domingo, 19 de dezembro de 2010

O ERRANTE

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Se todos fossem tão bêbados quanto eu a ponto de expor tudo que sente, se tem que beber para falar a verdade, então que todos sejamos alcoólatras do amor.
Se todos tivessem que sofrer para se tornarem românticos, então que todos sejamos sadomazoquistas da vida.
Se todos tivessem que errar para aprender a perdoar, então que sejamos a escória de nossos sentimentos.

Começar de novo, esqueçamos os nomes, esqueçamos os defeitos e as qualidades, sejamos desconhecidos.
Esqueçamos que outros corpos habitou nossos corpos e vice-versa, pois o que parece erro agora pode ser chamado de segunda chance e há pessoas que matariam por uma segunda chance em qualquer hora, lugar ou circunstância.

Escolhas? É aí que está o segredo. É bom quando escolhemos, melhor ainda é ser escolhido. Escolhido de alguém... Ter opções é ótimo, melhor do que não ter o que escolher, mas melhor de tudo é fazer a escolha certa! Isso é o mais difícil. E ainda ter que lidar com a dúvida! Mas quem julgará o certo ou errado?Aqueles que nunca erraram, pois os que já cometeram seus erros são muito mais eficientes na arte de perdoar... Os imperfeitos não julgam e são “perdoadores” incuráveis.

Ah, mas se todos fossem capazes de assumir suas imperfeições o mundo seria perfeito. Que ironia, não?!
Melhor deixar o mundo como está, vamos continuar a mentir, afinal, o mundo não é uma roda gigante que gira e gira e volta para o mesmo lugar, o mundo não é injusto, as pessoas que são idiotas a ponto de se acharem importantes demais para quererem uma segunda chance!

Todos esses imperfeitos românticos devem ser usurpados desse mundo perfeito onde só os perfeitos têm lugar ao sol! E que tal esperar, dar tempo ao tempo?
Não! Esperar é o caminho mais curto para acertar! E acertar é coisa de gente perfeita. Erramos e erramos e quanto mais erramos, mais próximos do acerto chegamos. Assim o certo se torna primogênito do sacrifício e o sacrifício são os óculos dos errantes, o colírio das retinas do errante. Mas quer saber, eu devo estar errado nisso tudo, portanto continue a levar a sua vida do jeito que está levando, afinal sua vida é perfeita, não é?

O que devemos nos questionar é o que nos faz nos aproximar de alguém? Os defeitos? As qualidades? Ou o conjunto dessas duas coisas, seriamos quem somos sem um desses itens?
Mas me disseram: - Não se erra duas vezes! Mentira! Erramos milhares de vezes, erramos muito mais do que acertamos, infelizmente...
O mais correto seria dizer: Não acertamos duas vezes! Sabe por quê? Porque quando acertamos as flores cantam, o céu se abre para nós, o sussurrar torna-se adocicado, toda palavra é melodia, quando acertamos nada mais importa, nada mais é preciso. Uma vez basta!

O que será que quando surge faz o mundo melhorar?
O que será que quando passa as flores ficam a cantar?
O que será que faz o céu se abrir e o sol vir nos saudar?
O que será? O que será?


Bento.

Com co-autoria de Salua Ribeiro e Marcelo Jr (http://juniorcrazy1311.blogspot.com).

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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Chegou o Verão

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Você me lembra o verão.
Sua pele branquinha contrastando com seus cabelos castanhos, mas não muito.
Seus braços finos e longos me lembram partidas de frescobol de frente pro mar.
Suas pernas me convidam para um passeio na beira da praia na companhia do por sol e a leve brisa que vem do mar me confunde com o acariciar de suas mãos.
E ao olhar o seu rosto vejo as ondas que nascem para morrer logo depois, e renascem só para trazer alegria aos olhos que observam.
Tão rápido, mas tão marcante.

Bento

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Você Não Sabe Quem Eu Comi?!

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Viva a igualdade em todos os sentidos, abaixo ao machismo (inclusive das próprias mulheres) de achar que homem pode tudo e mulher não pode nada.
Sexo casual é tão bom quanto sexo com Amor, porém sem a mesma intimidade, para quem gosta de desvendar segredos é a melhor opção, mas pelo amor de Deus mulheres, sem essa de “fingir orgasmos” afinal se você finge gostar o homem pensa que esta acertando e continuará fazendo, depois vão reclamar do sexo. Abram a boca, mas para dizerem como que tem que ser feito se não estiver agradando, não tenham vergonha de falar, quem melhor que vocês mesmas para conhecer o próprio corpo?
Ah e sobre homens serem escravos da própria língua é verdade, se o homem não disser que comeu não é a mesma coisa, dizem que mulheres são fofoqueiras, discordo! Homens são muito mais, assim como o sexo começa nas preliminares, para o homem o sexo acaba na mesa do bar quando dizem: Meeeew você não sabe quem eu comi! É um ciclo. Mas não vejam isso pelo o lado ruim, saiba que homem é o pior inimigo do homem, e qualquer falha diante da “roda de amigos” é mortal, homem só consegue se sentir homem de verdade quando passa no julgamento dos outros de sua raça, e nós julgamos uns aos outros sem dó nem piedade. Então quando o cara conta que transou com vocês sintam-se honradas, pois o fato de não espalharem a noticia e omitirem a transa é porque não foi aprovada e isso é bem pior para a auto-estima, agora para os homens que inventam transas, só resta o meu lamento. Mas essa é só a visão de um homem...

Bento.

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sábado, 11 de dezembro de 2010

Vida Estranha

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Passo em passo viajando sem parar
Caminhando entre as ruas e o luar
Fecho os olhos quando vê a banda entrar
Desejando, imaginando chegar lá

Vê motivos para lhe abandonar
Dois caminhos, que não sabe qual vai optar
Vive sorrindo que é só pra disfarçar
Perseguindo, ser feliz pra variar

Já não sai mais de casa, não
Pra fazer as coisas que sempre fez
Já não tem mais suas asas, não
Quer saber até onde vai chegar
Essa vida estranha
Vida estranha

Tão cansado de se desapontar
Com pessoas que só querem prejudicar
Sonha longe com o dia que vai melhorar
Preservando, os amigos que restar

Bento.

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domingo, 5 de dezembro de 2010

DORINHA E ADALTO (Parte II)


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Depois de Dorinha sair de sua casa, Adalto chorou, ligou, implorou, mas Dorinha estava irredutível.
Adalto então resolveu parar de tentar, já não sabia mais o que fazer, queria muito ter seu amor de novo ao seu lado, mas não tinha mais jeito, Dorinha era assim, cabeça dura, era capaz até de enganar o amor por suas convicções, por achar que não era mais amada ludibriou o amor. Adalto gostaria de ser assim também, porém não tinha esse dom e na relação entre amor e Adalto o ludibriado era ele.
Isolado, sem sair de casa, bebendo e fumando mais do que dez homens juntos, se martirizava pela perda da amada.
Pôs a culpa em Dorinha, pôs a culpa em si, pôs a culpa em Deus e voltou a pôr a culpa nele próprio.
Não sobrara nada mais daquele bom e velho Adalto a não ser o amor por Dorinha.

Enquanto isso Dorinha resolveu achar alguém que lhe desse valor, que quisesse assumir o compromisso de viver com ela pelo resto da vida e achou.
Achou Berkeliano que era totalmente diferente de Adalto.
Berkeliano era educado, fino, estudara no exterior e voltara para o Brasil há pouco tempo, conheceu Dorinha em um passeio para reconhecer a cidade em que nasceu, afinal, havia tempo que não pisava em São Paulo. Acostumado com as garotas europeias não demorou para que Dorinha chamasse sua atenção.

Dorinha era branquinha, magra, cabelos negros e lindíssima, logo ela e Berkeliano estavam namorando. Depois de dois meses o casório já estava marcado, os pais de Berkeliano de tão tradicionais trataram de ir falar com a família de Dorinha para combinar a festa.
Dorinha estava feliz com o casamento, porém lhe faltava algo. Berkeliano era muito educado, mas nada romântico. Dorinha começou a se lembrar das canções que Adalto fazia para ela no violão e sempre dava jeito de colocar seu nome no meio do refrão.

Berkeliano era muito respeitoso. Respeitoso até demais para o gosto de Dorinha, logo ela se lembrava dos beijos de Adalto, e nos cantos escuros onde se agarravam longe dos olhos dos curiosos quando Dorinha tinha sempre que esfriar os ânimos de Adalto.

Berkeliano era um rapaz tolerante e paciente. Paciente até demais para o gosto de Dorinha, afinal ela sentia falta dos palavrões e grosserias que Adalto falava como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Berkeliano era amável, amável e confiante e Dorinha achava que o fato de Berkeliano não ter ciúmes era porque não a amava e lembrava-se das discussões com Adalto que sempre terminavam com o ciumento pegando-a pelo braço e falando ao seu ouvido o quanto tinha medo de perdê-la.

Dorinha pegou-se pensando que tinha ao seu lado um Berkeliano perfeito, todos gostavam dele, ou pelo menos demonstravam isso em sua presença. Família e amigos aprovavam seu casamento, nas festas era Berkeliano quem chamava mais atenção, mas era toda a imperfeição de Adalto que fazia de sua vida incomparável, inconstante, imprevisível. Fazia com que ela se sentisse viva e sem medo de errar, pois caso errasse, Adalto jamais a julgaria, pois era tão cheio de imperfeição quanto ela.

Dorinha então decidiu buscar em seu inconsciente aquela última conversa que teve com Adalto e chegou a conclusão que os argumentos dele tinham certo fundamento, Adalto tinha razão.
Dorinha foi procurar Adalto e se desculpar, afinal era melhor esperar um pouco mais pelo seu sonho de casar, mas estar ao lado de seu grande amor. Com todos seus defeitos.



Bento.


