terça-feira, 27 de dezembro de 2011

TOCA-DISCOS

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Sempre que a chuva começava a dedilhar as janelas a vontade vinha como uma lembrança antiga.
Sentava-se no chão em frente a estante de discos e retirando um a um de suas capas, limpava-os com um cuidado excessivo.

Começava pelos mais antigos e terminava com os mais novos, assim como as lembranças.
E um a um, após terminar de limpá-los com a flanela velha deitava-os no toca-discos, o sopro na agulha como um beijo de despedida e começava o balé da bolacha negra.
O chiado de início, vindo da agulha tentando vencer a poeira e riscos que teimavam em permanecer ali lembrava o ranger dos dentes que sempre a incomodava.

Os discos tocados tantas vezes, que já se sabia o exato momento de cada primeiro acorde assim como ele já sabia o motivo das caras e bocas, cada gesto e tom de fala que não fora mudado. Conhecia cada gosto e desgosto.

Também já previa cada salto da agulha causado pelos riscos no prato de vinil rompendo assim o compasso da canção, bem como sua vida que saiu de giro, rompeu o ritmo.
Se foi todo o lado A, a agulha ficou no meio do caminho, seus pés assim como o disco continuou sem motivo, sem música, sem aplausos.

O rock acabou no meio do show e o público não estava lá para pedir bis.


Bento.

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

LENÇOS UMEDECIDOS

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Ao caminhar sente o peso dos olhares em suas contas.
Ah! Mas aqueles olhares...
O que são aqueles olhares?
Nada mais que entretenimento gratuito da suposição de caráter.
Utiliza-se como panos umedecidos, desobstruem os poros da face fazendo nascer o sorriso límpido e joga-o fora.

Continuemos fazer valer a obstinação do dedo gangrenado para que tenhamos do que reclamar. Olá! Eu não me excluo disso. Mas estou do outro lado da moeda, aquele com cara de paisagem olhando o desdém.

Observo e é tão claro quanto um albino, não está dando certo, nem o seu problema, e é um enorme problema, partindo do princípio que você não quer ver, ou vê, mas não aceita. Ou aceita, no fundo da sua alma você aceita, mas tem medo. Vê que gigantesco problema agora? Já os meus problemas são mais numerosos e irremediáveis, logo, quando caio na inutilidade de me preocupar trato logo de regar as lembranças com uma boa dose de esquecimento.

Agora já estou em outro canto esquivando-me da luz e vejo o quão solitário é brigar num relacionamento de um só indivíduo.
Formam-se DRs solitárias que duram horas, sozinho, todos de acordo, ninguém discute. Da DR não há o 'D' de discussão e tão pouco o 'R' de relação. Então é o quê?

Risos e mais risos e maquiamos os buracos que a vida tratou de estocá-los em nossa face, e permanecem abaixo do pó e só será revelado no quarto com o dramático e sincero lenço umedecido.

Quero frisar que se às vezes maquio uma análise ou comentário, se troco os fatos pela analogia é em prol da observação, assim forço um pouco mais o exercício de interpretação de cada leitor.
É mais ou menos como na vida selvagem que o animal a notar que está sendo observado foge para esconder-se. Digo que a fiscalização por aqui tem sido grande e não faltam personagens para tomar cada história para si.

É bem verdade que ao observar o coelho prestes a ser devorado pelo coiote, surge o mais comum reflexo de ajudar o coelho, nos de bom coração é bem mais comum. No entanto o coelho nem sempre quer ser salvo.
Em alguns casos o leão quer salvar o coelho para trocar a refeição de estômago. Concorrência animal ou puritanismo momentâneo?
Leões só são amigos de coelhos feios, eu insisto em dizer. Sei que a analogia pode parecer indigna do texto e o autor pode parecer indigno da escrita, porém, querer que o leão se torne vegetariano é pedir demais. É a natureza.

Ah! Mas a fé das mulheres, sempre tão apegadas ao credo que chega me dar inveja. Pena que são fiéis sempre do santo do milagre errado.

Agora penso que estou de repouso na coroa da estátua, observando...

Observo e vejo a tentativa de se mostrar tão segura, tanta segurança traduzida pela fala alta e os palavrões constantes, ou é segura a ponto de manter-se fora dos padrões, ou ainda não sente segurança para se padronizar.
Segura ou não, o padrão, neste caso como regra, à de ser excesso, um excesso maravilhoso.


Bento.

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

SE NADA É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR, NO MINIMO LUTE PARA MANTER RUIM COMO ESTÁ

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Não há uma solução prática para o amor.
Ama-se com todas as forças até cansar, cansar do mau trato alheio. E um dia cansa. É assim com todo mundo.

