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terça-feira, 14 de julho de 2015

AINDA HOJE NÃO SEI O QUE É SER CHUPADO POR UMA BANGUELA

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Uma vez estava eu saindo de um motel afastado, quase de improviso, com uma das garotas mais safadas que eu já conheci. Íamos do motel para o metrô e lá cada um de nós tomaria um curso diferente. Eram duas quadras e eu andava como um coxo, tamanha a dor no saco, pois eu transara com toda a força que tinha e ela queria mais e mais forte. Nem o homem mais forte do mundo poderia saciá-la. Eu pelo menos tentei. Mas foi a dor no saco mais deliciosa que eu me lembro.

Uma outra vez, estava em casa, numa daquelas festas que eu costumo fazer sem motivo e sem data para acabar. As pessoas apenas vão chegando e trazendo bebidas e trazendo mais gente que também vão trazendo mais bebidas e bem, parece nunca ter fim. Até que alguém gorfe, e outro alguém apague, uma garota ou duas urine nas calças, e em cada canto da casa tenha alguém transando ou tentando transar. Calhou que neste dia me sobrou o banheiro do meu quarto e era a terceira vez que eu entrava ali com uma garota diferente. Pela janela do banheiro ouvíamos a conversa sem sentido de bêbados falando sobre nada e gargalhadas insanas. Ela ajoelhada e eu resolvi que era um bom momento para umas palmadas em seu rosto. Primeiro um tapa, depois dois e vocês sabem como isso funciona. Ela nem parecia que gostava nem que não, mas de repente decidiu revidar e seus braços eram mais fortes que os meus. De supetão levei um tapa no rosto de baixo pra cima que quase me deixou sóbrio de novo, porém estava bêbado e o tapa fora tão forte que pendi para trás como quem estava prestes a cair. Então a garota dos braços mais fortes que os meus agarrou meu pau e me puxou junto dela impedindo minha queda. Poucas vezes me vi surpreso, mas nada supera o tapa, a quase queda e ser laçado por meu próprio pau. Rimos disso e ela continuou a fazer o que estava fazendo. Decidimos parar com os tapas por hora.

O que quero dizer com isso é que são sempre as pequenas coisas que me marcam. A minha memória que quase funciona raramente deixa passar esses pequenos momentos de que somos escolhidos pelo Destino para aprontar de bom humor. Não há muito que se esperar das pessoas nesta bagunça que chamamos de vida. Não há muito que esperar nem de nós mesmos, mas esses momentos simplórios fazem com que acordar cedo e sentir o azedo do suor que exala por debaixo da camisa do filho da puta que não tem coragem de tomar um banho antes de dividir o mesmo metro quadrado que você no ônibus lotado faça um pouco mais de sentido. Porém não muito.
Só que a vida é bem mais flagelos que momentos intrigantes como estes, logo, não vou negar que por vezes me passa pela cabeça morrer. Não morrer para sempre, não é isso. É morrer uns três ou quatro dias só. Assim, sem mais nem menos. Apenas morrer e não ter ninguém enchendo meu saco, sem cobradores ou Testemunhas de Jeová em minha porta. Sem carros do ovo, da cândida, ou do churros. Sem panfleteiros de pizzarias. Sem ter de me preocupar com cigarros e sem guarda noturno. Só morrer, pura e simplesmente morrer. Descansar a mente, o corpo, esquecer das coisas. Já reparou que passamos mais tempo tentando esquecer que lembrar? Isso pode ser um sinal. Um sinal de que a coisa está de mal a pior.

Estava lembrando desses casos assim, por acaso. Entre uma dose de Borboun e outra, analisava o conceito que tinha das mulheres e o conceito que as mulheres tinham sobre mim. Dizem que os amigos sempre lhe dizem a verdade, eu nunca acreditei nisso, porém tenho uma conhecida que já tomou porres homéricos comigo, que jura de pé junto que sou a pior pessoa do universo, aliás, não duvido que ela goste da minha companhia só por isso. É mais fácil de conviver com alguém que está mais fodido que você, não há pressão para melhorar. Em seus ápices de embriaguez chegou a me comparar com o próprio Diabo, mas acho que ela me superestima.

Então penso nas garotas das quais cometeram o erro de cruzar meu caminho. Todas elas santas, faço questão de frisar. O que pensam de mim? Não que seja importante a ponto de mudar a minha opinião, contudo pode ajudar a entender o porquê não permaneceram e qual a minha responsabilidade nisso tudo.

O fato é que algumas garotas gostam do que eu escrevo, no entanto não gostam tanto quando me conhecem e provam o que leem na vida real. Justo.

Lembro-me de uma garota, de olhos verdes como uvas verdes. Não se adaptou a liberdade que eu dava a ela. Talvez quisesse alguém ciumento, que quisesse saber onde ela estava a cada passo, que a proibisse de ter amizades masculinas e controlasse todas as suas ações e bem sei que apesar de reclamarem, existem muitas garotas que gostam desde tipo de cara machão. Eu poderia ser este cara? Claro que poderia, mas eu não poderia ser este cara e ainda por cima ser exatamente a pessoa que eu digo ser. Então começaria uma relação traindo, não ela, mas a mim mesmo. Não digo que hoje ela me odeia, porém acredita piamente que eu não quisesse nada com ela. Eu queria, só que gosto de analisar as coisas e as pessoas e isso leva algum tempo.

Penso na idosa de 500 anos. Meu único arrependimento quanto a esta garota de 20 anos é que, idosa que era, ainda possuía todos os dentes. Ainda hoje não sei o que é ser chupado por uma banguela, mas nunca é tarde. Esta, talvez me odeie, mas tenho sérias dúvidas. O que acontece é que ela se convenceu de que eu sou o pior do mundo, mas não consegue esquecer os bons momentos, logo, sempre quer reviver os bons momentos de outrora. Só que todos sabemos que há coisas que nunca se repetem.

Outro dia recebi uma ligação de uma garota casada. Em outros tempo traía seu marido comigo, mas isso faz muito tempo. Teve um filho recentemente e depois de tanto tempo de fidelidade forçada queria voltar a traí-lo. Esta não me odeia, tenho certeza. Poderia dizer que até me ama, do jeito dela, mas talvez seja amor. Contudo, não mais do que ama o marido. Melhor pra mim, pior pra ela.

Tive uma relação conturbada com uma garota de pernas finas uma vez. Digo conturbada, pois nunca estávamos disponíveis ao mesmo tempo. Quando ela quis eu estava ocupado me diminuindo, e quando eu estava disponível ela estava ocupada com outros relacionamentos. De qualquer forma, por mais que em algumas vezes quisesse me odiar ela não conseguia. Não conseguia, pois para odiar é preciso dar importância, nutrir qualquer sentimento para depois querer o mal. Mas a única coisa que a garota de pernas finas sentia era vaidade. Gostava do drama que eu fazia, e eu sou bom com dramas. Fazia bem ao seu ego estar entre as linhas dos meus textos e esperava ansiosa para ler sobre si. Sentia-se musa de seu autor predileto. E ela era. E eu era. Hoje não mais, nem pra mim, nem pra ela. Hoje ela lê outras coisas, eu escrevo sobre outras e assim a vida segue. Mas definitivamente não me odeia.

Já Nelia, talvez seja a única que nutre algum ódio e rancor por mim. Odeia porque me amou. Odeia, pois não pude ser o homem que ela queria que eu fosse. Odeia-me porque eu era só um garoto. Odeia porque eu não podia fazer malabarismo em faróis, porque não podia dormir em redes, porque não podia desvendar o mundo. Também pudera, sequer conseguia me desvendar. Meus segredos e sonhos, o que eram? Meus amigos e familiares, quem eram? Odeia então, porque eu não era capaz de acompanhá-la em sua jornada para desvendar seus traumas. E ainda pensando nisso, vejo que não tenho nada em comum com essas garotas nem com seus ideais e suas fantasias. Algumas delas queriam apenas um escritor falido para se sentirem o centro de algo importante, contudo, eu nem sou tão escritor assim e nem tão falido assim. E mesmo não sendo, vivendo a realidade da minha escrita, perceberam que não é tão fácil estar ao lado de um beberrão teimoso que precisa de sexo como um alcoólatra precisa de álcool e eu preciso tanto de ambos.



Bento.

