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sábado, 2 de maio de 2015

EMBRIAGAR-NOS - O EVANGELHO SEGUNDO BENTO

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3:1 - A vida é realmente uma grande bola de merda que roda e roda e espalha todo tipo de germes por aí. Não se pode achar que vai passar por aqui sem sujar as mãos. Não quando esse amontoado de anos que formam sua passagem depende da ação de outras pessoas.

3:2 - A coisa é mais ou menos assim; você vem ao mundo grudado a alguém e passará o resto da vida tentando entrar em um monte de outras pessoas e permanecer o máximo de tempo possível lá dentro. Só que nem sempre é simples. Não é como um boteco barato que você entra, pede uma dose de algo que o seu bolso pode pagar e sai sem fazer perguntas. É mais que isso.

3:3 - O mundo a sua volta corresponde a cada ação sua. E por vezes responde mesmo sem qualquer ação e você tem que estar pronto para tomar a decisão correta em cada situação, só que você geralmente não está. E instantes depois de cada ação você pensa em infinitas alternativas que poderia ter colocado em prática, só que você não escolheu nenhuma delas. Escolheu exatamente aquela que vai te fazer arrepender-se por não ter parado, pensado, respirado e aí sim, tudo seria maravilhosamente interessante. Mas a vida é uma grande bola de bosta. Não se esqueça disso.

3:4 - Qualquer música no rádio, ou no carro com meia dúzia de imbecis que passa por você na rua com o volume ao máximo, suficiente para fazer as janelas tremerem podem te trazer lembranças ou pensamentos insanos. E mesmo esses idiotas parecem tão mais felizes que você e estão, enquanto volta do trabalho cansado, o saco transpirando na calça usada há três dias seguidos, e duas ou três latas de cerveja na mão que confiamos amenizar um pouco toda essa mediocridade, todos parecem mais felizes enquanto você lê o jornal de manhã e pensa; por que eu ainda não me mudei para algum pais do leste europeu e abri um bar? Qualquer coisa pode ser melhor que essa merda toda. Mas você é um covarde que economiza na marca de pasta de dente para poder pagar a internet. Eu sei, pois também sou um desses que economiza na pizza para poder comprar um whisky com maior qualidade que aquele que se vende em bares com baldes cheios de energéticos. Pois eu, assim como você, necessito de ter um pouco de sabor e qualidade nesta vida de merda que nos priva de tanta coisa.

3:5 - Passamos disso para refletir sobre tudo que está em volta. E não pense que devido aos meus óculos escuros escondendo minha ressaca e o meu livro comprado em sebo fazem de mim uma pessoa desatenta. Eu reparo em tudo e nada me encanta. Digo, quase nada me faz manter o olhar mais que alguns milésimos de segundos,  minha mente automaticamente simula todo o contexto, toda a trajetória de infinitos relacionamentos e descarta qualquer ação que justifique largar o meu livro e sorrir para alguém.

3:6 - Não há escapatória, tudo vai acabar mal para ambos os lados e normalmente quem ganha é o mais idiota que não consegue sentir as coisas tão profundamente quanto uma facada numa briga de bar qualquer. Repare que os idiotas são sempre mais felizes. Não guardam mágoas, porque não guardam nada.

3:7 - Você pode ser um escritor, um pensador, um músico, ou tudo isso e achar tudo uma merda. E digo; provável que achará tudo uma merda. Já o idiota vai achar tudo magnífico, afinal qualquer merda pro idiota é sensacional.

3:8 - Não passaremos por essa vida sem algumas dúzias de pecados e caso faça digo com toda certeza que cometeu um dos maiores erros de sua vida. Afinal, para este evangelho, pecado é só uma coisa que implantaram na sua mente para que tenha peso em sua consciência quando estiver se divertindo. Para que pense no pobre quando estiver tomando uma cerveja de R$150, ou para que pense no virgem quando estiver com duas garotas te chupando. Isso é o pecado e nada mais que isso, um amontoado de leis que te deixa sem jeito quando tem motivos suficientes para sorrir e contar aos amigos. Para que mantenham as rédeas em seus corpos fazendo o que bem entendem.

3:9 - Não haverá salvação para aqueles que se deixarem levar por religiões e mandamentos arcaicos com a intenção de controlar. Não há salvação, porque a vida é curtíssima para perdermos tempo com isso.

3:10 - A cada trepada que deixa para trás por motivos alheios é um momento de intensa e singular felicidade que joga fora pelo simples fato de alguém lhe dizer que está errado.

3:11 - Se é verdade que Deus criou o mundo e que sacrificou seu filho para nos salvar que no mínimo você viva sua vida com imensa intensidade para fazer jus de sua morte. Embriagar-nos com felicidade é o mínimo de agradecimento que podemos oferecer.



Bento.

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segunda-feira, 30 de março de 2015

A MORTE - O EVANGELHO SEGUNDO BENTO

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1:1 - Todos sabemos que vamos morrer em algum momento. Se você não se dá conta disso é bom reconhecer o mais rápido possível que você é um imbecil. Pois ser imbecil não é pecado desde que em algum momento você assuma isso.
Quando se é um imbecil e acha que está muito bem com isso você começa de perpetuar tamanha imbecilidade e nada pode te salvar.


1:2 - Então se todos vamos morrer e acredita-se que algo ou alguém nos colocou neste mundo de merda pra alguma coisa MAIOR,  aconselha-se viver até seu último suspiro exatamente como você quiser. Isso mesmo. Faça todas as coisas que vir à sua cabeça e mande se foder todos os outros que se mostrarem contrário a isso. Com exceção, claro, se você estiver invadindo o direito do próximo de também exercer este direito ou se você for um imbecil. Esta é a única regra. Proteja essa regra como sua vida. Nunca, nunca mesmo, por mais prazeroso que seja, tire o direito do próximo de viver segundo estas palavras, afinal, somos todos merda do mesmo intestino, logo teremos de ter os mesmos direitos. O que não prevê nenhuma proibição de chamar de idiota aquele que prefere levar a vida até sua morte de forma que você não concorde. Todos temos direito a opiniões, mesmo o idiota, pois para tudo existem os prós e os contras, conviva com isso.


1:3 - Dentro deste argumento você pode apertar o botão do foda-se e largar sua família, amigos e emprego, porém saiba que não é o único a odiar trabalhar e também por isso não tente usurpar de outros os benefícios que o trabalho deles lhes traz, pois por melhor que seja sua vida, não se pode ter tudo. Trabalho gera dinheiro que gera conforto dentre outras coisas, não queira ter conforto sem trabalho, com isso estará inevitavelmente quebrando a única regra aqui apresentada. Qualquer coisa que lhe for dada de livre e espontânea vontade deve ser aceita sem maiores preocupações.


1:4 - Sei que vou parecer repetitivo, mas para alguns vermes é preciso repetir até que a informação fixe em suas mentes de ameba. Todos temos direitos e deveres e é dever de todos zelar pela única regra que existe neste evangelho. Não matarás quem não queira ser morto. Não usarás quem não queira ser usado. Não comerás quem não queira ser comido. Não fará sexo com quem não queira fazer sexo com você. Parece simples para algumas pessoas, porém para outras é um tanto quanto difícil conter certos anseios. Mas digo-lhes, se fosse fácil não seria uma regra.


1:5 - Ainda dentro desta regra de não se perpetuar sobre a vontade do próximo, digo que segundo a lei da física dois corpos não podem habitar o mesmo espaço. Com isso entenda-se que não é apropriado invadir o espaço do próximo sem o prévio consentimento deste. E mesmo aquelas situações que você acredita piamente que o outro dê sinais de que quer ter seu espaço invadido, é melhor ter certeza. Ou queimarás no fundo do inferno da mediocridade. E todo este evangelho se baseará nisto. Em você ser a escória do mundo ou ser um sujeito que colherá os frutos de seguir estas palavras. Isso é mais que algumas normas de etiqueta e menos que um livro religioso imbecil. Sequer é um manual, mas sim algo para reflexão. Não se pode conviver entre seres iguais se não igualar-se a eles. E é pensando nisso que eu digo que as pessoas à sua volta podem não gostar de seus assuntos de bosta, ou das suas músicas de merda. Logo, o som que você emite também pode romper a barreira do espaço do próximo que falamos acima. Isso também faz parte da física e não precisa ser nenhum gênio para entender isso. Agora, se você for um imbecil...



