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terça-feira, 12 de junho de 2012

GIULIARD BORSANDI V


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Indica-se ler os episódios anteriores: GIULIARD BORSANDI IV


Segunda-feira e eu tinha uma semana para resolver o caso do Tadeu antes de ir atrás da crente safada, a mulher do pastor. Provavelmente só vou vê-la na sexta de noite. Toda vez que penso no pastor e sua esposa dando para o obreiro fico curioso com a situação. Nunca entendi esse negócio de religião.
Mesmo antes de Nelia, Ricardinho e Dr. Hernandes desgraçarem minha vida eu não me ligava em religião. Acredito em Deus tanto quanto ele acredita em mim e quem me vê hoje, depois de todo o futuro que eu tinha planejado, acho que Ele nem lembra meu nome, ou finge que não lembra.

"Quanto mais alto está, maior o tombo", foi o que Tadeu me disse uma vez e agora ele está pedindo minha ajuda para descobrir se a putinha dele está sentando em outro pau.

Acho que termino este caso em dois ou três dias, hoje é segunda, quarta-feira eu acabo e me livro do Tadeu. Uma estudante de vinte poucos anos, auxiliar de escritório, não deve ser muito difícil de ser seguida. E não é que não goste do Tadeu, na verdade ele não fede e nem cheira, mas qualquer pessoa da redação ou da faculdade me faz lembrar meu auge e a vida que eu tinha antes, aí eu fico puto e quero beber.

Só me ligo nos dias da semana por causa dos trabalhos, para mim tanto faz, contanto que eles passem o mais depressa possível. Não me lembro do último aniversário que tive.
Não quero parabéns, nem bolo de aniversário. Muito menos parabéns de gente falsa, que bate nas suas costas desejando felicidades, sucesso e a puta que pariu. Esses são os piores. Tem gente que sabe o aniversário de todo mundo que conhece, anotam na agenda para não esquecer só para fazer essa merda de social, dar presentinhos, lembrancinhas. "Lembrei de você". Lembrou uma porra! Vai é me foder na primeira oportunidade que tiver.

Chega disso, não quero ficar aqui resmungando sozinho. Estou feliz, nem tanto, não pense que vou ficar todo serelepe pulando de alegria que nem uma bicha e dando bom dia para qualquer imbecil, porém esses 500 conto que Tadeu me adiantou vai ajudar bastante, a gasolina do DelRey já estava no osso e me lembrei que fazem dois dias que não tomo banho, então vou para casa.

Eu evito ir para casa porque tudo que está lá me lembra de Nelia. Nelia e a porra toda. Você deve ter percebido que eu tento me desvencilhar de meu passado de qualquer forma, mas é impossível, não consigo. Sou um fracassado. Sou um fracasso que já foi alguma coisa, o que é muito pior.

Cheguei em casa e tomei um banho enquanto a lasanha congelada esquentava no micro-ondas. Minha casa era na verdade um cômodo só, que eu dividia com móveis.
Cama num canto, guarda-roupa e TV em outro, um sofá no meio e no outro canto um micro-ondas e a geladeira. Comi a lasanha sentado do sofá vendo TV e tomando uma Heineken.

Curioso é que consigo passar dias com minha dieta especial a base de cigarros, café e Whisky, mas foi só colocar algum alimento no estômago para correr ao banheiro. Passei trinta minutos lá dentro sentado no vaso.

Depois de ver um pouco de TV e escrever alguns contos peguei no sono e só acordei às 21h00min. Adivinhem com quem sonhei enquanto dormia...

E lá se foi meu dia de folga, sobrara a noite para eu me divertir um pouco, resolvi ir para o bar.


Bento.

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domingo, 20 de maio de 2012

GIULIARD BORSANDI IV

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Indica-se ler os episódios anteriores: "GIULIARD BORSANDI III"



Em alguns capítulos anteriores eu falei sobre um amigo de redação que cuidava dos classificados do jornal. Só que na verdade não era bem um amigo, um colega, no máximo. Quando eu caí não tinha ombro amigo para me escorar, a única que poderia ter feito isso era Nelia, que como vocês já sabem se bandeou para o outro lado, o lado mais forte. Eu não estou reclamando, tudo que tive foi por méritos próprios, sem a ajuda de ninguém. O mundo é assim, todos querem ficar por perto quando você tem dinheiro, fama e mulheres, quando não se tem nada disso ficam só os covardes, os falidos, que acham que um grupo de coitados se torna mais forte. A vida não é uma cooperativa, porra! Você está sozinho, num mundo de bilhões de pessoas, você está sozinho!

Mas aí, depois do sonho que tive com Nelia, onde acordei babado, finalmente abri a porta e quem eu vejo ao lado do Cabelo foi justamente esse colega, o Tadeu.

 - Essa campainha está dando choque sabia?