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domingo, 8 de fevereiro de 2015

COMENDO A PRÓPRIA BABA COM UMA COLHER DE SOBREMESA

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Então eu vinha embora do trabalho pensando em meu banheiro. Não propositalmente. Era forçado a desejar chegar cada vez mais rápido, afinal, eu precisava evacuar o mais depressa possível. Porém ou lembrei que em casa não tinha uma gota de álcool sequer e isso é inadmissível. Travei o reto e passei no posto de gasolina para comprar cervejas e cigarros.
Resumindo; consegui chegar em casa sem nenhum acidente. E aqui estou eu. Sentado na privada dando uma boa cagada, ouvindo Albert King com a gaita de fundo e tomando uma cerveja que ameniza, um mínimo de qualquer coisa neste calor infernal. Neste momento eu penso; puta momento feliz. Eu sou feliz agora. Estou feliz. O homem que não puder pagar pela sua própria cerveja não passa de um verme. O homem que não puder cagar em seu próprio banheiro é um homem desesperado. Não há futuro.

Agora já é Robert Johnson que canta e eu fixo os azulejos do banheiro feliz da vida. Não saio daqui enquanto não terminar o cigarro, pois acredito piamente que cagar e não fumar um cigarro é um pecado mortal. Bem como os religiosos acreditam em seu deus e suas doutrinas eu acredito que cagar sem tempo de terminar um cigarro é um insulto aos deuses de qualquer espécie.

A verdade é que além deste momento único e sem sentido, porém feliz, outra coisa me fez uma criança novamente de tão animado. Somente uma coisa poderia arrancar sorrisos idiotas e piadas infantis em meio ao mau humor que prevalece em minha existência. Uma garota. Da qual resolveu dar o ar da graça. Uma esmola de atenção qualquer e isso já fez de mim o cara mais feliz do mundo. Ninguém pode dizer o contrário. Pelo contrário. Todos aparentemente perceberam. Minha garota, ela não sabe, mas sempre foi minha garota e a única da qual eu sou fiel. Até hoje. E eu acredito, talvez errado, mas acredito, que ela só voou pelo mundo com tanta segurança porque sabia que sempre haveria um coração abandonado do qual definhava de amor para que ela pudesse voltar.

A musa das musas dá um sorriso e eu começo a regurgitar inspiração. Seu título não é à toa.
Confesso que fui conferir quantas latas de cerveja eu tinha bebido na noite anterior para ter certeza que não era o álcool me pregando peça. Depois disso belisquei-me, sei que não faz sentido, mas nunca se sabe o que nossa mente pode fazer conosco quando desejamos muito uma coisa.

Perdi o jeito de falar com esta garota. Meço as palavras e mesmo assim depois de ditas me sinto um idiota, por isso acabo falando demais. Ainda não sei como não babo como um retardado, mas chego próximo. Piso em ovos e quase não respiro porque ela é meu dente-de-leão, qualquer brisa e ela pode partir como todas as outras vezes. Talvez soe gay para quem está acostumado com os padrões de minha escrita, mas é difícil escrever sobre isso de forma diferente. Baixo a guarda, transbordo de bundamolice, e agora sim eu já estou necessitando de um babador.

Ela é dona de uma poção do amor que me tira dos quintos dos infernos e me faz cheirar flores em parques, sorrir para crianças e dar atenção a velhos na rua. Logo eu que vivo nos porões mais putrefatos na cidade, ser da noite endiabrado, odiado por onde passo, de discursos intensos e desaforados me pego elogiando o sol e a chuva e aplaudindo o por do sol. Vejo-me brincando com crianças e suspirando por canto de pássaros de manhã. Onde já se viu? Logo eu.
Como faz, quando um filho da puta como eu sai na rua querendo distribuir abraços? Provável que quem ver vai pensar que estou bêbado, mas nem alto eu faço umas merdas dessa. É quando começo achar que ela é meu maior entorpecente. Senão o mais forte pelo menos o mais viciante.

Há tanta coisa pra dizer e as palavras simplesmente me engasgam lutando para não soar. Nunca sei o que dizer. As mãos transpiram e receio magoá-la. Mas não minto tentando parecer algo que não sou, afinal ela não acredita em nada que eu digo mesmo. Gastar imaginação mentindo seria perda de tempo, porém me assusta espantá-la com qualquer coisa de minha personalidade velha e caótica.

Mas se você estava achando este texto feliz demais para os padrões aqui vai uma boa notícia - pra vocês que gostam de má notícia. Assim como esta garota voltou de repente ela se foi instantaneamente. Apareceu solteira e logo depois comprometeu-se novamente. Foi só o tempo de criar fantasias e histórias e engolir toda a baba novamente, com uma colher de sobremesa. Babar e voltar a comer o mingau de esperança. Excluir-me de novo e eu voltar a reconhecer a raiva estacionando na frente de casa, buzinar antecipando a campainha. E eu ir olhar com curiosidade.

- Entre, eu tenho cervejas. Se prepare, pois hoje vamos ficar bêbados até não acertarmos mais a boca.Eu disse à Raiva, velha companheira.

- Mas ela vai excluí-lo e depois procura-lo novamente, pois é isso que ela faz. Disse a Raiva. E eu respondi cabisbaixo.

- E eu vou aceitá-la mais uma vez! Afinal é só o que eu faço em todos esses anos. Espero que ela me procure e procure e procure novamente.

- Então me sirva àquela cerveja que prometeu. Você sempre tem as mais geladas. Disse a Raiva.

- Um brinde. Eu disse.

E brindamos. Velhos parceiros de bebedeira.



Bento.

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sábado, 8 de novembro de 2014

NÃO EXISTE PROBLEMA NO MUNDO QUE NÃO PAREÇA INSIGNIFICANTE QUANDO SE ESTÁ SENDO CHUPADO DECENTEMENTE

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Somos todos estranhos mordedores de nada. Somos um monte de bosta sem saber pra onde ir. Digo que a única coisa da qual tenho conhecimento é meu gosto e disso eu entendo super bem. Por mais bêbado que se possa estar sempre sobra uma fagulha de consciência. Você está lá, em algum lugar dentro da sua mente assistindo na primeira fila as merdas que você faz. Claro que "merda", no meu entendimento é um termo ambíguo. Pode ser bom ou ruim dependendo da ótica.

Estamos num calor de 400 graus e eu estava deitado nu com as costas no chão, levantando a cabeça somente para mamar a garrafa de cerveja. A garota estava deitada de bruços na cama alisando meus cabelos e brincando com minhas sobrancelhas enormes. Lucia era o nome dela.

- Não sei o que você tem, mas você tem... Sabe? Ela dizia.

Eu não fazia ideia do que ela falava, mas eu ainda tinha cabelos dela grudados em meu peito magricela e era difícil raciocinar com todo calor que anda fazendo.

- Eu acho que você esta empolgada só porque gozou, amor. Não tem nada demais. Eu respondi.

Ela pegou a garrafa da minha mão e bebeu um gole longo. Pedi que ela acendesse um cigarro e me ajudasse a fumar. Ela acendeu e colocou na minha boca para que eu pudesse tragar e depois ela também fumava.

- Não é só porque eu gozei. Claro! Também é porque eu gozei, mas nem era pra eu dar pra você. Você é o cara mais podre que eu conheço. Ela disse.

Pedi mais um trago no cigarro e seus dedos compridos e magros levava-o até meus lábios. Eu não vou negar que senti um tremendo orgulho subindo pelo meu peito. Eu sempre disse que se é para ser melhor em alguma coisa então que isso lhe traga algo de bom. Ser o pior cara que ela conhecia deixava-a de cabelo em pé e com uma luz de alerta bem acesa. Ela transou comigo por uma inconsequência e já repetiu tal equívoco meia dúzia de vezes. O que ela queria saber é porque não conseguia sentir o mesmo tesão pelos cuzões que levavam ela a motéis caros em seus carros emprestados dos pais e correntes de prata no pescoço que poderiam me fazer tombar para frente. Ela não sabe a resposta até hoje, eu também não sei, mas suspeito que tudo é uma questão de estilo. Faça tudo com muito estilo, com originalidade, pode ser que não dê em nada, mas pode ser que você seja apontado na rua como O Cara. Nunca se sabe.

- Talvez você precise conhecer mais gente. Eu respondi a acusação dela com uma falsa modéstia

- Sem falsa modéstia, senhor Bento. Ela disse.

Eu sorri de olhos fechados e joguei o restante de cerveja da garrafa direto na boca. Um pouco escorreu pela minha barba e ela passou os dedos e chupou. Chupou como se chupasse algo maravilhosamente saboroso. Claro que isso foi o suficiente para que eu ficasse duro novamente e fossemos para debaixo do chuveiro transar mais uma vez.

Toda vez que ela vai embora sentencia que não voltará mais. Eu sinto receio de que um dia ela cumpra a promessa, no entanto não demonstro. Finjo que não ligo, que não acredito e ela parece não acreditar, tomando minha atitude como um desafio. Eu não quero que ela pare de vir, porém não consigo juntar forças para dizer que quero que volte sempre. Toda a minha força foi gasta com alguém que nunca voltou, logo, tenho por mim que quem quer fica, quem não quer parte sem retorno e isso independe de qualquer coisa que fazemos. As pessoas simplesmente fazem o que elas querem, sem se importarem com qualquer outro que não eles mesmos. Não podemos assumir responsabilidades por coisas que não são de nossa alçada, que não podemos controlar. Uma transa é só uma transa até que os dois resolvam dar mais significado a ela.

