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sexta-feira, 28 de junho de 2013

O BÊ-A-BÁ DE QUERER MUITO

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Eu quero você.

Eu quero você, seu corpo e sua voz em meus ouvidos.

Eu quero você, seu corpo, sua voz em meus ouvidos, seu hálito amanhecido e seu rosto amassado de manhã.

Eu quero você, seu corpo, sua voz em meus ouvidos, seu hálito amanhecido, seu rosto amassado de manhã, quero fazer parte de seus problemas e de sua vida.

Eu quero você, seu corpo, sua voz em meus ouvidos, seu hálito amanhecido, seu rosto amassado de manhã, quero fazer parte de seus problemas, de sua vida, quero roçar meus pés nos seus, quero o cheiro de seus cabelos em minhas narinas.


Eu quero você, seu corpo, sua voz em meus ouvidos, seu hálito amanhecido, seu rosto amassado de manhã, quero fazer parte de seus problemas, de sua vida, quero roçar meus pés nos seus, quero o cheiro de seus cabelos em minhas narinas, quero suas palavras de apoio, seus gemidos, suas aflições, sua marra, suas pernas finas e meus lábios grudados em você.

Eu quero você, seu corpo, sua voz em meus ouvidos, seu hálito amanhecido, seu rosto amassado de manhã, quero fazer parte de seus problemas, de sua vida, quero roçar meus pés nos seus, quero o cheiro de seus cabelos em minhas narinas, quero suas palavras de apoio, seus gemidos, suas aflições, sua marra, suas pernas finas, meus lábios grudados em você, quero seus carinhos, seu lado boazinha, suas unhas arranhando minhas costas, seu sorriso amarelo quando fizer algo que te deixe sem graça e seu rosto colado em meu peito magro.


Eu quero você, seu corpo, sua voz em meus ouvidos, seu hálito amanhecido, seu rosto amassado de manhã, quero fazer parte de seus problemas, de sua vida, quero roçar meus pés nos seus, quero o cheiro de seus cabelos em minhas narinas, quero suas palavras de apoio, seus gemidos, suas aflições, sua marra, suas pernas finas, meus lábios grudados em você, quero seus carinhos, seu lado boazinha, suas unhas arranhando minhas costas, seu sorriso amarelo quando fizer algo que te deixe sem graça, seu rosto colado em meu peito magro, quero sua língua, seu pescoço, seu nome em minha boca, quero seus ouvidos atentos ao que digo e não só seus olhos ao que escrevo, quero estar em seus pensamentos quando você acorda e quando você for dormir, quero ser seu amor para a vida toda, seu homem onde se apoiar quando precisar.

Eu quero você, seu corpo, sua voz em meus ouvidos, seu hálito amanhecido, seu rosto amassado de manhã, quero fazer parte de seus problemas, de sua vida, quero roçar meus pés nos seus, quero o cheiro de seus cabelos em minhas narinas, quero suas palavras de apoio, seus gemidos, suas aflições, sua marra, suas pernas finas e meus lábios grudados em você, quero seus carinhos, seu lado boazinha, suas unhas arranhando minhas costas, seu sorriso amarelo quando fizer algo que te deixe sem graça, seu rosto colado em meu peito magro, quero sua língua, seu pescoço e seu nome em minha boca, quero seus ouvidos atentos ao que digo e não só seus olhos ao que escrevo, quero estar em seus pensamentos quando você acorda e quando você for dormir, quero ser seu amor para a vida toda, seu homem onde se apoiar quando precisar, quero poder orgulhar-me por te conquistar, por te fazer a mulher mais feliz do mundo, quero saber o que pensa só pelo olhar sem que você tenha que me dizer, quero seu cheiro em meus lençóis, sua mão em minha coxa quando estivermos bebendo, seus dedos entrelaçados aos meus, quero rir de suas piadas mesmo que sem graça, saber de seus assuntos, ouvir suas histórias mil vezes e nunca enjoar.