1:6 - Caso você seja um imbecil, o único caminho para a salvação é seguir estas regras. Aceite que morrerás e que você pode passar por essa breve vida sem construir nada de interessante e definitivo, mas que você pode se esforçar para isso. Foque na eternidade. Em algo que as pessoas vão lembrar mesmo após sua inevitável partida. E ninguém se lembra de idiotas, ou pelo menos não querem lembrar. Por isso não tenha medo da morte e sim da vida. Ela pode lhe causar maiores e males e tão definitivos quanto uma possível vida eterna. Morrer é o fim, já viver é um ato contínuo de fazer as coisas de forma que você sinta-se feliz no final. Sem arrependimentos, contudo, caso os tenha, que se foda, ninguém é perfeito.


Bento.

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sábado, 8 de novembro de 2014

NÃO EXISTE PROBLEMA NO MUNDO QUE NÃO PAREÇA INSIGNIFICANTE QUANDO SE ESTÁ SENDO CHUPADO DECENTEMENTE

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Somos todos estranhos mordedores de nada. Somos um monte de bosta sem saber pra onde ir. Digo que a única coisa da qual tenho conhecimento é meu gosto e disso eu entendo super bem. Por mais bêbado que se possa estar sempre sobra uma fagulha de consciência. Você está lá, em algum lugar dentro da sua mente assistindo na primeira fila as merdas que você faz. Claro que "merda", no meu entendimento é um termo ambíguo. Pode ser bom ou ruim dependendo da ótica.

Estamos num calor de 400 graus e eu estava deitado nu com as costas no chão, levantando a cabeça somente para mamar a garrafa de cerveja. A garota estava deitada de bruços na cama alisando meus cabelos e brincando com minhas sobrancelhas enormes. Lucia era o nome dela.

- Não sei o que você tem, mas você tem... Sabe? Ela dizia.

Eu não fazia ideia do que ela falava, mas eu ainda tinha cabelos dela grudados em meu peito magricela e era difícil raciocinar com todo calor que anda fazendo.

- Eu acho que você esta empolgada só porque gozou, amor. Não tem nada demais. Eu respondi.

Ela pegou a garrafa da minha mão e bebeu um gole longo. Pedi que ela acendesse um cigarro e me ajudasse a fumar. Ela acendeu e colocou na minha boca para que eu pudesse tragar e depois ela também fumava.

- Não é só porque eu gozei. Claro! Também é porque eu gozei, mas nem era pra eu dar pra você. Você é o cara mais podre que eu conheço. Ela disse.

Pedi mais um trago no cigarro e seus dedos compridos e magros levava-o até meus lábios. Eu não vou negar que senti um tremendo orgulho subindo pelo meu peito. Eu sempre disse que se é para ser melhor em alguma coisa então que isso lhe traga algo de bom. Ser o pior cara que ela conhecia deixava-a de cabelo em pé e com uma luz de alerta bem acesa. Ela transou comigo por uma inconsequência e já repetiu tal equívoco meia dúzia de vezes. O que ela queria saber é porque não conseguia sentir o mesmo tesão pelos cuzões que levavam ela a motéis caros em seus carros emprestados dos pais e correntes de prata no pescoço que poderiam me fazer tombar para frente. Ela não sabe a resposta até hoje, eu também não sei, mas suspeito que tudo é uma questão de estilo. Faça tudo com muito estilo, com originalidade, pode ser que não dê em nada, mas pode ser que você seja apontado na rua como O Cara. Nunca se sabe.

- Talvez você precise conhecer mais gente. Eu respondi a acusação dela com uma falsa modéstia

- Sem falsa modéstia, senhor Bento. Ela disse.

Eu sorri de olhos fechados e joguei o restante de cerveja da garrafa direto na boca. Um pouco escorreu pela minha barba e ela passou os dedos e chupou. Chupou como se chupasse algo maravilhosamente saboroso. Claro que isso foi o suficiente para que eu ficasse duro novamente e fossemos para debaixo do chuveiro transar mais uma vez.

Toda vez que ela vai embora sentencia que não voltará mais. Eu sinto receio de que um dia ela cumpra a promessa, no entanto não demonstro. Finjo que não ligo, que não acredito e ela parece não acreditar, tomando minha atitude como um desafio. Eu não quero que ela pare de vir, porém não consigo juntar forças para dizer que quero que volte sempre. Toda a minha força foi gasta com alguém que nunca voltou, logo, tenho por mim que quem quer fica, quem não quer parte sem retorno e isso independe de qualquer coisa que fazemos. As pessoas simplesmente fazem o que elas querem, sem se importarem com qualquer outro que não eles mesmos. Não podemos assumir responsabilidades por coisas que não são de nossa alçada, que não podemos controlar. Uma transa é só uma transa até que os dois resolvam dar mais significado a ela.

De qualquer forma, numa outra situação lá estava eu com outra garota. Esta não era tão magra quanto Lucia, nem tão bela, mas conseguia me fazer gozar com uma habilidade que só ela possuía.
Num dia desses lá estávamos bebendo cerveja até que ela decidiu me chupar.
Chamava-se Priscila e chupava como se sua vida dependesse disso. Um talento pouco visto em todos esses anos de bebedeiras e situações imprevisíveis que já tive. Eu sempre valorizei uma garota que chupe e pareça gostar de fazê-lo. Mas para não me afastar muito do assunto. Eu ganhava uma boa chupada e fumava meu cigarro intercalando com goles de cerveja. Para você que está lendo isso lhe garanto. Não existe problema no mundo que não pareça insignificante quando se está sendo chupado enquanto dá uns traguinhos. Tudo no mundo torna-se mesquinho e sem importância. Eu penso que os programas sociais do governo deveriam substituir as bolsas quase-nada e casas populares por belos e deliciosos boquetes. Todos seriam mais felizes. Você pode aguentar morar de aluguel, o que não se pode passar sem é um boquete bem babado.
Cheguei a pensar nos outros caras, quantos deles passaram ou passarão a vida inteira sem uma chupada sensacional? Ou pelo menos sem viver um momento como eu estava tendo a oportunidade de ter. Ela chupando e eu fumando. Quantos contadores, auxiliares administrativos, bancários, vendedores, garis, formarão famílias, farão tratamento de canal, morrerão de câncer sem serem chupados decentemente, ou terão o privilégio de serem chupados por duas garotas ao mesmo tempo? Olhar para baixo e ver duas cabeças brigando para abocanhar seus pintos. Esses caras podem até dizerem que a vida não é só isso, mas garanto a vocês que todos, sem exceção, lamentarão em seu leito de morte os boquetes de suas respectivas esposas. Digo isso, pois boa parte das mulheres chupam com um sacrifício na alma. Algumas mulheres usam o boquete como moeda de troca e só não conseguem mais porque não fazem decentemente. E eu me vi como um cara de sorte. O Destino tem lá suas crises comigo, mas de tempos em tempos me faz um agrado.

Mesmo assim, ainda existem aqueles caras que se contentam apenas com as calcinhas de suas esposas penduradas na lavanderia de seus apartamentos minúsculos com o fundo da peça amarelado virado para o vitrô da cozinha. E a cada garfada no purê de batata ele sente o gosto do que ele imagina ser o mesmo gosto do corrimento no fundo da calcinha. Tudo isso é só imaginação, claro.
Ainda existem os homens que preferem as garotas que deixam seus absorventes usados fora do lixo do banheiro ou que justamente no dia que vai deixar o sutiã a mostra elas escolhem o mais velho e encardido. Preferem a vida de dormir assistindo a novela e ir ao hipermercado aos domingos. Assim como existem mulheres que preferem os homens que tentam se parecer com o Gustavo Lima com tatuagens de arame farpado e cabelos lamentáveis. Ou os barrigudos que passam a vida mostrando o rego acima do cinto. Que levam as chaves penduradas no bolso da calça. Que usam cuecas vermelhas, amarelas e afins. Homens de sapatenis. Homens que vão até a venda de samba-canção. Aos meus olhos são todos estranhamente doentes, bem como eu deva ser insanamente incomum para alguns. Somos todos estranhos. De uma mediocridade tamanha.