De qualquer forma, numa outra situação lá estava eu com outra garota. Esta não era tão magra quanto Lucia, nem tão bela, mas conseguia me fazer gozar com uma habilidade que só ela possuía.
Num dia desses lá estávamos bebendo cerveja até que ela decidiu me chupar.
Chamava-se Priscila e chupava como se sua vida dependesse disso. Um talento pouco visto em todos esses anos de bebedeiras e situações imprevisíveis que já tive. Eu sempre valorizei uma garota que chupe e pareça gostar de fazê-lo. Mas para não me afastar muito do assunto. Eu ganhava uma boa chupada e fumava meu cigarro intercalando com goles de cerveja. Para você que está lendo isso lhe garanto. Não existe problema no mundo que não pareça insignificante quando se está sendo chupado enquanto dá uns traguinhos. Tudo no mundo torna-se mesquinho e sem importância. Eu penso que os programas sociais do governo deveriam substituir as bolsas quase-nada e casas populares por belos e deliciosos boquetes. Todos seriam mais felizes. Você pode aguentar morar de aluguel, o que não se pode passar sem é um boquete bem babado.
Cheguei a pensar nos outros caras, quantos deles passaram ou passarão a vida inteira sem uma chupada sensacional? Ou pelo menos sem viver um momento como eu estava tendo a oportunidade de ter. Ela chupando e eu fumando. Quantos contadores, auxiliares administrativos, bancários, vendedores, garis, formarão famílias, farão tratamento de canal, morrerão de câncer sem serem chupados decentemente, ou terão o privilégio de serem chupados por duas garotas ao mesmo tempo? Olhar para baixo e ver duas cabeças brigando para abocanhar seus pintos. Esses caras podem até dizerem que a vida não é só isso, mas garanto a vocês que todos, sem exceção, lamentarão em seu leito de morte os boquetes de suas respectivas esposas. Digo isso, pois boa parte das mulheres chupam com um sacrifício na alma. Algumas mulheres usam o boquete como moeda de troca e só não conseguem mais porque não fazem decentemente. E eu me vi como um cara de sorte. O Destino tem lá suas crises comigo, mas de tempos em tempos me faz um agrado.

Mesmo assim, ainda existem aqueles caras que se contentam apenas com as calcinhas de suas esposas penduradas na lavanderia de seus apartamentos minúsculos com o fundo da peça amarelado virado para o vitrô da cozinha. E a cada garfada no purê de batata ele sente o gosto do que ele imagina ser o mesmo gosto do corrimento no fundo da calcinha. Tudo isso é só imaginação, claro.
Ainda existem os homens que preferem as garotas que deixam seus absorventes usados fora do lixo do banheiro ou que justamente no dia que vai deixar o sutiã a mostra elas escolhem o mais velho e encardido. Preferem a vida de dormir assistindo a novela e ir ao hipermercado aos domingos. Assim como existem mulheres que preferem os homens que tentam se parecer com o Gustavo Lima com tatuagens de arame farpado e cabelos lamentáveis. Ou os barrigudos que passam a vida mostrando o rego acima do cinto. Que levam as chaves penduradas no bolso da calça. Que usam cuecas vermelhas, amarelas e afins. Homens de sapatenis. Homens que vão até a venda de samba-canção. Aos meus olhos são todos estranhamente doentes, bem como eu deva ser insanamente incomum para alguns. Somos todos estranhos. De uma mediocridade tamanha.


Bento.

domingo, 14 de setembro de 2014

UMA BOCETA PODE LEVAR ALGUNS HOMENS AO INFERNO ANTES MESMO DE PODERMOS DIZER PUTA QUE PARIU

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Eu conversava com uma garota, e digo, ela não era nada fora do normal. Nem gorda demais, nem magra demais. Mas também não era nenhuma maravilha. Eu não conseguiria me ver casado e pensando em filhos ao lado dela.
Nós não tínhamos transado, porém eu tinha uma leve suspeita de que ela queria. Eu também poderia querer, dependendo do dia e do meu humor, de qualquer forma esperava para ver. E ela me dizia - vocês homens são todos iguais.

Aquela coisa do clichê que se tornou meia-verdade depois de tanto ser repetida. Eu nunca fujo de uma discussão então perguntei o motivo para aquela raiva toda.

- Como assim, amor? Você já ficou com todos nós para saber?

- Não - ela disse - mas já conheci homens suficientes para saber. Namorei duas vezes, durou quase 10 anos ao todo.

- Duas vezes? - Perguntei - Amor, eu já transei com duas garotas na mesma noite e nem por isso digo que conheço todas vocês. E mesmo que eu transe com mil garotas acho que ainda faltará muita coisa pra conhecer.

- Viu? É disso que eu falo. Vocês só pensam em sexo.

- "Vocês", não. Eu sim, só penso em sexo e assumo. Nunca enganei ninguém e também nunca transei com nenhuma santa. Agora, este sou eu. Talvez você esteja responsabilizando todos os homens por erros que seus namorados cometeram. É muita responsabilidade para nós que nem tivemos a oportunidade de ganhar sua aprovação. Cada cara é um cara, eu, por exemplo, não gosto de gordas, mas tem cara que adora. Eu tenho que dar a volta com os dedos na canela de uma garota, caso não consiga eu dou meu veredicto de obesidade. Conheço caras que parecem açougueiros, quanto mais carne melhor. Eu poderia te dar vários exemplos para comprovar que você não tem a mínima ideia do que está falando, mas acredito que já te convenci.

Não a convenci, porém ela desistiu de argumentar, isso acontece na maioria das vezes e com a maioria das pessoas. Alguns simplesmente repetem o que ouvem por aí e não refletem, sequer se aprofundam, logo, qualquer argumento que foge daquilo que ouviram causa pane em seus cérebros de ameba. Mas veja, não estou dizendo que eu deixei de transar com a garota só por causa disso, claro que não deixei.

Houve uma época em que eu estava com uma garota alguns anos mais velha que eu. Ela era quase minha vizinha, morava em algum lugar do bairro e esta era a única coisa que tínhamos em comum. Minto! Compartilhávamos também o vício pelo sexo e todas às vezes eram incríveis. Certa vez, se me lembro bem era meu aniversário e eu nunca escondi a ninguém que odeio meu aniversário por se tratar do início de uma maldição que levarei comigo para o túmulo. Então ela apareceu em casa com uma sacola da loja do Corinthians e me entregou. Eu agradeci e convidei-a para o quarto. Fizemos um sexo intenso e maravilhoso como eram todas as outras vezes só que desta vez foi melhor. Então ela bebeu toda minha porra, colocou a roupa e se despediu. Eu perguntei o porquê ela iria tão cedo, pois eu tinha mais a dar para ela beber e ela disse que só tinha vindo me dar o presente. Era uma garota sensacional, com um corpo perfeito do qual ela usava e abusava e eu nunca saíra descontente, no entanto alguma coisa fez com que eu me afastasse. É bem possível que com o tempo pudéssemos adquirir mais coisas para compartilhar. Mas eu não esperei. Não esperei porque eu não sou de esperar muito e isso pode ser um erro. Algumas vezes eu penso nesta garota. Tentei encontrá-la pela internet e tal, mas não tive sucesso. Pra começar era uma ótima transa, eu deveria ter esperado um pouco mais. O motivo pelo qual não espero é que o único amor que tive foi ligeiro e espontâneo. Duas palavras e um beijo e eu já amava. Talvez não tenha desconfiado logo de cara, contudo meus olhos diziam que era amor.

Quer mais um exemplo? Tinha uma outra garota que tinha sérios problemas com aquela sujeira que acumula abaixo das unhas. Lindíssima a garota e não limpava as unhas. Eu passei algumas semanas falando para ela fazer a higiene completa de seus dedos. Suas unhas eram virgens, claras, era perceptível a sujeira acumulada. Eu falei e não adiantou, então eu passei a limpar suas unhas. Uma por uma, com um cuidado exagerado. Bem, esta garota era o caso de amor ligeiro e espontâneo que eu citei acima. Entendem a diferença? Eu limpava suas unhas e ela espremia meus cravos, na maior parte do tempo contra minha vontade, mas eu adorava todo aquele cuidado. Éramos dois macacos cuidando um do outro.