Eu quero você, seu corpo, sua voz em meus ouvidos, seu hálito amanhecido, seu rosto amassado de manhã, quero fazer parte de seus problemas, de sua vida, quero roçar meus pés nos seus, quero o cheiro de seus cabelos em minhas narinas, quero suas palavras de apoio, seus gemidos, suas aflições, sua marra, suas pernas finas e meus lábios grudados em você, quero seus carinhos, seu lado boazinha, suas unhas arranhando minhas costas, seu sorriso amarelo quando fizer algo que te deixe sem graça, seu rosto colado em meu peito magro, quero sua língua, seu pescoço e seu nome em minha boca, quero seus ouvidos atentos ao que digo e não só seus olhos ao que escrevo, quero estar em seus pensamentos quando você acordar e quando você for dormir, quero ser seu amor para a vida toda, seu homem onde se apoiar quando precisar, quero poder orgulhar-me por te conquistar, por te fazer a mulher mais feliz do mundo, quero saber o que pensa só pelo olhar sem que você tenha que me dizer, quero seu cheiro em meus lençóis, sua mão em minha coxa quando estivermos bebendo, seus dedos entrelaçados aos meus, quero rir de suas piadas, mesmo que sem graça, saber de seus assuntos, ouvir suas histórias mil vezes e nunca enjoar, quero te fazer surpresas mesmo sabendo que você não gosta muito, quero todos os teus textos dedicados à mim, quero vê-la fazendo as unhas, maquiando-se e agradecer à Deus pela mulher que eu tenho, também quero amar intensamente e decorar todas as pintas de seu corpo, quero que se foda o verão e quero mais dias de frio e chuva só para poder permanecer com você debaixo do edredom e rever várias vezes seus filmes prediletos.

Ah essa ausência de respostas significativas que me matam. A janela está aberta você diz, mas o que eu faço com as grades?



Bento.

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terça-feira, 19 de junho de 2012

UM OLHO NO PEIXE E OUTRO NA GATA (FUTEBOL)


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Hoje é dia de Corinthians e estamos todos no bar, é claro.
Todos devidamente uniformizados e com cervejas nas mãos, menos eu. Eu tomo Dreher, afinal, além da "dureza", é a forma mais fácil de ficar "simpático" gastando pouco.

Ao meu lado -- não ao lado exatamente, mas em meu campo de visão -- existe uma estudante de jornalismo inteligentissima e linda de uma forma pré-colegial. Aquela que lembra professoras do jardim de infância, mas agora eu tenho libido de adulto, uma combinação quase explosiva.

Então temos a estudante com uma sensualidade de mulher e um rosto de menina conversando com um qualquer. Logo estamos dividindo a atenção dos lances perigosos na área do meu time em pleno jogo de libertadores com o (tomara que não) casal conversando.

Falando do jogo, está chato. Truncado no meio de campo o time adversário ataca mais. São as faltas que fazem o jogo travar no zero a zero, bem como o casal que eu observo. Eu gosto do placar do casal, do jogo, eu quero mais é ver gol do Timão.

Por falar em zero a zero, observo sem ouvir a conversa do casal por causa dos corintianos no bar pulando e cantando os hinos da torcida como no estádio.
Eu não pulo para não derrubar o Dreher e porque acho que em bar não se pula, sim no estádio, mas não no bar.
Quero beber, ver o Corinthians ganhar e a lindíssima estudante, agora já bêbada, sair ao menos, sozinha.

Eu levo um terço no pescoço, não que seja religioso ou devoto, eu diria que é mais estética, porém nada impede de apelar para Deus quando o jogador do time adversário está de frente ao nosso gol. Não apelo pelo casal, pois não acredito que haja intervenção neste caso.

Meus olhos seguem lá e cá e penso que poderia prestar mais atenção no jogo, afinal dependemos da vitória hoje, para seguir em frente no campeonato. Só que a garota me encanta de tal maneira que dependerei da situação entre a estudante e o desconhecido para terminar a minha noite bem.

O juiz causa discórdia no jogo apitando mais faltas para o outro time, mas pode ser só a visão de torcedor. Claro que a essa altura do jogo, o empate jogando fora de casa, não é de todo ruim. Meu time entende isso e passa a jogar na defesa, bem como a estudante que se afasta do periculoso e eu me animo.

