sábado, 12 de março de 2016

COMO MOSQUITOS ATRAÍDOS PELA LUZ PARA SEREM MORTOS

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Não se preocupe em deixar frutos nesta vida e ser gentil com as pessoas, pois no fim todos nós terminaremos sozinhos. Não há um ser humano sequer neste mundo que não colocará seus sentimentos e bem estar à frente de todas as outras pessoas.
Lembro-me de minha casa, meses atrás, havia tantas latas espalhadas quanto um ferro velho. Era o sonho de todo catador de latinhas, passar alguns minutos ali recolhendo alumínio até fazer um bom dinheiro, como aqueles programas de televisão que tinha minutos para escolher os prêmios que queria levar.
Eu poderia recolher e vender tudo aquilo, mas tinha a preguiças dos gatos, só funcionava de noite. E recolher latas e carregar sacos pretos de lixo até o ferro velho não estava, nem de longe, em minha lista de prazeres.

Eu já fui mais de festas. Houve um tempo que chegara a fazer duas festas por semana em casa. Regadas a cervejas, carnes sangrentas e música alta a ponto de receber visitas frequentes de policiais em minha porta informando sobre o descontentamento dos vizinhos com nossa festa de dar inveja a Baco. Hoje faço festas mais particulares, quando faço, com minha garota e é só. Muito suor e destilados. Cervejas e sexo. Mais que isso eu estaria mentindo. A diferença entre minhas festas antigas e as atuais não é só o possível sexo, pois isso nunca foi problema. É que hoje em dia é possível fazer festa sem dizer uma palavra sequer. Quando muito um "passe a perna para cá" basta. Entenda, não é sempre (quase nunca) que estou com vontade de conversar e falar sobre coisas inúteis.

Veja um exemplo; outro dia estávamos numa festa de aniversário com algumas pessoas que eu não via há tempos. Chegamos e apresentei a garota aos antigos amigos e logo sentamos para dar início aquele velho e chato papo bosta "olá, quanto tempo, o que tem feito?". Levei um pacote de cerveja como é de bom tom em toda festa onde se é convidado, afinal, é o único líquido que bebo e somente com o álcool sou capaz de sair de casa e socializar decentemente com pessoas e meu pacote continha todo o álcool que existia na festa, assim, dei graças aos céus por minha boa educação. Caso contrário teria saído dali no mesmo instante que cheguei.
Digo isso, pois minhas cervejas eram as únicas que existia no lugar e não havia nada mais alcoólico a não ser o usado para acender a churrasqueira. Não que fosse novidade pra mim, afinal eu já fiz drinks com cada coisa... O que quero dizer é que cada vez mais as pessoas estão preocupadas com saúde e comidas saudáveis e exercícios físicos e para todo lugar que olho vejo seres com corpos esculturais e roupas tão minúsculas quanto a velocidade de raciocínio. Parece clichê, mas normalmente o ser mais forte não é o mais esperto da sala. Normalmente. O que não quer dizer que isso não tenha suas vantagens.

Minha garota mesmo, vez ou outra lhe pego revirando os olhos por um ou dois caras que aparecem na TV com as tetas tão rijas que poderia arrastar uma charrete com elas. Mulheres têm destas coisas, às vezes. Ela acha que não percebo, mas estou sempre atento. Basta um cara com aqueles músculos aparentes para lhe prender a atenção. Eu já sou exatamente o oposto. Apesar de ter ganhado um pouco de peso, ainda me mantenho magro como salário mínimo e tão sedentário quanto um bicho preguiça. Só me mexo quando extremamente necessário e sempre que posso evitar, faço. Caminho até o mercado para buscar cervejas e nada além do que posso carregar, pois acredito piamente que todo homem só precisa ter a força necessária para carregar exatamente aquilo que vai beber e comer, e é tão somente por isso que não sou adepto de gordas. Além disso, eu ainda faço piadas, veja quanta coisa boa. Algumas garotas preferem homens carismáticos aos fortes, afinal, foi-se o tempo que nós, machos, precisávamos de força para sobreviver. Mas algo me preocupa. Não é que me faça perder o sono, mas às vezes me pego pensando. É muita força para animais irracionais andando por aí sem nenhuma cautela. Em algum momento pode dar merda, bem como homossexuais agredidos nas esquinas e etc. É pouco raciocínio e muitos músculos andando por aí sem qualquer vigilância e não que eu queira ser o mensageiro do Apocalipse, mas não precisa ser muito esperto para prever que em algum momento, numa sociedade escrota que vivemos hoje, com uma forte tendência ao fanatismo, religioso, político entre outros, em meio a uma cultura empobrecida de ideias e ideais, onde os artistas têm tanta massa cinzenta quanto seus seguidores amebas, irá acontecer uma barbárie sem precedentes.
Nessa mesma festa que eu narrei, todos os garotos que cresceram comigo, todos davam o dobro de mim, contudo não leram dez por cento dos livros que eu li. Nem vou citar sobre porres, pois eu ganharia de mil a zero. Não sei se estão conseguindo me acompanhar, porém vou simplificar. Talvez tenhamos daqui a 50 anos, jovens senhores vivendo até seus 100 anos, saudáveis e acéfalos, que criarão crianças acéfalas e por fim, sumiremos da face da Terra como os animais que um dia, dominaram o mundo por serem racionais. Em plena época onde a informação tem sido de maior acesso, as pessoas simplesmente não conseguem acompanhar sua velocidade ou priorizar seu raro tempo naquilo que realmente tenha importância.

Neste mês, fará seis anos que eu escrevo sem parar. Nestes anos, eu li e ouvi de tudo que é tipo que se possa imaginar, desde o início eu falo sobre isso, sobre este tópico e de lá para cá só piorou e não creio que vá melhorar. É uma data importante pra mim. Numa conta rápida, supondo que eu escrevesse apenas um texto por mês, o que é pouco perto do que escrevi, teria eu escrito 72 textos neste período. Que é mais que todas as matérias de jornal que esses seres musculosos leram nem sua vida medíocre. Pode apostar. Mas hoje, tenho mais de 500 textos postados neste blog e não que isso me faça melhor que eles, claro que não. Supondo que eu bebesse uma caixa de cerveja por semana nestes seis anos e uma garrafa de destilado por mês, chutando baixo, eu teria absorvido 72 garrafas, e 288 caixas de cerveja, sendo cada caixa com 12 latas, eu teria bebido 3.456 latas de cerveja e 72mil mililitros de destilado dentre eles whisky, vodca, conhaque, cachaça, tequila e derivados. Fatalmente isso não me fará viver até os 100 anos. Contudo, talvez me faça ser lembrado, mesmo que seja um exemplo a não ser seguido, de como viver a vida. Só isso já basta, para não querer fazer parte deste exército de testosterona que andam sem rumo sempre a caminho da multidão. Bem como mosquitos atraídos pela luz para tão logo, serem mortos.



Bento.

domingo, 10 de janeiro de 2016

AS RELIGIÕES, AS PUTAS, A MÚSICA E AS ARTES CÊNICAS, TUDO ESTAVA VAZIO

Imagem de Apollonia Saintclair

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Alarme falso.
Uma vez levantei e corri para o banheiro ainda com as remelas grudando os olhos, com muito sacrifício sento no vaso e percebo que eram só gases. Achei que iria cagar, mas fui ludibriado pelo peido. Já que estava ali decido terminar o cigarro antes de levantar.

Isso às vezes acontece e não é só dos gases que falo. Há muito alarme falso na minha vida. Um dia desses mesmo, jantei e passei mal. Comi, deitei e foi só encostar a cabeça no travesseiro e a boca encheu d'água, era o vômito se anunciando e sei que vão lembrar que eu digo que nunca vomito e é verdade. Há dois dias eu não bebia e gorfei todo o almoço e janta na privada. Bebi água e voltei correndo para ajoelhar de novo no chão do banheiro e colocar o resto de Deus-sabe-o-que para fora. Depois de três, quatro vezes que bebi água e voltei a vomitar decidi tomar uma dose de whisky. Batata! Alarme falso. Pensei que iria morrer, mas era só falta de álcool. Pensei no whisky, pois já não havia nada para por pra fora.