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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Vamos Falar de Azar

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Vamos falar de azar!
Toda balada que eu vou eu ouço: - Ah, hoje ta vazio, você tinha que ver a semana passada.
Toda vez que viajo faz sol a semana toda, no fim de semana ou no feriado prolongado chove, mas chove muito. Só para ter uma idéia, no fim do ano passado fui para o Rio de Janeiro que como todos sabem é conhecido por fazer mais de 40 graus. Mas isso é quando eu não estou lá, vocês se lembram o que aconteceu no fim do ano de 2009? Enchentes, desmoronamento de terras, barracos sendo levados pela chuva, desculpem-me. Fui  eu.
Se quero um taxi eles entram em greve se vou ao cinema esgotam-se as entradas ou só restam lugar na primeira fila de cadeira o que é bem pior, pois eu sempre sou idiota a ponto de comprar os ingressos e sair do cinema com dores no pescoço.
A vida é bem difícil, é verdade, mas para mim parece pirraça. Conhece a lei de Marphy, tomei a liberdade de adaptar a lei para devido aos casos que acontecem comigo, portanto à partir de agora chama-se Lei de Bento.
Será tudo isso azar, ou descontrole total de todos os acontecimentos referente à minha vida?
O que eu chamo de azar pode simplesmente ser aquilo que sai do planejado, o inesperado.
Sendo assim entende-se que azar é até algo bom, partindo do principio que saber o futuro é totalmente desprezado por esse que vos fala. Nada como se surpreender, por tanto faça o que quiser  bom ou ruim, mas surpreenda-me.

Bento.

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

DORINHA E ADALTO

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Vou contar uma história.
Sou péssimo para dar nomes até para gatos, portanto, me desculpem por uma possível estranheza ou desaprovação de tal nomeação.

Dorinha era namorada de Adalto, há tempos Dorinha queria casar, mas Adalto sempre se esquivara do compromisso do matrimônio.
Sempre que Dorinha propunha ou supunha o casamento, Adalto arrumava logo uma desculpa e saia de escanteio.
Por falar em escanteio, Dorinha tentou tocar no assunto quando Adalto assistia o jogo de futebol na sala de sua casa e desta vez ele nem precisou de esquiva, disse sem pestanejar, assim à seco: - Agora não Dorinha, sabe que quando tô vendo o jogo não consigo pensar em outra coisa.

Mas a paixão por futebol - e no caso das mulheres elas acham que estão sendo substituídas pelo time do coração- era apenas um dos defeitos que Adalto tinha que causava cólica em Dorinha.
Adalto falava alto, fazia brincadeira com tudo, fumava, bebia, era um tanto quanto mal educado, além de estar sempre no vermelho quando o assunto era dinheiro.
Dorinha amava Adalto, porém as coisas estavam chegando ao limite para ela. Dorinha resolveu dar um ultimato no namorado: - Ou casa comigo, ou eu vou embora de sua vida!

Adalto conseguiu segurar seu vício de fazer piada com tudo, engoliu à seco ao perceber que Dorinha não estava brincando. Então Adalto resolveu explicar de uma vez por todas o motivo pelo qual não poderiam casar naquele momento: - Dorinha meu amor, sabes que eu a amo mais que o céu, que a terra, posso jurar que a amo mais que posso amar eu mesmo, mas entenda que a gente não pode se casar agora porque...

Adalto ainda explicou que não poderiam casar porque o dinheiro que ele ganhava em seu emprego que ocupava doze horas do seu dia mal dava para pagar as contas dele, que o diga de duas pessoas. Que seria impossível manter uma casa, uma esposa, um possível filho caso fossem contemplados com tal graça, e que não queria vê-la passando por necessidades como ele mesmo já havia passado, mas Dorinha já não estava mais ouvindo, estava lá, na casa de Adalto, na frente de Adalto, em presença, mas em espírito já estava em outro lugar, lá onde mora o rancor, a raiva e entre outros sentimentos que cegam as mulheres e fazem elas tomarem decisões precipitadas. Mulheres são assim, quando querem uma coisa, ou às tem, ou vão em busca em outro lugar ou em busca de outra coisa.

Dorinha então se levanta, sai pela porta da casa de Adalto e nunca mais volta...


Bento.




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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

BOA VIAGEM, BOA VIAGEM

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Sou o peão na rua de terra a ser lançado e as crianças a julgar se não giro o necessário, mas alguém já parou para pensar que esse peão não quer sequer sair do bolso de seu dono? Ele quer continuar abraçado no aconchego da matriz.

Tudo bem, pense o que quiser, diga que o mundo é muito mais do que eu planejo, mas a ferida está aberta, sem remédio, sem meio seio.
Há mais inconsciência que verdade nisso tudo que eu faço e tem gente que me segue como se eu soubesse as respostas. Sou mais incompetente que a droga que me droga, pois não me leva onde eu quero, me leva onde eu tenho que estar.

Ouve, esta ouvindo essa voz? Ela diz para eu seguir o que diz meu coração, eu juro que quando achá-lo perguntarei para onde vou.
Enquanto isso eu sigo no mar sem o barco, sem o vento, se a vela, sem vontade.
Na parede esta toda minha voz que eu considero minha verdade, quem lê saberá, mas isso não publico é só meu, era de um outro alguém, mas esse alguém está muito ocupado conhecendo o que o mundo tem para oferecer.
Cantar? Está ouvindo essa voz? Essa era minha que dizia o que fazer, hoje só me traz tristeza não sei como obedecer, não sei como me achar, nem sei como a luz ainda insiste em iluminar se é na escuridão que eu lamento o meu pensar, e como eu penso.
Veja, está vendo esse mar? Não são as ondas nem a areia que me faz alegrar, mas sim as lembranças de quem um dia eu dividi toda essa solidão, que quase não existia, pois ela cumpriu sua missão.

Não elevou até o céu, ela era o próprio a me chamar eu contava os segundos para poder embarcar.
Veja, esta ouvindo o telefone? Eu sei, está tocando, porém para que vou me atrever se a voz que quero ouvir não virá para eu escutar?
Sim, eu sou a roda que um dia Deus inventou, para mostrar com quantos erros pode se perder um amor, mas não se iluda, não sei mais do que você, eu também preciso de um tempo para poder perder, o meu tempo.
Aí de tanto perceber que eu não sou fácil de domar, nem sou fácil de seguir, o meu Destino Deus deixou a cargo de algum ser clandestino, o Destino tomou conta e fez o que bem quis, fez de mim o paradeiro da busca sem fim.
De um alguém que me conhece, sem ter medo de viver, mas com um inconsciente que deseja o meu corpo para alguém sem cicatriz que me deixa sem um nome, sem sorriso, sem poder, mas é mais do que isso, sem um peito para sentir.

Viu como um beijo é tão mais que um simples sim? É mais do que desejo, é um texto sem saber o seu fim.
Como um livro sem a capa perde todo o seu poder, faz de conta que é livro, mas não passa de um papel que junto com os outros se mistura em um sebo. E se vende por qualquer trocado. Ou se troca por um artigo na importância de um trabalho.
Viu como pessoas se parecem com os livros? Só mais um na estante, que se faz de importante dependendo da ocasião, mas não se preocupe eu sou mais que solidão. Um tanto de desejo, suicida, escravidão.
Está sentindo esse meu cheiro de quem deseja o perdão? Faz de conta que é só um mau cheiro a te incomodar e se afaste antes que o mesmo domine o ar a respirar.
Aquele beijo insiste em me possuir sem saber se me faz bem ou me faz mal, por mais que eu suplico para não lembrar, eu fico por aqui então. Sou eu e a esquiva de enganar, eu e a multidão.
O resto que outro dia era quem eu pensava me da valor, mas esses não sabiam da minha dependência do amor. Nem eu.

Boa viagem, boa viagem.

Bento.

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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

VÁ VIVER SUA VIDA

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Era uma vez um homem que vivia numa terra deliciosamente encantadora, cheia de sonhos e cores, onde o sol era constante, e a chuva só aparecia para trazer junto o arco-íris.

Os pássaros cantando entre os ramos das árvores, e os beija-flores beijando incansavelmente assim como o homem.
Até que um dia ele ouviu uma coisa que mudara sua vida: Vá viver sua vida!

 - Mas como viver minha vida se tudo que eu toco me lembra você?
Vá viver sua vida!

Como viver minha vida se ao cantar é sua voz que entra em meus ouvidos arrepiando os pelos do meu braço só de imaginar você próxima?
Vá viver sua vida!

Como eu posso fazer isso se quando penso na distância entre nós dois meus olhos deixam o guarda-chuva de lado e se encharcam, como se isso fosse trazer você pra perto?
Vá viver sua vida!

Como é possível se quando digo aos outros que não sinto sua falta meus olhos insistem em me desmentir?
Vá viver sua vida!

Como ser livre se tudo o que eu mais desejo é estar preso aos teus braços e fios de seus cabelos?
Vá viver sua vida!

Eu tento, tentei por um tempo, mas agora eu desisti, afinal, até a minha teimosia já tem saudade de você?
Vá viver sua vida!

Deus... Como é difícil dormir com o silêncio ensurdecedor do meu peito, nem um pio, pois não tem mais nada lá.
Vá viver sua vida!

Oras, mas como se meus dedos se entrelaçam neles mesmos, pois de seus dedos eles também sentem saudades?
Vá viver sua vida!

Mas como? Se agora estou aqui escrevendo e pensando em ti.
Vá viver sua vida!

Eu só queria saber como é fazer isso.
Vá viver sua vida!

É difícil quando me vejo perdido sem ninguém para procurar.
Vá viver sua vida!

Seria possível se eu não comparasse até mesmo a saliência daquela ruga em sua testa ao sorrir.
Vá viver sua vida!

Como? Se todo rosto não faz nem sombra no brilho que meus olhos transmitem quando veem você mesmo nas lembranças.
Vá viver sua vida!

Como poderei se minha vida só tem continuidade nas linhas do seu livro?


Bento.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Perdeu, ganhou ou vice-versa?

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Eu perdi...

Ganhei...
Perdi...
Porém, ganhei...
Aí eu perdi...
Só que ganhei...
Foi quando eu perdi...
Depois, ganhei...
Eu achei que não, mas perdi...
Achava que era mentira, mas ganhei...
Eu não queria, mas perdi...
Oras, eu ganhei...!!!
Filho da mãe, de novo eu perdi...
Parei para pensar e vi que ganhei...
Depois me dei conta que perdi...
Caraca!! Eu ganhei...
Perdi...
Olha, eu ganhei...
Não! Eu perdi...
Meu Deus eu ganhei...
A vida é assim, um perde e ganha danado, mas coloque na balança.
Você ganhou mais do que perdeu ou vice-versa?

Bento.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

SE EU NÃO LEMBRO É PORQUE VOCÊ TIROU MINHA ATENÇÃO

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Vou confessar minha incapacidade de gravar nomes.

