quarta-feira, 8 de junho de 2011

Era Eterno.

-



Tem tantas coisas que eu quero esquecer
Possuo mágoas que eu não quero mais lembrar
Há tantos sonhos que eu não pude ter
Ficam amores que eu não vou presenciar
Falta coragem de querer sobreviver
Só mais um gole pra eu poder não acordar
Já não basta eu tentar me reerguer
Basta te ver e eu fico a me derrubar

Fiz de tudo pra tentar me libertar
Quis viver, mas parei em teu olhar

Algumas horas então volta anoitecer
Só mais uma vez vou ter a Lua a me beijar
Eu já não olho mais pro céu não tem porque
Seria o mesmo que tentar me encarar
Meu melhor foi pouco pra te merecer
Tentei ser barro mas falhei, não soube me moldar
Atormentado estou e os dias são eternos
Quebrei espelhos agora eu tenho que pagar

Fiz de tudo pra tentar me libertar
Quis viver, mas parei em teu olhar

Aquele velho eu não soube suportar
Tornei-me só, sobrou ninguém para cuidar
Minha alma clama por um pouco de perdão
Por mais que eu fuja a solidão, insiste em me achar 
O poeta não tem mais o que dizer
O que era eterno teimou em acabar
São as paredes que me assustam pra valer
Nelas eu vejo muros a me separar

De você
Eu faço votos que um dia eu vou lembrar
De você
Lembranças boas que me façam melhorar

Bento.

-

terça-feira, 7 de junho de 2011

-


“Como emancipar um corpo que já foi bem melhor utilizado pelas mãos alheias?”

Bento.

-

quarta-feira, 1 de junho de 2011

VOCÊ NUNCA VAI SE ACOSTUMAR COM O FATO DE PERDER AS COISAS QUE BATALHOU PARA CONQUISTAR.

-


Enésio que era amigo de um amigo meu e sofrera o maior susto de sua vida. Num acidente de percurso do destino corria o risco de perder a parte mais importante de seu corpo que não eram os braços, não eram as pernas, era seu membro sexual.

Pense em alguém com síndrome do pânico.
Pense em alguém preferindo e planejando a própria morte.
Pense em alguém se sentindo um inseto prestes a ser esmagado pelo chinelo de borracha.

Era assim que Enésio se sentia, perder coisas faz com que adquirimos conhecimento, mas tudo tem limite, tudo que é exagerado é ruim e conhecimento não foge dessa regra.
Quando se perde tudo o que possuía o que aprendeu não tem valor algum, pois não se tem onde aplicar seu aprendizado. Por sinal os eunucos são extremamente inteligentes, mas incrivelmente burros em relação ao sexo e Enésio amava sexo.

Enésio preferia de fato ser um ignorante nas leis humanas, se atrapalhar com os números e fórmulas da matemática, um inútil na filosofia da vida, preferia continuar com seu português incorreto e nulo na arte de criar caminhos melhores para alavancar sua carreira profissional do que ser privado da coisa mais importante de sua vida, mais importante até do que o título estadual de futebol de 1983 do seu time do coração que pôde ver das arquibancadas junto com seu velho e falecido pai. Mais até do que o cheiro do pão recém assado da padaria onde toma seu pingado todos os dias de manhã.
Enésio ao se ver inutilizado percebeu que todo o resto perdeu o sabor, nada mais era importante, até o álcool perdeu a embriaguez.

O amor pelo seu próprio pinto deixava transparecer o egoísmo na sua forma mais autêntica, perde-se tudo, menos a possibilidade de se auto-agradar.
Um homem sem pinto não é homem, também não possui inteligência e sensibilidade para ser mulher então é o quê?
Também não se torna um animal qualquer porque permanece com sua consciência da morte, então o que é?
Acalme-se e não perca tempo tentando responder minhas perguntas desinteressantes. Faça de todas as perguntas, retóricas, pois a resposta é sempre menos importante.
Reflita sobre o que fez surgir a pergunta você aprenderá sempre mais assim.
Você quer saber que fim levou Enésio?

Eu poderia inventar um final feliz aqui só para tornar a história mais decente, azar do Enésio que não nascemos com dois pintos e uma perna.

Bento.

-

domingo, 29 de maio de 2011

Barquinho (Musica)

-

-
 
Não há luz não há desejo
Até o vento estacionou
Durou a noite um mês inteiro
Quando seu beijo me deixou
Não há mais cheiro, não há mais zelo
Não há nem mesmo seu reclamar
Só há tristeza e desespero
Não há vontade de respirar
Até que tento vencer o medo
Só que não há onde apoiar
Não há seu ombro não há conselhos
Nem sua mão pra eu segurar
Num belo dia então Aline
Pediu meu colo e se deitou
E como veio ela se foi
Deixou o gosto e o amor

Então meu Deus me visitou
E com o mar inteiro me presenteou
Eu perguntei de que me serve?
Se meu barquinho me deixou?
 
Bento.
 
