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segunda-feira, 20 de abril de 2015

GÊNESIS - O EVANGELHO SEGUNDO BENTO

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CAPÍTULO 1 - A MORTE


2:1 – Ao contrário do que pensam, não trata-se de um erro colocar o segundo capítulo e chamá-lo de Gênesis. Afinal, para entender tudo o que eu vou dizer, primeiro é preciso familiarizar-se com a morte, pois somos um amontoado de quase nada tentando dar sentido para coisa alguma. Por isso, este capítulo aqui começa pelo final. O fim da vida. Nascemos, morremos e se fizermos tudo certo, seremos felizes neste meio tempo. Não há muito segredo.

2:2 - Então depois de entender que inevitavelmente morreremos e poderemos ir para um lugar melhor ou não, entendermos que poderemos ir para lugar algum, aí sim começamos a conversar e a viver, que é só o que importa.

2:3 - Quero partir do princípio que tudo o que sabe sobre religião, de qualquer origem, bem, esqueça isso. Não há nada mais usurpador que a religião. Não há nada mais controlador que a religião, por isso, aconselha-se sempre afastar-se deste tipo de tendência. Nunca será possível tomar estar palavras como reflexão se já está prefixado em sua mente que existe alguém superior a você capaz de lhe dizer o que é certo ou errado. Você estará quebrando a única regra da qual é baseado toda esta resenha. Mas ainda aproveitando para esfregar na face de qualquer idiota que se opor a essas palavras; se somos todos a IMAGEM e SEMELHANÇA do Homem, não há porque eu ser mais ou menos que meu próximo. Veja que até Deus concorda com esta regra que sugerimos aqui.

2:4 - Este evangelho não é nem de perto religioso, mas claro, também temos os nossos dogmas e cultos e louvores.

2:5 - Você que tem o conhecimento deste evangelho saiba que poderá alcançar a glória sempre que quiser. Mesmo em casa, em sua solidão. Sempre valorize a própria companhia, pois ninguém poderá ser-lhe tão fiel quanto você mesmo. Algum grande poeta já disse que se não consegue ser uma boa companhia pra si, não será para ninguém, todavia isso é outra história. Esqueça as velas, exceto se fizer questão, o verdadeiro fio condutor da paz interior é definitivamente o álcool.

2:6 - Uma boa dose de algo quente e forte, ou gelado e constante te deixará bem mais próximo de seu "eu" interior. Ficar bêbado sozinho exige um alto nível de autoconfiança e autossuficiência. Nunca menospreze seu inconsciente, você pode aprender muito com ele. Isso é quase como uma meditação, mas mantenha os olhos sempre abertos para ver até onde sua imaginação pode levá-lo.

2:7 - Celebre a solidão, celebre a dor, celebre a garrafa inteira à disposição de sua libido. Se você vai fazer isso pela primeira vez pode colocar um ou dois dedos de água por dose, mas aconselho diminuir a mistura gradativamente, pois se quer uma alma pura que a dose também seja. Cigarros são bem vindos. Com isso você já está pronto para ir onde sua imaginação quiser. Ao passado, ao futuro, ao céu ou inferno. A noite é sua, faça o que quiser. Quando fizer isso há algum tempo, quando já estiver num nível superior, perceberá que não é mais refém da vontade alheia. Só você, as paredes e o destilado poderão ditar as regras.

2:8 - Sem a necessidade de outras pessoas, sabendo que pode muito bem se divertir sozinho, passará a escolher cada companhia e aproveita-las cada segundo. Não vai se deixar levar por qualquer proposta ou o medo de permanecer sozinho, afinal, volto a dizer; é e sempre será sua melhor companhia.

2:9 - Contudo, preciso alertá-los; aos olhos alheios, aparentará estranho, sujeito a críticas, olhares esguios, preconceitos e palavras incrédulas contra sua lucidez, mas saiba que sempre poderá contar com a compreensão de seus irmãos de bar.

2:10 - O bar sempre será o lugar onde achará proteção e a sabedoria de uma força maior; a cumplicidade e a capacidade de encontrar sujeitos em situações piores que a sua para aliviar um pouco a tristeza.