O que fará até esse dia chegar é o que vai consumir todas as suas forças e você conhecerá a anorexia do amor próprio.

Amar-se ou amar-te. Ou um ou outro, os dois é impossível.

Sem esta alegria se tornará o zumbi das horas, em busca de qualquer pedaço de sentimento para alimentar-se. Dar uma boa mordida no resto de afeto que achar numa lixeira mais próxima e, por fim, terá uma grande, gelada e amarga dose de angústia para ajudar a engolir.

Ah mas esta alegria tão essencial para continuar respirando. Não são os órgãos, as tripas, ou sangue que te faz mover-se de encontro aos obstáculos, é a alegria que te faz levantar de manhã.

É tão inevitável. É tão comum.
Me reconheço em cada verso disfarçado de raiva que sai de sua boca.

Sei tanto sobre isso que fico me perguntando se não foi eu que inventei a tristeza. Ou pelo menos eu a reinventei, como uma tristeza 4.0.  Tristeza High Tech modelo 2012, último lançamento.

Só que ao criá-la, me esqueci de confeccionar um manual de instruções.

Eu conheço tanta gente que reclama do amor que me pergunto o que faz mais mal, o amor ou a falta dele?

Mas não se deve reclamar do amor, deve sim, com toda sinceridade proclamá-lo. Declará-lo aos quatro ventos sem medo de ser feliz. Eu mesmo passei tanto tempo com medo da felicidade, medo de perder o fio da miada. Dramatizaria sobre o quê? Tanto tempo achando que não era merecedor de qualquer coisa boa que me acontecesse. E isso é de um sadomasoquismo tamanho.

É como cortar os próprios pulsos só para vê-lo sangrar e, ainda usar os dedos para desenhar no chão, como se nada tivesse acontecendo e como se o mundo não precisasse de nós.

Mas você sempre será importante para alguém mesmo que não seja você.
Sempre haverá alguém a desejar-te, à espera de uma chance que nunca será dada.

Alguém com medo de se declarar e passará a vida esperando que você dilate seus olhos e vista os óculos da proximidade.

Como a história do pescador que passava o dia olhando para o horizonte na espera de sua amada e não reparara que aos seus pés, trazido pelas ondas, bem abaixo de seu nariz, estava uma garrafa com uma carta de seu amor dizendo que fazia o mesmo do outro lado do oceano. No fim ficaram os dois esperando...

Vista os olhos.
Vista a autoridade sim.
Deguste a tristeza como um bom vinho e torne-se um expert no assunto.
Mas trate de vestir a existência, pois se nada é tão ruim que não possa piorar, no mínimo lute para manter ruim como está.

Ninguém quer ser sozinho, mas com o tempo aprendemos a separar companhia de trigo, ou seria a mentira do joio?

E o ciclo se fará completo.
E o Tempo que é o adestrador do cão ladrão de sorrisos decidirá chamá-lo novamente para a casinha e você voltará a viver feliz para sempre por algum tempo.



Bento.

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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CAIXA DE PANDORA DE AMORES FINADOS

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Minha mãe tem o péssimo hábito de fazer faxina e jogar tudo fora, não pergunta, não titubeia. Joga fora e pronto. Tantas letras de músicas inacabadas, tantos textos sem terminar e comprovantes de pagamentos sem arquivar.

Quando me dou conta já é tarde demais e vou correndo até o lixo com esperança de salvar minhas aflições.
Das músicas, dos textos e das contas a pagar.

Se me perguntarem porquê, afinal, eu não arquivo ou guardo os papéis antes que eles sejam incinerados pela chama da mania de limpeza de minha mãe? O motivo é óbvio, eu não sou nem de longe, organizado. Só me acho na bagunça. Coisa de homem.

Mas eu nem sempre fui assim.
Puxando pela memória, lembrei-me de minha primeira namorada, lá pelos meus quatorze anos. Ela me dera de presente uma caixa de charutos, vazia evidentemente. O tabaco ainda não me fazia companhia naquela época.
A caixa era tão bonita que tive que achar uma serventia para ela, caso contrário ela teria o mesmo fim que os papéis que hoje são dispensados pela faxina.

Decidi então, guardar as cartas que minha namorada me entregava, folhas de caderno com rabiscos e corações que demonstrava o amor de adolescente.
O namoro acabou, as cartas ficaram e o hábito de guardá-las também. Por necessidade comecei a guardar alianças de compromisso, pulseiras, pingentes, até um chaveiro de pelúcia que eu tinha vergonha de usar. Tudo que fizesse lembrar-me dos momentos e frações de sentimentos seriam guardados ali.
Uma caixa de pandora de amores finados.