Poucas coisas são tão ruins quanto vomitar. Seu corpo vira autônomo e decide que você não vai sair do banheiro enquanto ele não mandar. Mesmo quando tentamos lutar contra, os músculos da barriga deixa claro que somos fracos insistindo em colocar para fora tudo que ele não quer mais. De qualquer forma, há momentos que é melhor por cima que por baixo. Hoje mesmo, estou há alguns dias sem beber. Não tenho um centavo no bolso e enxuguei todas as garrafas que tinha em casa. Acreditem, até o enxaguante bucal com álcool acabou. As coisas passam a ter outro sentido quando se está sóbrio. Eu sinceramente não entendo como as outras pessoas aguentam o mundo sem alguma coisa para ficar doidão. Mesmo assim fui trabalhar num calor de cinco infernos e eu com um humor de querer morder os cachorros na rua. Uma ou duas vezes tive vontade de correr atrás do rabo só para ver se tonto, as pessoas ficariam menos tediosas. Na empresa desligaram o ar-condicionado por causa do racionamento de energia e eu transpirava como um macaco. Por vezes tive de ir ao banheiro lavar o rosto e percebi minhas mãos trêmulas. Talvez eu precisasse de um médico, mas com o dinheiro que eu NÃO tenho não podia me dar ao luxo de perder um dia de trabalho. O espelho mostrava meu rosto cansado de quem tem uns quarenta anos e eu ainda não cheguei nos trinta. Estranho como quando estamos alto por causa de uma birita não reparamos nessas coisas. Os fios brancos da minha barba brilhavam como sabres de luz de Star Wars. Bebia água como um desesperado para repor o líquido que perco devido o calor e também por hábito de estar sempre bebendo algo. Mastigava a água até, pois tinha fome como um mendigo. O café da máquina era péssimo como água de um copo sujo de cinza de cigarro.
O cigarro era outro problema. Estava prestes a acabar, por isso eu fumava metade e apagava para guardar a outra metade pra mais tarde. Não damos o devido valor a um cigarro até perceber que é o último do maço e que não existe outro maço. Eu poderia usar isto como metáfora para muitas coisas nessa vida medíocre, mas até escrever é difícil quando se está sóbrio. Sempre odiei poetas sóbrios. E vendedores sóbrios, artistas sóbrios, balconistas sóbrios, enfim. Acho que me fiz entender.

O fato é que tudo me lembrava álcool. As pessoas exalavam álcool. Tudo piorou quando a senhora da limpeza me deixou maluco depois de limpar minha mesa com álcool perfumado e caprichou tanto que eu me segurei para não acabar lambendo o móvel. A secretária, por alguns instantes ao me passar um telefonema me deixou confuso e eu tive que pedir para que ela repetisse o recado que aos meus ouvidos soaram como "quer que eu te leve uma cerveja bem gelada"? quando na verdade ela perguntou se eu queria que retornasse ao Bezerra do almoxarifado que estava atrás de falar comigo e já tinha ligado duas vezes. Eu respondi que não podia falar no momento. Precisava de um cigarro, de muitas cervejas e um chinelo para amenizar o calor. Pernilongos pairavam sobre nossas cabeças e eu poderia comê-los na esperança de terem picado algum bêbado por aí e quem sabe absorver um pouco de etanol misturado com sangue. Talvez não fosse a primeira vez, pois já misturei álcool com tanta coisa. Última vez que me lembro misturei xarope à vodca para curar uma tosse e de quebra a gripe. Sempre fui bom de improviso. Uma vez estava tão falido que tive que usar o Bom-Ar como desodorante porque não tinha nem para comprar uma Minâncora, não via problema algum em pegar um pouco do álcool hospitalar que a empresa comprava para a limpeza dos banheiros e alcançar uma pequena brisa sequer.
Se eu tinha esperança que ao transpirar evaporasse um mínimo de álcool que continha em meu fígado ou estômago entrando em minha corrente sanguínea agora já se fora. Eu estava sóbrio e duro. Que vida ingrata. De pensar que eu já havia dado tanto lugar para velhinhas sentarem nos ônibus e como Deus me retribuía? Sem uma gota sequer de álcool para aturar essa vida maldita. Sentia-me tão desambientado neste lugar como quando estive num noivado evangélico à base de refrigerante quente e salgadinhos frios. E a maior prova de que essas igrejas não são de Deus é eu acreditar piamente que ao adentrar qualquer lugar sagrado eu entraria em combustão tão rápido quanto um acendedor de churrasqueira e muito disso devido ao álcool tomando meu organismo. Mas não agora.

Pensei em churrasco e me deu calafrios. Lembrei da cerveja no gelo e sal grosso. A carne grelhando. Infinitas batidas e caipirinhas de todas as frutas da temporada. Precisava sair dali e beber alguma coisa antes que enlouquecesse, se é que já não estou louco. Eu poderia matar o primeiro que surgir na minha frente e beber de seu sangue com um canudo se tivesse a certeza de que aquilo me tiraria dessa realidade maluca e tediosa. Já estava ouvindo vozes. Mate mate mate mate!!!!!!!!!! As veias pulsantes no pescoço fino e liso da garota que senta-se à mesa ao meu lado. Morda! Arranque um pedaço! Mastigue! Corte, esquarteje, pique, beba!! Beba!! A voz continuava. O calor e os mosquitos me irritavam. O ar, o barulho e até o silêncio me tirava do sério. Estava enlouquecendo. Os barulhos das teclas que as outras pessoas insistiam em pressionar. O click do mouse, as ventoinhas dos computadores, os ácaros nos carpetes todos malditos barulhentos. Simplesmente não conseguiam ficar em silêncio e respeitar a minha dor. Me ofendiam apenas por estarem vivos e existir. Mate mate mate mate!! Aquela voz continuava. Eu precisava sair dali, mas minhas pernas tremiam. Meu corpo tremia. Eu desejava mais que a vida um copo, umas garrafa de algo amargo, forte, rasgando a garganta ao descer. Batendo no estômago e me lembrando que estou vivo. VIVO! E que a vida podia ser melhor que esses pedaços de carne ambulante que perambulam por aí com seus sorrisos falsos, suas peles oleosas, seu fedor. Eu precisava matá-los, precisava limpar o mundo desses nojentos. Mas mais importante, eu precisava beber, então minha faxina rancorosa poderia esperar. Sentia firmeza nas pernas pela primeira vez no dia e corria. Saí dali e corri até o hall. Não tinha elevador disponível então corri pelas escadas. De dois em dois degraus tropecei duas vezes e quase parti a cabeça ao meio. Do lado de fora do prédio continuei correndo e fui como um alucinado até o bar mais perto que conhecia e estava fechado. Continuei correndo e encontrei mais bares fechados. Nem era feriado, era um dia de semana como qualquer outro. Corria e corria e mais bares com suas portas de aço abaixadas e trancadas e mercados fechados, padarias e Casas do Norte, mercearias e qualquer lugar que vendia álcool estavam fechados. Finalmente avistei um posto. Continuei correndo e a loja de conveniência estava fechada então tive uma ideia genial. A bomba! Claro. A bomba de etanol, álcool puro e da fonte. Parei ao lado do frentista sem fôlego. Não sei dizer como consegui correr tanto. Não com os trinta cigarros diários. Mas logo que parei comecei a sentir o resultado de tanto esforço. Meus pulmões colados nas costas e sem ar. Minhas pernas começaram a tremer novamente. A garganta seca quase não permitia que eu falasse. Álcool! Álcool, pedi ao frentista. Ele não entendeu e então eu repeti e tive que fazer um esforço enorme para isso. Álcool! Me dê um pouco de álcool. E daí que era álcool automotivo? E daí que aquilo poderia corroer meus órgãos e me matar? Eu já estou morto. A sociedade estava morta. Com todos os seus demônios e sua hipocrisia e suas doenças. Herpes, AIDS, gonorreia, mau hálito, caspas, furúnculos anais, hemorroidas, diabetes, gastrite e um mundaréu de enfermidades. E os gordos, os idosos, os pais de família. Eu só precisava beber. Morreria por uma gota de álcool e para melhorar o meu dia, o frentista olhou bem nos meus olhos, sem respeitar meus sentimentos e jogou a realidade toda em meus ombros novamente.

- Não temos nenhum combustível. Estamos vazios. Ele disse.

Vazios! Claro que estão. Não só o posto. O mundo estava vazio. As religiões, e as putas, a música, e as artes cênicas, tudo estava vazio. De um vazio absolutamente tedioso e é por isso que eu precisava de álcool. Então eu corri. Continuei correndo como se não houvesse amanhã e possivelmente estava certo. Vi a avenida. Os carros indo de um lado para o outro com seus condutores e suas vidas patéticas e vi um caminhão. Enorme e vinha rápido. Vinha como quem estivesse atrasado para algo. Dois passos. Apenas dois passos seria o suficiente para dar cabo daquilo. Dois passos e o caminhão espalharia meus órgãos podres devido o consumo excessivo de álcool pela avenida. Fazendo uma festa de sangue e pele e tripas. Dei os dois passos e esperei. Mais espera. Em toda a minha vida não houve um segundo sequer que eu não estivesse esperando alguma coisa. O garçom trazendo meu drink, a garota sair do banheiro para transarmos e um monte de outras coisas. Travei os dentes com toda a força que restava em meu corpo. Era a hora e quando estava a um milímetro de distância, tão perto que podia sentir o calor do radiador em minhas narinas, no último instante, fui surpreendido com o som do contrabaixo de Lemmy tocando Aces Spades saindo do meu celular. Era o despertador me acordando para ir trabalhar de novo.

Então, você que lê isso agora, se é que há alguém lendo isso, deve estar respirando aliviado achando que estou contando apenas um sonho que tive. E tudo seria maravilho se realmente fosse isso mesmo. Um sonho e pronto. Porém, hoje completa 36 dias que não consigo sair deste sonho. Todos os dias, sem exceção, o contrabaixo, o alarme falso do peido, o calor, os bares fechados e o caminhão. Tudo de novo e novo e de novo. Preso num ciclo vicioso, infinito, como um rato correndo em sua roda dentro de sua gaiola. Sempre igual. Sempre. Igual.



Bento.

