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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

LISTA DOS 10 + INÚTEIS DA CATEGORIA DE ESCRITORES INÚTEIS E MAIS MAL PAGOS DA HISTÓRIA DE TODOS OS ESCRITORES INÚTEIS E MAIS MAL PAGOS

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Há mil anos eu queria ser rico, muito rico. Tão rico a ponto de queimar dinheiro. Porém pensei que só os loucos queimam dinheiro, logo, refletindo profundamente sobre meu desejo de infância, percebi que por trás de meu desejo de ser rico, na verdade eu queria ser louco. Vendo por esta ótica, hoje sou um homem realizado, já posso morrer em paz.

Mas não é disso que eu quero falar. O que eu realmente preciso deixar transparecer é o motivo de tudo isso. Não que eu tenha que justificar-me, pouco importa para você, eu sei. Sou só um babaca. Não faz nenhum sentido perder meu tempo, no entanto, odeio fazer sentido e eu tenho tempo de sobra. Se tempo é dinheiro então eu deveria estar na Forbes, como um dos jovens mais promissores da alta sociedade.
O que eu realmente quero dizer é que o excesso de tempo me deixa sem horizontes, eu sei, sei que eu sempre quis isso, desejei com todas as forças ter um tempo só para mim. Porém, descobri que esse tempo era todo seu.

A vida precisa fazer sentido, na minha opinião. Meu corpo pede, precisa fazer sentido. Não eu, a vida precisa. Pois então, tudo isso só faria sentido caso eu estivesse ganhando as fichas e neste caso eu apostava alto e só o que conseguia era ver minhas fichas indo para o centro da mesa sem volta. Tenho o vício do pôquer, então se não me entende em minhas alusões peço desculpas. A vida precisa fazer sentido e simplifico dizendo que fichas são beijos. Uma mão boa seria quando você me colocaria em seus planos e seus abraços ou qualquer carinho representaria um Full House. Nossas pernas finas entrelaçadas significariam um All Win sem precedentes. Entraria eu para o Hall Of Fame dos maiores jogadores de todos os tempos.

Eu sou um bom jogadores, droga! Eu sou um bom jogador e sei quando sair de uma mão que não irei ganhar. Esse é todo o segredo do jogo. Não basta saber blefar, haverá de se sair bem quando tiver a humildade de saber que está numa mão ruim e desistir para começar de novo na próxima rodada. O jogo só acaba quando termina as fichas. Só que fora isso eu ainda estou na lista dos dez mais inúteis da categoria de escritores inúteis e mais mal pagos da história de todos os escritores inúteis e mais mal pagos.

Agora eu chego num devaneio para explicar algo maior que pode ser que chegue a um sentido maior nisso tudo, não espero sucesso, mas se tiver sucesso você pode me dizer depois.
Eu tenho um grande amigo de infância que me conhece como a palma da mão dele. Nós já fomos grandes atletas e quem me conhece sabe que eu não tenho nem trejeitos de atleta, mas já fomos. Poderíamos ter sido grandes atletas profissionais, talvez nossa loucura e vício em álcool nos tenha impedido de chegar lá.
Éramos grandes atletas, com qualidades singulares em todo nosso grupo de amigos e jogávamos futebol numa quadra pública com todos os piores elementos de nosso bairro. Ladrões, drogados, traficantes, garotos de programa, políticos e etc. A quadra era pública, logo, qualquer um que chegasse com disposição jogava contra nós e tínhamos um talento nato de humilhar pessoas com nosso talento.
Num dia como qualquer outro chegou um grupo de chilenos, mas bem que poderiam ser bolivianos, peruanos, nunca se sabe. Eles eram todos brutamontes e eu era só isso que eu sou, pele e ossos e cigarros. Venceu a origem brasileira para o futebol, o talento clichê para o tipo de esporte. Fizemos o que queríamos, quando e quanto queríamos. Coube ao grupo partir, da quadra, não do país. Todavia, humilhados. É praticamente isso, em seu talento clichê de me deixar para escanteio, eu parto - da quadra, não do país - sem mais.



Bento.

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quarta-feira, 23 de março de 2011

QUEM É RECÍPROCO LEVANTA A MÃO

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Quando eu digo que é agradável agradar quero dizer que tudo deve ser recíproco.
Todo afago que recebe tem um motivo, porém toda criatura que agrada também precisa ser agradada.
Toda criatura que encanta deve uma hora ser encantada.
Todo ouvinte deve ser ouvido em algum momento.
E o sorriso deve ser merecido e espontâneo.
Isso é o capitalismo do mundo dos relacionamentos com qualquer ser, e a reciprocidade é a moeda de troca.

Sinta-se a vontade para devolver-me tudo com juros e correção, mas se forem em pequenas parcelas durante sessenta meses ou mais como um financiamento eu ficarei feliz de qualquer forma.
O importante é meu cofre também conhecido como peito estar sempre com algum fluxo de afeto.
Não quero garantias nem hipoteca, eu quero correr riscos e receber o carinho que tenho direito sem data de vencimento, pague-me quando puder, quando sentir vontade.
E no balanço final, quero ser rico por acordar de madrugada só para buscar um copo d’água para matar sua sede.


Bento.

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sábado, 19 de março de 2011

EX RICO

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Quando mais jovem eu podia ter tudo.
Bastava pensar, pedir com gana e vontade e eu sabia...
Eu sabia que mais cedo ou mais tarde eu alcançaria esse sonho.
É bem verdade que consegui uma parte desses desejos, os tive consumados e em alguns casos os desperdicei. Joguei-os fora como quem coloca o lixo para fora.

Tão mesquinho tão confiante de que poderia fazer e ter tudo.
O castigo enfim chegou e faz questão de mostrar que tudo que joguei fora foi melhor aproveitado por outras pessoas, assim como o lixo que é reciclado e se torna algo mais belo.

O valor que não dei, foi dado por outros.
Eu era rico e não sabia.
Agora vivo mendigando a vida.


Bento.

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