segunda-feira, 6 de julho de 2015

CAFÉ ESTOCOLMO - OUVIDOS DE ALGUÉM TÃO MAIS FODIDO QUE VOCÊ

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Então por esses dias, de um frio de encolher o pinto que fica difícil até de mijar, não saía de casa sem um bom Café Estocolmo. Se não sabem o que é um Café Estocolmo vou dizer; é quase um Café Irlandês - café e whisky-, mas como não tinha whisky misturei com Dreher mesmo. Aí me perguntam; mas por que café Estocolmo? Não sei, mas se inventei eu coloco o nome que quiser. Dúvida; posso fazer Café Estocolmo com qualquer outro conhaque barato? Claro que não. Estocolmo é só com Dreher, invente outro nome para o seu drink.

Mas como tudo que é bom acaba, o Dreher também acabou e tive que voltar para o café tradicional. O tempo também melhorou e não tive maiores problemas com o frio. Então chegou o final de semana e uma garota me presenteou com uma garrafa de Jack Daniel's que solucionou todos os meus problemas em relação a cafés. Cheguei à conclusão que uma garrafa de Jack me faz mais feliz que muita coisa nesta vida. Claro, é possível comprar uma garrafa a qualquer momento, mas ganhar... Bom, ganhar é outra coisa. Me dar um Jack Daniel's é como dar um buquê de rosas para uma garota, me ganha facilmente. Não sei se a garota sabia disso ou não, de qualquer forma parabéns a ela. Já estamos juntos há algum tempo e mesmo sem o Jack eu poderia citar alguns fatos aqui para justificar o tempo que estamos juntos, ela já tinha me ganhado pelas noites de sábado que dividimos a cama fumando e bebendo e transando, mas o Jack veio para acabar com qualquer suspeita.

Falando nisso, eu tenho um sério problema com cerveja. Não, meu problema não tem nada a ver com gastar todo meu salário no bar, muito menos as noites que dormi na rua, me meter em brigas de bar que não conseguiria dar conta, nem com as garotas que deixei de transar porque estava tão bêbado que meu pau mal conseguia levantar. Também não tem nada a ver com vício, pois eu posso parar de beber cerveja a hora que eu quiser, posso ficar dias sem beber cerveja, desde que tenha whisky ou qualquer coisa alcoólica para substituir. Nem tem nada a ver com religião e essa baboseira toda de céu e inferno. Meu problema com cerveja deve-se a minha bexiga. Depois de um tempo bebendo eu começo urinar desesperadamente. Mal saio do banheiro e já quero mijar de novo. É difícil manter uma conversa civilizada, com uma garota no bar, quando você quer mijar de cinco em cinco minutos. E quanto mais eu seguro pior é a sensação. Dói nos olhos, lacrimejando eles acusam meu desespero. Começo a transpirar e é um suor frio. Então tenho que beber em lugares onde existe um banheiro por perto, ou pelo menos uma esquina qualquer onde eu possa me aliviar sem pressão. Então você pensa; porra nenhuma de problema! Problema tem a África, o Oriente Médio, a economia do país. E eu respondo; só lido com os problemas que eu posso resolver.

Na verdade, eu só lido com problemas que me interessam. Sim, me chamem de egoísta se quiserem. Mal posso esperar por isso. A verdade é que pouco me interessa qualquer coisa que não tenha a ver com álcool, sexo e dinheiro, afinal, o que é mais importante que isso?

Outro dia estava falando com uma amiga. Ela dizia que estava em crise em seu namoro. Jurava ela com a certeza que as mulheres têm, e só as mulheres têm, que o cara iria terminar o namoro e que quando isso acontecesse ela iria me fazer uma visita. Eu respondi que seria bem difícil isso acontecer pelo mesmo motivo que citei logo acima; ganhei um Jack, estava transando com a mesma garota já fazia algum tempo e que eu não estava disponível. Não, se pensam que eu estava dando uma de orgulhoso, eu não estava, afinal transa é transa. Ela, para não ficar por baixo disse que só iria lá em casa para conversar, contudo, nunca houve uma vez que ela tenha ido em casa só para conversar. Todas às vezes, ou transou comigo ou com qualquer outro que estivesse de visita. Desta vez não seria diferente, certeza, senão pra mim para o meu cachorro, mas vai que meu cachorro não estivesse com vontade, aí acabaria sobrando pra mim e como eu já disse, não estaria disponível. Mas as mulheres sempre tentam nos convencer desta coisa de sexto sentido e tudo mais. Quando não há razão nenhuma para desconfiar elas colocam a culpa no sexto sentido. Lenda, pura lenda. Caso fosse verdade não haveriam tantas garotas enganadas por aí. Porém, sempre que acabamos com seus argumentos e tentamos colocar algum juízo na cabeça de uma garota, apelam para o sexto sentido.  Já o homem, na dúvida, vai lá e trai na esperança de ter sido o primeiro, pois corre o boato em qualquer roda de homens que quem traiu não pode ser traído. Besteira.

Eu acho tudo isso uma tremenda besteira. A maioria do que se considera de conhecimento popular é uma anomalia idiota. Tudo é uma tremenda babaquice. Ditados populares são toscos como conselhos de velhos. Achamos que com a idade vem a experiência mas sei que um adulto imbecil dificilmente se tornará um velho sábio, assim são as coisas. Por isso que digo que toda essa coisa de ciúme e traição e término de relacionamentos, geralmente acontece por um egoísmo sem fim. Traem para se sentirem seguros (egoísmo), são consumidos pelo ciúme por causa do sentimento de posse (egoísmo), e não importa o que dizem, mesmo o amor maior do mundo não impede você de levar um pé na bunda quando se tornar um estorvo para o outro. Tudo está relacionado ao interesse. As mulheres não amam estorvos, amam quem der mais, quem tem mais a oferecer. Assim que começar a ser um peso você ficará sozinho, como todo mundo. As mulheres aprenderam que os homens não podem demonstrar fraqueza. Quando um homem precisa de suporte, é o bar que estará lá para lhe estender a mão, um copo de algo forte e alcoólico, e se tiver sorte, os ouvidos de alguém tão mais fodido que você.



Bento.

sábado, 27 de junho de 2015

SOMOS TODOS EGOÍSTAS ENTÃO SÓ ME CHUPE SE FOR CONVENIENTE

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Com o tempo vamos afastando as pessoas de nossas vidas. É um processo natural. Depois de muito tempo, as pessoas que ficam do seu lado são aquelas que realmente merecem - o castigo de sua parte ou da deles - e estes têm seu valor. Quem de vocês podem se dar ao luxo de dizer que convive com alguém desde sempre? Isso é raro. Nós conhecemos várias pessoas ao longo da vida e algumas delas pensamos que permanecerão o resto de nossas vidas, mas invariavelmente partirão, ou nós partiremos, por falta de contato, por preguiça, ou simplesmente porque aquela pessoa acaba se tornando um grande e insuportável pé no saco.

A maioria das pessoas que eu conheço eu me afastei por preguiça. Também por não me importar, mas mais por preguiça mesmo. Por exemplo, odeio ir na casa dos outros. Se eu te encontro em meu caminho é bem possível que eu pare e tomaremos umas cervejas juntos, mas se eu tiver que ir até algum lugar para te encontrar e relembrar os velhos tempos, não me espere, pois não vou. Não vou porque tenho preguiça. Com exceção é claro, se valer a transa.
Basicamente a vida se resume em quem quer te dar somado ao tempo que ninguém dá pra você. É tudo uma coisa se demanda e oferta. Se a oferta é grande não há porque se preocupar em percorrer caminhos tortuosos em busca de uma transa que você pode facilmente conseguir ao lado de casa. Pode perguntar para qualquer virgem, ou idiota, estes dão a volta ao mundo para transar.

