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segunda-feira, 2 de abril de 2012

UVAS VERDES (Arriba, abajo, al centro)

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Eis que me disseram: mas você não tem sobrenome? Evidente que sim, eu respondi. Para quem não sabe, Bento é meu sobrenome, o meu nome é outro.

Mas aí a pergunta já tinha se espalhado e todos afirmavam: você não tem sobrenome. Isso foi de uma calúnia desmedida. Afinal não é porque meu sobrenome pode ser adotado também como nome que ele não pode ser outra coisa.

Ao insistirem que eu não teria um sobrenome pensei logo na tentativa de me tirar a identidade, dramático que sou imaginei como seria sem sobrenome e sem identidade.

Bento era meu avô por parte de mãe, logo ela é a Sra. Bento, e dos meus dois irmãos eu sou o único Bento representante.

Eu pensei em tentar uma crônica mais romântica, pensava numa outra pessoa antes de começar a falar sobre meu nome, mas a verdade é que é praticamente impossível falar de qualquer pessoa, qualquer outra coisa, sem adaptar ao meu egoísmo. Como costumo dizer, cada um tem uma verdade e é preciso que eu identifique a minha para que possa me encontrar na reflexão sobre meu cotidiano.

De qualquer maneira deixei a intenção de parecer romântico a quinze parágrafos atrás, não que seja uma segunda-feira insensível, de maneira nenhuma, só acredito que seja uma segunda para ser lúcido. Eu disse lúcido, não lúdico. Lúdico é outra coisa.

Eis então que eu penso na minha identidade e a molecagem vivida todas as tardes e sinto uma duplicidade de informações. Vejo minha rebeldia em minha frente, olhando em meus olhos e os seus são verdes. Eu gosto muito de verde, principalmente uvas verdes, porém, não cairei na tentação de fazer alusão dos olhos com uvas. Sei que me vejo naquele par de olhos e não é só reflexo, sou eu.

Me vejo em cada gesto obsceno pois eles são meus, seriam meus caso não fossem dirigidos para mim.

Vou aqui abrir um parênteses para dizer que alguns textos meus demoram mais que um dia para irem do início ao fim. Acontece isso pela falta de tempo e correria do dia-a-dia e como algumas coisas que digo são tão atuais que é inevitável acontecer reviravoltas após o início que modifica totalmente o final do texto. Não se preocupem, a obra não perde sua sinceridade por causa disso, só mudará o fato de haver algumas pessoas lamentando o desenrolar da história.

Pronto! Após este parêntese enorme, adianto "o homem mais infeliz do mundo é aquele que descobre que nem sempre vale tanto sacrifício por três segundos de prazer", aos que se fizerem de desentendidos recomendo uma maior compreensão do meu outro texto "Prazer, Meu Nome é Bunda" que deixa claro que numa relação que se prioriza a bunda e a carne eu darei sempre preferência aos osso e tetas.

Eu permito-me por vezes adestrar minha sinceridade na tentativa de evitar que confundam-na com rispidez, fato que acontece sempre, mas existem certas pessoas que tendem a confundir isso com ingenuidade. Olhe só, ingenuidade, logo de minha parte. Eu tenho muitos defeitos que não faço questão nenhuma de esconder, eu tenho qualidade que deixo escapar entre os dedos numa linha ou outra, mas é raro, para que não pareça egocêntrico. No entanto, ingenuidade não está, nem de longe, no meio de uma dessas coisas.

Se me perguntarem, é claro que vou dizer que não vale a pena deixar de externar qualquer coisa em si para agradar um outro alguém, porém não nego que sempre vai existir a tentação de fazê-lo, para que não assuste Fulanos ou Beltranos, chamo isso de "preparar o terreno", uma introdução para preparar os ouvidos para o que está por vir.

O fato é que confundiram este, que é o indiferente, com o ingênuo. Vale também lembrar, que qualquer impressão errada que eu possa, mesmo que inconscientemente ter transmitido pessoalmente, seria desmentida imediatamente por este meio de escrita, pois as linhas não mentem, as letras não omitem e os parágrafos são transparentes como água de bica.

E foi que ficamos assim, nessa relação de bunda, carne e sinceridade de uma via só (a minha) e eu preferindo ossos, tetas e a reciprocidade da intenção. Eu só reivindico o que posso lidar, da outra havia reclamações que eu pude suprir -- sem me gabar -- de olhos fechados, porém ter do que reclamar faz tanta parte de nosso cotidiano -- assim como o sol, a chuva, a enxaqueca -- que nunca nos acostumamos com a falta. Reclamar é mais fácil que se adaptar com algo novo, como o mendigo que ganha na loteria e não se acostuma com a água quente do banho.