-

quinta-feira, 26 de maio de 2011

QUANTA BESTEIRA POR AÍ...

-

Amar não é difícil, difícil é saber o que fazer com tanto amor como um mendigo que ganha na loteria, milionário fica perdido com tanto dinheiro. O que fazer?


Você pensa no passado, e as coisas vão absorvendo todas as suas alegrias igual à esponja seca. Roer as unhas, bater a cabeça na parede, isso são só sintomas de desesperados conhecedores do Destino.

Se amar é uma arte deveríamos ser reconhecidos apenas depois de morto e isso nunca será justo.

Foram os injustiçados, os sofredores e solitários que inventaram a lendária máquina de voltar ao tempo, com a esperança de corrigir seus erros e alcançar uma segunda chance.

Você irá chorar, vai gritar, vai lutar contra seu Destino e tentar atrapalhá-lo, enfrentá-lo ou ajudá-lo, vai fazer o quê?

Vai tentar substituir um amor por uma ilusão, por um erro geográfico, por um fetiche talvez, um hobby.

Sofredores se tornam colecionadores, tornam-se rebeldes, artistas, músicos, ladrões de sofrimentos.

A osteoporose é derivada do amor à roer todos os seus ossos com a ingratidão do próprio dono.



Bento.

 
-

COISA DE DOIDO!

-

Eis que aparece uma garota que não se sabe se és bela ou não, se és magra ou não. Tudo o que se sabe é que ela toma um anjo como disfarce.


Fruto proibido do Éden mais cretino que eu mesmo criei sabe-se lá o motivo. Caráter disfarçado pelo medo do arrependimento ou paixão fora de hora.


Bento.
 
-

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A LOUCURA NÃO É UM ESTADO DE ESPIRITO

-


Eu sou um romântico incurável, acredito piamente no amor mesmo que na maior parte do tempo não tenha motivo algum para fazê-lo.

Posso dizer que nas entranhas que minha pele teima em ocultar há um carpete com a escrita bem vindo esperando pelos pés do amor que ignorará o intuito do capacho e entrará com os pés sujos em meu peito, afinal todo amor é irresponsável.

Sendo assim imagino que o que eu escrevo é um monte de imbecilidades sem sentido que para alguns parecem verdade. Por isso afirmo: Se no fim eu sou maluco levarei muitos comigo em minha loucura.


Bento.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O NÃO NASCE SEMPRE DE UMA PERGUNTA

-

Eu descobri exatamente como uma mulher se sente quando não quer aceitar indiretas dos homens.
De fato nem todos tem coragem de dizer NÃO diretamente. Dizer tal palavra não é complicado por sentir dó, nem por sentir remorso, muito menos medo de se arrepender.

O NÃO foi pensado muito tempo antes, analisado friamente e chegada à conclusão de que o NÃO é o salva-vidas. Seria como uma fração de sentimentos, como dizer que contrariando o NÃO tu abriu mão de toda sua crença, pois você próprio se conhece melhor que qualquer pessoa e tentar mesmo sabendo do erro, seguir com algo que você sabe que nunca, ou melhor, jamais dará certo é pura ignorância.

Não por nada, mas sabendo que o fato em questão é tão errôneo você iria continuar por quê?
Cortamos o mal pela raiz e seremos felizes para sempre cada um com sua ilusão, sendo assim evaporam-se os riscos e o andar continua esguio nas noites de outrora aparentando sempre na contramão de que meus olhos mostram, afinal, o que eu procuro não pode estar acorrentado, ou preso a um peso.
Não quero testar minha dignidade com a espada de Arthur, mas também não quero ser a pedra.


Bento.

-

sábado, 14 de maio de 2011

Cinema Em Casa.

-

Ele sentou-se na ponta da escada e chorou copiosamente ao ver o mesmo filme pela vigésima vez, como uma criança que perde sua bola de borracha por um atropelamento corriqueiro. Mas agora a companhia do sofá era apenas um copo com algo que queimava o estômago e a garganta. Pois ele sabia que quando criança era infinitamente mais fácil de ser agradado.

Bento.


-

terça-feira, 10 de maio de 2011

DIÁLOGO MAIS SEM GRAÇA

-


O problema do diálogo é que ninguém quer ouvir.
Diálogo sem espectador não é diálogo.
Não se faz de uma conversa uma batalha de quem fala mais ou mais alto, a guerra é de argumentos.
Ninguém ouve porque aguarda com impaciência a frase alheia terminar para desabrochar a própria, sem nem sequer ter absorvido o argumento que não possui. Há mais intolerância nas conversas de elevador do que nas filas do banco.
Quem é mais esperto?
Quem fala mais alto?
Quem tem o problema maior?
Quem teve o porre pior?
Quem fala mais rápido?
Quem parece mais engraçado?
Quem consegue disfarçar melhor a inocência?
Quem tem o time campeão?
Quem dará a última palavra antes de chegar ao andar desejado?

O silêncio nunca vence!


Bento.

-