quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

PEQUENOS PEÕES DESCARTÁVEIS COMO MERDA NO INTESTINO

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Existe um velho clichê que as mulheres amadurecem mais cedo que os homens. Em qualquer livro escrito por mulheres você testemunhará esse fardo que levamos. Somos aos olhos das mulheres como são os cavalos, vistos apenas para carregá-las e procriar. Parece machista, não? Mas não é. Tente ver pela ótica masculina, somos forçados a agir como homens desde cedo. " Seja homem" nos dizem. "Aja como homem" outros nos ordenam. Ser homem, no popular, quer dizer ter responsabilidades, não deixar que as pessoas nos vejam sofrendo, não cometer erros e SE cometermos a insensatez de errar temos que assumir e seguir em frente. Caso este exemplo de homem existisse teríamos milhões de psicólogos e autores de autoajuda desempregados. Ser homem quer dizer ser imponente, soberbo, o macho alfa. Temos que resolver todos os problemas, defender todos à nossa volta e cuidar para que não precisemos, em momento algum, da ajuda de outro homem, muito menos de uma mulher. Vê quanta responsabilidade para um ser, que dizem, amadurecer muito tardiamente?

Se um casal é pego fazendo uma merda a culpa é do homem. Um casal de assassinos, a culpa é do homem. Um casal é pego usando droga, foi o homem que a influenciou. A mulher está sempre à margem, como seres inocentes e místicos. A mulher pode ser infantil até seus cem anos, nós homens não podemos nos dar esse luxo. Concordo apenas em parte desta acusação dirigida a nós. Só não amadurecemos quando trata-se de sexo. Eu mesmo tenho a libido sexual de um garoto de 16 anos, e virgem. Dou conotação sexual em quase todas as atitudes e torço para estar certo. Quer um exemplo? Quando vejo uma mulher com buço por fazer não demora para que eu chegue a teoria de que se ela não se dá ao trabalho de depilar a cara imagine o resto. Tudo tem conotação sexual e eu não sou o único homem que age assim.

Ainda sobre sexo, tenho um amigo que está com uma nova namorada e me pediu conselhos sobre como convencê-la a fazer sexo anal como se eu fosse um expert no assunto. Não sou de maneira alguma e disse isso a ele, mas não o convenci. Disse que sobre sexo anal, a única coisa que eu poderia saber mais do que ele é que existem as mulheres que fazem e as que não fazem e é só o que sei. Sexo anal é como um ato de confiança, um segredo que ele teria de ser merecedor e ainda por cima poderia acontecer acidentes que talvez ele não tivesse estômago para suportar. De qualquer forma este meu amigo estava convencido que precisava experimentar e que eu tinha que lhe dizer algo para ajudá-lo. Então disse o que sei; muito álcool para sua garota e quando ela estiver bêbada e transando toque no assunto, pode ser que tenha sucesso. Ele não ficou satisfeito, mas foi só o que ele teve.

Passado uma semana, num novo encontro com esse meu amigo ele me disse ter desistido da ideia do sexo anal e claro que eu quis saber o porquê. O fato é que ele estava com uma garota um tanto mais jovem que ele e com a idade vem a curiosidade e o desafio. Sua garota lhe propôs um acordo do qual ele conseguiria o que ansiava contanto que desse algo em troca. Primeiro ele provaria da invasão em seu próprio reto e se a dor fosse suportável para ele, então poderia experimentar o reto dela. A proposta não me causou mais surpresa quanto a aceitação dele e neste dia, quando ele me disse que tinha desistido da ideia, este meu amigo não ousou sentar-se. Homens fazem coisas estranhas quando trata-se de sexo.

Devido a sociedade machista os homens aprendem desde cedo guardar seus escrupulosos em casa enquanto sai para caçar, por isso somos tratados como inimigos por algumas mulheres, mas isso é só para inglês ver, pois nem mesmo elas suportam os bom moços. Elas casam-se com eles, no entanto trepam com os anti-heróis. Trepam, pois o sexo é mais gostoso, afinal nenhuma mulher quer passar a vida sendo comida num papai-mamãe nojento e tedioso.

Não faz muito tempo eu conheci um dos maiores filhos da puta de toda a historia da ficção, Francis J. Underwood. Digo que este é um filho da puta de dar gosto, chega a ser bonito de ver e eu que sempre me achei um filho da puta de marca maior percebi que tinha muito que aprender. Sabe, o problema não é ser filho da puta, pois o mundo foi feito para eles, os mesquinhos, os ingênuos e os sinceros, são todos pequenos peões descartáveis como merda no intestino. Deus criou o mundo para os filhos da puta vagarem como grandes e belos pavões dominadores.

Testemunhas de Jeová acreditam que após o apocalipse, depois da festa de despedida com drinks de sangue e tripas como aperitivos, Deus expurgará os pecadores para o inferno para que os puros possam herdar a terra. Eu particularmente acho isso uma besteira, primeiro porque ninguém por aqui é puro. Vivemos num mundo onde os religiosos são mais cruéis que os mais cruéis maníacos, assassinos e todo o resto da escória. O próprio Hitler se sentiria enojado e com um pouquinho de inveja dos pastores que temos por aqui, pensando em como ele pôde ter deixado passar uma ideia tão boa. Em nome de Deus tudo é perdoado e talvez hoje, se Hitler tivesse aberto uma igrejinha, numa garagem fedorenta, ele teria dominado o mundo. Se você não fica receoso com uma religião que cresce tão rápido com comandantes tão asquerosos , espalhados pelos três poderes do governo, eu tenho que dizer que você é um idiota. Sendo assim, não tenho muitos motivos para acreditar que algum de nós terá um Destino diferente. Deus já se arrependeu de sua criação e se castiga obrigando-se a assistir tudo isso como reles telespectador. Mas poderia ser muito pior caso Ele sentisse algum prazer sádico nisso tudo. Por isso eu digo que o problema não é ser um filho da puta. O que me faz perder o fôlego é o filho da puta que mente para si mesmo dizendo-se santo. Então a festa do apocalipse está por vir e eu estarei sentado ao balcão do bar misturando whisky ao meu drink de sangue fresco às escondidas para não irritar os religiosos.



Bento.

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

SOMOS TODOS EGOÍSTAS MENTIROSOS COM UM MEDO ENORME DE SERMOS PEGOS NA MENTIRA

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Existe uma coisa sobre as mulheres que todos nós, homens, devemos saber; elas costumam acreditar nas coisas mais mirabolantes e mais inacreditáveis que possamos imaginar. Quando elas estão apaixonadas é possível sem muito esforço convencê-las sobre tudo, pois elas estão propensas a acreditar em tudo que saia da sua boca, até os sentimentos findarem. Quando seus sentimentos se esvaem elas acreditam em tudo, em apocalipses zumbi, E.Ts, no Diabo, menos em você, pois você é a imagem de tudo que elas abominam. Ainda tem aquela garota que você acaba de conhecer e ela foi com a sua cara, esta sequer vai pensar que você seria capaz de enganá-la, veja como são essas mulheres.