Bento.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O QUE É UM AUTOR SEM UMA BOA MUSA? (ETERNA NOITE DE SÁBADO)

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Eis que finalmente, depois de tanto tempo me prostrei diante do teclado, numa preguiça de urso, e parei para escrever. Tamanha preguiça que trouxe comigo a garrafa do bar e deixei ao meu lado, tudo ao alcance das mãos: whisky, copo e cigarros. Devem estar se perguntando: mas e o isqueiro? Claro que esqueci o isqueiro e tive que levantar-me para pegá-lo. Isqueiro, quando não esqueço eu perco e demoro até acha-lo, por isso eu tenho muitos. Deixo-os espalhados pelo quarto para dar corda a minha preguiça, assim como faço com cinzeiros, tenho bem uma meia dúzia deles em pontos estratégicos para que nunca falte num momento de necessidade. Raramente os limpo, se querem saber. Não limpo por preguiça, mas também pelo sentimentalismo. Sempre fui sentimental a ponto de guardar a mistura ao lado do prato para comer por último. O melhor para o final. Tão sentimental que, quando criança, tomava Yakult pelo fundo do pote que era para durar mais. Mantinha o lacre intacto, mordia o fundo, um minúsculo furo no fundo e o minimalista Yakult durava vários minutos até acabar. Lembro uma vez que bebi metade do pote e guardei metade para mais tarde. Logo, sinto sempre que esvazio um cinzeiro. Cada bituca é uma lembrança. Tenho um cinzeiro em casa que guarda bitucas de anos atrás. Um cinzeiro especial, dado por uma pessoa que não me dará nada mais que ausência, então, tão sentimental que sou, guardo.

Mas queria dizer que depois de tanto tempo parei para escrever. Ufa. Fazia tempo que não desligava a TV, preparava um drink e escrevia. Não escrevia e não era só por falta de tempo, também era falta de tempo, cansaço, mas também porque não conseguia escrever. Curioso é que até pouco tempo atrás eu estava me passando a perna, me enganando, dizendo a mim mesmo que estava tudo como sempre esteve, até começarem a me dizer que eu estava repetitivo. Até aí tudo bem, todos temos nossas fixações e obsessões. Mas foi quando me chamaram de "sereno" que eu me dei conta: estava perdendo o jeito. Por isso tive que desmarcar compromissos, fechar contas em bares, negar convites para festas, sexo, shows e me trancar para escrever. Nisso escrevi dois contos e matei uma garrafa. Fora uma noite proveitosa, à de convir.

No entanto, escrever já foi mais fácil. Antigamente escrevia em qualquer lugar, qualquer paisagem. Prostrava-me em frente ao teclado e as palavras encavalavam em minha mente. Hoje em dia é menos. Passei uma semana suando sangue para terminar um texto que sequer deveria ser visto por outras pessoas, mas em época de seca qualquer mulher vira Miss, com textos não deverá ser diferente. Alguém, não me lembro quem, talvez não seja digno de nota, me disse: - Você está fraco de musa. E ainda completou - o que é um autor sem uma boa musa?
Peguei-me pensando em tal premonição. Não consigo me lembrar quem me disse isso, mas fiquei mastigando a frase: o que é um autor sem uma boa musa?
Eu tenho no álcool uma musa interminável, sem o álcool eu seria um pé no saco. Porém, ninguém pode passar a vida escrevendo sobre uma coisa só. Um bom autor tem que falar mais, sobre mais coisas, caso contrário será um chato e nós já estamos muito bem servidos de autores chatos por aí. O dia que só me restar uma coisa para falar começo escrever livros espíritas, ou autoajuda.

Continuo sem adoecer. Não pensem que estou torcendo para pegar uma gripe ou um ataque da gastrite, porém como eu disse antes é bom sentir alguma coisa para lembrar-me que estou vivo. Não adoeci mas senti algo voltando para casa, assim, sem mais nem menos. Sentado no trem, lia Bukowski e ouvia AC/DC ao mesmo tempo. Isolado lembrei que tinha marcado hora no tatuador e o salário estava na conta, tudo parecia em seu devido lugar. Ali, naquele momento, aqueles cinco ou seis segundos eu senti algo, quase que parecido com felicidade, não sei, não posso garantir, mas bem que parecia. Depois passou. Assim como veio, passou. Recebi um telefonema logo depois e era uma garota que conheci e saímos durante um tempo. Ela talvez quisesse buscar um par de brincos ou qualquer outra coisa que ela dizia ter esquecido por lá. Tudo truque, verifiquei todos os cantos de casa da outra vez que ela ligou perguntando da medalhinha que ganhara da sua mãe. Ela queria me fazer uma visita e eu não estou pronto para ela. Eu não sou páreo para ela. Eu sou excêntrico demais e ela, normal demais. No entanto eu já sei onde isso iria parar e como iria acabar. Já conheço essa história porque ela é minha história. Passamos juntos uma noite de sábado, bebendo, fumando, transando e ela me ouvindo profetizar sobre o apocalipse social e achou que na segunda-feira eu voltaria ao normal. Pensou que eu vestiria um terno azul, pentearia meu cabelo para o lado e a levaria para jantar. Pensou que eu conheceria seus pais e eles me achariam um cara decente e que eu os acharia boas pessoas. E que almoçaríamos juntos aos domingos e eu não falaria palavrão nem beberia na frente dos velhos. Ela achou que seus parentes não ligariam para minhas tatuagens pornográficas e que eu iria à igreja aos domingos. Ela pensou que eu acharia graça dos seus amigos de infância imbecis e suas piadas medíocres. Ela achou mesmo que na segunda-feira eu voltaria ao normal depois de passarmos mais uma noite de sábado bebendo, transando, fumando e profetizando sobre o apocalipse social. O que ela não sabia é que eu sou uma eterna noite de sábado, que apesar de uma vez ter sido chamado de domingo, eu sou uma eterna noite de sábado e assim como ninguém quer viver para sempre num domingo, ninguém quer uma interminável noite de sábado.



Bento.

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quinta-feira, 6 de março de 2014

A SOLIDÃO É COMO AQUELA CALÇA JEANS FAVORITA

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Idiotas costumam denegrir os solitários, mas desfazer de uma boa e límpida solidão é burrice.  Os maiores gênios de nossa historia eram solitários convictos, singulares em todos os aspectos, homens que dialogavam consigo mesmo e isso prova que você é o melhor amigo que se pode ter. Só você. Mas tudo isso soa como um clichê imenso, o que eu quero dizer é que a maioria das pessoas, quase que em sua totalidade, não merecem sua companhia. Sim, eu estou dizendo que a maior parcela da sociedade sequer merece a bosta que cagamos, tamanha mediocridade, no entanto, isso é chover no molhado, pois de tão medíocres não se dão conta do que estão perdendo.

Isso é mais ou menos como o ser inútil que permanece próximo só que não ouve. Saber ouvir é bem importante, apesar de contraditório. Contraditório sim, com tanta ignorância desses invertebrados disfarçados de homens, mulheres, pais de família, ouvir é o caminho mais curto para a alienação. Saber ouvir e não ter senso crítico é o mesmo que estar numa guerra armado até os dentes, mas com seu arsenal apontado para o próprio peito. E nós estamos numa puta de uma guerra e estamos perdendo, cara. Olhe para o lado e me diga o que vê. Longe de mim querer ser o mensageiro de más notícias, nem quero que me confundam com algum profeta apocalíptico, mas este país vai de mal à pior. É o fim dos tempos e em algum momento seremos dominados pelos idiotas, como zumbis apontando seus dedos julgadores e fétidos para os que não se adaptarem aos idiotas. Um colapso nos aguarda. Nunca nossa política foi tão corrupta aos nossos olhos sem que ninguém se manifeste, nunca a indústria foi tão mesquinha e débil, a TV está dominada por pastores e ignorantes. As ruas já foram tomadas há tempos por bandidos e polícias corruptos e medrosos. Sem falar nos jovens dementes reboladores e sem cérebros. Se você consegue me compreender vai concordar comigo, porque acredite, a maioria não tem a mínima ideia do que eu estou falando, também pudera, sequer sabem o que estão fazendo.