Tive um amigo que namorava uma garota que morava em outra cidade e todo fim de semana ele viajava só para transar. Você pode dizer a si mesmo que era por amor, mas eu garanto que se ele tivesse a possibilidade de transar com qualquer outra que morasse mais perto ele faria.

Conheci uma garota uma vez que vendeu seu carro para ajudar o namorado a pagar a faculdade. Esta garota, apesar de simpaticíssima, era de uma falta de beleza sem igual, também era gorda e os dentes da frente separados, contudo, o que fazia dela a última na face da terra em matéria de sexo era o grande calombo que tomava praticamente sua nuca inteira. Este calombo impedia que nascesse cabelo ali. Então ela tentava esconde-lo com o cabelo da parte de cima da cabeça, uma tentativa até que válida, mas que não adiantava muita coisa. De qualquer forma, como toda desgraça ainda é pouca, o tal calombo dava de soltar um liquido viscoso e fétido, logo, nenhum cara em sã consciência, nem os mais bêbados, queriam se arriscar a colocar o pau ali dentro, com exceção do já citado namorado. Digo, pelo menos ele deveria transar com a garota, afinal, ninguém se dispõe a vender o próprio carro para ajudar alguém sem levar nada em troca. Mesmo os ignorantes religiosos doam suas coisas em troca da promessa - infundada - de um bem maior futuro. Resumindo, o cara se formou e deu um pé na bunda da garota do calombo. As coisas são assim, as pessoas são assim, bem como chegam, partem.

Eu estou dizendo isso talvez para justificar o fato de que eu simplesmente não me importo. Não me importo porque já vivi tempo suficiente para saber que as pessoas partem e nem sempre a culpa é minha. Não estou me eximindo de culpa, eu sou o primeiro a apontar o dedo pra minha cara e me julgar, mas nem sempre sou o culpado disso. Não me importo porque sei que as bundas mudam, os peitos mudam, mas num todo, geralmente trata-se da mesma coisa. Garotas que me acham interessante pelo modo que penso, que escrevo, mas principalmente pelo meu jeito de quem não se importa. É um ciclo, entenda; o que me torna interessante é a mesma coisa da qual vai deixa-las emputecida depois de algum tempo.

Eu nunca destrato ninguém, já disse isso aqui. Se destratasse não voltariam e a ideia é que elas sempre voltem, pelo menos até o momento que elas são interessantes. Dito isso, sou culpado quando dizem que se sentiram importantes, mas na verdade a culpa é dos seus relacionamentos passados com imbecis que as trataram como bosta. Faço tudo intensamente, também já disse isso, então olho nos olhos enquanto as penetro, agrido quando me pedem e faço tudo como se fosse a última vez, afinal, com meu estilo de vida pode mesmo ser. De repente um orgasmo pode se transformar em um enfarte e meu coração pedir arrego, pode acontecer, não seria nenhuma surpresa, e caso aconteça quero chegar ao lugar que tenham reservado pra mim com um belo sorriso no rosto e a sensação de trabalho bem feito. Logo, sou culpado quando me acusam de comê-las de forma que lhes deem esperança de que houve sentimento, mas sou inocente delas tirarem a calcinha para qualquer cuzão que as comem como quem toma café de manhã apressado para o trabalho.

Mas eu também já me senti vítima. Algumas garotas aceitaram transar comigo apenas para serem citadas em meus textos. E depois disso partiram. É difícil passar por uma situação desta, quando você ainda não está saciado e a pessoa te deixa na mão porque já conseguiu o que queria. Porque no final é isso, estamos todos em buscas de recompensas, metas que almejamos atingir. No final, somos todos egoístas e não fazemos nada que não seja para o nosso próprio bem. A garota só dá para alguém por acreditar que aquilo a fará bem de alguma forma, se não for por prazer sexual, que seja pelo prazer sentimental - e tem muita mulher que continua dando pro cara errado pelo simples fato de gostar do cara - ou pelo prazer da vaidade - e as mulheres são expert em dar pro cara pelo simples fato dele lhe dar em troca roupas e plásticas e viagem para que ela possa alimentar a vaidade de postar as fotos no Facebook - ou o prazer de qualquer coisa que venha te fazer feliz. Os homens que aturam uma relação da qual não quer pelo simples fato de ter roupa lavada e sexo sem sacrifício - e o que tem de cara por aí que se sente preso como um animal em seus relacionamentos - ou os caras que ainda se prendem a garotas com medo de assumir que na verdade gostaria de ter sua próstata cutucada por uma rola grossa e cheia de veias - eu conheço alguns. É justamente por isso que eu não saio por aí chorando e falando mal das garotas que se vão e não voltam. Afinal somos todos egoístas, então só me chupe se for conveniente.



Bento

segunda-feira, 1 de junho de 2015

ENQUANTO ELA ESTÁ DEITADA EM MINHA CAMA TAMBORILANDO OS DEDOS NUM COPO DE WHISKY


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Parte de mim esta aqui. Deitado em meu quarto, com o livro do Bukowski ao lado que não tenho coragem de abrir. Na verdade tentei engatar na leitura por três vezes e não consegui. Coloquei alguns Blues pra rolar, mas mesmo assim olho para as paredes, os pôsteres e nada. Albert King faz um vibrato na guitarra suficiente para deixar qualquer fã com os pelos do braço arrepiado e eu sequer ergo os olhos para contemplar.
Fica estranho quando você faz todo o mantra para escrever. Antes algumas cervejas, uma dose de um bom Bourbon e espera a inspiração vir só que ela não vem. Nessa brincadeira foram vinte latas de cerveja, meia garrafa do Jim Bean e um maço de cigarros e nada. Absolutamente nada. Apelei para as fotos antigas e mesmo assim foi como ver paisagens do Bing. Senti vontade de matar duas ou três personagens que nelas estavam e pensei que poderia partir daí para escrever qualquer coisa, mas me enganei.
Mais Blues, mais Bourbon, mais cigarros e cervejas e não escrevi uma linha sequer. O pior? Eu ainda enxergava meus dedos e onde eles tocavam.

Passei a pensar no outro dia e comentar sobre transar com amigas que bebem como gente grande. E transam como gente grande. E pensam como gente grande. Aquele tipo de garota que faz tudo aquilo que tem vontade e eu as respeito por isso. O tipo de garota que faz tudo que um homem faz só que melhor.
Eu sempre tive um fraco por garotas marrentas. Que fazem barraco na rua por ciúmes. Que gargalham alto e choram quando estão com raiva e não fazem questão de esconder de ninguém. Porque garotas assim sentem tudo a flor da pele e sempre me passam a imagem de verdade. Eu posso estar errado num caso ou em outro, mas em suma é isso.

Se voltar alguns textos verá que eu tinha tempo para dar e vender. Hoje eu gostaria de ter para compra-lo, pois não está fácil. Não tenho espaço na agenda sequer para me masturbar, quanto mais fazer social com uma garota enquanto ela está deitada em minha cama tamborilando os dedos na borda do copo de whisky pensando quanto tempo é necessário para que ela tire a roupa sem que eu pense que ela é uma vadia. O que essas garotas não sabem é que quanto mais vadia, mais eu gosto. Gosto, pois como costumo dizer; pureza só é bom para nossas filhas e a vodca. Gosto das vadias porque ninguém é santo e quem finge ser pode fingir várias outras coisas e eu não gosto de fingimento. Logo, tire a roupa quando achar que deve e se quiser começar tirando a minha ganhará pontos por isso.