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A PRIMEIRA CANECA DE CAFÉ DEPOIS DO CIGARRO NA GARGANTA QUASE VIRGEM DE UMA NOITE MAL DORMIDA

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Eu sempre disse que tenho uma queda por enforcamentos. Não por mim, claro que não. Nem quero dizer que sinto vontade de me enforcar. Passei a vida inteira "enforcado" e acho que já foi o bastante. De qualquer forma, sempre senti um pouco de euforia ao tomar conhecimento de alguém que se enforcou. É só uma coisa minha, nada demais. Perdoe-me aqueles que tiveram pessoas próximas enforcadas - ou não perdoe - que se foda. A verdade é que respeito toda forma de desistência. Tiros na têmpora, saltos de prédios e em frente a trens, ingestão de veneno, inalação de gases e etc. Acho o ato de DESISTIR muito corajoso, nem todos conseguem. Não acho covarde aquele que desiste, acho burro aquele que continua insistindo em algo que não vai dar certo. Acredito que as coisas podem dar certo assim como podem dar errado, sendo assim todos temos a opção de continuar ou não e assim como todas as opiniões, esta também é individual. E vamos combinar que a vida é uma merda e que nem todos temos estômago para aguentar certos caprichos do destino, muito menos arcar com todas as nossas medíocres ações.

Sendo assim, nada mais que justo dar espaço para outra alma mais assertiva, que por ventura, possa vir acampar por esse mundo. Contudo, a vida não se resume só em mazelas, há também aqueles pequenos momentos onde nos sentimos o pica grossa no universo, por exemplo, quando temos duas cabeças entre nossas pernas brigando por um pedaço de nosso pau. Você nunca soube o que isso? Bom, se nunca, nessa miserável vida, pôde ter um momento como este, ainda lhe sobra o caminho da Escada e a Corda, como diz Matanza.

Falando ainda sobre aquelas pequenas coisas que trazem felicidade. Aqueles pequenos momentos que enxergamos mais que os olhos humanos enxergam. Ao acordar no fim de semana de folga e perceber que o sol está castigando a cabeça das pessoas e ao colocar a cara para fora, logo você sente os pelos eriçados devido os raios solares queimando de leve sua pele, parecendo ganhar mais potência, fruto do álcool que transpira de seus poros quase a ponto de entrar em combustão. A felicidade que propicia a primeira caneca de café depois do cigarro na garganta quase virgem de uma noite mal dormida. A segunda caneca de café. E depois disso, poder abrir a geladeira e encontrar uma garrafa geladinha, transpirando, deixando as pontas dos dedos dormentes de tão gelada. Seguido de um Tissssss que dá água a boca. E o primeiro gole, que faz formigar todo o interior e o céu da boca, quase dormentes, a língua e a parede da bochecha. Isso é para poucos. O sabor, a dormência, quase que de pau duro você agradece a semana inteira de sacrifício e sacrilégios para poder ter estes pequenos momentos de felicidade puro e simplesmente magníficos. É preciso muita consciência e inteligência para saborear momentos como estes. Um gole, depois outro e outro e só parar para acender outro cigarro. E sair no sol de novo e a pele estranhar novamente a luz. E perceber que os cachorros também aproveitam o calor, deitados com a barriga pra cima sob a luz solar, como quem faz fotossíntese, afinal, somos todos adubos. Todos nós, não passamos de relés adubos para a terra. Sendo assim eu poderia muito bem ficar aqui em minha cadeira de praia, curtindo o meu sábado, olhando os bichos curtirem o sol e só me levantar para pegar outra cerveja e mijar, que é inevitável. Contudo tenho uma garota nua em minha cama que precisa ser alimentada. Precisa de energia para que possamos aproveitar o fim de semana e terminar de desidratar-me. E também a ela. Então volto à penumbra do quarto para vê-la nua, com o lençol caprichosamente cobrindo-lhe apenas metade da bunda. E que BUNDA. Outro gole na cerveja e a metade da bunda e as pernas de fora e o lençol, pensando; são sempre as pequenas coisas que me agradam, não há definição melhor.

Melhor que isso, só o caminho até o mercado, indo buscar mantimentos para o almoço, tomando minha cerveja debaixo de um sol de dezoito infernos e meio, sentindo o cheiro de liquido vaginal em meu volumoso bigode depois de chupá-la semi acordada, pois não resisti àquela visão de bunda e pernas sobrando abaixo do meu lençol.

Mas mesmo um cheiro no bigode tem de ser interpretado. Eu interpreto de um jeito. Na fila do mercado, feliz, com uma caixa de cerveja na mão e o cheiro de boceta no bigode eu me sinto feliz como quem há muito não sente. E penso nas outras pessoas na fila e mesmo aqueles que carregam suas caixas de cervejas, será que sentiam o mesmo aroma que eu? E se sentiam, será que sabiam interpretar tamanho significado e prazer que ali continha? E você que está lendo agora, será que consegue?
Não adianta querermos nos comunicar quando o ouvinte não se interessa pelo conteúdo da mensagem. É preciso parar para ouvir. Duas pessoas conversando não necessariamente quer dizer que estão se comunicando. Por vezes são apenas palavras soltas como numa sopa de letrinhas, como num teste de ditado. Começar o fim de semana com uma caixa de cerveja e o tal cheiro no bigode é sair ganhando de goleada. Dito isso, espero ter sido compreendido.

Pois bem, eis que volto pra casa com a sacola cheia de mantimentos suficientes para o preparo de um bom Chilli de fazer a língua queimar. Mais um motivo para encharca-la de cerveja e tudo corre muito bem, obrigado. Só que um ranzinza como eu não pode levar a vida como se fosse um mar de rosas. Não eu.
Consigo me desprender dos problemas quando estou com um Bourbon de qualidade no beiço e meus cigarros a tiracolo enquanto ouço Howlin Wolf no rádio, mas sei que eles estão lá guardados, só esperando para chegar segunda-feira e voltarem a me atazanar. Mas e quando esses problemas não são suficientes? E quando eu, acostumado ao limbo, à sarjeta, começo a pensar que a maré esta tranquila demais e preciso de uma tempestade para me ferir e fazer pensar? Entendam; sempre fui de viver à flor da pele. Não seria natural se eu simplesmente sentasse em minha cadeira de balanço e começasse a planejar crianças, que por sinal eu as odeio. Logo, vai eu enxergar defeitos e situações que me deixam estressado e dignas de lamúria, pois tenho que reclamar.
Sendo assim o ranger da cadeira de balanço me incomodava. O sol baixou e com o cair da noite veio o frio e não demorou pra que eu começasse a praguejar. O Chilli não estava apimentado suficiente, a cerveja ficou choca, o filme que íamos assistir me deu tédio. O cabelo da minha garota não estava bom, seu micro pijama não me excitava suficiente e assim veio mais praguejo. Praguejo atrás de praguejo. Afinal, já disse, sou um ranzinza acostumado com o cheiro de merda nas narinas e sempre fui adepto da teoria de que não se pode elogiar muito a sorte senão ela acha que está bom e o abandona.



Bento

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terça-feira, 22 de setembro de 2015

SÓ QUE SOMOS SÓ UM AMONTOADO DE CARNE, BANHA, PUS E TRIPAS

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É curioso como podemos fazer coisas repetidamente, todos os dias, mecanicamente e nunca nos darmos conta. Como um aparelho doméstico, funcionando e funcionando e é só. Dias atrás eu me vi no meio do caminho para o trabalho e sequer me dei conta de como fui parar ali. Simplesmente parei e pensei; mas como foi que vim parar aqui? Olhei-me e estava vestido, com as chaves, cigarros e celular no bolso, tudo em ordem. Cabelo penteado, passei a língua nos dentes e estavam escovados, mas eu não me lembrava de ter feito nada disso. Digo, lembro-me de acordar e acender um cigarro e depois disso PUFF! Qualquer memória foi pro saco, como se eu estivesse ficado bêbado e aparecido ali, acordado do porre ali. Só que era de manhã e eu estava indo trabalhar. Tudo daquele momento para trás se perdeu. Não lembrava dos cigarros que fumei, nem das canecas de café que tomei. Não lembrei de ter cagado, de tomar banho, de pegar o ônibus ou o metrô, de nada. Estava ali automaticamente, fiz o caminho inconsciente porque eu faço todos os dias. Não lembro da cara de cu do cobrador, não lembro dos velhos que fazem questão de acordar cedo e encher o transporte coletivo. Não lembro dos gordos que ocupam o dobro de espaço num transporte que já não cabe mais ninguém. Não lembro se li meu livro, se usei o banheiro da estação. NADA. Só lembro de estar ali, no meio do caminho para o trabalho como faço todos os dias. Um lapso? Seria loucura? Finalmente minha mente estava pedindo, ou clamando, por uma aposentadoria? Então meu corpo vagaria por aí sem mim ou sem minha mente, ou eu seria apenas um passageiro de meu corpo, sentindo, vendo, cheirando, porém sem controle nenhum sobre qualquer músculo. Com consciência, mas sem autonomia. Espectador da minha própria vida. O interessante é que meu corpo, em carreira solo, possivelmente teria mais sucesso que eu (quem não teria?). Talvez eu esteja com dislexia. Talvez eu esteja morto sem me dar conta, mas as contas continuam chegando, então estou vivo, pois os cobradores são os primeiros, a saber, das nossas vidas ou mortes. Reparei que quando me dei conta do meu lapso eu estava andando rápido, quase correndo, mas por quê? Bem, estou sempre atrasado e também estava naquele dia, mas se sempre estou atrasado então qual a diferença? Correr por quê? Aliás, esta é uma pergunta que eu vivo me fazendo e eu não consigo responder nunca.