A torcida adversária passa a jogar copos de mijo em nossos jogadores ao cobrar escanteios e meu sangue começa a subir, da mesma forma meu ódio ao ver a linda universitária começar a colocar os cabelos atrás da orelha e arrumar a bolsa em seu ombro, inquieta, sinal clássico de que o indivíduo estava obtendo sucesso em sua empreitada. Algumas mulheres dão sinais, que o homem que se preze tem de saber identificar.

Bom para o autor que o menino não soube aproveitar da embriaguez e gestos da garota e excelente que o zagueiro do meu time tirou uma bola praticamente em cima da linha. Logo, eu fiquei dividido entre a TV, a garota, as pernas da garota, o Dreher e o cigarro. Nessa soma, agora o jogo tinha mais de minha audiência para que passasse despercebido na observação do casal.

O cronometro corre sem parar, quem não corre é a bola, que não chega ao ataque para que possamos abrir o placar. O Dreher tomando conta de minhas veias e o casal tomando minha atenção, afinal a garota das pernas maravilhosas voltara a colocar os cabelos atrás das orelhas, sorrir, mexer na bolsa e se aproximar do maldito que também era estudante.

Os torcedores continuavam a gritar e pular ao meu lado, até que acontece uma falta perto de nossa área, muito perto. Apreensivo eu já estava, pois a garota estava preste a se despedir da ameba ambulante que passou conversando durante todo o jogo. Se fosse, seria agora, na despedida, que aconteceria o beijo que faria eu, no mínimo, querer ficar muito bêbado e desanimar.

A barreira estava feita, os jogadores se empurravam e andavam para frente disfarçadamente no intuito de diminuir o espaço e visão do batedor. Eu disfarçadamente cruzada os dedos para que a garota fosse embora sozinha e sem beijo.

O juiz tomava distância pronto para apitar e permitir a cobrança, os torcedores do estádio e do bar roendo as unhas. Um silêncio tão devastador que quase consigo ouvir o que o casal conversava, quase, mesmo assim não era possível.

O juiz apita, o cobrador não vai imediatamente para a bola. Faz drama. O mesmo drama que a garota faz para se despedir. O cobrador já está a dois passos da bola e o casal tem agora, suas bocas tão próximas que sentiam o hálito um do outro. O camisa 11 bateu na bola com jeito e ela viaja sem pressa em direção ao gol. Meu goleiro dá passos largos para o lado como um caranguejo e mantém seus olhos esbugalhados. A mão do cretino está no pescoço bem abaixo das orelhas da estudante. Queria eu, ser vesgo neste momento para poder olhar para os dois lances. Um olho no peixe e outro no gato. A bola ia em direção ao gol e o goleiro tentava acompanhá-la. As bocas se aproximaram e já faltavam poucos centímetros para que até seus cílios se tocassem.

Em onde eu fixaria os olhos eu não sabia. Na bola ou nas bocas? O goleiro pulou e passou despercebido pela gorducha seguindo seu caminho em paz até a rede. Nada poderia lhe impedir, nada a abalava. Os zagueiros já não se mexiam dentro da área. O cobrador inconscientemente já se dirigia a sua torcida para comemorar o gol da classificação que parecia inevitável. Eu já me preparava para o beijo inevitável. A bola foi. NA TRAVE! E caprichosamente saiu de campo por cima do travessão. A boca do garoto seguiu em direção a linda e deliciosa boca da garota e numa esquiva típica de mulher difícil encontrou apenas sua face esquerda.

Todos pularam e comemoraram como se fosse um gol do nosso time, a bola para fora, é claro. Até eu pulava e o Dreher foi pelos ares e serviu aos santos. Mas eu. Eu comemorava a solidão da garota a caminho de casa.

E o jogo? Ora, quem liga para o jogo?


