobre a minha objetividade falha ou a interpretação de texto péssima dessas candidatas.
Bom, eu assumo meus erros. Porém, no mínimo as pessoas deveriam conhecer-se a si mesmas. Se você que lê isso agora e já teve alguma relação comigo, ou sente que eu perderia o meu tempo escrevendo sobre você, primeiro, leia de novo. Ainda acha que é sobre você? Leia de novo. Ainda suspeita de minha vocação de literalizar nossa relação? Então só o que me resta é dizer; parabéns, você está certa! Ou; Ahhh por favor, limite-se a sua insignificância e se põe no seu lugar.

O que eu posso dizer? São muitos nomes para pouco sentimento, pouca intensidade. Eu não posso escrever para todas porque nem todas me interessam. Ok! Pode me julgar e me chamar de sacana, mas o que eu posso fazer? Sou homem, e por sê-lo tenho o péssimo hábito de me transformar em exatamente aquilo que você deseja, nem que seja por algumas horas. O homem nasceu mais próximo do camaleão do que o macaco. O que não quer dizer que mentimos sempre. Só quando nos é conveniente. Assim você finge que me deseja e eu finjo que estou apaixonado. Você finge que me admira por eu ser um lixo e eu finjo ciúme pelas suas companhias. No fim somos fingidores sacanas que só precisam de atenção e afeto - mesmo que falso - para nos sentirmos vivos.

Mas eu enrolei e enrolei para falar da tal garota. Bem, eu não me importo. Falando ainda de beleza e corpo desejável, tenho de dizer que Deus, o Diabo ou o Destino foi muito bom comigo em relação a isso. Afinal, vamos combinar; isso não me apetece por ser natural. Todo mundo sabe, digo que é um plus. Claro! Olhe para mim. Não me permito beleza menor do que aquela que me deixa constrangido. Se não for uma beleza cruel eu sequer perco o meu tempo. Tenho um histórico a zelar. Faz parte do personagem. O que me interessa é o tal conjunto que impregna, só que no desejo de conjunto desta garota me falta coisas que eu não desejo. Pois eu só preciso daquilo que me é indispensável. E se esse é o preço para possuir tamanho prêmio, eu passo. Já passei, faz tempo. As promessas atuais não me farão mais feliz do que as anteriores de beijos em segredo. Quero beijos e pronto. Simplesmente beijos e afeto. Beijos e libido. Se quisesse promessas jogaria na loteria. O que eu quero é mais intenso, sempre foi. Mas minha intensidade é difícil de acompanhar. Falei da garota que foi atrás de um sósia? Pois bem, jamais será mais do que um sósia. Será sempre uma porcentagem inferior partindo do princípio de ser a merda de uma porra de um sósia. Pelo bem ou pelo mal, é difícil superar-me.



Bento.

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domingo, 22 de julho de 2012

PERCO-ME NO RÍMEL

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Poucas coisas no mundo são mais sensuais que ver uma mulher se maquiando.
Quem mora em São Paulo está acostumado. Por causa da correria diária, a cidade das multidões, é comum deparar-se com alguma garota maquiando-se nos coletivos, nos metrôs e etc.
Não importa muito se a mulher é linda ou se é um furúnculo em forma de gente. Claro que quanto mais bela melhor, porém, é a ação que encanta.

Falo da concentração, da técnica, de cada movimento cirurgicamente calculado.
Primeiro a sombra nos olhos marcantes, é a preliminar do encanto.
O lápis em torno dos olhos e já temos o feitiço pronto.

É como se eu estivesse olhando pelo buraco da fechadura. Estou ali, mas não estou ali. Elas não ligam, quem é você? Onde está? Como se chama? Não importa!
É a intimidade quem comanda cada movimento e, quem melhor que as mulheres para reger aqueles bastões, pincéis, e pós? Como um maestro numa orquestra, nos tira da lotação e aperto dos coletivos e nos levam ao céu de primavera infinita. O que é trânsito mesmo?

O rímel me faz lembrar que os olhos jamais podem ser lavados por lágrimas, não os dela. Chorar e estragar todo aquele trabalho artístico-artesanal? Não! Nenhum de nós somos dignos disso, seria como tacar fogo num Picasso, num Da Vinci.