Ouço o nome, identifico o nome, mas ele se derrama pelos meus ouvidos e vai embora, talvez pelo fato de ser imaginativo, quase “Fantástico Mundo de Bob”.

Acabo de te conhecer e prestarei atenção em seu cabelo e se eles têm tinta ou não, ondulados ou não, quebradiços, ou se foram presos com algum detalhe.

Prestarei atenção em suas sobrancelhas e se foram retirados recentemente os fios rebeldes.
Descerei meus olhos para o nariz e a maçã do rosto tentando desvendar sua personalidade.

Com ímpeto me prenderei na sua boca e nela é onde perderei mais tempo, imaginarei todas as coisas possíveis e impossíveis de se fazer com ela, como seria ao se contrair quando ficasse brava, ou ao expandir-se quando te fizer sorrir? Me deleito em diferentes formas e cores dos lábios.

Enquanto isso o nome já foi dito e eu me perdi em algum lugar.


Bento.
 
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

SÓ PORQUE SOU HOMEM

Dizem que por ser homem eu não posso chorar.

Que por ser homem não posso demonstrar meus sentimentos.
Só por ser homem não posso dizer “eu te amo”.
Falam que por ser homem não posso ter vaidade.
Falaram-me que por ser homem não posso ter amizades femininas eternas.
Dizem que por ser homem não posso sofrer por amor.

Só por ser homem não posso me entregar de corpo e alma numa relação.
Dizem que o fato de ser homem me impede de ser romântico.
Se sou homem eu não posso me preocupar com as roupas que vou sair de casa, nem com meu cabelo.
E só por ser homem não posso tirar a noite para assistir filmes debaixo das cobertas.
Por ser sou homem não posso lavar louças, roupas, nem fazer faxina.
Dizem que por ser homem não posso chorar com filmes.
Falam que por ser homem não posso me preocupar com o próximo à ponto de esquecer de mim mesmo.

Se eu sou homem não posso discutir a relação.
Só por ser homem não posso demonstrar toda a minha alegria em público.
Dizem que o fato de ser homem me impede de confessar meus fracassos.
Também dizem que como sou homem não posso me preocupar com a higiene de minhas mãos e pés.
Por eu ter nascido homem não posso me sentir inseguro.
Falam que homem que é homem não pode abraçar um amigo.
Homem que é homem não pode ser sincero à ponto de se prejudicar com isso.
Dizem que por ser homem tenho que esquecer de meus princípios.
Só por ser homem não posso ser honesto.

Eu sei que sou homem e que estou bem assim.


Bento.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SEM PRESSA

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Sempre andei rápido, herança dos tempo de office boy quando queria acabar o serviço logo para jogar truco na praça.

Nos relacionamentos isso sempre foi um problema.
Sábado à noite, namorada impecável, depois de horas em frente ao espelho, incontáveis trocas de roupas e salto alto. De mãos dadas e eu andando com passos de um metro como árbitro de futebol medindo uma falta. Arma-se a cara emburrada.
Domingo à tarde, shopping, sorvete e eu andando como se houvesse um incêndio assolando algum prédio indefeso. A briga se estende até segunda-feira de noite.
Agora quando solteiro me vejo correndo ainda sem necessidade com fones de ouvido, ou um livro a tira colo.

Hoje resolvi fazer diferente. Ficaram em casa livros, fones e celular, caminhei sem pressa olhando as coisas em minha volta, colocando os pensamentos em ordem, separando por gavetas com divisórias cada um de meus sofrimentos, alegrias e planos. Dei atenção a eles há muito tempo abandonados, meus pensamentos exigiam atenção, brigavam por isso, tínhamos dores para curarmos.

Levei-os para passear no parque, deitados na grama demos às mãos.
Sentados no banco da praça sorrimos juntos e falamos sobre o futuro, planejamos viagens de reconciliação, uma segunda lua-de-mel com meus pensamentos, juntos até que a morte nos separe outra vez, e ela passou aqui em casa novamente com seu melhor vestido, seu rosto angelical para enganar as pobres almas à levar sob suas asas. Por isso estou saindo para o enterro novamente, só que dessa vez sem pressa, com o andar contido, prestando atenção na ampulheta do tempo, sem relógio, sem nada para tirar minha atenção.

Vou observando as pessoas, os casais, os grupos, a inconstância das nuvens sobre minha cabeça, o desfile do sol à fazer seu trabalho com sabedoria e calma eu tomo como exemplo.
Sem pressa.

Bento.

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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Que Fariam as Mulheres se Nascessem Homens?

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Jogariam futebol, entenderiam futebol, teriam prazer em assistir, torcer e jogar futebol?
Seriam egoístas no sexo, seriam loucas por sexo, fariam sexo o maior numero de vezes possíveis?
Veriam graça em cervejas, camaradas, cigarros, palavrões e mulheres... Muitas mulheres?
Comprariam revistas de mulher pelada, filmes de mulher pelada, tatuariam uma mulher pelada?
Odiariam vôlei, acordariam de madrugada para verem formula 1, permaneceriam acordadas para ver CinePrivê, comprariam um carro?
Jogariam truco, buraco, pôquer, bicho bébe?

Afogariam suas magoas no primeiro bar que encontrassem, beberiam todo álcool que conseguissem em menor tempo e criariam uma capacidade incrível de voltar para casa sem se lembrar de nada?
Criariam também uma capacidade incrível de acabar com tudo com o que te faz bem porque adoram irem para o bar afogar as magoas, beberem todo o álcool que fosse possível em menor tempo e voltar para casa sem se lembrar de nada?
Juntariam alguns amigos, criaria uma banda para tocar nos lugares mais sujos que encontrasse?
Jogariam bolinha de gude, bilhar, bateria figurinha, empinaria pipa, cortariam os dedos fazendo isso, cairiam de bicicleta, de skate, fumariam um baseado, fariam festas e convidariam mais mulheres que homens, porém aprenderia que em qualquer festa de homem há mais homens que mulheres?

Chamariam todos os outros homens, inclusive seus melhores amigos de viado?
Arrotariam, peidariam, cuspiriam?
Seriam reféns do desodorante, seriam reféns das suas mães, e rezariam todos os dias pelo fim de semana?
Fugiriam da louça para lavar, fugiriam dos sogros, das sogras e desejariam com todas as forças as cunhadas?
Gastariam todo seu dinheiro no som do seu carro, gastariam todo seu dinheiro em baladas, não teriam dinheiro para gastar?
Não comeriam banana em público, não chorariam em público, não demonstraria qualquer emoção em público?
Tentariam mais do que tudo entender as mulheres, e chegaria a conclusão que nem mesmo as mulheres às entendem?

Tentariam não casar, namorariam, mas trairiam, ouviriam funk só para ver as mulheres dançando?
Pentelhariam os vizinhos com o som alto, tocariam campainha para depois saírem correndo, soltariam fogos nas janelas e caixas de correio?
Esfolariam os joelhos, os cotovelos, as canelas e teriam orgulho de suas cicatrizes ao mostrar para seus filhos?
Contariam histórias repetidas sem medo de aumentá-las só para contar vantagens aos amigos?
Mijariam de porta aberta, em qualquer lugar que desse vontade, porém jamais olharia para o lado num banheiro público ou nunca abaixaria para pegar o sabonete no vestiário?
Não saberiam para que serve um condicionador?

Você mulher, o que faria se fosse homem?

Bento.

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terça-feira, 2 de novembro de 2010

NEM TUDO QUE PARECE É.

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Qual a diferença entre confiança e não ter medo de perder?


Quem já perdeu tudo que teve perde também o medo de arriscar, já não tem porque exitar, perder o medo é como perder a essência, é perder o frio na barriga, você já não tem mais o que temer e perde todo o tesão, o calor.

Olhe para o lado, vê aquela pessoa segura de si, confiante, pronta para qualquer batalha, aquele que encara qualquer coisa, ele não demonstra qualquer emoção. Não o inveje, não queira ser igual a ele, pois ele, já perdeu tudo que tinha e está recomeçando.
Procurando seus medos.
 
Bento.
 
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Me Conquiste.

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Sei que pode soar esnobe, pode parecer exigência demais.

Podem me chamar de metido se quiserem, afinal o achismo nasceu com a costela do Adão.
Me julguem como fútil que se acha digno de algo acima de sua dignidade, de seu merecimento.
Atirem a primeira, a segunda e a décima sétima pedra.
Façam o que bem entenderem, façam o que der na telha, mas façam alguma coisa.
Aponte seu dedo em minha face e no boca à boca acabe com minha reputação.
Espalhe por aí que eu tenho um ego do tamanho do mundo.
Grite aos quatro cantos do planeta que sou hipócrita pelo que vou dizer agora...
Mas eu tenho que dizer:

- Me conquiste!
 
Bento.
 
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

AS HAVAIANAS

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Tenho algumas particularidades em um monte de coisas, gosto é que nem... mas me sinto um exagero descontrolado.


Enquanto o Brasil prefere bunda, eu adoro peitos, nada como uma gostosa, aquelas que passam na rua e os pedreiros de plantão logo à elegem a nova miss calçada ou miss obra, com o inconfundível “fiu fiu” orquestrado com maestria pelos lábios contraídos formando o assovio seguido do gênesis das cantadas: - Ô G O S T O S A!!
Assim mesmo, pausadamente. Quanto mais tempo o “gostosa” se estende, mais fica claro o tamanho da satisfação. Depois do gostosa vem o "delícia", mas esse já é mais contemporâneo.

Eu nunca fui adepto do gostosa, pelo menos não como a maioria, sempre preferi as magras. Gostosa não é pesar a quantidade de carne que há na mulher assim como um açougueiro pesa a mistura do domingo. Como um cachorro de rua eu me apego aos ossos saltando na cintura, já percebeu como as magras ficam bem em qualquer figurino?

Outra discrepância sobre o gosto da maioria é exatamente o figurino, a maior parte dos homens valoriza o menor volume de roupa, isso porque pouco se repara no que a mulher está vestindo, mas sim em como ela ficará sem nada. Claro que eu também imagino isso, é natural, porém aos meus olhos, são de extrema importância e dou muito valor ao que vai ser tirado por minhas mãos.

Todos os homens são apaixonados por saltos, eu valorizo as Havaianas.