Bento. 

domingo, 20 de maio de 2012

GIULIARD BORSANDI IV

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Indica-se ler os episódios anteriores: "GIULIARD BORSANDI III"



Em alguns capítulos anteriores eu falei sobre um amigo de redação que cuidava dos classificados do jornal. Só que na verdade não era bem um amigo, um colega, no máximo. Quando eu caí não tinha ombro amigo para me escorar, a única que poderia ter feito isso era Nelia, que como vocês já sabem se bandeou para o outro lado, o lado mais forte. Eu não estou reclamando, tudo que tive foi por méritos próprios, sem a ajuda de ninguém. O mundo é assim, todos querem ficar por perto quando você tem dinheiro, fama e mulheres, quando não se tem nada disso ficam só os covardes, os falidos, que acham que um grupo de coitados se torna mais forte. A vida não é uma cooperativa, porra! Você está sozinho, num mundo de bilhões de pessoas, você está sozinho!

Mas aí, depois do sonho que tive com Nelia, onde acordei babado, finalmente abri a porta e quem eu vejo ao lado do Cabelo foi justamente esse colega, o Tadeu.

 - Essa campainha está dando choque sabia?

Ele nem me dera bom dia e já estava reclamando da merda da minha cabra, digo, campainha. É por isso que não gosto de dar moral para as pessoas, ela acham que podem fazer o que bem entendem só por achar que tem intimidade com você. Está dando choque nesse filho da puta e mesmo assim ele continuou enchendo meu saco até me acordar e me tirar do sonho com Nelia. Eu deveria usar o 38. e meter uma bala no meio dos olhos deste marqueteiro metido a jornalista.
Eu acordo mal humorado, na verdade, estou todo tempo de mau humor, só quem está na minha pele pode entender, ou seja, só eu.

 - É um teste! Para saber se realmente estão precisando de um investigador ou só estão querendo encher o meu saco.

Virei às costas e fui até a gaveta do scotch tomar o primeiro trago do dia, acordei cedo. Geralmente só acordo depois das 13 horas, ninguém acorda cedo disposto a contar para um desconhecido que está sendo passado para trás. E geralmente eu durmo muito tarde.

 - Então eu passei no teste.

Tadeu entrou atrás de mim e sentou na cadeira que tinha do lado oposto ao meu da escrivaninha. Cabelo parado na porta olhava para o sujeito que havia entrado no meu escritório com ar de desconfiado, mas Cabelo era igual a mim, não tinha muita paciência e nem confiava em muita gente.

 - Tá de boa aí Giu?

 - Suave Cabelo. E obrigado.

 - Precisando, eu to lá embaixo.

Então Cabelo nos deixou a sós para falarmos, eram dois lances de escadas de madeira oca comida pelos cupins que habitavam aquele prédio desde o tempo do Brasil colônia.

 - Bom, Tadeu. O segundo teste é: Você me acordou cedo e eu não gosto disso. Então vou te dar cinco minutos do meu tempo para você me convencer que merece minha atenção.

Ele parecia feliz em me ver, mas tinha bebido recentemente, bebido muito. Seu rosto magro como eu lembrava depois de tantos anos era agora bem mais magro, barba por fazer. Os lábios brancos denunciavam a ressaca e os olhos, denunciavam a tristeza.
Percebi na hora que o problema era mulher.
Um homem só se acaba desse jeito quando tem mulher na história. Por isso tem gente que diz que a pior droga do mundo são as mulheres e nada pior na vida de um homem que uma vadia.
Um homem aguenta tudo; levar porrada, trabalho pesado, eliminação do time do coração, morte da mãe... Homem só não aguenta uma vadia em sua vida. É assim desde que o mundo é mundo.


 - Primeiro eu quero dizer que lamento muito o quê aconteceu lá no jornal.

 - Poupe o meu tempo e o seu. Passado é passado. E sei que você não veio aqui depois de tanto tempo só para dizer que lamenta.

Esse animal não entendeu nada. Quero me livrar dele o mais rápido possível e ele aí dando voltas. Eu não gosto de ver ninguém do meu tempo de jornalista. Todos eles me fazem lembrar do fato ocorrido e de Nelia. E eu não preciso de ajuda para lamentar o meu amor perdido. Vadia!
Meu dia vai ser ótimo, já estou até vendo.
Uma vadia no sonho e um corno na minha frente. O que virá depois? Minha mãe?

 - Vá direto ao assunto Tadeu. O que é? Casamento?

 - Não, não me casei.

 - E o que você quer de mim?