Dou uma pausa na sequência dessa apologia à beleza. Dessa manifestação afrodisíaca para pensar. É assim, me perco no ato do embasamento feminino. Sou um tolo - talvez digam os machistas - provável que seja mesmo um tolo, mas poucas coisas me fazem esquecer das contas a pagar, dos problemas de relacionamento, pessoais, profissionais e, vê-las ornando narizes, testas, queixos. Somos nós, homens, todos escravos da manifestação íntima que nos intima a parar e idolatra-las por nos conceder tal visão que Deus, provavelmente, criou em seus melhores dias.

Faço então essa pausa, quando já estou completamente perdido em libido, em feitiço e sabor, para lembrar de uma antiga namorada. Era ela linda como poucas que eu já vi, porém não usava um batom sequer. Não precisava, fato. Mas um dia, não me lembro agora de quem foi a ideia. Se minha ou se dela. Na verdade, acho que foi minha. Mas bastou um lápis nos olhos e eu sabia que iria amá-la para sempre. Eu já sabia disso, porém foi ali que eu tive certeza. Amaria para todo sempre aqueles olhos com lápis e tudo que vinha com eles.

Bem, claro que, o meu "para sempre" durou mais que o "para sempre” dela e hoje ela desistiu do lápis nos olhos. Sobrou a ela as madeixas endurecidas por parafina. Para mim? Sobrou, bem...



Bento.

sábado, 9 de junho de 2012

O PERDEDOR NEM SEMPRE É O MAIS TRISTE, PENA


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Eu tenho alguns ídolos na minha vida. São pessoas nas quais eu me inspiro e me identifico.
Sempre gostei dos mais polêmicos, os mais autênticos. O anti-herói. Os que sofrem no final e depois do fim.
Os que perdem ou acham que vencem, mas perdem. Os dramáticos e solitários.
Abdiquei desde a infância de torcer pelos mocinhos pé no saco e chatos como corrida de São Silvestre.

Digo isso porque após anos, eu na mistificação de tornar o passado fresco - ninguém faz isso de caso pensado, eu não sou diferente disso, adianto - fico pensando sobre como é possível idolatrar uma lembrança. É como assistir um compacto de jogo de futebol e mesmo sabendo o placar final torcer para o atacante perna de pau fazer aquele gol perdido debaixo da trave, ou rezar para que o goleiro pegue aquele pênalti que mexeu o placar. E se sentir maravilhado com o jogo do campeonato passado mesmo com seu time perdendo.

Essas lembranças que me trazem você para perto por reflexo me faz chegar à conclusão que sou seu fã e só não peço autógrafo pelo fato de já ter um, dedicado ao meu nome, com cheiro e coração ainda guardado na caixa de charutos que chamei de "CAIXADE PANDORA DE AMORES FINADOS" num outro texto.

Sou presidente-fundador e único membro do fã clube mais antigo dedicado a você.
Não nego não nego. Busco sim algumas informações sobre sua vida, mas na maioria dos casos são os paparazzi que insistem em me manter informado sobre affaires, festas e aquela coisa toda de ídolos que deixam os fãs satisfeitíssimos de compartilhar.

Em resumo, sou seu fã por tudo que você pôde e pode fazer e eu não. Sou fã de sua beleza e sua liberdade de pensar e agir, não necessariamente nessa mesma ordem.
Sou seu fã por saber enganar-me - e aos paparazzi - tão bem e só deixar vazar notícias felizes. Eu não. Como já citei acima, invariavelmente gosto da dramatização, do final trágico e épico. E isso, claro, é culpa sua. Mas não vou entrar neste mérito.

Prefiro reforçar que tenho em meus ídolos uma inspiração e você definitivamente é a campeã em me inspirar. No intuito de fazer bem a você e mal para mim partindo, me deixou de presente um leque de opções e a força de me levantar da lona após o nocaute. E ainda hoje, sempre que dá o ar da graça - aliás, me pego pensando no último sorriso de meses atrás e não consigo desvendá-lo - sou atirado contra a lona e obrigado a beijá-la, porém me levanto antes do fim da contagem.

E caio, levanto, caio, levanto. Ali no ringue, na disputa de pontos perdi de lavada e continuo caindo e você permanece me vencendo.

Mas para quem ainda não entendeu eu repito pela última vez:
Sempre gostei dos mais polêmicos, os mais autênticos. O anti-herói. Os que sofrem no final e depois do fim.
Os que perdem e acham que vencem, mas perdem. Os dramáticos e solitários.