2:11 - O bar é nosso templo e nossa morada. Depois de nossas casas é o lugar mais sagrado e protegido. Onde compartilharemos historias e aprendizados com nossos irmãos. Onde ensinaremos e aprenderemos. Onde seremos professores e alunos, pois é importante que saibamos que sempre podemos aprender com o próximo, mesmo que seja uma nova marca de cerveja ou um jeito novo de assar uma carne.



Bento.

sábado, 15 de março de 2014

UM SUJEITO SEM DEMÔNIOS NÃO É SEQUER UM SUJEITO

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Acredito que estou em débito com minha inspiração, ela que já me ajudou tanto, não estou fazendo quase nada para ajudá-la. Não estou fazendo e isso é fato. Um escrevinhador como eu precisa de musas para dar um empurrão na maldita escrita e eu tratei de afastar todas elas. Afastei porque eu tenho essa mania de afastar as coisas, às vezes acerto, às vezes nem tanto, mas ninguém se importa quanto aos meus acertos, não se importam porque simplesmente não é importante. Bem, quero confessar que quando digo "ninguém" quero dizer "eu". Se você que está lendo isso achou confuso, volte e leia do começo, mas com atenção desta vez, estou sem tempo para ficar explicando.

Na verdade estou sem tempo para quase tudo. Com exceção das coisas básicas eu quase não faço nada a não ser vestir qualquer coisa e sair para trabalhar. Aliás, trabalhar tem sido cada vez mais sacrificante, porém um sujeito como eu, cheio de vícios, precisa de um salário no fim do mês para dar conta do recado. Curioso que estou tão sem tempo que mesmo meus demônios não me acham para uma conversa de fim de noite e um sujeito sem demônios não é sequer um sujeito. Veja então minha situação.

Por vezes me sinto num grande vazio, só ar e vazio e paredes sem cor e poucos idiotas que levantam-se da merda e me fazem desviar o olhar, no entanto não por muito tempo porque estou sem tempo até para indignar-me com idiotas.
Estou há dias de fazer uma viagem no intuito de pintar as paredes, pois preencher o vazio é querer demais, se ainda fosse Vegas, mas não, então temos de nos contentar com o que temos.

Esses dias me peguei pensando sobre um bom amigo que tenho, que creio eu, está passando por seu momento mais feliz, em toda sua vida, curta, mesmo assim o melhor momento. Fora inevitável a comparação, pois o que ele vive hoje eu já vivi e estraguei. Pensei e torci e ainda torço para que ele seja mais esperto que eu. Caso não seja mais esperto, então que seja menos explosivo, isso com certeza ira ajudá-lo a não estragar tudo.

Estou fazendo as malas aos poucos e a cada dia jogo lá uma peça de roupa, sem me importar muito. Eu dei férias a minha vaidade exatamente por não estar com disposição para ajudar minha inspiração, então tanto faz. Penso na viagem e juro, a trocaria por uma dor de barriga no intuito de sentir algo, mesmo que dor, porém mesmo as doenças não me encontram. Bebo e não sinto a ressaca, durmo antes do bocejo e acordo antes do despertador. Até a dor de tatuar a pele dói com tanta insignificância que só as faço como forma de manter o vício. "Somos movidos a sentimentos" uma garota me disse uma vez e eu assenti, mas se não sinto, sequer ódio, ou riso, não sinto nem frio nem calor o que resta então? Membros, uma barba enorme e a sensação de que vou apagar essas letras antes mesmo de terminá-las.