O Tédio. O Tédio e as outras coisas. Por quê? Pra quê? Acordar por quê? Levantar pra quê?
Por que comer se daqui a pouco estarei com fome novamente? Por que tomar banho? Por que tenho que sair de casa? Por que levantar da minha cama? Trabalho todos os dias, de segunda à sexta, o mês inteiro, pago as contas e começo tudo de novo, por quê? Pelo final de semana? Trabalho exclusivamente pelo final de semana. É nisso que minha vida se resume? Trabalho e final de semana. Uma semana toda de martírio para poder passar o final de semana todo na minha cama esvaziando garrafas. Pra quê? Por quê?

As pessoas são decepcionantes, a vida é decepcionante. Talvez você ainda não tenha passado por situações ruins suficientes para perceber que nenhum de nós vale o esforço de um pequeno músculo sequer. O curioso é que todos nós nos superestimamos. Sempre achamos que somos um pedaço de carne selecionado por Deus. Inventamos que existe alma apenas para nos sentirmos importantes, só que somos só um amontoado de carne, banha, pus, tripas, tudo isso misturado com altas doses de egocentrismo. Todo homem acha que seu pinto é maior e melhor que os dos outros. Toda mulher acha que trepa melhor que todas as outras. Tem caras que gastam o que não tem para comprar carros enormes e caros para se sentirem mais e melhor. Mulheres que colocam silicone e passam horas no salão de beleza tentando ser a droga de uma boneca inflável ambulante. E aí você pensa; o cara se resume a dois braços musculosos. Tudo bem se você preferir um pedreiro em tempo integral, tudo é uma questão de gosto. Tudo bem se você prefere comer uma garota com os glúteos tão rijos quanto seu pau. Tudo é uma questão de gosto. Mas é exatamente aí que você começa a perceber que a vida já não representa grande avanço e que as pessoas não estão demonstrando seu melhor. É uma mecânica que eu particularmente não aprovo, se é que aprovo qualquer coisa mecânica.

Enquanto isso vou escrevendo no ritmo que a inspiração mandar. Esperando a falência do mundo como espero do fígado. Vivo a vida em meia dúzia de latas de cerveja por vez. Exercitando a arte de menosprezar a humanidade e lamentar por estar certo. Vejo pernas e bundas e peitos passeando pelas calçadas. Pedaços de carne, por vezes suculentas, mas na maioria não passa de banha crua e molenga. Poucos cérebros, pouca consciência, nenhuma aptidão para tomar as rédeas de suas próprias vidas. Transeuntes vegetativos. Zumbis babando e escarrando e cagando. Não mais que isso. Um exército, se prestar bem atenção, não passa de uma massa de gente, um exército de seres repetindo gestos, imitando falas, frases e comportamento. São coadjuvantes da vida real, não se fazem notar.

Conversando com um amigo uma vez, ele me contava sobre uma transa que teve com uma garota. Ela despiu-se e deitou na cama de pernas abertas. Este meu amigo olhou a garota branca como um palmito e seu corpo não era tão diferente. Nada de peitos, o pouco de bunda que tinha a posição que ela escolhera não favorecia. O maior volume de carne que tinha em seu corpo estava na região do abdômen e o que foi bem pior, quando pensou em levantar suas pernas para ensaiar um frango assado pode reparar em restos de papel higiênico picados como quem limpou a bunda depois de cagar com uma marca de papel da bem vagabunda. Bêbado como estava na hora, ele pensou; já que estou aqui...
Bem, meteu-se dentro de uma camisinha e como um cientista maluco com sua veste protetora entrou de cabeça naquele mundo subterrâneo. Fico eu aqui pensando com meus botões; ainda não inventaram camisinha ou nada parecido que protege contra a humanidade, além da solidão.



Bento.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

COM ESSA GAROTA NUA ADORMECIDA EM MINHA CAMA ENQUANTO EU BEBO MEU WHISKY

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Na maior parte do tempo observo o quão deprimente as coisas corriqueiras podem ser. Os elogios sem motivo, as amenidades, o convívio com as outras pessoas. Vizinhos, colegas de trabalho, família e etc. É tudo um grande teatro mal ensaiado de péssimos atores e é só isso. Relações de uma fragilidade como ossos de galinha. Todos mantendo a pose da coxa de galinha assada até que se quebra e pronto. Viram inimigos. Esses são nossos relacionamentos mais comuns. Não quero que pensem que sou grande coisa porque não sou. Não sou, pois não consigo fingir. Não sei acordar de manhã comemorando mais um dia de vida medíocre, esperando que as coisas melhorem e desejando paz na Terra. Invejo essas pessoas, de verdade. Não acho isso uma coisa boa, de forma nenhuma, mas vamos combinar que a ignorância traz sim felicidade. Não tanto quanto o dinheiro, mas quem não tem cão caça com gato. Digo isso para deixar claro que não sou grande coisa. Não vou me fazer de vítima, porém sinto sinceramente que não passo de um amontoado de palavras que já foram boas e nada mais. Além, claro, de ser um beberrão convicto, que precisa de uma boa dose de algo alcoólico e forte para poder levantar da cama e enfrentar o dia. Um sedentário bosta que evita fazer qualquer coisa esperando que a inspiração venha no intuito de escrever qualquer bobagem que me faça sentir algum prazer por respirar.

Houve um tempo que eu fui a maior promessa da literatura de minha geração. Hoje não passo de um ex-futuro-escritor. Tento escrever qualquer coisa e não saio da primeira linha, e quando faço acho tudo uma porcaria. Talvez, de tanto escrever fracassos tornei-me minha musa. Dou voltas e não saio do lugar. Cinco anos escrevendo, até que fui longe. Mais longe que esperavam, já eu esperava mais. Sou um escritor de livro nenhum. Tenho um romance inacabado, outro que nem comecei a escrever e outro livro de contos que nunca concluo. Como tudo na vida não concluo porra nenhuma. Dou voltas no mesmo lugar como um peão de madeira de quando era criança. Um fracassado. Hoje não sou metade do filósofo que já fui e em minha melhor fase não fui um décimo do poeta que poderia ser. Talvez por preguiça, omissão, ou por perder tempo transando com todas as garotas que cruzaram meu caminho. Preciso comprar um carro, um computador novo, e uma televisão nova... E a maior emoção que tenho ultimamente é acordar de pau duro devido a bexiga pressionar a próstata.

Vejo as pessoas estudando cada dia mais e me pergunto; para quê? Não estou exigindo resposta, eu já as tenho. Cada dia mais e mais informação é despejada por todos os veículos de comunicação e hoje todos são comunicadores empenhados e continuo sem entender. Na prática, não se usa. Os jovens chegarão somente ao ápice de sua ignorância. Os velhos regridem para acompanhar os jovens na sua imbecilidade, pois é mais fácil render-se a ela que superá-la.

Então, estou finalmente de férias, e sendo assim, tenho por vinte dias a vida que gostaria de ter até o fim de meus dias. Não faltam cervejas e cigarros, todos devidamente organizados ao alcance das mãos e para que não falte numa madrugada qualquer. Gosto tanto de cervejas que poderia economizar um bom dinheiro vendendo as latas como os carroceiros fazem, mas sou orgulhoso demais para pensar nisso, e trabalho demais para ter de economizar com latinhas recicladas. Pensei nisso outro dia e por capricho comprei garrafas. Nesses dias mudei a marca da cerveja. Mudei, pois é bom mudar em alguns momentos. Há muita resistência na mudança em qualquer pessoa. Apesar de ouvirmos por aí que as pessoas odeiam rotina, toda mudança assusta como o uivo do vento na janela numa noite solitária.
Por falar em mudanças, passei meus 30 dias de carma anual sem maiores problemas. Terminei os últimos cinco numa viagem confortável e aconchegante. Estava a garota do Bourbon e eu num quarto antigo sem televisão, com moveis barulhentos e digo que poucas coisas são tão belas quanto ver uma garota de lingerie passeando pelo cômodo fazendo suas coisas de garotas. Sequer a imagem do mar em seu vai-e-vem de ondas e seu ronco contínuo é tão belo quanto ver uma garota em sua rotina diária de cremes e esmaltes e elásticos de cabelo e camiseta surrada passeando em frente aos meus olhos ajeitando a calcinha, penteando os cílios, e essas coisas de garotas. Eu poderia ter viajado, comprado minhas cervejas, fumado meus cigarros e sequer ter colocado meus pés na areia e sentido a brisa fria do mar e o sol escaldante queimando minha pele, pois poucas coisas são tão belas quanto acompanhar o vai-e-vem da garota do Bourbon só de lingerie, com suas dobras, suas curvas, indo para lá e para cá, dobrando coisas, arrumando outras coisas em seus lugares como quem rege uma orquestra, como dona do mundo e do tempo. Passaria horas bebendo e fumando e vendo o desfile desta garota fazendo exatamente nada, apenas exalando sua feminilidade e destilando seu perfume de cremes, desodorantes e perfumes e mais cremes e é tão delicioso que eu poderia comê-la, literalmente, comê-la. Mordê-la e mastiga-la e engoli-la. Fatia-la e engoli-la, tamanha delicadeza de seus passos, seus dedos ao tocar o chão gelado, quase como um gato, quase sem tocar o chão. A rotina de vê-la ali passando de lá pra cá sabe-se lá fazendo o que preenchendo o ambiente dela. Só dela. Todo o ambiente, todo o quarto, era só ela. Eu não passava de mais um móvel usado e barulhento. A diferença é que eu fumava, arrotava, peidava, bebia e às vezes transava. Digo às vezes, pois percebi que a idade chega pra todo mundo e ter de acompanhar a libido de uma garota de 21 anos não é tão mais fácil na minha idade, mas eu ainda não fico devendo muita coisa.