Mas este macaco tinha alguns problemas onde um deles - e não o mais grave - era fumar 20 cigarros por dia. E esta garota dizia "você fuma demais, pare de fumar. Ou pelo menos diminua". Eu nem parei e nem diminui. Pelo contrário, hoje fumo mais de 20 cigarros. Por isso hoje eu afirmo que nunca vou parar de fumar. Penso que com o dinheiro que eu gasto com cigarros eu poderia gastar com qualquer outra coisa. E não é pouco dinheiro. Mas se começar com isso, podemos contar o dinheiro gasto com cervejas, whisky, conhaque, vodca e  de repente vou me ver rico e morto. Rico e idiota. Enfim, também, conhecendo meus gostos como conheço eu gastaria em outras coisas que fariam tão mal à minha saúde quanto, então continuo fumando. Outra coisa, disse que nunca vou parar de fumar e repito. Pois se eu não parei para atender a um pedido da garota que me amava não pararei por motivo nenhum. Morrerei fumando e saibam que caso sejam convidados para meu enterro levem cigarros ao invés de flores. Nunca se sabe como será do outro lado.

Mulheres tem essa mania de contar as coisas citando o nome dos envolvidos como se nós os conhecêssemos. Exemplo: então eu cheguei à empresa e o Richard estava com aquela cara feita de sempre...
E você se perguntando, mas quem é Richard?

Aí a Laura me chamou para almoçar e nós fomos ao restaurante japonês que eu adoro.
Ok, mas quem é Laura?

E quando eu voltei a Magda tinha colocado três relatórios na minha mesa para hoje. Acredita? Para terminar hoje.
Complicado. E quem é Magda, afinal?
Entende o que eu quero dizer? Mulheres são escritoras por natureza, uma pena elas não saberem disso.

Uma garota que conheci uma vez me apresentou uma de suas amigas. Eu como todo homem pensei em transar com ambas, mas a minha amiga tinha já um namorado, e eu sempre me omiti quanto ao adultério, portanto acabei transando apenas com a garota que me fora apresentada. Tempos depois, após não ter mais contato com essa garota, a amiga minha - após estar solteira - questionou-me sobre o longo tempo que eu havia ficado com sua amiga. Vejam a estranheza. Somente mulheres apresentam outras pessoas àquelas das quais se tem desejo. Homens costumam guardar seus tesouros para si. De qualquer forma acabei me afastando das duas, não antes de prová-las, afinal, seria um desperdício. Acabou que a culpa do fim da amizade das duas caiu sobre mim, típica atitude feminina. As duas decidiram transar com o mesmo cara e o errado fui eu, as duas continuaram "amigas" algum tempo depois. Entre homens as coisas são um tanto diferentes. Homens sempre culpam os amigos inocentando as mulheres, claro que isso deve-se ao fato das mesmas virem ao mundo portando uma boceta e homens são loucos por bocetas. Nós - e eu me incluo muito nisso - somos reféns de bocetas. Não há no mundo qualquer outra coisa capaz de causar a derrocada de um homem, carreira ou nação como a boceta. Eu já vi famílias serem destruídas, filhos ficando sem pai, homens apodrecendo em sarjetas por causa delas. Somos eternos animais amaldiçoados pelo cio. Homens não são controlados por seus pintos, mas sim pelas bocetas, loiras, morenas, negras, cabeludas ou não, roxas, rosas, marrons e não necessariamente limpas. Ah, nós homens. Já vi amigos brigarem com facas em punhos por belas bocetas e às vezes nem tão belas assim. Só para poderem continuar sentindo seu gosto azedo e seu forte odor nas narinas. Todo o resto da mulher é descartável, e neste caso eu já não falo por mim e sim pela maioria. A mulher é descartável, a boceta não. O homem que se acha poderoso, soberbo, indispensável, ou talvez insubstituível e controlador, este homem ainda não se deu conta que somos todos controlados pela tirania das bocetas, o mundo é. Nem Deus, nem o Diabo são capazes de derrotá-las.

Conheci homens que abandonaram tudo, dinheiro, amigos e conceitos simplesmente porque não conseguiam sentir o sabor de uma boceta há anos.

Eu dei toda essa volta para falar de um conhecido que veio para São Paulo de um lugar longínquo fugindo do controle de sua mãe. Independência, ele dizia. Já por aqui conseguiu sentir o sabor amargo da cidade, do calor afetivo dos melhores puteiros da cidade até o frio dilacerante da sarjeta. Independência, ele buscava e conseguiu até o momento que deu de frente com uma boceta dominadora para acabar com seus sonhos juvenis. Hoje, este conhecido não põe o pau pra fora nem mesmo para mijar sem a permissão da vagina em questão. Não engole um chiclete sequer para não sair da linha. Este cara esquecera inclusive a senha do banco, pois seu cartão não o pertence mais. Não lembra-se da cor do dito cujo. A boceta controla seus gastos até com cigarros. Cerveja então deve a todos os amigos de bar, pois é a única forma que achou para beber. Não escolhe suas roupas, nem suas cuecas. Redes sociais somente com compartilhamento de senhas, amizades somente com a supervisão da boceta que o domina. Não dá um peido sem bênção. E eu com minha imaginação fértil já o imagino pedindo permissão para gozar. Logo, não preciso dizer que algumas coisas não são saudáveis. Alguns homens pedem passagem ao inferno por falta de uma boa e rosada boceta, mas uma boa boceta pode levar alguns homens ao inferno antes mesmo de podermos dizer "puta que pariu".


Bento.


sábado, 31 de maio de 2014

ENQUANTO EU NÃO ESTAVA NO BANHEIRO MIJANDO A CERVEJA QUE EU BEBIA

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Eu arrumei um bom trabalho, na Saúde. Parece um comentário qualquer, mas na Saúde? Sim, na Saúde. Um comentário qualquer para qualquer pessoa que não perde muito tempo se apegando a detalhes. Eu já sou um detalhista de merda que não vai com a cara do Destino e já desconfio de tudo que ele faz. NA SAÚDE?! Pois é. Um bom trabalho. Eu já sabia quem morava na Saúde antes de aceitar o trabalho. Tem uma garota que mora na Saúde e não nos falávamos mais. Não falava simplesmente porque não falava. Nem"oi" nem "bom dia", nem "vá pro inferno". Nada. Eu não queria e parece que essa falta de querer era recíproca. De qualquer forma, tem mais uma coisa sobre mim que talvez eu não tenha falado. Como sou um detalhista e às vezes avoado, ando como um idiota olhando para todos os lados e procurando sabe-se lá o quê. Portanto desde o primeiro dia que arrumei esse bom trabalho ando torcendo. Procurando e torcendo. "Besteira" vão dizer e eu vou concordar. Porém procuro. É bem isso. O fato é que eu não deixo de falar com ninguém que eu não quero deixar de falar, então tinha meus motivos. Eu não queria sequer pensar e a única forma que eu conheço de não pensar é não falar, não ver, não estar disponível. Tudo isso seria lindo e belo e simples se eu não tivesse arranjado um bom trabalho na Saúde. Talvez agora vocês já devem ter começado a entender. Mas ainda fica pior. PIOR? Pior. Comigo, neste bom emprego também trabalham conhecidos em comum. Digo isso para comunicá-los, caso já não saibam, que o Destino é um sacana de merda que morde e assopra. Vão dizer que estou sendo injusto com ele e garanto que não. Tenho mesmo um pé, não, tenho dois pés atrás com o Destino. Todos já encontraram a tal garota, assim, de vista, na Saúde e o único que procura, que sou eu, não. Viram que calhorda?! Mas procuro por quê? Sabe-se lá por qual motivo. Mesmo assim, quis o Destino - ou transmissão de pensamento - ou a puta que pariu que voltássemos a nos falar. Entramos num acordo que era um pouco de besteira minha, besteira dela, enfim. Passou, já que eu não ia conseguir esquecer de sua existência no mesmo mundo que eu, ainda mais trabalhando na Saúde. Logo na Saúde.

Eu não sei também do motivo que comecei a falar sobre isso. Eu pensei em falar sobre outra coisa, mas os dedos mandam e eu faço. Gostaria de falar na verdade sobre a repercussão do texto anterior, que eu falei sobre brincos e outros itens esquecidos em casa por garotas que dormem aqui esporadicamente e algumas me perguntavam se era delas que eu falava. Eu mesmo não me lembro de textos anteriores, pois tenho uma memória péssima e foi por isso que comecei a escrever, para lembrar das coisas que acontecia no dia anterior. Então para ser justo , antes de responder eu perguntava se tinham esquecidos brincos em casa e eliminei metade das candidatas. Depois perguntava se tinham gostado do texto e foram dois terços desta vez. As que sobraram e que tinham gostado eu me aproveitei porque não sou de ferro. O único problema é que a faxineira deve pensar que eu sou um travesti nas horas vagas.

