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sábado, 7 de abril de 2012

CINCO MINUTOS

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Eis que se foi mais um carnaval e eu não gostaria de fazer nenhum comentário sobre isso, mas não se fala em outra coisa.
Polêmica, polêmica. Aliás, depois do Facebook tudo vira polêmica por cinco minutos.

Eu prefiro sempre manter como está. O que acontece no carnaval fica no carnaval. Simples assim.
Todo pecado cometido no carnaval é perdoável.

Mas o rapaz rasgando as notas da apuração do desfile em São Paulo não sai da cabeça do povo.

Há anos eu tenho festejado o carnaval à base de carne assada, cerveja e pecado (da carne), portanto quando me chamaram para ver o homem pulando a cerca, roubando o envelope e rasgando-o fiz o que me cabia naquele momento: Peguei mais uma cerveja e virei a carne. Dei de ombros, ora.

Porém, para aqueles que são contra o carnaval foi um prato cheio. Para os ranzinzas que não festejam o carnaval aquilo foi a gota d'água, "onde já se viu?!" "Tem que acabar com o carnaval. Expulsem as escolas e lhe cortem as cabeças."

Fico pensando, que tipo de pessoa é contra o carnaval?

Imaginem o tamanho da minha indignação. Esses tais pseudos-revolucionários se indignam com cada coisa, num país campeão de corrupção nunca ouvi dizer: acabem com o país! Cortem-lhe a cabeça! Assim como na França, mas o carnaval...

Esses são os revoltados de cinco minutos. Nem mais nem menos. Cinco minutos.

Vou dar uma pausa do carnaval para falar do meu carnaval e fazer uma confissão: a vodca é minha Criptonita. Sempre fora.
Bebo qualquer destilado, mas a vodca...
O problema (ou não) da vodca é a amnésia, nunca houve na história da minha vida um porre de vodca que não me causasse ressaca moral que duraria meses para curar-me. Fico pensando se a guerra fria não foi um ato tomado por um porre russo regado a vodca.

Quantas besteiras não foram feitas nesse mundo por causa da vodca? E ainda haverá quem levante a bandeira: "acabem com a vodca e cortem a cabeça."

Os rebeldes de cinco minutos esperam qualquer oportunidade para defender uma causa utópica.

Acabar com o carnaval, vejam que absurdo.
Fico pensando que tipo de pessoa é contra o carnaval e chego à conclusão que isso é ser "do contra" demais.
Querer acabar com o carnaval é como querer acabar com o chá das cinco dos ingleses, é o mesmo que pedir aos americanos que deixem de comemorar o 4 de julho, ou acabar com o futebol.

O brasileiro não gosta de resolver problemas, pensar em soluções exige dedicação e tempo e esse último tem sido cada vez mais escasso. Tão escasso que a rebeldia só dura cinco minutos, depois pensamos em coisas mais importantes.
Quem pede o fim do carnaval é o mesmo que diz que a solução para acabar com a fome no mundo é a morte. Cortem as cabeças, morto não come. Alguns ainda defendem a proibição do regime, mas esses são os gordos.
Soluções rápidas para um mundo instantâneo onde o tempo é cada vez mais escasso.

Alguns rebeldes de cinco minutos mais exaltados ainda vão dizer que para acabar com as enchentes é preciso cortar a cabeça de São Pedro e parar com as chuvas.

Mas vou confessar uma coisa, fiquei com um fio de inveja do rapaz que pulou a cerca e resolveu seu problema de forma tão natural. Eu sou um dramático incurável, daqueles que vê tragédia em gaveta de cueca e sofre antecipado quando me restam apenas duas peças. Duas peças? Meu Deus, e agora?

Quanta facilidade de solucionar um problema. Rasgou, rasgou e guardou no sexo. No sexo. Não é qualquer coisa que guardamos no sexo, digo que foi um "rasgar" passional. Um “rasgar” de novela mexicana. Está rasgado e pronto.

Que lição que nos deu esse homem.
Ele poderia guardar a raiva e reclamar seus direitos no Facebook depois, como fazem os rebeldes de cinco minutos, porém preferiu resolver o problema. É bem verdade que não resolveu nada, mas valeu o esforço.


Bento.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O BRASIL É O PAÍS DA INCOERÊNCIA

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Eu cresci ouvindo que o Brasil era o país do futuro. As revistas especializadas em economia futurista concordam. Os BRICs estão aí para comprovar isso.

Um europeu meio desinformado vai dizer que o Brasil é o país do futebol. Porém o Barcelona e Messi começam a contestar isso.

Um gringo folião no ápice do efeito etílico da caipirinha afirmará que aqui é o país do carnaval.

Cubanos, haitianos, coreanos, chineses e presos políticos italianos dirão que o Brasil é o país das oportunidades. Sempre tão acolhedor.

O desavisado que ligar a TV ou ler o jornal vai achar que aqui é o país da corrupção.

O PT, o PMDB e os ministros de diferentes partidos vão esbravejar gritando para quem quiser ouvir que o Brasil é o país da injustiça. Afinal, todos eles são acusados gratuitamente, caluniados pela “grande mídia” só por esconderem alguns milhões ali, desviar outros milhões aqui e deixar de declarar meia dúzia de empresas acolá. Quem não faz isso hoje em dia gente? É a coisa mais normal do mundo. Quanta injustiça.

Aos pastores evangélicos donos de mansões, carros de luxo, proprietários de emissoras de televisão e pequenas fortunas no exterior, o Brasil é um país abençoado. "Glória a Deus". Deus é brasileiro. Viva!

E se pararmos para pensar que o brasileiro, antes tido como povo alegre e feliz, hoje prefere rir das piadas no tribunal, podemos dizer que o Brasil é um país sério. Ou um país do mau humor, da falta de senso de humor. Na verdade é o país do mal comido.

Se me perguntassem o que eu acho diria que o Brasil é o país da incoerência. Pois só no Brasil que o funk é carioca, o forró é eletrônico e o sertanejo que há séculos, de sertanejo não tem nada, hoje é universitário e faz intercâmbio na Europa. Vide Michel Teló.

Só neste país tropical é que as crianças vão para a escola aprender a falar errado. Que é para manter viva a cultura.

E é só aqui que o melhor presidente da história, economicamente falando, fora um cara sem o segundo grau completo.

Tudo isso é tão trágico que chega ser cômico e apesar de sermos todos mal comidos, este ainda é o país dos palhaços.


Bento.

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