Contudo, eu pensava assim até brigarmos. Afinal, para me ver brigando com alguém basta deixar-me num quarto com qualquer ser humano durante uma semana e sim, eu, inevitavelmente acharei motivos para brigar com esta pessoa. Amigo ou inimigo. Não importa. Qualquer pessoa que fique tanto tempo próximo de mim me causará problema. Bem, briguei. Arrumei motivos para discutir e assim fiz. Caso contrário não seria eu. Depois que fiz passamos a noite sem nos falar e dormimos sem nos tocar. Até o dia seguinte, ela amolecer meu coração com o cheiro de café fresco, pois mesmo brava ainda assim levantou-se mais cedo para preparar o café preto, só pra mim, por saber que meu humor é muito pior sem o café preto de manhã. Uma santa esta garota. Pois bem. Mesmo um velho ranzinza como eu não poderia ficar imune a este carinho. Mesmo assim, me fiz de difícil na primeira hora após fumar o primeiro cigarro, após levantar-me, tomar meu banho matinal, e ainda assim mantinha-me de cara fechada, que era para ver que eu ainda estava bravo, só que não estava. Eu já tinha sido conquistado pelo café. Mas homem tem destas coisas. De marcar território, como cachorro de rua eu estava marcando o território. No sentido figurado eu erguia minha perna para mijar na dela. Como somos pobres de espírito, nós homens.

Preparávamos para irmos à praia quando ela consciente de suas ações ou não, já indecentemente penetrada naquele biquíni, pediu sabedora ou não, para que eu passasse protetor nas suas costas. A partir daí, velho, ranzinza, macho alfa, tornei-me escravo de minha libido e fizemos o melhor sexo de conciliação da história. Com tapas e unhadas a ponto de descontarmos toda a raiva adquirida na noite anterior. E digo; o melhor sexo de conciliação da história, de todos os tempos. Afinal, algumas coisas, feitas com raiva, nem sempre causam arrependimento.


Agora estou aqui. Escrevendo, nem tão fracassado assim. Com essa jovem garota nua adormecida em minha cama, enquanto eu bebo meu whisky, fumo meu cigarro e escrevo escondido no banheiro para não acorda-la.


Bento.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

SOU O JESUS CRISTO DO RUM [A BARBA]

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Então eu estava muito nervoso. Era noite. Daqueles dias cansativos que você demora mais pra voltar pra casa que o período todo de trabalho. E o relógio te informa que em algumas horas você já precisará estar de pé e acordado novamente para ir trabalhar. Só que você não quer dormir. Você quer aproveitar a noite. Olha pela janela e vê a lua que te convida a beber e se divertir. Mas isso é só para quem tem direito. Nós trabalhadores não podemos. Nós, telefonistas, pedreiros, balconistas, eletricistas, encanadores, professores, vendedores, motoristas, lavadores de carros, limpadores de vidraças, atendentes, expositores, estoquistas, dentre todas as outras coisas, nós não temos este direito. Nós apenas dormimos e acordamos e trabalhamos, pois o mundo precisa de nós. O mercado e a economia precisam de nós. Inclusive aqueles que têm o direito de beber numa noite dessas, no meio da semana, eles também precisam de nós. E eu estava lá, em frente ao espelho, vendo meus olhos cansados de acordar quase sem dormir, querendo sair e me divertir sem poder. Mas confesso que antes de chegar em casa passei no boteco e pedi duas doses. Da forte. Por este motivo, talvez, eu quisesse trocar a janta pelo gargalo de uma boa cerveja gelada. Eu disse uma?

Um calor de sentir-se sujo. Duas doses no estômago depois de um dia cansativo e já me sinto poderoso. Quase como quando ouço The Doors no último volume. Olho no espelho e sou só sobrancelhas e bigode e barba. O cabelo já passa da hora de cortar e sinto calor. Lembro-me que escondido na cômoda, para as horas de emergência, tenho um meio litro de rum pela metade. Já ajuda em alguma coisa. Para fazer durar mais adiciono em cada dose dois dedos d'água. De meio faço quase um inteiro. É o milagre da multiplicação. "Sou o Jesus Cristo do rum", eu grito sem me importar com os vizinhos. Um pirata com a barba ruiva tomando rum como quem bebe água. Mais uma dose e agora fico nu para suportar o calor, mas ainda não é suficiente. Meu rosto não faz questão de esconder as marcas do tempo e dos incontáveis porres. Das noites sem dormir. Dos desamores. Há muito que contar em cada ruga, cada cravo, cada pelo de barba. E a barba? Enorme, com pelos eriçados, rebeldes, precisando aparar, mas que tempo tenho? Quando minhas horas de descanso reservam-se para dormir e beber e escrever. Algo me incomoda e a barba pode ser quem vai pagar o pato. Então entre o cigarro aceso e mais uma dose de rum eu acho a tesoura e começo a cortar a barba. A cada chumaço de barba largada no lavatório é um pouco de sofrimento que vai pelo ralo. Leva tempo para manter uma barba deste tamanho. Porém, não mais tempo que economizei quando optei por não perder tempo fazendo a barba.

A verdade é que de lua, como sou, por vezes preciso de uma grande mudança em minha rotina para sentir-me vivo. Vivo e ativo. Vivo e útil. E ainda tem a garota do Bourbon que permanece preenchendo meus finais de semana. Uma linda esta garota. De uma paciência ímpar. Também pudera, para me aturar, somente tendo uma paciência de monge tibetano, mas ao invés disso, ela é descendente de nordestinos mesmo, talvez seja isso. Além de paciente ela é quase tão preguiçosa quanto eu, logo, não se importa de ficar deitada tomando cerveja, falando sobre qualquer coisa e transando.

Não existe muito mais o que se possa querer numa garota quando esta não reclama de seus cigarros, sua vontade incontrolável de algo alcoólico e seu vício em sexo, dito isso, por vezes eu abro mão de meu casulo para levá-la em lugares que queira ir, afinal, quando se está com uma garota como ela é preciso abrir mão de algumas coisas para mantê-la por perto. É uma via de duas mãos. Não se pode viver sem abrir mão de coisas. Abri-se mão da cerveja importada de trigo para poder investir em quantidade de cervejas nacionais e assim poder comprar garrafas que vão te deixar suficientemente bêbado. Abre-se mão, por vezes, da garrafa de Bourbon importado para poder tomar um bom café da manhã a cada três dias de ressacas consecutivas. Abre-se mão de comer em restaurantes boca-de-porco, que servem comida como quem serve para um batalhão, com quase um porco inteiro frito em seu prato clamando para ser saboreado com as mãos para poder impressionar uma garota num restaurante que serve comida como se fosse alpiste, com pratos decorados como aquela tia perua. Vivemos abrindo mão de coisas esperando conseguir outras, porque ainda somos daqueles que têm que escolher entre dormir ou aceitar o convite da lua que nos chama para beber e ficar bêbado e vomitar metade do que bebemos para poder beber mais e não lembrar do que fizemos na noite passada. Nós ainda somos os telefonistas, pedreiros, balconistas, eletricistas, encanadores, professores, vendedores, motoristas, lavadores de carros, limpadores de vidraças, atendentes, expositores, estoquistas, faxineiros, porteiros, zeladores, carteiros, ajudantes, auxiliares... E continuaremos até que a morte nos convide para dançar.



Bento.

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terça-feira, 14 de julho de 2015

AINDA HOJE NÃO SEI O QUE É SER CHUPADO POR UMA BANGUELA

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Uma vez estava eu saindo de um motel afastado, quase de improviso, com uma das garotas mais safadas que eu já conheci. Íamos do motel para o metrô e lá cada um de nós tomaria um curso diferente. Eram duas quadras e eu andava como um coxo, tamanha a dor no saco, pois eu transara com toda a força que tinha e ela queria mais e mais forte. Nem o homem mais forte do mundo poderia saciá-la. Eu pelo menos tentei. Mas foi a dor no saco mais deliciosa que eu me lembro.