Mas quero voltar a falar de solidão, que nestes tempos de guerra não é de toda uma má ideia. Só que eu também não sou o antissocial que alguns pensam, eu me misturo como todos os outros, é claro que com um pessoal seleto e mesmo assim, depois de algum tempo me misturando preciso me desintoxicar, preciso conversar comigo mesmo e a sós. Alguns imbecis confundem isto com carência, porém, se existe uma coisa neste mundo que não se deve levar a sério, esta coisa é o imbecil. A solidão é como aquela sua velha calça jeans favorita, que de tempos em tempos você tira do guarda-roupa para se sentir melhor. Existem algumas garotas que me lembram exatamente esse jeans velho. Mesmo com o passar dos anos elas continuam ali, conhecem seu corpo como ninguém, ajustam-se a ele como ninguém mais faz. Sabem o que você está pensando só de olhar. E por vezes você gostaria de tirar certas garotas do fundo do baú sem ressentimentos. A última coisa que se pensa, neste momento, são os acasos que os fizeram afastar-se, neste momento a garota vira uma santa e por alguns segundos você passa a se culpar. Mas é só um jeans rasgado entre tantas lojas oferecendo uma porção deles por preços baixíssimos e o melhor, jeans novos não vem com ressentimentos. Seria tudo muito simples caso nós não gostássemos de dificultar as coisas. Sim, temos o péssimo hábito de sentir falta das coisas que não possuímos mais, isso nos torna menos racionais, como se já fossemos muito. Então existem algumas garotas que nos causam isso e antes que me perguntam eu respondo; garotas também adoram jeans velhos. Eu mesmo sou um jeans velho de algumas, não há mal nisso e não é depreciação nenhuma assumir isso, afinal, jeans velho nunca sai de moda. Eu tive um amigo - e digo que tive, pois nos afastamos - que vou chamar de Fausto. Fausto tinha uma síndrome do jeans velho tão agressiva que chorava ao se masturbar pensando em suas antigas transas. Não era amor, nem saudade, nem arrependimento que magoavam Fausto, eram seus malditos jeans que ele procurava como um maluco dentro de seu guarda-roupa e não achava, às vezes, quando achava o jeans já não lhe servia mais e isso tornava seu momento de solidão um inferno.

Você pode se perguntar do porque alguns solitários se prendem ao passado ao invés de seguir com suas vidas em direção ao futuro e eu digo que é uma resposta simples; o passado é sempre mais real e palpável. Dizem que não se pode mudar o passado e eu digo que podemos sim. Podemos torná-lo mais tragável, podemos mudar os culpados pelas tragédias de tempos atrás colocando a culpa nos outros ou em nós mesmos, fazemos isso o tempo todo. Toda vez que se olha para o passado ele mudou um pouco, pois é o que somos, um bando de moldadores de passados solitários. Por isso é tão mais difícil olhar para o futuro, pois este nós não controlamos nada, tudo pode acontecer, para o bem ou para o mal e o fato de não saber e não ter poder sobre ele nos afasta cada vez mais, fica mais fácil correr até uma costureira e mandar apertar um pouco a cintura daquele jeans velho.


Bento.

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sábado, 25 de janeiro de 2014

UM IMENSO POÇO DE ÁGUA COM AÇÚCAR SEM DISTINÇÃO

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Apesar de dizer que estou evitando bares e botecos, não quero que tenham a falsa impressão de que abandonei-os às traças, claro que não. Apenas evito como evitamos assaltos, porém, mesmo assim acaba acontecendo.

Então, por esses dias estava no bar com um amigo meu e falávamos sobre as mazelas da vida, a falta de dinheiro justamente por pagarmos contas altíssimas de bares e ele de puteiros. Falávamos sobre porres e mais porres e transas engraçadíssimas e outras nem tanto. Éramos ele, eu e os mendigos pedindo cigarros e doses de 51 para todos no bar.

Curioso é que bares não fazem parte da mesma dimensão que nós quando estamos trabalhando, por exemplo. Quando no bar tudo à sua volta passa mais devagar, exceto o tempo. O tempo é de uma pressa sem tamanho e ainda estávamos na terceira cerveja, ou na sexta, ou na décima segunda, não sei ao certo, só sei que já era hora de ir embora. Mas antes da partida, enquanto bebíamos e fumávamos com a certeza de que as coisas estão sempre em eterna mudança, num assunto de outrora, o amigo resolveu me elogiar já sabendo que eu não me pronunciaria, pois concordava com tudo.

Chamou-me de chato, arrogante, difícil e ainda se igualou às minhas características. Era hora de partir e na despedida eu me peguei pensando o quão transparente eu sou, mas não para todos. Algumas pessoas simplesmente não conseguem compreender exatamente o que minhas palavras querem dizer e eu não posso fazer nada por elas. O que eu posso fazer? Está lá, para quem quiser saber, guardei a libido do mistério para outras coisas. Onde eu quero chegar com isso é simples. A maioria dos homens você sequer consegue falar mal tamanha a falta de solides, de identidade, originalidade. Não se sabe quem defende, que histórias mantém, que time torce, nem nada. É um imenso poço de água com açúcar sem distinção. Não confundiremos isso com transparência, é só um vasilhame turvo e sem cor, sem ideal, sem ideal. Poucos deles sabem o verdadeiro significado de ideal, eles não se importam, é difícil se interessar por uma coisa que sequer sabe que existe e mesmo quando temos conhecimento de sua existência é complicado se preocupar.

Mas não pensem que é fácil ser transparente. Está longe de ser fácil andar por aí com um rótulo que cobre todo o seu corpo entregando-lhe toda sua sensatez, sua famigerada noção de certo e errado e de bom senso e preocupações peculiares. Complica quando se é tratado com certo receio como se fosse de outra espécie, um gringo em seu habitat natural. Mesmo nas mesas dos bares o idioma é outro, as conversas não batem e pessoas como nós podem falar sobre qualquer coisa, porém grande parte das coisas são chatas pra cacete. E ninguém quer alguém suficientemente inteligente para perceber quando está sendo enganada. Ninguém quer alguém suficientemente esperto para enganá-los, é muita ameaça para eles. Ninguém quer alguém inteligente suficiente para fazê-los se afogarem em suas contradições medíocres. Não é fácil quando damos choques em seus cérebros a ponto de fazê-los entrar em pane. Pensar não é um exercício costumeiro para eles. Já falei que somos ameaça?

É curiosos para esse tipo de gente se deparar com alguém que consegue pensar por conta própria, que não precisa repetir incansavelmente bordões destros ou canhotos, que não precisam virar papagaios de pirata para se sentir intelectualizado. Fazemos parte de uma prole em extinção de pensadores independentes de chavões e modismos dos peidorreiros nas tangas.

É complicado apresentar para família ou amigos um indivíduo que não vende a alma ao preço da socialização. Que tem o bom-mocismo como uma canalhice sem precedente e utopia que só serve de credo para imbecis. E é por isso que não os julgo, nem os indefesos cuzões sem solides e nem mesmo os que se alimentam da imbecilidade alheia.



Bento.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

AHHH O SUICÍDIO COLETIVO

Outro dia eu disse que sou a favor do suicídio coletivo como cura para a mediocridade do mundo. Principalmente para os feios. Mas claro que não generalizo. Existem feios com grande valor para o mundo. Falo dos feios e medíocres, dos feios ignorantes. Quem sentirá falta deles? Outros feios talvez, por isso o suicídio coletivo. É, modéstia à parte, uma ideia genial.

