-
É verdade eu precisava mudar, então eu mudei.
Mudei de casa, mudei meus pensamentos. Minha dependência já não existe mais, mudei as coisas que eu dizia. Prometi mudar.
Mudei a forma de pensar. Meus pensamentos ainda são os mesmos, mudei de amizades, a marca do cigarro eu mudei.
Mudei de palavrões. Agora são poucos e mais fortes, mudei de impaciente para intolerante.
Mudei de costumes, mudei de ônibus, de estação, sai do verão fui para o inverno.
Mudei de banco, o jeito de andar ainda é o mesmo. Mudei foi o rumo. Agora ando mais devagar prestando atenção à minha volta, me perdendo em pensamentos.
Caminhar sempre me ajudou, eu é que nunca dei valor. Agora percebi e ando...
Caminhando percebi que as coisas também mudaram, os prédios mudaram, o poste foi para baixo da terra, a rachadura da calçada aumentou.
O vaso de planta teve que ser mudado por um outro maior, ela está crescendo, amadurecendo, veja que até as plantas mudam.
Veja que até as plantas amadurecem.
O cachorro mudou o pêlo, se foram as pulgas, vieram novas.
O gato mudou de telhado e trocou as unhas, o passarinho mudou de penas e de cor.
Morreu alguém mais importante e mudou-se o nome da rua, mudou a penumbra e sobrou escuridão.
Mudou a sola do sapato num ótimo trabalho do sapateiro, mudou o emprego ficou o salário ainda há vagas.
Mudou o peito, mudou o inquilino ficaram os móveis dispensáveis. Vieram novos.
Eu mudei os planos, mudei o canal, mas o gosto continua o mesmo e não estou falando de sabor.
Mudei por você, não mudou por mim.
Alguém quebrou a corrente, e não fui eu.
Bento.
-
Mostrando postagens com marcador Rua. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rua. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
SEI QUE ESTÁ OLHANDO
-
Como um quadro.
É assim que vejo sua janela. Janela que caprichosamente virada para o lado da rua me permite passar, parar, e olhá-la por longas e longas horas.
Sei de cabeça quantas persianas existem na janela do seu quarto.
Vislumbro cada canto e reconheço a poeira nova.
Já tenho meu lugar preferido, a guia da calçada é a mesma que eu sentei ontem, hoje e sentarei amanhã. Demorei dias para achar o melhor ângulo.
Alguns resfriados depois da chuva que peguei, mas continuo olhando, esperando...
Talvez no meu inconsciente imagino você abrindo a janela e jogando suas tranças como Rapunzel, mas isso é só na minha imaginação.
Aquele cadeado insiste em não abrir, e me pego pensando se trocou as cortinas, se os móveis do quarto ainda são os mesmos, se minhas fotos ainda permanecem no mural.
Eu já faço parte da sua rua, como aquela árvore, a lombada, o banquinho de madeira e eu.
Não consigo tirar os olhos da janela, à espera de algum sinal de que a luz se acendeu, seu vulto entre as frestas já seria um presente imenso, nem isso consigo.
Algumas pessoas viajam, outras vão curtir a noite, ao teatro, cinema, eu digo: Vou para a janela.
Me visto como para uma ocasião especial, repasso todas as novidades em minha cabeça para contá-las quando a janela for aberta e volto para casa cabisbaixo, mas com os mesmos planos para o dia seguinte.
Eu não à vejo, mas sei que você está olhando.
Bento.
-
Marcadores:
Calçada,
Chuva,
Cinema,
Cortinas,
Fotografia,
Janelas,
Móveis,
Olhos,
Quarto,
Rapunzel,
Rua,
Teatro
Assinar:
Postagens (Atom)