Esses dias sonhei que estava caindo. Belo sonho para quem quase não sonha. Caía num poço extremamente profundo, apertado, caía de cabeça. As paredes do poço eram espelhadas e eu me via caindo durante horas. Era estranho, pois cada vez que olhava para meu reflexo eu estava mais e mais velho. Percebi que era um sonho quando me vi aparentando uns cem anos, afinal, com os meus vícios seria um milagre eu chegar a tanto. Meus cabelos iam ficando cada vez mais grisalho, meu rosto cada vez mais cheio de rugas, o nariz e as orelhas ficavam maiores que já são e os cabelos que já estavam brancos ficavam ralos e por fim caíam assim como eu caía naquele poço. Enfim quando eu ficava tão velho quanto um tomate seco eu voltava para a idade atual. Uma coisa de doido, um sonho de maluco, mas não se pode julgar os sonhos. Quando acordei tive que me esforçar para lembrar o sonho todo, porque sonhos vivem escapando de nós, qualquer vacilo e pronto. É claro que pensei sobre o assunto pelo menos durante os três primeiros cigarros do dia, ou seja, mais ou menos meia hora e a conclusão mais razoável que cheguei foi que o tal sonho nada mais é que um reflexo de toda a minha vida. Sim, pois eu vivo me repetindo, entre jeans velhos, erros, defeitos, eu sempre repito as mesmas merdas, uma após as outras, de tempos em tempos, um ciclo infinito.

A última semana eu fiquei sem um gole de nada alcoólico, nada mesmo. Às vezes faço isso só para provar que sou capaz, porém não gosto. Há poucos prazeres na vida para me privar de qualquer um deles, portanto, faltando um dia para completar uma semana resolvi que já era hora de tomar um trago forte e amargo de qualquer coisa. Parte de mim gostaria de ficar bebendo o dia todo e escrever, escrever até que a inspiração bata em minha porta para que eu possa lhe oferecer um café. Outra parte gostaria de ler algumas coisas novas, originais, visceral, só que tudo que acho na internet não passa de baboseira hipócrita e lenga-lenga de jovens que acham que estão escrevendo algum roteiro para a Walt Disney. Logo, só acho essa brecha nos velhos autores de costume. No entanto eles estão mortos, ou quase, e quando terminar de ler tudo não sobrará mais nada. Então, quando penso nisso é que outra parte de mim gostaria de tocar o foda-se pra tudo isso e sair por aí com meus amigos mais retardados e maníacos fazendo um monte de merda por todos os lugares que passarmos e de preferência não deixar uma gota sequer de álcool fora da garganta. E nós faríamos isso muito bem porque é o que fazemos de melhor, beber, fazer merda, arrumar confusão e depois contar histórias. Fazemos isso porque aceitamos totalmente quem somos, sem forçar, sem fingir, sem lamentar. Não somos grande coisa, temos ciência disso e estamos pouco nos fodendo, pois só um idiota finge ser uma coisa que não é.

Eu conheci uma garota uma vez com asas nas costas. Ela tinha um lema; um dia de cada vez. E isso não era só porque ela já tinha sido uma cheiradora de marca maior, isso era para a vida. "Um dia de cada vez". Não se pode atrasar ou adiantar o relógio, então as merdas de outrora você tenta não repeti-las no futuro. No meu caso, eu tento e por vezes não consigo e isso me incomoda, mas às vezes me faz rir, afinal, sou como um mecânico de minha própria vida, das engrenagens de meu Destino, vivo de concertá-las, calibrá-las, trocar peças. Trocar peças é o meu ponto forte, no entanto, algumas peças são mais belas que outras, mais geniosas que outras, mais esperta que outras, mais sexy que outras, mais leoninas que outras e por isso o encaixe não é perfeito. Fazer o quê?



Bento.

sábado, 25 de janeiro de 2014

UM IMENSO POÇO DE ÁGUA COM AÇÚCAR SEM DISTINÇÃO

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Apesar de dizer que estou evitando bares e botecos, não quero que tenham a falsa impressão de que abandonei-os às traças, claro que não. Apenas evito como evitamos assaltos, porém, mesmo assim acaba acontecendo.

Então, por esses dias estava no bar com um amigo meu e falávamos sobre as mazelas da vida, a falta de dinheiro justamente por pagarmos contas altíssimas de bares e ele de puteiros. Falávamos sobre porres e mais porres e transas engraçadíssimas e outras nem tanto. Éramos ele, eu e os mendigos pedindo cigarros e doses de 51 para todos no bar.