Já os homens não se apegam muito ao que é mentira ou não, certo ou errado. De fato, o que ele precisa é ter você nua na frente dele, o resto ele só vai pensar depois. Não existe bicho mais desapegado que o homem. Eu diria até que o homem quando quer transar é um exemplo para nossa sociedade. Ele é desapegado a dinheiro, não tem preconceitos, não liga se você tem todos os dentes ou se comunica corretamente, neste momento ele quer apenas transar e pronto. Se perguntar para qualquer homem ele vai te confirmar que existe uma dezena de garotas que ele comeu sem sequer se dar ao trabalho de perguntar o nome e se perguntou não lembra. Tão desapegado o homem que é enganado e nem se dá conta. Mas até então ele não está ligando, engane-o, porém chupe-o.

Chato é o corno. Esse passa a desacreditar de qualquer coisa. Todo homem que é muito desconfiado pode apostar, é corno. Ou foi, ou é, ou será, afinal já viu pretendente melhor pra corno que o desconfiado? Aquele indivíduo que segue a mulher em tudo quanto é lugar, pesquisa amizades, priva a moça de tudo que é coisa e no final vira corno, claro. Mulher presa é igual cachorro no cio, a primeira oportunidade que tem de escapar foge.
O corno é tão desconfiado que deixa de lado até os amigos por medo de ser traído, o que ele não sabe é que amigo dificilmente trai, quem trai é a mulher, com um desconhecido qualquer porque é mais excitante. Quem leu Nelson Rodrigues pode dizer melhor.

Entre tantas mentiras poligâmicas criei uma teoria há tempos que nunca mais repeti com exceção de hoje: daqui há vinte ou trinta anos monogamia será coisa fora de moda, bem como discman, bandas com calças coloridas e sertanejo universitário. Com o tempo cada vez mais escasso e a globalização será impossível manter um relacionamento com uma só pessoa. Serão relacionamentos Express, deliveres, como as bicicletas públicas espalhadas no centro de São Paulo, pegue aqui e devolva ali. Seremos todos acompanhantes momentâneos uns dos outros. Na época de internet e smartphones alianças de compromissos serão coisas de avós, pieguice.

Antes que me critiquem por minha teoria quero dizer que somos seres egoístas porque é de nossa natureza. É uma coisa de sobrevivência, instinto animal e não se pode fugir disso, antes de sermos humanos somos animais, não mais que isso. Relacionamos-nos apenas porque é de extrema necessidade, como comer, beber e cagar, transar também é uma necessidade e se pudéssemos fazer isso sem trocar uma palavra sequer com a outra pessoa pode ter certeza que faríamos, no entanto também é de nossa natureza forjar uma aparência de que somos sociáveis, racionais e que nos importamos com os sentimentos alheios antes do nosso. Vivemos de aparências como os animais silvestres vivem da caça. Somos caçadores de egos, de libido, matamos alguns instintos, mas outros nós apenas mascaramos.

Eu conheci uma garota uma vez que era uma leoa, indomável, rebelde, independente, ou seja: chata pra caralho, mas de uma chatice esplendida, uma chatice que me esfregava na cara minha incompetência em domá-la e nós seres racionais nunca nos demos bem com o fracasso, nós temos dessas coisas. Eu citei este caso, pois mesmo que eu tenha adquirido uma vontade enorme de conquistá-la e uma libido impar sem sucesso, eu consigo viver bem com isso. É claro que uma vez ou outra me vem uma lembrança, que geram um conto ou outro, porém não vou morrer por isso. Os trinta cigarros diários, as dezenas de latas de cervejas semanais, as garrafas de destilados podem vir a me matar e matarão, mas não isso.

Não isso, pois ninguém morre de amor. Quem vos fala sou eu, um romântico incurável que já sofreu de amor durante anos a fio. Ninguém morre de amor, as pessoas fingem, romantizam sobre seus sentimentos, no entanto não passa de puro e simples egoísmo. Dizem o que gostariam de sentir, mas não sentem. O amor num todo é egoísta, só se ama o que nos faz bem, só amamos o que nos deixa no ápice do tesão e eu não estou falando só de tesão sexual e sofremos quando perdemos esse gatilho de valorização de nossos sentimentos. Só nos importamos com quem nos faz bem e não por amor. Caso o amor não fosse egoísta ele jamais acabaria, seria eterno e independente de reciprocidade.

Nós não amamos ninguém mais que nós mesmos e morrer de amor é morrer de egoísmo. Vai morrer de amor? Claro que não, não é do indivíduo que sentimos falta e  sim dos momentos de êxtase, de alegria e do melhor sexo de nossas vidas até o momento e pode ser que nunca mais encontre algo parecido e aí dizem que morrerão de amor. Morre-se pela falta. Morre-se pela perda, pelo passado prazeroso. O que nós nunca nos damos conta é que o segredo para não sofrer de amor é não sofrer de amor. É não sentir falta, pois não existe nada mais passageiro que a felicidade. A coisa que te deixaria mais feliz ontem seria uma cerveja gelada no meio do expediente, hoje você tem a tal cerveja e tem um outro desejo de felicidade, pois ontem já passou, assim como seus desejos. Somos todos egoístas e mentirosos com um medo enorme de sermos descobertos na mentira.



Bento.  

sábado, 25 de janeiro de 2014

UM IMENSO POÇO DE ÁGUA COM AÇÚCAR SEM DISTINÇÃO

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Apesar de dizer que estou evitando bares e botecos, não quero que tenham a falsa impressão de que abandonei-os às traças, claro que não. Apenas evito como evitamos assaltos, porém, mesmo assim acaba acontecendo.

Então, por esses dias estava no bar com um amigo meu e falávamos sobre as mazelas da vida, a falta de dinheiro justamente por pagarmos contas altíssimas de bares e ele de puteiros. Falávamos sobre porres e mais porres e transas engraçadíssimas e outras nem tanto. Éramos ele, eu e os mendigos pedindo cigarros e doses de 51 para todos no bar.

Curioso é que bares não fazem parte da mesma dimensão que nós quando estamos trabalhando, por exemplo. Quando no bar tudo à sua volta passa mais devagar, exceto o tempo. O tempo é de uma pressa sem tamanho e ainda estávamos na terceira cerveja, ou na sexta, ou na décima segunda, não sei ao certo, só sei que já era hora de ir embora. Mas antes da partida, enquanto bebíamos e fumávamos com a certeza de que as coisas estão sempre em eterna mudança, num assunto de outrora, o amigo resolveu me elogiar já sabendo que eu não me pronunciaria, pois concordava com tudo.