Uma outra vez, estava em casa, numa daquelas festas que eu costumo fazer sem motivo e sem data para acabar. As pessoas apenas vão chegando e trazendo bebidas e trazendo mais gente que também vão trazendo mais bebidas e bem, parece nunca ter fim. Até que alguém gorfe, e outro alguém apague, uma garota ou duas urine nas calças, e em cada canto da casa tenha alguém transando ou tentando transar. Calhou que neste dia me sobrou o banheiro do meu quarto e era a terceira vez que eu entrava ali com uma garota diferente. Pela janela do banheiro ouvíamos a conversa sem sentido de bêbados falando sobre nada e gargalhadas insanas. Ela ajoelhada e eu resolvi que era um bom momento para umas palmadas em seu rosto. Primeiro um tapa, depois dois e vocês sabem como isso funciona. Ela nem parecia que gostava nem que não, mas de repente decidiu revidar e seus braços eram mais fortes que os meus. De supetão levei um tapa no rosto de baixo pra cima que quase me deixou sóbrio de novo, porém estava bêbado e o tapa fora tão forte que pendi para trás como quem estava prestes a cair. Então a garota dos braços mais fortes que os meus agarrou meu pau e me puxou junto dela impedindo minha queda. Poucas vezes me vi surpreso, mas nada supera o tapa, a quase queda e ser laçado por meu próprio pau. Rimos disso e ela continuou a fazer o que estava fazendo. Decidimos parar com os tapas por hora.

O que quero dizer com isso é que são sempre as pequenas coisas que me marcam. A minha memória que quase funciona raramente deixa passar esses pequenos momentos de que somos escolhidos pelo Destino para aprontar de bom humor. Não há muito que se esperar das pessoas nesta bagunça que chamamos de vida. Não há muito que esperar nem de nós mesmos, mas esses momentos simplórios fazem com que acordar cedo e sentir o azedo do suor que exala por debaixo da camisa do filho da puta que não tem coragem de tomar um banho antes de dividir o mesmo metro quadrado que você no ônibus lotado faça um pouco mais de sentido. Porém não muito.
Só que a vida é bem mais flagelos que momentos intrigantes como estes, logo, não vou negar que por vezes me passa pela cabeça morrer. Não morrer para sempre, não é isso. É morrer uns três ou quatro dias só. Assim, sem mais nem menos. Apenas morrer e não ter ninguém enchendo meu saco, sem cobradores ou Testemunhas de Jeová em minha porta. Sem carros do ovo, da cândida, ou do churros. Sem panfleteiros de pizzarias. Sem ter de me preocupar com cigarros e sem guarda noturno. Só morrer, pura e simplesmente morrer. Descansar a mente, o corpo, esquecer das coisas. Já reparou que passamos mais tempo tentando esquecer que lembrar? Isso pode ser um sinal. Um sinal de que a coisa está de mal a pior.

Estava lembrando desses casos assim, por acaso. Entre uma dose de Borboun e outra, analisava o conceito que tinha das mulheres e o conceito que as mulheres tinham sobre mim. Dizem que os amigos sempre lhe dizem a verdade, eu nunca acreditei nisso, porém tenho uma conhecida que já tomou porres homéricos comigo, que jura de pé junto que sou a pior pessoa do universo, aliás, não duvido que ela goste da minha companhia só por isso. É mais fácil de conviver com alguém que está mais fodido que você, não há pressão para melhorar. Em seus ápices de embriaguez chegou a me comparar com o próprio Diabo, mas acho que ela me superestima.

Então penso nas garotas das quais cometeram o erro de cruzar meu caminho. Todas elas santas, faço questão de frisar. O que pensam de mim? Não que seja importante a ponto de mudar a minha opinião, contudo pode ajudar a entender o porquê não permaneceram e qual a minha responsabilidade nisso tudo.

O fato é que algumas garotas gostam do que eu escrevo, no entanto não gostam tanto quando me conhecem e provam o que leem na vida real. Justo.

Lembro-me de uma garota, de olhos verdes como uvas verdes. Não se adaptou a liberdade que eu dava a ela. Talvez quisesse alguém ciumento, que quisesse saber onde ela estava a cada passo, que a proibisse de ter amizades masculinas e controlasse todas as suas ações e bem sei que apesar de reclamarem, existem muitas garotas que gostam desde tipo de cara machão. Eu poderia ser este cara? Claro que poderia, mas eu não poderia ser este cara e ainda por cima ser exatamente a pessoa que eu digo ser. Então começaria uma relação traindo, não ela, mas a mim mesmo. Não digo que hoje ela me odeia, porém acredita piamente que eu não quisesse nada com ela. Eu queria, só que gosto de analisar as coisas e as pessoas e isso leva algum tempo.

Penso na idosa de 500 anos. Meu único arrependimento quanto a esta garota de 20 anos é que, idosa que era, ainda possuía todos os dentes. Ainda hoje não sei o que é ser chupado por uma banguela, mas nunca é tarde. Esta, talvez me odeie, mas tenho sérias dúvidas. O que acontece é que ela se convenceu de que eu sou o pior do mundo, mas não consegue esquecer os bons momentos, logo, sempre quer reviver os bons momentos de outrora. Só que todos sabemos que há coisas que nunca se repetem.

Outro dia recebi uma ligação de uma garota casada. Em outros tempo traía seu marido comigo, mas isso faz muito tempo. Teve um filho recentemente e depois de tanto tempo de fidelidade forçada queria voltar a traí-lo. Esta não me odeia, tenho certeza. Poderia dizer que até me ama, do jeito dela, mas talvez seja amor. Contudo, não mais do que ama o marido. Melhor pra mim, pior pra ela.

Tive uma relação conturbada com uma garota de pernas finas uma vez. Digo conturbada, pois nunca estávamos disponíveis ao mesmo tempo. Quando ela quis eu estava ocupado me diminuindo, e quando eu estava disponível ela estava ocupada com outros relacionamentos. De qualquer forma, por mais que em algumas vezes quisesse me odiar ela não conseguia. Não conseguia, pois para odiar é preciso dar importância, nutrir qualquer sentimento para depois querer o mal. Mas a única coisa que a garota de pernas finas sentia era vaidade. Gostava do drama que eu fazia, e eu sou bom com dramas. Fazia bem ao seu ego estar entre as linhas dos meus textos e esperava ansiosa para ler sobre si. Sentia-se musa de seu autor predileto. E ela era. E eu era. Hoje não mais, nem pra mim, nem pra ela. Hoje ela lê outras coisas, eu escrevo sobre outras e assim a vida segue. Mas definitivamente não me odeia.

Já Nelia, talvez seja a única que nutre algum ódio e rancor por mim. Odeia porque me amou. Odeia, pois não pude ser o homem que ela queria que eu fosse. Odeia-me porque eu era só um garoto. Odeia porque eu não podia fazer malabarismo em faróis, porque não podia dormir em redes, porque não podia desvendar o mundo. Também pudera, sequer conseguia me desvendar. Meus segredos e sonhos, o que eram? Meus amigos e familiares, quem eram? Odeia então, porque eu não era capaz de acompanhá-la em sua jornada para desvendar seus traumas. E ainda pensando nisso, vejo que não tenho nada em comum com essas garotas nem com seus ideais e suas fantasias. Algumas delas queriam apenas um escritor falido para se sentirem o centro de algo importante, contudo, eu nem sou tão escritor assim e nem tão falido assim. E mesmo não sendo, vivendo a realidade da minha escrita, perceberam que não é tão fácil estar ao lado de um beberrão teimoso que precisa de sexo como um alcoólatra precisa de álcool e eu preciso tanto de ambos.



Bento.

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segunda-feira, 6 de julho de 2015

CAFÉ ESTOCOLMO - OUVIDOS DE ALGUÉM TÃO MAIS FODIDO QUE VOCÊ

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Então por esses dias, de um frio de encolher o pinto que fica difícil até de mijar, não saía de casa sem um bom Café Estocolmo. Se não sabem o que é um Café Estocolmo vou dizer; é quase um Café Irlandês - café e whisky-, mas como não tinha whisky misturei com Dreher mesmo. Aí me perguntam; mas por que café Estocolmo? Não sei, mas se inventei eu coloco o nome que quiser. Dúvida; posso fazer Café Estocolmo com qualquer outro conhaque barato? Claro que não. Estocolmo é só com Dreher, invente outro nome para o seu drink.

Mas como tudo que é bom acaba, o Dreher também acabou e tive que voltar para o café tradicional. O tempo também melhorou e não tive maiores problemas com o frio. Então chegou o final de semana e uma garota me presenteou com uma garrafa de Jack Daniel's que solucionou todos os meus problemas em relação a cafés. Cheguei à conclusão que uma garrafa de Jack me faz mais feliz que muita coisa nesta vida. Claro, é possível comprar uma garrafa a qualquer momento, mas ganhar... Bom, ganhar é outra coisa. Me dar um Jack Daniel's é como dar um buquê de rosas para uma garota, me ganha facilmente. Não sei se a garota sabia disso ou não, de qualquer forma parabéns a ela. Já estamos juntos há algum tempo e mesmo sem o Jack eu poderia citar alguns fatos aqui para justificar o tempo que estamos juntos, ela já tinha me ganhado pelas noites de sábado que dividimos a cama fumando e bebendo e transando, mas o Jack veio para acabar com qualquer suspeita.