Curioso é que bares não fazem parte da mesma dimensão que nós quando estamos trabalhando, por exemplo. Quando no bar tudo à sua volta passa mais devagar, exceto o tempo. O tempo é de uma pressa sem tamanho e ainda estávamos na terceira cerveja, ou na sexta, ou na décima segunda, não sei ao certo, só sei que já era hora de ir embora. Mas antes da partida, enquanto bebíamos e fumávamos com a certeza de que as coisas estão sempre em eterna mudança, num assunto de outrora, o amigo resolveu me elogiar já sabendo que eu não me pronunciaria, pois concordava com tudo.

Chamou-me de chato, arrogante, difícil e ainda se igualou às minhas características. Era hora de partir e na despedida eu me peguei pensando o quão transparente eu sou, mas não para todos. Algumas pessoas simplesmente não conseguem compreender exatamente o que minhas palavras querem dizer e eu não posso fazer nada por elas. O que eu posso fazer? Está lá, para quem quiser saber, guardei a libido do mistério para outras coisas. Onde eu quero chegar com isso é simples. A maioria dos homens você sequer consegue falar mal tamanha a falta de solides, de identidade, originalidade. Não se sabe quem defende, que histórias mantém, que time torce, nem nada. É um imenso poço de água com açúcar sem distinção. Não confundiremos isso com transparência, é só um vasilhame turvo e sem cor, sem ideal, sem ideal. Poucos deles sabem o verdadeiro significado de ideal, eles não se importam, é difícil se interessar por uma coisa que sequer sabe que existe e mesmo quando temos conhecimento de sua existência é complicado se preocupar.

Mas não pensem que é fácil ser transparente. Está longe de ser fácil andar por aí com um rótulo que cobre todo o seu corpo entregando-lhe toda sua sensatez, sua famigerada noção de certo e errado e de bom senso e preocupações peculiares. Complica quando se é tratado com certo receio como se fosse de outra espécie, um gringo em seu habitat natural. Mesmo nas mesas dos bares o idioma é outro, as conversas não batem e pessoas como nós podem falar sobre qualquer coisa, porém grande parte das coisas são chatas pra cacete. E ninguém quer alguém suficientemente inteligente para perceber quando está sendo enganada. Ninguém quer alguém suficientemente esperto para enganá-los, é muita ameaça para eles. Ninguém quer alguém inteligente suficiente para fazê-los se afogarem em suas contradições medíocres. Não é fácil quando damos choques em seus cérebros a ponto de fazê-los entrar em pane. Pensar não é um exercício costumeiro para eles. Já falei que somos ameaça?

É curiosos para esse tipo de gente se deparar com alguém que consegue pensar por conta própria, que não precisa repetir incansavelmente bordões destros ou canhotos, que não precisam virar papagaios de pirata para se sentir intelectualizado. Fazemos parte de uma prole em extinção de pensadores independentes de chavões e modismos dos peidorreiros nas tangas.

É complicado apresentar para família ou amigos um indivíduo que não vende a alma ao preço da socialização. Que tem o bom-mocismo como uma canalhice sem precedente e utopia que só serve de credo para imbecis. E é por isso que não os julgo, nem os indefesos cuzões sem solides e nem mesmo os que se alimentam da imbecilidade alheia.



Bento.


quinta-feira, 15 de março de 2012

LOIRICE IMPLICANTE, MAS ABSURDAMENTE DELICIOSA

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Eu descobri que existem bocas e palavras tão doces que mesmo um nome que eu não gosto, nome esse que me causaria revertério, esse nome em tal boca, com tal doçura, até mesmo esse nome, pode me trazer alegria.

Eu descobri em algumas oportunidades que a tentação é tão forte que ficamos reféns da doçura e que talvez saibamos que estão disfarçadas de carinho amigo, mas é a mais pura tentação de posse.

O fato é que desejamos ter para nós aquilo que já tem nome e sobrenome de um outro alguém, mas na verdade, quem somos para poder dizer que existe um dono de nossos desejos e atitudes?

Na verdade seríamos eu e alguém que talvez pudéssemos dar muito certo num outro momento, numa outra situação ou outra vida, a verdade é tão mais que isso... Mas o que é a verdade senão aquilo que sentimos verdadeiramente de momento? Um momento que pode durar instantes, dias ou meses. Convenhamos, o tempo que dura é o de menos importante, pois o que vai nos levar aos sorrisos largos de orelha é tão só a intensidade do carinho, do afeto e da união de discordar mesmo que seja de brincadeira.