Poucas mulheres ficam bem de salto alto, sem falar nas que não sabem andar com eles, já a mulher que fica bem de calça jeans e Havaianas fica bem com qualquer coisa.

Dou valor ao dia-a-dia, a roupa para ir ao mercado, ao banco de manhã, despretensiosas como se tivessem pego a primeira roupa que veio à mão, na verdade, ficaram horas e horas para combinar a cor do chinelo, com a blusa regata, o colar ideal, o cabelo preso milimetricamente deixando à mostra o pescoço fino e a tatuagem na nuca, o óculos escuro para coroar o modelito e pronto.

Não há salto alto, meias ¾, ou o que quer que seja que consiga vencer a sensualidade do chinelo Havaianas e calça jeans. É como o vestibular, a mulher só passa no teste se conseguir ficar bem com tal vestimenta, se isso acontecer, ela ficará bem em qualquer outro pedaço de pano, até mesmo com sua camisa velha daquela banda dos anos 80 que você emprestou para que ela pudesse dormir ao seu lado.
 

Bento.
 
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ALGUMAS COISAS MUDAM, OUTRAS NÃO.

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É verdade eu precisava mudar, então eu mudei.

Mudei de casa, mudei meus pensamentos. Minha dependência já não existe mais, mudei as coisas que eu dizia. Prometi mudar.
Mudei a forma de pensar. Meus pensamentos ainda são os mesmos, mudei de amizades, a marca do cigarro eu mudei.
Mudei de palavrões. Agora são poucos e mais fortes, mudei de impaciente para intolerante.
Mudei de costumes, mudei de ônibus, de estação, sai do verão fui para o inverno.

Mudei de banco, o jeito de andar ainda é o mesmo. Mudei foi o rumo. Agora ando mais devagar prestando atenção à minha volta, me perdendo em pensamentos.
Caminhar sempre me ajudou, eu é que nunca dei valor. Agora percebi e ando...
Caminhando percebi que as coisas também mudaram, os prédios mudaram, o poste foi para baixo da terra, a rachadura da calçada aumentou.
O vaso de planta teve que ser mudado por um outro maior, ela está crescendo, amadurecendo, veja que até as plantas mudam.
Veja que até as plantas amadurecem.

O cachorro mudou o pêlo, se foram as pulgas, vieram novas.
O gato mudou de telhado e trocou as unhas, o passarinho mudou de penas e de cor.
Morreu alguém mais importante e mudou-se o nome da rua, mudou a penumbra e sobrou escuridão.
Mudou a sola do sapato num ótimo trabalho do sapateiro, mudou o emprego ficou o salário ainda há vagas.
Mudou o peito, mudou o inquilino ficaram os móveis dispensáveis. Vieram novos.
Eu mudei os planos, mudei o canal, mas o gosto continua o mesmo e não estou falando de sabor.
Mudei por você, não mudou por mim.
Alguém quebrou a corrente, e não fui eu.

Bento.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

VOCÊ PODE ME DOAR UM POUCO DO MEU TEMPO?

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Eu sou meu pior inimigo, eu minto para mim mesmo.
Eu mesmo me passo rasteiras, faço questão de me desmoralizar publicamente.
Eu mesmo me enveneno, acabo com minha saúde.
Me torturo com palavras sinceras e espalho aos quatro ventos meus piores segredos.
Retiro de mim as coisas mais prazerosas, como castigo de mãe quando somos pegos fazendo algo errado. Eu sou meu próprio filho mal educado.
Eu me renego, me isolo e me trato com indiferença na frente dos amigos.

Me amo, mas faço questão de esconder e finjo me odiar.
Finjo que nem me conheço para não passar vergonha, e me trato com desdém.
Tenho preconceito comigo mesmo, finjo que não estou prestando atenção no que estou dizendo.
Me desprezo ao me olhar no espelho e nunca estou ao meu lado quando preciso.
Sou interesseiro comigo mesmo, ao me magoar nem peço desculpas.

Me maltrato só para exercer a minha autoridade.
Faço promessas para mim e nunca às cumpro.
Arrumo amantes e sou infiel comigo só para mostrar que não sou dependente de mim.
Finjo esquecer as datas comemorativas e nunca me dou parabéns, não quero comemorar.
Muitas vezes me deixo em casa e saio na noite sozinho como castigo, vivo dando um tempo de mim mesmo.
Eu não me noto, não reparo nas mudanças singelas como corte de cabelo ou roupas novas.

Não me apoio nas crises existenciais, nem nos problemas afetivos ou profissionais.
Não me olho com desejo.
Não me faço serenata, não me dou presentes sem datas.
Não me mando flores.
Não faço nada por mim, porque todo o meu tempo é dedicado a você.


Bento.

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

ESTAMOS EM REFORMA PARA MELHOR ATENDÊ-LOS

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Texto exibido na Coluna Fala Bento! na worknet.
Andando por aí me deparei com uma placa com o seguinte dizer: “Estamos em reforma para melhor atendê-los”. Achei genial.

Já parou para pensar que nós aplicamos isso nas nossas vidas também?
Eu estou falando de recomeços, olha em volta e veja como nos reinventamos diariamente, quando somos largados, deixados de lado, abandonados por quem amamos, quando tomamos aquele famoso “Pé na Bunda”, a primeira coisa que pensamos é em nos demolir, e realmente nos demolimos. Depois pensamos num projeto de reconstrução, colocamos esse projeto num papel como uma planta e começamos a reconstrução.

Mudamos de amizades, resgatamos algumas amizades deixadas de lado, mudamos de corte de cabelo, renovamos o guarda roupa, baladas novas ou diferentes, fazemos algum curso de seis meses só para nos ocupar, viajamos para lugares que ainda não conhecemos, nos reinventamos totalmente. Acontece com todo mundo.
Fazemos de tudo para afastar as lembranças, provar que somos melhores do que isso, e que estamos muito bem sozinhos, obrigado.
Porém, com toda reforma vem estresse, bagunça, sujeira, incomodo. Toda reforma gera perdas e ganhos, nos modificamos como a um mutante, é impossível permanecermos os mesmos depois de sofrermos por algo ou alguém.

Mudamos até o caminho de casa para não lembrar da antiga companhia.
Aquela rádio que você ouvia todo dia incomoda pelo fato de tocar aquelas mesmas musicas que ouviam juntos, logo você muda de rádio, você muda até de gênero musical.
Aquela roupa que ela ou ele adorava te ver com ela, você doa, rasga, poe fogo, e nunca mais compra se quer algo parecido com aquilo, você muda até de estilo, melhor andar fora de moda do que lembrar.
Aquele livro que você ganhou de presente dele ou dela e que você estava prestes a terminá-lo você jamais saberá o final, afinal, para que terminar de ler se você não tem mais ninguém para comentar sobre ele.
E aquele passeio que planejam fazer juntos, naquele parque, deseja que nunca mais passe nem perto e se passar fechará os olhos até que o destino fique para trás. Se não for com a companhia que você queria para quê ir? Você muda de endereços.

Até o jeito que você falava, as gírias e vícios você se esforça para perder, pois, qualquer palavra dita com certa ênfase te faz lembrar, então você muda mais uma coisa em você.
Os dias passam e você vive encontrando aquelas pessoas desavisadas que insistem em perguntar daquela pessoa, e você com um sorriso amarelo tenta disfarçar e ser o mais educado possível, fingindo não sentir mais nada, mas você lembra e vai lembrar o dia todo, a semana toda, logo agora que faziam alguns dias que você não lembrava. Então você muda de amigos, só para não ouvir mais os comentários.
O pior é mudar de personalidade, você que vivia sorrindo fazendo piadas parece seu bisavô ex combatente de guerra que vive de mal humor e acha que tudo que as pessoas dizem e fazem é para te enganar e te estressar, ou você era um sujeito tímido e agora vive falando com todos querendo ser o mais popular possível, é a vontade de aparecer.

Mas as pessoas não mudam nunca. Logo essa reforma acaba, e vemos no momento da inauguração que tudo estará como sempre, apenas alguns azulejos novos.

Bento.
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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

ME ESPERE UM SEGUNDO MAIS

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Cansada de telefonar ela decide ir até lá.
Toca a campainha a primeira vez e repassa rapidamente em sua mente o que vai dizer.
Ele imagina que pode ser ela a tocar a campainha e hesita em atender.
Ela percebe que se perdeu no tempo ao repassar as desculpas: Mas que demora! Toca outra vez.

Ele agora tem quase certeza que é ela, mas como saber? Se tentar olhar pela janela ela notará que ele está em casa e ele não quer brigar mais, está cansado.
Ela percebe que talvez ele não atenda e o desespero vem junto com o medo, ela não quer brigar mais, está cansada só queria pedir desculpas e quem sabe um pedido de desculpas dele, seria bom.

Tenta a terceira vez. Din-don. Dessa vez ele vai atender...
Ele duvida que seja ela, pois é orgulhosa demais para ir até lá, mas no fundo ele adoraria que fosse ela para poder abraçá-la e pedir desculpas.
Ela senta na calçada, não pode sair dali sem dizer o que é preciso. Precisa derramar as palavras na concha de suas orelhas, parindo as frases do ventre de seu peito, quer desabafar. Tem a ideia de escrever uma carta e deixar na caixa de correio.

Ele já está na porta. A fome de seus beijos é maior, chega a roncar o estômago de seu coração na ânsia de alimentar aquele desejo. Abre a porta e vê a cena que jamais sairá de sua mente nem em quinhentos anos. Ela ali, sentada com os olhos mergulhados em lágrimas como uma criança perdida.
Ela guardará essa desfeita por toda a eternidade, percebe que ele está às suas costas, se levanta e todas as palavras fogem como um bandido.

Ele que sempre tem algo a dizer prefere se calar.
Eles se abraçam e naquele momento são felizes como nunca, pois só isso basta. Só o amor basta.
O resto se resolve, é negociável. Isso é o que eles pensavam...
Ensine-me a me calar. Um gesto é tão mais prazeroso que qualquer coisa que eu possa dizer.


Bento.

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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Muita Calma Nessa Hora (Restart, Cine, Nx Zero, Luan Santana e Afins)

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Muita calma nessa hora I

Eu tenho tempo suficiente nesse mundão para saber que tudo é passageiro.