Falando nisso, eu tenho um sério problema com cerveja. Não, meu problema não tem nada a ver com gastar todo meu salário no bar, muito menos as noites que dormi na rua, me meter em brigas de bar que não conseguiria dar conta, nem com as garotas que deixei de transar porque estava tão bêbado que meu pau mal conseguia levantar. Também não tem nada a ver com vício, pois eu posso parar de beber cerveja a hora que eu quiser, posso ficar dias sem beber cerveja, desde que tenha whisky ou qualquer coisa alcoólica para substituir. Nem tem nada a ver com religião e essa baboseira toda de céu e inferno. Meu problema com cerveja deve-se a minha bexiga. Depois de um tempo bebendo eu começo urinar desesperadamente. Mal saio do banheiro e já quero mijar de novo. É difícil manter uma conversa civilizada, com uma garota no bar, quando você quer mijar de cinco em cinco minutos. E quanto mais eu seguro pior é a sensação. Dói nos olhos, lacrimejando eles acusam meu desespero. Começo a transpirar e é um suor frio. Então tenho que beber em lugares onde existe um banheiro por perto, ou pelo menos uma esquina qualquer onde eu possa me aliviar sem pressão. Então você pensa; porra nenhuma de problema! Problema tem a África, o Oriente Médio, a economia do país. E eu respondo; só lido com os problemas que eu posso resolver.

Na verdade, eu só lido com problemas que me interessam. Sim, me chamem de egoísta se quiserem. Mal posso esperar por isso. A verdade é que pouco me interessa qualquer coisa que não tenha a ver com álcool, sexo e dinheiro, afinal, o que é mais importante que isso?

Outro dia estava falando com uma amiga. Ela dizia que estava em crise em seu namoro. Jurava ela com a certeza que as mulheres têm, e só as mulheres têm, que o cara iria terminar o namoro e que quando isso acontecesse ela iria me fazer uma visita. Eu respondi que seria bem difícil isso acontecer pelo mesmo motivo que citei logo acima; ganhei um Jack, estava transando com a mesma garota já fazia algum tempo e que eu não estava disponível. Não, se pensam que eu estava dando uma de orgulhoso, eu não estava, afinal transa é transa. Ela, para não ficar por baixo disse que só iria lá em casa para conversar, contudo, nunca houve uma vez que ela tenha ido em casa só para conversar. Todas às vezes, ou transou comigo ou com qualquer outro que estivesse de visita. Desta vez não seria diferente, certeza, senão pra mim para o meu cachorro, mas vai que meu cachorro não estivesse com vontade, aí acabaria sobrando pra mim e como eu já disse, não estaria disponível. Mas as mulheres sempre tentam nos convencer desta coisa de sexto sentido e tudo mais. Quando não há razão nenhuma para desconfiar elas colocam a culpa no sexto sentido. Lenda, pura lenda. Caso fosse verdade não haveriam tantas garotas enganadas por aí. Porém, sempre que acabamos com seus argumentos e tentamos colocar algum juízo na cabeça de uma garota, apelam para o sexto sentido.  Já o homem, na dúvida, vai lá e trai na esperança de ter sido o primeiro, pois corre o boato em qualquer roda de homens que quem traiu não pode ser traído. Besteira.

Eu acho tudo isso uma tremenda besteira. A maioria do que se considera de conhecimento popular é uma anomalia idiota. Tudo é uma tremenda babaquice. Ditados populares são toscos como conselhos de velhos. Achamos que com a idade vem a experiência mas sei que um adulto imbecil dificilmente se tornará um velho sábio, assim são as coisas. Por isso que digo que toda essa coisa de ciúme e traição e término de relacionamentos, geralmente acontece por um egoísmo sem fim. Traem para se sentirem seguros (egoísmo), são consumidos pelo ciúme por causa do sentimento de posse (egoísmo), e não importa o que dizem, mesmo o amor maior do mundo não impede você de levar um pé na bunda quando se tornar um estorvo para o outro. Tudo está relacionado ao interesse. As mulheres não amam estorvos, amam quem der mais, quem tem mais a oferecer. Assim que começar a ser um peso você ficará sozinho, como todo mundo. As mulheres aprenderam que os homens não podem demonstrar fraqueza. Quando um homem precisa de suporte, é o bar que estará lá para lhe estender a mão, um copo de algo forte e alcoólico, e se tiver sorte, os ouvidos de alguém tão mais fodido que você.



Bento.

sábado, 27 de junho de 2015

SOMOS TODOS EGOÍSTAS ENTÃO SÓ ME CHUPE SE FOR CONVENIENTE

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Com o tempo vamos afastando as pessoas de nossas vidas. É um processo natural. Depois de muito tempo, as pessoas que ficam do seu lado são aquelas que realmente merecem - o castigo de sua parte ou da deles - e estes têm seu valor. Quem de vocês podem se dar ao luxo de dizer que convive com alguém desde sempre? Isso é raro. Nós conhecemos várias pessoas ao longo da vida e algumas delas pensamos que permanecerão o resto de nossas vidas, mas invariavelmente partirão, ou nós partiremos, por falta de contato, por preguiça, ou simplesmente porque aquela pessoa acaba se tornando um grande e insuportável pé no saco.

A maioria das pessoas que eu conheço eu me afastei por preguiça. Também por não me importar, mas mais por preguiça mesmo. Por exemplo, odeio ir na casa dos outros. Se eu te encontro em meu caminho é bem possível que eu pare e tomaremos umas cervejas juntos, mas se eu tiver que ir até algum lugar para te encontrar e relembrar os velhos tempos, não me espere, pois não vou. Não vou porque tenho preguiça. Com exceção é claro, se valer a transa.
Basicamente a vida se resume em quem quer te dar somado ao tempo que ninguém dá pra você. É tudo uma coisa se demanda e oferta. Se a oferta é grande não há porque se preocupar em percorrer caminhos tortuosos em busca de uma transa que você pode facilmente conseguir ao lado de casa. Pode perguntar para qualquer virgem, ou idiota, estes dão a volta ao mundo para transar.

Tive um amigo que namorava uma garota que morava em outra cidade e todo fim de semana ele viajava só para transar. Você pode dizer a si mesmo que era por amor, mas eu garanto que se ele tivesse a possibilidade de transar com qualquer outra que morasse mais perto ele faria.

Conheci uma garota uma vez que vendeu seu carro para ajudar o namorado a pagar a faculdade. Esta garota, apesar de simpaticíssima, era de uma falta de beleza sem igual, também era gorda e os dentes da frente separados, contudo, o que fazia dela a última na face da terra em matéria de sexo era o grande calombo que tomava praticamente sua nuca inteira. Este calombo impedia que nascesse cabelo ali. Então ela tentava esconde-lo com o cabelo da parte de cima da cabeça, uma tentativa até que válida, mas que não adiantava muita coisa. De qualquer forma, como toda desgraça ainda é pouca, o tal calombo dava de soltar um liquido viscoso e fétido, logo, nenhum cara em sã consciência, nem os mais bêbados, queriam se arriscar a colocar o pau ali dentro, com exceção do já citado namorado. Digo, pelo menos ele deveria transar com a garota, afinal, ninguém se dispõe a vender o próprio carro para ajudar alguém sem levar nada em troca. Mesmo os ignorantes religiosos doam suas coisas em troca da promessa - infundada - de um bem maior futuro. Resumindo, o cara se formou e deu um pé na bunda da garota do calombo. As coisas são assim, as pessoas são assim, bem como chegam, partem.

Eu estou dizendo isso talvez para justificar o fato de que eu simplesmente não me importo. Não me importo porque já vivi tempo suficiente para saber que as pessoas partem e nem sempre a culpa é minha. Não estou me eximindo de culpa, eu sou o primeiro a apontar o dedo pra minha cara e me julgar, mas nem sempre sou o culpado disso. Não me importo porque sei que as bundas mudam, os peitos mudam, mas num todo, geralmente trata-se da mesma coisa. Garotas que me acham interessante pelo modo que penso, que escrevo, mas principalmente pelo meu jeito de quem não se importa. É um ciclo, entenda; o que me torna interessante é a mesma coisa da qual vai deixa-las emputecida depois de algum tempo.

Eu nunca destrato ninguém, já disse isso aqui. Se destratasse não voltariam e a ideia é que elas sempre voltem, pelo menos até o momento que elas são interessantes. Dito isso, sou culpado quando dizem que se sentiram importantes, mas na verdade a culpa é dos seus relacionamentos passados com imbecis que as trataram como bosta. Faço tudo intensamente, também já disse isso, então olho nos olhos enquanto as penetro, agrido quando me pedem e faço tudo como se fosse a última vez, afinal, com meu estilo de vida pode mesmo ser. De repente um orgasmo pode se transformar em um enfarte e meu coração pedir arrego, pode acontecer, não seria nenhuma surpresa, e caso aconteça quero chegar ao lugar que tenham reservado pra mim com um belo sorriso no rosto e a sensação de trabalho bem feito. Logo, sou culpado quando me acusam de comê-las de forma que lhes deem esperança de que houve sentimento, mas sou inocente delas tirarem a calcinha para qualquer cuzão que as comem como quem toma café de manhã apressado para o trabalho.