No trabalho, todos os dias, depois de um dia cansativo, antes de acabar o expediente, sempre na mesma hora, eu saio para fumar um cigarro e desacelerar os pensamentos. E todos os dias, como se combinássemos, vem um gato preto até onde eu estou sentado fumando. Ele se aproxima como os gatos fazem. Cautelosos e lentos. O gato passa por mim, mas sempre notando minha presença e eu a dele. Ignoramos-nos, mas não deixamos de nos notar. Então este gato entra num bueiro como um rato faria. Ele entra todo no bueiro, dentro mesmo e fica lá por alguns minutos. Eu acendo sempre mais um cigarro para vê-lo fazendo seu ritual. Então, finalmente sai o gato com uma barata na boca. Às vezes uma barata mais traiçoeira foge correndo do bueiro e o gato preto e magricela sai atrás dela até alcançá-la. Mas o gato não mata a barata. Ele apenas quer se divertir. A barata, é claro, não entende. O vê como uma ameaça. E o gato cuidadosamente bate na barata com suas pequenas e macias patas forte o suficiente para que o inseto corra e ele corre atrás dela. Na falta de um rato, este gato brinca com as baratas. E todo dia é assim. Este é um gato de rituais. Todos os dias, reserva-lhe aquele período para curtir com a barata.
Eu também sou um animal de rituais. Não levanto da cama antes de um cigarro. Não entro no banho sem antes tomar uma grande caneca de café. Não faço nada sem música, nem cagar, nem comer, nem dormir ou transar. Passo um bom tempo na frente do espelho aparando a barba e arrumando o cabelo. Assisto aos jogos do Corinthians sempre no mesmo sofá, tomando cerveja e com o volume ao máximo, e grito com o juiz mesmo sabendo que não serei ouvido. Dificilmente passo um dia sequer sem cerveja. Não durmo sem o último cigarro, pois aquele pode ser realmente o último. Nunca se sabe quando vamos acordar ou dormir definitivamente, então todos os dias fumo meu cigarro antes de dormir refletindo sobre aquele que pode ser meu último cigarro. Não transo sóbrio porque tenho sempre a companhia de meus demônios. A última garota que transei sóbrio foi há um pouco mais de cinco anos. Para ser sincero, a única coisa que faço sóbrio é trabalhar, de resto...
Então talvez, resumidamente meu ritual é estar bêbado? Sim, ou grande parte dele pelo menos. Consigo fazer várias coisas ao mesmo tempo apesar de não gostar, prefiro fazer uma coisa de cada vez e também é assim com garotas, com exceção, claro, se elas estiverem juntas. Se vou mentir começo sempre com a palavra "então" após uma pergunta, que é para dar tempo de pensar na mentira, mas também não gosto de ter de contá-las. Prefiro guardar minha criatividade para outras coisas. Podem ser rituais ou TOC. Nunca sei dizer ao certo. Sendo assim, não é difícil imaginar o quão complicado acho manter um relacionamento com qualquer mulher. Não se encontra em qualquer lugar garotas dispostas a aturar caras com todas essas manias. Normalmente mulheres não têm rituais, o humor delas é inconstante, o meu não. Estou sempre de mau humor, pelo menos de manhã.

Dito isso, decidi me afastar um pouco de garotas. Por um tempo, sem pressão. Parei de ligar e convidá-las para qualquer coisa, deixei de atender as ligações e responder mensagens. O motivo disso é difícil explicar. Estou num grau de tédio que supera qualquer coisa. Um desinteresse coletivo. É preciso uma coisa muito, mas muito interessante mesmo para me tirar de minha companhia solitária. Ultimamente só abro a porta de casa para duas garotas ou mais, assim elas conversam entre si e eu posso perder-me em meus pensamentos inúteis.
Chame isso de preguiça se quiser. Pode chamar de covardia também, eu chamo de tédio. E tem mais. Eu estava entrando numa vibe de ser bastante procurado por garotas comprometidas e estava gostando disso. Nunca gostei de me envolver em relacionamentos alheios, porém estava me envolvendo. Talvez, também por isso resolvi dar um freio nesta bagunça toda. Mesmo porque eu tenho uma coisa de chamar atenção de maridos e namorados. Mesmo aqueles que não conheço, só ao ouvir falar de mim já me odeiam. Algumas garotas me dizem, naquelas conversas sem propósito que levamos quando não se vê alguém há muito tempo, elas dizem: Meu namorado te odeia. E eu sequer conheço esses namorados ou maridos. E eu sequer dei qualquer motivo para que eles me odeiem. De qualquer forma, não ficaria surpreso se um dia fosse assassinado com um tiro bem no meio dos olhos por um desses caras ciumentos. Sem motivo, simplesmente por suas garotas não foderem com eles direito. Simplesmente por suas garotas não os chuparem direito, ou por suas garotas trocarem os nomes deles pelo meu na hora da foda. Será? Soube de uma ou duas que fizeram isso, só que eu tenho tanta responsabilidade por isso quanto tenho pelo aquecimento global. Algumas pessoas me superestimam demais. Eu sou só um cara, e com tantos problemas que se soubessem provável que deixariam de notar minha existência.

Então, por isso eu não passo mais meus dias telefonando ou puxando conversa com garotas que eu mal conheço. É cansativo e desinteressante no momento. Não movo um músculo, não sem antes uma boa recompensa. Como qualquer pessoa que escreve, inevitavelmente reflito sobre o final de qualquer história antes de começá-la.



Bento.

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sábado, 2 de maio de 2015

EMBRIAGAR-NOS - O EVANGELHO SEGUNDO BENTO

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3:1 - A vida é realmente uma grande bola de merda que roda e roda e espalha todo tipo de germes por aí. Não se pode achar que vai passar por aqui sem sujar as mãos. Não quando esse amontoado de anos que formam sua passagem depende da ação de outras pessoas.

3:2 - A coisa é mais ou menos assim; você vem ao mundo grudado a alguém e passará o resto da vida tentando entrar em um monte de outras pessoas e permanecer o máximo de tempo possível lá dentro. Só que nem sempre é simples. Não é como um boteco barato que você entra, pede uma dose de algo que o seu bolso pode pagar e sai sem fazer perguntas. É mais que isso.

3:3 - O mundo a sua volta corresponde a cada ação sua. E por vezes responde mesmo sem qualquer ação e você tem que estar pronto para tomar a decisão correta em cada situação, só que você geralmente não está. E instantes depois de cada ação você pensa em infinitas alternativas que poderia ter colocado em prática, só que você não escolheu nenhuma delas. Escolheu exatamente aquela que vai te fazer arrepender-se por não ter parado, pensado, respirado e aí sim, tudo seria maravilhosamente interessante. Mas a vida é uma grande bola de bosta. Não se esqueça disso.