Também não me pergunte por qual motivo eu ainda guardo essa caixa, confesso que não a abro há mais de um ano.
As coisas empoeiradas ali dentro podem me levar do céu ao inferno e vice-versa, na segunda opção até seria bom, mas como arriscar? Mas é bom saber que tenho um backup de minha mente, de minhas lembranças.
Dizem que para entender o presente e o futuro é preciso entender o passado.

Sei também que se por qualquer motivo eu precisar formatar a memória RAM de meu peito, terei minha essência guardada na caixa que mistura o cheiro de charutos e as cartas perfumadas.


Bento.

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

SOU JORNALISTA II

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"SE NADA É TÃO RUIM QUE NÃO POSSA PIORAR, NO MÍNIMO LUTE PARA MANTER RUIM COMO ESTÁ"


Não há uma solução prática para o amor.
Ama-se com todas as forças até cansar, cansar do mau trato alheio. E um dia cansa.

É assim com todo mundo.

O que fará até esse dia chegar é o que vai consumir todas as suas forças e você conhecerá a anorexia do amor próprio.

Amar-se ou amar-te. Ou um ou outro, os dois é impossível.

Sem esta alegria se tornará o zumbi das horas, em busca de qualquer pedaço de sentimento para alimentar-se. Dar uma boa mordida no resto de afeto que achar numa lixeira mais próxima, e por fim terá uma grande, gelada e amarga dose de angústia para ajudar a engolir.

Ah mas esta alegria tão essencial para continuar respirando. Não são os órgãos, as tripas, o sangue que te faz mover-se de encontro aos obstáculos, é a alegria que te faz levantar de manhã.

É tão inevitável. É tão comum.

Me reconheço em cada verso disfarçado de raiva que sai de sua boca.

Sei tanto sobre isso que fico me perguntando se não foi eu que inventei a tristeza. Ou pelo menos eu a reinventei, como uma tristeza 4.0. Tristeza High Tech modelo 2012, último lançamento.

Só que ao criá-la, me esqueci de confeccionar um manual de instruções.
Eu conheço tanta gente que reclama do amor que me pergunto o que faz mais mal, o amor ou a falta dele?


Bento.

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terça-feira, 22 de novembro de 2011

A PRINCESINHA DE ISRAEL II

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Sabe? Eu tenho vivido todos esses dias, meses, sei lá.
Na verdade, eu tenho sobrevivido.
Em todo esse tempo não pense que eu deixei de pensar em você nem por um momento. Nenhum!
Eu te imaginei fazendo parte de cada coisa nova.
Incrível não é?
Toda vez que fui dormir e toda vez que tive a infelicidade de acordar.
E tem sido assim.
Pensei em você nas horas boas sim, mas pensei em você nas horas ruins também.
Nas horas boas era vontade de dividi-las com você, afinal nós divididos tantas coisas ruins.

Coisas minhas que eram ruins. E nas horas ruins eu pensava em você e sabia que sua presença amenizaria tudo aquilo.
Olhe eu precisando de você como sempre.

Vou te confessar que eu demorei para perceber que tinha te perdido, poxa! Foi difícil aceitar que estava perdendo a coisa mais importante da minha vida. Apesar de você nunca ter acreditado e acho que a essa altura jamais acreditara.
Sinceramente? Eu pensei em desistir. De tudo. Foi forte demais.
Dor demais.
Mas por ironia do destino foi você... Você quem me salvou. Pois mesmo longe eu queria pelo menos sentir você, mesmo que saudade. Já era alguma coisa.
E eu sofri.
E eu chorei.
E eu me maltratei assumindo toda a culpa. Eu me maltratei.
Eu mudei.
Eu queria me transformar naquilo que você queria que eu fosse, mesmo sabendo que você não voltaria. Nunca. Eu quis.
No fim, eu me transformei em você. Me transformei naquilo que eu amava, mas criticava.
No fundo, tentei te substituir colocando-me em seu lugar.
Claro que não deu certo. Foi quando tentei te substituir com outras. E eu sou a prova viva de que isso também não deu certo.

Aí eu tentei, tentei. Tentei até enjoar... E enjoei.