Chamou-me de chato, arrogante, difícil e ainda se igualou às minhas características. Era hora de partir e na despedida eu me peguei pensando o quão transparente eu sou, mas não para todos. Algumas pessoas simplesmente não conseguem compreender exatamente o que minhas palavras querem dizer e eu não posso fazer nada por elas. O que eu posso fazer? Está lá, para quem quiser saber, guardei a libido do mistério para outras coisas. Onde eu quero chegar com isso é simples. A maioria dos homens você sequer consegue falar mal tamanha a falta de solides, de identidade, originalidade. Não se sabe quem defende, que histórias mantém, que time torce, nem nada. É um imenso poço de água com açúcar sem distinção. Não confundiremos isso com transparência, é só um vasilhame turvo e sem cor, sem ideal, sem ideal. Poucos deles sabem o verdadeiro significado de ideal, eles não se importam, é difícil se interessar por uma coisa que sequer sabe que existe e mesmo quando temos conhecimento de sua existência é complicado se preocupar.

Mas não pensem que é fácil ser transparente. Está longe de ser fácil andar por aí com um rótulo que cobre todo o seu corpo entregando-lhe toda sua sensatez, sua famigerada noção de certo e errado e de bom senso e preocupações peculiares. Complica quando se é tratado com certo receio como se fosse de outra espécie, um gringo em seu habitat natural. Mesmo nas mesas dos bares o idioma é outro, as conversas não batem e pessoas como nós podem falar sobre qualquer coisa, porém grande parte das coisas são chatas pra cacete. E ninguém quer alguém suficientemente inteligente para perceber quando está sendo enganada. Ninguém quer alguém suficientemente esperto para enganá-los, é muita ameaça para eles. Ninguém quer alguém inteligente suficiente para fazê-los se afogarem em suas contradições medíocres. Não é fácil quando damos choques em seus cérebros a ponto de fazê-los entrar em pane. Pensar não é um exercício costumeiro para eles. Já falei que somos ameaça?

É curiosos para esse tipo de gente se deparar com alguém que consegue pensar por conta própria, que não precisa repetir incansavelmente bordões destros ou canhotos, que não precisam virar papagaios de pirata para se sentir intelectualizado. Fazemos parte de uma prole em extinção de pensadores independentes de chavões e modismos dos peidorreiros nas tangas.

É complicado apresentar para família ou amigos um indivíduo que não vende a alma ao preço da socialização. Que tem o bom-mocismo como uma canalhice sem precedente e utopia que só serve de credo para imbecis. E é por isso que não os julgo, nem os indefesos cuzões sem solides e nem mesmo os que se alimentam da imbecilidade alheia.



Bento.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

PORRES INDECENTES E ESPORRADAS NA CARA

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Poucas coisas me deixam mais feliz que beber. Na verdade, acho que só uma coisa me deixa mais feliz que beber, que é fazer sexo enquanto bebo. O auge da felicidade é quando estou bebendo e transando na minha casa. Sim, eu sei que é impossível substituir a mística do bar, mas nos últimos tempos tenho preferido ficar bêbado em casa. Estou sem paciência para lugares cheios, músicas de gosto duvidoso e garçons desgostosos com seus salários de merda com suas caras de bosta demorando anos para trazer uma cerveja dignamente gelada. Bem, isso e também porque eu tenho enfrentado o diabo com porres vergonhosos para quem se propôs a viver uma vida de porres desde cedo. Não é fácil chegar ao meu nível, daqueles de ser reconhecido na rua por desconhecidos como um bebedor de respeito. Porres estes acompanhados de ressacas morais cruelíssimas, mas quando você pisa na merda a melhor coisa que se pode fazer é abrir os dedos. De qualquer forma decidi evitar lugares públicos por um tempo. Faço tudo em casa. Bebo e transo. Sem motéis baratos, sem conta para pagar após estar bêbado. Tudo na mais perfeita ordem. O único problema de se fazer festas em casa é que a bagunça e a sujeira fica para você recolher. Camisinhas jogadas pelos cantos, garrafas de whisky, latas de cervejas, bitucas de cigarros em cima da cama, manchas de vômito no chão... E poucas coisas são tão desagradáveis quanto limpar vômito quando se está de ressaca, com exceção quando a noite anterior tenha sido muito, mas muito boa, pois aí você limpa, lembra das merdas que foram feitas e você limpa feliz. Quase como uma Amélia.

Outro dia eu bebi e tenho um lapso de umas seis horas das quais não me lembro de quase nada. Isso chama-se ossos do ofício, por vezes acontece. Não se pode beber e lembrar de tudo nos mínimos detalhes. Você perde momentos para ganhar outras coisas. Histórias, por exemplo. Não há um bêbado que não tenha uma história engraçada para contar, engraçada para o ouvinte, muitas vezes trágica para o locutor, mesmo assim histórias. Um amigo se perdeu numa cidade próxima rodeado de prostitutas num quarto de motel cheio de baratas e sem um tostão no bolso. Trágico no momento, engraçadíssimo depois de uns dois dias. Eu sempre digo que não confio em pessoas que não bebem, não por nada, não sou preconceituoso, só acho que pessoas que não bebem sempre têm algo a esconder e quando se esconde coisas, no mínimo essas coisas não são tão sem importância assim. É possível que você esteja conversando com um psicopata, um pedófilo e tal, para a maioria ele parece confiável simplesmente porque ele não bebe. Isso sim é preconceito. Julgar uma pessoa antes de conhecer seus piores defeitos é de uma besteira tamanha. Julgar o bêbado só pelo seu hábito de beber também. As melhores pessoas que conheci na vida eram bêbadas. Não professores, não estudiosos, nem religiosos... bêbados. Sempre bêbados.

Ainda falando em religiosos... Hoje encontrei uma garota lindíssima no metrô e ela usava daquelas roupas de velhas sebosas que vão às igrejas mais temperamentais e arcaicas e isso me fez pensar muito em tudo que aquela garota estava deixando de viver por causa de uma lenda idiotia que seus pais a fizeram-na acreditar. Era uma bela garota, uma menina praticamente, com roupas medíocres e uma aliança dourada no dedo denunciando sua libido de transar, fato que a fez casar com outro idiota como ela para se satisfazer, imagino eu. Pensei em todas as festas que ela deixou de aproveitar, todas as decepções de amores que ela não precisou curar e com isso não pôde conhecer a si mesma e os limites de sua alma. Pensei em todas as privadas que ela deixou de sujar com seu vômito, todas as bebidas que não provara e todas as noites de ressaca e mal dormidas que teria de superar. Todos os bares e pessoas loucas que abdicara de conhecer. Todos os tapas na bunda, gozadas na cara, brinquedos eróticos, sustos de gravidez que ficarão apenas em sua imaginação.


Dito isso, penso então que deveria ser pecado introduzir crianças em suas religiões malditas e sem fundamento. Afinal, se é verdade o que dizem sobre as religiões serem libertadoras, no mínimo é preciso passar longos anos pecando para merecer perdão de qualquer que seja o seu deus. Por isso acho que só deveria haver religiosos velhos, deixem as crianças viverem e aprenderem com seus erros, seus velhos cretinos e estúpidos. O tempo é um maldito sacana e cruel que nunca se permite dar segundas chances, portanto, não tirem delas a preciosidade de viver seus melhores momentos. Todo o tempo do mundo pode não passar de um curto espaço de tempo de quinze minutos, então fodam-se vocês e suas alienações exacerbadas por idiotas corruptos que sugam todos os anos de suas vidas com promessas utópicas de um paraíso post-mortem.