3:4 - Qualquer música no rádio, ou no carro com meia dúzia de imbecis que passa por você na rua com o volume ao máximo, suficiente para fazer as janelas tremerem podem te trazer lembranças ou pensamentos insanos. E mesmo esses idiotas parecem tão mais felizes que você e estão, enquanto volta do trabalho cansado, o saco transpirando na calça usada há três dias seguidos, e duas ou três latas de cerveja na mão que confiamos amenizar um pouco toda essa mediocridade, todos parecem mais felizes enquanto você lê o jornal de manhã e pensa; por que eu ainda não me mudei para algum pais do leste europeu e abri um bar? Qualquer coisa pode ser melhor que essa merda toda. Mas você é um covarde que economiza na marca de pasta de dente para poder pagar a internet. Eu sei, pois também sou um desses que economiza na pizza para poder comprar um whisky com maior qualidade que aquele que se vende em bares com baldes cheios de energéticos. Pois eu, assim como você, necessito de ter um pouco de sabor e qualidade nesta vida de merda que nos priva de tanta coisa.

3:5 - Passamos disso para refletir sobre tudo que está em volta. E não pense que devido aos meus óculos escuros escondendo minha ressaca e o meu livro comprado em sebo fazem de mim uma pessoa desatenta. Eu reparo em tudo e nada me encanta. Digo, quase nada me faz manter o olhar mais que alguns milésimos de segundos,  minha mente automaticamente simula todo o contexto, toda a trajetória de infinitos relacionamentos e descarta qualquer ação que justifique largar o meu livro e sorrir para alguém.

3:6 - Não há escapatória, tudo vai acabar mal para ambos os lados e normalmente quem ganha é o mais idiota que não consegue sentir as coisas tão profundamente quanto uma facada numa briga de bar qualquer. Repare que os idiotas são sempre mais felizes. Não guardam mágoas, porque não guardam nada.

3:7 - Você pode ser um escritor, um pensador, um músico, ou tudo isso e achar tudo uma merda. E digo; provável que achará tudo uma merda. Já o idiota vai achar tudo magnífico, afinal qualquer merda pro idiota é sensacional.

3:8 - Não passaremos por essa vida sem algumas dúzias de pecados e caso faça digo com toda certeza que cometeu um dos maiores erros de sua vida. Afinal, para este evangelho, pecado é só uma coisa que implantaram na sua mente para que tenha peso em sua consciência quando estiver se divertindo. Para que pense no pobre quando estiver tomando uma cerveja de R$150, ou para que pense no virgem quando estiver com duas garotas te chupando. Isso é o pecado e nada mais que isso, um amontoado de leis que te deixa sem jeito quando tem motivos suficientes para sorrir e contar aos amigos. Para que mantenham as rédeas em seus corpos fazendo o que bem entendem.

3:9 - Não haverá salvação para aqueles que se deixarem levar por religiões e mandamentos arcaicos com a intenção de controlar. Não há salvação, porque a vida é curtíssima para perdermos tempo com isso.

3:10 - A cada trepada que deixa para trás por motivos alheios é um momento de intensa e singular felicidade que joga fora pelo simples fato de alguém lhe dizer que está errado.

3:11 - Se é verdade que Deus criou o mundo e que sacrificou seu filho para nos salvar que no mínimo você viva sua vida com imensa intensidade para fazer jus de sua morte. Embriagar-nos com felicidade é o mínimo de agradecimento que podemos oferecer.



Bento.

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segunda-feira, 20 de abril de 2015

GÊNESIS - O EVANGELHO SEGUNDO BENTO

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CAPÍTULO 1 - A MORTE


2:1 – Ao contrário do que pensam, não trata-se de um erro colocar o segundo capítulo e chamá-lo de Gênesis. Afinal, para entender tudo o que eu vou dizer, primeiro é preciso familiarizar-se com a morte, pois somos um amontoado de quase nada tentando dar sentido para coisa alguma. Por isso, este capítulo aqui começa pelo final. O fim da vida. Nascemos, morremos e se fizermos tudo certo, seremos felizes neste meio tempo. Não há muito segredo.

2:2 - Então depois de entender que inevitavelmente morreremos e poderemos ir para um lugar melhor ou não, entendermos que poderemos ir para lugar algum, aí sim começamos a conversar e a viver, que é só o que importa.

2:3 - Quero partir do princípio que tudo o que sabe sobre religião, de qualquer origem, bem, esqueça isso. Não há nada mais usurpador que a religião. Não há nada mais controlador que a religião, por isso, aconselha-se sempre afastar-se deste tipo de tendência. Nunca será possível tomar estar palavras como reflexão se já está prefixado em sua mente que existe alguém superior a você capaz de lhe dizer o que é certo ou errado. Você estará quebrando a única regra da qual é baseado toda esta resenha. Mas ainda aproveitando para esfregar na face de qualquer idiota que se opor a essas palavras; se somos todos a IMAGEM e SEMELHANÇA do Homem, não há porque eu ser mais ou menos que meu próximo. Veja que até Deus concorda com esta regra que sugerimos aqui.

2:4 - Este evangelho não é nem de perto religioso, mas claro, também temos os nossos dogmas e cultos e louvores.

2:5 - Você que tem o conhecimento deste evangelho saiba que poderá alcançar a glória sempre que quiser. Mesmo em casa, em sua solidão. Sempre valorize a própria companhia, pois ninguém poderá ser-lhe tão fiel quanto você mesmo. Algum grande poeta já disse que se não consegue ser uma boa companhia pra si, não será para ninguém, todavia isso é outra história. Esqueça as velas, exceto se fizer questão, o verdadeiro fio condutor da paz interior é definitivamente o álcool.

2:6 - Uma boa dose de algo quente e forte, ou gelado e constante te deixará bem mais próximo de seu "eu" interior. Ficar bêbado sozinho exige um alto nível de autoconfiança e autossuficiência. Nunca menospreze seu inconsciente, você pode aprender muito com ele. Isso é quase como uma meditação, mas mantenha os olhos sempre abertos para ver até onde sua imaginação pode levá-lo.

2:7 - Celebre a solidão, celebre a dor, celebre a garrafa inteira à disposição de sua libido. Se você vai fazer isso pela primeira vez pode colocar um ou dois dedos de água por dose, mas aconselho diminuir a mistura gradativamente, pois se quer uma alma pura que a dose também seja. Cigarros são bem vindos. Com isso você já está pronto para ir onde sua imaginação quiser. Ao passado, ao futuro, ao céu ou inferno. A noite é sua, faça o que quiser. Quando fizer isso há algum tempo, quando já estiver num nível superior, perceberá que não é mais refém da vontade alheia. Só você, as paredes e o destilado poderão ditar as regras.

2:8 - Sem a necessidade de outras pessoas, sabendo que pode muito bem se divertir sozinho, passará a escolher cada companhia e aproveita-las cada segundo. Não vai se deixar levar por qualquer proposta ou o medo de permanecer sozinho, afinal, volto a dizer; é e sempre será sua melhor companhia.

2:9 - Contudo, preciso alertá-los; aos olhos alheios, aparentará estranho, sujeito a críticas, olhares esguios, preconceitos e palavras incrédulas contra sua lucidez, mas saiba que sempre poderá contar com a compreensão de seus irmãos de bar.

2:10 - O bar sempre será o lugar onde achará proteção e a sabedoria de uma força maior; a cumplicidade e a capacidade de encontrar sujeitos em situações piores que a sua para aliviar um pouco a tristeza.

2:11 - O bar é nosso templo e nossa morada. Depois de nossas casas é o lugar mais sagrado e protegido. Onde compartilharemos historias e aprendizados com nossos irmãos. Onde ensinaremos e aprenderemos. Onde seremos professores e alunos, pois é importante que saibamos que sempre podemos aprender com o próximo, mesmo que seja uma nova marca de cerveja ou um jeito novo de assar uma carne.