O seu antissocial eu abracei com unhas e dentes.
A sua cara amarrada eu maquiei em mim.
Suas “marcas” eu tentei imitar.
Suas frases tomei para mim.
E assim como camaleão, me vesti de você.
Não me julgue, precisava ter algo seu só para mim.
Ainda hoje você me toma em pensamentos através de um sorriso igual, um gesto igual, uma gíria igual.
Coisas como Leopoldo e tal.
Ninguém entenderia, talvez nem você.
Eu entendo como se tivesse nascido com isso.
É quase uma coisa.
É mais que uma coisa.
Ou menos.
É em vão.
Mas é meu.
Ué!
Posso?
Ah mas eu tentei.
Tentei de todas as formas preencher este vazio que deixou a sua distância tão mais plural.
Distância essa que, você se foi e até eu fui.
Me perdi de você e de mim.
Eu mesmo me abandonei. E me perdi.
Depois coloquei cartazes em postes e lanchonetes com aquelas fotos horríveis do meu rosto depressivo procurando-me e nada adiantou.
Mas se você se foi e eu também, sobrou quem?
Exatamente!

Demorei para decifrar esse novo ser.
Ser demente, sem semente, jamais vai florear.
É em sua essência um mato seco, que sem vida e qualquer sinal de luz, ou se quebra, ou queima.
Explode em fogo só para atazanar.
E eu, escrevo em transe.
Sabe-se Deus quem fará me embriagar.


Bento.

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domingo, 13 de novembro de 2011

O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO MORRER? (Dia dos Finados)

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Semanalmente escreverei para o site SOU JORNALISTA, um portal de noticias e entretenimento formado por estudantes e profissionais de jornalismo. Para quem busca informações sem nenhum tipo de influência ou interesse “midiático” (odeio essa palavra) como adoram dizer os pseudopuritanos e esquerdistas. Somos Contra todos e contra ninguém, é apenas desejo de escrever.

Agradeço ao Claudio Colavita pela confiança e convite de editar o time de cronistas do site, que por enquanto é formado por mim e a excelente Babi Paiva. Então aqui vai um trecho de meu texto O QUE VOCÊ QUER SER QUANDO MORRER? (Dia dos Finados) para dar água na boca.


“Sempre que me perguntavam o que eu gostaria de ser quando crescesse e eu sempre tive um milhão de respostas diferentes para responder a isso. Já pensei em tanta coisa.

Hoje se me fizessem a mesma pergunta eu diria que não gostaria de crescer, mas agora é tarde. De qualquer forma, contínuo não simpatizando com a tal pergunta.

O correto seria; O que você quer ser quando morrer?

Para essa pergunta eu respondo sem pestanejar. Quero ser eterno.

Independente de como vou viver, foi sempre a eternidade que fez meus olhos de criança brilharem como ao ver um brinquedo novo.

“Minha” eternidade não tem nada a ver com religião, paraíso, ou viver em graça ao lado de Deus e toda essa ladainha dos desesperados que buscam um objetivo para a vida e também para a morte. Apesar do nosso egocentrismo de querer ser a menina dos olhos do universo, somos como tudo que habita nele. Nascemos, vivemos (ou sobrevivemos - que é bem diferente de viver) e morremos. E é só isso.

Eu, definitivamente não quero viver uma vida de privações esperando ser feliz nos jardins do Éden, quero aproveitar tudo o que há de bom aqui, em vida. Sentir na pele todos os prazeres da carne.”

Veja o texto na integra no site SOU JORNALISTA http://www.soujornalista.com/cronica.html


Bento.

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

ESMOLA DE MILAGRE EU DISPENSO

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Tem coisas que eu simplesmente não sei explicar.
Eu nunca tenho soluções pragmáticas para nada, um pingo d'água em minha mão não se torna uma tempestade, tornar-se-ia um tsunami de revolta orquestrada por minha mente sem sossego.
Não que seja uma coisa para se preocupar, no máximo uma boa carga horária de análises resolve. Ou mantém num equilíbrio para que eu possa revelar em letras garrafais: QUERO TUDO O QUE POSSO TER.
É mais que ganância. É direito adquirido.
Um caso de por a mão na consciência e apontar o dedo ao céu e dizer: Você está em dívida comigo! E não o contrário. Convenhamos...

Tanta coisa mudou, tantos espinhos tive de retirar de minha pele machucada e eu continuei com meus princípios básicos de como não agir para que tenham motivos para me castigar.
Longe, bem longe de ser o filho favorito, mas descobri que posso ser o filho da indiferença. Aquele que não fede e nem cheira, trocando em miúdos.
Mas mesmo assim me senti perseguido pelos erros que cometi há nem sei quantos anos, outras vidas talvez.

Sendo assim apontei o dedo ao céu novamente e dessa vez não foi o indicador e voltei a estaca zero.
Sem pecados, sem castigos. Só biritas de bate pronto.
Presente nos melhores e nos piores momentos de demência.
Sabedoria de botequim vem desde a pedra dos dez mandamentos, o sétimo, originou-se no bar. Não subestime isso, nunca.