Bento.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

SÃO SÓ DETALHES

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Esses dias eu tive que ligar para uma senhora e me atendeu um cara. Com esse "cara" quis dizer jovem. Mas não gosto de usar o termo "jovem", é antigo demais.
A tal senhora não estava, então agradeci e disse que retornava depois e do outro lado da linha recebi um "disponha". Disponha?
Desliguei o telefone e fiquei pensando. As pessoas não falam mais assim hoje em dia. Disponha. Os jovens... Quer dizer, os caras não falam mais assim nos dias de hoje.

Ganhamos um pouco em liberdade, em modernidade, mas perdemos em educação. Falei do metrô outro dia, ninguém é gentil mais com o próximo.
Direitos e deveres só ficam no papel.
Aquele cavalheirismo que vemos em comédias românticas clássicas perdem-se no meio de sátiras e piadas de mau gosto.

Conversando com minha mãe em alguns raros momentos de descontração ela me leva ao passado contando histórias sobre seus namoros na adolescência e comparamos com os dias de hoje quando conto as histórias da minha adolescência.
Realmente o futuro é sempre mais castigado, relaxado. Ninguém faz questão de impressionar.

Eu, como sabem, sou um romântico incurável -- adoro dizer isso, pois é verdade --, mesmo assim, não pense que vou ficar romantizando com qualquer cretina que aparecer no meu caminho. Existe quem merece e quem não merece.
Conheci uma garota que merece, aí mandei flores, na verdade não a conheço ainda, nos falamos... Conhecer vem com o tempo. Quem sabe?
Aí mandei flores, coisa que tempos atrás era comum, não hoje.

As pessoas têm medo de entrar em floriculturas, os jovens, os caras. É só uma loja de flores. Não sei como esse comércio sobrevive ao capitalismo se as pessoas tem receio de comprar seus produtos.
Quando fui escolher as flores, perguntaram: Mas você vai na floricultura? Espantados. Como se eu fosse numa casa mal assombrada. Respondi: No açougue é que não poderia ser. Certo? As pessoas mandam chocolates, mas não flores. Nunca vou entender isso.

No entanto eu fico feliz de ter esse espasmo de clarividência. A maioria das pessoas não enxergam, vivem andando e andando e não olham em volta, passam pelos detalhes como água pelos dedos. O cigarro me ajuda com isso, acendo um cigarro e relaxo prestando atenção nos detalhes. Nunca poderia fazer isso como não fumante, ninguém para no meio da rua por nada senão para fumar. Paciência.

Só sei que a beleza que eu vejo, nem todos veem. É a beleza dos mínimos detalhes. A beleza está nos detalhes, sempre esteve. É só reparar.


Bento.

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domingo, 22 de abril de 2012

PARECE CLICHÊ

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Parece clichê.
Sei que isso é um tiro no pé, um antisserviço contra minha própria escrita.
Começar um texto com a palavra "clichê" é isso. Um tiro pela culatra.
Digo isso, pois, ninguém gosta de clichês, na verdade, logo eu corro o risco de não ter um leitor sequer. Na verdade, todos gostamos de clichês, mas pensamos não gostar, dizemos a nós mesmos que não gostamos, mas gostamos. Músicas clichês, cantadas clichês, roupas clichês. Se perguntar, ninguém gosta de clichê.
Então, quando eu assumo logo na primeira linha do texto que trata-se de um clichê, as pessoas se assustam. Paciência.

Vamos então ao clichê em questão.
Tenho um conhecido, uma amizade recente eu quero dizer, que pode se tornar amigo ou não, o tempo vai dizer.
Esse conhecido chama-se Rubens. Este é um tipo Bon Vivant, vive a beber, fumar e fazer sexo com inúmeras garotas.

E logo as pessoas o rotulam de todos os nomes possíveis que caracterizam seus atos como canalha, cafajestes, galinha, só para citar os mais comuns.

Eu mesmo um dia desses falava ao Rubens: Reclamas do que Rubens? Todos por aqui o invejam pela vida que leva.

E Rubens me respondeu com seu sorriso de diabo que me fez entender. Primeiro vou falar do tal "sorriso de diabo". Existem sorrisos espontâneos, tem aquele sorriso de quando vemos uma criança acenando para nós, o sorriso amarelo quando somos pegos na arte. Sorriso do diabo é um sorriso que não emite felicidade, emite desespero. Emite solidão e desesperança.
Neste sorriso só sorri os dentes e a boca, os olhos não.