Ele nem me dera bom dia e já estava reclamando da merda da minha cabra, digo, campainha. É por isso que não gosto de dar moral para as pessoas, ela acham que podem fazer o que bem entendem só por achar que tem intimidade com você. Está dando choque nesse filho da puta e mesmo assim ele continuou enchendo meu saco até me acordar e me tirar do sonho com Nelia. Eu deveria usar o 38. e meter uma bala no meio dos olhos deste marqueteiro metido a jornalista.
Eu acordo mal humorado, na verdade, estou todo tempo de mau humor, só quem está na minha pele pode entender, ou seja, só eu.

 - É um teste! Para saber se realmente estão precisando de um investigador ou só estão querendo encher o meu saco.

Virei às costas e fui até a gaveta do scotch tomar o primeiro trago do dia, acordei cedo. Geralmente só acordo depois das 13 horas, ninguém acorda cedo disposto a contar para um desconhecido que está sendo passado para trás. E geralmente eu durmo muito tarde.

 - Então eu passei no teste.

Tadeu entrou atrás de mim e sentou na cadeira que tinha do lado oposto ao meu da escrivaninha. Cabelo parado na porta olhava para o sujeito que havia entrado no meu escritório com ar de desconfiado, mas Cabelo era igual a mim, não tinha muita paciência e nem confiava em muita gente.

 - Tá de boa aí Giu?

 - Suave Cabelo. E obrigado.

 - Precisando, eu to lá embaixo.

Então Cabelo nos deixou a sós para falarmos, eram dois lances de escadas de madeira oca comida pelos cupins que habitavam aquele prédio desde o tempo do Brasil colônia.

 - Bom, Tadeu. O segundo teste é: Você me acordou cedo e eu não gosto disso. Então vou te dar cinco minutos do meu tempo para você me convencer que merece minha atenção.

Ele parecia feliz em me ver, mas tinha bebido recentemente, bebido muito. Seu rosto magro como eu lembrava depois de tantos anos era agora bem mais magro, barba por fazer. Os lábios brancos denunciavam a ressaca e os olhos, denunciavam a tristeza.
Percebi na hora que o problema era mulher.
Um homem só se acaba desse jeito quando tem mulher na história. Por isso tem gente que diz que a pior droga do mundo são as mulheres e nada pior na vida de um homem que uma vadia.
Um homem aguenta tudo; levar porrada, trabalho pesado, eliminação do time do coração, morte da mãe... Homem só não aguenta uma vadia em sua vida. É assim desde que o mundo é mundo.


 - Primeiro eu quero dizer que lamento muito o quê aconteceu lá no jornal.

 - Poupe o meu tempo e o seu. Passado é passado. E sei que você não veio aqui depois de tanto tempo só para dizer que lamenta.

Esse animal não entendeu nada. Quero me livrar dele o mais rápido possível e ele aí dando voltas. Eu não gosto de ver ninguém do meu tempo de jornalista. Todos eles me fazem lembrar do fato ocorrido e de Nelia. E eu não preciso de ajuda para lamentar o meu amor perdido. Vadia!
Meu dia vai ser ótimo, já estou até vendo.
Uma vadia no sonho e um corno na minha frente. O que virá depois? Minha mãe?

 - Vá direto ao assunto Tadeu. O que é? Casamento?

 - Não, não me casei.

 - E o que você quer de mim?

 Tadeu me contou sua história, ele não casara, mas tinha uma namoradinha. Disse que desconfiava dela, o que é normal, todo mundo desconfiava de todo mundo, alguns só não assumem. Por isso é que eu prefiro ficar sozinho, na verdade não prefiro, porém não vou me entregar a qualquer vagabunda só pela solidão, para isso inventaram o sexo casual. Mas isso é outra história, voltando ao Tadeu...

Ele estava disposto a casar com essa tal namoradinha, já tinha pagado as alianças, faltava só o convite. Então me procurou para ter certeza se ela era a mulher certa. Como se eu fosse Deus, porra! Mesmo se eu for atrás dela e achar alguma coisa, não quer dizer que ela não seja a pessoa certa. Existem milhares de casamentos que só sobrevivem por causa das traições, eles saem da rotina e voltam para casa renovados, sem falar nos voyeurs, nos que transam a três. Cada um sabe onde o calo aperta. Não vou julgar.

Resumindo era isso; eu iria investigar a garota para saber o que ela andava fazendo quando não estava sentando no pau do Tadeu. Passei meus honorários e disse que não iria dar desconto pela nossa "amizade" e tal e tal. Sabe como é, amigos, amigos... Mas dei um toque:

 - Eu vou investiga-la, mas uma vez ouvi um ditado que quem procura acha. Você está pronto para o que eu posso encontrar?

 - Sim...

Não botei muita fé, é por conta e risco dele.

 - Então, negócio fechado. Eu mantenho contato, agora saia.

Nos despedimos e eu pedi para que fechasse a porta quando saísse.

Ao invés de procurar informações da namoradinha de Tadeu eu me servi de mais uma dose de scotch e acendi um cigarro, era meu café da manhã. Eu tinha tempo, afinal a mulher do pastor só sairia para dar o rabo na sexta-feira, que era quando ele iria viajar e hoje ainda era segunda.

 E logo o sonho com Nelia invadiu minha mente. Maldito sonho...



Bento.

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