 Tadeu me contou sua história, ele não casara, mas tinha uma namoradinha. Disse que desconfiava dela, o que é normal, todo mundo desconfiava de todo mundo, alguns só não assumem. Por isso é que eu prefiro ficar sozinho, na verdade não prefiro, porém não vou me entregar a qualquer vagabunda só pela solidão, para isso inventaram o sexo casual. Mas isso é outra história, voltando ao Tadeu...

Ele estava disposto a casar com essa tal namoradinha, já tinha pagado as alianças, faltava só o convite. Então me procurou para ter certeza se ela era a mulher certa. Como se eu fosse Deus, porra! Mesmo se eu for atrás dela e achar alguma coisa, não quer dizer que ela não seja a pessoa certa. Existem milhares de casamentos que só sobrevivem por causa das traições, eles saem da rotina e voltam para casa renovados, sem falar nos voyeurs, nos que transam a três. Cada um sabe onde o calo aperta. Não vou julgar.

Resumindo era isso; eu iria investigar a garota para saber o que ela andava fazendo quando não estava sentando no pau do Tadeu. Passei meus honorários e disse que não iria dar desconto pela nossa "amizade" e tal e tal. Sabe como é, amigos, amigos... Mas dei um toque:

 - Eu vou investiga-la, mas uma vez ouvi um ditado que quem procura acha. Você está pronto para o que eu posso encontrar?

 - Sim...

Não botei muita fé, é por conta e risco dele.

 - Então, negócio fechado. Eu mantenho contato, agora saia.

Nos despedimos e eu pedi para que fechasse a porta quando saísse.

Ao invés de procurar informações da namoradinha de Tadeu eu me servi de mais uma dose de scotch e acendi um cigarro, era meu café da manhã. Eu tinha tempo, afinal a mulher do pastor só sairia para dar o rabo na sexta-feira, que era quando ele iria viajar e hoje ainda era segunda.

 E logo o sonho com Nelia invadiu minha mente. Maldito sonho...



Bento.

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domingo, 29 de abril de 2012

GIULIARD BORSANDI III

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Indica-se ler o capítulo anterior "GIULIARD BORSANDI II" 



Eis que acordo pela manhã com a campainha estourado meus tímpanos que mais parecia uma cabra sendo estuprada por um caipira. Por um breve momento achei que era um sonho, infelizmente não era. Acordei assustado e percebi que a chuva tinha partido e agora restava um sol de dar inveja a qualquer verão, apesar de estarmos no outono, tanto que acordei ensopado como na noite passada, só que desta vez não era por causa do banho de chuva, era suor causado pelo sol que batia na minha cara. E a campainha disparando o berro da cabra.

Eu tenho um 38. colado com fita adesiva debaixo da escrivaninha por precaução que nunca fora usado, contudo quando se é um delator, um cagueta como eu, as pessoas tendem a não ter muita simpatia. Quando comprei o ferro do mané do Cabelo imaginei momentos como esse que eu acordaria de surpresa e imediatamente ergueria a arma apontando-a por todo o escritório como nos filmes da máfia, mas nunca tive esse cacoete de policial. Só fui lembrar da arma quando já estava em pé com a mão na maçaneta da porta.

Por falar em Cabelo, eu molhava a mão dele sempre que entrava algum dinheiro para que ele me avisasse quando estivesse subindo alguém para meu escritório, afinal o prédio era bem antigo e não possuía nenhum sistema de segurança como câmeras e etc. Tão antigo que não me surpreenderia se dissessem que Dom Pedro II tivesse usado um dos apartamentos para trepar com alguma puta do império.

Cabelo não era bem um funcionário do prédio, na verdade, não havia nenhum funcionário lá, ele era mais um passador de drogas típico de um país de terceiro mundo, boné aba reta da CBF, camisa polo listada e Nike no pé, fora as correntes douradas no pescoço e nos braços que ele costumava balançar como aquele personagem de uma novela antiga. Era garoto ainda, deveria ter feito dezoito recentemente e chamavam-no de Cabelo pelo Black Power que escondia dentro do boné. O garoto usava a portaria como ponto, boca, chamem como quiser.