Por falar nisso, outro dia, que eu não estava bêbado, ainda, meu sobrinho estava lá em casa fazendo coisas de garotos de sete anos, que basicamente se resume em fazer coisas que caras de 26 como eu acham cansativas só de olhar. Para você que ainda não esqueceu nenhum brinco em casa, quero explicar que na parede, que dá para a porta de entrada para meu quarto, tem a frase "Não Sou de Ereções Gratuitas" escrita em letras garrafais. E no auge de sua sabedoria de sete anos, de quem lê tudo que vê, meu sobrinho leu a frase em voz alta e me perguntou: tio, tem que pagar para entrar aqui? A espontaneidade da pergunta me fez rir como há muito eu não ria e respondi de forma que sua idade não permitiria entender tamanha malícia: com certeza que tem, filho. Mas você é VIP, só prometa não quebrar nada. Depois ele ainda perguntou o que era VIP mas isso não vem ao caso.

Minha paciência com crianças se esgota exatamente em cinco minutos e muita gente acha que por este motivo eu não gosto de crianças. Essas pessoas estão cobertas de razão. Mesmo assim, são os mesmos cinco minutos que reservo também para os adultos, se é que você me entende.
Não que eu odeie todos, não, só os idiotas. Mesmo assim, talvez ainda não fosse sobre isso que eu queria falar. Tenho um amigo, o Roque, este cara adora crianças. Crianças de 14, 15 anos. Na verdade ele não faz diferença de ninguém, desde as garotas de 14 até as de 55. Uma vez ele me disse "Cara, as de 55...". Eu fingi que nem ouvi, pois minhas experiências com velhas não foram nem de longe agradáveis. Terei sérios problemas ao chegar, se chegar, aos 55.

Tem uma garota e ela já passou dos trinta. Não me é costumeiro e pode perguntar para qualquer homem e ele vai dizer que mulher acima dos trinta normalmente não faz parte do prato principal. De qualquer forma tem essa garota, que tem trinta e poucos anos e que vive me chamando para fazer uma visita. Geralmente eu não sou de visitas desde que valha a pena. Porém sou gato escaldado e garotas acima de trinta costumam querer voltar a sua infância e demonstrar um pouco de pudor acima do que se encontra nas prateleiras. Essa garota insiste na minha visita e eu tento manter-me longe. Conforme o tempo passa as desculpas meio que acabam e logo eu terei que me decidir entre falar sobre minhas péssimas experiências com velhas ou mentir, e eu ainda não sei o que é mais fácil.
Então, resumindo, as mulheres acima dos trinta e poucos me enjoam e isso é tudo o que eu tenho a dizer sobre o assunto. Mesmo sabendo que terão mulheres se defendendo de tal infâmia, acho que por hora basta.

Eu também não gosto das crianças que Roque gosta, pois ele tem a paciência de um monge tibetano, eu não. Roque me disse uma vez que de todos os amigos dele, eu era o cara que tinha transado com o maior número de mulheres. E nos conhecemos há poucos anos apenas. Eu respondi dizendo que ele precisava fazer mais amizades. Para transar com o número de mulheres que ele acha que eu transei eu teria que ter pelo menos metade da paciência que Roque tem.
Ainda tem o fato de que numa relação é preciso deixar algumas mentiras no ar para que tudo siga seu curso natural e dentro dos conformes. Já enganar uma criança é como enganar um animal, não há mérito nisso.

Voltando a falar sobre a garota da Saúde, ela me disse outro dia - enquanto bebíamos algumas cervejas e quando eu não estava no banheiro mijando a cerveja que eu bebia - que ela nunca mente. Ainda disse que nunca mentiu para mim e eu confirmei com um adendo. Ou ela não tinha mentido ou mentiu tão bem a ponto de não ser descoberta. Acredite você, no que quiser. Existem pessoas que subestimam a mentira. Uma boa mentira, ao nosso favor, funciona que é uma beleza.




Bento.

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domingo, 27 de abril de 2014

GOZOLÂNDIA ETERNA É PARA OS FRACOS. A MELHOR GOZADA É A DE AGORA

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De tempos pra cá tenho percebido mais que nunca que a idade inevitavelmente chega para todo mundo e eu não sou um privilegiado. A cada ressaca nova vejo os anos escorrerem entre meus dedos sem que eu possa fazer muita coisa para mantê-los como estão hoje. O corpo acusa e a recuperação é mais lenta. Ele quer me impor limites que eu nunca tive e com certeza não os tomarei pra mim a essa altura do campeonato.

Eu escrevo isso enquanto observo Roxanne caminhando pelo banheiro com suas pernas finas e seu andar elegante. Roxanne é minha aranha de estimação que vive no meu banheiro e fez de um buraco rente ao teto sua moradia, religiosamente ela sai de lá para me dar bom dia. Eu respeito o espaço dela e ela o meu.

Eu sou das antigas, com o passar dos anos passei a cultivar a barba para assumir a idade ao invés de escondê-la como todos fazem. É mais uma forma de expurgar as garotas de 18 anos e não é porque meu corpo está ficando velho, mas sim porque minha mente está velha faz tempo. Sou desses caras que vê mais romantismo na garota espremendo cravos nas costas do namorado que qualquer clichê exibicionista que se vê nas redes sociais por aí.

Por isso venho com meu saudosismo de velho para dizer que nem mesmo a ressaca se faz como antigamente. Eu não sei o que fazem os velhos da minha geração, mas eu tenho feito o mesmo que fazia há dez anos, com raras exceções e só o que mudou foi mesmo a demora de meu corpo em recuperar-se das bebedeiras, alguns cabelos brancos e por aí vai.

Uma garota leu meu último conto e fez uma declaração um tanto quanto dramática levando-se em conta que era apenas um conto. Porém eu sempre mastigo as coisas devagar para refletir sobre e talvez ela esteja certa, talvez meus olhos estejam ofuscados pelo hábito, o hábito da amabilidade com o singular, a coexistência com o sofrimento, a empatia com o flagelo. No entanto isso pode ser só sintomas de minha veia poética e caso seja isso, a garota estaria errada e foi só uma declaração um tanto quanto dramática. Porém, quem sou eu para falar de dramaticidade?

Sabe, eu sigo uma cartilha, apesar de algumas pessoas acharem que eu levo a vida sem lei ou regras eu sigo uma cartilha, coisas que eu penso como certo ou errado e esse tipo de coisa. Sigo conceitos e rituais, não passo sem o café e cigarros e são as primeiras coisas que eu faço ao acordar. Durante muito tempo eu fiquei sem pisar em riscas nas calçadas mas parei de repente. Tenho um pouco de superstição por isso sempre tenho um maço de cigarros extra e uma garrafa de algo forte, pois nunca sei quando a inspiração me tomará horas de cigarros e tragos numa quantidade incrível.

Esses dias tive uma crise de vômito ao ponto de desidratar-me. Coisa da idade. Há cinco anos atrás meu corpo não desperdiçava uma gota sequer de álcool.
Entre um vômito e outro alguém comentou: - Também, você bebe como se o mundo fosse acabar.

 - Mas vai que acaba. Respondi.

Quando a idade chega ela vem com um convite para a morte. Não estou dizendo que estou tão velho a ponto de morrer, porém uma hora todos morrem e eu não sou um privilegiado. Também não me apetece essa história de vida eterna e paraíso, isso só serve para postergar toda a diversão. Não se deixa para gozar - supostamente -  pela eternidade quando se pode gozar muito agora. Vamos lá, acredito que estejam entendendo meu raciocínio.

Uma das minhas qualidade é fazer festas que se arrastam por dias e já adianto, essas festas não são frequentadas por nenhum idiota que acredita nessa promessa de Gozolândia eterna, portanto todo mundo nessas festas procura sair satisfeito e geralmente saem. Essas festas geralmente acontecem nos meus melhores dias porque nos piores a última coisa que eu quero é um monte de gente perto de mim com a libido a flor da pele, bêbadas, tomando da minha cerveja e assustando minha gata para o telhado. Não se pode fazer festa o tempo todo simplesmente porque não se faz festa o tempo todo. Já falei muito aqui sobre as qualidades de uma boa solidão esvaziando garrafas.

Desses meu amigos, não há nenhum que não tenha pelo menos uma história de loucuras e apuros para contar da qual eu não estivesse envolvido e isso me leva a pensar no que minha mãe dizia quando eu era jovem: não se misture com má influência. Nesta época ela ainda não sabia que a má influência era eu. Então volto a dizer que se você busca a esporrada divina trate de não se aproximar, mas caso queira viver libidinosamente aperte os cintos, pois vou te apresentar algumas coisas e algumas pessoas.