Também não pense que porque meu hálito é etílico que mantenho-me embriagado, não sou tão autodestrutivo, e seria dizer que não tenho controle de nada.
É só lazer, e se puder espairecer também, por que não? Ou como diz uma amiga, why not?


Bento.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

INDECIFRÁVEL...

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...é o que minha mente pensa sobre você.
Racional por natureza tenta desvendar-te a cada segundo e mergulha em sua própria incompetência.
Talvez seja racionalidade demais.

Enlouqueça uma ou duas estrofes e pode ser que dê um refrão.

Já o meu peito acha que te conhece e te entende a toda hora, ele odeia ficar por baixo. No entanto são tantas versões que agora eu não entendo nem você, nem ele.
                                               
De peito passou a matraca, cria fórmulas mirabolantes, cada dia uma teoria - da conspiração- para explicar suas sensações que muito me admira ele não ter trabalhado na CIA ou na KGB na época da Guerra Fria. Depois de tantas tentativas de acertar, perde-se a credibilidade, ou ele acertou em todas, como saber?

Às vezes penso que é maluquice demais, como bêbado que você só entende ficando bêbado igual. Mas é maluquice demais até para mim.

Tenho que te conquistar todos os dias, literalmente. É como se fosse impossível ter você, só posso tomar como empréstimo tendo que devolver ao fim do prazo. Como livro, que antes do tempo precisa cedê-lo para outra reserva.
No ápice do livro, vence a renovação.

Quero poder ir até a livraria de minhas vontades, pegá-la em minhas mãos, apertá-la contra meu peito, pedir o embrulho para presente só para poder puxar o laço e desnudá-la como se fosse a sua primeira vez, e a minha também. Te levaria para casa e passaria a noite lendo-a, capa e contracapa, epílogo e agradecimentos. Decifraria as entrelinhas do teu ser, cada pedaço de pele, cada página, cada pinta, cada dobra de seu corpo. E vararia a madrugada nisso.

Mas a indiferença de momento, palavras ditas no momento errado, na hora errada.
A cegueira característica de quem não quer ver, ou finge que não vê, ou simplesmente não se importa, faz com que sua tiragem seja retirada de minhas mãos.

Veja, é quase uma porta da esperança do inferno. Duas das três opções terá alguém pronto a acertá-lo com a marreta do engano, o porrete da desilusão, e o “mata leão” da dramaticidade do autor. Do exagero filosófico, afinal, também sou humano. SOU HUMANO! Grito assim por que algumas pessoas esquecem, logo, não custa lembrar.

Falo e nas suas reações meço se acerto ou não, é o que resta, pois você pouco fala, por vezes se esquiva, por vezes simplesmente nega-se a responder. Ok! Algumas pessoas falam mais com a ausência de palavras do que ao regurgitar frases sem sentido. É a leitura dos olhos, dizem que as maçãs do rosto são sinceras por natureza.

E ainda me diz que eu que me blindo para me proteger, aprendeu comigo? Não! Não sou tão bom professor assim.

Paro um momento para refletir e após a imagem de seu sorriso forçado de minhas piadas idiotas vem a sensação de estar mexendo com areia do mar que teima em fugir pelos dedos.

Hoje você é um cofre inviolável e eu sou o ladrão frustrado.
Amanhã eu sou o Indiana Jones com chapéu e tudo, atrás da arca perdida, que é você, mas não tenho o maldito mapa.
Ontem o GPS deu de quebrar e fiquei a deriva, procurando uma saída do labirinto que você me fez entrar, talvez tenha até que enfrentar o Minotauro com o machado sagrado de Afrodite, e com sua cabeça em minha mão, reivindicar meu prêmio de vencedor. Você?

E eu no meio de tudo isso.

Afinal, quem é você?


Bento.

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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

GRUPO FOLHA METROPOLITANA

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Hoje é dia de beber (como se houvesse dia) e comemorar.
Meu blog fará parte do Grupo Folha Metropolitana, que edita e é responsável pelos jornais Folha Metropolitana e Metrô News, assim chegando ao alcance de um maior número de leitores.

Logo, além do Bentinho aqui ficar hiper feliz com o espaço cedido pela Priscila Miranda, Editora Web e o Grupo, também é um reconhecimento maravilhoso para nós, blogueiros que escrevemos sem incentivo nenhum, exceto os leitores e claro, nossa necessidade de desabafar.

Aguardem mais informações.

Segue links dos jornais:




Bento.

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