Claro que eu só fui perceber a diferença do seu sorriso quando Rubens me contou.
Contou que todos adoravam a vida que ele levava, menos ele. Todos queriam parte do que ele vivia, menos ele.
Rubens então com os olhos marejados dizia viver a procura de algo que ele, em algum momento, no meio do caminho esquecera o que era.

Ele continuou então sua história revelando a existência de um ex-amor. Ele deu esse nome, mas não sabia se era ex, ou se era amor. Então o amor se foi e ficaram as sobras. Sobras estas que ele tratou de tentar afogá-las com álcool sem sucesso. Tentou matá-las com sexo, muito sexo e não via méritos nisso.

Eu mesmo que fico sabendo das coisas sempre em penúltimo lugar, pois o último, dizem ser sempre o corno, eu mesmo já sabia de umas duas dúzias de amantes de Rubens.
Ele dizia saber menos que eu, não que não fossem verdadeiros os números, mas não queria lembrar.
Só o que ele sabia é que não conseguia amar ninguém, não gostava de ninguém.
Talvez nem dele mesmo.
E me mostrou a ironia quando disse que quem ele amava o odiava e quem o amava, ele desprezava.

Então eu via Rubens e sua multidão de amantes que ele mesmo gostaria de negá-las, de esquecê-las. Era um conquistador sem mérito, sem glória, ele dizia. Não fazia força, simplesmente acontecia, muitas vezes eram as garotas que ofereciam suas carícias e ele carente como todo homem largado aceitava mesmo sabendo que se arrependeria no momento seguinte.

Eu bebia meu conhaque, ele o dele, e pensava com meus botões o que poderia dizer para acabar com aquele desabafo incomum, digo, parecia-me muito triste o relato sim, sincero também, não duvidava nem por um momento de sua tristeza, mas eu também pensava naqueles que queriam ter todas as mulheres que Rubens tinha em seus braços. E não pensem vocês que a quantidade diminuía a beleza, eram todas lindas, cada uma com suas características, mas ainda assim, lindas.

Rubens que pareceu ler meus pensamentos, após passar todo o conhaque que havia no copo pela sua goela de uma vez só, me disse com um olhar suplicante: É uma maldição, Bento.

E ao ver sua suplica fiz o mesmo com meu conhaque. Apontei o dedo para ele: Rubão, faça só o que tens vontade! Só o que tens vontade...

Não sei por que o dedo em riste, talvez eu quis colocar a mesma dramaticidade na minha frase, assim como tinha feito Rubens na sua. Logo eu recebi a réplica: Mas e os domingos? O que eu faço com os domingos?


Bem, essa... Eu não soube responder.


Bento.



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quinta-feira, 12 de abril de 2012

UVAS VERDES II

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É certo que eu costumo dominar as situações, relações entre outras coisas, poucas.
Nem sempre é de caso pensado, as situações levam até este fim. Pode ser que isto derive da imagem que eu passo de que não me importo. Digo isto, pois existe uma necessidade incrível de conquista dentro de cada mulher. Alguns vão dizer que é orgulho, eu não, é mais que isso, é talvez a necessidade de se sentir querida, amada. Ora, todos sabem, que por mais que uma mulher se demonstre independente, madura, auto-suficiente, ela ainda será aquela que precisa de um peito (masculino ou feminino) para encostar a cabeça e relaxar.

Então eu passo a impressão de que não me importo, o que sempre é verdade, não, nem sempre. Quase sempre.

Mas existe sempre um momento na vida, aparentemente corriqueiro, quase que um acidente de percurso. Uma lei de Murphy, ou um acaso. O fato é que acontece de repente e você nem percebeu onde se perdeu ou se achou. E eu me pergunto, o que é isso?

Isso é o Destino, afinal, em algum momento ele vai te sacanear. No meu caso, em minha relação com o Destino, eu sou sempre vitimado, ele é sempre o Sátiro. Resta-me falar mal dele e ele me dar motivo para tanto.


Foi então que no meio dessas travessuras eu me vi numa contradição novelesca, entre um odiar incontínuo e um adorar repentino. Entre ódio e desejo, mordidas e beijos, eu fiquei tentando não me importar. Mas sem me enganar e enganar quem me lê agora. Há carinho, muito. Carinho na sua forma peculiar de querer por querer e pronto, é desejo sim, como não? Desejável como o fim de semana, como a lua durante a noite. Tão desejável que até a pele deseja o roçar, a boca a saliva e o cheiro as narinas. Evidente que é também desejo, como não? Afinal despisto a hipocrisia e digo sem desviar o olhar: - Não é só beleza. Apesar de ser bela de arder os olhos. Bela de judiar, como em "Tem Beleza Que é Cruel", mas se fosse só isso garanto que não resistiria ao hábito de não me importar.
Eis que os dedos encontram os cabelos da nuca, os dentes a pele e no ato, ali, bem no ato, naquele momento, eu não sei se odeio ou adoro.