Bento.

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

AHHH O SUICÍDIO COLETIVO

Outro dia eu disse que sou a favor do suicídio coletivo como cura para a mediocridade do mundo. Principalmente para os feios. Mas claro que não generalizo. Existem feios com grande valor para o mundo. Falo dos feios e medíocres, dos feios ignorantes. Quem sentirá falta deles? Outros feios talvez, por isso o suicídio coletivo. É, modéstia à parte, uma ideia genial.

Digo isso porque sou um fútil e beleza conta sim. Vinicius de Moraes concordaria comigo. O mundo concordaria comigo, caso não fossem hipócritas e falsos moralistas enganadores sabe Deus de quem, por quem e com qual intuito.

Os falsos moralistas; são deles que sinto mais pena. São religiosos, pais de família, políticos, chefes, cretinos mesmo. Está cheio de pedófilos por aí criticando a juventude minissaia e a juventude "Funk quadradinho de 8". Isso para não falar dos "pastores" estelionatários homofóbicos. Vai entender. Sou sempre o primeiro a dizer que não gosto de Funk, só que meus motivos são musicais e ponto.

Eu sequer perco o meu tempo me fazendo de rogado e não me esforço para agradar imprestáveis. Não somos iguais, nunca fomos e jamais seremos. Existem os de bom senso e os categoricamente medíocres e é a mediocridade que faz do mundo esse esgoto cheio de merda. Então, tratemos de diferenciá-los.

Tudo bem se você quer ser igual a todo mundo, eu no mínimo vou te achar chato, porém, mais chato ainda são aqueles que se esforçam para parecerem diferentes. Nunca funciona, ou você nasce um impiedoso praticante do: FODA-SE a opinião dos outros eu quero é gozar. Ou você será sempre o merda que se finge de underground.

Mas vamos falar do que importa, que é a beleza. Antes que me indaguem sobre eu ser portador ou não de beleza suficiente para manter-me caminhando pela terra já respondo sem rodeios: Sou sim, obrigado. E não, não sou convencido, mas também não sou hipócrita. Logo, vamos todos nos colocarmos no lugar do qual merecemos. Porém, sempre haverá o indignado. Ah, o indignado. Eu já tive dó do indignado, mas passou depressa, depois tive desprezo, pois o indignado é chato, é triste. Um indignado com argumentos já é um pé no saco por si só, imaginem o indignado sem argumentos. Hoje, por eles eu sinto tédio e é só o que eles merecem de mim. Então estes vão fazer longos discursos repletos de indignação, porém a beleza atrai até o mais insignificante dos seres.

Ninguém paga a mais por um apartamento com vista se não for por sua beleza. Ninguém fica rico fazendo carreira no mundo todo como modelo se não for de uma beleza extrema. Vamos parar de nos enganar e assumir que o mundo já faz essa divisão. Se você é belo, ótimo, caso contrário, bem, estude meu caro. Vai dizer que não é verdade? Eu só estou esclarecendo o que você já sabe.

Agora, se você ainda é contra meu argumento quero que reflita um pouco. Imagine-se num metrô lotado, com os trinta e poucos graus que andam fazendo aqui por São Paulo. Eu disse lotado? Coloca mais uns cinquenta indivíduos dentro do vagão que sempre cabe mais. E ainda é de manhã, você sequer chegou ao trabalho e se pudesse venderia um órgão para poder voltar para trás e ir ao parque com seus filhos ou parar no bar da esquina e pedir uma cerveja gelada, mas você não pode. Suas opções são metrô lotado ou ônibus entupido de gente e é só o que você tem. Responda-me com sinceridade: não seria bem melhor ficar apertado entre um monte de pessoas bonitas e bem arrumadas?

Alguém aí pode dizer que beleza nem é tão importante desde que sejam educados. Eu vou argumentar que mesmo a educação tem limites quando se está atrasado para o trabalho e você precisa entrar numa caixa metálica que não cabe nem mais um suspiro. Posso ainda dizer que todos nós somos mais tolerantes quando se trata da falta de educação de alguém bonito. Até nisso o feio sai perdendo.

O feio, por exemplo, tem de ter um bom senso afiadíssimo para se vestir, pois qualquer escorregão e ele fica marcado. Já o bonito quando erra dizem que ele é fashion. O fato de você não aceitar uma coisa não vai fazer com que ela pare de existir, então desista. A única coisa que pode passar à frente da beleza é o dinheiro, mas isso é assunto para outro dia e posso garantir que dinheiro traz muitas coisas belas para quem o tem. Agora vamos combinar que num mar de gente feia como o que vemos por aí, será preciso muitos suicídios coletivos para dar jeito em tudo. Comecemos pelo primeiro.


Bento.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A MERDA DE UMA PORRA DE UM SÓSIA? CONVENHAMOS...

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Não me fode, pois meu pau é maior e na minha vez você estará fodido. Não! Não quero com isso dizer que sou melhor ou pior, quero apenas dizer que dentro de uma média nacional, sim! Eu sou fodão. Mas quem liga para isso?

Bem, voltemos a falar sobre toda a merda que presenciamos; a internet por exemplo, é um antro de mediocridade. Vejo isso pela minha cachorra que é um exemplo de personalidade; fiel, carinhosa, esperta. E eu nunca a vi acessando o Facebook. Deve haver uma lição nisso tudo.

Existe uma característica que eu admiro muito nas pessoas; a singularidade. Quanto mais original melhor. Independe de talento ou etc. Desde que conquiste-me o interesse. Eu sou um desinteressado por natureza. Um broxa de carteirinha. Nasci com a ânsia de explodir e queimar coisas e eu mesmo fazer melhor e neste caso, quando me sinto capado no intuito da superação eu muito que me admiro.

Bom, espero não me tornar clichê com isso, mas volto a falar de garotas. Afinal, se você que está lendo isso agora e é homem nada mais justo que leia sobre algo interessante e o que é mais interessante para você do que garotas? Com certeza interessa homens dos 11 anos até os 95.

Se você que está lendo é uma garota nada mais justo que esse tipo de assunto também te faça virar os olhos de desejo, pois ninguém é mais egocêntrica que as mulheres. Só por isso existem centenas de revistas, sites e programas de televisão dedicados a tal assunto. É um grupo fechado.

Então eu tenho de dizer; tem uma garota...