Digo isso porque sou um fútil e beleza conta sim. Vinicius de Moraes concordaria comigo. O mundo concordaria comigo, caso não fossem hipócritas e falsos moralistas enganadores sabe Deus de quem, por quem e com qual intuito.

Os falsos moralistas; são deles que sinto mais pena. São religiosos, pais de família, políticos, chefes, cretinos mesmo. Está cheio de pedófilos por aí criticando a juventude minissaia e a juventude "Funk quadradinho de 8". Isso para não falar dos "pastores" estelionatários homofóbicos. Vai entender. Sou sempre o primeiro a dizer que não gosto de Funk, só que meus motivos são musicais e ponto.

Eu sequer perco o meu tempo me fazendo de rogado e não me esforço para agradar imprestáveis. Não somos iguais, nunca fomos e jamais seremos. Existem os de bom senso e os categoricamente medíocres e é a mediocridade que faz do mundo esse esgoto cheio de merda. Então, tratemos de diferenciá-los.

Tudo bem se você quer ser igual a todo mundo, eu no mínimo vou te achar chato, porém, mais chato ainda são aqueles que se esforçam para parecerem diferentes. Nunca funciona, ou você nasce um impiedoso praticante do: FODA-SE a opinião dos outros eu quero é gozar. Ou você será sempre o merda que se finge de underground.

Mas vamos falar do que importa, que é a beleza. Antes que me indaguem sobre eu ser portador ou não de beleza suficiente para manter-me caminhando pela terra já respondo sem rodeios: Sou sim, obrigado. E não, não sou convencido, mas também não sou hipócrita. Logo, vamos todos nos colocarmos no lugar do qual merecemos. Porém, sempre haverá o indignado. Ah, o indignado. Eu já tive dó do indignado, mas passou depressa, depois tive desprezo, pois o indignado é chato, é triste. Um indignado com argumentos já é um pé no saco por si só, imaginem o indignado sem argumentos. Hoje, por eles eu sinto tédio e é só o que eles merecem de mim. Então estes vão fazer longos discursos repletos de indignação, porém a beleza atrai até o mais insignificante dos seres.

Ninguém paga a mais por um apartamento com vista se não for por sua beleza. Ninguém fica rico fazendo carreira no mundo todo como modelo se não for de uma beleza extrema. Vamos parar de nos enganar e assumir que o mundo já faz essa divisão. Se você é belo, ótimo, caso contrário, bem, estude meu caro. Vai dizer que não é verdade? Eu só estou esclarecendo o que você já sabe.

Agora, se você ainda é contra meu argumento quero que reflita um pouco. Imagine-se num metrô lotado, com os trinta e poucos graus que andam fazendo aqui por São Paulo. Eu disse lotado? Coloca mais uns cinquenta indivíduos dentro do vagão que sempre cabe mais. E ainda é de manhã, você sequer chegou ao trabalho e se pudesse venderia um órgão para poder voltar para trás e ir ao parque com seus filhos ou parar no bar da esquina e pedir uma cerveja gelada, mas você não pode. Suas opções são metrô lotado ou ônibus entupido de gente e é só o que você tem. Responda-me com sinceridade: não seria bem melhor ficar apertado entre um monte de pessoas bonitas e bem arrumadas?

Alguém aí pode dizer que beleza nem é tão importante desde que sejam educados. Eu vou argumentar que mesmo a educação tem limites quando se está atrasado para o trabalho e você precisa entrar numa caixa metálica que não cabe nem mais um suspiro. Posso ainda dizer que todos nós somos mais tolerantes quando se trata da falta de educação de alguém bonito. Até nisso o feio sai perdendo.

O feio, por exemplo, tem de ter um bom senso afiadíssimo para se vestir, pois qualquer escorregão e ele fica marcado. Já o bonito quando erra dizem que ele é fashion. O fato de você não aceitar uma coisa não vai fazer com que ela pare de existir, então desista. A única coisa que pode passar à frente da beleza é o dinheiro, mas isso é assunto para outro dia e posso garantir que dinheiro traz muitas coisas belas para quem o tem. Agora vamos combinar que num mar de gente feia como o que vemos por aí, será preciso muitos suicídios coletivos para dar jeito em tudo. Comecemos pelo primeiro.


Bento.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

QUAIS SUAS INTENÇÕES COMIGO?

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Sei que pode ser um pouco tarde para lhe perguntar isso: mas quais as suas intenções comigo? Pareço agora um pai inquisitor do século passado, mas qual a sua intenção comigo, ou melhor, quais eram suas intenções comigo? Afinal, acredito que isso já virou passado. Para mim virou passado recente, para você nunca foi presente, sequer futuro.

Bem, adianto-lhe: minhas intenções com você sempre foram as piores possíveis. Desejei lamber-te dos dedões dos pés até as orelhas. Passando por suas costelas à mostra devido a magreza e chupar-te até desatar a esfera do piercing que tenho na língua com a ajuda de sua pélvis. Incessantemente, incansavelmente, prazerosamente. Abriria mão de minha ereção, apesar de ser inevitável, afinal, trazendo-lhe tanto prazer eu chegaria ao ápice da libido tão logo. Claro que como um gentleman que sou, só após você, primeiro as damas. No entanto, quais suas intenções comigo?

Desculpe-me o linguajar. Talvez não esteja acostumada com tanta sinceridade, pelo menos com uma verdade tão invasiva. Só que sou um homem que já não tenho nada mais a perder. Quais as suas intenções comigo?

Ora, ora. Não quero que pense que minhas intenções com você tratam-se somente de libido, todavia eu já expliquei-me tanto sobre todas as outras coisas que me tornei clichê e eu odeio clichês. Para não cometer tamanho pecado com minha literatura deixo de lado e falo somente sobre o que ainda não disse. Menos açúcar, mais limão e neste caso, me dou razão quando digo: o limão é sempre mais azedo quando está só.

Abro um parêntese agora para dizer que nossa atual relação de ação e reação através da escrita é o mais próximo da realidade do que qualquer diálogo que tivemos durante meses Só que sinto em dizer: Foi fraco, bem fraco. Fico imaginando sua vontade de dar uma resposta aos meus textos e penso que ainda falta muito. Precisa praticar mais. Eu já achava que você era melhor que isso, hoje não tenho tanta certeza. Na intenção de usar palavras fortes para despejar toda sua melindragem em forma de insultos no máximo faz lamentar-me, não pela tentativa de agressividade, mas pela mediocridade do insulto. Eu creio que merecia, pelo menos, um texto melhor. Não é opinião, é a verdade. Gosto assim.

Deixando todo o clichê de lado e destilando toda a minha amargura de solitário por todo o processo de enclausuramento que eu já citei antes assumo que de todas as suas opções eu sou talvez a pior. Talvez? Não, não. Sou a pior opção de todas as opções em toda a história. Enquanto você, que diz utilizar-se da razão está mais que certa. Mas qual a sua intenção comigo? Pois se for como amigo, esquece! Sou o pior amigo de todos os tempos. Um amigo horrível, tanto que eu mesmo desdenho de minha amizade.
Tenho amigos com filhos que sequer conheci. Tamanho meu insucesso em amizades que estes filhos atingirão a maioridade, entrarão na faculdade e sequer terão um rosto ou um timbre de voz para ligar a minha imagem. Logo, não cometerei a heresia de ser seu amigo. Jamais!

Pode me chamar de cuzão, covarde, caipira, bundão, calhorda. Crie insultos se quiser, tão criativa que tu és, estará sempre certa. Só não me peça o que eu não posso te dar. Como amante sou melhor, sempre fui.
Melhor que ser filho, irmão, amigo, empregado, fui amante. Não sempre, mas aprendi com os erros. Talvez devido aos traumas, me tornei um amante incrível e um ser humano péssimo. Sou desatento e escroto até comigo mesmo, mas me cobro para ser um amante venerável. Os fins justificam os meios.

Quais são suas intenções comigo?