Começo a buscar na memória e a primeira moda de que me lembro foi Charlie Brown Jr. Era a “Onda” do momento, todos começavam a “descobrir” o skate, inclusive eu, e ouvir CBJr em todo canto. E os Roqueiros mais tradicionais odiavam tudo aquilo, pois diziam não haver rock sem cabelos longos e calças apertadas. Os cabelos raspados, as calças largas e camisetas gigantes era uma afronta aos Deuses do Rock dos anos 60, 70 e até mesmo a rebeldia dos anos 80 e começo de 90.

Falando de anos 70, foi quando surgiu a “Onda Colorida” que causa tanta discórdia hoje, porém, hoje sem a nudez, sem as drogas e as ideologias.
Confesso que conheço bem pouco das musicas dessas bandas de hoje, por falta de tempo não posso dizer que “conheço” Restart, Cine, e etc. Com exceção de uma ou duas musicas que ouvi no radio.
Então seria injusto julgá-los por isso, mas o que quero dizer aqui é que acredito que noventa por cento das pessoas que ouço criticar essas bandas tem o mesmo grau de conhecimento que eu.

E todos sabemos que a maiorias das pessoas não fazem muita cerimônia para julgar nada, julgar é tão fácil, tão bom criticar, sabemos que criticar é mais fácil que elogiar, pois elogiar acarreta em compromisso, quando criticamos algo, nos esquivamos, tiramos o corpo fora. Quando julgamos não damos chance para os outros nos julgarem também, por isso é muito mais comum encontrarmos rodas de amigos criticando algo e fazendo piada com os outros, critica é engraçada, elogio é tão monótono.

Penso que hoje com a informação chegando até aos celulares, em qualquer lugar que estamos, na rua, no ônibus, as pessoas não perderam o hábito de criticar sem conhecer, mas como essa mesma informação facilitada nos dá o poder de ouvir e assistir apenas o que queremos, a ditadura do Radio de antigamente que nos obrigava a ouvir o que os programadores, produtores e gravadoras decidiam não existe mais, hoje há rádios online, hoje há aparelhos que nos permite armazenar quantidade de musicas absurdas para que não precisemos ouvir o que nos obrigam, tudo isso deveria acabar com a tendência de “criticar o que eu não gosto”. Aquelas velhas frases dos mais conservadores como, “Traiu o Movimento” ou “Isso não é Rock de verdade” deveriam ser extintas do vocabulário das pessoas com a democracia fonográfica. O livre arbítrio musical.

Pode até ser que quando eu tiver a oportunidade de ouvir todo o trabalho dessas bandas tão criticadas eu também chegue a conclusão de que eu não goste delas, o que não quer dizer que o trabalho feito por eles deva ser desrespeitado ou menos valorizado, digo isso porquê qualquer um que já teve uma banda, grupo ou dupla sabe o quanto dificultoso é para termos nosso trabalho reconhecido, e eles conseguiram, então mérito deles, mas mais do que isso é respeito. Respeitar o gosto musical de outros é o mesmo que respeitar a raça, o credo, o time de futebol, e sexualidade alheia.

Coloridos ou não, todos estão onde estão porque há quem “compre” o trabalho deles, e em época de eleição, onde vimos tantas opiniões diferentes, mas acima de tudo a vontade da maioria sendo executada, como manda a democracia, seria bom usar essa mesma politica em outros aspectos de nosso dia a dia.
Hoje você julga, amanhã o julgado pode ser você. E como diz o antigo ditado, pimenta no dos outros é refresco.

Muita calma nessa hora II

Vejo muita gente dizendo “dar a vida por banda tal” e até dizerem que “surgiu os novos Beatles”. Pera lá, não exageremos também, a melhor forma de conhecer o que é verdadeiramente bom e não só uma moda passageira é o tempo, fazer sucesso é mais fácil que permanecer fazendo sucesso. Saberemos quem tem talento de verdade quando completarem anos e anos de carreira com vários trabalhos de qualidade. O Brasil é cheio de modas, quem não lembra da moda do axé music, do forró universitário, do pagode?! Tudo isso vem rápido e vai embora com a mesma velocidade e só ficam quem é bom realmente. Então vamos aguardar.
 
Bento.
 
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O FLERTE

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Curioso como uma mulher pode mudar o dia de um homem.
Um gesto, um sorriso ou uma palavra pode te levar do inferno ao céu e vice-versa.

Um amigo meu diz que é homem de uma mulher só, não por falta de vontade, mas sim pelo comodismo. Afinal, uma mulher já dá um trabalho danado, imagine duas.

Um outro amigo já diz que quanto mais melhor, pois, tudo que é bom tem que ser em excesso.
Ele continua dizendo que como não há mulher perfeita ele consegue encontrar todas as qualidades que ele gosta em várias delas, uma completa a outra.

Uma não tem um bom gosto musical, mas é carinhosa e nos dias de carência é bom tê-la por perto.
A outra é muito caseira, mas cozinha bem, nos dias de frio é bom visitá-la para um cinema em casa.
Enfim, aproveitando as qualidades de todas ele tem a mulher perfeita que combine com seu estado de espirito naquele momento. És uma maratona, mas um leque de opções.

Uma vez conheci uma garota que gostava de manter certa distância, nos falávamos por telefone, trocávamos mensagens via celular, até nos víamos às vezes, porém nunca passou disso. O famoso flerte. Ela dizia que depois do flerte vinha o relacionamento e consequentemente o interesse ia embora. Mais que o medo de decepcionar-se, o prazer dela estava ligado ao flerte e não ao ato consumado.

Acho que algumas traições acontecem por causa do tal flerte, além claro da falta de confiança entre outras coisas. Depois de muito tempo com a mesma pessoa, logo muito tempo sem flertar com ninguém, a busca por esse prazer, o ego falando mais alto, a vontade de se sentir capaz de conquistar alguém pesa e quem brinca com fogo acaba saindo queimado, então aquele flerte que parecia uma brincadeira inocente se transforma em oportunidade, o que leva a traição.

E quanto a traição é algo que vejo como fora de moda, clichê, coisa de pessoas sem personalidades incapazes de tomar as rédeas de seu próprio destino, mas não gosto de julgar, vou citar mais um amigo, o terceiro já.

Esse terceiro amigo tinha uma namorada que ele vivia dizendo que não alimentava mais nenhum sentimento pela tal, que queria dar um basta naquilo, porém quando perguntado sobre o porquê não terminava com aquele “martírio” ele se esquivava dizendo que não queria vê-la sofrer, mas arrumava um caso sempre que podia. Entende o que eu digo agora?


 
Bento.
 
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

MENTINDO...

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Eu não quero te ver, apesar de meus olhos vivem te procurando por onde quer que eu vá.
Eu não quero falar com você, mas sempre arrumo uma desculpa para puxar assunto.
Eu não quero ficar perto de você, porém faço o mesmo caminho só para te seguir.
Eu não quero pensar em você, no entanto me pego planejando os meus dias com sua presença.
Eu não quero sentir o cheiro dos seus cabelos, mas insisto em penteá-los com meus dedos.
Eu não quero desejar você, só que minhas mãos sempre procuram a sua quando caminhamos lado a lado.
Eu não quero você em meus sonhos, porém percebo que ao fechar os olhos sonho com você até acordado.
Definitivamente não quero te amar, mas vivo me enganando.


Bento.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

CONFUSÃO

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Depois de toda convivência e muitas discussões acaloradas de mesa de bar dividindo a opinião da maioria dos homens e mulheres, chegamos a conclusão: Sim a mulher é infinitamente mais confusa que o homem.


Digo isso, pois, a única coisa que causa confusão no homem é a própria mulher.
Vou explicar: numa reunião de homens improvisada, mais uma desculpa para beber, a pauta era, como agir quando a mulher sabe mais sobre sexo do que nós mesmos?

Alguns homens se assustam quando as mulheres demonstram tanta afinidade com o ato, se sentem ameaçados ao perceber que são masturbados com tanto exito que ficam imaginando se sua parceira não tem um pênis em casa para praticar. É aí que está a confusão, ao invés de aproveitar da experiência são tomados por pensamentos machistas tentando desvendar onde é que ela aprendeu tudo aquilo?
 

Bento.
 
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CORAÇÃO DÓI SIM!

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Texto exibido na coluna Fala Bento! 08/10/2010

Outro dia eu fui ao médico, reclamando de dor no coração.

Doía muito e eu já achando que as noites mal dormida, entre outras coisas já estavam cobrando seu preço.
Voltei de lá mais estranho ainda, o médico disse ao ouvir minhas lamentações que meu problema não era no coração, e sim no peito, que deveria ser causa dos trintas cigarros que eu fumo diariamente. Eu disse: doutor, mas é o coração que está doendo. Como resposta ele falou que coração não dói, que só podia ser no peito.

Como assim coração não dói?! Enfurecido eu disse:

Quem diz que coração não dói é porque nunca teve o coração saindo pela boca só de estar próximo de alguém.
Quem diz que coração não dói é porque nunca teve o coração arrancado do peito ainda vivo e pulsante pelas mãos de outro alguém.
Quem diz que coração não dói é porque nunca teve um amor sem motivo, amar sem motivo é amar aquele que nos faz chorar, que nos faz sofrer, nos faz odiarmos a nós mesmos e mesmo assim amamos.
Quem diz que coração não dói é porque nunca teve seu coração rasgado por palavras sinceras que nos faz enxergar que não somos merecedores daquele amor, que fomos incapazes de fazer nosso amor feliz, e perceber que o erro foi nosso.
Quem diz que coração não dói é porque nunca fez loucuras por amor, como andar na chuva, ir até o outro lado do mundo para ver bem de perto nosso amor.
Quem diz que o coração não dói é porque nunca enfrentou Deus e o mundo só para permanecer perto de quem amamos.

Quem diz que coração não dói é porque nunca passou por cima do orgulho, engoliu à seco alguns desaforos só para não brigar com quem amamos.
Quem diz que coração não dói é que nunca sentiu ciúmes das risadas que não são direcionadas a nós.
Quem diz que coração não dói é que nunca foi largado por um amor, assim nos levando a querer machucarmos a nós mesmos, como punição.
Quem diz que coração não dói é porque nunca sentiu a solidão do domingo de manhã desejando que a segunda-feira chegue o mais rápido possível.
Quem diz que coração não dói é porque nunca perdeu o sono por causa do primeiro amor, nem por causa do segundo, nem por causa do terceiro, porque todo amor é como se fosse único.
Quem diz que coração não dói é porque nunca teve seus sonhos invadidos, sem pudor por quem amamos.