Na verdade, é complicado ser tão subjetivo em relação a isso. Recebo tantas mensagens de garotas que se elegem à musa que fico refletindo sobre a minha objetividade falha ou a interpretação de texto péssima dessas candidatas.
Bom, eu assumo meus erros. Porém, no mínimo as pessoas deveriam conhecer-se a si mesmas. Se você que lê isso agora e já teve alguma relação comigo, ou sente que eu perderia o meu tempo escrevendo sobre você, primeiro, leia de novo. Ainda acha que é sobre você? Leia de novo. Ainda suspeita de minha vocação de literalizar nossa relação? Então só o que me resta é dizer; parabéns, você está certa! Ou; Ahhh por favor, limite-se a sua insignificância e se põe no seu lugar.

O que eu posso dizer? São muitos nomes para pouco sentimento, pouca intensidade. Eu não posso escrever para todas porque nem todas me interessam. Ok! Pode me julgar e me chamar de sacana, mas o que eu posso fazer? Sou homem, e por sê-lo tenho o péssimo hábito de me transformar em exatamente aquilo que você deseja, nem que seja por algumas horas. O homem nasceu mais próximo do camaleão do que o macaco. O que não quer dizer que mentimos sempre. Só quando nos é conveniente. Assim você finge que me deseja e eu finjo que estou apaixonado. Você finge que me admira por eu ser um lixo e eu finjo ciúme pelas suas companhias. No fim somos fingidores sacanas que só precisam de atenção e afeto - mesmo que falso - para nos sentirmos vivos.

Mas eu enrolei e enrolei para falar da tal garota. Bem, eu não me importo. Falando ainda de beleza e corpo desejável, tenho de dizer que Deus, o Diabo ou o Destino foi muito bom comigo em relação a isso. Afinal, vamos combinar; isso não me apetece por ser natural. Todo mundo sabe, digo que é um plus. Claro! Olhe para mim. Não me permito beleza menor do que aquela que me deixa constrangido. Se não for uma beleza cruel eu sequer perco o meu tempo. Tenho um histórico a zelar. Faz parte do personagem. O que me interessa é o tal conjunto que impregna, só que no desejo de conjunto desta garota me falta coisas que eu não desejo. Pois eu só preciso daquilo que me é indispensável. E se esse é o preço para possuir tamanho prêmio, eu passo. Já passei, faz tempo. As promessas atuais não me farão mais feliz do que as anteriores de beijos em segredo. Quero beijos e pronto. Simplesmente beijos e afeto. Beijos e libido. Se quisesse promessas jogaria na loteria. O que eu quero é mais intenso, sempre foi. Mas minha intensidade é difícil de acompanhar. Falei da garota que foi atrás de um sósia? Pois bem, jamais será mais do que um sósia. Será sempre uma porcentagem inferior partindo do princípio de ser a merda de uma porra de um sósia. Pelo bem ou pelo mal, é difícil superar-me.



Bento.

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sábado, 21 de setembro de 2013

O ASSASSINATO DE BÁRBARA

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Doutor Quaresma chegara ao seu escritório como fazia todos os dias. Deixou sua maleta 007 com Cassandra e deu bom dia aos pacientes na recepção.

 - Cassandra. Na minha sala, por favor.

Cassandra, a recepcionista seguiu o psicólogo até sua sala.

 - A recepção está cheia hoje Doutor.

 - Pois é. Como tem gente retardada nesse mundo. Todos eles esperando que eu posso ajudá-los com uma palavra de conforto ou que mostre o caminho certo para eles. Uns imbecis...

 - Não fala assim doutor, esqueceu que estou quase me formando?

 - Mas eu dou o maior apoio. Não tem jeito melhor de tirar dinheiro de idiotas do que a psicologia. Claro, exceto se você for algum pastor ou político.

 - Ou os dois. Disse Cassandra.

Hahaha

 - Anda. Temos que ser rápidos.

Os dois riram e Cassandra começou a tirar a roupa.
Quaresma abriu a braguilha e Cassandra sentou em seu colo.

Dez minutos depois Cassandra estava na recepção.

 - Senhor Carlos?

 - Sim.

 - Me acompanhe por gentileza, o Doutor Quaresma vai atendê-lo.

 - Ah sim. Pois não.

Carlos então acompanhou a recepcionista até a sala do psicólogo. A garota fechou a porta e deixou os dois homens sozinhos.

 - Olá, bom dia. Como vai? O psicólogo estendeu a mão para o paciente para cumprimenta-lo.

 - Bem, eu acho. Carlos respondeu.

 - Benedito Quaresma, muito prazer.

 - Muito prazer, Carlos Rodrigues.

 - Sente-se Carlos. Fique o mais à vontade que conseguir.

Carlos sentou-se numa poltrona à frente do psicólogo. De veludo, macia e com suporte para os pés. Muito confortável. Passou os olhos pela sala e pôde ver diplomas emoldurados numa das paredes à sua frente e abaixo deles havia uma escrivaninha de madeira maciça de cor escura. A sala não era muito bem iluminada. Quaresma estava de pé à sua esquerda mexendo num gravador e ajeitando um bloco de anotações. Carlos também pôde ver um pequeno bar do outro lado da sala, com garrafas de whisky e outros destilados. Carlos conhecia todas aquelas marcas de bebidas, pois ultimamente vinha abusando do álcool.

 - Senhor Carlos, o senhor fuma?

Quaresma estava agora com uma cigarreira prateada com suas iniciais "BQ" impressas e apontava para Carlos oferecendo-o cigarros.

 - Posso? Perguntou o paciente estendendo a mão para se servir de um cigarro.

 - Fique a vontade. Gosto de pacientes que fumam, pois assim posso fumar também.

 - Um vício maldito esse, não?

 - Nenhum vício é maldito, maldito é não tê-los.

Doutor Quaresma finalmente sentou-se à frente de Carlos, repousou o gravador na mesinha de centro e começou a fazer anotações em seu bloco de papel.

 - Agora senhor Carlos, quero que relaxe e saiba que tudo que me disser ficará restrito a nós dois devido a confidencialidade entre psicólogo e paciente. Portanto, fique tranquilo para me dizer o que quiser para que eu possa ajuda-lo da melhor maneira possível. Você me entende?

 - Claro.

 - Vou começar confirmando os dados da ficha que preencheu na recepção. Ok?

Carlos balançou a cabeça confirmando.

Carlos Rodrigues, 29 anos, brasileiro, nasceu em São Paulo, solteiro e sem filhos. Profissão: assistente de produção e escritor nas horas vagas. Fuma e bebe socialmente. Enquanto Quaresma lia a ficha de Carlos ele passava mais uma vez os olhos pela sala sem janelas e carpete cor de vinho. Quadros e algumas estatuetas faziam do ambiente um lugar confortável, mas com ar arcaico. Perto do bar um objeto destoava de todas as coisas velhas que tinha ali. Uma guitarra Les Paul vermelho sangue.

 - Está correto?

 - Esse sou eu.

 - Ótimo. Bem, vamos lá. O que te trouxe até meu humilde consultório, Carlos? Posso te chamar só de Carlos?

 - Sim. Bom... É... Estou um pouco nervoso, me desculpe. Nunca fiz isso.

 - Todos ficam. Se quiser posso te servir uma bebida.

 - Não está muito cedo para beber?