Insulte-me, me bata, me maltrate, porém me ame. Eu até gosto de uns tapinhas de vez em quando. Uma vez ganhei um tapa no rosto em público tamanho a canalhice que fiz e me senti orgulhoso. Não por ter sido canalha, claro que não, mas por tamanho sentimento que aquele tapa significou. Ninguém estapeia outra pessoa por nada, sem motivo. Expurgue-me, porém me deseje.

Ou você pode continuar com sua autoflagelação e vitimismo fazendo de si o veneno do mundo. Entretanto confesso-lhe que este não é seu melhor personagem. Eu sei, porque já atuei na mesma peça, com o mesmo personagem e ele cai melhor em mim, mesmo assim abandonei-o, mesmo traindo minha vaidade. Fez um sucesso danado, só que neste caso, o fim não justifica os meios. Por muito tempo ele impregna na pele e é quase impossível largá-lo. Saia dessa antes que seja tarde. Caso contrário tornar-se-á uma poetisa ranzinza igual a mim e já temos tanto em comum não precisamos de mais. Prefiro perder-te para outro alguém do que para você mesma.



Bento.

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

VÉSPERA DE QUINZE DE AGOSTO AINDA ME INCOMODA

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Existe uma literalidade dentro de mim que não cabe ao autor julgar se tens qualidade ou não. Isso pode impressionar às vezes, pode causar estranheza em outras, até alcanço certos objetivos interessantíssimos por meio desta, só que não me apetece. Mas tenho de confessar, um dia houve a caretice cravada em meu peito que arranquei-a sem medo de sangrar. Não que eu me esforce para isso ou aquilo, as coisas simplesmente acontecem. Para alguns eu sou só um metido a poeta e o que escrevo não tem significado nenhum. O que eu posso dizer? Sou um poeta autossuficiente e deixei as amabilidades já faz algum tempo. É preciso lamber a sarjeta para sentir o sabor das minhas letras.

Eu passo muito tempo pensando nas anomalias características de minhas escolhas imprecisas e inconscientes, sem expectativas, sem lamentações no final, pois com o tempo você se acostuma sempre com o pior de todo mundo. Outro dia me disseram que meus textos, minhas histórias, são todas muito cheias de depressão, cabalísticas talvez. Eu digo que são só mais próximas da realidade, da realidade da maioria, afinal nem tudo começa com "era uma vez" e termina com "felizes para sempre" como todo mundo espera. Algumas pessoas passam a vida toda como se estivessem nus em plena Avenida Paulista e morrem com a solidão do sol, bom só quando longe, bem longe.

Por um bom tempo da minha vida eu vivi nos piores lugares da cidade, bebendo coisas da pior qualidade, pois nos meus bolsos tinham apenas cigarros amassados e algumas moedas para manter-me por fora da realidade por algumas horas. Muitos pensam que beber é como fugir, ou um ato de covardia e isso não é nem de longe verdade. Na verdade é de uma imbecilidade do tamanho do mundo, uma coisa que beira o ridículo e a ignorância. É preciso culhões para abrir as portas dos seus mais profundos sentimentos e consciência. É preciso coragem para querer descobrir a verdadeira personalidade que escondemos por debaixo da máscara e de nossos conceitos básicos de regras que escolhemos como base para forjar a imagem que desejamos que o mundo veja. Não é fácil abrir mão disso e não é fácil conhecer-se verdadeiramente, é bem possível que não gostemos do que vemos. É isso que o álcool faz com você, liberta-o das mentiras, da mediocridade de podar a insanidade aprisionada neste corpo.

Durante muito tempo eu via-me morando num porão úmido, com a companhia de lesmas, ratos e baratas. Traças e teias de aranhas faziam a decoração do lugar e havia textos e músicas espalhados por todas as paredes. Talvez tenha sido a minha pior fase, ou o final dela. É preciso estar no fundo de tudo, no cú do inferno astral, é preciso enfiar a cabeça na merda para buscar fôlego e sair dela depois.  Eu não estou dizendo que todos precisam conhecer o abismo da morte para continuar vivendo, algumas pessoas passarão pela vida sem sequer compreender o motivo de tudo ou de nada. Porém, não conheço nenhuma pessoa que valha a pena ser citada que não tenha passado por boas sucessões de insucessos. Depois disso, tudo muda e você não vai querer ser outra coisa. Quando sentimos algo à flor da pele, queremos que tudo seja assim e viciamos. Só que a maioria das coisas e pessoas são tão insignificantes que elas não nos bastam, queremos mais e mais. Viciados em sentir.

Bom, hoje eu me vejo em tempos bem melhores e não dou a mínima, pelo menos não dou o valor que eu dava há anos. Alguns hábitos nunca nos abandonam. A visão do submundo nunca nos deixa. Então quando ouço sobre fossos de lamentações entre outras coisas me soa como convite para um parque de diversões.

E depois de passar por escuridões e por algumas vinganças contra meu próprio ego, mesmo depois de tudo, as vésperas dos dias quinze de agosto ainda me incomodam, assim como um peito mofado me faz querer passear por ele.


Bento.

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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A DIFERENÇA ENTRE EU E VOCÊ É QUE EU PREFIRO JACK DANIEL'S

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Aqui estamos nós. Mais uma madrugada gelada de São Paulo, de um inverno tenebroso onde é claro, só o álcool para ajudar a diminuir os arrepios. Parei de escrever por sempre citar a mesma coisa. Estou com um "vício", um cacoete. Quando começo a teclar meus pensamentos sempre sai a mesma coisa sobre a mesma coisa e isso está me deixando com uma sensação de incapaz. Odeio isso. A incapacidade sempre bate um pouco mais forte em meu peito por parecer que eu tenha que provar muita coisa para um monte de gente. Não que eu tenha, mas seria uma questão de honra, por todos os bêbados do mundo. Quando você quer levar uma vida exatamente da forma que você quer você precisa mostrar para algumas pessoas que não é preciso ser um filho da puta ou um bunda mole cuzão que tem que seguir todas as regras medíocres que lhe pregam. Convenhamos, só os idiotas seguem esse tipo de alienação pregadas por nossos avós e eu digo isso por vocês, pois eu nunca tive avô nenhum.

Tenho assistido algumas coisas muito trash. Nas horas vagas, que têm sido muitas. Coisas ofensivas. Coisas desregradas, com libido à flor da pele. Violência, terror, sangue "esporrando" por todos os lados. Agressivas como assassinatos, pornografias extremas e mutilações, coisas do tipo. É mais ou menos como uma droga, uma coisa mais forte para desviar esse tipo de emoção que faz com que eu sempre escreva sobre a mesma coisa. Em busca de algo que me faça voltar ao “normal.” Minto! Estou só tentando me enganar. Estou buscando um motivo para enraivecer e tornar-me oco como sempre fui para parar de passar vontades que jamais matarei. Ficou claro isso?

Sequer lembro como era e isso me preocupa. Então tenho buscado coisas mais agressivas para chegar em algum lugar, só que não está funcionando. Quando você passa a vida se machucando você torna-se um Casca Grossa. Não é qualquer coisa que consegue te ferir. Você passa a ficar imune a algumas coisas. É estranho, pois se parece com alguém que perdeu o medo, mas ninguém perde aquilo que nunca teve e isso está fadado ao nada, ao sem sentido, ao limbo da merda do cavalo do bandido. Gelado como o gelo adicionado no whisky e eu odeio que adicionem gelo no meu whisky ou em qualquer destilado. Eu gosto do original, da receita original e nada que você tenha de adicionar alguma coisa permanece da forma como o criador gostaria que fosse apresentada. Sirva-se de uma boa dose de whisky, num copo propício, por favor, não cometa o pecado de beber um scotch ou um bordon em qualquer copo. Agora olhe bem para ele. Cheire, enfie a merda do seu nariz no copo e respire profundamente. Você consegue sentir? Isso é o cheiro da criação, cheiro de libido, de vida. Seu sangue está começando a correr mais rápido pelas suas veias agora, e você nem bebeu ainda.