Porém, fazia tempo que não entrava nenhum dinheiro e consequentemente havia tempo que Cabelo não recebia nem uma moeda.

Finalmente abri a porta e quase coloquei para fora todo o café que ainda não tinha tomado. Era Nelia que disparava a campainha do meu escritório como uma desesperada. E ela estava linda, definitivamente linda. Abri a porta e ela me recepcionou com seu sorriso branquíssimo e dentes perfeitos de menina rica que vai ao dentista uma vez por semana. Ao contrário dos meus dentes amarelos de fumante e tortos de quem só foi saber o que era dentista aos dezoito anos e foi no primeiro ano de faculdade, quando houve uma campanha gratuita feitas pelos estudantes de odontologia.

O fato é que aquele sorriso, aquele olhar de superioridade (ela fora a única que conseguiu me colocar na linha), aquele rosto perfeito e branco como o sorriso, me deixava de perna mole, me tirava qualquer problema da cabeça e eu ia do céu ao inferno em questão de segundos. Ainda havia o decote, eu era louco por aquele decote. Nunca vi seios tão perfeitos apontando para minha cara, seios nem grandes nem pequenos, mas proporcionais para seu corpo magro, os mamilos rosados como chiclete, Nelia era a mulher da minha vida do dedo do pé até seus cabelos lisos e negros.
Eu já estava de pau duro pensando naqueles peitos, muito devido ao fato de ter acabado de acordar. Incrível como acordo com um tesão de garoto de quinze anos, quando Nelia interrompeu minha viagem à terra dos seios. "Você não vai me convidar para entrar?" ela disse com sua voz de anos de aulas de canto.

Não sei, depende do que você veio fazer aqui - eu respondi fingindo não estar nem aí para a visita dela. Só que na verdade eu desejava vê-la a cada minuto do meu dia. Em cada corpo de mulher que minha língua passeava eu imaginava ser o dela, imaginava sua língua em cada boca que eu beijava e adicionava mentalmente as pintas do corpo de Nelia, cada uma, nos corpos de todas as minhas amantes.

Então a mulher dos meus sonhos me respondeu com o mesmo sorriso dizendo "estava com saudade" e antes que eu pudesse por em prática toda a minha estupidez, toda minha aspereza, ela pôs a mão em minha nuca e meteu a sua língua macia na minha boca. Agora meu pau não estava só duro, latejava dentro da minha calça como um cão que late para o carteiro.

***

Foi quando eu ouvi a campainha novamente e agora eu estava de volta na cadeira, todo ensopado de suor com o sol batendo na minha cara. Era um sonho, só um sonho ou, mais um sonho. Eu já deveria saber que se tratava de mais um sonho que tinha com Nelia, pois eles eram diários, não importava quantas vezes eu dormisse, todas as vezes sonhava com Nelia. Como eu sou idiota.

Levantei-me para abrir a porta e percebi que a única coisa real no sonho era o pau duro. Arrumei o “menino” dentro da calça de forma que ninguém percebesse o volume e até que deu certo. Lembrei da arma, coloquei o 38. na parte de trás da calça e fui ver quem dava dedadas na cabra que eu chamava de campainha.

Era um amigo de muito tempo atrás...


Bento.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

VÁ VIVER SUA VIDA

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Era uma vez um homem que vivia numa terra deliciosamente encantadora, cheia de sonhos e cores, onde o sol era constante, e a chuva só aparecia para trazer junto o arco-íris.

Os pássaros cantando entre os ramos das árvores, e os beija-flores beijando incansavelmente assim como o homem.
Até que um dia ele ouviu uma coisa que mudara sua vida: Vá viver sua vida!

 - Mas como viver minha vida se tudo que eu toco me lembra você?
Vá viver sua vida!

Como viver minha vida se ao cantar é sua voz que entra em meus ouvidos arrepiando os pelos do meu braço só de imaginar você próxima?
Vá viver sua vida!

Como eu posso fazer isso se quando penso na distância entre nós dois meus olhos deixam o guarda-chuva de lado e se encharcam, como se isso fosse trazer você pra perto?
Vá viver sua vida!