 - Melhor cedo do que tarde não é?

Carlos sentia muita confiança na forma de falar do psicólogo. Além da chupada na parte lateral de seu pescoço e a braguilha aberta de sua calça social mais justa que o normal, fazia Carlos ter quase certeza que ele dera uma rapidinha com a recepcionista gostosa antes de atendê-lo. E pelo preço da consulta, as roupas caras, o relógio europeu e a cara de ressaca que Quaresma apresentava, Carlos podia jurar que a recepcionista não era a única vagina que o doutor tinha desfrutado recentemente.

Quaresma apertou o botão REC do gravador e foi até o bar. - Whisky?

 - Sem gelo, por favor.

Benedito serviu duas doses. Entregou o copo para Carlos e voltou a sentar-se.

 - Então, comece me dizendo o que você gosta de escrever.

 - Em geral eu escrevo romances policiais, mas meu primeiro trabalho não conquistou muito a atenção das editoras.

 - Por qual motivo?

 - Porque disseram eles que havia muitos tiros e nenhum mistério.

 - Mistério é importante para um romance policial. Mas mortes me agradam muito se quer saber Carlos. E como se sentiu com a rejeição?

 - Nada demais. Comecei a escrever outro agora com mais mistério.

 - Ótimo ótimo. Confiança é muito bom.

 - É...

 - E o trabalho?

 - Vai bem, serei promovido em breve.

 - Bom, bom.

Quaresma continuava fazendo anotações.

 - Tem namorada?

 - Não.

 - Alguém?

 - Bem, tinha...

 - E?

 - Pois é. É por isso que estou aqui.

 - Então me diz.

 - Tem uma garota...

 - Qual o nome dela?

 - Bárbara.

 - Faz jus ao nome?

 - Sim. Faz sim com certeza.

 - E onde ela está agora?

 - Para falar a verdade, não tenho a mínima ideia.

 - Vocês se veem com frequência?

 - Mais do que eu gostaria.

 - Como assim?

 - Eu a vejo em alguns lugares estranhos.

 - Desculpe, ainda não entendo. Quaresma deixou finalmente o bloco de anotações de lado e bebeu um gole de seu whisky.

 - É... É estranho.

Carlos mostrou-se desconfortável em sua poltrona. Também deu um gole em seu whisky e continuou.

 - Eu não sei quem é essa garota entende?

 - Explique melhor.

 - Não me lembro de onde a conheci. Não sei onde mora, não sei seu sobrenome. Eu simplesmente a vejo em lugares estranhos e ela está sempre linda. Mas não tenho certeza se as outras pessoas conseguem vê-la.

 - Então você acha que essa garota não existe?

 - Não! Sei que ela existe. Só não sei se ela existe para as outras pessoas.

 - Hum, interessante. Benedito voltou a anotar. - Quando foi a primeira vez que a viu?

 - No bar.

 - E ela estava sozinha?

 - Sim.

 - E falou com ela?

 - Na verdade ela quem falou comigo.

 - E como foi?

 - Foi ótimo. Ela é engraçada, boca suja e bebe bastante. Sexy, linda...

 - E você se apaixonou?

 - Sim. Mas não sei... Talvez ela esteja na minha cabeça.

 - Qual foi a última vez que a viu?

 - Ontem de noite?

 - E onde estava ontem?

 - Em casa, bebendo sozinho até ela aparecer.

 - E alguma vez você a viu quando não estava bebendo?

 - No começo não.

 - E agora?

 - Bem, eu estou sempre bebendo.

 - E você não quer mais vê-la?

 - Não.

 - E se parar de beber?

 - Cara. Eu sou escritor. Que espécie de escritor eu seria se parasse de beber?

 - Você está certo. E mesmo assim quer parar de vê-la?

 - Sim. Está me atrapalhando. Quero dizer, eu saio com outras garotas e tal. Mas sempre que acontece ela aparece e fica me olhando e eu me sinto como se estivesse a traindo.

 - Você diz quando está sozinho com uma garota no quarto e ela aparece assim, do nada?

 - Isso.

 - Bom, eu acho que você é muito louco.

 - Como? Carlos assustou-se com a afirmação do psicólogo.

 - Sim, acho que você tá chapado. Um Zé Pinga que tá vendo uma mulher que não existe. Doidão. Mas eu não te julgo. Eu gosto de tomar umas coisas pra ficar louco às vezes.

Carlos não sabia o que dizer. Já vira alguns filmes sobre psicólogos e nunca tinha visto nenhum falar daquele jeito. Quaresma continuou.

 - Eu no seu lugar, se ela é gostosa como você diz, eu faria de tudo para continuar vendo-a. Pense pelo lado bom. Uma garota que transa com você e some sem que você precise ligar no dia seguinte? É quase a mulher perfeita. Mas se você quer deixar de vê-la eu vou tentar te ajudar.

 - É... Nunca pensei desta forma. Mas não acho que seja saudável.

 - Não. Não é mesmo, mas eu não ligo muito pra isso. De qualquer forma... Eu poderia te receitar algumas pílulas, porém, você não vai parar de beber e a mistura de antidepressivos com álcool só vai piorar as coisas. Vamos tentar fazer isso de uma forma não convencional.

 - Como?

 - Mate-a!

 - Matá-la? Carlos agora quase tinha certeza que aquele doutor só podia estar louco. - Está louco?

 - Hahaha não sou eu quem está vendo mulheres que não existem, Carlos.

Carlos calou-se.

 - Preste atenção. A Bárbara não existe, certo?

 - Não tenho certeza.

 - Ora homem. Se ela aparece no quarto enquanto você tá enrabando uma garota qualquer, ou ela é uma ladra que te segue por aí - o que seria melhor ainda - ou um fantasma - e eu não acredito em fantasmas - ou ela está dentro da sua cabeça. Portanto, se matá-la, você estará matando uma coisa que não existe.

 - É. Pensando desta forma...

Quaresma então tomou seu último gole de whisky, olhou o relógio e com um sorriso satisfeito no rosto disse para Carlos voltar na próxima semana para dizer como foi.

 - Acabou o tempo Carlos. Faça isso e volte semana que vem para me dizer como foi. Cassandra marcará um horário pra você.

 - Ok. Obrigado pelo whisky.

 - Não agradeça. Até logo.

***

No mesmo dia, Carlos marcou um encontro com Bárbara, em seu apartamento. Na verdade não tinha como contatá-la, sem celular, sem endereço, no entanto sabia que toda vez que estava sozinho e começava beber conhaque, sozinho e ouvindo música, ela aparecia. Colocou todos os seus vinis antigos e nada da Bárbara aparecer. Estava quase no fim da garrafa e caso ela chegasse ao seu fim ele teria de sair e ir até o posto de gasolina mais próximo para buscar algo mais forte para ficar bêbado e finalmente ver Bárbara. A garrafa acabou e lembrou-se que tinha um pouco de erva numa das gavetas do armário da cozinha. Assim enrolou um cigarro de maconha e decidiu fumar para ver se obtinha sucesso e nada da Bárbara aparecer.