Bento.

segunda-feira, 30 de março de 2015

A MORTE - O EVANGELHO SEGUNDO BENTO

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1:1 - Todos sabemos que vamos morrer em algum momento. Se você não se dá conta disso é bom reconhecer o mais rápido possível que você é um imbecil. Pois ser imbecil não é pecado desde que em algum momento você assuma isso.
Quando se é um imbecil e acha que está muito bem com isso você começa de perpetuar tamanha imbecilidade e nada pode te salvar.


1:2 - Então se todos vamos morrer e acredita-se que algo ou alguém nos colocou neste mundo de merda pra alguma coisa MAIOR,  aconselha-se viver até seu último suspiro exatamente como você quiser. Isso mesmo. Faça todas as coisas que vir à sua cabeça e mande se foder todos os outros que se mostrarem contrário a isso. Com exceção, claro, se você estiver invadindo o direito do próximo de também exercer este direito ou se você for um imbecil. Esta é a única regra. Proteja essa regra como sua vida. Nunca, nunca mesmo, por mais prazeroso que seja, tire o direito do próximo de viver segundo estas palavras, afinal, somos todos merda do mesmo intestino, logo teremos de ter os mesmos direitos. O que não prevê nenhuma proibição de chamar de idiota aquele que prefere levar a vida até sua morte de forma que você não concorde. Todos temos direito a opiniões, mesmo o idiota, pois para tudo existem os prós e os contras, conviva com isso.


1:3 - Dentro deste argumento você pode apertar o botão do foda-se e largar sua família, amigos e emprego, porém saiba que não é o único a odiar trabalhar e também por isso não tente usurpar de outros os benefícios que o trabalho deles lhes traz, pois por melhor que seja sua vida, não se pode ter tudo. Trabalho gera dinheiro que gera conforto dentre outras coisas, não queira ter conforto sem trabalho, com isso estará inevitavelmente quebrando a única regra aqui apresentada. Qualquer coisa que lhe for dada de livre e espontânea vontade deve ser aceita sem maiores preocupações.


1:4 - Sei que vou parecer repetitivo, mas para alguns vermes é preciso repetir até que a informação fixe em suas mentes de ameba. Todos temos direitos e deveres e é dever de todos zelar pela única regra que existe neste evangelho. Não matarás quem não queira ser morto. Não usarás quem não queira ser usado. Não comerás quem não queira ser comido. Não fará sexo com quem não queira fazer sexo com você. Parece simples para algumas pessoas, porém para outras é um tanto quanto difícil conter certos anseios. Mas digo-lhes, se fosse fácil não seria uma regra.


1:5 - Ainda dentro desta regra de não se perpetuar sobre a vontade do próximo, digo que segundo a lei da física dois corpos não podem habitar o mesmo espaço. Com isso entenda-se que não é apropriado invadir o espaço do próximo sem o prévio consentimento deste. E mesmo aquelas situações que você acredita piamente que o outro dê sinais de que quer ter seu espaço invadido, é melhor ter certeza. Ou queimarás no fundo do inferno da mediocridade. E todo este evangelho se baseará nisto. Em você ser a escória do mundo ou ser um sujeito que colherá os frutos de seguir estas palavras. Isso é mais que algumas normas de etiqueta e menos que um livro religioso imbecil. Sequer é um manual, mas sim algo para reflexão. Não se pode conviver entre seres iguais se não igualar-se a eles. E é pensando nisso que eu digo que as pessoas à sua volta podem não gostar de seus assuntos de bosta, ou das suas músicas de merda. Logo, o som que você emite também pode romper a barreira do espaço do próximo que falamos acima. Isso também faz parte da física e não precisa ser nenhum gênio para entender isso. Agora, se você for um imbecil...



1:6 - Caso você seja um imbecil, o único caminho para a salvação é seguir estas regras. Aceite que morrerás e que você pode passar por essa breve vida sem construir nada de interessante e definitivo, mas que você pode se esforçar para isso. Foque na eternidade. Em algo que as pessoas vão lembrar mesmo após sua inevitável partida. E ninguém se lembra de idiotas, ou pelo menos não querem lembrar. Por isso não tenha medo da morte e sim da vida. Ela pode lhe causar maiores e males e tão definitivos quanto uma possível vida eterna. Morrer é o fim, já viver é um ato contínuo de fazer as coisas de forma que você sinta-se feliz no final. Sem arrependimentos, contudo, caso os tenha, que se foda, ninguém é perfeito.


Bento.

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domingo, 8 de fevereiro de 2015

COMENDO A PRÓPRIA BABA COM UMA COLHER DE SOBREMESA

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Então eu vinha embora do trabalho pensando em meu banheiro. Não propositalmente. Era forçado a desejar chegar cada vez mais rápido, afinal, eu precisava evacuar o mais depressa possível. Porém ou lembrei que em casa não tinha uma gota de álcool sequer e isso é inadmissível. Travei o reto e passei no posto de gasolina para comprar cervejas e cigarros.
Resumindo; consegui chegar em casa sem nenhum acidente. E aqui estou eu. Sentado na privada dando uma boa cagada, ouvindo Albert King com a gaita de fundo e tomando uma cerveja que ameniza, um mínimo de qualquer coisa neste calor infernal. Neste momento eu penso; puta momento feliz. Eu sou feliz agora. Estou feliz. O homem que não puder pagar pela sua própria cerveja não passa de um verme. O homem que não puder cagar em seu próprio banheiro é um homem desesperado. Não há futuro.

Agora já é Robert Johnson que canta e eu fixo os azulejos do banheiro feliz da vida. Não saio daqui enquanto não terminar o cigarro, pois acredito piamente que cagar e não fumar um cigarro é um pecado mortal. Bem como os religiosos acreditam em seu deus e suas doutrinas eu acredito que cagar sem tempo de terminar um cigarro é um insulto aos deuses de qualquer espécie.

A verdade é que além deste momento único e sem sentido, porém feliz, outra coisa me fez uma criança novamente de tão animado. Somente uma coisa poderia arrancar sorrisos idiotas e piadas infantis em meio ao mau humor que prevalece em minha existência. Uma garota. Da qual resolveu dar o ar da graça. Uma esmola de atenção qualquer e isso já fez de mim o cara mais feliz do mundo. Ninguém pode dizer o contrário. Pelo contrário. Todos aparentemente perceberam. Minha garota, ela não sabe, mas sempre foi minha garota e a única da qual eu sou fiel. Até hoje. E eu acredito, talvez errado, mas acredito, que ela só voou pelo mundo com tanta segurança porque sabia que sempre haveria um coração abandonado do qual definhava de amor para que ela pudesse voltar.

A musa das musas dá um sorriso e eu começo a regurgitar inspiração. Seu título não é à toa.
Confesso que fui conferir quantas latas de cerveja eu tinha bebido na noite anterior para ter certeza que não era o álcool me pregando peça. Depois disso belisquei-me, sei que não faz sentido, mas nunca se sabe o que nossa mente pode fazer conosco quando desejamos muito uma coisa.