Quem diz que o coração não dói é porque nunca riscou seu nome ao lado de outro na casca da árvore, nem na capa do caderno.
Quem diz que o coração não dói é porque nunca passou horas e horas ao lado do telefone à espera do telefonema de quem se ama, só para poder se desculpar.
Quem diz que o coração não dói é porque nunca pediu perdão mesmo sem ter culpa no cartório.
Quem diz que coração não dói é porque nunca perdeu a vergonha de chorar e contar seus segredos mais sinceros para os estranhos na rua.
Quem diz que coração não dói é porque nunca dormiu agarrado com a peça de roupa esquecida na noite passada só para continuar sentindo o perfume.
Quem diz que coração não dói é porque nunca teve sua vida zanzando por aí, sem você poder fazer nada.
Quem diz que coração não dói é porque nunca passou horas e horas debaixo da janela alheia à espera de um feixe de luz.
Quem diz que coração não dói é porque nunca passou noites acordado velando o sono da amada, para aproveitar cada minuto juntos.
Quem diz que coração não dói é porque nunca se engasgou com as palavras na pressa de declarar tudo que sente.
Quem diz que coração não dói é porque talvez não tenha um coração, ou talvez nunca tenha amado.
Quem diz que coração não dói é que é feliz. Os que sabem o quanto o coração dói são apenas pessoas que caminham atrás de seus pedaços perdidos por aí.

Bento.

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

SEI QUE ESTÁ OLHANDO

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Como um quadro.
É assim que vejo sua janela. Janela que caprichosamente virada para o lado da rua me permite passar, parar, e olhá-la por longas e longas horas.
Sei de cabeça quantas persianas existem na janela do seu quarto.
Vislumbro cada canto e reconheço a poeira nova.
Já tenho meu lugar preferido, a guia da calçada é a mesma que eu sentei ontem, hoje e sentarei amanhã. Demorei dias para achar o melhor ângulo.
Alguns resfriados depois da chuva que peguei, mas continuo olhando, esperando...
Talvez no meu inconsciente imagino você abrindo a janela e jogando suas tranças como Rapunzel, mas isso é só na minha imaginação.
Aquele cadeado insiste em não abrir, e me pego pensando se trocou as cortinas, se os móveis do quarto ainda são os mesmos, se minhas fotos ainda permanecem no mural.
Eu já faço parte da sua rua, como aquela árvore, a lombada, o banquinho de madeira e eu.
Não consigo tirar os olhos da janela, à espera de algum sinal de que a luz se acendeu, seu vulto entre as frestas já seria um presente imenso, nem isso consigo.
Algumas pessoas viajam, outras vão curtir a noite, ao teatro, cinema, eu digo: Vou para a janela.
Me visto como para uma ocasião especial, repasso todas as novidades em minha cabeça para contá-las quando a janela for aberta e volto para casa cabisbaixo, mas com os mesmos planos para o dia seguinte.
Eu não à vejo, mas sei que você está olhando.

Bento.
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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Deixa eu Fumar P...

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Tinha uma pessoa que nunca reclamou do meu cigarro, quero dizer, reclamava bem pouco, um comentário aqui e outro ali, nada demais.
De repente, essa pessoa que era a mais próxima, como nenhuma outra, de repente ela não é mais próxima assim, ela se vai, se separa, se foi.
Depois do desquite passou a reclamar do meu cigarro.

Assim como todas as outras pessoas que me enchem o saco reclamando do meu ato de fumar como se o pulmão fossem deles, como se o dinheiro fossem deles, como se eu obrigasse alguém a permanecer perto de mim fumando junto, passivamente.

Aliás esse negócio de fumar passivamente é no minimo chato. Tragamos gases humanos passivamente, tragamos gases animal passivamente, tragamos gases automotivos passivamente e eu não vejo ninguém reclamando. Nunca vi uma placa de “proibido peidar”, eu sou fumante mas odeio sentir cheiro de peido, mas onde quer que eu vá avisto um aviso de “Proibido Fumar”, me sinto acusado, acuado, sinto que o recado é dirigido a mim, como alguém apontando o dedo indicador para minha cara e dizendo em alto e bom som, na frente de todos “ei você aí, seu nome é Bento né?! Vou logo avisando que é PROIBIDO FUMAR!” me sinto coagido, ameaçado logo na chegada.

Eu vou colocar uma placa em minha casa, “Aqui se fuma à vontade” só de vingança.
Agora não se pode mais fumar em bares e balada, isso é deprimente. O direito de ir e vir me foi tirado, isso é antidemocracia. Quem não gosta de cigarros que fique em casa, ou aguente as consequências. Com isso as noites estão menos animadas, aquelas conversas de mesa de bar, com amendoins e cerveja não tem o mesmo sabor sem o cigarro. Era uma trindade sagrada, cerveja, porção, e cigarro. Essa trindade era a base de qualquer conversa, qualquer debate, as pessoas ficaram menos inteligentes com a proibição, os debates ficaram sem final, as teorias ficaram inacabadas e só o que temos são pensamentos fúteis, chatos e sem sentido. Pensamentos normais, óbvios, dignos de qualquer idiota. Pensamentos assim temos em qualquer lugar, até na igreja, o mundo ficou menos criativo.

A noite ficou mais dia, até a lua mais apagada. O fim de semana ficou mais sério, mais responsável.
Quando alguém me critica pelo fato de fumar eles não levam em consideração que o cigarro me acalma, o cigarro me faz refletir, o ato de fumar é essencial para minha alma, é fazer um balanço daquele instante, daquele dia, da minha vida. Fumar é suspirar com mais prazer.

É eu sou um viciado, mas atire a primeira pedra quem aí não tem vicio algum. E não estou falando de drogas licitas ou ilícitas, quem nunca viciou em alguém, em alguma novela, em algum alimento, em alguma roupa? Eu me assumo viciado e isso já é um grande passo, veja você não-fumante agora, lendo isso e dizendo para si mesmo que não tem vicio algum, tentando se enganar sem sucesso. Somos todos viciados.

Ninguém nunca paro para pensar que eu gosto de fumar? E que eu não quero para de fumar?
“Ah mas o cigarro faz mal a saúde!” Qual é o problema? A saúde é minha, o corpo é meu, e faço com ele o que bem entender, é de uma hipocrisia as pessoas falarem que o cigarro faz mal a saúde e bebe litros e litros de cerveja por dia.

Há pessoas que tem a síndrome de papagaio, repetem tudo que ouvem na televisão, mas já vi tantas pessoas me olhando torto pelo meu ato de fumar e jogando lixo pela janela do carro. Jogar lixo na via pública não faz mal a saúde? Vejo pessoas criticando o cheiro do meu cigarro, e nunca usou um filtro solar na vida, duvido que saibam que o sol da câncer de pele.

Vejo os maços de cigarros com os dizeres do Ministério da Saúde, e aquelas fotos que no máximo atiçam a criatividade dos fumantes e servem de piadas cheias de ironias na hora da bebedeira. Vejo baratas, ratos, bocas, abdomens, desmaios... a imagem mais famosa é a da cinza de cigarro pendendo para baixo sugerindo que cigarro causa impotência, uma vez na padaria perto de casa fui comprar um cigarro e o caixa me deu um maço com essa foto, impossível não repetir a piada já gasta, mas muito engraçada “não quero o que dá impotência me vê o que dá câncer, por favor”.

Vou sair para comprar mais cigarros.
 
Bento.
 
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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Estupidez de Metrô.

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Texto exibido na coluna Fala Bento 01/10/2010

Educação é uma coisa que se traz de casa.

Princípios e inteligência nós adquirimos com o tempo.

Veja o caso do metrô que parou nessa terça-feira (21), em nota da empresa responsável pela administração do metrô, a causa da paralisação foi nada mais que uma blusa de um passageiro presa na porta que fez com que o botão de emergência fosse acionado por um outro passageiro, assim paralisando o trem, e causando toda a confusão.

Parou um trem, para todos os outros, começa o atraso e as pessoas irritadas quebram os vagões, por raiva, por protesto, por burrice, por ignorância? Tirem suas conclusões.
Tenho uma cachorra que sempre que presa começa a arranhar e morder a porta, mas todos sabemos que cachorros são irracionais, por mais inteligentes que pareçam, não conseguem devido sua natureza ter opinião própria entre outras coisas que nós seres humanos “deveríamos” ter.

As pessoas que quebraram os vagões muito provavelmente sabem que se quebrarem nosso meio de transporte quem vai sofrer as consequências somos nós mesmos os usuários do metrô, e mesmo assim quebraram, logo, me levam a acreditar que, não pensaram, e quem não pensa é irracional, o que igualam todas essas pessoas aos animais que também não pensam, que são limitados...

Em pleno ano de eleição vejo pessoas no maior cartório eleitoral do país, tomarem atitudes dignas de Pitbulls no ringue e acredito que muitas dessas pessoas criticam fervorosamente toda noticia de rincha de cachorros, ou seja, além de não conseguirem juntar duas palavras uma na outra para construir uma frase, tipico de invertebrados, vejo vestígio de hipocrisia, que leva ao preconceito, ao racismo, entre outras coisas que não notamos nem nos macacos. Viu como burrice gera burrice, ignorância gera ignorância?

Essas pessoas que quebraram os vagões responsabilizaram a empresa administradora do metrô, responsabilizaram os outros usuários que queriam pegar o metrô para chegar até seus empregos por causa de um acidente, coisa que poderia acontecer hoje, amanhã e poderá acontecer de novo a qualquer momento, são essas pessoas que votarão no Tiririca para ser deputado federal, são essas pessoas que votarão no Netinho para senador de nosso estado, pois, quem quebra vagão de trem não demora muito, irá bater também em mulher, pois, violência é violência, não importa o que você agride.

São essas mesmas pessoas que decidirão o futuro de nosso país no dia 03 de outubro, e é com essa consciência que eu me pergunto: Pior que está, não pode ficar?
 
Bento.
 
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terça-feira, 28 de setembro de 2010

LIBERDADE, ABRA AS ASAS SOBRE NÓS

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Eu estou saindo da minha prisão agora.