Bento.



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domingo, 16 de outubro de 2011

TEORIA DO CAOS (Senhora Bento)

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Nas conversas com minha mãe sempre aprendo algumas coisas que sem sombra de dúvidas vou levar para a vida inteira.

Lembro-me dela dizendo que em sua juventude, ela linda como poucas, e há fotos para provar, mesmo tendo vários homens lindos aos seus pés, ela preferia namorar com os feios. Achei um absurdo! Mas ela explicou que homem bonito dava muito trabalho, a infidelidade deles e o assédio das outras causavam problemas irreversíveis para qualquer relacionamento.

Já os feios faziam com que ela fosse dormir tranquila.

Entendi os argumentos da minha mãe, mas disse para que nunca repetisse àquilo na presença de alguma namorada minha.

Hoje, eu me pego analisando alguns casais na rua e penso no que minha mãe me disse. Não sei se ela andou espalhando sua teoria por aí, ou é um fenômeno natural.

Talvez homens feios estejam na moda e eu esteja desatualizado, afinal só vasculho revistas do gênero quando estou aguardando algo em alguma recepção.

Mas só posso pensar que é uma tendência, são tantos rostos abstratos, cabelos horrendos, um vestuário péssimo e homens “bombas” desfilando com mulheres extremamente maravilhosas dos pés a cabeça, que estou começando acreditar que existe um complô contra a beleza masculina.

Sei que você, leitora, deve estar dizendo para você mesma agora, que o que importa num homem é a beleza interior. Eu já respondo de anti mão, que os únicos que partilham verdadeiramente desta mesma opinião são os profissionais de decoração e design interior, todo o resto privilegiam o que é bonito. É óbvio.

E convenhamos que a grande maioria hoje, se importa mais com o tamanho de seus braços do que seu nível cultural. Então qual a explicação?

Eu sei que depois do amor todo mundo é lindo, não é verdade que ele é cego? Sendo assim, se quiser saber se você é uma dessas garotas simpatizante da Senhora Benta, façamos um pequeno teste. Portando uma foto de seu queridíssimo amor pergunte a três mulheres desconhecidas se elas o acham bonito, sem mencionar, é claro, que o dito cujo é o felizardo de ser seu namorado. Não queremos opiniões suspeitas.

Se uma entre as três disser que a feiura habita o tal corpo que frequenta seus lençóis, você de fato segue a cartilha. Isso mesmo, apenas um voto, pois beleza de verdade é unânime.

O que os belos solteiros têm que fazer para arrumar uma bela e decente namorada nos dias de hoje, regredir mentalmente, tomar anabolizantes e passar a ouvir funk?


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Outras coisas que aprendi com minha mãe;

Um homem vai ao mercado para comprar um pacote de arroz, três cabeças de alho, duas Coca-Colas e uma lata de molho de tomate.
Quinze minutos depois o homem volta com um pacote de arroz, uma cabeça de alho, uma Coca-Cola e uma caixa de cerveja.

Uma mulher vai ao mercado para comprar um pacote de arroz, três cabeças de alho, duas Coca-Colas e uma lata de molho de tomate.
Uma hora depois a mulher volta com dois pacotes de arroz, pois estava na promoção, três cabeças de alho, duas Cocas-Colas Light, um vidro de xampu, um melão, uma alface, dois cremes de leite, um saco de farinha, açúcar, dois vidros de óleo, uma dúzia de ovos (resolveu fazer um bolo) e uma lata de molho de tomate.

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Hoje fui ao sacolão com minha mãe, definitivamente não é um dos programas mais agradáveis aos olhos masculinos, mas é aniversário dela, como negar um pedido tão singelo? E digo que não foi em vão, ela com toda a experiência que só os anos de vida podem lhe dar me mostrou que tinha uma visão errada sobre batatas. Eu, com minha ignorância em assuntos que envolvem horti frutis aprendi que batata boa são aquelas sujas com terra e cara de nada.
Minha mãe despreza as batatas escovadas. Eu sempre optei pelas que tomaram banho, lisas, perfume exalando... Ledo engano.



Bento.