Perdi o jeito de falar com esta garota. Meço as palavras e mesmo assim depois de ditas me sinto um idiota, por isso acabo falando demais. Ainda não sei como não babo como um retardado, mas chego próximo. Piso em ovos e quase não respiro porque ela é meu dente-de-leão, qualquer brisa e ela pode partir como todas as outras vezes. Talvez soe gay para quem está acostumado com os padrões de minha escrita, mas é difícil escrever sobre isso de forma diferente. Baixo a guarda, transbordo de bundamolice, e agora sim eu já estou necessitando de um babador.

Ela é dona de uma poção do amor que me tira dos quintos dos infernos e me faz cheirar flores em parques, sorrir para crianças e dar atenção a velhos na rua. Logo eu que vivo nos porões mais putrefatos na cidade, ser da noite endiabrado, odiado por onde passo, de discursos intensos e desaforados me pego elogiando o sol e a chuva e aplaudindo o por do sol. Vejo-me brincando com crianças e suspirando por canto de pássaros de manhã. Onde já se viu? Logo eu.
Como faz, quando um filho da puta como eu sai na rua querendo distribuir abraços? Provável que quem ver vai pensar que estou bêbado, mas nem alto eu faço umas merdas dessa. É quando começo achar que ela é meu maior entorpecente. Senão o mais forte pelo menos o mais viciante.

Há tanta coisa pra dizer e as palavras simplesmente me engasgam lutando para não soar. Nunca sei o que dizer. As mãos transpiram e receio magoá-la. Mas não minto tentando parecer algo que não sou, afinal ela não acredita em nada que eu digo mesmo. Gastar imaginação mentindo seria perda de tempo, porém me assusta espantá-la com qualquer coisa de minha personalidade velha e caótica.

Mas se você estava achando este texto feliz demais para os padrões aqui vai uma boa notícia - pra vocês que gostam de má notícia. Assim como esta garota voltou de repente ela se foi instantaneamente. Apareceu solteira e logo depois comprometeu-se novamente. Foi só o tempo de criar fantasias e histórias e engolir toda a baba novamente, com uma colher de sobremesa. Babar e voltar a comer o mingau de esperança. Excluir-me de novo e eu voltar a reconhecer a raiva estacionando na frente de casa, buzinar antecipando a campainha. E eu ir olhar com curiosidade.

- Entre, eu tenho cervejas. Se prepare, pois hoje vamos ficar bêbados até não acertarmos mais a boca.Eu disse à Raiva, velha companheira.

- Mas ela vai excluí-lo e depois procura-lo novamente, pois é isso que ela faz. Disse a Raiva. E eu respondi cabisbaixo.

- E eu vou aceitá-la mais uma vez! Afinal é só o que eu faço em todos esses anos. Espero que ela me procure e procure e procure novamente.

- Então me sirva àquela cerveja que prometeu. Você sempre tem as mais geladas. Disse a Raiva.

- Um brinde. Eu disse.

E brindamos. Velhos parceiros de bebedeira.



Bento.

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domingo, 25 de janeiro de 2015

COM UMA RESSACA DE 23 ALCOÓLATRAS

Quem estivesse de fora da brincadeira e olhasse em volta provavelmente acharia que o quarto tinha sido cenário de guerra. Uma garrafa de Jack tombada em cima da cômoda e outra recém aberta ao lado. Bitucas espalhadas pelo chão bem como latas e mais latas de cerveja. Embalagens de camisinha pareciam confetes em noite de carnaval, mas estávamos no natal. A noite também não era de Tarantino, era mais que isso. Aquilo não foi cenário de guerra, fora uma festa improvisada de bebedeira e sexo. Um religioso diria que arderíamos eternamente no inferno. Deus olhara para o outro lado tamanha libido. Já imagino os demônios assistindo de camarote e dançando ao som de Matanza no volume mais alto. E pecávamos ao ritmo da bateria de Interceptor V6.
Eu estava lá, mas não estava lá. Até meu pênis tava dividido entre sim e não. Meia vida, ele continuava a trabalhar por hábito, talvez. Bem, cada um tem o que merece e alguém decidiu que eu não mereço muito mais que aquilo, logo não se deve reclamar de suas conquistas. Instantaneamente sai de lá para outro lugar...

***

Outro quarto, sete anos atrás, quem se encarregava da trilha sonora era o vinil do Deep Purple repetindo o mesmo lado, incansavelmente. A bebida era Dreher, afinal, cervejas era um luxo que não tínhamos naquela época. Mas a garota... a garota abaixo de mim era a mais linda de todos os tempos. O quarto tinha o mesmo cheiro de sexo, porém os demônios não sorriam desta vez. Não sorriam porque eu estava feliz. Em todo o mundo, no decorrer da história, ninguém foi tão feliz quanto eu naquele fatídico momento em que transava com a garota dos meus sonhos e não sei se por felicidade ou por estar bêbado como um porco eu dormi. Dormi em cima da garota mais sensacional que já conheci.

***

Volto a mente para o quarto atual e enquanto sou chupado e a música agora é Escárnio, olho para minha cama e vejo um amigo mandando ver na garota que outra noite estava montada em cima de mim com uma libido de tirar os móveis do lugar.
Eu acredito que não sou das melhores pessoas, se tem opção afaste-se, não serei eu quem lhe trará conforto. Não sou dos melhores amigos. Mas certos caras, daqueles que estão comigo desde os primórdios levam sempre alguma história pra contar onde eu faço parte, como personagem principal ou coadjuvante digno de um Oscar. Cedi a transa e a cama para o amigo. Cedi porque tenho dessas às vezes. Por um pequenino momento torno-me bom. Entenda: Eu, bom. É mais ou menos tão raro quanto achar um filme bom na TV aberta quando se está sem dinheiro num fim de semana em casa. Uma coisa rara. Mas se ficar por perto tempo suficiente vai se deparar com esses bons momentos.

Algumas pessoas dizem que o meu quarto, ou qualquer lugar que eu esteja, é sempre o pior lugar para se estar quando quer andar na linha. Bem como Jimmy diz em Amigo Nenhum ou Tombstone City, depende de como terminará sua noite. Eu nunca obrigo ninguém a nada, mas dizem que eu desperto sempre o pior lado das pessoas. Isso pode ser um dom ou uma maldição, porém eu não acredito no que dizem. As pessoas fazem exatamente o que querem fazer e quando podem colocar a culpa em alguém pelas merdas todas elas fazem. A ressaca moral fica mais fácil. Ter as mãos tremendo e o estômago colado nas costas no dia seguinte fica mais fácil de justificar quando se esta na companhia de um culpado como eu. Não quero com isso dizer que sou inocente, mas afirmo, ninguém é.

Quando eu digo que tenho cara de culpado eu quero dizer que a maioria das pessoas tem uma visão de mim que não necessariamente seja a correta. Eu, por exemplo, bebo muito menos que as pessoas acham que eu bebo. Mas também não significa que eu beba pouco. Eu bebo mais do que muita gente diz que bebe. Se parecer irrelevante ou sem sentido para você leia de novo. Pode ser só falta de atenção.

Ok, já leu. Viu? Da segunda vez sempre faz mais sentido.

Uma vez minha ex-garota perguntou se eu ainda bebia como antes. Eu me apressei em dizer que não, pois estou dizendo a verdade. Com "antes" ela queria dizer na época em que estávamos juntos e digo sem medo de errar que eu não bebo como antes pois hoje bebo para algo maior. Para dar a extrema unção à alma. Bebo para relaxar a mente e os músculos. Bebo atrás de inspiração. Antes eu só bebia e pronto. Entende a diferença?