Como é possível se quando digo aos outros que não sinto sua falta meus olhos insistem em me desmentir?
Vá viver sua vida!

Como ser livre se tudo o que eu mais desejo é estar preso aos teus braços e fios de seus cabelos?
Vá viver sua vida!

Eu tento, tentei por um tempo, mas agora eu desisti, afinal, até a minha teimosia já tem saudade de você?
Vá viver sua vida!

Deus... Como é difícil dormir com o silêncio ensurdecedor do meu peito, nem um pio, pois não tem mais nada lá.
Vá viver sua vida!

Oras, mas como se meus dedos se entrelaçam neles mesmos, pois de seus dedos eles também sentem saudades?
Vá viver sua vida!

Mas como? Se agora estou aqui escrevendo e pensando em ti.
Vá viver sua vida!

Eu só queria saber como é fazer isso.
Vá viver sua vida!

É difícil quando me vejo perdido sem ninguém para procurar.
Vá viver sua vida!

Seria possível se eu não comparasse até mesmo a saliência daquela ruga em sua testa ao sorrir.
Vá viver sua vida!

Como? Se todo rosto não faz nem sombra no brilho que meus olhos transmitem quando veem você mesmo nas lembranças.
Vá viver sua vida!

Como poderei se minha vida só tem continuidade nas linhas do seu livro?


Bento.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

SE EU NÃO LEMBRO É PORQUE VOCÊ TIROU MINHA ATENÇÃO

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Vou confessar minha incapacidade de gravar nomes.

Ouço o nome, identifico o nome, mas ele se derrama pelos meus ouvidos e vai embora, talvez pelo fato de ser imaginativo, quase “Fantástico Mundo de Bob”.

Acabo de te conhecer e prestarei atenção em seu cabelo e se eles têm tinta ou não, ondulados ou não, quebradiços, ou se foram presos com algum detalhe.

Prestarei atenção em suas sobrancelhas e se foram retirados recentemente os fios rebeldes.
Descerei meus olhos para o nariz e a maçã do rosto tentando desvendar sua personalidade.

Com ímpeto me prenderei na sua boca e nela é onde perderei mais tempo, imaginarei todas as coisas possíveis e impossíveis de se fazer com ela, como seria ao se contrair quando ficasse brava, ou ao expandir-se quando te fizer sorrir? Me deleito em diferentes formas e cores dos lábios.

Enquanto isso o nome já foi dito e eu me perdi em algum lugar.


Bento.
 
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SÓ PORQUE SOU HOMEM

Dizem que por ser homem eu não posso chorar.

Que por ser homem não posso demonstrar meus sentimentos.
Só por ser homem não posso dizer “eu te amo”.
Falam que por ser homem não posso ter vaidade.
Falaram-me que por ser homem não posso ter amizades femininas eternas.
Dizem que por ser homem não posso sofrer por amor.

Só por ser homem não posso me entregar de corpo e alma numa relação.
Dizem que o fato de ser homem me impede de ser romântico.
Se sou homem eu não posso me preocupar com as roupas que vou sair de casa, nem com meu cabelo.
E só por ser homem não posso tirar a noite para assistir filmes debaixo das cobertas.
Por ser sou homem não posso lavar louças, roupas, nem fazer faxina.
Dizem que por ser homem não posso chorar com filmes.
Falam que por ser homem não posso me preocupar com o próximo à ponto de esquecer de mim mesmo.

Se eu sou homem não posso discutir a relação.
Só por ser homem não posso demonstrar toda a minha alegria em público.
Dizem que o fato de ser homem me impede de confessar meus fracassos.
Também dizem que como sou homem não posso me preocupar com a higiene de minhas mãos e pés.
Por eu ter nascido homem não posso me sentir inseguro.
Falam que homem que é homem não pode abraçar um amigo.
Homem que é homem não pode ser sincero à ponto de se prejudicar com isso.
Dizem que por ser homem tenho que esquecer de meus princípios.
Só por ser homem não posso ser honesto.

Eu sei que sou homem e que estou bem assim.


Bento.

