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Como um quadro.
É assim que vejo sua janela. Janela que caprichosamente virada para o lado da rua me permite passar, parar, e olhá-la por longas e longas horas.
Sei de cabeça quantas persianas existem na janela do seu quarto.
Vislumbro cada canto e reconheço a poeira nova.
Já tenho meu lugar preferido, a guia da calçada é a mesma que eu sentei ontem, hoje e sentarei amanhã. Demorei dias para achar o melhor ângulo.
Alguns resfriados depois da chuva que peguei, mas continuo olhando, esperando...
Talvez no meu inconsciente imagino você abrindo a janela e jogando suas tranças como Rapunzel, mas isso é só na minha imaginação.
Aquele cadeado insiste em não abrir, e me pego pensando se trocou as cortinas, se os móveis do quarto ainda são os mesmos, se minhas fotos ainda permanecem no mural.
Eu já faço parte da sua rua, como aquela árvore, a lombada, o banquinho de madeira e eu.
Não consigo tirar os olhos da janela, à espera de algum sinal de que a luz se acendeu, seu vulto entre as frestas já seria um presente imenso, nem isso consigo.
Algumas pessoas viajam, outras vão curtir a noite, ao teatro, cinema, eu digo: Vou para a janela.
Me visto como para uma ocasião especial, repasso todas as novidades em minha cabeça para contá-las quando a janela for aberta e volto para casa cabisbaixo, mas com os mesmos planos para o dia seguinte.
Eu não à vejo, mas sei que você está olhando.
Bento.
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