Na festa mais recente que fiz um cara entrou no quarto com uma garota e ele saiu de lá duas horas depois como se houvesse apanhado de um peso pesado, com marcas roxas e arranhões. E esta garota só tinha quinze anos. Realmente o ambiente, as músicas e as companhias ajudam a aflorar o pior lado das pessoas, pior lado, claro, na opinião de vocês, pois na minha este é sempre o melhor lado.
Acredito que o melhor lado de qualquer pessoa é justamente aquele que a maioria das pessoas não aprovam. Já reparou como as coisas que são unanimidade geralmente são uma merda? Nelson Rodrigues já dizia isso há trocentos anos e isso nunca deixará de ser verdade.

Alguns amigos, até estes das festas, bem, estes amigos acham-me inquebrável, inviolável. Algumas garotas acham que eu sou intransponível e inacessível, mas digo que isso não passa de incompetência, talvez delas, talvez minha. Eu também já tive meu tempo de lamentar-me, só que já passou. Eu simplesmente desvio o olhar. E tudo que vejo é sempre sem muito apetite, pois nada é duradouro. Também sei que minha forma de pensar afasta mais gente do que aproxima. Eu poderia mudar isso, ou posso pensar que isto é apenas um filtro, ou não pensar muito nisso. As coisas são sempre como devem ser.




Bento.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A MERDA DE UMA PORRA DE UM SÓSIA? CONVENHAMOS...

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Não me fode, pois meu pau é maior e na minha vez você estará fodido. Não! Não quero com isso dizer que sou melhor ou pior, quero apenas dizer que dentro de uma média nacional, sim! Eu sou fodão. Mas quem liga para isso?

Bem, voltemos a falar sobre toda a merda que presenciamos; a internet por exemplo, é um antro de mediocridade. Vejo isso pela minha cachorra que é um exemplo de personalidade; fiel, carinhosa, esperta. E eu nunca a vi acessando o Facebook. Deve haver uma lição nisso tudo.

Existe uma característica que eu admiro muito nas pessoas; a singularidade. Quanto mais original melhor. Independe de talento ou etc. Desde que conquiste-me o interesse. Eu sou um desinteressado por natureza. Um broxa de carteirinha. Nasci com a ânsia de explodir e queimar coisas e eu mesmo fazer melhor e neste caso, quando me sinto capado no intuito da superação eu muito que me admiro.

Bom, espero não me tornar clichê com isso, mas volto a falar de garotas. Afinal, se você que está lendo isso agora e é homem nada mais justo que leia sobre algo interessante e o que é mais interessante para você do que garotas? Com certeza interessa homens dos 11 anos até os 95.

Se você que está lendo é uma garota nada mais justo que esse tipo de assunto também te faça virar os olhos de desejo, pois ninguém é mais egocêntrica que as mulheres. Só por isso existem centenas de revistas, sites e programas de televisão dedicados a tal assunto. É um grupo fechado.

Então eu tenho de dizer; tem uma garota...

Na verdade, é complicado ser tão subjetivo em relação a isso. Recebo tantas mensagens de garotas que se elegem à musa que fico refletindo sobre a minha objetividade falha ou a interpretação de texto péssima dessas candidatas.
Bom, eu assumo meus erros. Porém, no mínimo as pessoas deveriam conhecer-se a si mesmas. Se você que lê isso agora e já teve alguma relação comigo, ou sente que eu perderia o meu tempo escrevendo sobre você, primeiro, leia de novo. Ainda acha que é sobre você? Leia de novo. Ainda suspeita de minha vocação de literalizar nossa relação? Então só o que me resta é dizer; parabéns, você está certa! Ou; Ahhh por favor, limite-se a sua insignificância e se põe no seu lugar.

O que eu posso dizer? São muitos nomes para pouco sentimento, pouca intensidade. Eu não posso escrever para todas porque nem todas me interessam. Ok! Pode me julgar e me chamar de sacana, mas o que eu posso fazer? Sou homem, e por sê-lo tenho o péssimo hábito de me transformar em exatamente aquilo que você deseja, nem que seja por algumas horas. O homem nasceu mais próximo do camaleão do que o macaco. O que não quer dizer que mentimos sempre. Só quando nos é conveniente. Assim você finge que me deseja e eu finjo que estou apaixonado. Você finge que me admira por eu ser um lixo e eu finjo ciúme pelas suas companhias. No fim somos fingidores sacanas que só precisam de atenção e afeto - mesmo que falso - para nos sentirmos vivos.

Mas eu enrolei e enrolei para falar da tal garota. Bem, eu não me importo. Falando ainda de beleza e corpo desejável, tenho de dizer que Deus, o Diabo ou o Destino foi muito bom comigo em relação a isso. Afinal, vamos combinar; isso não me apetece por ser natural. Todo mundo sabe, digo que é um plus. Claro! Olhe para mim. Não me permito beleza menor do que aquela que me deixa constrangido. Se não for uma beleza cruel eu sequer perco o meu tempo. Tenho um histórico a zelar. Faz parte do personagem. O que me interessa é o tal conjunto que impregna, só que no desejo de conjunto desta garota me falta coisas que eu não desejo. Pois eu só preciso daquilo que me é indispensável. E se esse é o preço para possuir tamanho prêmio, eu passo. Já passei, faz tempo. As promessas atuais não me farão mais feliz do que as anteriores de beijos em segredo. Quero beijos e pronto. Simplesmente beijos e afeto. Beijos e libido. Se quisesse promessas jogaria na loteria. O que eu quero é mais intenso, sempre foi. Mas minha intensidade é difícil de acompanhar. Falei da garota que foi atrás de um sósia? Pois bem, jamais será mais do que um sósia. Será sempre uma porcentagem inferior partindo do princípio de ser a merda de uma porra de um sósia. Pelo bem ou pelo mal, é difícil superar-me.



Bento.

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

CARTA DE DESPEDIDA DE UM LOUCO APAIXONADO PARA UMA DOIDA QUE NÃO SABE DO QUE SE TRATA

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Para você que não acredita, se meu fígado fosse um cara, ele tentaria me assassinar diariamente. Tamanho o trabalho que eu dou para ele.
Cheguei a ponto de dormir bebendo e acordar no meio da madrugada para fumar um cigarro e tomar uma dose. Só que isso foi antes, agora espero até de manhã, para tomar umas. Cheguei a ponto de dormir ao lado de garotas e acordar ao lado de outras que eu nem sabia de onde vieram, mas isso foi antes, antes de entender, ou me dar conta, que um apartamentozinho com uma vista para a avenida, uma xícara de algo quente e uma bela garota de camiseta e calcinha me é suficiente.

E eu era um cara cheio de asas para o seu lado. Fiz promessas, dediquei-lhe músicas e textos. Escrevi sobre você nas paredes do quarto. Vestia-me para sair como quem fosse para um encontro com você mesmo sabendo que não estaria lá. Adotei uma gata e coloquei seu nome. Adoro gatos, tão rebeldes e ela é marrenta e arisca como a dona do nome. Falei de você para os meus amigos e amigas e elas ficaram todas derretidas quando souberam que te mandei flores, menos você. Já os amigos todos já evitam me encontrarem no bar, pois o assunto tem sido sempre o mesmo. Até eu estou de saco cheio de mim. Até você.

Assisto novela só pelo motivo de ter uma garota que me lembra você e eu odeio novelas. Que situação a minha.
Já você me lembra aquele personagem de filme com tesouras na mão que vive me podando, vive cortando as minhas asas. Você insiste que não. Porém não me resta nenhuma pena.

Chegamos a um ponto de dizer que minhas palavras eram só palavras e não significavam nada, veja só. Logo eu, que sou um escrevinhador impulsivo e modéstia à parte, dos bons. Daqueles que não escreve clichês e coisas água com açúcar. Sou desses autores que conquistam pela realidade impiedosa, calamitosa e imperecível. Mesmo assim, para você, por você, preferiria que fosse qualquer idiota modista e medíocre que seguisse a linha do romantismo precário e de final feliz, se fosse para ter sua atenção.

E mesmo não dando a mínima atenção às minhas palavras eu saí dos palcos e do conforto de meu sucesso e fui além, no entanto, mesmo assim, não foi o suficiente. Mais que isso eu dependeria de seu aval, vamos lá, não que eu seja um bunda mole, só odeio a inconveniência de forçar algo que depende da vontade de um par e nesta, me parece um tesão individual. Uma masturbação de "Querer Muito".

Agora, não me force a uma sabedoria que eu não posso ter, sendo que me parece que até mesmo você tem dúvidas. Porém também não vou me enganar. Seus dias nublados só parecem ser tão ruins quando é para dividi-los comigo. De resto eles são límpidos e esbeltos. Talvez eu que traga sua má sorte. E é por isso, não só por isso, mas também por isso, que lhe escrevo esta última carta.