Agora olhe para o líquido que está em seu copo. Encare-o com verdade e mente aberta. Não importa o preço da bebida, mas quanto maior melhor. Está olhando? Você se vê nele? Forte, firme e com personalidade. Vai dizer que você não está querendo estar no lugar dele? Independente de qualquer coisa, ele sai da garrafa e está pronto para enfrentar seus problemas, mesmo que seja momentâneo ninguém está nem aí. Pense no agora, esqueça o futuro. O futuro é um cara que levamos nos ombros sem ter certeza nenhuma dele ou de sua fidelidade para com os nossos desejos e só o que temos é o presente. E agora que você encarou e cheirou e está decidido, a primeira dose você tem de tomar como homem. De uma vez só. Vamos lá, você consegue.

Ufa! A primeira dose já foi. É como o medo de altura, depois que você olhou para baixo uma vez o resto é resto. Vamos para a segunda. Encare-o de novo. Bem mais fácil desta vez não? Você já está quase pedindo para o garçom deixar a garrafa. Vê como você já não pensa mais no futuro. Foda-se o futuro, vamos viver o hoje, o agora. Desce a garrafa e vamos ficar bêbados e mandar o mundo e os problemas se foderem, pois é isso que eles merecem. Um belo dedo do meio bem enfiado no cú. E vamos torcer para que esse cú não seja o nosso.

A cada dose de whisky vai ficando mais fácil. Depois da terceira ou quarta você nem sente mais o amargo. É só a loucura descendo pela sua garganta. Prazerosamente descendo pela sua garganta até o seu fígado e ele também agradece, pois é outro viciado igual a você. O whisky não é muito diferente da vida. Quanto mais merda você põe para fora mais fácil é para cagar depois.
Quanto mais você sofre mais fácil fica depois.
Quanto mais murros em ponta de faca você dá mais murros você dará. Com o sofrimento não é diferente, e eu volto a dizer, você só pode perder aquilo que já teve um dia. E se você quer falar de sofrimento comigo, eu já pensei em pelo menos cinquenta formas diferentes de me suicidar. Mas isso foi em outros tempos, numa época distante. Sempre fui um covarde nestes termos, ainda bem. Pois sequer eu mereço tanto de mim mesmo.
Cheers.



Bento.

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sexta-feira, 26 de julho de 2013

ESTE TEXTO NÃO É PRA VOCÊ, APESAR DE SABER QUE É, PELO MENOS DISFARCE

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A cada parágrafo que eu escrevo é um soco que dou em minha cabeça.
Mais um parágrafo, uma dose de whisky, acendo outro cigarro e volto a tentar não me envolver com algumas coisas medíocres que observo pelas janelas da alma. Só que é difícil.

Eu quero agora ir dormir e amanhã acordar mais razoável, só que não consigo, pois tenho um imenso desejo de xingar e amaldiçoar o mundo com todas as minhas forças. Talvez seja a grande quantidade de álcool que corre nas veias, numa cumplicidade de não ter o que eu quero e ter um monte de coisas que não me fazem diferença e que não me esforço quase nada para ter. Qualquer religioso imbecil poderia dizer que isto é derivado de alguma força divina, de um blablabla corriqueiro e que eu sequer vou gastar mais linhas para falar sobre isso. Só o que vou dizer é que o álcool deveria estar amenizando de alguma forma tudo isso, porém, que não está passando nem perto. E então, isso tem grande parcela nas bostas que eu faço e falo durante a madrugada, então se puder me perdoar por qualquer coisa, faça, mas somente se quiser, caso contrário, bem, foda-se.

Estou eu aqui procurando defeitos, tentando mediocrizar e tornar-te comum como toda e qualquer coisa, juntar o desejo com todos os outro na mesma caixa e colocar lá fora, para o lixeiro levar, junto com as garrafas de whisky, as latas de cerveja e os maços de cigarro. Tento e eu sou super criativo, usando artimanhas, insultos, me passando a perna, no entanto eu sempre saio como vilão. Ah maldição.

Eu, na minha raiva incontrolável, estou querendo ver tudo em pedaços e então estender meu chapéu, aquele mesmo que eu prometi colocar debaixo do braço e partir, para sobrar alguns pedaços comigo e outros que eu possa guardá-los nos bolsos.

Logo depois, como todo bêbado, mudo de ideia e esvazio os bolsos. Ora. Eu sou de preferir inteiros. Sou de preferir sonhos, sorrisos, lábios, pernas finas... Oh, as pernas finas.

Sou um intransigente. Para falar a verdade. Sou um dos poucos homens que conheço. Pois por aqui é preciso coragem e atitude. É preciso culhão e eu tenho bolas enormes num saco também gigante e é tudo o que eu tenho. Cérebro e bolas. No entanto, ninguém come cérebro e bolas, ainda bem, e ninguém vai ao shopping e passa as bolas na máquina de cartões de crédito. Ninguém vai ao bar e mostra as bolas na hora de pagar as contas. Ou gostaria de viver num lado do mundo onde os fracos não tivessem vez, mas não é preciso ter culhões para ser homem hoje em dia. Por isso, meu melhor seja por aqui, nas entrelinhas, parágrafos e contando com sua leitura e quem sabe convencimento, quem sabe o despertar do falecido.

Ainda que por aqui, as desilusões são rotineiras. Só os amaldiçoados como eu tem tanto bom gosto. Porém, sou um amaldiçoado e pronto. Ah esse meu bom gosto que ainda me mata.
O relógio já marca a hora das assombrações, três da manhã, o álcool acabou e as assombrações, almas penadas, todas elas, de todos os demônios que tive que trazer para o meu lado do balcão e eles torcem, rezariam se acreditassem em Deus. Rezam para que eu alcance todos os meus desejos, pois com o meu gênio...
Ou talvez eu só esteja bêbado. E o álcool acabou, assim tive que sair para comprar mais, pois a raiva ainda existe, a vontade ainda me domina e os olhos ainda enxergam os pés. Que espécie de bêbado eu sou que ainda enxerga os próprios pés? Preciso de menos sangue nas veias, volto com as garrafas e começa a chuva, que gelada me tira mais ainda a embriaguez. Então eu encontro vários amigos bêbados e até os bêbados desconhecidos que se tornariam meus amigos e qualquer um deles olham para os meus olhos com atenção, como são vislumbrados e atentos a todos os detalhes. A maquiagem improvisada no espelho, e você sabe o meu fraco por mulheres e o ato de maquiar-se, mesmo assim fez de propósito. Aliás, quem não sabe? Os olhos seguem os cabelos, a espinha que teimou em nascer na esperança de tirar-lhe uma pequena fração da beleza e eu digo: fracassou. Eu que sou teimoso, mais que qualquer espinha desviava o olhar só que ele é mais forte e volta para o deleite. Se isso não é paixão então o mundo não é mundo, é outra coisa.

Quem eu estou querendo enganar? Leia as coisas que eu escrevo e chegará numa conclusão que qualquer idiota poderia chegar, até quem não sabe ler. Até quem não me conhece e quem não me vê há anos. Sou um trouxa rendido pedindo asilo. Eu que tento terminar um livro só consigo escrever a mesma coisa, sobre a mesma coisa e estou perdido como escritor, fadado a cometer os clichês dos outros escritores cuzões que não conseguem separar as coisas. Se isso não é paixão então eu sou gordo com talentos santíficos.

Sou culpado de toda essa merda. Eu sei. Deveria eu ser suficientemente esperto para perceber que neste caso eu sou o budista em meio suas crenças greco-romanas com centauros, cupidos, ninfas e etc. Mas quer saber? Eu sempre fui metido a esperto e isso sempre me levou aos caminhos já tão conhecidos por mim. Chega ser ultrajante, riquezas masculinas adquiridas por tantos anos que eu poderia dar aulas sobre o assunto, caso fosse um militar seria eu um amontoado de honrarias imaculadas e invejadas, porém, sou um mal agradecido. Sou um incontente, não um infeliz, um incontente. Um amaldiçoado ingrato. Sou o que sou, mas também sou orgulhoso e arrogante, menos é claro quando sou ignorado, deixado de lado, ridicularizado, menosprezado, e todos os "ados" negativos que eu deixo de lado, pois a mínima atenção que recebo me traz um prazer inenarrável. Só não posso deixar que todos saibam disso para não abrir um precedente, então este será nosso segredo. Mas se isso não é paixão, então vamos todos sair na rua de roupas de banho neste inverno do Alasca que faz em São Paulo.