De qualquer forma neste momento, onde tudo isso se passava em minha mente eu era chupado enquanto via um amigo mandando ver numa garota dez anos mais jovem que ele e estávamos todos numa boa. As cervejas tinham acabado e mamávamos uma garrafa de Jack Daniels. Era uma noite do terror para quem ama terror. Era o pecado tomando forma e se tornando adulto. Claro, que com toda minha contribuição eu deveria ter uma esquina com meu nome em algum quarteirão do Inferno. Senão uma esquina uma encruzilhada. Pelos serviços prestados. Porra. No mínimo uma foto de funcionário do mês. Mas não de propósito. Falo isso segundo as crenças de merda dos religiosos de bosta. Pode ser que estejam todos errados e que não existe nada mais além de nós, seres humanos medíocres que servem de adubo para plantas.

Whisky, cigarros. Matanza acabava de tocar Rio de Whisky e fazíamos sexo no ritmo da música. E o Jack suavizando a garganta, preparando o caminho para o cachimbo. Algumas pessoas acham que essa coisa de beber e fumar e fazer merda é ruim. Na verdade não é mesmo. Eu por exemplo, acho bem pior passar uma noite conversando com idiotas e tomando Coca Zero achando que isso vai te fazer mais saudável. Com a vida que eu levo eu poderia estar morto, mas não estou. E digo mais: Faz anos que não fico doente e a única dor que sinto é da agulha riscando a carne quando vou me tatuar. Alguma coisa nesta teoria maluca de não poder fazer nada de "errado" é falha.

Mesmo assim, enquanto pensava nisso me veio à mente um dos momentos que mais me assombra. Eu já disse que já fui melhor do que sou hoje, contudo acredito estar errado. Da época em questão eu melhorei bem, depois de melhorar eu piorei um pouco. Sabem como é, ninguém consegue manter o ritmo. De fato eu conheci algumas bêbadas depois disso e algumas santas. Ou seria o contrário? Não me lembro. Então eu lembrei da ex-garota lavando meus cachorros. Com os cabelos presos deixando à mostra a tatuagem na nuca. Uma blusa de alça preta deixava eu ver também a tatuagem no braço e uma saia até os joelhos, nada muito sexy, mas nela, qualquer coisa ficava maravilhosamente sensual, sexual. Mesmo uma camiseta minha velha esquecida na casa dela. Ela roubava minhas roupas para poder dormir sentindo meu cheiro e isso fora talvez, a maior demonstração de amor que eu já tive em toda a minha vida.

Minha mente volta do passado e segue direto ao futuro quando as garotas já foram embora e meu saco transpira devido o calor e o suor mistura com a baba da noite anterior. Há cabelos grudados em meu peito. Os lençóis da cama foram parar em algum lugar que não consigo desvendar de primeira. A ressaca é de 23 alcoólatras. A boca com gosto de merda, a cabeça pesando como uma bigorna. A fumaça do primeiro cigarro arranha a garganta como um ouriço. Ainda tem o catarro seco que quase que me sufoca. Mais ressaca. Ressaca moral também, mas não de arrependimento e sim por fazer o tipo de merda que a maioria dos caras matariam para ter a oportunidade de estar em meu lugar e eu simplesmente não dar a mínima, pois é evidente para muitos que eu preferia estar no mesmo lugar com uma só garota que sequer precisa estar no mesmo continente que eu para me inspirar. E é só pensar nisso que minha mente volta como se estivesse pilotando um Delorean e me vejo deitado em meu quarto brincando com os seios dela. Displicentemente tocando-lhe o mamilo com os lábios, mordendo e me divertindo tanto que passaria horas e horas fazendo aquilo. Lambendo-lhe e beijando e mordendo e morrendo aos poucos com as lembranças. Morro cada vez um pouco mais sempre que me perco em meio ao passado. Sempre um pedaço de brasa que já fora chama se esvai. Ficam as cinzas que partem com o menor sinal de brisa até o dia que não sobrará mais nada o que lamentar. E se já não somos derrotados por deixarmos que nos digam a hora de levantar e deitar, comer e beber, nestas horas não sobram dúvidas. Quando se é derrotado em seu próprio campo de batalha não é difícil imaginar que perderá dali pra frente e seguirá perdendo até que o Destino enjoe de você e passará humilhar algum outro imbecil. É nesta hora que pensamos que a sorte está de bem conosco e voltamos a cair do cavalo, pois a esperança serve apenas para te fazer de otário por algumas horas e depois basta. Só que é como o álcool, basta um gole para atiçar seu lado viciado e quando percebe está bêbado e aprontando de novo.



Bento.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O POETA E O FILHO DA PUTA

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Não existe no mundo nada mais clichê que uma manhã chuvosa em São Paulo. Claro, digo isso para quem acorda cedo e sai de casa antes mesmo do Sol tomar sua segunda caneca de café.
Eu sou um paulista que odeia garoa e frio, exceto claro, quando estou em casa dormindo. Todas as coisas me convêm quando são ao meu favor.

O problema é que eu não estava dormindo, não estava sequer em casa e acabei descobrindo que fui excluído do Facebook. Digo, não da rede toda, mas uma pessoa específica me excluiu. Tudo bem, não foi a primeira vez, nem foi a primeira vez que esta pessoa me excluiu de alguma coisa. Primeiro fui extirpado da vida dela, depois do Facebook. Eu disse tudo bem? Porra! Quem eu estou tentando enganar? Tudo bem é o caralho. Fiquei puto. Com sangue nos olhos. Boca seca e morrendo de vontade de beber e descontar a raiva nas garrafas. Ou talvez sair e comer a garota mais bonita que eu encontrar. O problema é que eu estava num ônibus lotado, careta e atrasado para o trabalho.

Então venho ruminando o fato de ter sido excluído até agora. Eu parei de tentar buscar explicação para o fato de ainda me importar com qualquer decisão tomada por uma garota da qual eu não toco há cinco anos e aconselho vocês a nem começarem. Nem tudo tem explicação. Pelo menos não uma explicação razoável.
Alguns autores bostas de autoajuda dizem que as coisas são exatamente como devem ser e eu acho isso uma forma de tirarmos a responsabilidade das nossas costas pelas merdas que saem das nossas bundas. Então eu venho com outro clichê dizendo que a vida é um ciclo e de tempos em tempos eu tenho algo parecido com uma TPM. Tenho meu período de me maltratar. Meu período de maltratar o próximo. O período de assassino em série e o de querer foder todo mundo. Também tenho o período de beber muito e aquele de beber um pouco mais. A fase de mais destilados que fermentados e vice-versa. A fase de ser atacante e a de ficar na defensiva. O casulo e a lagarta. O poeta e o filho da puta. Tudo muda o tempo todo menos isso. Cem por cento menos um, menos dez, menos mil.

Bom, nesta minha fase o sol é insuportável, o frio é insuperável, o mormaço me sufoca e só o que liberta-me é amaciar a mente com tragos firmes e intensos. Algumas pessoas diriam que isto não passa de uma desculpa para beber. Mas quem de nós não passa a vida inteira procurando desculpas para qualquer coisa? Se o Diabo é o pai da mentira também é padrasto da desculpa e eu pedi tantas, incansavelmente, nem todas merecidas, porém às pedi mesmo assim no intuito de provar arrependimento. Claro que eu não consegui e estar na pele de um perdedor é ruim para um vaidoso como eu.