Ainda sobre isso, eu já disse aqui que jamais me defenderia de qualquer acusação, o bom neste caso é que nem há motivos para isso, o que geralmente é incomum. Ah, mas nada é em vão, existiu uma certa visita que um dia eu esperei, quem acompanha o lamentar do autor deve também reconhecer como o apelido de uma certa princesa, que reclamava e reivindicava algumas coisas que eu pude colocar o antídoto em prática e acho que me saí bem, remediando o que eu achava irremediável.

Mas é bom deixar claro que não há motivos para maiores preocupações, pois assim como eu bebo indiferença com duas pedras de álcool, ela com certeza, chupa do desprendimento com um trago de tequila. Arriba, abajo, al centro…



Bento.

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domingo, 16 de outubro de 2011

TEORIA DO CAOS (Senhora Bento)

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Nas conversas com minha mãe sempre aprendo algumas coisas que sem sombra de dúvidas vou levar para a vida inteira.

Lembro-me dela dizendo que em sua juventude, ela linda como poucas, e há fotos para provar, mesmo tendo vários homens lindos aos seus pés, ela preferia namorar com os feios. Achei um absurdo! Mas ela explicou que homem bonito dava muito trabalho, a infidelidade deles e o assédio das outras causavam problemas irreversíveis para qualquer relacionamento.

Já os feios faziam com que ela fosse dormir tranquila.

Entendi os argumentos da minha mãe, mas disse para que nunca repetisse àquilo na presença de alguma namorada minha.

Hoje, eu me pego analisando alguns casais na rua e penso no que minha mãe me disse. Não sei se ela andou espalhando sua teoria por aí, ou é um fenômeno natural.

Talvez homens feios estejam na moda e eu esteja desatualizado, afinal só vasculho revistas do gênero quando estou aguardando algo em alguma recepção.

Mas só posso pensar que é uma tendência, são tantos rostos abstratos, cabelos horrendos, um vestuário péssimo e homens “bombas” desfilando com mulheres extremamente maravilhosas dos pés a cabeça, que estou começando acreditar que existe um complô contra a beleza masculina.

Sei que você, leitora, deve estar dizendo para você mesma agora, que o que importa num homem é a beleza interior. Eu já respondo de anti mão, que os únicos que partilham verdadeiramente desta mesma opinião são os profissionais de decoração e design interior, todo o resto privilegiam o que é bonito. É óbvio.

E convenhamos que a grande maioria hoje, se importa mais com o tamanho de seus braços do que seu nível cultural. Então qual a explicação?

Eu sei que depois do amor todo mundo é lindo, não é verdade que ele é cego? Sendo assim, se quiser saber se você é uma dessas garotas simpatizante da Senhora Benta, façamos um pequeno teste. Portando uma foto de seu queridíssimo amor pergunte a três mulheres desconhecidas se elas o acham bonito, sem mencionar, é claro, que o dito cujo é o felizardo de ser seu namorado. Não queremos opiniões suspeitas.

Se uma entre as três disser que a feiura habita o tal corpo que frequenta seus lençóis, você de fato segue a cartilha. Isso mesmo, apenas um voto, pois beleza de verdade é unânime.

O que os belos solteiros têm que fazer para arrumar uma bela e decente namorada nos dias de hoje, regredir mentalmente, tomar anabolizantes e passar a ouvir funk?


***

Outras coisas que aprendi com minha mãe;

Um homem vai ao mercado para comprar um pacote de arroz, três cabeças de alho, duas Coca-Colas e uma lata de molho de tomate.
Quinze minutos depois o homem volta com um pacote de arroz, uma cabeça de alho, uma Coca-Cola e uma caixa de cerveja.

Uma mulher vai ao mercado para comprar um pacote de arroz, três cabeças de alho, duas Coca-Colas e uma lata de molho de tomate.
Uma hora depois a mulher volta com dois pacotes de arroz, pois estava na promoção, três cabeças de alho, duas Cocas-Colas Light, um vidro de xampu, um melão, uma alface, dois cremes de leite, um saco de farinha, açúcar, dois vidros de óleo, uma dúzia de ovos (resolveu fazer um bolo) e uma lata de molho de tomate.

***

Hoje fui ao sacolão com minha mãe, definitivamente não é um dos programas mais agradáveis aos olhos masculinos, mas é aniversário dela, como negar um pedido tão singelo? E digo que não foi em vão, ela com toda a experiência que só os anos de vida podem lhe dar me mostrou que tinha uma visão errada sobre batatas. Eu, com minha ignorância em assuntos que envolvem horti frutis aprendi que batata boa são aquelas sujas com terra e cara de nada.
Minha mãe despreza as batatas escovadas. Eu sempre optei pelas que tomaram banho, lisas, perfume exalando... Ledo engano.



Bento.