Pode até ser impressão minha, e talvez seja mesmo. Deve ser coisa de idiota apaixonado egocêntrico como sou, mas se pensa que não reparei nos olhos vidrados e ouvidos atentos enquanto ouvia minhas histórias desconhecidas até então com personagens que coincidiram em nosso caminhos alheios. Eu só não sei o significado do olhar, não sei se eram por mim ou pelas histórias, assim como não sei o motivo de rubrar por uma piada minha. No entanto, como eu frisei, sou um egocêntrico irremediável, logo, tomei para mim. E até sobre isso, eu repito. Se isso não é paixão, da minha parte é claro, se não é paixão, então eu deveria escrever coisas alegres e com finais felizes sobre situações que eu desconheço tomando como inspiração garotas fáceis, com personalidades completamente diferentes da minha e com sérios problemas de interpretação de texto. E por fim, o álcool finalmente fez valer o seu motivo de existência e eu passei a pensar mais rápido do que pude escrever, portanto, parei por aqui, pois mais que isso seria sem sentido.



Bento.

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

CARTA DE DESPEDIDA DE UM LOUCO APAIXONADO PARA UMA DOIDA QUE NÃO SABE DO QUE SE TRATA

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Para você que não acredita, se meu fígado fosse um cara, ele tentaria me assassinar diariamente. Tamanho o trabalho que eu dou para ele.
Cheguei a ponto de dormir bebendo e acordar no meio da madrugada para fumar um cigarro e tomar uma dose. Só que isso foi antes, agora espero até de manhã, para tomar umas. Cheguei a ponto de dormir ao lado de garotas e acordar ao lado de outras que eu nem sabia de onde vieram, mas isso foi antes, antes de entender, ou me dar conta, que um apartamentozinho com uma vista para a avenida, uma xícara de algo quente e uma bela garota de camiseta e calcinha me é suficiente.

E eu era um cara cheio de asas para o seu lado. Fiz promessas, dediquei-lhe músicas e textos. Escrevi sobre você nas paredes do quarto. Vestia-me para sair como quem fosse para um encontro com você mesmo sabendo que não estaria lá. Adotei uma gata e coloquei seu nome. Adoro gatos, tão rebeldes e ela é marrenta e arisca como a dona do nome. Falei de você para os meus amigos e amigas e elas ficaram todas derretidas quando souberam que te mandei flores, menos você. Já os amigos todos já evitam me encontrarem no bar, pois o assunto tem sido sempre o mesmo. Até eu estou de saco cheio de mim. Até você.

Assisto novela só pelo motivo de ter uma garota que me lembra você e eu odeio novelas. Que situação a minha.
Já você me lembra aquele personagem de filme com tesouras na mão que vive me podando, vive cortando as minhas asas. Você insiste que não. Porém não me resta nenhuma pena.

Chegamos a um ponto de dizer que minhas palavras eram só palavras e não significavam nada, veja só. Logo eu, que sou um escrevinhador impulsivo e modéstia à parte, dos bons. Daqueles que não escreve clichês e coisas água com açúcar. Sou desses autores que conquistam pela realidade impiedosa, calamitosa e imperecível. Mesmo assim, para você, por você, preferiria que fosse qualquer idiota modista e medíocre que seguisse a linha do romantismo precário e de final feliz, se fosse para ter sua atenção.

E mesmo não dando a mínima atenção às minhas palavras eu saí dos palcos e do conforto de meu sucesso e fui além, no entanto, mesmo assim, não foi o suficiente. Mais que isso eu dependeria de seu aval, vamos lá, não que eu seja um bunda mole, só odeio a inconveniência de forçar algo que depende da vontade de um par e nesta, me parece um tesão individual. Uma masturbação de "Querer Muito".

Agora, não me force a uma sabedoria que eu não posso ter, sendo que me parece que até mesmo você tem dúvidas. Porém também não vou me enganar. Seus dias nublados só parecem ser tão ruins quando é para dividi-los comigo. De resto eles são límpidos e esbeltos. Talvez eu que traga sua má sorte. E é por isso, não só por isso, mas também por isso, que lhe escrevo esta última carta.

Garanto-lhe que não será por mim que acordará com mensagens inquisitoras. Prometo-lhe que não terá que me chamar pelo meu primeiro nome com uma falta de libido extrema. Garanto-lhe que não terá mais perguntas que te deixarão impaciente como as enxaquecas e problemas pessoais. Prometo-lhe que não precisará mais se fazer de desentendida por indiretas e insoluções pregadas por mim. Se usasse um chapéu estaria eu, neste exato momento, pegando-o, colocando abaixo do braço e partindo. Sem mais. Sem subterfúgios, sem cartões, sem desculpas. Desta vez eu parto, mas não por medo e sim por falta de zelo e cumplicidade. Por falta de carinho recíproco e por uma impaciência destinada a ambos. E eu fui paciente. Minha língua já tem seu gosto de tanto que te lambi. Parto por falta, falta de ti. E por excesso de confiança, quando o meu melhor que eu tenho para te oferecer tornou-se pouco. Baixam-se as cortinas e eu me despeço. Na verdade, acho que fui despejado de você. Logo, meus móveis estão pendurados numa Kombi caindo aos pedaços e o que me resta é o novo aluguel ou condomínio que possa vir por aí. Só não tente desmoralizar o que faço de melhor, pois você tem grande parcela de culpa por eu ser tão bom no que faço.



Bento.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

DESINTERESSANTE (Eu não perderia meu tempo lendo)

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Eu sou um cara estranho. Só um cara.
Porém estranho. Porra! Muito.
Antes não, eu já fui um Zé Roela como a maioria, principalmente os da minha idade. Com quase vinte cinco, ou o cara é um pai fodido de dívida ou é um meninão. Quando digo "meninão" quero dizer àqueles inúteis que não saíram da adolescência.

Eu sou um rabugento, um ranzinza. Poucas coisas me agradam.
Tem também esse tédio que não me deixa. Tanto tédio que essa semana, como podem ver, não consigo escrever sobre outra coisa, só tédio.
Tédio, saco-cheio, reclamação. Tudo um saco. De um mau humor desenfreado, preocupante eu diria caso não fosse eu.
Criei um personagem, o Giuliard e até ele é mal humorado. Veja minha situação.
Tudo me parece tão desinteressante.

Sento em frente à TV e zapeio, zapeio e nada. Um ou dois seriados que tem hora marcada.
O jornal parece sempre de ontem, apenas as mesmas notícias do ano passado. Só o futebol muda um pouco, nem sempre. Já as entrevistas dos jogadores são as mesmas. Robôs sem cérebros. Também, não precisam, são ricos.

Tudo desinteressante, tão desinteressante. As coisas podem ter graça para as outras pessoas, torço para que tenham. Mas como eu disse: sou um velho ranzinza. Mas prefiro ser um ranzinza que um Zé Roela.

Nessa chatice medíocre que me encontro só vejo graça em escrever, nunca escrevi tanto, mas desconfio da qualidade em tudo que é em grande quantidade. Escrevo tanto por causa do tédio. Todos chatos.

Nem vou falar das pessoas. Se falar não acabo hoje. Seria um seriado sobre pessoas tediosas, chatas e medíocres.
Mas alguém tem que ser interessante, alguém tem que me fazer rir de coisas tolas nem que seja só às vezes. Tem a garota das flores, ela parece ser interessante, mas só o tempo irá dizer.
E corro o risco de não parecer interessante também. Sempre existe esse risco.

Beber ainda me faz rir de coisas tolas. E é o que vou fazer agora.


Bento.

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