Não via a hora, recuperei meus objetos pessoais que havia deixado aqui há uns dois anos e alguma coisa.
Objetos que nem lembrava mais... Veja, eu nem lembrava que tinha isso! Está fora de moda já, melhor jogar fora.

Vou ligar para os amigos e contar a novidade, estou liberto! Em liberdade! Que perfeito.
As trancas do portão se abrindo, estou vendo a rua de novo. O guarda ao meu lado me diz para me cuidar, me deseja boa sorte: - Vai viver meu amigo, chega de sobreviver!
Eu agradeço com um aceno de cabeça.

Curioso é que eu estava preso, mas eu sou inocente! Tá, tudo bem, vocês devem ouvir isso de todos os que estiveram aqui, mas é a mais pura verdade. Me roubaram o coração, me roubaram o sentimento e quem foi preso fui eu. A ladra esteve livre por aí, aproveitando a vida, e quem ficou encarcerado fui eu, dentro de uma cela cheia de rancor, culpa, sentimentos perdidos. Preso!

Por mau comportamento estou aqui, livre. Claro que sem esse mau comportamento eu não sobreviveria, estaria pendurado pelo pescoço com a ajuda de uma corda feita com o lençol.
Típico de presídio, mas estou aqui, livre, leve e solto. Ufa!
Agora sim, vou aproveitar, pode ser que seja uma liberdade acompanhada, vamos ver no que dá!

Meus amigos vão me levar aos lugares novos que surgiram enquanto eu estava encarcerado, me sentindo novo num lugar antigo, uma criança num parque de diversões que ela não via há muito tempo, com alguns brinquedos novos, outros antigos. O fato é que estou me divertindo, novamente.

Sem as grades, sem hora marcada para dormir, sem as superlotações das celas, sem o uniforme, sem as sacolas de cigarros entregue por debaixo do ferro. Vou comprar meus próprios cigarros, vou fazer minha própria comida, e viver minha própria vida. 

 
Bento.
 
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Pequeno Conto de Quase 10 Anos Atrás

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Marias.

Era uma vez uma garota que tinha dezesseis

Maria tinha o que quase toda garota tem
Cedo estudava, a tarde ela dormia
À noite ela saia com suas amigas

Onde morava é conhecido como periferia
Virava e mexia sua casa a policia invadia
Numa dessas noites Maria estava no samba
Reencontrou um conhecido dos tempos de criança

Tudo de boa Júlio era um cara legal
Ele investiu na Maria todo seu arsenal
Mas não sabia que com Júlio não teria futuro
Ele vivia do dinheiro da venda de bagulho

Sequestro, roubo a banco é o que ele fazia
Sem isso voltaria a trabalhar na oficina
Ficaram juntos mais ou menos um mês
Quando Maria teve sua primeira vez

Logo ficou sabendo que um bebê
Em seu pequeno útero iria crescer
Júlio assustado foi embora, largou Maria
Dizendo não assumiria, pois, já tinha uma família

Maria então foi largada de vez
Na rua seus pais botaram ela e o bebê
Por uma tia conseguiu moradia
Suas amigas nessa hora tornaram-se desconhecidas

Depois de nove meses o bebê em seus braços
Maria não sabia o que iria fazer pra criá-lo
Saiu na rua, porta em porta procurando emprego
Após um ano parada, entrava em desespero

Enquanto isso sua tia pressionada pelo marido
Disse que para sustentá-los estava muito difícil
Maria então resolveu deixar de lado o orgulho
Na esquina achou a chave pro seu futuro

Trabalhando a noite, se virando Maria
Chegava a se deitar com quatro caras num dia
Depois de um tempo alugou um quartinho
Dividindo o quintal com vários outros vizinhos

Maria até pensou em por pra adotar o menino
Só que o amor era grande, então aceitou o destino
Mais um dia de trabalho na esquina a tremer
Num frio insuportável precisava se vender

Então saem de um carro alguns caras armados
De estupidez, machismo, covardes estavam revoltados
Maria assustada correu, só pensava em seu bebê
O fim vocês já conhecem, mas até quando vai acontecer?

Bento.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

EU SOU EGOÍSTA

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Notei que ultimamente estou falando por códigos, tentando esconder meus sentimentos, ou querendo que eles sejam interpretados.
Maquiando no meio de todas as linhas desses textos o que me traz a vida e a morte, para quê se esconder se é me mostrando que eu vejo realmente quem eu sou?!
O que realmente quero e desejo só sairá de trás das cortinas para estrear no palco da vida quando eu me libertar dessas máscaras. Eu não sou assim, por tanto resolvi voltar a aparecer.
Nesses dias postei nas redes sociais: Estou Liberto. E a resposta foi rápida! As perguntas sobre o que tinha acontecido comigo, se eu estava bem...
Eu não soube responder.

Que eu estava e estou liberto é fato.
Mas se estou bem ou não é outra história.
Me peguei pensando sobre a minha alforria, vou falar na “lata”, resolvi olhar fotos recentes do meu “ex amor” em sua page e me deparei com algo que me trouxe à tona tudo isso, vi uma foto dela beijando outro.
Minha reação foi...
Isso mesmo, nada.

Não senti nada, exatamente nada. Simplesmente ignorei. Cliquei para voltar a minha home e ver se tinha algum recado.
Mas é obvio que fiquei pensando nisso, na tal foto havia uma legenda: Amor.
Não sei se isso é bom ou é ruim, depois de tudo que passei acredito que a tal palavra pode ser uma maldição, talvez tenha exclamado em minha mente um Coitada, ou um Azar seu.

Depois me lembrei sobre uma conversa com minha irmã, casada, com um filho, uma vida estável, eu disse não precisar, e nem querer um amor neste momento. Afinal estou tão bem independente, com tantas coisas para fazer, tantos lugares para conhecer, e pessoas para testar que não me vejo com tempo nem disposição para doar minha atenção a alguém que um relacionamento necessita.

Mas o que mais me chamou a atenção foi mesmo o fato da minha reação, ou a falta dela, me fez perder tempo pensando nisso, me senti perdendo algo, não ela claro, isso eu perdi há muito tempo. O que eu perdi foi a saudade, a lamentação, o interesse, me encontrei sem ter pelo o que sofrer.
Pode parecer coisa de maluco, você pode estar se perguntando se eu gostava de sofrer, claro que não, porém, você se acostuma com o tempo, eu meio que me planejava já, acordo às oito, às nove eu tomo café e às dez eu sofro. Nesse fim de semana eu vou para o bar, cinema,  sofrer e lembrar um pouco para variar. Quando me vi sem isso para fazer, sem isso para sentir me vi perdido. E Agora?
Como será daqui para frente?
Vou pensar em quê?
Vou sentir o quê?
Tirarei inspiração de onde?

O que eu quero dizer é que muito das coisas que eu fazia, como sair, encher a cara, “me jogar” em qualquer balada que aparecesse era simplesmente pelo fato de tentar esquecer o que eu teimava em lembrar.
Foi quando eu lembrei de lembrar de mim, pensei em viver à meu favor, tirar disso o que tem de melhor.

Viverei por mim, claro!
Como não pensei nisso antes? De tanto lembrar dela esqueci de mim.
Agora me tornei egoísta. E isso é ótimo.
Ao invés de amá-la vou me amar, vou me presentear, vou me dar atenção, deixar recados surpresas para eu mesmo. Vou ligar para mim no meio do dia só para saber se estou bem. Vou dizer que me amo. Vou me mandar flores.

Passearei comigo mesmo, me levarei ao shopping, vou me levar ao cinema e assistir aos filmes que eu quiser, vou fazer uma tatuagem com meu nome declarando e eternizando o amor que sinto por mim mesmo.

Vou me apresentar a minha mãe como o homem da minha vida, pediria minha mão em casamento ao meu pai se o tivesse. Farei cafuné em mim e vigiarei meu sono, só por prazer.

Me tornarei egoísta sim, com muito orgulho.
E alimentarei aquele sonho de ser feliz para sempre ao meu lado.

Bento.

 
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sábado, 25 de setembro de 2010

Encrencado, Mas Vivo!

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Estou encrencado!


Me viciei na companhia de alguém que me faz lembrar de um outro alguém.
É como um alucinógeno que faz bem para a alma, mas faz um mal danado para o corpo.
Uma faca de dois gumes.
Duas sensações à flor da pele.

É aí que entra o show da vida, o famoso “Dois caminhos a seguir”, você fica se martirizando, tentando encontrar uma saída para esse enlace psicológico que te faz sentir-se vivo.

Só sabemos que estamos vivos quando surgem as duvidas, coisas da vida.
Indecisões contraditórias, entre outras coisas, perde muito tempo pensando nisso e não chega à conclusão nenhuma, na verdade quem vai decidir por você é o destino, comigo vai ser assim também, pode chamar de tempo se quiser. Tudo vai depender de onde as coisas vão me levar, se as lembranças vão permanecer, se a companhia continuará tão agradável, se continuaremos a dar tantas risadas juntos... Enfim.

Darei noticias.

Bento.
 
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Qasual.

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A Banda Qasual é uma banda de pessoas extravagantes.

Como um livro que não se julga pela capa, não são as aparências que nos fazem notáveis,
mas sim a essência de nossas massas cinzentas à destilar absurdos
impensáveis que deveriam estar sendo pensados pela grande maioria,
extravagância de pensamentos, com isso tornamos uma simples
palavra qualquer, uma simples nota qualquer em uma história ou
melodia capaz de fazer identificar-te as custas de nossa e sua
criatividade.

Tudo isso interpretado com muita atitude não pela imagem, mas sim pelo prazer que temos de sermos ouvidos.

E este livro está sendo aberto novamente, com algumas páginas reescritas é bem
verdade, mas em breve estará em algum palco perto de você. Aguarde...

Autores: Rogério Garcia, Negão, Fernando Teta e Bento Qasual.

Bento.

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Que inveja da Venezuela.

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Veja, nós brasileiros em plena eleição para presidente do Brasil, somos obrigados a nos deparar com a pieguice, discussões sem sentido, promessas mirabolantes, baixarias, acusações, calunias, corrupção.

Sem falar nos elegíveis que roubam vasos nos cemitérios, nos palhaços, nos espancadores de mulheres, nos ladrões...

Mas vou falar aqui sobre a beleza de nossos candidatos, já que como diz o nosso futuro deputado (Trágico), “pior que está não fica”, que tal convidar Mara Corina Machado para disputar nossos votos com todos esses candidatos citados acima?

