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quarta-feira, 31 de julho de 2013

QUEM NÃO RECONHECE UMA JANELA NÃO PODE RECLAMAR DO CHEIRO DE MOFO POR FALTA DE SOL

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Ainda bem que passamos anos em aulas de escrita, pois se tivéssemos que falar sobre o engenho de janelas estaríamos fadados ao ostracismo. Eu pouco sei, você se mostra saber menos ainda.

Isso foi um devaneio qualquer que teimava em latejar em minha cabeça enquanto esvaziava algumas latas de cervejas que sobrara na geladeira da festa privada que houve em meu quarto na noite anterior.

Por falar nisso, lembrei que uma vez fiquei trancado para fora, tinha perdido as chaves em algum lugar que sentei-me para beber. Nos raros momentos que não trago o bar para meu lar eu vou até Maomé como a montanha fez. Só para variar. Foi neste caso que percebi um grande problema em meu quarto. Não tem janelas. Tenho três vitrôs e nenhuma janela. Ninguém pula um vitrô. Essa é a diferença entre janelas e vitrôs. Vitrôs são como ilusões de liberdade, por eles você vê o mundo do lado de fora, mas jamais poderá desfrutá-lo através deles.

Uma janela sim. Você abre, pula, como criança fazendo arte e toma o mundo para si. Já um vitrô é como ir à praia de sapatos. Você vê a areia e o mar, mas não pode tocá-los. Entende a diferença?


E tudo bem também se está satisfeita com os diálogos quinzenais, bom, eu não. Mas se tem medo de perder o cargo de musa, fique tranquila, isso é vitalício.


Bento. 

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quinta-feira, 16 de junho de 2011

ME VÊ MEIO QUILO, POR FAVOR.

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Como podemos gostar de amar? Querer amar? Por quê?

Lutar com gana por uma coisa da qual não temos controle algum, pedir aos santos uma coisa que no fim nos fará sofrer de uma forma ou de outra tão certo como a morte.
Como podemos cobrar de outra pessoa a demonstração de algo que nos aprisiona, nos cega, que faz de nós tontos bajuladores sem nenhum senso do ridículo?

Quem pode jurar uma coisa que nos torna inimigos de nós mesmos colocando nossa própria vida abaixo de uma outra?

Por que é isso que o amor faz, chega sem ser chamado, faz você esquecer de todos os seus planos e ideais, te torna incapaz de se raciocinar, te faz sorrir quando ele quer, te faz chorar quando você não quer.
Ignora seus pedidos para que vá embora, algo que pode despedaçar-se e fazer o mesmo com você. E pode renascer quando bem entende, sem nem sequer ter a consideração de juntar nossos cacos.

Entra na sua casa, abre a geladeira, bebe suas cervejas, fuma seu cigarro, toma pra si o controle remoto e vai embora sem se despedir.

Quem é tão louco a ponto de querer amar?

Muito prazer.

Bento.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

MÓVEIS USADOS

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Outro dia me perguntaram se eu era feliz.
A minha resposta, por motivos que não sei ou talvez não almeje explicar eu não direi aqui.
Nós nascemos, vivemos e morremos e, nascer e morrer é a parte mais fácil.
O que eu não entendo é, porque somos obrigados a sermos felizes?
Onde é que está escrito que seremos felizes?

Alguém em algum lugar garantiu isso como é prometido um bom desempenho do seu computador novo, ou a economia de energia da sua geladeira nova?
A vida não tem manual de instruções assim como também não tem garantia.
Você não poderá reclamar com o fornecedor ou fabricante por que nada lhe é prometido. Então porquê essa obrigação? Porque temos que ser felizes? Os aparelhos de TV deixam de existir quando o controle remoto quebra? Um armário deixa de ser armário quando aparenta defeito em uma gaveta? 

Quando nascemos temos cinquenta por cento de chances de sermos felizes ou não, os cinquenta por cento que não são param de funcionar ou são colocados à venda e substituídos por outros mais novos e de tecnologia superior?

Tudo bem, eu posso concordar que surge um pingo de inveja quando os móveis usados passam em frente às vitrines e veem as últimas novidades em felicidade dos outros cinquenta por cento de móveis sendo disputados por uma odisseia de compradores e seus carnês de doze ou vinte e quatro vezes sem entrada, sendo anunciados por vendedores vestidos de Silvio Santos com microfones em mãos a contar as vantagens dos móveis felizes que acabaram de sair do forno.
Porém, ainda acredito que há espaço para aquela poltrona velha, com um calço em um dos pés e forro rasgado em algum canto de qualquer casa.


Bento.

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