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ESTAMOS EM REFORMA PARA MELHOR ATENDÊ-LOS

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Texto exibido na Coluna Fala Bento! na worknet.
Andando por aí me deparei com uma placa com o seguinte dizer: “Estamos em reforma para melhor atendê-los”. Achei genial.

Já parou para pensar que nós aplicamos isso nas nossas vidas também?
Eu estou falando de recomeços, olha em volta e veja como nos reinventamos diariamente, quando somos largados, deixados de lado, abandonados por quem amamos, quando tomamos aquele famoso “Pé na Bunda”, a primeira coisa que pensamos é em nos demolir, e realmente nos demolimos. Depois pensamos num projeto de reconstrução, colocamos esse projeto num papel como uma planta e começamos a reconstrução.

Mudamos de amizades, resgatamos algumas amizades deixadas de lado, mudamos de corte de cabelo, renovamos o guarda roupa, baladas novas ou diferentes, fazemos algum curso de seis meses só para nos ocupar, viajamos para lugares que ainda não conhecemos, nos reinventamos totalmente. Acontece com todo mundo.
Fazemos de tudo para afastar as lembranças, provar que somos melhores do que isso, e que estamos muito bem sozinhos, obrigado.
Porém, com toda reforma vem estresse, bagunça, sujeira, incomodo. Toda reforma gera perdas e ganhos, nos modificamos como a um mutante, é impossível permanecermos os mesmos depois de sofrermos por algo ou alguém.

Mudamos até o caminho de casa para não lembrar da antiga companhia.
Aquela rádio que você ouvia todo dia incomoda pelo fato de tocar aquelas mesmas musicas que ouviam juntos, logo você muda de rádio, você muda até de gênero musical.
Aquela roupa que ela ou ele adorava te ver com ela, você doa, rasga, poe fogo, e nunca mais compra se quer algo parecido com aquilo, você muda até de estilo, melhor andar fora de moda do que lembrar.
Aquele livro que você ganhou de presente dele ou dela e que você estava prestes a terminá-lo você jamais saberá o final, afinal, para que terminar de ler se você não tem mais ninguém para comentar sobre ele.
E aquele passeio que planejam fazer juntos, naquele parque, deseja que nunca mais passe nem perto e se passar fechará os olhos até que o destino fique para trás. Se não for com a companhia que você queria para quê ir? Você muda de endereços.

Até o jeito que você falava, as gírias e vícios você se esforça para perder, pois, qualquer palavra dita com certa ênfase te faz lembrar, então você muda mais uma coisa em você.
Os dias passam e você vive encontrando aquelas pessoas desavisadas que insistem em perguntar daquela pessoa, e você com um sorriso amarelo tenta disfarçar e ser o mais educado possível, fingindo não sentir mais nada, mas você lembra e vai lembrar o dia todo, a semana toda, logo agora que faziam alguns dias que você não lembrava. Então você muda de amigos, só para não ouvir mais os comentários.
O pior é mudar de personalidade, você que vivia sorrindo fazendo piadas parece seu bisavô ex combatente de guerra que vive de mal humor e acha que tudo que as pessoas dizem e fazem é para te enganar e te estressar, ou você era um sujeito tímido e agora vive falando com todos querendo ser o mais popular possível, é a vontade de aparecer.

Mas as pessoas não mudam nunca. Logo essa reforma acaba, e vemos no momento da inauguração que tudo estará como sempre, apenas alguns azulejos novos.

Bento.
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

MENTINDO...

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Eu não quero te ver, apesar de meus olhos vivem te procurando por onde quer que eu vá.
Eu não quero falar com você, mas sempre arrumo uma desculpa para puxar assunto.
Eu não quero ficar perto de você, porém faço o mesmo caminho só para te seguir.
Eu não quero pensar em você, no entanto me pego planejando os meus dias com sua presença.
Eu não quero sentir o cheiro dos seus cabelos, mas insisto em penteá-los com meus dedos.
Eu não quero desejar você, só que minhas mãos sempre procuram a sua quando caminhamos lado a lado.
Eu não quero você em meus sonhos, porém percebo que ao fechar os olhos sonho com você até acordado.
Definitivamente não quero te amar, mas vivo me enganando.


Bento.
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