Não, nós não precisamos partilhar da mesma opinião, afinal o que temos de mais importante não existe desacordo: aconteceu porque era assim que tinha de ser. Sem pressão, sem clichê.
Seduzíamos um ao outro sem mesmo nos dar conta e eram os olhos que falavam por nós.

Curioso é saber que estamos dispostos a passar por cima de regras que juramos mantê-las por toda uma vida pensando assim, agir certo, mas certo ou errado quando presente a vontade é só um detalhe. E se regras foram feitas para serem quebradas então que as quebremos por um motivo tão belo quanto a boca e a meiguice que nos fazem gostar até do nome que um dia abominamos.

Claro que tem também aquela doçura provocativa, de uma loirice implicante e uma solidão disfarçada de relacionamento que não nos deixa escolha senão pegar no colo e tomar para si.

E não se deixe enganar por minha cara amarrada de cicatrizes de outrora, isso é mais personagem de ficção numa tentativa infundada e inconsciente de parecer que o tempo me deixou mais forte para futuras surpresas, que só enganam os leigos. Há mais inconsciência que verdade nisso tudo, não me sobram dúvidas.

Falando ainda em tempo, ele que tornara-se meu inimigo mortal em outras vidas, pode e deve, servir-te de amigo, se souber aproveitá-lo e também de sua companhia.
Enquanto eu, sou um impaciente desvairado que deixo o desejo, por vezes, soprar por cima de meus ombros: deixo claro que quero tudo para mim e pronto. Da barriga aos arrepios...


Bento.

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

QUANTA BESTEIRA POR AÍ...

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Amar não é difícil, difícil é saber o que fazer com tanto amor como um mendigo que ganha na loteria, milionário fica perdido com tanto dinheiro. O que fazer?


Você pensa no passado, e as coisas vão absorvendo todas as suas alegrias igual à esponja seca. Roer as unhas, bater a cabeça na parede, isso são só sintomas de desesperados conhecedores do Destino.

Se amar é uma arte deveríamos ser reconhecidos apenas depois de morto e isso nunca será justo.

Foram os injustiçados, os sofredores e solitários que inventaram a lendária máquina de voltar ao tempo, com a esperança de corrigir seus erros e alcançar uma segunda chance.

Você irá chorar, vai gritar, vai lutar contra seu Destino e tentar atrapalhá-lo, enfrentá-lo ou ajudá-lo, vai fazer o quê?

Vai tentar substituir um amor por uma ilusão, por um erro geográfico, por um fetiche talvez, um hobby.

Sofredores se tornam colecionadores, tornam-se rebeldes, artistas, músicos, ladrões de sofrimentos.

A osteoporose é derivada do amor à roer todos os seus ossos com a ingratidão do próprio dono.



Bento.

 
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quinta-feira, 19 de maio de 2011

A LOUCURA NÃO É UM ESTADO DE ESPIRITO

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Eu sou um romântico incurável, acredito piamente no amor mesmo que na maior parte do tempo não tenha motivo algum para fazê-lo.

Posso dizer que nas entranhas que minha pele teima em ocultar há um carpete com a escrita bem vindo esperando pelos pés do amor que ignorará o intuito do capacho e entrará com os pés sujos em meu peito, afinal todo amor é irresponsável.

Sendo assim imagino que o que eu escrevo é um monte de imbecilidades sem sentido que para alguns parecem verdade. Por isso afirmo: Se no fim eu sou maluco levarei muitos comigo em minha loucura.


Bento.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O NÃO NASCE SEMPRE DE UMA PERGUNTA

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Eu descobri exatamente como uma mulher se sente quando não quer aceitar indiretas dos homens.
De fato nem todos tem coragem de dizer NÃO diretamente. Dizer tal palavra não é complicado por sentir dó, nem por sentir remorso, muito menos medo de se arrepender.