Mas eu também já me senti vítima. Algumas garotas aceitaram transar comigo apenas para serem citadas em meus textos. E depois disso partiram. É difícil passar por uma situação desta, quando você ainda não está saciado e a pessoa te deixa na mão porque já conseguiu o que queria. Porque no final é isso, estamos todos em buscas de recompensas, metas que almejamos atingir. No final, somos todos egoístas e não fazemos nada que não seja para o nosso próprio bem. A garota só dá para alguém por acreditar que aquilo a fará bem de alguma forma, se não for por prazer sexual, que seja pelo prazer sentimental - e tem muita mulher que continua dando pro cara errado pelo simples fato de gostar do cara - ou pelo prazer da vaidade - e as mulheres são expert em dar pro cara pelo simples fato dele lhe dar em troca roupas e plásticas e viagem para que ela possa alimentar a vaidade de postar as fotos no Facebook - ou o prazer de qualquer coisa que venha te fazer feliz. Os homens que aturam uma relação da qual não quer pelo simples fato de ter roupa lavada e sexo sem sacrifício - e o que tem de cara por aí que se sente preso como um animal em seus relacionamentos - ou os caras que ainda se prendem a garotas com medo de assumir que na verdade gostaria de ter sua próstata cutucada por uma rola grossa e cheia de veias - eu conheço alguns. É justamente por isso que eu não saio por aí chorando e falando mal das garotas que se vão e não voltam. Afinal somos todos egoístas, então só me chupe se for conveniente.



Bento

segunda-feira, 1 de junho de 2015

ENQUANTO ELA ESTÁ DEITADA EM MINHA CAMA TAMBORILANDO OS DEDOS NUM COPO DE WHISKY


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Parte de mim esta aqui. Deitado em meu quarto, com o livro do Bukowski ao lado que não tenho coragem de abrir. Na verdade tentei engatar na leitura por três vezes e não consegui. Coloquei alguns Blues pra rolar, mas mesmo assim olho para as paredes, os pôsteres e nada. Albert King faz um vibrato na guitarra suficiente para deixar qualquer fã com os pelos do braço arrepiado e eu sequer ergo os olhos para contemplar.
Fica estranho quando você faz todo o mantra para escrever. Antes algumas cervejas, uma dose de um bom Bourbon e espera a inspiração vir só que ela não vem. Nessa brincadeira foram vinte latas de cerveja, meia garrafa do Jim Bean e um maço de cigarros e nada. Absolutamente nada. Apelei para as fotos antigas e mesmo assim foi como ver paisagens do Bing. Senti vontade de matar duas ou três personagens que nelas estavam e pensei que poderia partir daí para escrever qualquer coisa, mas me enganei.
Mais Blues, mais Bourbon, mais cigarros e cervejas e não escrevi uma linha sequer. O pior? Eu ainda enxergava meus dedos e onde eles tocavam.

Passei a pensar no outro dia e comentar sobre transar com amigas que bebem como gente grande. E transam como gente grande. E pensam como gente grande. Aquele tipo de garota que faz tudo aquilo que tem vontade e eu as respeito por isso. O tipo de garota que faz tudo que um homem faz só que melhor.
Eu sempre tive um fraco por garotas marrentas. Que fazem barraco na rua por ciúmes. Que gargalham alto e choram quando estão com raiva e não fazem questão de esconder de ninguém. Porque garotas assim sentem tudo a flor da pele e sempre me passam a imagem de verdade. Eu posso estar errado num caso ou em outro, mas em suma é isso.

Se voltar alguns textos verá que eu tinha tempo para dar e vender. Hoje eu gostaria de ter para compra-lo, pois não está fácil. Não tenho espaço na agenda sequer para me masturbar, quanto mais fazer social com uma garota enquanto ela está deitada em minha cama tamborilando os dedos na borda do copo de whisky pensando quanto tempo é necessário para que ela tire a roupa sem que eu pense que ela é uma vadia. O que essas garotas não sabem é que quanto mais vadia, mais eu gosto. Gosto, pois como costumo dizer; pureza só é bom para nossas filhas e a vodca. Gosto das vadias porque ninguém é santo e quem finge ser pode fingir várias outras coisas e eu não gosto de fingimento. Logo, tire a roupa quando achar que deve e se quiser começar tirando a minha ganhará pontos por isso.

No trabalho, todos os dias, depois de um dia cansativo, antes de acabar o expediente, sempre na mesma hora, eu saio para fumar um cigarro e desacelerar os pensamentos. E todos os dias, como se combinássemos, vem um gato preto até onde eu estou sentado fumando. Ele se aproxima como os gatos fazem. Cautelosos e lentos. O gato passa por mim, mas sempre notando minha presença e eu a dele. Ignoramos-nos, mas não deixamos de nos notar. Então este gato entra num bueiro como um rato faria. Ele entra todo no bueiro, dentro mesmo e fica lá por alguns minutos. Eu acendo sempre mais um cigarro para vê-lo fazendo seu ritual. Então, finalmente sai o gato com uma barata na boca. Às vezes uma barata mais traiçoeira foge correndo do bueiro e o gato preto e magricela sai atrás dela até alcançá-la. Mas o gato não mata a barata. Ele apenas quer se divertir. A barata, é claro, não entende. O vê como uma ameaça. E o gato cuidadosamente bate na barata com suas pequenas e macias patas forte o suficiente para que o inseto corra e ele corre atrás dela. Na falta de um rato, este gato brinca com as baratas. E todo dia é assim. Este é um gato de rituais. Todos os dias, reserva-lhe aquele período para curtir com a barata.
Eu também sou um animal de rituais. Não levanto da cama antes de um cigarro. Não entro no banho sem antes tomar uma grande caneca de café. Não faço nada sem música, nem cagar, nem comer, nem dormir ou transar. Passo um bom tempo na frente do espelho aparando a barba e arrumando o cabelo. Assisto aos jogos do Corinthians sempre no mesmo sofá, tomando cerveja e com o volume ao máximo, e grito com o juiz mesmo sabendo que não serei ouvido. Dificilmente passo um dia sequer sem cerveja. Não durmo sem o último cigarro, pois aquele pode ser realmente o último. Nunca se sabe quando vamos acordar ou dormir definitivamente, então todos os dias fumo meu cigarro antes de dormir refletindo sobre aquele que pode ser meu último cigarro. Não transo sóbrio porque tenho sempre a companhia de meus demônios. A última garota que transei sóbrio foi há um pouco mais de cinco anos. Para ser sincero, a única coisa que faço sóbrio é trabalhar, de resto...
Então talvez, resumidamente meu ritual é estar bêbado? Sim, ou grande parte dele pelo menos. Consigo fazer várias coisas ao mesmo tempo apesar de não gostar, prefiro fazer uma coisa de cada vez e também é assim com garotas, com exceção, claro, se elas estiverem juntas. Se vou mentir começo sempre com a palavra "então" após uma pergunta, que é para dar tempo de pensar na mentira, mas também não gosto de ter de contá-las. Prefiro guardar minha criatividade para outras coisas. Podem ser rituais ou TOC. Nunca sei dizer ao certo. Sendo assim, não é difícil imaginar o quão complicado acho manter um relacionamento com qualquer mulher. Não se encontra em qualquer lugar garotas dispostas a aturar caras com todas essas manias. Normalmente mulheres não têm rituais, o humor delas é inconstante, o meu não. Estou sempre de mau humor, pelo menos de manhã.

Dito isso, decidi me afastar um pouco de garotas. Por um tempo, sem pressão. Parei de ligar e convidá-las para qualquer coisa, deixei de atender as ligações e responder mensagens. O motivo disso é difícil explicar. Estou num grau de tédio que supera qualquer coisa. Um desinteresse coletivo. É preciso uma coisa muito, mas muito interessante mesmo para me tirar de minha companhia solitária. Ultimamente só abro a porta de casa para duas garotas ou mais, assim elas conversam entre si e eu posso perder-me em meus pensamentos inúteis.
Chame isso de preguiça se quiser. Pode chamar de covardia também, eu chamo de tédio. E tem mais. Eu estava entrando numa vibe de ser bastante procurado por garotas comprometidas e estava gostando disso. Nunca gostei de me envolver em relacionamentos alheios, porém estava me envolvendo. Talvez, também por isso resolvi dar um freio nesta bagunça toda. Mesmo porque eu tenho uma coisa de chamar atenção de maridos e namorados. Mesmo aqueles que não conheço, só ao ouvir falar de mim já me odeiam. Algumas garotas me dizem, naquelas conversas sem propósito que levamos quando não se vê alguém há muito tempo, elas dizem: Meu namorado te odeia. E eu sequer conheço esses namorados ou maridos. E eu sequer dei qualquer motivo para que eles me odeiem. De qualquer forma, não ficaria surpreso se um dia fosse assassinado com um tiro bem no meio dos olhos por um desses caras ciumentos. Sem motivo, simplesmente por suas garotas não foderem com eles direito. Simplesmente por suas garotas não os chuparem direito, ou por suas garotas trocarem os nomes deles pelo meu na hora da foda. Será? Soube de uma ou duas que fizeram isso, só que eu tenho tanta responsabilidade por isso quanto tenho pelo aquecimento global. Algumas pessoas me superestimam demais. Eu sou só um cara, e com tantos problemas que se soubessem provável que deixariam de notar minha existência.

Então, por isso eu não passo mais meus dias telefonando ou puxando conversa com garotas que eu mal conheço. É cansativo e desinteressante no momento. Não movo um músculo, não sem antes uma boa recompensa. Como qualquer pessoa que escreve, inevitavelmente reflito sobre o final de qualquer história antes de começá-la.



Bento.

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