Mara Corina esta concorrendo a uma vaga na assembleia dos deputados na Venezuela, sua plataforma, entre outras coisas, baseia-se em se opor ao “Imperador Comunista” Hugo Chávez, que se mantem no poder há muito tempo no país.

Claro que neste caso, beleza conta e muito, e convenhamos eu trocaria uma Dilma, uma Marina e um Serra por uma Mara. Pense nos outdoors espalhados pelas ruas, ao invés dos rostos desprovidos de qualquer charme dos candidatos brasileiros teríamos o rosto de Mara, linda, confiante, seria um book, seria como uma propaganda de shampoo, até as ruas ficariam mais belas.

Na falta de opção para entregar meu voto, eu lanço aqui uma campanha. Mara Corina Machado para presidenta do Brasil. Meu voto já é dela. Boa Sorte Mara.
 
Bento.
 
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Prazer, Bento!

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Eu nasci Rodrigo, a maior parte do tempo fui Rodrigo.


Na época que era Rodrigo as coisas eram um pouco diferentes, lembro-me de uma história que minha mãe conta que quando muito novo, ainda na escola, deveria ter uns cinco anos no máximo ela foi chamada pela professora cheia de preocupação com minha personalidade. Minha mãe foi avisada que nos exercícios escolares, aqueles desenhos de paisagem entre outras coisas, os meus eram “diferentes”. Todo e qualquer desenho meu era pintado de preto. Tudo era preto, árvores pretas, nuvens pretas, até o sol era preto. A professora sugeriu que minha mãe me levasse até um psicólogo, eu lembro dos desenhos, do psicólogo não. Mas não houve nada demais, depois meus desenhos foram tomando cores, tomaram traços melhores, houve um tempo que fui até elogiado e encorajado a buscar isso como carreira, mas eu mesmo vi que não era tão bom assim.

Mais tarde minha mãe foi encorajada a me levar ao psicólogo por outro motivo, coisas ilícitas, nada muito grave na minha opinião, na da minha mãe era bem grave.

Resumindo, cheguei na sala da psicóloga, algo parecido com meu quarto, só que sem a cama, duas poltronas, muitos livros, ela em minha frente me pergunta: - Qual é o seu problema? Nossa! Que incrível, agora eu sei porque eles são pagos para isso, me perguntaram isso duas ou três vezes no máximo em toda minha vida. E eu respondo: - Problema nenhum, graças a Deus. Claro que eu não irei contar meus problemas para qualquer pessoa, mas só o fato de perguntarem já faz um bem danado. Eu só andei fumando coisas que não eram para ser fumadas, mas tá tranquilo! Eu saí da sala e minha mãe entrou. Ficou lá uma hora inteira, então na verdade quem foi ao psicólogo foi minha mãe e não eu.

Ainda como Rodrigo sempre conheci muitas pessoas e elas me conheciam também, o problema é que eu nem sempre me dava bem com essas pessoas, sempre preferi perder o amigo do que a piada.

Nunca deixei um defeito passar despercebido, e isso incomodava as pessoas. Já disse aqui que sempre fui o pentelho da sala de aula, isso só piorou quando percebi que as pessoas me seguiam por isso e tentavam fazer igual, isso me fez perder pontos com os professores. Eu era um mal exemplo a ser seguido.

O fato é que sempre tive poucos amigos, hoje um pouco mais velho eu penso que posso ter a doença da bipolaridade, talvez seja o caso de eu ir a um psicólogo. Porém vocês viram que num tive boas experiências com esses profissionais.

Digo isso porque às vezes quero tanto uma coisa, e luto até minhas últimas forças para consegui-la e quando consigo vejo que não queria tanto assim. Hoje me verá alegre à ponto de contagiar-se, amanhã eu estarei mal humorado sem querer falar com ninguém e se possível não sair de casa. Coisa de doido. Ou será que todos são assim?

Mais tarde eu percebi que eu me incomodava com coisas que pessoas da minha idade nem sabia que existiam, como a existência, por que estou aqui, para onde eu vou? essas coisas... de doido.

Depois comecei a me informar sobre politica e me lembro de inúmeros debates com professores na sala de aula, foi quando deixei de ser o “Aluno Rebelde” e me tornei o “Aluno Revolucionário”.

Os professores continuaram à não gostar da minha presença. Mas eles só foram declarar ódio por mim quando me tornei o “Aluno Bêbado”, uma fase ruim, e eu merecia o rótulo.

Já adianto que não tem nada haver com numerologia, só passei a me apresentar pelo meu sobrenome pelo fato de que em todo lugar já há um Rodrigo, são muitos Rodrigos por aí, e cansei de ser enganado por aqueles gritos na rua. Ô Rodrigo! E quando olhava era acompanhado de mais meia dúzia de Rodrigos, Bento é mais difícil. Há poucos Bentos por aí.

Mudei de nome, não de personalidade, talvez eu ainda precise de um psicólogo, talvez...

Ainda me acho meio bipolar, ainda penso em coisas que pessoas da minha idade não pensam, mesmo que agora um pouco mais velho. A morte por exemplo, não é nenhuma doença pensar na morte e se acompanham o que eu escrevo verá que tenho falado muito sobre isso, mas vejo a morte como algo real, inevitável, e imprescindível para se viver bem.

Quando se dá conta que você pode morrer a qualquer momento, você vive melhor, não perde tempo com coisas sem valor como o que as pessoas vão achar de você, se gostam ou não do que você faz, você faz e pronto se agradar bem, se não, fazer o que?! Porém quando me dei conta da morte passei a ler mais e mais, adoro ler, e percebi que tenho milhões de coisas para ler e absorver, e mesmo assim quando partir dessa para melhor haverá outras milhões de coisas que deixarei de ler. Quantos livros ótimos não terei tempo de conhecer? Isso acontece com pessoas também, me tornei uma pessoa melhor quando comecei a tratar todas as pessoas por igual. Perceber que o fato das pessoas serem diferentes de mim não quer dizer que elas sejam melhores ou piores, só diferentes. Isso não quer dizer que sou amigo de todos, continuo contando meus amigos de verdade nos dedos de uma só mão e sobra dedo, mas respeito todas as opiniões e particularidades. Já disse que ser igual é um saco, não é?! Pois é, prefiro as pessoas diferentes, são tão mais capazes de me entreter, tornam meus dias tão mais adoráveis e suportáveis, então se meus dias acabarem amanhã quero que saibam que levarei comigo apenas aqueles que de alguma forma me surpreenderam.

Mas fica a pergunta, então qual é o seu problema?
 
Bento.
 
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domingo, 19 de setembro de 2010

Sr. Destino.

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Eu costumo dar muito crédito ao meu destino.

Não sou nenhum religioso, mas acredito nele.
Definitivamente sei que meu destino não gosta de mim, é uma opinião minha, e eu convivo com ele há muito tempo, tenho propriedade para falar.

Ele brinca comigo como uma criança brinca com sua caixa de areia, com seus brinquedos favoritos.
Sabe aquela sensação estranha que vem de repente, como uma voz falando algo para você, mas você não ouve completamente, você tem que interpretá-la.
Você esta andando, tem que virar a direita, sempre vira a direita, sabe que o certo é virar a direita, mas simplesmente algo lhe diz para virar a esquerda e você vira.

E algo de diferente te acontece. Bom ou ruim, você encontra uma pessoa que não via há anos, ou avista uma placa que te faz refletir, enfim, muitas das vezes você nem se dá conta que algo aconteceu, mas aconteceu. Você de repente se lembra que precisa comprar cigarros, ou acha uma moeda no chão.

Eu tento seguir essa voz, geralmente é algo ruim, como disse meu destino é um fanfarrão, mas às vezes é ruim só no começo, me pego pensando sobre o assunto e chego a conclusão que não foi de todo ruim, ou foi até bom.

Sempre tento ver o lado bom das coisas, bom ou ruim, sempre coloco na balança toda reação, toda ação, toda imagem ao meu redor.
Pensando assim faço sempre o que me dá vontade, o que vir depois é lucro. Bom ou ruim.
Eu iria publicar esse texto amanhã ou depois, mas algo me disse para publicar hoje.

Atenção, pode ser o seu destino falando comigo.

Bento.

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A PORTA

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Texto exibido na coluna Fala Bento! na Worknet 17/09/2010


O diário dos adolescentes, antes da internet.

Antes de sites de relacionamentos, antes das mensagens instantâneas, antes dos blogs, e vlogs, a porta do banheiro era o meio de comunicação juvenil.
Era a revista de fofoca, a imprensa marrom das escolas.
Media-se o grau de popularidade das pessoas pela quantidade de vezes que seu nome aparecia em tais portas.

O próprio confessionário público, mas sem o padre, sem as Aves Maria, os Pais Nossos.
Era também a lista telefônica, páginas amarelas que não eram amarelas, quem nunca encontrou telefones alheios nas portas do banheiro?

As portas são também os outdoors com publicidades e anúncios sobre serviços homossexuais como “Faço gostoso”, “Fulano bem dotado”, é o marketing pessoal gratuito.
A Porta é o desabafo, o cigarro do não fumante, é a terapia, algumas pessoas não são ofendidas cara a cara, olho no olho, mas de repente se depara com seu nome na porta acompanhado de alguma grosseria. É o ódio disfarçado, o ódio literário. A Porta desperta o crítico que há em nós, ela é a testemunha de todos os nossos males e defeitos, e qualidades também, há coisas em nós que só as portas veem.
Há pessoas que tem mais intimidade com a porta do que em casa com sua família ou amigos.

O curioso é que algumas pessoas saem do armário pela porta do banheiro. Confuso, não?!
Mas vejo tudo isso e enxergo uma semelhança muito grande entre pessoas e a porta.
Repare que toda porta pelo lado de fora é límpida, sóbria, ereta, sem defeitos aparentes, mas pelo lado de dentro são cheias de defeitos, fofocas, segredos, libido, vontades proibidas.
Entendeu a semelhança? É um ser humano como qualquer outro, só lhe falta a fada para lhe dar vida como fez com o Pinóquio. Podem lhe dar uma identidade, e começar a julgar a roupa que ela usa.

Ah mas se as portas falassem... Mas elas falam, então cuidado! O próximo segredo a estar atrás da porta pode ser o seu.

Bento.

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