O NÃO foi pensado muito tempo antes, analisado friamente e chegada à conclusão de que o NÃO é o salva-vidas. Seria como uma fração de sentimentos, como dizer que contrariando o NÃO tu abriu mão de toda sua crença, pois você próprio se conhece melhor que qualquer pessoa e tentar mesmo sabendo do erro, seguir com algo que você sabe que nunca, ou melhor, jamais dará certo é pura ignorância.

Não por nada, mas sabendo que o fato em questão é tão errôneo você iria continuar por quê?
Cortamos o mal pela raiz e seremos felizes para sempre cada um com sua ilusão, sendo assim evaporam-se os riscos e o andar continua esguio nas noites de outrora aparentando sempre na contramão de que meus olhos mostram, afinal, o que eu procuro não pode estar acorrentado, ou preso a um peso.
Não quero testar minha dignidade com a espada de Arthur, mas também não quero ser a pedra.


Bento.

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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

PERCA UM SEGUNDO, EU PERCO HORAS

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Continue remexendo em minhas entranhas a ponto de fazer sentir-me revivendo toda a tristeza sentida outrora.
Continue esfregando em minha face mesmo que inconsciente que é tão fácil sua permanência longe de mim.
Continue fazendo de meu espírito seu prêmio como se estampado em uma foto em cima da mesa da sala como uma caça bem sucedida.
Continue tornando-me demente de remorso crendo em recuperar algo em algum lugar esquecendo de andar para frente.

Eu continuo te dizendo adeus, mas você não vai.
Tranco-me num cômodo, fecho as portas, as janelas, desligam-se os telefones e me cubro com o silêncio e tento pegar no sono em vão.
Teria eu que me isolar de mim mesmo, afastar meu peito de minha cabeça de meus braços e minhas pernas, afastar os cotovelos das dores, os fios de cabelo da luz do olhar, mas mesmo assim não adiantaria, porque estas dentro de cada centímetro de carne, debaixo de minha pele correndo por minhas veias. Falar dos pensamentos seria perda de tempo.

Faça do calor dessa sua terra nova a energia que precisa para ludibriar os obstáculos, mas pelo menos tente perder alguns segundos de seu dia ou da noite e tenha uma vaga lembrança, afinal já se foram tantos os dias e logo completará um ciclo inteiro.
Perca um segundo, eu perco horas.
E eu? Eu continuo te dizendo adeus, mas você não vai.


Bento.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SEM PRESSA

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Sempre andei rápido, herança dos tempo de office boy quando queria acabar o serviço logo para jogar truco na praça.

Nos relacionamentos isso sempre foi um problema.
Sábado à noite, namorada impecável, depois de horas em frente ao espelho, incontáveis trocas de roupas e salto alto. De mãos dadas e eu andando com passos de um metro como árbitro de futebol medindo uma falta. Arma-se a cara emburrada.
Domingo à tarde, shopping, sorvete e eu andando como se houvesse um incêndio assolando algum prédio indefeso. A briga se estende até segunda-feira de noite.
Agora quando solteiro me vejo correndo ainda sem necessidade com fones de ouvido, ou um livro a tira colo.

Hoje resolvi fazer diferente. Ficaram em casa livros, fones e celular, caminhei sem pressa olhando as coisas em minha volta, colocando os pensamentos em ordem, separando por gavetas com divisórias cada um de meus sofrimentos, alegrias e planos. Dei atenção a eles há muito tempo abandonados, meus pensamentos exigiam atenção, brigavam por isso, tínhamos dores para curarmos.

Levei-os para passear no parque, deitados na grama demos às mãos.
Sentados no banco da praça sorrimos juntos e falamos sobre o futuro, planejamos viagens de reconciliação, uma segunda lua-de-mel com meus pensamentos, juntos até que a morte nos separe outra vez, e ela passou aqui em casa novamente com seu melhor vestido, seu rosto angelical para enganar as pobres almas à levar sob suas asas. Por isso estou saindo para o enterro novamente, só que dessa vez sem pressa, com o andar contido, prestando atenção na ampulheta do tempo, sem relógio, sem nada para tirar minha atenção.

Vou observando as pessoas, os casais, os grupos, a inconstância das nuvens sobre minha cabeça, o desfile do sol à fazer seu trabalho com sabedoria e calma eu tomo como exemplo.
Sem pressa.