Mas por que a exclusão? Por que agora? Psicólogos diriam que este sentimento é só curiosidade de saber o motivo. Eu diria que psicólogos ganham dinheiro fácil. Há curiosidade. Mas nesta minha Sina eu me pego pensando o que não há?
Tudo no mundo é alimentado por alguma coisa. Desde os átomos aos micróbios. É a energia que move o mundo e meu alimento era saber que ela poderia estar olhando como ela me revelou uma vez. Não sempre, em algum momento, um mínimo instante, qualquer fração de segundo e lá estaria ela vendo-me, lendo-me, agora, nada. Nada!

Nem um sopro de ar, nenhuma fagulha de chama, nenhuma ficha para apostas. Sem portas nem janelas. Sem vista, nem olfato. E é quando eu quero culpar e culpar. Culpar Deus e o Inferno. Rasgar a carne, extirpar órgãos. Usurpar sonhos. Estuprar as virgens dos paraísos, destruir religiões, estraçalhar sorrisos e matar tudo que é belo. Quero incendiar igrejas e demolir santuários. Quero esquartejar anjos, decapitar santos e pendurar suas cabeças como exemplo, quero destronar o Diabo, aleijar demônios, vingar-me do destino e banhar-me em todo o sangue. Maldito, sorrir e me banhar. A morte como estandarte. Gargalhar com a desgraça toda e brindar em cima dos cadáveres. Pois é tudo o que tenho. E só o que tenho e duvido muito que mereço mais que isso. Sequer isso.


Bento.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

UM VICIADO EM SEXO COM ASCO DE CALCINHAS É COMO UMA VACA COM ALERGIA A LACTOSE

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Eu estou no segundo copo de whisky e tenho escrito algumas coisas um tanto fortes para o perfil das pessoas que leem o que escrevo. Eu não me importo, pois mais prazer que ter pessoas lendo o que eu escrevo eu tenho quando escrevo o que eu quero então foda-se. Esse whisky que eu tomo hoje eu ganhei de uma garota, e uma vez ou outra eu ganho esses tipos de agrados. Além, claro, dos agrados sexuais. E tenho de dizer que uma garrafa de Jack é sempre um bom presente a se receber.
Digo isso pois tenho alguns vícios que vocês já devem conhecer todos muito bem. Logo, dentre tantas discussões medíocres por aí sobre política e a porra toda, ao invés de ir ao bar eu prefiro ficar em casa tomando grandes goles de Jack e mantê-lo na boca por alguns segundos até sentir todo seu sabor.

Houve um tempo que passei a odiar calcinhas. Não sei dizer ao certo de onde veio isso, mas era só ver uma garota no meu quarto, começarmos a nos beijar, o sexo pedindo passagem e eu imediatamente arrumava um jeito de tirar a calça da garota com calcinha e tudo para que não tivesse que olhá-las. Calcinhas feias, bonitas, grandes ou pequenas, renda ou algodão. Eu só odiava calcinhas. Perdia um terço do meu tesão caso me deparasse com elas. Eu nunca gostei de lingerie vermelha - isso também não é segredo - mas nesta época eu não gostava de calcinha nenhuma. De nenhuma cor. Só de ouvir uma música do Wando eu já ficava enjoado imaginando um mundaréu de calcinhas em cima de mim. Era complicado e nada saudável. As calcinhas penduradas nos varais dos vizinhos faziam meu corpo se contrair. Bem, dito isso, deixo claro aqui que um dos meus vícios, dentre tantos, é o sexo com garotas e de preferência magrelas e tatuadas, e não é nada - nada mesmo - saudável ter asco de calcinhas quando se está todo fim de semana bebendo, fumando e baixando calças junto com calcinhas para que não às veja. Uma hora ou outra o truque falha. Um viciado em sexo com asco de calcinhas é como uma vaca com alergia a lactose. Não faz muito sentido. De qualquer forma, assim como veio passou esse negócio das calcinhas.

Não muito depois disso eu comecei a trocar as garotas magrelas e peitos grandes por garotas de peitos pequenos e bundas enormes. O que vai contra tudo o que eu prezo numa garota. Mesmo assim troquei todas. Até aquelas que iam até minha casa regularmente eu deixei de lado, pedi espaço, aquela coisa de homem de precisar respirar ares novos, precisar de um tempo só. Como eu escrevo, para algumas garotas eu dizia que precisava focar mais na escrita, pois estava relaxado, perdendo a mão. Curioso é que esta desculpa foi a que teve mais aceitação. As garotas diziam: Ok, amor. Me manda um texto para eu ler.
- Certeza que mando. Eu respondia.

Então comecei a procurar as bundas enormes por bares e conhecidas que eu não reparava por não se tratarem do estereotipo que até então admitia. Tudo transcorreu perfeitamente bem. Conheci belas bundas. Brancas, negras, bundas grandes, muito grandes e as gigantes e desproporcionais. Bundas que batiam nas minhas coxas de tão grande quando colocadas por cima para trabalharem. Nesta época eu percebi que eu não ligava tanto para a beleza dos rostos - vejam que heresia - afinal, eram as bundas que eu olhava. Ter uma grande bunda nas mãos e não aproveitá-las da melhor maneira possível é estupidez. Para quem gosta de tamanho as brancas são as melhores, pois aparentam ser bem maiores, só que tudo é uma questão de ótica.

Então essa fase das bundas também passou e eu voltei às magrelas. Nunca me decepcionei com garotas ossudas. A flexibilidade, a agilidade, a safadeza...

Tem uma coisa também e isso parte mais de uma particularidade que qualquer outra coisa. As melhores transas da minha vida foram com magrelas. E muita gente acha que eu critico as gordas pelo simples fato de nunca ter tido uma boa transa com uma gorda e eu respondo: É verdade. Mas não é isso. Entendo eu que gordas são gordas e que essas mesmas gordas têm um desejo imenso de serem magras e não conseguem. Eu entendo isso. O que eu não entendo é essa mania das gordas de tentarem nos convencer de que estão bem sendo gordas e que nós homens é que somos uns fúteis por preferirmos beleza e magreza e não nos importarmos com - muita atenção para o termo que eu usarei agora - "beleza interior". Como se as gordas fossem melhores que as magras só pelo fato de serem gordas. Como se nossos neurônios estivessem ligados à quantidade de banha que temos em nossos corpos. É só pra mim que soa arrogante uma pessoa achar que é mais inteligente que todas as outras que são mais atraentes sexualmente que ela? É visível só pra mim que o mesmo preconceito que as gordas dizem sofrer elas têm com as garotas magras?
Bem, sinto em dizer - mentira, não sinto - mas eu prefiro as magras, pois é bem mais fácil ensinar uma equação matemática à um macaco que convencer um elefante a parar de comer.

Então eu tenho essa insistência com gordas e muita gente diz que vou acabar terminando meus dias ao lado de uma obesa. Pode até acontecer, contudo isso é tão possível quanto eu acabar casando com um saco de berinjela, pois eu não gosto tanto quanto.

Eu também falo uma porção de coisas sobre os religiosos e por incrível que pareça esses enchem menos o meu saco com essas crises de hipocrisia. Esses são hipócritas só com a vida e o mundo, comigo nem tanto. Mas é bem capaz - segundo diz a lenda - que eu casarei com um saco de berinjelas, morrerei esmagado por uma gorda e partirei sem escalas para o inferno, deixando órfãos duas ou três crianças berinjelas, afinal também não suporto criança. Isso, claro, se nenhuma gorda aparecer para comer meus filhos.



Bento.

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