 - Parece que ela está prevendo, porra!

Parecia que ela estava prevendo. Carlos fumou o cigarro, ficou sonolento, mole, quase dormindo. Porém sabia que não podia dormir. Aquilo teria de acabar naquele dia. Resolveu levantar-se do sofá e ir até o posto buscar uma garrafa de vodca. Sabia que com vodca era quase certeza que Bárbara apareceria. Voltou ao apartamento, abriu a garrafa e serviu-se de um copo longo de chope cheio de vodca. Virou o primeiro com dificuldade. Quase gorfou, mas conseguiu se segurar. Serviu outro e esse bebeu devagar.

Depois de algum tempo bebendo e ouvindo música finalmente Bárbara apareceu.

 - Você sequer me citou em seu último texto...

 - Desculpe. Mas foi um texto encomendado. Por mim eu só escreveria sobre você.

 - Hahaha mentiroso. Estava me esperando?

 - Desde cedo. Você demorou!

 - Desculpe. Estava bebendo com uns amigos.

 - Venha aqui. Sente-se. Quer vodca?

 - Não sei. Estou meio bêbada.

 - Ah venha. Só um pouco...

 - Ok.

Os dois beberam durante mais algum tempo e conversaram sobre futilidades.
Carlos confessou-lhe que fora ao psicólogo para entender a relação dos dois.

 - E o que ele disse?

 - Me deu força. Disse que se eu gosto de você então que leve isso pra frente. Inventou Carlos.

Os dois já estavam um pouco sonolento quando Carlos decidiu usar a almofada do sofá da sala para agredir Bárbara. Com a almofada pressionada com muita força no rosto de Bárbara tentava fazê-la perder o ar. A garota debatia-se e tentava gritar, porém o som era abafado pela almofada. Carlos manteve a almofada pressionada com força depois mesmo da garota parar de se debater e tentar gritar. Para ter certeza de que tinha obtido sucesso.



terça-feira, 10 de setembro de 2013

QUAIS SUAS INTENÇÕES COMIGO?

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Sei que pode ser um pouco tarde para lhe perguntar isso: mas quais as suas intenções comigo? Pareço agora um pai inquisitor do século passado, mas qual a sua intenção comigo, ou melhor, quais eram suas intenções comigo? Afinal, acredito que isso já virou passado. Para mim virou passado recente, para você nunca foi presente, sequer futuro.

Bem, adianto-lhe: minhas intenções com você sempre foram as piores possíveis. Desejei lamber-te dos dedões dos pés até as orelhas. Passando por suas costelas à mostra devido a magreza e chupar-te até desatar a esfera do piercing que tenho na língua com a ajuda de sua pélvis. Incessantemente, incansavelmente, prazerosamente. Abriria mão de minha ereção, apesar de ser inevitável, afinal, trazendo-lhe tanto prazer eu chegaria ao ápice da libido tão logo. Claro que como um gentleman que sou, só após você, primeiro as damas. No entanto, quais suas intenções comigo?

Desculpe-me o linguajar. Talvez não esteja acostumada com tanta sinceridade, pelo menos com uma verdade tão invasiva. Só que sou um homem que já não tenho nada mais a perder. Quais as suas intenções comigo?

Ora, ora. Não quero que pense que minhas intenções com você tratam-se somente de libido, todavia eu já expliquei-me tanto sobre todas as outras coisas que me tornei clichê e eu odeio clichês. Para não cometer tamanho pecado com minha literatura deixo de lado e falo somente sobre o que ainda não disse. Menos açúcar, mais limão e neste caso, me dou razão quando digo: o limão é sempre mais azedo quando está só.

Abro um parêntese agora para dizer que nossa atual relação de ação e reação através da escrita é o mais próximo da realidade do que qualquer diálogo que tivemos durante meses Só que sinto em dizer: Foi fraco, bem fraco. Fico imaginando sua vontade de dar uma resposta aos meus textos e penso que ainda falta muito. Precisa praticar mais. Eu já achava que você era melhor que isso, hoje não tenho tanta certeza. Na intenção de usar palavras fortes para despejar toda sua melindragem em forma de insultos no máximo faz lamentar-me, não pela tentativa de agressividade, mas pela mediocridade do insulto. Eu creio que merecia, pelo menos, um texto melhor. Não é opinião, é a verdade. Gosto assim.

Deixando todo o clichê de lado e destilando toda a minha amargura de solitário por todo o processo de enclausuramento que eu já citei antes assumo que de todas as suas opções eu sou talvez a pior. Talvez? Não, não. Sou a pior opção de todas as opções em toda a história. Enquanto você, que diz utilizar-se da razão está mais que certa. Mas qual a sua intenção comigo? Pois se for como amigo, esquece! Sou o pior amigo de todos os tempos. Um amigo horrível, tanto que eu mesmo desdenho de minha amizade.
Tenho amigos com filhos que sequer conheci. Tamanho meu insucesso em amizades que estes filhos atingirão a maioridade, entrarão na faculdade e sequer terão um rosto ou um timbre de voz para ligar a minha imagem. Logo, não cometerei a heresia de ser seu amigo. Jamais!

Pode me chamar de cuzão, covarde, caipira, bundão, calhorda. Crie insultos se quiser, tão criativa que tu és, estará sempre certa. Só não me peça o que eu não posso te dar. Como amante sou melhor, sempre fui.
Melhor que ser filho, irmão, amigo, empregado, fui amante. Não sempre, mas aprendi com os erros. Talvez devido aos traumas, me tornei um amante incrível e um ser humano péssimo. Sou desatento e escroto até comigo mesmo, mas me cobro para ser um amante venerável. Os fins justificam os meios.

Quais são suas intenções comigo?

Insulte-me, me bata, me maltrate, porém me ame. Eu até gosto de uns tapinhas de vez em quando. Uma vez ganhei um tapa no rosto em público tamanho a canalhice que fiz e me senti orgulhoso. Não por ter sido canalha, claro que não, mas por tamanho sentimento que aquele tapa significou. Ninguém estapeia outra pessoa por nada, sem motivo. Expurgue-me, porém me deseje.

Ou você pode continuar com sua autoflagelação e vitimismo fazendo de si o veneno do mundo. Entretanto confesso-lhe que este não é seu melhor personagem. Eu sei, porque já atuei na mesma peça, com o mesmo personagem e ele cai melhor em mim, mesmo assim abandonei-o, mesmo traindo minha vaidade. Fez um sucesso danado, só que neste caso, o fim não justifica os meios. Por muito tempo ele impregna na pele e é quase impossível largá-lo. Saia dessa antes que seja tarde. Caso contrário tornar-se-á uma poetisa ranzinza igual a mim e já temos tanto em comum não precisamos de mais. Prefiro perder-te para outro alguém do que para você mesma.



Bento.