Bento.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

EU SOU EGOÍSTA

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Notei que ultimamente estou falando por códigos, tentando esconder meus sentimentos, ou querendo que eles sejam interpretados.
Maquiando no meio de todas as linhas desses textos o que me traz a vida e a morte, para quê se esconder se é me mostrando que eu vejo realmente quem eu sou?!
O que realmente quero e desejo só sairá de trás das cortinas para estrear no palco da vida quando eu me libertar dessas máscaras. Eu não sou assim, por tanto resolvi voltar a aparecer.
Nesses dias postei nas redes sociais: Estou Liberto. E a resposta foi rápida! As perguntas sobre o que tinha acontecido comigo, se eu estava bem...
Eu não soube responder.

Que eu estava e estou liberto é fato.
Mas se estou bem ou não é outra história.
Me peguei pensando sobre a minha alforria, vou falar na “lata”, resolvi olhar fotos recentes do meu “ex amor” em sua page e me deparei com algo que me trouxe à tona tudo isso, vi uma foto dela beijando outro.
Minha reação foi...
Isso mesmo, nada.

Não senti nada, exatamente nada. Simplesmente ignorei. Cliquei para voltar a minha home e ver se tinha algum recado.
Mas é obvio que fiquei pensando nisso, na tal foto havia uma legenda: Amor.
Não sei se isso é bom ou é ruim, depois de tudo que passei acredito que a tal palavra pode ser uma maldição, talvez tenha exclamado em minha mente um Coitada, ou um Azar seu.

Depois me lembrei sobre uma conversa com minha irmã, casada, com um filho, uma vida estável, eu disse não precisar, e nem querer um amor neste momento. Afinal estou tão bem independente, com tantas coisas para fazer, tantos lugares para conhecer, e pessoas para testar que não me vejo com tempo nem disposição para doar minha atenção a alguém que um relacionamento necessita.

Mas o que mais me chamou a atenção foi mesmo o fato da minha reação, ou a falta dela, me fez perder tempo pensando nisso, me senti perdendo algo, não ela claro, isso eu perdi há muito tempo. O que eu perdi foi a saudade, a lamentação, o interesse, me encontrei sem ter pelo o que sofrer.
Pode parecer coisa de maluco, você pode estar se perguntando se eu gostava de sofrer, claro que não, porém, você se acostuma com o tempo, eu meio que me planejava já, acordo às oito, às nove eu tomo café e às dez eu sofro. Nesse fim de semana eu vou para o bar, cinema,  sofrer e lembrar um pouco para variar. Quando me vi sem isso para fazer, sem isso para sentir me vi perdido. E Agora?
Como será daqui para frente?
Vou pensar em quê?
Vou sentir o quê?
Tirarei inspiração de onde?

O que eu quero dizer é que muito das coisas que eu fazia, como sair, encher a cara, “me jogar” em qualquer balada que aparecesse era simplesmente pelo fato de tentar esquecer o que eu teimava em lembrar.
Foi quando eu lembrei de lembrar de mim, pensei em viver à meu favor, tirar disso o que tem de melhor.

Viverei por mim, claro!
Como não pensei nisso antes? De tanto lembrar dela esqueci de mim.
Agora me tornei egoísta. E isso é ótimo.
Ao invés de amá-la vou me amar, vou me presentear, vou me dar atenção, deixar recados surpresas para eu mesmo. Vou ligar para mim no meio do dia só para saber se estou bem. Vou dizer que me amo. Vou me mandar flores.

Passearei comigo mesmo, me levarei ao shopping, vou me levar ao cinema e assistir aos filmes que eu quiser, vou fazer uma tatuagem com meu nome declarando e eternizando o amor que sinto por mim mesmo.

Vou me apresentar a minha mãe como o homem da minha vida, pediria minha mão em casamento ao meu pai se o tivesse. Farei cafuné em mim e vigiarei meu sono, só por prazer.

Me tornarei egoísta sim, com muito orgulho.
E alimentarei aquele sonho de ser feliz para sempre ao meu lado.

Bento.

 
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