Garanto-lhe que não será por mim que acordará com mensagens inquisitoras. Prometo-lhe que não terá que me chamar pelo meu primeiro nome com uma falta de libido extrema. Garanto-lhe que não terá mais perguntas que te deixarão impaciente como as enxaquecas e problemas pessoais. Prometo-lhe que não precisará mais se fazer de desentendida por indiretas e insoluções pregadas por mim. Se usasse um chapéu estaria eu, neste exato momento, pegando-o, colocando abaixo do braço e partindo. Sem mais. Sem subterfúgios, sem cartões, sem desculpas. Desta vez eu parto, mas não por medo e sim por falta de zelo e cumplicidade. Por falta de carinho recíproco e por uma impaciência destinada a ambos. E eu fui paciente. Minha língua já tem seu gosto de tanto que te lambi. Parto por falta, falta de ti. E por excesso de confiança, quando o meu melhor que eu tenho para te oferecer tornou-se pouco. Baixam-se as cortinas e eu me despeço. Na verdade, acho que fui despejado de você. Logo, meus móveis estão pendurados numa Kombi caindo aos pedaços e o que me resta é o novo aluguel ou condomínio que possa vir por aí. Só não tente desmoralizar o que faço de melhor, pois você tem grande parcela de culpa por eu ser tão bom no que faço.



Bento.


quarta-feira, 10 de julho de 2013

NÃO SE CORROMPA TANTO PARA ESCREVER

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Tenho então, certa peculiaridade em viver. Uma coisa diferente em dar meus passos pelo asfalto neste mundo de malucos. Uma vez eu disse e nem sei de onde tirei isso, mas disse. Foi um vômito, não alcoólico, porém, bêbado quando disse: "gosto de fazer tudo com estilo próprio, sem inspirações". Eu nem sei o motivo pelo qual disse isto. Nem sei se concordo com o que disse. Só que as coisas me fazem mais feliz quando saem do meu jeito. Então eu saio na rua para comprar cigarros com a mesma roupa que dormi e não me importo muito, foco apenas no objetivo, que são os cigarros que me faltam naquele momento.

É certo que não ligo muito para situações rotineiramente planejadas. Não suporto nenhum compromisso religiosamente assumido. Odeio trabalhar, o problema é que eu gosto mais de dinheiro do que certos princípios, logo, o trabalho é a única coisa que aceito fazer obrigatoriamente.

Assim muita gente deve olhar para o meu estilo de vida e pensar que seja tudo maravilhoso, ou que eu não tenha nenhum futuro e só a segunda opção pode ter algum sentido. Estou dando voltas para dizer que o fato de acordar ao meio dia e que meus cafés da manhã geralmente são meia dúzia de garrafas de Heineken após uma boa dose de whisky para abrir o apetite, e que acendo um cigarro antes mesmo de abrir os olhos quando acordo não é tão bom quanto uma porção de gente pensa. E essa porção de gente que lê minhas narrativas sobre minha vida e adoram, sequer teriam estômago para viver elas mesmas de tal forma. As pessoas sempre admiram aquilo que não podem ter. Não se pode medir as coisas que eu abro mão para sobreviver da maneira que eu acho ideal e normalmente o que serve para mim não servirá para a maioria das pessoas que assistem ou leem uma situação como esta. Não servirá, pois como eu disse: é preciso estômago, mais até que estômago é preciso abdicar de um conforto sociável.

Meus amigos, por exemplo, além de poucos, não são tão presentes quanto os amigos comuns. No entanto, não os culpem, eu prefiro assim, afinal, com uma personalidade característica como a minha, para mantê-los é preciso que afastem-se para deixar que a saudade ajude-os a me aturar. O eu em excesso é prejudicial para qualquer sanidade e ainda assim só tenho amigos desequilibrados.

Com as garotas é a mesma coisa. É preferível que não se mantenham por muito tempo. Repare em seus olhos e perceba o quanto eles brilham ao ouvir minhas histórias. Sempre tão agradecidas retribuem uma preliminar ou outra, mas ainda assim é preferível que não se mantenham por muito tempo. Perde-se o encanto, pois eu não deixo de tomar os meus cafés da manhã alcoólicos, não deixo de escrever sobre minhas insanidades e de exercer minha displicência em relação ao futuro. E nenhuma garota se vê ao lado de um escritor possivelmente falido falando sobre as desgraças da vida. Então eu lembro do que me disseram uma vez, que um dia eu vou envelhecer, ficar feio, ultrapassado e o número de garotas entrando e saindo do meu quarto diminuirá drasticamente e que eu olharei para o passado com grande arrependimento. O que essa pessoa que me disse isso não sabe, é que eu já olho para o passado com grande arrependimento, ou seja, sem novidades. Se alguém aí não tem o mesmo problema me conte o segredo. E tem mais, odeio palpiteiros.

Olhe para o mundo de um débil com olhar de telespectador e tudo parecerá maravilhoso até os nossos caminhos se cruzarem e perceber que minha cama é muito mais aconchegante ao dormir do que quando acordar. E que apesar de prazerosas, muito prazerosas, todas as bebedeiras geram muito mais prazeres que as ressacas. E que a vida de Bon Vivant escrevinhador de contos desgraçados somente é atraente em películas e livros. Que a abstinência de álcool e nicotina torna-me um ser irreconhecível e insuportável. Que eu sou um sujeito calamitoso e que odeia cortar as unhas. E que eu passo metade dos meus dias sentado numa cadeira de praia, no telhado, ouvindo Rock em discos antigos, bebendo cervejas e escrevendo, já a outras metade eu passo dormindo. Por isso, não há motivo para invejar-me por qualquer coisa. Por mais que sua vida pareça ruim, eu sou o resultado de tudo que possa dar errado e me orgulho de tornar isso público. Levando sempre em conta que aumento algumas tragédias e fatos para dar um tom de dramaticidade e estilo próprio em tudo que eu escrevo.



Bento.

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

EU NÃO SEI NADA DE MATEMÁTICA, MAS SOU PERITO EM ANATOMIA

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Eu nunca fui um bom aluno. Nunca.
Sempre fui daqueles de sentar no fundo da sala e destilar minha vaidade para as garotas. Eu queria chamar atenção e conseguia. Com isso levava algumas mentes ocas comigo. Eram idiotas imitando um tonto, ou um bando de tontos seguindo um idiota, escolha a alternativa que quiser.

Meu trabalho ali era dificultar ao máximo o trabalho dos professores e nisso eu tinha grande sucesso. Não que eu fizesse questão disso, eu era um cara, só um cara e não fazia questão de nada. Só de confundir as cabeças já muito confusas dos outros alunos. Tão confusos quanto eu.
Digo que se houvesse justiça no mundo eu teria me tornado professor, só para sentir na pele tudo o que causei aos mestres.
Eu era um desserviço a educação calamitosa das escolas públicas. Se alguém na administração das escolas pelas quais passei tivesse um pingo de juízo eu sequer teria terminado os estudos. Faça-se justiça que eles até tentaram expelir o grande mal que eu era expulsando-me duas ou três vezes, porém, não se alcançou grande resultado quando eu, expulso, poderia entrar em qualquer outra escola que quisesse. Logo, como uma praga (todos os meus professores concordariam com isso) eu seguia confundindo e aniquilando algumas promessas estudantis por onde passava.

Eu falava fácil, com a voz mansa. Usava palavras difíceis apenas para passar a imagem que sabia do que estava falando, mas não sabia. Era um argumentador. Levava a história do Brasil e do mundo sempre para o lado pessoal e invertia os fatos. Os alunos entendiam, os professores tentavam entender como poderia sair tanta bobagem de uma mente tão jovem.

Tinha mania "do contra". Fazia discursos inflamados como os ditadores que eu ainda nem conhecia. Os professores diziam que eu era uma mente brilhante desperdiçada. Nunca me achei inteligente. Achava-me um bom ator, um fingidor, eu diria. Enganava bem, bem até demais. Sempre disse que não importa o tamanho do absurdo que você conta, O que importa é a segurança com a qual você conta. Mas nunca, nunca me achei inteligente. O que eu tinha demais para a minha idade era esperteza e atrevimento. Uma combinação que usava para o mal. Um talento nato para humilhar os meus colegas de sala. Tudo isso muito antes de o Bulling existir. Se já existisse eu estaria nos cartazes de prevenção. A minha foto estampada com uma cara de culpado confesso. Eu poderia ser crucificado em praça pública. Decapitado e esta pendurada nos portões da escola como exemplo. Duvido que nenhum professor tenha se sentido tentado a fazê-lo.

Eu era um carrasco de CDFs. Tornei-me um fomentador de intrigas femininas. Acabei com relacionamentos bonitinhos, típicos de filmes adolescentes de Hollywood. Destruí autoestima de garotos roubando-lhe garotas e aniquilei a vaidade das garotas chutando-as logo após.