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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

LISTA DOS 10 + INÚTEIS DA CATEGORIA DE ESCRITORES INÚTEIS E MAIS MAL PAGOS DA HISTÓRIA DE TODOS OS ESCRITORES INÚTEIS E MAIS MAL PAGOS

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Há mil anos eu queria ser rico, muito rico. Tão rico a ponto de queimar dinheiro. Porém pensei que só os loucos queimam dinheiro, logo, refletindo profundamente sobre meu desejo de infância, percebi que por trás de meu desejo de ser rico, na verdade eu queria ser louco. Vendo por esta ótica, hoje sou um homem realizado, já posso morrer em paz.

Mas não é disso que eu quero falar. O que eu realmente preciso deixar transparecer é o motivo de tudo isso. Não que eu tenha que justificar-me, pouco importa para você, eu sei. Sou só um babaca. Não faz nenhum sentido perder meu tempo, no entanto, odeio fazer sentido e eu tenho tempo de sobra. Se tempo é dinheiro então eu deveria estar na Forbes, como um dos jovens mais promissores da alta sociedade.
O que eu realmente quero dizer é que o excesso de tempo me deixa sem horizontes, eu sei, sei que eu sempre quis isso, desejei com todas as forças ter um tempo só para mim. Porém, descobri que esse tempo era todo seu.

A vida precisa fazer sentido, na minha opinião. Meu corpo pede, precisa fazer sentido. Não eu, a vida precisa. Pois então, tudo isso só faria sentido caso eu estivesse ganhando as fichas e neste caso eu apostava alto e só o que conseguia era ver minhas fichas indo para o centro da mesa sem volta. Tenho o vício do pôquer, então se não me entende em minhas alusões peço desculpas. A vida precisa fazer sentido e simplifico dizendo que fichas são beijos. Uma mão boa seria quando você me colocaria em seus planos e seus abraços ou qualquer carinho representaria um Full House. Nossas pernas finas entrelaçadas significariam um All Win sem precedentes. Entraria eu para o Hall Of Fame dos maiores jogadores de todos os tempos.

Eu sou um bom jogadores, droga! Eu sou um bom jogador e sei quando sair de uma mão que não irei ganhar. Esse é todo o segredo do jogo. Não basta saber blefar, haverá de se sair bem quando tiver a humildade de saber que está numa mão ruim e desistir para começar de novo na próxima rodada. O jogo só acaba quando termina as fichas. Só que fora isso eu ainda estou na lista dos dez mais inúteis da categoria de escritores inúteis e mais mal pagos da história de todos os escritores inúteis e mais mal pagos.

Agora eu chego num devaneio para explicar algo maior que pode ser que chegue a um sentido maior nisso tudo, não espero sucesso, mas se tiver sucesso você pode me dizer depois.
Eu tenho um grande amigo de infância que me conhece como a palma da mão dele. Nós já fomos grandes atletas e quem me conhece sabe que eu não tenho nem trejeitos de atleta, mas já fomos. Poderíamos ter sido grandes atletas profissionais, talvez nossa loucura e vício em álcool nos tenha impedido de chegar lá.
Éramos grandes atletas, com qualidades singulares em todo nosso grupo de amigos e jogávamos futebol numa quadra pública com todos os piores elementos de nosso bairro. Ladrões, drogados, traficantes, garotos de programa, políticos e etc. A quadra era pública, logo, qualquer um que chegasse com disposição jogava contra nós e tínhamos um talento nato de humilhar pessoas com nosso talento.
Num dia como qualquer outro chegou um grupo de chilenos, mas bem que poderiam ser bolivianos, peruanos, nunca se sabe. Eles eram todos brutamontes e eu era só isso que eu sou, pele e ossos e cigarros. Venceu a origem brasileira para o futebol, o talento clichê para o tipo de esporte. Fizemos o que queríamos, quando e quanto queríamos. Coube ao grupo partir, da quadra, não do país. Todavia, humilhados. É praticamente isso, em seu talento clichê de me deixar para escanteio, eu parto - da quadra, não do país - sem mais.



Bento.

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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

CLÍNICA DE REABILITAÇÃO ZACARIAS BARBACENO

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Sabe quando baixa uma coisa na carne e você não sabe de onde vem? Simplesmente vem e pronto. Foi assim. Desisti. Não sei porque veio, nem como veio, só veio.
Bem, por vezes é melhor descomplicar as coisas. Não existe meio termo. Odeio meio termo. Sou de extremos e pronto! Ou é meu ou não é.

Estou num processo de enclausuramento. Muito tempo sem fazer nada e isso pode estar me deixando mais desequilibrado do que eu normalmente sou. Esse afastamento, esse casulo antissocial faz parte de um processo literário, um fim de ciclo purificador de mente, ou melhor dizendo, destilador de ideias.

Não. Se perguntar se estava totalmente são quando tomei tal atitude derradeira responderei na lata: claro que não. Caso contrário não teria coragem de abrir mão, de dilacerar a libido, tornar mais distante o que eu sequer tinha. Mas foi para o bem, não vou negar. Fará o bem, ou não. Porém, devo arriscar. Como eu disse, sou de extremos. Me dou melhor com o drama da realidade de não ter do que com a esperança de que um dia terei. Não sou de futuro, doo-me ao presente, o resto é resto.

Sou de presente, do que posso tocar, beijar, desejar o minuto seguinte, nunca a semana seguinte. O mês então...
Prefiro a morte a aguardar a vontade alheia. O que não quer dizer que darei uma de macaco e pularei em outro galho. Simplesmente tornar-me-ei só, como de costume. Serei eu e a companhia de mim mesmo. Muito mal comportado como sempre.

Abro mão de roubar-lhe os sonhos, os devaneios e etc. Prometo-lhe, farei isso em silêncio, só pra mim. Não mais usufruirei de suas frases, exceto nos diálogos comigo mesmo. Não mencionarei mais seu nome, com exceção quando para chamar a gata. Não passarei mais que meia hora olhando suas fotos. Não desejarei mais seus lábios, sequer suas mãos em meus ombros.

Ainda creio que te inventei. Criei defeitos e qualidades, parentes e inimigos. Como toda personagem, criei enredo e cenário.
Por isso também acredito que assim como te criei, terei o poder de descriar. Como você mesma quis e pediu. Passarei a borracha, ou apertarei o botão Delete para afastar-te de minha mente. Sem final feliz, então sem final. Haverá de alguém interpretar um fim que me favoreça. Caso contrário, será só mais um fim.

Então descobri uma coisa sobre mim com a sua ajuda. Descobri que me exponho vorazmente aos olhos alheio porque preciso. Descobri que de tanto afastar os outros por vezes preciso deles por perto. Que deixo meus defeitos na vitrine para não cometerem o erro de se aproximarem sem aviso prévio, como as placas de "Cuidado com o Cão". Que escrevo não para mudar sua opinião, mas para sentir-te por perto, fazendo-me companhia. Descobri que tenho carência de você, abstinência de você e por isso, só por isso, me internarei nos Carentes Anônimos para curar-me de meu vício.



Bento.