Então, você que já deve me odiar pelo que leu até aqui e por fazer perder seu tempo, deve estar se perguntando onde é que eu quero chegar com essa confissão de adolescente maldito. Eu respondo que não sei. Mas se consegui deixar bem claro que era eu um péssimo aluno e a última coisa que eu fazia na escola era estudar então cheguei ao meu objetivo. Uma matéria em particular sempre foi o meu purgatório, a matemática. Esta sim era minha intenção. Para então, poder dizer que depois de velho, descobri que no mundo real, na vida em questão, nesta matemática, menos é mais. A multiplicação apesar de encher os olhos, engana. Somar vaginas e bocas com o intuito de chegar a algum lugar é de um erro tão grande que nenhuma prova Real pode resolver. E que algumas relações só podem dar certo quando existem dois números na casa da divisão. Um mais um só é dois quando estamos dispostos a subtrair coisas de que gostamos para agradar o próximo. Volto a falar da multiplicação para chegar a números assustadores de nomes, telefones, tickets de motéis, pernas que se abrem, pernas que se cruzam. Inúmeros casos e narizes que irritam-se a tocar seu abdome. Soma-se tudo isso as mordidas em seu órgão sexual e o cansaço dele de trabalhar tanto em tão pouco tempo a ponto de você achar que não dará conta, que pode ser que tenha que passar por um constrangimento. Pegue a calculara para não errar na conta e o saldo será sempre negativo. Perdeu-se mais que ganhou. Está no vermelho, pois, menos é mais. Todo mundo deveria saber disso. Porém, o único que se saia mal em matemática era eu.


Bento.

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quinta-feira, 26 de abril de 2012

SÃO SÓ DETALHES

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Esses dias eu tive que ligar para uma senhora e me atendeu um cara. Com esse "cara" quis dizer jovem. Mas não gosto de usar o termo "jovem", é antigo demais.
A tal senhora não estava, então agradeci e disse que retornava depois e do outro lado da linha recebi um "disponha". Disponha?
Desliguei o telefone e fiquei pensando. As pessoas não falam mais assim hoje em dia. Disponha. Os jovens... Quer dizer, os caras não falam mais assim nos dias de hoje.

Ganhamos um pouco em liberdade, em modernidade, mas perdemos em educação. Falei do metrô outro dia, ninguém é gentil mais com o próximo.
Direitos e deveres só ficam no papel.
Aquele cavalheirismo que vemos em comédias românticas clássicas perdem-se no meio de sátiras e piadas de mau gosto.

Conversando com minha mãe em alguns raros momentos de descontração ela me leva ao passado contando histórias sobre seus namoros na adolescência e comparamos com os dias de hoje quando conto as histórias da minha adolescência.
Realmente o futuro é sempre mais castigado, relaxado. Ninguém faz questão de impressionar.

Eu, como sabem, sou um romântico incurável -- adoro dizer isso, pois é verdade --, mesmo assim, não pense que vou ficar romantizando com qualquer cretina que aparecer no meu caminho. Existe quem merece e quem não merece.
Conheci uma garota que merece, aí mandei flores, na verdade não a conheço ainda, nos falamos... Conhecer vem com o tempo. Quem sabe?
Aí mandei flores, coisa que tempos atrás era comum, não hoje.

As pessoas têm medo de entrar em floriculturas, os jovens, os caras. É só uma loja de flores. Não sei como esse comércio sobrevive ao capitalismo se as pessoas tem receio de comprar seus produtos.
Quando fui escolher as flores, perguntaram: Mas você vai na floricultura? Espantados. Como se eu fosse numa casa mal assombrada. Respondi: No açougue é que não poderia ser. Certo? As pessoas mandam chocolates, mas não flores. Nunca vou entender isso.

No entanto eu fico feliz de ter esse espasmo de clarividência. A maioria das pessoas não enxergam, vivem andando e andando e não olham em volta, passam pelos detalhes como água pelos dedos. O cigarro me ajuda com isso, acendo um cigarro e relaxo prestando atenção nos detalhes. Nunca poderia fazer isso como não fumante, ninguém para no meio da rua por nada senão para fumar. Paciência.

Só sei que a beleza que eu vejo, nem todos veem. É a beleza dos mínimos detalhes. A beleza está nos detalhes, sempre esteve. É só reparar.


Bento.

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segunda-feira, 23 de abril de 2012

PROMESSAS DE FIM DE SEMANA

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Odeio começar escrever de segunda-feira porque sempre me faz lembrar que deixei algo passar no fim de semana.
Faz algum tempo eu planejo tirar um bom fim de semana inteiro, daqueles com chuva, para tomar um trago e passar o dia escrevendo. Faz tempo e nunca cumpro.
Nunca cumpro o que planejo porque sempre tem uma festa, um bar, aí estou sempre curando-me de uma ressaca e só tenho vontade de dormir e ver filmes que só alimentam meu vício em entretenimento.

Uma vez falei das qualidades psíquicas da ressaca, parei nisso, não queria falar dos efeitos físicos dela, romantizei até o último, mas agora vou deixar claro: Ressaca é uma merda. Uma bosta. Tente trabalhar de ressaca e verá que é ridículo, seu cérebro não funciona, seus membros tremem e seus olhos suplicam para se fecharem e mandam você dormir. VAI DORMIR. Quero folga! Eles dizem. Escrever de ressaca é excelente, trabalhar não.

Bem, eu tenho que trabalhar, não ganho um puto escrevendo. Não paga nem os cigarros, logo é melhor trabalhar para ter o que beber e o que escrever.

Quando não é a ressaca são os trabalhos e provas da faculdade de jornalismo que me consomem as forças e o tempo. Sendo assim, continuo sem cumprir minha própria promessa de reservar um fim de semana para tomar uns tragos, fumar e escrever.
Eu não consigo cumprir minhas próprias promessas. Que ponto eu cheguei?

Esse fim de semana não bebi, tomei uma ou duas cervejas, mas isso é nulo. Meu fígado bebe duas ou três cervejas e acha que é xarope para gripe. Só vai se dá conta que está bebendo quando passo de uma dúzia, aí ele grita: FESTA!
Eu gostaria de ser um fígado, sempre bêbado, armazena álcool para a época de estiagem, sábio fígado. Eu não. Não consigo guardar uma garrafa de nada alcoólico. Se estiver à vista eu bebo e escrevo, escrevo e bebo. E por aí segue.

Esse fim de semana não bebi. Sábado eu fui ao shopping e lembrei do porque não gosto de shopping.
Um monte de velhos, casais e casais de velhos andando como se não houvesse um amanhã. Andam e se esquecem das horas e dos dias. Nunca se perguntou porquê shoppings não tem relógio? Não querem que você saiba as horas.
Eu tenho pressa, ando como se estivesse fugindo de alguma coisa. Da morte talvez, ando como se fosse semicorrer. E aquela lentidão dos velhos, dos casais e dos casais de velhos me mata.

Quando namorava eu ia ao shopping. Achava um saco, mas ia. Mulher no shopping é quase como velho no médico. Só sai de lá quando acha alguma coisa que serve. E isso leva tempo.

Sai de casa no sábado e já pensava quando voltaria. Era um sábado de frio, odeio o frio e quero dormir e ver filmes engraçados, ou de ação. Ou seriados engraçados de ação. Queria voltar para a cama e colocar minha calça de moletom no momento em que saí de casa, mas tive que ir ao shopping comprar um presente para o aniversário da minha irmã.

Já o domingo eu dormi. Dormi até os ossos doerem. Foi um bom domingo apesar do resultado no futebol, passei quase o domingo inteiro falando com uma garota. Exceto quando estava dormindo, vendo o jogo ou comendo, falava com a garota. Foi uma conversa legal, divertida. Comecei pisando em ovos como todo homem faz quando fala com uma garota absurdamente linda pela primeira vez.
Pisamos em ovos com medo de falarmos alguma merda, pois homem é o campeão em falar merda quando conversa com uma garota absurdamente linda pela primeira vez. E eu não sou diferente. Algumas raras exceções acertamos na dose. Espero ter sido uma dessas vezes.

Então ficamos eu, meu moletom e a garota conversando. Meu irmão me trazia cervejas e eu não queria, mas não negava. Também, cinco ou seis cervejas não fariam mal algum. Tanto faz.

E assim foi o domingo, me despedi da garota e fui dormir.

Fim de semana que vem eu vou reservar para tomar uns tragos, fumar e escrever. Quem sabe falar mais com a garota...


Bento.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

COISA DE DOIDO!

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Eis que aparece uma garota que não se sabe se és bela ou não, se és magra ou não. Tudo o que se sabe é que ela toma um anjo como disfarce.


Fruto proibido do Éden mais cretino que eu mesmo criei sabe-se lá o motivo. Caráter disfarçado pelo medo do arrependimento ou paixão fora de hora.


Bento.
 
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